quarta-feira, 18 de julho de 2018

O dia da liberdade



O dia da liberdade


Professor Nazareno*


Ouvi dizer que a TV Rondônia interromperá para sempre a sua transmissão analógica para as cidades de Porto Velho e Candeias do Jamari. A data anunciada para este milagre é dia 14 de agosto de 2018. Uma notícia extremamente boa e alvissareira levando em consideração que esta emissora de televisão é um dos tentáculos do câncer nacional chamado Rede Globo. “Vem ser digital com a gente”, diz o mote da esdrúxula campanha televisiva. Presente da Ditadura Militar à família Marinho, a Globo é a vanguarda da alienação nacional desde 1965. Sua programação insossa e direcionada à estupidez coletiva mostra programas de qualidade duvidosa, mas que têm um forte poder ideológico para alienar os mais incautos e tolos. É líder absoluta no Brasil dos semianalfabetos e dos desprovidos de leitura de mundo e informações mais confiáveis.
O poder maligno da “Vênus Platinada” pode ser sentido diariamente em cada segundo de sua horrenda programação tendenciosa. Porém, é no futebol, e na política principalmente, que essa TV se esmera. Durante a Copa do Mundo, por exemplo, o time de alienadores é escalado sob medida para ludibriar os mais estúpidos e até as pessoas metidas a esclarecidas. Fazer gostar da desacreditada seleção brasileira é tarefa fácil para os profissionais da emissora. Bastam dois ou três jogos para os idiotas urrarem de amor pela “seleção canarinho”. Toda a programação da emissora durante o torneio é voltada somente para enaltecer os novos heróis nacionais: gênios, seres humanos incomuns, fenômenos, super-heróis, gurus e iluminadores de todos os brasileiros. Até a primeira derrota na Copa, nenhum dos jogadores tem defeito. São os heróis do povo.
Na política tem-se percebido todo ano o poder da emissora entre os brasileiros. Elege presidente, destitui presidente, nomeia ministro, demite ministro e influencia até em algumas decisões do Poder Judiciário. A Globo elegeu Fernando Color em 1989, quando num debate da emissora, editou um Jornal Nacional para destruir Lula e o PT. Pouco tempo depois, criticada pelo próprio presidente “collorido”, tramou nos bastidores para derrocá-lo do poder. Pior: vendeu para os trouxas dos brasileiros a ideia de que foram os caras-pintadas e não ela própria, os maiores responsáveis pelo impeachment naquela época. Em 2013, pediu desculpas ao Brasil por ter apoiado o golpe militar de 1964. Há documentos e provas dando contra de que Roberto Marinho teria sido um dos maiores responsáveis pela aventura militar que durou mais de 20 anos.
Porém aos poucos, a Globo está perdendo um pouco do seu encanto. Emissoras ligadas aos evangélicos têm de certa maneira copiado um pouco desse sucesso global e com isso ameaçam sua maligna hegemonia. Em Rondônia, durante o horário de verão, a emissora transmite sua programação com mais de uma hora de atraso. Isso em plena época de internet e das redes sociais. A partir de outubro, como acontecia há 40 anos assiste-se ao Jornal Nacional quando já se sabe o teor de todas as notícias. A Globo tem os melhores profissionais do mercado e certamente não precisa de artimanhas para conquistar cada vez mais audiência. Mas está no Brasil e aqui quem tem um olho será sempre rei. A Globo não tem ideologia, uma vez que dança conforme a música do governo de plantão. A notícia de que desligará toda a sua programação alegrou muita gente por aqui. O problema é que a TV digital continuará dominando corações e mentes.





*É Professor em Porto Velho.

domingo, 15 de julho de 2018

E se tivéssemos sido hexa?



E se tivéssemos sido hexa?

