quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Devíamos ter furacões e terremotos


Devíamos ter furacões e terremotos


Professor Nazareno*

            
          Já ouvi muitos idiotas dizerem várias vezes que Deus é brasileiro e que somos uma terra abençoada por natureza. Tudo mentira, tudo lorota, tudo enganação. Uma nação que figura entre as maiores economias do mundo e tem um IDH incompatível com a sua riqueza é um lugar injusto. Nunca fomos um país sério e como se não bastasse, temos os piores serviços públicos do planeta e o nosso sistema de educação é uma desgraça que só imbeciliza e sabota os alunos, que são os mais desinstruídos e “ignorantizados” que se conhece. Os Estados Unidos, o Japão e muitos países desenvolvidos da Europa nem de longe podem ser comparados à desgraça que é o Brasil. Muitos desses países já ganharam várias vezes o Prêmio Nobel, têm sociedades justas, altíssimo IDH e quase todos seus serviços públicos funcionam exemplarmente.
                Muito diferentes deste país vagabundo e chinfrim, nestas nações a corrupção e a desonestidade são coisas raras. E quando por lá alguém saqueia o Erário, a punição sempre é exemplar. Só que nestes países há vulcões, terremotos e até furacões. “Então o Brasil é um país infinitamente melhor do que qualquer um deles” deve-se pensar erroneamente. Se foi Deus que criou os países, foi muito injusto: poupou-nos da fúria da natureza e caprichou nas desgraças naturais em outras nações. Mas a verdade não é bem esta, pois tufões, furacões, terremotos, nevascas, tsunamis e vulcões matam menos gente do que a nossa corrupção. É só comparar o número de mortos por causa dos 51 milhões de reais escondidos por Geddel Vieira, por exemplo. O dinheiro sujo do homem forte de Michel Temer poderia ter evitado muitas mortes nos hospitais públicos do país.
            Não há desgraça da natureza que mate mais do que a nossa corrupção, a nossa desonestidade, a nossa individualidade, o nosso jeitinho, a nossa insensatez. Somos infelizmente uma das piores sociedades do mundo em termos de justiça social e Deus é cúmplice de toda essa cachorrada em que vivemos. Se Ele nos tivesse dado a fúria da natureza podíamos nos proteger mais facilmente e teríamos menos mortos. Quantos pobres não morreram no “açougue” João Paulo Segundo de Porto Velho com as maracutaias da JBS com o atual vice-prefeito da cidade? As verbas surrupiadas do Espaço Alternativo, dos viadutos e da ponte escura pelos políticos daqui teriam evitado muito sofrimento da população mais carente deste Estado. Evitado sofrimentos, dores e muitas mortes. Mas quase ninguém consegue entender o porquê. E continua votando.
            A falta de saneamento básico, de água tratada, de mobilidade urbana além da violência desenfreada causa duzentas vezes mais mortes do que o furacão Irma ou de qualquer um tsunami. Se tivéssemos ao lado de Porto Velho um vulcão ativo ou mesmo se fôssemos uma terra de violentos terremotos, conseguiríamos nos livrar dos problemas sem tantos traumas e mortes. Mas nunca vamos nos livrar dos maus políticos, eles são como uma praga invencível. Parece que em Rondônia e em todo o Brasil, as mesmas desgraças serão sempre eleitas e reeleitas eternamente. Para se ter uma ideia do inferno astral em que vivemos na política, Lula e Bolsonaro lideram disparados todas as pesquisas para presidente da República em 2018. As intempéries naturais aparecem de vez em quando, já nossos males são rotineiros e frequentes. Seria interessante que Deus fizesse uma troca: mande-nos furacões, vulcões, terremotos e leve Temer e a corrupção.





*É Professor em Porto Velho.

domingo, 17 de setembro de 2017

Eu te amo, censura!


Eu te amo, censura!


