quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Doze dias de nada


Doze dias de nada

Professor Nazareno*

A ex-presidente Dilma Rousseff e o PT, seu corrupto partido, não governaram bem. Mas o seu sucessor, o golpista Michel Temer do PMDB, entrou e também nada fez após quase um ano de governo. Se algo mudou, foi para pior. Muito pior mesmo. Sem golpe, em Porto Velho também trocaram o prefeito. Saiu o lento Mauro Nazif e entrou Hildon Chaves do PSDB, uma espécie de esperança para a cidade mais imunda e porca do país. Quase meio mês já se passou da nova administração e até agora nada mudou também. A “rompança” da campanha eleitoral já está esmorecendo. E não é pouco tempo, não. No Japão, em apenas 2 dias muitas coisas são feitas e a “cidade das hidrelétricas” precisa de mudanças para ontem. Andando pelas ruas do lugar percebe-se que até agora as agruras continuam e que tudo não passou de embromação eleitoreira.
            Acho que é por causa do tempo chuvoso que as obras para mudar a cara da cidade ainda não começaram. E como chove durante uns seis meses por aqui, as esperanças não são nada animadoras. Estamos no inverno amazônico. Alagação há por toda parte. Água podre e infecta continua sua rotina macabra de invadir lares e residências naturalmente. Lixo esparramado pelos quatro cantos da cidade é o que mais se vê. Eu mesmo já contei nessa nova administração uns quatro ou cinco animais mortos apodrecendo no asfalto cheios de tapurus. E pior: não senti ainda o tão prometido cheiro de perfume vindo das fedorentas ruas. Estive na rodoviária e juro que não me encantei  com aqueles banheiros. A ponte do rio Madeira ainda está escura, o Espaço Alternativo está uma desgraça, totalmente inacabado e sem previsão para terminar. Nada mudou.
            A rua em que mora a professora Soniamar continua um mar de lama. Não veio a mobilidade urbana e o Interbairros 030 demora ainda muito tempo. Já andou nele, prefeito? Não vi nada na cidade até agora para me esquecer do Mauro Nazif. Pior: fala-se que ficaram 20 milhões de reais em caixa. Será? Toda a movimentação tucana só tem sido em cima dos pobres coitados dos barnabés municipais. Remaneja daqui para lá e de lá para cá. Traz de volta os funcionários cedidos. Diminui gratificações. Demite comissionados. Exonera secretário. Convoca para reunir, reúne para convocar. Enquanto isso, continua nossa triste rotina de sujeira e catinga. O PSDB nunca gostou de servidores públicos é fato, mas a cidade precisa de cuidados. E temos de torcer muito para que o rio Madeira não venha com outra enchente histórica igual àquela de 2014.
            E nada de doar salário para ninguém. Isso é demagogia pura, jogo de cena para impressionar os incautos. Coisas do falecido Jânio Quadros e de João Doria. O correto seria abraçar a bandeira para diminuir em pelo menos 50 por cento os salários do prefeito, dos vereadores e de todos os assessores. Isso sim, traria economia para o município. Cuidado também com as licitações, com os fornecedores e com a Câmara de Vereadores. Todas as sangrias do dinheiro público têm que ser estancadas e se sobrar algum dinheiro deve ser investido para o bem dos munícipes. Foi o senhor que disse que “ia curar todas as feridas de Porto Velho, limpar todos os cantos e enterrar os desencantos”. Já começou a fazê-los? Queremos uma cidade melhor e estamos torcendo para que se faça uma boa administração com transparência e justiça. Mas são tristes os exemplos de doação de terreno a empresário e deixar que outros mandem na prefeitura.




*É Professor em Porto Velho.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Minhas depressões