Professor Nazareno*

            A França é bicampeã do mundo. Parabéns! Fosse o Brasil, teria sido a pior coisa que podia nos ter acontecido. Nosso país, que já está naufragado na política, na vida social, na educação, na saúde, na economia e na Justiça, iria piorar ainda mais em tudo. Outras vitórias da seleção brasileira demonstraram claramente esta tese. Levando em consideração que apenas o futebol nos representa no mundo civilizado e desenvolvido, a situação podia ter saído totalmente do controle como das outras vezes. “A mediocridade triunfa”. Esta seria a absurda ideia e a primeira que muitos acreditariam ser verdadeira. O Brasil nunca na sua História teve uma seleção tão ruim e tão fraca como esta para ser inexplicavelmente hexacampeã mundial. Onze marmanjos tatuados, milionários, semianalfabetos e quase sem leitura de mundo serem heróis do povo que busca heróis?
            Em 1958 quando foi campeão na Suécia, o Brasil vivia os anos dourados de JK. A oposição se aproveitou da comoção nacional para criar uma crise que se estenderia perigosamente até 1962 quando “os canarinhos” foram bicampeões no Chile. Juscelino Kubitschek foi derrotado nas urnas e sai de cena. Com o povo ainda anestesiado com a tolice de ganhar um mundial de futebol, os militares se aproveitaram da situação para tramar o golpe de 1964. Tudo embalado pelos resultados dos gramados. Em 1970, em plena Ditadura Militar, a seleção conquista o tricampeonato no México e nos DOI-CODI a repressão aumenta sem controle. Emílio Médici, o general-ditador de plantão, endurece o regime e a tortura vira política de Estado. O povo nada viu e nada soube.  Estava festejando os gols de Pelé, Jairzinho, Tostão e Gérson nos gramados mexicanos.
            Em 1994, ainda vivíamos a hiperinflação, herança dos governos militares e da irresponsabilidade de Collor, outro arauto da elite nacional. Foi quando um sujeito, de nome FHC, aproveita a burrice popular para lançar o Neoliberalismo e entregar de vez o Estado ao setor privado. O seu partido, o PSDB, desmancha o setor público e o entrega a amigos e correligionários. Empresas como a Vale do Rio Doce, bancos estaduais e as telecomunicações são privatizadas. O povo, de novo, estava inebriado com a conquista em estádios norte-americanos. Reclamar do governo por quê? O Brasil foi tetra, mano! Felizes e alegres, embarcamos num sono que nos levou a ficar mais pobres ainda. Em 2002, na conquista do pentacampeonato, veio a eleição do “Lulinha paz e amor”, que mergulhou o país no que já sabemos. O Mensalão e o Petrolão emergem dessa época.
            Toda vez que se conquista uma Copa do Mundo de futebol, o povão, que já é muito idiota e despolitizado, fica mais estúpido ainda. Todos vestidos com suas camisas amarelas saem gritando para o mundo que somos uma potência rica, desenvolvida e civilizada. Investir em educação, saneamento básico, mobilidade urbana, habitação e outros benefícios para quê? Discutir divisão de renda entre os miseráveis não faria sentido nenhum: eles estariam felizes e gritando como loucos: “Hexa! Hexa!”. Países com um futebol muito melhor do que o nosso, e muito mais civilizados, ficaram à frente do Brasil nesta Copa. É mais justo com suas sociedades. Deus sabe o que nos viria depois desse momento de crise nacional que estamos vivendo. Além do mais, um dos piores times do campeonato levantar a taça de campeão soaria como uma coisa nossa: tudo fora armação. Aliás, a FIFA é tão corrupta e desonesta que podia nos ter feito isto.




*É Professor em Porto Velho.

quarta-feira, 11 de julho de 2018

O Brasil é Hexacampeão



O Brasil é Hexacampeão


Professor Nazareno*

            
           O Brasil perdeu mais uma vez a Copa do Mundo de futebol. Este fato totalmente previsível entristeceu muito os torcedores do país. Não entendi o porquê, embora admita que não haja cena mais hilária, risível, gostosa e “comovente” a de ver torcedores chorando e se lamentando por uma coisa tão tola e banal. Perder uma competição internacional de um esporte apenas é fichinha diante das derrotas diárias a que esta nação é submetida. Ri muito dos simplórios chorões, mas não consigo ter a mesma alegria e felicidade quando vejo a realidade do nosso país nos aspectos políticos, sociais e econômicos. Coisas, aliás, que deveriam fazer chorar de verdade todos os torcedores. Se não chorar, pelo menos deviam corar de vergonha. O Brasil é há mais de 40 anos uma das dez maiores potências econômicas do mundo e tem a quinta maior população.
            Mesmo com estes números invejosos, não conseguimos fazer um único gol quando o assunto é corrupção. Somos um dos Estados mais desonestos do mundo. Acredita-se que em torno de 200 bilhões de reais sejam desviados todos os anos nas esferas governamentais. A corrupção é endêmica e envolve governantes, políticos, autoridades, profissionais liberais e até cidadãos comuns. Aqui se arrecada uma das mais altas taxas de impostos do mundo. Aproximadamente 40 por cento de tudo o que se produz, vai para os cofres públicos em forma de tributos e praticamente nada é devolvido em benefícios. Temos talvez os piores serviços públicos entre as nações emergentes. A educação é certamente uma das piores. Aqui o turno das escolas não é integral e muitos alunos que saem do Ensino Médio não sabem fazer um texto simples.
E essa tragédia acontece depois de frequentar por doze anos um estabelecimento de ensino. Nunca ganhamos um Prêmio Nobel. Nunca nos destacamos em nada. Nossas bolas nem na trave batem quando o assunto é educação de qualidade. Se levamos cartão vermelho em corrupção e em educação, somos expulsos também quando o assunto é desigualdade social. O Brasil tem hoje mais de 15 milhões de miseráveis. Como pode haver fome no segundo maior produtor de alimentos do mundo? Como pode o país que tem as maiores porções de terras agricultáveis apresentar problemas nesta área? Uma vergonha. As periferias de todas as cidades atestam esta irracionalidade. Tudo por aqui é feito sob medida para pobres e para ricos. Em desigualdade social ainda nem entramos em campo e por isso não poderíamos participar de uma única Copa do Mundo sequer.
A quarta das pragas que se abate sobre nós é a violência urbana. Entre vítimas de trânsito e assassinatos comuns, contabilizamos cerca de 110 mil mortos ao ano. Nenhuma nação em guerra registra tamanha barbaridade. Como sair às ruas gritando de alegria a cada vitória da seleção, se temos estes números preocupantes? Uma sociedade extremamente violenta como a nossa não deveria participar de nenhuma competição internacional. Também não temos mobilidade urbana decente e nem meios civilizados de locomoção dentro das nossas cidades. A produção do campo apodrece, portos e  aeroportos estão entre os piores do mundo. E como se tudo isso não bastasse, nossa sociedade é de um modo geral atrasada e incivilizada. Vivemos em muitos aspectos uma realidade antes da Idade Média. Direitos humanos por aqui é chacota e o desrespeito constante às minorias completa nossa insensatez. Somos hexa só em caos e desgraças.