Professor Nazareno*

           
             Muita gente nem percebeu ainda, mas o Brasil está vivendo tempos bicudos e muito preocupantes em relação à liberdade de expressão, embora se diga abertamente que estamos em uma democracia. Com o golpe dado na presidente Dilma Rousseff pelo atual presidente Michel Temer e sua turma, os covardes ataques à criatividade artística, científica e intelectual aumentaram perigosamente no país e os arautos da ignorância e das trevas não perdem a chance de mostrar suas garras. Porém o artigo quinto da nossa Constituição afirma que é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença. E continua: “são, portanto, invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito à indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação”.
            A nossa lei maior, portanto, proíbe qualquer tipo de censura política, ideológica ou artística. Mas não é isso que estamos presenciando. O museu do Santander Cultural em Porto Alegre foi fechado e a exposição Queermuseu foi cancelada após ataques registrados nas redes sociais e no interior do próprio museu. Em comunicado, a instituição afirmou que "o objetivo do Santander é incentivar as artes e promover o debate sobre as grandes questões do mundo contemporâneo, e não gerar qualquer tipo de desrespeito e discórdia". A exposição entrou em cartaz e logo após foi vetada. Depois de Porto Alegre, outra obra de arte também foi censurada: a artista Alessandra Cunha teve uma de suas telas expostas em Campo Grande/MS confiscada pela Delegacia Especializada de Proteção à Criança sob a acusação de incentivo à pedofilia. Ora, ninguém é obrigado a visitar uma exposição.
            Em Rondônia, por exemplo, caminha a passos largos a militarização de várias escolas estaduais sob o ridículo pretexto de melhorar a disciplina nas mesmas. Esse fato, no entanto, esconde o desejo latente e a mentalidade golpista e ditatorial de implantar nestas mesmas escolas regras equivalentes às da feroz ditadura que vivemos entre 1964 e 1985. Tivemos também o recente caso de Ariquemes, quando o Prefeito Thiago Flores proibiu a distribuição de livros didáticos nas escolas do município. Crime desses livros: falavam sobre a existência da diversidade de gênero, dos novos tipos de família e da existência de homossexuais. A censura e o obscurantismo são geralmente defendidos por religiosos inescrupulosos e por pessoas tapadas, sem leitura de mundo que se acham os donos da verdade. Triste: a Idade Média quer vigorar de novo. Estamos regredindo.
            Muitos facínoras adoram a proibição. Lula, que se diz de esquerda, não perde a chance de atacar a mídia para tentar encobrir suas falcatruas e ladroagens. Em Rondônia muitos internautas gostariam que eu não produzisse mais meus textos. Sem nenhuma importância literária, o que escrevo apenas procura mostrar a sofrida realidade a que os políticos nos submetem há tanto tempo. A blogueira e jornalista Luciana Oliveira de Porto Velho sofre o “pão que o diabo amassou” por causa de suas publicações. Nada pode ser censurado em uma sociedade moderna. Se alguém denegrir a imagem do outro, que pague pelo dano cometido. Por que me aborrecer se dois homens vivem juntos? Por que me incomodar se o outro não segue a minha religião? As pessoas não são iguais e a riqueza está na diferença. Arte é arte. E livros não podem ser queimados, como fizeram os Nazistas. Mais uma vez o ovo da serpente está chocando entre nós. Estou com medo.





*É Professor em Porto Velho.

domingo, 10 de setembro de 2017

Furacão em Porto Velho


Furacão em Porto Velho


Professor Nazareno*

            
         O furacão Irma, um dos mais devastadores e letais da História, arrasa o Caribe provocando mortes, bilhões de dólares em prejuízo e avança de forma agressiva sobre a Flórida causando violentos impactos materiais. Com ventos de quase 300 km e um raio entre 600 e 800 quilômetros o fenômeno provocou naquele Estado norte-americano a evacuação de mais de seis milhões de pessoas em um tempo recorde. Miami ficou deserta e as autoridades decretaram toque de recolher nas principais cidades e condados. Aeroportos foram fechados, postos de gasolina e o comércio em geral também não funcionou. Tropas militares patrulhando as ruas e o governador do Estado coordenando os trabalhos de remoção e evacuação de parte da população. Rodovias cheias de carros, pessoas buscando abrigos mais seguros, mas tudo dentro da mais perfeita organização.
            No entanto, se a tormenta fosse em Porto Velho, capital de Rondônia, tudo seria diferente. Mas já se sabe que Deus não é tão injusto e sacana para nos mandar mais um problema. Já temos de sobra desgraças que superam em muito os transtornos vividos pelas vítimas do Irma e de outros furacões. Nossos mandatários e nosso povo são pragas insuperáveis para qualquer país. Para começo de conversa, como nossas corruptas autoridades retirariam em tempo recorde as pessoas de uma cidade já arrasada como Porto Velho? No mundo desenvolvido e civilizado, as autoridades evacuam as pessoas. Já neste fim de mundo atrasado, os nossos governantes evacuam nas pessoas. Com ruas e estradas todas esburacadas e um povinho chinfrim e todo apressado querendo tomar o lugar dos outros, ninguém sairia daqui. A desorganização colocaria tudo a perder.
            Os ambiciosos comerciantes locais venderiam garrafas de água mineral a trinta ou 40 reais. Com a iminente tempestade, a gasolina subiria para 60 ou setenta reais o litro e os poucos e sujos hotéis da cidade até abrigariam pessoas, mas cobrando preços exorbitantes. Passagens de avião para sair do olho do furacão haveria, mas não por menos de 20 ou 30 mil reais o bilhete. Só os ricos se safavam. Mesmo assim, a terrível ventania seria um espetáculo grandioso de se ver. Já pensou as Três Caixas d’Água sendo arrancadas pelo alicerce? Estraçalhadas e moídas iriam parar no inferno, seu lugar adequado. A EFMM seria varrida do mapa. O furacão rondoniano faria o serviço que o rio Madeira iniciou. A ponte escura, os viadutos e o Espaço Alternativo seriam todos arrancados e jogados para muito longe daqui. O Furacão só nos livraria de trambolhos.
            Já pensou nos serviços de ajuda prestados pela Brigada de Infantaria e Selva e pelo 5º BEC? Nossos militares, cuja função maior é varrer pátios e desfilar no sete de setembro, finalmente teriam coisas mais úteis para fazer. O Corpo de Bombeiros, que não consegue evitar a nossa fumaça diária, também estaria a serviço dos atingidos. E o Batalhão de Polícia Ambiental, que entra ano e sai ano, e não consegue sequer impedir a queima de nossas florestas, o que faria para ajudar? O cenário nesta capital não ficaria muito pior no caso de uma anomalia dessas proporções. Energia iria faltar, como se isso fosse novidade. E haveria saques e roubos a lojas. O “açougue” João Paulo Segundo e o Hospital de Base receberiam os feridos e ficariam todos lotados de gente morta e ferida. Haja fedor. Faltaria água e os esgotos estourariam no meio das ruas. Os “ventos da morte” só não derrubariam a Assembleia Legislativa nem a Câmara de Vereadores.