Minhas depressões

Professor Nazareno*

            Eu não tenho depressão. Na verdade nunca tive. Sofro apenas de momentos depressivos, como muitas pessoas que conheço. E são muitos esses instantes que já vivi na minha vida. Brasileiro, nordestino e paraibano sou mais um sobrevivente da seca que sempre assolou aquela distante região. Só isso já seria motivo suficiente para viver eternamente deprimido. Mas a situação consegue ser bem pior: moro há quase quarenta anos em Rondônia. Na verdade em Porto Velho, a capital da sujeira e da fedentina. Haja antidepressivos e ansiolíticos nas receitas médicas. Ser brasileiro num Brasil que nunca foi sério tira a saúde de qualquer um. Como país, o Brasil sempre foi uma espelunca que nunca deu exemplo a ninguém muito menos serviu para nada. E hoje ser governado por um golpista assessorado por gente corrupta, torna a situação ainda mais catastrófica.
            Não há nada mais depressivo e tosco do que observar o rio Madeira, o maior rio morto do mundo. Com sua nascente agora a partir da hidrelétrica do Santo Antônio, o “rio das Madeiras” não tem mais madeira boiando em suas turvas e selvagens águas. O seu feio e horroroso pôr do sol perdeu o encanto e o brilho diante da agressão que lhe permitiram em troca de nada. E olhar para a cidade que acabou de ser administrada por um Mauro Nazif? E a agonia de esperar por uma eficiência que nunca chega do Hildon Chaves? Há momentos que pensamos em desistir de tudo e por isso queremos a todo o momento voltar para Curitiba ou para Gramado na Serra Gaúcha. Não existe nada mais depressivo do que passar 20 dias na Europa visitando Geneve, Munique ou Paris e de repente estar ali na Jatuarana ao lado de pessoas grossas e sentindo o cheiro de merda.
            Andar de coletivo em Porto Velho não é só antidepressivo, como também uma espécie de estágio para experiências bem piores. Mas há muitas outras coisas bem mais estarrecedoras para se visitar nesta cidade sem eira nem beira. Outro dia, por exemplo, fui ao Hospital João Paulo Segundo visitar um parente meu internado lá. Foi o equivalente a ter ido umas três ou quatro vezes ao inferno numa única tarde. Só não vi o Satanás, mas tenho certeza de que aquilo não é um lugar que cuida de seres humanos. Se for, pelo que presenciei, na morada do Belzebu é muito melhor. Aquilo ali é um verdadeiro campo de extermínio de pobres. Recentemente o governador de Rondônia disse em seu blog, claro, que “o SUS é maravilhoso em sua essência”. Quem não acreditaria nestas “sábias palavras” vindas de quem conhece a fundo aquela realidade?
            Diante disso, só não fica deprimido que não tem sentimentos. Eu me deprimo ao ver que a situação no Brasil só piorou com o novo governo e que as panelas se calaram covardemente. E quando passa o momento depressivo, eis que vejo pessoas incautas dizendo que o Estado tem que agir conforme agem os bandidos rebelados. Segundo esses ignorantes, o Estado tem que também matar, estuprar, extorquir, violentar, mentir, sequestrar, corromper e semear o medo e o terror. Fico deprimido também quando percebo que a Operação Lava Jato não pega tucanos mesmo sabendo da culpa deles. E saber que o Lula só será preso para que não vença as eleições em 2018? É mole? E como não se deprimir ao saber que o ex-prefeito Mauro Nazif não fez o Natal em Porto Velho, mas disse que deixou pelo menos 20 milhões de reais em caixa? Ah! Vou ligar a televisão e assistir ao Jornal Nacional. Esqueci: aqui é tudo gravado na TV. Meu Deus!





*É Professor em Porto Velho.

sábado, 7 de janeiro de 2017

“Bandido bom é bandido...”


“Bandido bom é bandido...”

Professor Nazareno*

Os massacres ocorridos em menos de uma semana neste início de ano nos complexos penitenciários de Manaus no Amazonas e em Boa Vista/Roraima e que vitimaram quase uma centena de presos numa suposta luta entre facções rivais, mostraram ao mundo a fragilidade de nossas cadeias e do sistema carcerário do Brasil. O pior é que quase a totalidade dos cidadãos brasileiros ficou alegre e satisfeita com as mortes e defende a absurda e ultrapassada ideia de que “bandido bom é bandido morto”. As redes sociais foram inundadas com frases apoiando a matança e comemorando a carnificina como se fosse a coisa mais normal do mundo. No Brasil, país de última categoria em relação aos direitos humanos, pode ser até normal. O Estado é responsável por todos os seus presos e a vida de cada um deles está sob a tutela do Poder Público. 
Até uma autoridade do governo golpista de Michel Temer ficou feliz com a desgraça alheia. Filiado ao PMDB, Bruno Júlio, o secretário nacional de juventude afirmou que “tinha era que matar mais” e que “tinha que fazer uma chacina por semana nas penitenciárias” depois reafirmou tudo o que dissera. Bruno teria pedido demissão logo após as desastradas declarações. Se o Estado prende o criminoso e se responsabiliza por sua integridade, esse mesmo Estado tem que ser punido se algo acontecer ao infeliz. É a lei. Não é o bandido que prende o Estado. É o contrário. Bandido age como quiser, por isso é bandido. O Estado tem que ser íntegro. Quando acontecem mortes em nossos presídios, pagamos pesadíssimas indenizações ao Conselho Interamericano de Direitos Humanos da OEA e também a outros organismos.
Muitas das pessoas que defendem o horror geralmente não têm nenhum parente entre os mortos. Dizem-se cristãs, pouco ou nada entendem de leis e desconhecem, por exemplo, a passagem da mulher adúltera. Essa reação criminosa não resolve em nada o complexo problema da violência e mancha com sangue ainda mais a pouca imagem que o Brasil tem perante os países mais civilizados do mundo. A Holanda está fechando prisões por falta de criminosos. Rui Barbosa disse há mais de cem anos que “uma nação que não constrói escolas, deveria construir presídios”. Não construímos nem uma coisa nem outra. Vemos com muita tristeza até jornalistas defenderem a barbárie e fazer chacotas sobre a política de direitos humanos. Ignorantes e de má índole, parece que desconhecem os horrores do Nazismo e do Fascismo. E defendem ainda a Lei de Talião.
Violência só gera mais violência e não leva a nada. As chacinas de Canudos, Carandiru, Urso Branco e tantas outras não evitaram agora as matanças de Manaus e Boa Vista. O Estado está falido e precisa se fortalecer com uma boa e justa política carcerária. O atual governador do Amazonas, José Melo, que dentre outras coisas foi incapaz de evitar o caos, disse que entre os mortos não havia nenhum santo. E entre os políticos há algum? O Estado não prende santos, só bandidos. E não adianta mandar  levá-los para a nossa casa. É um argumento chulo e desprovido de qualquer inteligência. O mesmo se diz quando, às vezes, mostro as verdades de Porto Velho: “não gosta da cidade, vá embora”. Mas o que esperar de uma sociedade onde muitos de seus cidadãos são burros e alienados? Bandido bom não é bandido morto. É bandido preso, julgado, condenado e cumprindo legalmente a sua pena. E sem nenhum privilégio dado a ele.