*É Professor em Porto Velho.

sábado, 7 de julho de 2018

Brasil, agora eu te amo!


Brasil, agora eu te amo!



Professor Nazareno*

            
         Brasil, tu perdeste mais uma vez a Copa do Mundo de Futebol. Foste derrotado pelos civilizados belgas por 2 X 1. Lamento te informar, mas eu estava torcendo o tempo todo para que isso acontecesse. E de fato aconteceu, graças ao excelente futebol apresentado pela Bélgica, pois este esporte se ganha com resultados e não com circo. Eu sempre torci contra o teu fraco futebol. Lembro-me vagamente somente de duas Copas em que torci por ti: 1970 no tri e em 1982 na derrota para o Paolo Rossi. Ali eu via um futebol de primeira. Tu, Brasil, conheces a Bélgica? Sabes o que acontece por lá? Sabes como vive o povo daquele país? Sabes por que ele figura sempre entre as melhores qualidades de vida do mundo?  Os belgas, os croatas, os dinamarqueses, suecos, suíços, enfim todos eles torcem o tempo todo pelos seus países, tenha Copa do Mundo ou não.
            Tu, Brasil, talvez sejas tão triste e infeliz porque teus filhos só te reconhecem de quatro em quatro anos durante este campeonato. Não fosse isso, certamente tu nunca terias tido uma única demonstração de afeto, de amor. Bandeiras colorem as sacadas, ruas são enfeitadas com as tuas cores, carros particulares portam pequenas bandeirinhas verde-amarelas, capuzes são todos decorados, manifestações espontâneas de “eu te amo, Brasil!” é só o que se observa nestes tempos. Em 2018, por exemplo, estas hipócritas e atemporais demonstrações de afeto por ti começaram exatamente no dia 17 de junho conta a Suíça e terminaram 19 dias depois em 06 de julho contra a Bélgica. Amor dos teus filhos por ti, cara, só agora daqui a quatro anos na Copa do Qatar. Isso se tu conseguires se classificar em umas eliminatórias cada vez mais difíceis. Vás a Doha?
Sacanagem o que fazem contigo, meu caro. Demonstrar amor só a cada quatro anos é um absurdo. Devíamos fazer isto diariamente. Eu sei que há mais de 518 anos tu esperas isso de teus filhos. Como seria bom que este “patriotismo de ocasião” se estendesse pelo menos até três de outubro próximo quando vamos escolher um time que, antes de levantar uma taça apenas, te erguerá para o futuro. Mas eu te amo, Brasil! Talvez até mais do que a minha França, pois te conheci bem antes dela. E quero tudo de bom para ti. Quero que te livres da corrupção que te dilacera o organismo. Sou brasileiro e por isso também desejo que teus filhos sempre escolham os melhores administradores para te comandar. Quero que tenhas qualidade de vida, que tenhas reconhecimento mundial, justiça social, paz e que a tua desigualdade social seja extinta.
Quero também que o teu salário mínimo seja maior e compatível com o trabalho exercido. Quero que tenhas a educação da Bélgica ou da Suíça. Choro pelos teus 60 mil assassinados ao ano. Lamento que em Rondônia ainda exista um “açougue” como o João Paulo Segundo. Triste por que a pouca leitura de mundo aqui não escolherá bem os próximos governantes. Choro por todos os teus policiais mortos. Pelos viadutos tortos e pelas pontes escuras. Choro pelo tanto que te humilham e te roubam. Quero que os teus ladrões sejam punidos na forma da lei. Como seria bom, Brasil, dizer que “Casa Grande e Senzala” de Gilberto Freyre é só uma invenção. Todas as demonstrações de amor por ti deveriam começar a partir de agora. Gosto de ti por que és uma das dez maiores potências econômicas do mundo, produzes alimentos em grande escala, tens clima agradável e a melhor comida. Não é justo te amar só durante as Copas, mas sempre!




*É Professor em Porto Velho.