*É Professor em Porto Velho.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

República Cu de Mãe Joana


República Cu de Mãe Joana


Professor Nazareno*


      Eis que o paisinho chinfrim volta de novo às manchetes policiais. E certamente não foi por causa do sete de setembro, quando se pensa comemorar uma independência que nunca houve por estas bandas. Livramo-nos de Portugal, é verdade, mas caímos nas garras do Capitalismo selvagem. Pior até: ajoelhamo-nos diante da ganância e da arrogância de uma elite nacional fracassada, hipócrita e amaldiçoada. Malas recheadas de dinheiro vivo foram encontradas num apartamento de um ex-ministro do governo golpista de Michel Temer. Outra vergonha. Mais de 51 milhões de reais e dólares saídos do esgoto do PMDB e de outros partidos que estão no poder foi o que a Polícia Federal descobriu num bunker em Salvador. Desta vez não é uma simples mala como aquela de “apenas” 500 mil reais. São oito malas e umas seis ou sete caixas abarrotadas de notas.
A República Federal do Cu de Mãe Joana está em polvorosa mais uma vez. O frenesi nos meios políticos não para e a certeza é a mesma de sempre: ninguém será preso de verdade. Uma prisão domiciliar aqui, outra acolá e uma tornozeleira eletrônica em um ou outro é o máximo de punição que a nossa Justiça permitirá aos infratores. Enquanto isso, os pobres e o país inteiro ficam no prejuízo e seguem sua rotina macabra de desolação e sofrimento. Como comemorar uma independência em meio a tanto descaso, roubo, falta de vergonha e corrupção? Isso é mesmo um país independente? Tudo o que muitos desses brasileiros descarados fazem só reafirma que não somos uma nação séria. E o pior é que se o bom exemplo não vem de cima, aqui por baixo as coisas seguem um repertório também envolto em corrupções, maracutaias e maus exemplos.
Em qual país do mundo, por exemplo, há saques de cargas tombadas no meio das rodovias? Essa é uma invenção tipicamente nossa. Aqui só se livra do saque se for uma carga de livros. O saber e a informação numa republiqueta desprezível não servem para nada mesmo. Um país em que muitas das autoridades saqueiam o Erário em benefício próprio não pode dar bons exemplos. No Brasil inventamos o feriadão. Agora mesmo, o dia sete de setembro caiu numa quinta-feira. E o que aconteceu? A sexta-feira foi enforcada. O Estado, claro, libera todo mundo. As prefeituras também. Três ou quatro dias sem trabalho e mais prejuízos para a nação, mas todos ficam felizes pelo descanso ilegal. “Dane-se a nação!”. Aqui é assim mesmo, pensam os mais indolentes. Alunos sem aulas? Que bom! Só assim aprendem menos e ficam mais subjugados.
Em vez de proteger o meio ambiente, fazem-se queimadas horríveis. A fumaça no quente verão dá a impressão de desenvolvimento. E quando falta energia, não se avisa a ninguém. Arrastões em praias lotadas, comércios, escolas e residências são uma constante. Ladrões levam tudo à luz do dia. Assaltos já viraram rotina. No Cu de Mãe Joana são mortas todo ano mais de 55 mil pessoas. O trânsito violento e desorganizado ceifa outras 45 mil almas. Ataques a caixas-fortes com bombas e dinamites é o que mais se tem observado ultimamente. Se há um governo ladrão, para a felicidade geral, substitui-se por outro igualmente larápio. No país onde tudo é possível, em média só 20 por cento da população entende de política e mesmo assim esses estão divididos entre direita e esquerda. Quanto mais ladrão por aqui, mais endeusado e amado. Mas mesmo sem prestígio e civilidade, a República do Cu de Mãe Joana acha que é um país decente.




*É Professor em Porto Velho.

domingo, 3 de setembro de 2017

Ninguém quer a paz?


Ninguém quer a paz?