*É Professor em Porto Velho.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Rondônia, província alemã


Rondônia, província alemã

Professor Nazareno*

            O Estado de Rondônia tem pouco mais de 237 mil quilômetros quadrados de área territorial e uma população inferior a dois milhões de habitantes. A Alemanha tem uma área um pouco maior: 357 mil quilômetros, mas uma população superior a 83 milhões de pessoas, ou seja, quase 50 vezes a população desse Estado brasileiro. O país europeu é uma das maiores potências do mundo e lá tudo é organizado, civilizado e dentro do maior padrão de humanidade que se conhece enquanto em Rondônia tudo é uma desgraça só. Por isso, o governo do Brasil deveria entregar esta unidade da federação para os germânicos administrarem. Depois eles devolveriam. Será? Quem sabe assim nos livraríamos das tristes sequelas a que já nos acostumamos? O nome do nosso novo governador seria Helmut, Gerhardt ou Wolfgang. Não seria mais chique?
                A capital continuaria sendo a suja e emporcalhada Porto Velho mesmo. Mas teria outra roupagem, claro. Confúcio Moura continuaria respondendo politicamente pelo Estado assim como Hildon Chaves e todos os outros 51 prefeitos eleitos democraticamente. Porém todos eles só observavam como os alemães fazem para administrar e governar um povo. Haveria ainda Câmaras de Vereadores e Assembleia Legislativa bem como o Poder Judiciário e o Ministério Público. Mas tudo só de enfeite mesmo. Os alemães é que “dariam as cartas” em tudo. Os zelosos europeus organizariam toda a falida sociedade rondoniense. A começar pela fracassada Educação. Escolas de tempo integral, limpas, com mini-hospitais, laboratórios, transportes grátis para todos, prática de esportes e professores bem remunerados seriam rotina por aqui.
            Na área da saúde, os novos administradores implodiriam o Hospital João Paulo Segundo. É que a experiência deles com “Campos de Extermínios” não foi muito boa. Médicos renomados ganhando a mesma coisa que outros profissionais seriam rotina. A medicina no Estado seria preventiva e não levaria mais em conta a renda e a classe social do paciente. O aeroporto seria de fato internacional e faria voos para Frankfurt, Berlim e Munique. O esporte seria incentivado e as equipes teriam nomes locais. Nada de Genus ou outro nome ridículo. O funcionalismo público seria todo concursado. Comissionados não existiriam de jeito nenhum. Na mídia, os jornalistas respeitariam os direitos humanos e a democracia. Nenhuma emissora de TV local exibiria programação gravada. Já pensou assistir aos jornais e vê as notícias na hora em que o fato acontece?
            Não haveria rebeliões em presídios e a paz reinava em todas as cidades. Até alguns presídios seriam fechados por falta de criminosos. Violência próxima de zero com uma polícia educada e inteligente seria algo comum. Os rondonienses, muitos deles mal educados e grossos, agora tratariam bem todas as pessoas. Lixo nas ruas? De jeito nenhum. Todos com esgoto e água tratada. Lama e poeira seriam lembranças do passado. Os ares de Porto Velho agora sim, ficariam cheirosos e perfumados. A rodoviária seria limpa e asseada e os igarapés da cidade todos ficariam cheios de peixes e cisnes negros. Mobilidade urbana haveria em todas as cidades. Ninguém venderia votos nas eleições e os eleitos trabalhariam em prol dos mais necessitados. Nada de corrupção. O maior problema seria a depressão que se abateria sobre os rondonienses. Acostumados a toda sorte de desgraças e mazelas, como se adaptar a uma nova vida?




*É Professor em Porto Velho.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Lisura: com ou sem salário

Lisura: com ou sem salário

Professor Nazareno*

O novo prefeito de Porto Velho, Hildon Chaves, abriu mão de seu salário na prefeitura. Bobagem, tolice pura. Demagogia barata, populismo de quinta. Tanto é que ninguém de sua equipe vai seguir o seu exemplo. Ou vai? Muito menos na Câmara de Vereadores, antro de muitos vereadores mal vistos e que não respeitam o dinheiro público. O importante não é quanto ele vai ganhar ou deixar de ganhar e nem para quem vai doar o seu salário. O importante é ele ser probo com as contas públicas e fazer um trabalho decente na pior capital do Brasil em saneamento básico e qualidade de vida. De gente com boas intenções, o inferno está cheio. O problema de Porto Velho não é e nem nunca foi o salário do prefeito. O problema de Porto Velho sempre foi a falta de gestão do dinheiro de nós portovelhenses e a falta de amor a esta cidade e ao seu sofrido povo.
Muito melhor do que fazer pirotecnia politiqueira com o seu salário, ele devia propor e lutar pela redução desses mesmos salários. Tanto dos vereadores como o dele próprio. Economizaria muito mais. Não precisamos de propostas demagógicas que só buscam os holofotes, precisamos de ações mais sérias e queremos administradores competentes que se preocupem com o bem estar de seu povo. Sua "boa" ação só rendeu frutos para ele mesmo: quanto a prefeitura economizou com esta "jogada" publicitária? NADA! Em São Paulo, João Doria, seu parceiro de partido, iniciou a gestão como gari e toda semana quer varrer as ruas. É mole? E eu pensei que os poemas e versos de Hildon para Porto Velho seriam a pior coisa na política. A ação de doar dinheiro para entidades carentes não tem nada de didático: pode encobrir, por exemplo, a incompetência.
Como professor eu não posso doar a “fortuna” que ganho a ninguém. Meus alunos certamente não ficariam alegres com isso. O que os alegrará muito mais serão as aulas que lhes ministro, se elas forem boas e proveitosas. Ouvi dizer que um dos tripés de sua administração seria muito trabalho. Como muito trabalho se no dia seguinte à posse ele e toda a sua equipe já descansaram? Ponto facultativo onde? Dia dois de janeiro não é feriado aqui nem em nenhum outro lugar conhecido. Começa, portanto, a sua administração com um dia de atraso. Falou-se também que a sua gestão seria muito dura com os funcionários públicos municipais. Coitados! Por que medir forças com quem não as tem? Eles não são problemas. O caos em Porto Velho sempre foram os seus gestores. Desde o major Guapindaia que ninguém quer compromisso com a cidade.
Pare com firulas e rompança, homem! Arregace as mangas para trabalhar, mesmo com um dia já de atraso. Confio no senhor e na sua equipe e serei um fiscal atento de todas as ações desenvolvidas pela prefeitura em prol dos portovelhenses. Odeio este lugar, mas é aqui que pago em impostos quase 40% do que ganho com o meu trabalho honesto. Suja, fedida, mal cuidada, explorada, sem planejamento urbano nenhum, sem mobilidade, sem arborização, repleta de obras inacabadas, violenta, com alagações e lama no inverno, poeira e fumaça no verão, odiada também pela maioria de seus moradores, a capital dos rondonienses precisa de um verdadeiro choque de gestão e não de conversa fiada e eleitoreira para enganar otários. Tenho certeza de que o senhor chegou aonde chegou também trabalhando duro e de forma honesta. Ou foi fazendo versinhos tolos para enganar os simplórios e doando todo o seu salário aos outros?