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Brasil: futebol colossal



Brasil: futebol colossal

Professor Nazareno*

            O Brasil tem o melhor futebol do mundo. Essa é a mais pura verdade. Cinco vezes campeão do mundo, não tem mais o que crescer nesse esporte. Seus atletas estão espalhados pelos quatro cantos ensinando a arte de se jogar o “esporte das multidões”. Da China, da Austrália até aos países da América do Sul passando pela Europa e Estados Unidos os nossos heróis estão dando alegria por onde passam. O país participa apenas por participar de qualquer competição internacional. Tem os melhores jogadores do planeta e se quisesse já teria sido umas dez vezes campeão da Copa do Mundo.  No futebol, quase todos os participantes são inferiores aos nossos “eternos campeões”. O Brasil já teve times inesquecíveis como o que foi tricampeão em 1970 no México e que tinha Pelé e também o time de 1982 na Copa da Espanha que tinha Zico como estrela.
            Torcer pelo Brasil é como uma doença já impregnada na cabeça dos 213 milhões de habitantes. Quase todo mundo neste país o faz de forma natural e apaixonada. Amar incondicionalmente seus jogadores é a coisa mais sensata que fazemos de quatro em quatro anos. As autoridades daqui deveriam dar a esses deuses tudo o que eles pedissem, pois eles merecem. A Igreja poderia muito bem canonizar todos eles. São Neymar, São Philippe Coutinho, São Alisson, São Miranda. Já pensou na alegria de ver a imagem santa de cada um deles enfeitando as igrejas e templos espalhados pelo Brasil inteiro? Os caras jogam demais. Seria muito bom que o prefeito de Porto Velho e o governador Daniel Pereira trouxessem os heróis para se apresentar na “Arena Aluizão”. Eles têm que vir a Roraima. Imagino um filme com eles: “23 homens e um destino”.
            Não entendo porque o Governo Federal não diminui o salário mínimo e com a economia recompensaria melhor esses gloriosos atletas. Cada professor, cada médico, cada advogado, cada profissional liberal deveria ter seu salário achatado para esse fim. O que eles fizeram nesta Copa da Rússia não há dinheiro que pague. Encheram o país de alegria e comoção. Resgataram a nossa autoestima e a vontade de sermos brasileiros. No último jogo, por exemplo, o time jogou com garra e com alma. Foi bravo o tempo todo ao nos representar. Todos esses heróis do povo brasileiro deviam se candidatar para nos governar. O Brasil é uma potência emergente com o colossal futebol que joga. Ganha e convence a todos. O futebol nos dá uma melhor qualidade de vida, boa mobilidade urbana, bons hospitais, saneamento básico e reconhecimento internacional.
            O “esporte dos deuses” deveria ser ensinado e também obrigatório das escolas primárias às universidades. Em toda entrevista para emprego, pelo menos cinco perguntas deveriam ser sobre esse esporte. Nas missas e nos cultos pelo menos 10 minutos deveriam ser dedicados a esses valentes e guerreiros cidadãos. A camisa amarela do nosso “esquadrão de ouro” devia ser obrigatória no trabalho, nas escolas e também no dia-a-dia para todo habitante brasileiro. Camisa, não. Uma segunda pele. Uma espécie de manto sagrado. Falar mal da seleção devia ser criminalizado. Neste último jogo, por exemplo, o Brasil arrebentou: dominou o adversário do começo ao fim da partida. Só deu Brasil. Jogo de um time só: o nosso. Humilhado pelo hábil e brilhante futebol mostrado por nós, a Bélgica nada fez. Não atacou nem se defendeu. Pesarosos e leais, deixamos os coitados ganharem este jogo. Confiantes: “Brasil, rumo ao esgoto”.




*É Professor em Porto Velho.

quinta-feira, 5 de julho de 2018

A implosão dos viadutos



A implosão dos viadutos


Professor Nazareno*


Porto Velho é uma das piores cidades do Brasil para se viver. Isto é fato. Desde muito tempo o Instituto Trata Brasil mostra esta capital como sendo a pior do país em saneamento básico e água tratada. O lixo esparramado no meio das ruas, a falta de praças, de recantos de lazer e de jardins floridos completam o cenário dantesco da capital de Rondônia. E como se não bastasse esse “inferno na terra”, aqui falta também mobilidade urbana. Isso mesmo: uma cidade de pouco mais de 500 mil habitantes não consegue dar a seus moradores tranquilidade para se locomover. A capital há muito tempo já não tem linhas regulares e eficientes de coletivos para transportar seus cidadãos. Alguns ônibus velhos, sujos, atrasados e enferrujados circulam aleatoriamente pelas ruas e bairros. Culpa dos próprios habitantes e também da infame classe política.
Para piorar ainda mais esse contexto de terra arrasada que é Porto Velho, a classe política local, incentivada por pessoas simplórias e ignorantes, resolveu construir vários viadutos. Só que iniciaram e pararam por mais de dez anos. Muito tempo depois, deram continuidade às obras e agora, em plena época de eleições, começaram a ser inauguradas. Os trambolhos malditos infernizaram a nossa vida e tudo ficou por isso mesmo. Pior: o elevado da BR 364 com a Avenida Campos Sales, que teve sua inauguração questionada pela PRE, Procuradoria Regional Eleitoral, bateu todos os recordes de estupidez, falta de bom senso e também de mobilidade urbana. Além de estar projetada ao contrário, a polêmica obra piorou a locomoção dos moradores de pelo menos dois dos bairros da zona sul desta capital: o Tucumanzal e o São João Batista.
É bem capaz que os projetistas do “elefante branco” tenham raciocinado que nestes bairros só residem pessoas pobres. Quem mora na zona sul da cidade e tem parentes nos bairros citados ou vice-versa só perde com este arremedo de viaduto. Não há como visitar seus familiares sem gastar mais tempo e gasolina. O jeito agora é ir a pé mesmo. O itinerário aumentou em mais de 100 por cento para os infelizes. O “viaduto” infernizará suas vidas para sempre. A volta que se dará para chegar ao Tucumanzal é absurda. E para quem mora no bairro em frente, o São João Batista, o caos ficou ainda pior. Se quiser ir ao “açougue” João Paulo Segundo, deve fazer o contorno pelo antigo Trevo do Roque. Já pensou numa emergência? Têm que IMPLODIR aquilo ali. Traria mais tranquilidade, economia, conforto e mobilidade para os moradores das adjacências.
E pensar que tudo isto poderia ter sido evitado. A zona sul de Porto Velho tem mais de 100 mil habitantes e apenas uma entrada e uma saída. Por isso que existe tanto congestionamento. Era só ter criado uma ou duas novas ruas ligando o centro da cidade direto à Avenida Jatuarana sem passar pela Campos Sales ou pela BR 364, ali perto da Escola João Bento da Costa. Parece que não há bons arquitetos por aqui. Ou então a classe política não iria aceitar, pois construir viadutos deve ter verbas maiores. O governador Daniel Pereira deveria comprar toneladas de dinamites para implodir não só esses viadutos imprestáveis, mas também a ponte escura e inútil do rio Madeira e várias outras obras desnecessárias que só pioraram a já caótica vida dos nossos moradores. Eu implodiria as Três Caixas d’Água. Rondônia tem que começar de novo. Com novos políticos e administradores. E um novo povo. Será que vão mudar tudo nestas eleições?