Professor Nazareno*


Kim Jong-Un, o ditador desmiolado e nuclear da Coreia do Norte, avisa ao psicopata presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que vai destruir todo o seu arsenal nuclear e que de forma unilateral abriu mão de suas pretensões bélicas. Japão, China e Coreia do Sul podem respirar tranquilos: não haverá guerra tão cedo na península coreana. As desavenças do passado estão para sempre enterradas e os resquícios da Guerra Fria serão a partir de agora apenas lembranças nos livros de História. Sul coreanos podem, se quiser, cruzar a fronteira com o seu vizinho do norte para se confraternizar com os seus irmãos. Os japoneses foram perdoados pelas atrocidades cometidas durante a Segunda Guerra e que as tropas norte-americanas podem a qualquer momento se retirar da Ásia. O mundo não terá hecatombe nuclear.
No Brasil o presidente golpista Michel Temer não mais dará andamento às reformas impopulares do seu fracassado governo. Chamará o PT, Partido dos Trabalhadores, para ajudá-lo a governar o país para benefício de todos os cidadãos brasileiros. Sob um governo de coalizão nacional, PMDB, PT, PSDB, Democratas, PSB  e demais partidos da base governista e também da oposição se aliarão para encontrar melhores soluções para acabar ou mesmo amenizar todos os problemas da sociedade brasileira. Eleições não haverá tão cedo. Todos, irmanados e imbuídos em encontrar os melhores caminhos, governarão sob os aplausos de uma população carente, mas ciente de que o pior já passou. Empresários aliam-se aos funcionários e resolvem diminuir seus lucros exorbitantes só para melhorar o padrão de vida de quem trabalha e produz.
Em Rondônia, o governador Confúcio Moura convoca todos os políticos que pretendem disputar no próximo ano o governo do Estado e também todos os sindicatos de funcionários públicos para reorganizar as finanças estaduais. A Assembleia Legislativa, por conta própria, corta todos os seus gastos e se adapta à nova realidade nacional de governar para o bem de toda a população que paga impostos. O Poder Judiciário realinha para baixo os salários de todos os seus membros e devolve as sobras para o Executivo. Por causa da aparente crise financeira, todo o Poder Público do país passa a governar em benefício dos mais humildes e necessitados. Investimento maciço em escolas públicas, em hospitais, em saneamento básico e em mobilidade urbana será rotina. De comum acordo, ninguém do Estado ganhará mais de cinco mil reais por mês.
No município de Porto Velho o prefeito Hildon Chaves assume de vez que é um político e que administrará de agora em diante para todos os munícipes. Promete que nunca mais vai tirar férias com apenas seis meses de trabalho e fará as pazes com a Câmara de Vereadores e com os funcionários municipais, de quem aboliu na calada da noite os quinquênios. Em todos os municípios brasileiros reinará a paz e a harmonia e os fornecedores, empreiteiros e empresários de agora em diante serão honestos e fiéis em suas relações com o Erário. De maneira ilegal, ninguém mais será beneficiado com o dinheiro público, que será empregado de forma correta para solucionar todas as crises. Mísseis não mais cortarão os céus de país nenhum, malas recheadas de dinheiro sujo não mais serão filmadas pela polícia e os políticos enfim trabalharão para quem os elegeu. É sonho? Sim, mas nem Lula, nem Bolsonaro ou Trump podem participar dele.




*É Professor em Porto Velho.

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Terra dos apagões


Terra dos apagões


Professor Nazareno*


Rondônia tem três grandes hidrelétricas, mas na sua capital Porto Velho a falta de energia tem sido uma constante ultimamente. Em menos de 15 dias verificaram-se dois terríveis apagões trazendo, óbvio, alguns transtornos para moradores e para o comércio. Mas a caboclada já está se acostumando tranquilamente ao caos. Para uma capital de Estado que detém o nada invejável título de “antessala do inferno” ficar no escuro quente por alguns poucos minutos parece ser coisa normal. E como para muitos porto-velhenses “não falta energia durante o dia”, alguns só perceberam o primeiro apagão por que foi à noite. Energia é um bem de consumo supérfluo e quase dispensável nestas terras selvagens e inóspitas. Uma cidade que tem apenas dois ou três edifícios não precisa mesmo de energia para movimentar elevadores ou outras coisas mais úteis.
Ninguém sabe até agora a razão destes blackouts neste fim de mundo esquecido e abandonado. E talvez nunca saberá. O Operador Nacional do Sistema pode até saber o porquê, mas dificilmente dará explicações convincentes aos seus consumidores. Rondônia produz energia boa e barata e manda quase tudo para o sul do país. O nosso meio ambiente foi estuprado pelas duas grandes hidrelétricas no rio Madeira apenas para satisfazer a necessidade energética de Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília e outras metrópoles mais civilizadas e desenvolvidas. Devem pensar que índios não precisam de geladeira para conservar seus poucos alimentos. Beber água gelada e dormir com ar condicionado ligado é um mimo inexplicável para quem nunca viu essas modernidades. Além do mais, em Rondônia não existem indústrias que justifiquem luz o dia todo.
A única ponte da cidade é também escura feito breu e com a recente vitória de Amazonino Mendes para governar o Amazonas pela décima vez, a estrada que ligaria Manaus a Porto Velho nunca mais sairá do papel. Portanto, a melhor coisa que se faria seria implodir aquela velharia imprestável e desnecessária. Eu não colocaria uma lâmpada sequer naquilo e como a cidade sempre fica às escuras, tudo combinaria. Aliás, existe cidade no mundo mais escura do que Porto Velho? Como gostar dessa “terra de apagões” se até os políticos daqui não são flagrados contando dinheiro sujo como os de Cuiabá? O Mato Grosso, sim, é uma terra abençoada. Lá eles precisam de claridade, já que não se conta dinheiro no escuro. Amar Porto Velho, terra onde político tira férias com apenas seis meses de trabalho, é uma das tarefas mais ingratas que se conhece.
Qual o empresário maluco que teria coragem de investir alguma coisa em Rondônia ou em sua distante e atrasada capital? Matéria prima quase não existe por aqui, mão de obra qualificada não há, mercado consumidor também não e agora nem energia elétrica confiável. Investir aqui só se for para montar uma fábrica de porongas, lamparinas ou velas. Pior: a apagada classe política local não dá um pio sobre o acontecido. Com a reputação mais escura do que os apagões, nenhum deles vai à mídia falar sobre o problema. Dormir no escuro batendo carapanã virará em breve um hobby nesta capital calorenta, abafada e infernal. Além de suja, mal administrada, fedorenta, podre e imunda, a capital mais chinfrim agora é escura. Brevemente estaremos andando de cipó como já previram, atividade essa que não depende da cara energia. Mais de 15 horas depois das trevas, a Eletrobras não sabia explicar o que tinha acontecido. Nem eu.





