segunda-feira, 28 de julho de 2014

Delírios em uma cidade perfeita


Delírios em uma cidade perfeita

Professor Nazareno*

São exatamente sete horas da manhã. Levanto-me, rapidamente me arrumo, desperto minha esposa e acordo o meu filho pequeno para momentos depois levá-lo até a parada do ônibus escolar que passa todos os dias pontualmente às 7 horas e 16 minutos. Não faz muito frio e o dia amanheceu quase meia hora antes. Pelo caminho, cumprimento algumas pessoas conhecidas e enquanto o pontual transporte escolar não chega aproveito para colocar as conversas em dia. Falamos sobre várias coisas, mas principalmente comentamos sobre a alegria e a felicidade que temos por morar num país tão maravilhoso como este, viver em um Estado extremamente comprometido com as futuras gerações e habitarmos uma cidade feita sob medida para nós, trabalhadores e pagadores de impostos. Aqui não é o melhor lugar do mundo, mas quase tudo funciona.
Meu filho passa o dia inteiro estudando em uma escola do município, que é de tempo integral, assim como todas as outras escolas públicas desse país. Lá, ele tem três refeições diárias, transporte, hora de descanso em alojamentos extremamente asseados, atendimento médico e odontológico, além, é claro, de aulas teóricas e práticas. Isso sem falar nas atividades semanais de futebol, natação e atletismo. O meu local de trabalho não fica muito longe da minha residência e por isso vou de transporte coletivo mesmo. A cada 10 ou 20 minutos, dependendo do dia, o ônibus chega pontualmente à parada próxima a minha casa. Limpo, cheiroso e perfumado o “meu coletivo” passa diariamente em frente à Câmara Municipal e também pela Assembleia Legislativa. Em sinal de respeito, os passageiros se levantam para homenagear os probos homens públicos dali.
Aqui existe uma verdadeira adoração pelas autoridades constituídas e há uma confiança generalizada no Poder Público. A corrupção é muito próxima de zero assim como o índice de analfabetismo. A lei é quase sempre aplicada para todos e a Justiça do país sempre funcionou sem levar em consideração a conta bancária de ninguém. A violência é quase inexistente, não temos inflação, o desemprego é baixo e os problemas sociais são mínimos. As ruas de todas as grandes e pequenas cidades do país são limpas e higiênicas, em muitas delas há projetos urbanísticos reconhecidos mundialmente além de uma excelente mobilidade urbana em todas elas, o lixo é todo reciclado, as estradas estão em perfeito estado de conservação e cada cidadão nascido aqui tem direito à assistência médica de qualidade e, apesar de tudo, ainda a uma boa aposentadoria.
Apesar de ter um IDH relativamente alto, nesse país ainda há muitos problemas para serem resolvidos. Mas a consciência coletiva que sempre imperou nesta sociedade certamente resolverá todos os obstáculos. O individualismo arrogante e o “jeitinho abjeto” são definitivamente lembranças de um passado distante. Este ano teremos eleições e mesmo o voto não sendo obrigatório acredita-se que haverá um alto número de eleitores escolhendo civicamente os seus representantes. Uma tarefa muito difícil a de colocar a pessoa certa e no lugar certo para exercer a função adequada no meio de tantos candidatos bons, qualificados e comprometidos com o bem-estar da população. Eleições limpas, tranquilas e sem perigo de se eleger pessoas erradas, desonestas ou que devam alguma coisa à Justiça. Assim é o meu país, meu Estado e minha cidade. E não é sonho nem delírios. Estou morando há quatro meses em Munique, Baviera-Alemanha.



*É Professor em Porto Velho.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Herzlichen Glückwunsch, Deutschland!


Herzlichen Glückwunsch, Deutschland!