*É Professor em Porto Velho.

domingo, 1 de janeiro de 2017

Administrados “nas coxas”


Administrados “nas coxas

Professor Nazareno*

            Parece que está se iniciando uma nova era por aqui. Começa de novo para nós portovelhenses o direito de ter esperanças em dias melhores na administração deste sofrido município. Mas o novo prefeito já estreou mal: toma posse num dia e no outro descansa, mesmo sem ser feriado. Sintomas de maus presságios? Dois de janeiro é dia de quê mesmo? O ex-promotor de justiça Dr. Hildon Chaves, que jurou não ser um político, recebeu a incumbência de fazer por esta cidade o que ninguém ainda fez desde o longínquo 1914. Com 102 anos de história, Porto Velho nunca se pareceu com uma cidade muito menos com uma capital de Estado. É um lugar novo, mas de aspecto velho e modorrento que se parece com uma catacumba podre da Idade Média. Os apelidos de “antessala do inferno e currutela amaldiçoada” lhe parecem mimos diante da realidade.
            A capital dos rondonienses fede a carniça, a podridão, a monturo, a lixo. Não tem esgotos, água tratada nem saneamento básico. O Instituto Trata Brasil a coloca anualmente em posições ridículas quando o tema é qualidade de vida. No verão, a fumaça das queimadas associada à poeira fétida invade lares e enche os hospitais de velhos e crianças. No inverno são as alagações: água contaminada adentra humildes residências e transforma seus moradores em “porcos” fuçando na lama e sujeitando-os a todo tipo de doenças e nojeiras. A cidade, que se gaba de ser uma capital com mais de um século de existência, não tem sequer um hospital de pronto-socorro. Aqui sempre nos faltou mobilidade urbana, limpeza e decência. Até as comemorações de Natal não são levadas a sério. Dizer que nos parecemos com Aleppo na Síria não é exagero.
            Repito, Dr. Hildon: o senhor pegou um “abacaxi” dos maiores. Mas se administrar a cidade com seriedade e sempre pautado pela verdade talvez não tenha tantos aborrecimentos. Qualquer problema, vá à mídia, abra a boca, denuncie! Chame o eleitor para junto de si e tente se livrar dos tubarões ambiciosos. Governe com o povo e para o povo. Sabemos que parte da imprensa de Rondônia é fascista e marrom, já que se confraterniza com a classe política, mas pelo menos para ajudar ela deve servir. Como pagadores de impostos, queremos ser administrados de forma séria e isto quase nenhum político daqui jamais o fez. Há seis anos, por exemplo, que este Estado é incrivelmente administrado por um blog. Não faça isto, pelo amor de Deus! Respeite cada centavo dos nossos impostos. Administre corretamente o meu dinheiro. O IPTU já vence este mês.
            Além de rico e bem sucedido, o senhor é um homem ficha limpa, íntegro e honesto, claro. Nem precisa dizer que a Operação Lava Jato está a todo vapor. O IPAM é dos segurados. “Faça das tripas coração” em prol do bem comum. Veja o rosário de obras inacabadas espalhadas pela cidade. Nunca comece nenhuma outra sem a previsão de término, por favor! Cobre trabalho, competência e honestidade dos seus secretários, do seu vice-prefeito e dos vereadores. Sim, o senhor pode influenciar para o bem todo o legislativo municipal. Demita sumariamente qualquer assessor que se envolva em corrupção ou desmandos. Quem lhe elegeu prefeito foi o desespero, o cansaço, a agonia, a vergonha, o sofrimento e a falta de esperança de nós portovelhenses em dias melhores. Não votei no senhor, mas sentir saudades do Mauro Nazif seria o fundo do poço, o inferno. Chega de sermos “administrados nas coxas”! Posso ser fiscal da sua gestão?




*É Professor em Porto Velho.