*É Professor em Porto Velho.

domingo, 27 de agosto de 2017

O Amazonas é o Brasil/2018


O Amazonas é o Brasil/2018


Professor Nazareno*

            
          Na política, o Brasil vive há tempos momentos angustiantes e vergonhosos. É roubalheira sem fim em quase todos os partidos políticos, autoridades presas por corrupção, malas de dinheiro sendo escondidas, propinas, ataques ao erário, desvios de verbas, acordos espúrios, delações premiadas, acusações de extorsão, escândalos gravados, golpe de Estado, obras superfaturadas e inacabadas, cuecas recheadas de grana, gravações ilícitas, roubo escancarado de dinheiro público, nomeações fantasmas, operações policiais, compra de votos, contratos fraudulentos envolvendo políticos e outras autoridades, “vergonha em cima de vergonha”. O povo, roubado e vilipendiado até a alma, promete dar o troco e se vingar dos políticos nas próximas eleições. Anular o voto ou simplesmente se abster de ir às urnas é o que mais se ouve entre os eleitores.
Só que não haverá vingança nenhuma. Infelizmente nas eleições do próximo ano as coisas não mudarão e todos ou quase todos os políticos envolvidos em maracutaias e roubalheiras serão tranquilamente reconduzidos aos seus cargos. Todas as 27 unidades da federação reelegerão os próximos deputados estaduais, deputados federais, senadores, governadores e até o presidente da República, porém as mudanças, as renovações, se houver, serão mínimas, inexpressivas. E quem afirma isso ou pelo menos quem confirmou este absurdo foi o resultado das recentes eleições que aconteceram no Estado do Amazonas. Em votação para um mandato tampão de governador do Estado, já que o mandatário amazonense fora cassado por compra de votos, o eleitor foi às urnas e reelegeu de novo Amazonino Mendes, um velho cacique conhecido da política local.
Se o eleitor amazonense não fez no seu Estado a mudança que o país espera, como ter esperanças de que nas próximas eleições haverá qualquer novidade na política nacional? Nada mudou no Amazonas e nada mudará também no resto do Brasil. O eleitor do Amazonas tem o mesmo perfil do eleitor de qualquer outra parte deste país, infelizmente. Amazonino Mendes já foi governador daquele Estado e prefeito de Manaus pelo menos umas três ou quatro vezes. Da mesma forma que Eduardo Braga, seu oponente no segundo turno. Se depender da maioria desses cidadãos despolitizados, todas as figurinhas carimbadas da nossa política vão continuar dando as cartas por um bom tempo. O eleitor não tem competência nem quer mudar no voto a caótica situação do país. E Rondônia continuará com Raupp, Cassol, Expedito, Capixaba, Mosquini...
O brasileiro comum não entende de política e dela quase não participa. Aqui, o candidato quanto mais ladrão e cafajeste, mas voto tem e mais cargo ocupa sempre com o apoio do eleitor idiota. Se Michel Temer fosse candidato a presidente, por exemplo, teria chances de ganhar o pleito. Tudo ia depender somente do apoio que recebesse, dos marqueteiros e dos financiadores da campanha. Convencer o otário eleitor de que Temer ou qualquer outro candidato é bom, é uma coisa fácil e simples. Não é à toa que Lula e Bolsonaro aparecem nas pesquisas à frente de muitos candidatos. Basta fazer uma lista, Estado por Estado, dos políticos citados em contravenções e coisas erradas para ver se a maioria não será reeleita nas próximas eleições. “Não existe sociedade honesta com governo corrupto ou vice-versa”, sentenciou o professor e historiador Leandro Karnal. Sinais sombrios: o Amazonas disse ontem ao Brasil que tão cedo não haverá mudanças.