Professor Nazareno*

                 Acaba a Copa do Mundo e merecidamente a Alemanha, ao vencer a Argentina por 1 X 0, se sagra tetracampeã mundial de futebol. Uma injustiça, pois devia ser hepta ou octacampeã por causa da organização, da disciplina e também pelo esforço desse país. Eu conheço a Alemanha e sei do que estou falando. Humildes, os germânicos já haviam conquistado fora de campo os corações de muitos brasileiros e nos deram uma lição de respeito em todos os itens. Como ninguém, fizeram jus ao “Schadenfreude, como eles chamam a alegria que se sente com o infortúnio alheio. Só que desde pequenos são ensinados a ter vergonha dessa situação. E contra os fracassados anfitriões mostraram ao mundo a sua superioridade em termos de fraternidade e respeito humano. Fizeram-nos entender que a competência deve sempre vencer a mediocridade.
E fomos medíocres, pois não perdemos somente para a Alemanha e Holanda, perdemos para nós mesmos. As nossas humilhantes derrotas foram o reflexo da habitual falta de organização, disciplina e planejamento dos nossos dirigentes. O time brasileiro que entrou em campo nas duas partidas nunca antes tinha jogado junto, já o time alemão fazia pelo menos sete anos que treinava e jogava entrosado. A nossa seleção é uma espécie de “pega na rua” e tem jogadores de tudo quanto é país e região, enquanto a base alemã, por exemplo, são apenas dois grandes clubes dentro da própria Alemanha: o Bayern de Munique e o Borussia Dortmund. Nunca se ouviu falar do “jeitinho alemão ou holandês e como o futebol há muito tempo trocou o individualismo em campo pelo espírito de equipe, percebe-se porque não somos mais potência neste esporte.
Além do mais, grande parte dos torcedores brasileiros se comporta como idiota e se deixa levar facilmente pelo ufanismo oco e fantasioso da mídia. Galvão Bueno da Rede Globo, dentre outros, “fez a cabeça” dos milhões de otários com suas firulas ridículas e cretinas. O povão, manipulado pelas circunstâncias, pintou suas casas, carros e ruas de verde e amarelo e não se via outra coisa que não estivesse vinculada à Copa e aos seus heróis de mentirinha. O amor ao país, o patriotismo exagerado e o civismo são representados pelas chuteiras. A idolatria absurda é a tônica e quase ninguém aceita crítica aos seus amados jogadores. Neste espaço mesmo, quantos leitores meus não me ridicularizaram e me censuraram por que eu criticava com veemência a nossa fraca seleção desde os primeiros jogos? Eu nunca acreditei em jogadores chorões e fracos.
Eu já havia advertido que enquanto jogava contra equipes "pequenas", o Brasil fazia o “maior piseiro”. Só que a casa caiu e veio o vexame e a dura realidade quando os adversários foram ficando mais fortes. O quarto lugar nesta Copa foi “um achado” para a nossa seleção, pois a Colômbia ficou numa posição inferior a nós, mesmo tendo feito mais pontos na competição: 12 contra 11. França, Costa Rica e Bélgica também foram muito superiores e mostraram um futebol bem melhor do que o nosso. Se brincar, não vamos para a Rússia na próxima Copa. Se nada mudar, cairemos já nas próximas eliminatórias. Nada mais justo do que entregar o troféu a quem foi e é superior em tudo. Os alemães não têm um PT, uma Dilma, um Mauro Nazif, os políticos canalhas e muito menos um povo estúpido e cego como o nosso. Por tudo isso, “sinceros parabéns, Alemanha!” Mais do que ninguém você mereceu essa vitória. A taça está em boas mãos.


*É Professor em Porto Velho.

terça-feira, 8 de julho de 2014

Brasil, uma seleção de ouro



Brasil, uma seleção de ouro

Professor Nazareno*

            Fala-se na crônica esportiva mundial que a seleção brasileira tricampeã do mundo em 1970 no México foi o melhor time de futebol de todos os tempos. Com Pelé, Tostão, Gérson e Rivelino mostrou um futebol que encantou o mundo. O segundo melhor time teria sido a Holanda, o “carrossel holandês” de Johan Cruijff, Kroll e Neeskens em 1974. Nesta lista aparece também  o  a seleção brasileira de 1982 com Zico, Falcão, Sócrates e companhia e que perdeu para a Itália de Paolo Rossi no famoso “desastre de Sarriá” em Barcelona na Catalunha espanhola. Deveria entrar para este seleto grupo de melhores times de futebol de todos os tempos a atual seleção brasileira de 2014 do "menino"  Neymar, David Luiz, Thiago Silva, Hulk e do técnico Felipão na Copa do Mundo realizada no Brasil, a chamada “Copa das Copas”.
            Diferente de muitos outros, esse time vai deixar excelentes lembranças para o Brasil e os brasileiros. Nunca em nenhum momento da história deste país um grupo de “heróis tatuados” marcou tanto a população como agora. A Rede Globo de Televisão e o restante da mídia nacional nunca se esforçaram tanto para convencer os poucos e incrédulos torcedores brasileiros da supremacia do time canarinho. Esse é de longe o melhor selecionado já convocado para representar o país em uma Copa do Mundo. Do excepcional e invencível goleiro Júlio César, a “muralha humana” e consagrado herói nacional na batalha épica contra o Chile pelas oitavas de final até Hulk ou o habilidoso e competente centroavante Fred, que não se viam tantos jogadores maravilhosos se entregarem totalmente a uma nação como se tem visto agora durante esta Copa. 
            Do primeiro ao último jogador convocado, todos sem exceção se empenharam em mostrar seu talento e encantar ainda mais o país, tão carente de ídolos e heróis. Goleiros excelentes foram escolhidos, defensores habilidosos, meio-campistas altamente criativos e atacantes matadores estão a serviço do glorioso e imbatível esquadrão verde-amarelo.  A cada jogo vencido, a certeza da vitória final só aumenta: o Brasil está no caminho certo e por isso a população eufórica, numa demonstração de civismo e amor à pátria, gasta mais dinheiro ainda para engalanar seus carros, casas e ruas. Temos políticos ladrões? A FIFA é corrupta? Existe desigualdade social e injustiça no Brasil? A Copa foi superfaturada? O PT vai ganhar as próximas eleições? Esqueçam essas tolices. A seleção nos representa e é só isso que interessa. Ganha e convence.
            Brava seleção brasileira de futebol, que faz o povão cantar  o hino nacional "a capela", além de devolver a alegria e o patriotismo já esquecidos há quatro anos desde aquela longínqua batalha na África do Sul. Felipão e seus comandados vão redimir e compensar qualquer problema que possa acontecer com o país. Muito bem estruturados psicologicamente, os fabulosos jogadores brasileiros desbancam qualquer selecionado que ouse cruzar com os nossos reconhecidos heróis. Todos nós devíamos torcer pelo Brasil e só vestir roupas verde-amarelas para mostrar aos incrédulos e pessimistas o quanto é grande o nosso amor pelo país. “Sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor” deveria ser daqui para frente uma estrofe do nosso hino. Felipão, Neymar, Fred, Hulk e outros jogadores deviam ser canonizados e virar santos. Brasil, potência emergente também no futebol. Quanto orgulho de ter nascido neste país. À vitória!