*É Professor em Porto Velho.

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Agora torcerei pelo Brasil



Agora torcerei pelo Brasil


Professor Nazareno*

Confesso que até agora durante esta Copa do Mundo de futebol, eu ainda não tinha entrado no clima de torcedor. Daqueles que apaixonadamente assistem a todos os jogos, principalmente os do Brasil. Torci pela Alemanha, pela Argentina, pela Croácia e até pelo México. Não deu certo nenhuma vez. Com exceção dos croatas, todos perderam e já voltaram para casa. Mudei de ideia: rendi-me em definitivo ao time canarinho. Fui picado pela mosca azul depois de ver o segundo tempo do último jogo do Brasil contra os mexicanos. O nosso time não é uma equipe apenas. É uma academia daquelas invencíveis. Equipe assim só aparece de 50 em 50 anos no mundo do futebol. Nem sei dizer o nome dos nossos jogadores, mas vejo que o país se apaixonou por eles incondicionalmente. O time uniu o país e num passe de mágica botou a ordem no caos.
Pensei até em torcer pela Bélgica na próxima sexta-feira pelas quartas de final. Mas me faltaram razões coerentes para fazer isto. Em primeiro lugar porque “brasileiro que ama de verdade o seu país” não pode torcer por time estrangeiro. Depois, a Bélgica é um país deplorável. Deve ser igual à Suíça ou à Dinamarca. Países horríveis de se viver. Praticamente não têm nenhuma qualidade de vida e o povo é muito frio. Não entendo como um ser humano consegue morar em lugares como esses. O Reino da Bélgica é menor do que o nosso Estado de Alagoas e tem uma população superior da 10 milhões de pessoas. No país falam-se três línguas e suas cidades sediam várias instituições internacionais. Pior: seus poliglotas jogadores são conhecidos como “os diabos vermelhos”. Os belgas devem ter um dos piores sistemas de educação do mundo.
Além do mais, o time da Bélgica é muito ruim. Praticamente chegou “na marra” a esta fase da Copa do Mundo. Sem nenhuma habilidade no futebol e com uma seleção que mais se parece uma espécie de “pega na rua”, não se percebe nenhum atleta que se destaque na equipe. O Brasil vai dar um passeio neles. Acho que três ou quatro gols ainda é pouco para nós. E é muito bom, pois a cada jogo que ganhamos, os nossos problemas diminuem consideravelmente. Na hora das partidas, por exemplo, quase não se veem pacientes nas UPAS ou nos hospitais públicos à procura de médicos. Roubos, assassinatos e violência comum, coisas tão comuns nas cidades belgas, não se verificam também nestas horas. Corrupção é uma palavra que não se houve falar em dias de jogos. Tenho até pena do povo da Bélgica que deve ter uma roubalheira altíssima por lá.
Se o Brasil ganhar esta Copa, o que é um fato quase certo, muita coisa vai deslanchar em terras tupiniquins. Duvido que os políticos queiram roubar mais o Erário. Até as muitas obras paradas do país terão prosseguimento. Se houve operação da Polícia Federal nestes tempos, a mídia não noticiou nada. Até os viadutos imprestáveis de Porto Velho foram inaugurados durante os jogos. A seleção brasileira tem o poder de deixar quase todo o povo daqui feliz e rindo à toa com os seus poucos dentes. Professores “esclarecidos” gritam a todos os pulmões para seus alunos: “o Brasil é uma potência, mano! Ninguém segura este país!” Jornalistas eufóricos escrevem textos patrióticos. Todos, da direita e da esquerda, se confraternizam alegres. Cada gol de Neymar ou de Philippe Coutinho o país explode e mergulha no “patriotismo de ocasião”. Desculpem-me outros povos e países: vou me vestir de amarelo e gritar feito louco: "Brasil, hexa!".