*É Professor em Porto Velho.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Porto Velho sem porto


Porto Velho sem porto


Professor Nazareno*

            
              Recentemente o renomado vidente paulista Valter Arauto, que para mim é um ilustre desconhecido, previu que a cidade de Porto Velho, a eterna capital de Roraima, seria destruída por um desastre. O “guru” Valter já teria acertado várias previsões como a queda do avião da Chapecoense e o recente apagão que aconteceu em Rondônia, Mato Grosso e Acre. Só que desta vez o “adivinho” pode ter errado feio, pois não se pode mais destruir o que já está destruído há tempos. O fim sistemático da “capital dos roraimenses” começou a acontecer no longínquo ano de 1914, data que ironicamente coincide com a sua (a) fundação. Prosseguiu anos a fio e hoje, em pleno século XXI, é uma cidade destroçada, uma espécie de terra arrasada, um lugar ermo, distante, mal administrado e que nunca proporcionou nenhum conforto aos seus corajosos moradores.
              O Instituto Trata Brasil mostra esta capital como uma das piores cidades do mundo para se viver. Tem menos de 30 por cento de água encanada (e não tratada) e somente dois por cento de rede de esgotos. Fruto de invasões e problemas fundiários, esta capital sempre foi cortada por igarapés sujos e imundos que foram, ano após ano, transformados em esgotos que escorrem a céu aberto. Porém, pior do que suas águas pútridas e infectas são seus administradores. Nenhum deles, desde o major Guapindaia, parece ter demonstrado qualquer resquício de amor à cidade. Muitos deles vêm, administram e depois caem fora para morar em lugares mais civilizados e atrativos. O atual prefeito, por exemplo, “que diz não ser um político”, tirou férias com apenas seis meses de trabalho e em vez de conhecer melhor a cidade viajou para a Disney e Paris.
            Lugar amaldiçoado, feio, sem estrutura urbana nenhuma e abandonado pelas autoridades, Porto Velho nem porto tem mais. Até que o consórcio que construiu uma das três hidrelétricas do lugar doou ao município um porto rampeado e limpo, que seria uma espécie de pagamento dos exploradores aos explorados. Usado por pouco tempo, o trambolho não funciona mais e corre o risco de afundar de vez no rio Madeira comido pela ferrugem e condenado pelo esquecimento. Quem quiser visitar São Carlos, Nazaré ou mesmo Calama terá que enfrentar um barranco sujo, fedido, escuro, escorregadio íngreme e perigoso. Como os ricos, as autoridades e os políticos quase não viajam para a bucólica região ribeirinha, a tendência é que a situação de desespero, vergonha e caos permaneça ainda por muito tempo. Para que serve mesmo nossa Câmara de Vereadores?
            Assim, Porto Velho continua tristemente a sua lenta agonia rumo ao fundo do poço. Do seu acanhado aeroporto internacional, que não faz viagem nem para a Bolívia, do seu ainda inacabado Espaço Alternativo e das suas outras inúmeras obras eleitoreiras feitas a “cu de cavalo”, como a ponte escura e os famigerados viadutos imprestáveis, a cidade luta para não desaparecer do mapa. “Visite Natal, visite Curitiba, visite Salvador. Vá a Disney, vá à Europa”. São as placas mais comuns que se veem espalhadas de forma acintosa por aqui. Imagine-se então Salvador sem o elevador Lacerda e a baía de Todos os Santos, Paris sem o rio Sena e a torre Eiffel ou o Rio de Janeiro sem a baía da Guanabara e o Corcovado. Sem o porto que lhe deu origem e nome, sem infraestrutura urbana e sem administradores que a amem e dela cuidem com paixão, a cidade afundará no lodaçal esquecida entre o horror, o lixo e o monturo. “E nunca se fará de novo”.




*É Professor em Porto Velho.