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Retrospectiva sem perspectivas


Retrospectiva sem perspectivas

Professor Nazareno*

O ano de 2016 está quase no final e a ladainha não mudou em nada. Pessoas se confraternizam toscamente e na maioria dos casos desejam uns aos outros um ano novo repleto de alegrias e esperanças. Só falsidade mesmo, pois quem viveu o ano de 2106 e sobreviveu a ele sabe que o próximo ano será muito, mas muito pior do que este que está terminando. Pior na política, na economia, nos esportes e na vida cotidiana dos brasileiros. No Brasil não há retrospectiva, pois foi tudo muito igual como nos outros anos que findaram. Em 2016, os políticos roubaram como nunca o Erário e não houve, como rotineiramente nunca há, nenhuma reação da população explorada. Em Rondônia não foi diferente em nada. Aqui, na maior cara de pau, parte da mídia continuou a se confraternizar com a classe polícia, o dinheiro foi curto e o sofrimento todo aceitável.
Em quase tudo, o ano que se encerra foi igual aos outros. Tudo continuou a mesma desgraça de sempre. O povo continuou à mercê da vontade dos governantes e de nada reclamou. Aqui nada mudou para melhor. A cidade de Porto Velho continuou com a mesma sujeira e imundície características e o povo explorado pelas autoridades continuou alegre e feliz como se nada disso fosse anormal. O hospital João Paulo Segundo da capital rondoniense iniciou o ano de 2016 como um campo de concentração e terminou o ano como um campo de extermínio de pobres. Houve mudança? A sujeira das ruas de Porto Velho não mudou em nada. Tudo ainda está sujo e fedido. A educação dos portovelhenses (a falta) continuou a mesma: no comércio, escolas, ruas e repartições públicas. Como entender que as pessoas no final de 2015 nos desejaram um feliz 2016?
Mas é bom aceitar e até se alegrar por enquanto, pois 2016 foi um ano excelente se comparado ao ano que virá. Acreditem! 2017 será pior, mas muito pior para todos nós brasileiros e rondonienses. Mesmo com a Operação Lava Jato funcionando a todo vapor, os políticos vão continuar a roubar o Erário como sempre fizeram. A desfaçatez dos poderosos em relação aos mais necessitados continuará. Na política, o ano de 2016, assim como o de 1964 nos reservou um golpe de Estado dado, de novo, pela elite nacional. Michel Temer é um Castelo Branco do século XXI e o povão, como sempre, não entendeu nada. De camisas amarelas da seleção e gritando “Fora, Dilma! Fora, PT!”, muitos idiotas despolitizados saíram às ruas para pedir o pior. E a desgraça veio a cavalo. Quase ninguém percebeu que os golpistas queriam apenas se livrar da Lava Jato.
Sem maiores investimentos em educação de qualidade e com os mesmos políticos a “servirem” o povo, as coisas no Brasil não têm perspectivas de nenhuma melhora no ano que iniciará em breve. Com todo mundo querendo explorar todos os seus semelhantes e pensando apenas em seus próprios umbigos, como superaremos a crise que fora inventada apenas para nos explorar ainda mais? Quase tudo o que aconteceu de bom e de ruim em 2016 foi usado para enriquecer ainda mais os inescrupulosos de plantão. Da queda do avião da Chapecoense ao golpe que deram na Dilma Rousseff, tudo foi usado contra o povo brasileiro. Até a opção pelos pobres da esquerda não deu certo: o ano de 2016 foi rico de opção do pobre pelos evangélicos. O Brasil e Rondônia caminharam para trás. O correto seria desejarmos um feliz 2015 para todos, pois a partir de 2017 a miséria e a desgraça serão nossas parceiras inseparáveis.




*É Professor em Porto Velho.