*É Professor em Porto Velho.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

O Brasil venceu: só falta convencer

O Brasil venceu: só falta convencer

Professor Nazareno*

           Até agora nenhuma novidade nesta Copa do Mundo: se Deus quiser, o Brasil será campeão, se não quiser, ainda assim ganhará o título para delírio da extasiada nação, pois parece que tudo está milimetricamente preparado e já anteriormente decidido para a vitória certa dos brasileiros. Jogando contra a Colômbia, a suada vitória pelas quartas de final do torneio veio mais uma vez no sufoco e na marra. Confesso que nem assisti ao jogo completamente, pois estava corrigindo redações da escola João Bento, mas a partir de leituras, vídeos e interpretações das inúmeras reportagens e comentários de sites confiáveis, é fácil chegar à conclusão de que o “time canarinho”, pelo que tem jogado nesta competição, ainda falta convencer os torcedores menos fanáticos e o mundo inteiro de que é merecedor do maior título do futebol mundial.
            Jogando sem o seu principal atleta, o reconhecido e habilidoso atacante Falcao Garcia, que fora cortado por contusão antes do início da competição, o time colombiano deu um sufoco nos pentacampeões mundiais nos minutos finais do jogo e por pouco não empatou a contenda. Na pura sorte, o Brasil fez dois gols de bola parada. E gols de zagueiros, os chorões Thiago Silva e David Luiz, como se não tivéssemos atacantes preparados para vencer as redes adversárias. E o pior é que até agora não tivemos mesmo. Mais uma vez dentro de campo o centroavante Fred foi igual ao Mauro Nazif na Prefeitura de Porto Velho: não fez absolutamente nada. Bem marcado, Neymar foi anulado e pouco produziu até ser substituído depois de uma séria contusão. Sem meio de campo criativo e com atacantes nulos, contamos de novo com a sorte para vencer.
            Se a Copa do Mundo fosse um campeonato de pontos corridos, perderíamos feio para essa mesma Colômbia, que no caso jogaria pelo simples empate. Mesmo vencendo, ficamos com 11 pontos e 10 gols marcados. Os colombianos foram eliminados do torneio mesmo tendo ficado a nossa frente com 12 pontos e 12 gols feitos, além de terem até agora o artilheiro da competição, o jovem James Rodríguez com 06 tentos. Para o Brasil, essa Copa está mais do que parecida com uma Copa América. A rigor não enfrentamos ainda uma equipe de peso na competição. Só encaramos times medianos e sem muita tradição no futebol mundial. Agora, vamos para a semifinal jogar contra a poderosa Alemanha e o pior, sem o Neymar, pois num lance absolutamente normal, uma vez que não houve punição alguma, perdemos o nosso principal jogador.
            Alemanha, Holanda e Argentina têm mostrado um futebol de “gente grande” nesta Copa do Mundo. Isso sem falar nas zebras Bélgica e Costa Rica, que podem surpreender alguns dos favoritos. Podemos até ganhar dos alemães no próximo jogo, mas perdemos feio quando comparamos socialmente os dois povos. Os germânicos são a locomotiva da Europa e uma das maiores potências econômicas do mundo, além de terem uma sociedade organizada com um dos melhores padrões de vida. Ganharam mais de cem vezes o Prêmio Nobel e quase todos os seus políticos são honestos. O futebol alemão é muito bem organizado e há tempos tem sido superior em Copas. Por razões óbvias e também para fazer justiça ao bom futebol devemos torcer pelos alemães e esperar uma final entre Alemanha e Holanda. Sem convencer e se dependia mesmo de um único jogador, o Brasil devia disputar o terceiro lugar com a Argentina ou outro país. Enquanto for superior, a Europa merece ganhar. No futebol e nos índices sociais.





*É Professor em Porto Velho.