domingo, 20 de agosto de 2017

Educação sabotada


Educação sabotada


Professor Nazareno*


Sou professor de Redação e de Língua Portuguesa. Já completei 41 anos de sala de aula. Trabalho vendendo meus conhecimentos no setor público e também no privado. Desde o longínquo ano de 1976 que leciono e neste período vi que quase nada mudou na estrutura da educação no Brasil. Ainda temos hoje em pleno século XXI um dos piores sistemas de educação do mundo. Porém a nossa educação cumpre rigorosamente o seu papel: foi feita para não funcionar e realmente não funciona mesmo. Ditados pela elite conservadora e reacionária, os objetivos do nosso sistema educacional reproduzem fielmente a realidade social preconizada por Gilberto Freyre em seu livro Casa Grande e Senzala. A educação pública é péssima, horrível e não ensina nada a ninguém. Mas na rede particular não há muita diferença, já que são todas “farinha do mesmo saco”.
Desde sempre, a maioria dos meus alunos ao término do Ensino Médio, por exemplo, não sabe ler nem escrever. Muitos infelizmente nem sabem grafar o próprio nome. Têm dificuldades de entender um simples texto e tropeçam nas mais elementares sentenças matemáticas. Sem leitura de mundo e sem conhecimentos básicos não estão preparados para enfrentar a vida. E quase todos eles acham que são culpados por esta tragédia, por este caos. Mas não são. A deficiência do nosso sistema educacional foi plantada há tempos. A precariedade de nossas escolas é ideológica, proposital mesmo. Darcy Ribeiro teria dito que “uma nação que não constrói escolas deveria construir presídios”. E não se enganou. Vejam: desde o final do século dezenove que os Estados Unidos criaram o sistema integral de ensino em suas escolas. E o que são hoje os EUA?
Infelizmente a classe política é corresponsável por toda esta desgraça. Os nossos políticos são marionetes do sistema empresarial e elitista que sempre mandou no país e consequentemente em todas as nossas escolas. Sistema esse com uma mentalidade tacanha e retrógrada que aposta no atraso e na ignorância para continuar mandando em todos. Confúcio não é o governador de Rondônia. Hildon Chaves não é prefeito de Porto Velho. Michel Temer não é o presidente do Brasil. Todos eles são marionetes, são apenas gerentes de um sistema maior chamado “establishment”. Dar ao povo uma educação de qualidade para quê? Para tirá-lo da miséria? Para fazê-lo protagonista da sua própria História? Nossas escolas têm que ser ruins mesmo, fracas, podres. Mas há saída: escolas integrais e o compromisso de todos podiam ser a “salvação da lavoura”.
Muitos dos nossos professores infelizmente têm culpa também por este caos. Vários deles são eleitores do Bolsonaro e do Lula e defendem ardorosamente a militarização das escolas, pois sem competência para disciplinar seus alunos, creem que ordem unida, hierarquia, fardamento e repressão são pré-requisitos para uma educação de qualidade. Conheço muitos colegas semianalfabetos e despolitizados que defendem o absurdo sem compreender que a ideologização militar é parte de uma estratégia criada para impor ainda mais ideias atrasadas e retrógradas às nossas crianças. Nossos jovens não precisam prestar continência a ninguém, usar fardas, nem saber cantar hinos toscos para ter sucesso na vida. Precisam da boa leitura e de informações. Patriotismo é o pior dos sentimentos coletivos, pois leva ao Nazismo e ao Fascismo. E muitos educadores parecem hoje querer isso. Até quando teremos de nos submeter ao que nos é imposto?




*É Professor em Porto Velho.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Terra de ninguém


Terra de ninguém


Professor Nazareno*

Há 37 anos que respiro o ar poluído desta terra amaldiçoada. E há exatos 37 verões que nesta época do ano o oxigênio fica quase irrespirável. E tristemente sempre foi e será assim. Estamos na estação da fumaça, que vem logo após a estação da poeira. Aqui, diferente de muitos outros lugares do mundo desenvolvido e civilizado, as coisas parecem girar ao contrário: lama, poeira, fumaça e mormaço é o oposto do que se conhece como verão, inverno, primavera e outono. A criminosa fumaça das queimadas arde em nossos organismos e nos expõe a doenças evitáveis como rinite alérgica, asma, bronquite, tosse, dentre muitas outras. Esta parte da Amazônia, como uma Hiroxima abandonada e maldita, exala todos os anos vergonhosamente para o mundo, a fumaça de suas ainda poucas matas. E tudo sob o olhar complacente e passivo das autoridades.
Rondônia tem INCRA, tem SIPAM, tem Sivam, tem IBAMA, tem secretarias de defesa do meio ambiente em quase todos os municípios, tem Ministérios Públicos, tem tudo relacionado à defesa do meio ambiente com uma estrutura de fazer inveja a qualquer país civilizado do Primeiro Mundo, mas via de regra todo ano, a vergonhosa situação fecha aeroportos, lota hospitais com crianças e velhos, causa transtornos e providências não são tomadas para acabar ou pelo menos para aliviar a hecatombe que se abate sobre nós. Em Rondônia é como se a sociedade civil organizada não fosse organizada ou nem existisse. Nada aqui dá certo. Nada funciona. Quase tudo é na gambiarra, no jeitinho. O fogo assassino e a fumaça tomam conta de tudo. As pessoas incendeiam seus quintais. Fazendeiros incineram suas terras e ninguém contém o caos.
Nesse Estado parece que “é cada um por si e o diabo por todos”. Até apagão essa desgraça de lugar tem, apesar de possuir três grandes hidrelétricas que só servem para beneficiar os outros. A classe política, que nada faz, é de fazer inveja ao Sudão do Sul, Burkina Fasso ou Eritreia. Em vez de se preocupar com os inúmeros problemas do Estado, legislam em causa própria e na Assembleia Legislativa do Estado aprovam para si próprios um absurdo auxílio alimentação de mais de seis mil reais por mês sem levar em conta as necessidades de seus burros e otários eleitores. Mas ainda bem que recuaram diante do óbvio. Aqui nesta terra de ninguém, político só trabalha seis meses e já sai de férias. Óbvio que viaja para o mundo desenvolvido e civilizado. Disney e Paris, por exemplo. Tirar férias e ficar por aqui só para nós mesmos, os pobres e ignorantes.
Como se não bastasse o horror, até a educação do Estado estão querendo militarizar como se usar fardamento, prestar continência aos “superiores” e saber cantar o Hino Nacional fossem pré-requisitos básicos para se adquirir leitura de mundo, conhecimentos teóricos e boas informações. Engraçado é que ninguém falou em educação de tempo integral para nossas crianças e jovens. Rondônia ou Roubônia caminha para trás há muito tempo. Em breve virará uma província sem eira nem beira e finalmente desaparecerá do mapa. Isso aqui é uma espécie de “filial ruim e atrasada do Brasil”, outra porcaria sem conserto e sem rumo. Um lugar onde Lula e Jair Bolsonaro lideram pesquisas eleitorais para presidente da República não se precisa dizer mais nada. O jeito é se conformar mesmo em inalar fumaça, aplaudir os apagões e esperar chover merda. E então neste sinistro dia, a alegria reinará entre os rotos e desdentados.