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

O Natal é uma furada


O Natal é uma furada

Professor Nazareno*

            Está mais do que claro que o Natal não existe. Não como os seus criadores o idealizaram. Boa parte do mundo cristão ocidental o festeja como se fosse o nascimento de Jesus Cristo, mas não é. Cristo não nasceu no dia 25 de dezembro como se afirma e que muitos tolos sem a menor leitura de mundo e informações acreditam piamente. O atual calendário cristão ou calendário gregoriano só foi adotado oficialmente em 1582 já na Idade Moderna. Acredita-se que o nascimento de Jesus possa ter sido no mês de dezembro devido a relatos das condições climáticas da região onde se deu o fato. Há inclusive algumas religiões cristãs, como as Testemunhas de Jeová, que sequer comemoram o Natal por entenderem que os evangelhos não mencionam a data em que nasceu o “filho de Deus”. Para eles é proibido, inclusive, festejar o que não se sabe.
                Porém como boa parte da população mundial é formada por imbecis e otários, não custa nada faturar em cima de estupidez alheia. Óbvio que no mundo muçulmano não há a menor referência à festa. Lá certamente as tolices são outras. O fato é que no mundo ocidental difundiu-se a ideia absurda e mentirosa de que exatamente nesta data deu-se o nascimento de Cristo. E nesse dia comemora-se hipocritamente o amor, a fraternidade, a bem-aventurança, a alegria e tantas outras fantasias. Famílias se reúnem para celebrar o que não existe, o invisível. A ceia de Natal é uma estupidez ridícula, mas popular e que é vista praticamente em todas as casas como símbolo maior da cristandade. Pior: nesta fatídica noite os ânimos se alteram e passa-se a acreditar em duendes, paraíso, fadas encantadas e na lorota de que o bem sempre vence o mal.
            Existe, por exemplo, coisa mais tosca, nojenta e enfadonha do que a já esperada e cafona brincadeira de amigo oculto? Parentes e demais familiares, de forma mentirosa e forçada, se confraternizam, dizem esquecer as desavenças e trocam seus presentinhos chulos e bregas como se fossem verdadeiros amigos. A comida servida geralmente é uma gororoba já fria que fora feita muitas horas antes só para impressionar os donos da casa e alguns convidados penetras. “Nossa, maninha! Como está deliciosa esta galinha picante!”, é a triste conversa que mais se ouve entre os já bêbados cidadãos e as suas espevitadas mulheres presentes àquele dantesco espetáculo. Cerveja ruim e insossa, vinho de quinta categoria, sem o menor sabor e dentro de garrafões de plástico completam aquele já manjado circo patético. Parece uma horrorosa comédia pastelão.
            Não gosto de festas de Natal e delas não participo. Primeiro por que para mim não representam absolutamente nada e depois por que não se pode fingir para si mesmo. O Natal é um engodo, uma farsa que só existe para os simplórios. Como encarar, por exemplo, um Papai Noel com o bafo fedendo a cachaça barata, fantasiado de comunista e trazendo presentinhos para os pequenos carentes? Velho amaldiçoado, canalha, escroque, rufião, tarado, pedófilo, masturbado social, ranheta, com os dentes podres e representante maior do Satanás não tem e nem nunca terá a minha permissão para existir. Mas infelizmente o brasileiro senso comum é assim mesmo: acredita em toda besteira que lhe contam. Não entendo como ainda fica feliz e ri da própria desgraça. As comemorações desta data deviam ser extintas para o bem da humanidade. Como aceitar que o comércio ainda sobreviva à custa de uma mentira tão absurda e aceita por todos?




*É Professor em Porto Velho.

sábado, 17 de dezembro de 2016

Natal escuro na currutela



Natal escuro na currutela

Professor Nazareno*
           
No Natal de 2016, Porto Velho ficará no escuro outra vez. Ficará é um modo de se dizer, pois esta cidade sempre viveu no breu absoluto apesar de ter em seu solo pelo menos três hidrelétricas. A capital da sujeira e da fedentina é um lugar cristão que hoje tem mais de 510 mil pessoas, mas parece que todos aqui são judeus, muçulmanos ou ateus, pois não haverá Natal iluminado como em muitas outras cidades espalhadas pelo Brasil afora. A escuridão sempre foi uma grande companheira dos portovelhenses. A desnecessária e caríssima ponte que fizeram sobre o rio Madeira é escura e não tem a menor previsão de quando será iluminada. Aquilo que chamam de viaduto e que tentaram terminar às pressas por causa das eleições também é outra obra escura. Escura, por não ter lâmpadas, por que não se sabe quanto custou ou por que nunca a concluem.
A mente da maioria dos habitantes daqui é igualmente escura. Assim como as ações de nossas autoridades. Porto Velho é uma cidade escura em todos os sentidos. Não que o Natal seja algo importante, mas o orgulho de muitos moradores ficaria melhor se houvesse pelo menos uma comemoração que lembrasse essa data cristã. O atual prefeito, Dr. Mauro Nazif, recebeu dos eleitores daqui mais de 200 mil votos para exercer seus cargos políticos. Devia se preocupar com o seu futuro político, mas parece que não quer saber da autoestima de ninguém. Já fez decoração de Natal até com pneus velhos. Irados, os eleitores escorraçaram-no nas urnas na esperança de ter, sob a batuta do novo prefeito, uma cidade com “ares mais perfumados e cheirosos”. Com lama, lixo, podridão e muita escuridão, Porto Velho já se acostumou a sua triste rotina de mazelas.
Nada aqui dá certo. A “capital das sentinelas avançadas” é uma cidade amaldiçoada. Está, de novo neste final de ano, mais deserta do que nunca, pois quem pode já caiu fora para passar as férias em recantos mais aprazíveis. Um lugar onde a Semana Santa é em novembro, o São João às vezes é em outubro e o carnaval em julho não deve nunca ser levado a sério. Até o Ibope aqui não funciona e a principal emissora de televisão local (afiliada da toda poderosa Rede Globo) retransmite seus noticiários gravados como se estivéssemos ainda na época dos ultrapassados videocassetes. Enquanto isso, as cidades do interior se esmeram com a data natalina. Ariquemes tem a maior árvore de Natal da região Norte. Ji-Paraná está um encanto com seus viadutos já prontos e todos enfeitados. Nem é bom falar sobre Canela e Gramado na Serra Gaúcha.
Os infelizes moradores da capital de Rondônia sofrem feito sovaco de aleijado.  Nem os oposicionistas da Ditadura Militar sofreram tanto como nós habitantes de Porto Velho. A tortura a que eles foram submetidos se parece com cafunés se comparada com a nossa vergonha e sofrimento. Somos torturados todos os dias com a incompetência, a roubalheira e o descaso e ninguém tem pena de nós. Nenhum prefeito se compadece de nós beiradeiros. Vivemos o antinatal. Aqui é uma terra sem eira nem beira onde parte da mídia se confraterniza todos os anos com os políticos. A cada dia que passa as coisas só pioram. Viramos Aleppo? Sem as festas de Natal, mais uma vez sucumbimos sob a lama do inverno amazônico. Sem esgoto, suja, pontilhada de imundícies, abandonada e agora escura no Natal, a maldita currutela vive o seu martírio rotineiro. E eu nem posso desejar que o DIABO leve logo Porto Velho para as profundezas do inferno: sou ateu.




