quinta-feira, 15 de março de 2012

O Brasil será mesmo um país rico?



“País Rico é País sem Pobreza”


Professor Nazareno*

         
          Recentemente a Presidente de Brasil, Dilma Rousseff, teria em um programa de rádio pronunciado a frase do título deste artigo e por isso gerado muitas críticas entre vários brasileiros desinformados e completamente alheios às questões socioeconômicas e políticas do nosso país. Houve muitas postagens nas redes sociais insinuando ser a nossa maior mandatária uma “burra de carteirinha” por ter afirmado uma coisa óbvia demais. Disseram ser coisa de mulheres loiras ou algo mais preconceituoso ainda do tipo: “ela disse isso por que é uma mulher e as mulheres não são muito inteligentes”. Ledo engano. Os críticos podem estar enganados desta vez. Sem querer defender a líder petista em nenhum momento, a referida frase, antes de ser um pleonasmo vicioso, do tipo “subir prá cima, descer prá baixo, sair prá fora ou entrar prá dentro”, é uma das falas mais inteligentes já ditas por um brasileiro (a) em todos os tempos.
         Do ponto de vista da Gramática Normativa da Língua Portuguesa é claro que se trata mesmo de um pleonasmo, já que se o país é rico seria óbvio que ele não tivesse pobreza. Mas não é exatamente isso que acontece. O Brasil recentemente chegou ao posto de sexta potência econômica do mundo tendo superado o Reino Unido. Se continuar com este crescimento anual, deve superar a França até meados do próximo ano e se tudo correr bem, e a crise mundial não nos afetar como está afetando a Europa, a partir dos anos 20 deste século, ou seja, em menos de uma década, estaremos entre as três maiores economias do mundo ao lado de gigantes como a China e os Estados Unidos. No entanto, seremos uma potência com os “pés de barro”, já que temos entre 15 e 20 milhões de brasileiros que vivem na miséria total, bem abaixo da linha da pobreza. Uma vergonha para uma nação que se gaba de ter um dos maiores PIB’s do mundo.
         E a fala da nossa Presidente analisou exatamente esta situação. Segundo ela, um país que tem uma pobreza muito grande dentro de sua população não pode ser considerado uma nação rica. Os BRICS, Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul além da Argentina, México, Peru e Chile, dentre outros, estão na mesma situação. Embora tenham demonstrado uma considerável elevação dos seus Produtos Internos Brutos nos últimos anos, ainda não sabem como vencer a pobreza endêmica que assola grande parte de suas populações. A desigualdade social verificada em muitos desses países é caracterizada pela alta concentração de renda e agravada ano após ano pela péssima qualidade dos seus serviços públicos, pela corrupção nos meios políticos, pela alta carga tributária e pelas injustiças sociais. O Brasil só será de fato uma nação rica quando a qualidade de vida da sua população for também alta. E sem pobreza.
         Porém, o aumento do nosso IDH parece ser um sonho ainda inatingível. Nem o PT, com sua política paternalista de compra de votos por meio dos inúmeros programas sociais, vai conseguir resolver o problema dos nossos pobres. A China está investindo como nunca no seu sistema de Educação. Chile e Argentina, nossos vizinhos, já têm qualidade de vida quase igual a muitos países europeus e mesmo assim continuam investindo como nunca em seus sistemas de ensino. O Brasil está dando um tiro no pé. Aqui, só futebol (e hoje de péssima qualidade) e carnaval. Bumbum de mulher e perna de jogador não podem ser os nossos únicos produtos de exportação. O país precisa urgentemente investir em Educação de qualidade se não quiser ser superado por nações mais modestas. A fala da Dilma, que muitos desinformados criticaram, nos remete a um entendimento contrário ao que se prega no mundo inteiro: não basta ter muita riqueza, como é o nosso caso, se esta não está bem divida por todos os habitantes da nação.
Por isso, a crítica deveria ter sido em relação às ações do Governo petista e não em relação aos possíveis erros gramaticais que foram encobertos pela lógica do pleonasmo pronunciado pela Presidente. O Brasil não está investindo com qualidade na sua Educação, como, aliás, nunca o fez, nem está combatendo os desvios e roubos da nossa crescente corrupção.  Estamos crescendo em cima do fracasso dos outros, essa é que é a grande verdade. E sem Educação de qualidade não teremos sustentação alguma. Não teremos futuro nenhum. Em Rondônia, por exemplo, sem falar no desastre da administração petista em nossa capital, o que foi feito com o dinheiro da compensação pela construção das hidrelétricas no Madeira? Absolutamente nada. Os rondonienses se gabam de ser um Estado muito mais rico do que a Paraíba, Maranhão, Piauí ou mesmo Alagoas, mas aqui não existe uma única universidade estadual como nestes estados citados. Diferentes da Coreia do Sul, não priorizamos a Educação e nada vamos colher. Em breve vamos nos parecer muito mais com um Haiti, Somália, ou Etiópia. Em vez de ter pronunciado a frase acima, a Presidente deveria ter reconhecido que o Brasil é “um pobre país rico”. Talvez fosse mais bem entendida pelos seus ignorantes críticos.




*É Professor em Porto Velho.

Um comentário:

megax disse...

muito bom, ainda não tinha visto por esse lado. Realmente podemos se mais compreensível.