*É Professor em Porto Velho.

sábado, 30 de junho de 2018

Viadutos desnecessários



Viadutos desnecessários


Professor Nazareno*

            Porto Velho, a abandonada e explorada capital dos roraimenses, tem vários viadutos em sua área urbana. Nenhum deles presta e nem tem a menor serventia. São verdadeiros elefantes brancos que só serviram até agora para desviar dinheiro público,  eleger políticos ruins e infernizar a vida dos habitantes e motoristas da cidade. Criação do PT de Roberto Sobrinho, as obras serviram de túmulo para a administração petista em Porto Velho. Alguns estão com suas obras abandonadas há vários anos, como o da entrada, ou saída, da cidade próximo à Prudente de Moraes. Já outros foram terminados às pressas somente para atender ao calendário das eleições, por isso são íngremes, tortos, cheios de mato, sujos, desnecessários. Estão escuros e sem nenhuma estrutura arquitetônica. É o caso daquelas absurdas “gambiarras” no antigo Trevo do Roque.
            O viaduto da BR 364 com a Avenida Campos Sales na zona sul da cidade está em fase de conclusão. Ironicamente num ano eleitoral em que uma cambada de políticos e candidatos às próximas eleições vão fazer fotos na sua inauguração. Não se sabe ao certo quantos milhões foram investidos naquela obra totalmente dispensável. Pior: ele está ao contrário. Quem o projetou certamente não sabia que o maior fluxo de veículos se dá nos sentidos centro/bairro e bairro/centro e não na saída da cidade. Quem vai para o Campus da Unir, por exemplo, segue por cima da obra tranquilamente enquanto os outros motoristas continuarão se espremendo em congestionamentos monstruosos. Coisa que o polêmico viaduto deveria extinguir. Pior: quem for na direção bairro/centro “ganhará” agora um acréscimo de quase dois quilômetros para chegar ao seu destino.
            Coisas de Rondônia e dos rondonienses mesmo. Outro péssimo exemplo: com a construção da Usina de Santo Antônio, para se chegar à vilazinha do Teotônio ficou muito mais difícil. Agora são quase 20 quilômetros a mais numa estrada esburacada e cheia de onças famintas O que era para facilitar a vida dos moradores ficou mais complicado. É igual à ponte do Madeira que continua escura até hoje. Não serve para nada. Somente para subsidiar a farinha d’água do Projeto Joana d’Arc. Nenhuma casa até agora foi construída do outro lado do rio e a estrada para Manaus, a BR 319, ainda é um sonho inalcançável. Nem vou repetir que liga “o nada a coisa alguma”. A velha balsa era mais prática e devia voltar. Foram mais de 300 milhões de reais jogados literalmente na água. Parece até que Rondônia tem muito dinheiro para desperdiçar.
            Nunca entendi por que construir viadutos se uma boa sinalização tinha resolvido o problema e teria saído por um preço muito menor. Mas a implicância de muitos dos matutos de Porto Velho achando que “aquilo” tornaria a cidade uma metrópole mais bonita e desenvolvida fez com que muitos dos governantes, também cheios de más intenções e compreensivelmente interessados nas obras eleitoreiras, embarcassem na canoa furada. O correto agora seria mandar implodir por completo todos os arremedos de viadutos e pontes da cidade. Sem eles, o trânsito fluiria bem melhor. A cidade precisa de água tratada e de saneamento básico, mas quase ninguém fala sobre isso. Precisa também de mobilidade urbana decente e não de trambolhos desajeitados sem nenhuma utilidade. O viaduto da Campos Sales é tão desnecessário e eleitoreiro que a Procuradoria Regional Eleitoral questionou sua inauguração antes de ele ser concluído.




*É Professor em Porto Velho.