*É Professor em Porto Velho.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Rondônia, minha paixão!


Rondônia, minha paixão!

Professor Nazareno*

            Nasci em Londrina, a rica e progressista cidade do Norte do Paraná. Tenho mais de 50 anos, sou profissional liberal e sempre disse para todo mundo que me conhece que sou um “rondoniense de coração”. Cheguei por aqui com os meus pais ainda na década de 1980 quando este Estado era território. Consegui um bom emprego no governo e estudei numa dessas escolas públicas da cidade mesmo. Prestei o vestibular naquela época na UEL, a boa Universidade Estadual de Londrina, onde com muito orgulho me formei e depois fiz cursos de pós-graduação e mestrado. O governo do Estado de Rondônia sempre me dispensava para que eu pudesse estudar. Meu pai ganhou do antigo governador Jorge Teixeira um pedaço de terra no interior, onde junto com meus irmãos recomeçamos a vida. Nada foi fácil para nós que começamos do zero.
            Sou casado, claro, com uma legítima paranaense e temos dois lindos filhos. Minha esposa é filha de imigrantes ucranianos que vieram para o Brasil em meados do século passado e se instalaram na região cafeeira do Paraná. Quando tive que me mudar para a Amazônia, prometi a ela que um dia voltaria para nos unirmos. Promessa feita, promessa cumprida! Nosso casamento foi na linda catedral de Londrina, paróquia Sagrado Coração de Jesus. Nossos filhos, apesar de morar e já trabalharem em Porto Velho, nasceram em Londrina no Hospital Mater Dei, uma excelente instituição de saúde ligada à Irmandade Santa Casa de Londrina. Durante a gestação, esperávamos até o oitavo mês. Confesso que morria de medo de ver meus descendentes nascerem em terras tão distantes de suas tradições. Além disso, a medicina em Londrina nem se fala!
            Dentro de casa sempre fizemos questão, eu e minha esposa, de falar com os meninos usando o sotaque característico do Paraná. Apesar de ser mais bonito, nos dava a sensação de que estávamos mais próximos dos nossos ancestrais. Desde que aqui chegamos sempre fiz questão de viajar à “terra das araucárias” pelo menos duas vezes ao ano. Não dá para esquecer o friozinho do meio do ano. Sempre tiramos as férias no final do ano mesmo. Então Natal e Ano Novo tem que ser no Jardim Lindoia, zona leste da “Capital do Café”. Meu time de coração sempre foi o Londrina E. Clube, o Tubarão. Nunca perdi um só jogo de uma das melhores equipes de futebol do interior do Brasil. Quando cheguei aqui, ficava desesperado quando tinha jogo e não conseguia sintonizar uma emissora de rádio do Paraná a fim de acompanhar os jogos do meu time preferido.
            Estou muito perto de me aposentar. E não vejo a hora de chegar este dia tão esperado. E quando isto finalmente acontecer, volto com os meus filhos e toda a família para Londrina, claro, onde já comprei um lindo apartamento no Jardim Coliseu na zona norte da cidade. Minha esposa comenta diariamente sobre “a sua volta ao lar” e conta eufórica os dias. Deve ser um sonho mesmo viver de rendas, num lugar aprazível, tranquilo, desenvolvido e com muita disposição esperar a chegada dos netos. Rever os amigos de infância, saborear a deliciosa culinária ucraniana e conversar sobre assuntos importantes não tem preço. Aqui, deixo alguns conhecidos que fiz e a tristeza de ter sempre que vir visitar a sepultura de meu pai que fez questão de ser enterrado por estas bandas. Mas Rondônia e Porto Velho são lugares excelentes e maravilhosos para se viver. Nasci e cresci em Londrina, mas há como negar que meu coração é rondoniense?




*É Professor em Porto Velho.

domingo, 11 de dezembro de 2016

Corrupção, onde ela está?



Corrupção, onde ela está?