*É Professor em Porto Velho.

domingo, 13 de agosto de 2017

Vivemos na idiotice?


Vivemos na idiotice?


Professor Nazareno*


Se for feita esta pergunta à maioria dos cidadãos comuns do Brasil, a resposta majoritária será sempre negativa: “claro que não!”. Porém, sem se dar conta de sua própria estupidez, a esmagadora maioria dos brasileiros, em pleno século XXI, vive tempos muito anteriores à Idade Média. Na política, na economia, na Educação, na Saúde, na sociedade e em quase todos os setores da vida cotidiana o que norteia os brasileiros de um modo geral é a ignorância e a idiotice. Mesmo muitos dos nossos cidadãos tendo alguns anos de escolaridade e alguma visão de futuro ainda acreditam em coisas que no mundo desenvolvido e civilizado já foram extintas há muito tempo. O cidadão ignóbil infelizmente quase não tem noção de nada. Sem leitura de mundo, tolo, analfabeto, beócio e sem conhecimentos, vive como um verdadeiro imbecil e otário.
O brasileiro comum, como um perfeito idiota e desmiolado, acredita cegamente na Justiça do seu país. Crê também na maioria dos políticos que elege e sempre achou que o seu Governo é uma espécie de presente que Deus lhe deu. Deve ser por isso que não tenha nenhuma credibilidade lá fora e que sempre é “levado a pagode” como um dos povos mais estúpidos e imbecis do mundo. Não somos levados a sério por quase nenhuma nação civilizada e séria deste planeta. Na política, o nosso prestígio é pior do que o Sudão do Sul, o Haiti ou Serra Leoa, embora sejamos uma das dez maiores potências econômicas do mundo há mais de quarenta anos. Somos um eterno “anão diplomático”, como bem resumiu recentemente um diplomata de Israel. O nosso país infelizmente é motivo de piadas e chacotas em todas as nações desenvolvidas da terra.
Já em Rondônia, que é a “chacota da chacota” dos brasileiros mais imbecis, o festival de estupidez é hilário. Aqui, por ser uma terra de gente matuta e de cidadãos parvos em sua maioria, tudo é novidade. Recentemente uma caravana de comida ruim e insossa, chamada de “Food Truck”, encantou a todos apesar dos preços exorbitantes. Ver beiradeiros comendo gororoba a preço de ouro não tem diversão maior. Na área da política, por exemplo, a maioria dos cidadãos eleitores daqui venera um “político que não é político” e que na maior cara de pau tirou férias após somente seis meses de trabalho. O eleitor comum fica feliz só de vê-lo visitar o Primeiro Mundo em vez de alavancar o turismo inexistente da região. Em Porto Velho, nesta época de fumaça e poeira é comum observar incautos tirando fotos embaixo dos poucos ipês floridos.
O Zé Ninguém de Porto Velho é tão imbecil e idiota que não percebe as imundas e fedidas valas de esgoto a céu aberto ao lado dessas raras árvores floridas. Sensação olfativa estranha: é como você defecar embaixo de um pé de jasmim florido. Rondônia é um dos poucos Estados do Brasil em que Jair Bolsonaro tem a maioria das preferências de votos para as próximas eleições e Lula vem em segundo lugar. Isso só demonstra qual o nível desta unidade da Federação. A estupidez é tanta por aqui que se perguntar ao cidadão comum quem é hoje o pai do Brasil ele certamente dirá que é Michel Temer. Isso por que ele acredita cegamente em dia dos pais, dia das mães, dia do professor, dia disso e dia daquilo. Rondônia é tão ruim e amarga que para o resto dos brasileiros é um fim de mundo esquecido sem eira nem beira e que cuja capital é Boa Vista. Por acaso alguém conhece qual dos Estados do Brasil é governado por um blog?





*É Professor em Porto Velho.