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Vitória sem nenhum brilho



Vitória sem nenhum brilho

Professor Nazareno*

            Pela decisão do Grupo E da Copa do Mundo da Rússia, o Brasil venceu “a duras penas” o fraco time da Sérvia por 2 X 0 e se classificou incrivelmente em primeiro lugar. Nas oitavas de final deverá encarar o México, que ficou em segundo em seu grupo. Os brasileiros não tiveram alegria nenhuma durante o jogo contra os eslavos. Foi sofrimento o tempo todo. Mesmo depois do primeiro gol, os sérvios quase empatam a partida. Toda a euforia dos “brazucas” ainda era verificada por causa da eliminação precoce da Alemanha. Ou seja, a desgraça alheia, também no futebol, ainda é um forte sinal de otimismo para os iludidos torcedores pentacampeões do mundo. O time do Brasil pode até ganhar esta Copa do Mundo, mas até agora certamente mostrou uma das piores equipes a participar de um campeonato mundial desta modalidade. Um fracasso.
            A seleção brasileira ainda não brilhou nada nesta competição. Os jogadores caem em cada jogada de que participam. Parecem “bonequinhas de argila”. São muito frágeis. É como se todos sofressem de Osteoporose. Não têm garra nenhuma. Marcelo já está contundido. Douglas Costa, também. O nível técnico do time inteiro é sofrível. O elenco não tem conjunto. Não cria jogadas memoráveis. Não encanta ninguém. O tal de Neymar já virou até piada nacional, apesar dos mais de 12 milhões de reais que vergonhosamente ganha por mês. Muito diferente do jogador Mascherano da Argentina, por exemplo, que jogou com a camisa ensanguentada todo o segundo tempo contra a Nigéria. Não há como comparar os atletas brasileiros com os da nossa vizinha. Lá se vê muita garra, determinação, vontade de vencer, amor à pátria e respeito ao torcedor.
            O grupo de que o Brasil participou nesta primeira fase foi muito fraco. Praticamente só tinha “galinha morta”. Muito Diferente dos “Hermanos” que pegaram um “grupo da morte”. Ainda assim sofremos contra a Suíça, quando empatamos na marra e só ganhamos da fraquíssima Costa Rica porque o juiz inexplicavelmente prorrogou a partida até que se observasse a vitória do Brasil. Um escândalo jamais visto. Os gols só saíram nos acréscimos, dados sob medida. Torcer pelo Brasil nesta Copa é pedir para sofrer. E muito. Como para muita gente a Copa do Mundo começará somente agora a partir das oitavas nos jogos “mata-mata”, a fraca, medrosa, covarde e ruim seleção canarinho que se cuide: pode sair da competição a qualquer jogo. E duvido muito que com esse time uma partida vá para os pênaltis ou mesmo para a prorrogação.
Em conversas sobre o futebol hoje, o que se ouve de comentários é sobre a eliminação dos alemães, a quase derrota dos argentinos, o fracasso dos outros e não do desempenho da seleção nacional. Como se isto apagasse os vergonhosos 7 X 1 de 2014. Nesta Copa do Mundo, o Brasil ainda não enfrentou a Bélgica, a Croácia, a Inglaterra, o Uruguai, Portugal ou Espanha. São times mais encorpados e que têm demonstrado um futebol muito superior ao nosso. Muitas dessas seleções se classificaram após a segunda partida e nós tivemos que decidir o nosso grupo num jogo de vida ou morte. Mesmo assim, sem a Itália, que nem foi à Copa, a Holanda e a Alemanha, potências de verdade também no futebol, o caminho estaria aberto para mais um título nosso. Mas não há como acreditar numa seleção que só proporciona alegria com a derrota e o fracasso dos outros. Esse arremedo de seleção não merece ganhar nada. O bom futebol agradeceria.




*É Professor em Porto Velho.

segunda-feira, 25 de junho de 2018

Derrota: os 7 X 1 eternos


Derrota: os 7 X 1 eternos


Professor Nazareno*

            Em plena Copa do Mundo de futebol, alguns amigos me perguntam por que não torço pela seleção brasileira. “Não consigo”, respondo laconicamente. Embora torça pelo bom futebol, que é um esporte maravilhoso, vejo o uso político dessa prática esportiva como um acinte à carente e incivilizada sociedade brasileira. Um deboche da classe política principalmente. Se somos Primeiro Mundo neste esporte, a vida diária no país nos diz o contrário. O Brasil há mais de quarenta anos é uma das dez maiores potências econômicas do planeta, mas temos uma das piores qualidades de vida. Produzimos riqueza em grandes quantidades e somos o segundo maior produtor de alimentos da atualidade, mas em contrapartida temos pobreza e desigualdade social como nenhuma outra nação. Só de famintos, temos quase 20 milhões de pessoas.
            Mas você deve estar se perguntando: e o que a Copa do Mundo e o futebol têm a ver com essa triste realidade vivida pelo nosso país? O futebol realmente não pode ser responsabilizado sozinho por esta calamidade, mas contribui de forma decisiva para escamotear a escandalosa situação vivida pela nação. O “esporte das multidões” é o carro chefe da alienação política e social vivida pelos milhões de torcedores. Inebriado, cego e enlouquecido pelos seus “heróis de chuteiras” durante uma competição internacional, o brasileiro comum se desliga da rotina diária e “viaja” num mundo de sonhos impossíveis de lhe acontecer. Veste a camisa amarela da seleção, pinta sua casa nas cores nacionais, enfeita as ruas, prega bandeira no seu carro e passa a adorar os “deuses dos gramados”. Patriotismo de ocasião: isso só existe de quatro em quatro anos.
            O futebol nos deu cinco títulos mundiais, movimenta milhões de reais e nos dá alguma alegria. Porém são poucos os que se beneficiam dessas riquezas. É como perder de 7 X 1 todo dia. Na Copa que o PT e Lula trouxeram para cá em 2014, por exemplo, foram mais de dez bilhões de dólares (quase 40 bilhões de reais) de prejuízo que teremos de pagar somente pelas arenas superfaturadas. Obras inacabadas, corrupção sem controle e roubalheiras completaram o “legado amaldiçoado”. Para o Brasil, Copa do Mundo e futebol só dão prejuízos. E muita alienação. Todo este dinheiro aplicado em educação, saúde, saneamento básico e mobilidade urbana teria mudado muita coisa no país. A Copa do Mundo e as Olimpíadas quebraram o Rio de Janeiro e ajudaram a enriquecer seus governantes. O povo torcedor, como sempre, ficou à margem de tudo.
            Se nossas autoridades políticas e o povo brasileiro de um modo geral amassem e venerassem esse país como o fazem em Copas do Mundo, certamente teríamos outra pátria, outra realidade. O Brasil precisa perder várias vezes e ser goleado para que esse povo explorado acorde para a triste realidade que o cerca. O futebol sozinho não pode nem deve ser a baliza que norteará toda uma sociedade. De que adianta ganhar somente dentro de campo e perder nas outras coisas? E se eu torcer contra o Brasil, o governo vai construir mais escolas, mais hospitais e mais redes de esgoto? Talvez não, mas sabe que não pode contar com a minha idiotice para a roubalheira que faz. Além do mais, não posso ficar alegre nem ser conivente com as desgraças evitáveis que nos acontecem enquanto nação. Os cidadãos brasileiros devem entender que nem vitória nem derrota de sua seleção mudarão suas vidas em nada. E por sinal, o futebol do Brasil está péssimo.