Professor Nazareno*

            Segundo a ONG Transparência Internacional, o Brasil é um dos países mais corruptos do mundo. Numa recente lista de 180 nações divulgada pela entidade, ficamos num número nada invejável ao lado de republiquetas africanas. Com um PIB que o coloca entre as dez maiores economias do planeta, o nosso país patina de forma vergonhosa quando o assunto é a qualidade de vida de sua população, que hoje já ultrapassa os duzentos e seis milhões de indivíduos. O professor Leandro Karnal, um dos ícones do pensamento esquerdista, afirma que “não existe sociedade honesta com governo corrupto ou vice-versa”. No Brasil, infelizmente, tem sido muito comum as pessoas apontarem o dedo sempre para os outros quando se quer encontrar os culpados pelo mau uso do dinheiro público, principalmente. Aqui, o corrupto sempre é o outro.
            Para a maioria dos nossos cidadãos, no entanto, “o roubo vem de fora, dos outros”. Pior: são os políticos os maiores responsáveis pela corrupção que assola o país há séculos. E entre os próprios políticos e autoridades, é comum apontar sempre o outro poder como o maior responsável pela roubalheira. Mas todos estão redondamente enganados. Somos um dos povos mais ladrões e desonestos do mundo e a culpa, como se pensa, não é dos portugueses que a partir de 1500 trouxeram para cá os seus degredados. Só que a nossa desonestidade com o alheio é algo próprio de nós mesmos. Praticamente só pensamos em nós e depois em nós. A corrupção está no Executivo, no Legislativo, no Judiciário, na Igreja, nas escolas, nas instituições e em cada Estado e município deste país. Dizem até que nas nossas veias corre um sangue já corrompido.
            Execrar apenas o Congresso Nacional ou o Poder Executivo por causa da corrupção é uma injustiça. Dentro do próprio Judiciário deve haver “coisas tão cabeludas” que envergonhariam um ladrão de chinelos. Por que um juiz como o Sérgio Moro só apareceu agora 514 anos depois de descoberto o país? Este estado de coisas só foi possível por que houve vistas grossas por parte do Judiciário durante todo este tempo. E isto não é corrupção? Um cidadão ganhar 100 mil reais por mês ou mais num país de famintos e miseráveis não é corrupção? Os supersalários do Brasil, em quase todos os setores da vida pública e que sangram mais de 10 bilhões de reais por mês é algo decente e aceitável? Quase todos querem sempre ganhar acima do teto fixado por lei sem se importar de onde saem os recursos. “Farinha pouca, meu pirão primeiro!”
Na iniciativa privada, a “festa” é até pior do que no setor público. No Brasil, o importante é levar vantagem em tudo. Não interessa quem vai sair perdendo. O individualismo reinante na nossa mentalidade é uma praga que já foi abolida há anos nos países civilizados. Nunca se pensa no coletivo, apenas no “EU”. E quando os dois setores se encontram a desgraça está feita sempre em desvantagem para os mais pobres. Veja-se o exemplo da Operação Lava Jato e as relações incestuosas onde não se define claramente o que público nem o que é privado. E as “punições” dadas aos juízes brasileiros? E os privilégios dados a outros setores? E os conchavos espúrios envolvendo os mandatários do país? Tudo isso não seria também um tipo velado de corrupção e de privilégios? Deram um golpe numa presidente eleita para botar no poder pessoas igualmente corruptas. A Odebrecht delatou todos e o país caiu na vala comum.





*É Professor em Porto Velho.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

O povo acordou. Onde?

O povo acordou! Onde?

Professor Nazareno*

            Hoje no Brasil está virando moda em qualquer manifestaçãozinha de esquina que consiga reunir 10 ou 12 pessoas para reivindicar a mais tola e inútil das coisas, dizerem e gritar aos quatros cantos que o povo acordou. “O povo agora está mais consciente e não aceita facilmente ser usado pelos governantes hipócritas e exploradores”, é o mantra que mais se ouve. Só que é uma das maiores mentiras que já se ouviu. É uma tolice sem tamanho. Uma desinformação absurda. Onde foi que o povo acordou? Onde foi que o povo alienado, despolitizado, acomodado e explorado, de uma hora para outra, ficou consciente de seus direitos e deveres? No Brasil não foi. Usa-se como sempre o nome do povo como se ele fosse algo importante. Antes se dizia: “o povo unido, jamais será vencido”. Hoje, marotamente, coloca-se o povo nas manchetes.
            No Brasil se usa o povo como Bombril. Tem serventia para tudo, principalmente os pobres. Nas campanhas políticas, por exemplo, não existe nada melhor, e mais fascista, do que usar aqueles cidadãos, em cuja boca metade dos dentes está podre e a outra metade está fedendo a merda, para fazer proselitismo político. O pobre dá entrevista, recebe candidatos ricos em sua humilde casa e com eles toma café e almoça. Reúne o que chama de família e apresenta ao futuro prefeito ou deputado. O miserável do pobre é paparicado, adulado e até acredita que tem alguma importância além do seu mísero voto. Terminadas as eleições, nenhum candidato volta àquela pocilga longe, podre, violenta e infecta. Nem para agradecer os votos que conseguiu com as suas mentiras e promessas. Pobre só serve para isso: ser enganado e passar necessidade.
            A lorota agora é dizer que o povo acordou, participa dos debates nacionais e está em plena ebulição sociológica. “Me engana que eu gosto”. O povo interessado por política nem na Revolução Francesa. Não sei de onde tiraram esta piada infame. O povo está assistindo à Globo e outras emissoras reacionárias e se divertindo com programas igualmente reacionários, idiotas e fascistas. Muitos estão fazendo churrasco na laje e bebendo cerveja barata e cachaça ruim. Povo geralmente não tem tempo para participar de política muito menos de manifestações de rua. Primeiro por que não tem leitura de mundo nem estudos. Depois por que não consegue entender que a sua desgraça de vida está ligada às maracutaias e decisões políticas. Pobre no Brasil é massa de manobra. Sempre foi. E não sabe por que é usado pelos outros mais politizados.
            Nas manifestações, o pobre geralmente veste camisa amarela da seleção nacional e vai gritar nas ruas a favor dos direitistas. Muitas vezes nem sabe o porquê de estar ali. Quando o aglomerado é da esquerda, lá está ele de novo no meio dos “intelectuais” gritando palavras de ordem e reclamando de tudo. Um verdadeiro revolucionário semianalfabeto e desdentado da favela. Dos 206 milhões de brasileiros acredita-se que pelo menos oitenta por cento deles sejam cidadãos sem a menor leitura de mundo que age politicamente sempre como uma “Maria vai com as outras”. Basta observar os resultados das últimas eleições municipais. Em Porto Velho, por incrível que pareça, a composição da Câmara Municipal, por exemplo, é o retrato fidedigno de eleitores ignorantes e descompromissados com o futuro. O Brasil, assim, continuará deitado em berço esplêndido esperando um milagre para resolver a sua caótica e pobre situação.




*É Professor em Porto Velho.