*É Professor em Porto Velho.

sexta-feira, 22 de junho de 2018

Copa: vitória arranjada



Copa: vitória arranjada


Professor Nazareno*

            O Brasil venceu a fraca seleção da Costa Rica por 2 X 0 pela Copa do Mundo da Rússia. Uma vitória no sufoco, apática e praticamente na sorte, uma vez que os gols só saíram nos acréscimos. No tempo normal, o empate sem gols só mostrou como está ruim e frágil o nosso time. Sem objetividade, com erros grosseiros dos nossos atacantes e com muito nervosismo, a seleção brasileira só vence esta Copa se acontecer um milagre. México até agora, Portugal, Espanha, França e Croácia são equipes que têm demonstrado muito mais futebol do que os medrosos jogadores canarinhos. Ganhar da desconhecida Costa Rica, e no sufoco, só mostra o quanto ruim está o futebol num dos países mais corruptos e desonestos do mundo. O ideal seria uma derrota para acabar com o sofrimento dos milhões de idiotas que ainda creem nos milionários fracassados.
            O Brasil só ganhou, portanto, por causa dos acréscimos dados inexplicavelmente pelo árbitro da partida. Foram seis minutos que se transformaram em oito ou nove. E talvez até chegassem a vinte ou trinta. O objetivo do juiz era o time sul-americano fazer o gol. Fez dois. O Brasil tinha que ganhar esta partida de qualquer jeito. Uma vergonha, um acinte para as seleções que estão jogando o verdadeiro futebol e não precisam desta sacanagem criada só para se chegar a essa situação ridícula. Sem isso, o jogo teria sido um 0 X 0 e o Brasil teria ficado praticamente fora da Copa. Parece até que a corrupta FIFA e os seus juízes estão querendo ajudar o fraco time do Brasil. Corruptos sempre se entendem. Não duvido até que este torneio tenha a final disputada entre a Rússia e esse mesmo Brasil, dois países recordes na corrupção e na roubalheira em suas sociedades.
            Na terça-feira próxima, dia 26 de junho de 2018, o Lula pode até ser solto pelo STF do Brasil que os trouxas torcedores brasileiros não perceberão nada. Estão todos vestidos com a camisa verde-amarela e felizes. Muitos acham que ganhar no futebol, um esporte apenas, é chegar ao topo do mundo. Vergonha: petistas e coxinhas estão todos juntos e irmanados neste momento de “comoção social”. Estão felizes, sorridentes e acreditando no impossível: a taça de hexacampeão. Se infelizmente o Brasil ganhar esta Copa do Mundo, o Eduardo Cunha, o Sérgio Cabral e os outros muitos corruptos e ladrões do dinheiro público podem até ser libertados que tudo parecerá normal. Para o brasileiro senso comum, o que importa mesmo é só o futebol. Até o imoral e polêmico auxílio-moradia da maioria dos juízes brasileiros parecerá uma coisa compreensível.
            O jogo contra a Costa Rica em si foi uma coisa dantesca de se ver. Visivelmente nervosos, jogando mal, errando passes, totalmente perdidos em campo e tentando evitar uma humilhante derrota que seria fatal, os badalados e adorados pentacampeões do mundo tiveram que contar com o inusitado: a prorrogação do tempo. Jogando ruim e acuada desse jeito, a seleção brasileira pode até receber ajuda externa como nessa partida, que mesmo assim não será campeã de nada. Nossos atletas estavam completamente nulos e perdidos em campo. Esse “timeco” não pode ser beneficiado pela sorte ou por outros fatores externos. Devíamos torcer por outro país, uma seleção que diverte e não angustia tanto como a nossa. Que vantagem tem ganhar uma Copa do Mundo sem jogar o bom futebol? Por que torcer por uma esquipe fraca e medrosa cuja vitória mergulhará o país noutra crise que levaria pelo menos uns 40 anos para acabar?



*É Professor em Porto Velho.