sábado, 28 de março de 2020

Covid-19: a culpa é do Brasil


Covid-19: a culpa é do Brasil


Professor Nazareno*
                           
       O mundo está em prantos por causa da pandemia do Coronavírus. Até agora, dia 30 de março de 2020, mais de 720 mil pessoas foram infectadas no mundo inteiro e o número de mortos não para de crescer. E o Apocalipse só começou, pois estes números são “fichinha” diante do que se anuncia: dias sombrios e uma realidade sinistra nos espera. Importantes cidades do mundo estão isoladas e o planeta inteiro está em quarentena à espera do pior. E no Brasil não podia ser diferente. Mas, infelizmente é. Os números desta “Peste Negra moderna” não param de crescer. O líder maior da nação tem se mostrado um verdadeiro idiota: sem nenhum conhecimento sobre o tema, incentiva a população incauta a seguir o senso comum em relação à pandemia. Suas declarações absurdas são risíveis nos quatro cantos do mundo. Somos galhofa de novo.
             Por causa do presidente ignorante, insolente e bronco, grande parte dos brasileiros seguidores dele dão opiniões espantosas e anacrônicas. Dizem, por exemplo, que a culpa é dos chineses, que se intoxicaram ao comer animais exóticos e por isso disseminaram a praga no mundo inteiro. Porém, na Índia se afirma que a culpa por esta catástrofe, é do Brasil e dos brasileiros. Sim, pois aqui se come a “Santa Vaca”, um animal sagrado para aquele povo. “As pessoas do Brasil são incultas, incivilizadas, atrasadas e brutas, pois criam um animal sagrado somente para matar e comer, por isso todos nós estamos sendo castigados”, dizem os hindus. Mas eles só dizem isso por que nunca viram a matança e a quase extinção de tartarugas, tracajás, tatus, cotias, gongos, antas, pacas, capivaras, tanajuras, tamanduás, dentre outras “iguarias” daqui.
            Esse vírus é bruto: praticamente até agora só atacou os países ricos, civilizados, organizados, limpos e com excelentes sistemas de saúde. Não se sabe de sua eficácia e poder de destruição quando chegar a nossa vez e a de países atrasados, pobres e miseráveis. Os “biroliros” da vida, sem nenhum conhecimento sobre o assunto, afirmam que os brasileiros não serão infectados tão facilmente por que “o nosso povo está acostumado a pular dentro do esgoto e nada lhe acontece”. Quero ver essa ladainha ser repetida daqui a um mês ou dois quando estivermos no epicentro da agonia. “A dengue, a malária, o sarampo e a gripe comum matam mais do que este vírus” dizem com certa euforia os incautos eleitores do “Mito”.  E é verdade, mas nenhuma dessas doenças mata tão rápido nem têm a velocidade de transmissão desse novo vírus.
           De qualquer maneira, a recessão e o tombo na economia do país serão fatos irreversíveis. Depois dessa cruel pandemia, o caos será inevitável. Fome, violência, desemprego e outras doenças serão rotina por um bom tempo. Como se já não estivéssemos acostumados com a desgraça num país que só vive falando em crise. Mas sempre foi assim no mundo inteiro. E por aqui não será diferente. Dessa forma, é melhor contar desempregados amanhã do que mortos hoje.      Só que o presidente do país não pensa desse jeito, pois em vez de liderar seu povo, de agregar valores e de buscar melhores soluções e saídas para o caos, fica falando tolices “sem pé nem cabeça” e dividindo ainda mais seus governados. Porém, o “Mito” é uma praga pior do que o Coronavírus: nega a ciência, a OMS, os conhecedores do assunto, os líderes mundiais e o óbvio. Só ele está certo. Só ele é o dono da verdade. Será que o vírus existe para ele?



*Foi Professor em Porto Velho.



terça-feira, 24 de março de 2020

O mundo está de joelhos


O mundo está de joelhos

Professor Nazareno*
                                                                                    
Por causa da crise do Coronavírus, o mundo inteiro está de joelhos. E não é para rezar ou pedir algo. Os prejuízos já são incalculáveis. As nações mais ricas do mundo estão vivendo o horror com números cada vez maiores de infectados, doentes e mortos. O número de óbitos pela atual pandemia do Covid-19 pode até superar algumas guerras. Sem saídas, governos pedem ajuda ao mundo. A Rússia enviou para a Itália aviões com médicos e equipamentos. Cuba também mandou um grande número de profissionais de saúde como enfermeiros e clínicos. A Espanha está em desespero. Nos Estados Unidos se anuncia o Armagedon com cada vez mais infectados. O território americano pode se tornar brevemente o novo epicentro da catástrofe. Bolsas caem no mundo inteiro. No Brasil, o horror apenas se anuncia. E dias tenebrosos já são esperados em nosso país.
As Olimpíadas de Tóquio foram adiadas por pelo menos um ano. O caos está presente no mundo inteiro. Cidades estão vazias. A quarentena de cidadãos e o toque de recolher são medidas cada vez mais incentivadas. Mas apesar desse cenário sinistro e aterrador, muitas pessoas não mudaram suas rotinas. O cara que “está presidente” do Brasil, por exemplo, continua falando suas tolices e bravatas. Ele e muitos dos seus fiéis seguidores continuam fazendo declarações absurdas como de costume. Os petistas e outros oposicionistas continuam com suas imbecilidades e sendo aplaudidos pelos seus seguidores. Muitos candidatos para as próximas eleições estão se aproveitando do momento e já fazendo as suas campanhas sem nenhum problema. Todos indiferentes ao avanço aterrador do vírus mortal. Os golpes continuam na internet. Os ladrões nem aí...
Fazer campanhas eleitorais numa crise dessas é o suprassumo da sacanagem e da falta de bom senso. Políticos malditos que não respeitam sua gente, seus eleitores. Muitos só pensam em si mesmos. As fakenews são outra desgraça. Elas mostram situações que não existem só pelo prazer de se espalhar desnecessariamente o pânico numa população já assustada pelo caos que estamos vivendo. A falta de bom senso parece divertir os canalhas. Muitas religiões também se aproveitam do pânico alheio. Aliás, essa sempre foi a sua característica maior: dominar os incautos pelo medo e pelo terror. Alguns líderes religiosos se aproveitam da caótica situação, claro, para auferir sempre mais lucros e poder para as suas Igrejas. Nessas horas caóticas, todos deviam se unir para enfrentar o inimigo comum. O vírus não tem ideologia nem nenhuma crença.
Religião, política e ideologia à parte, esse vírus pode ser apenas uma “singela” resposta da natureza às agressões que sempre sofreu por parte do “bicho homem”. Por que se desmata tanto e se toca fogo na Amazônia todos os anos? Por que a Banda do Vai Quem Quer produz tanto lixo nas ruas de Porto Velho quando desfila? Por que os oceanos e mares estão tão poluídos? Por que o uso de tantos agrotóxicos e pesticidas nas lavouras? Esse vírus deve ser uma resposta a tudo isso. Não é à toa que hoje a poluição na China e em algumas regiões da Europa diminuíram aos níveis de 20 ou 30 anos atrás. As ruas de várias metrópoles do mundo quase não têm mais monóxido de carbono ou de dióxido de enxofre dentre outros gases letais. O Covid-19 ironicamente está fazendo a natureza respirar mais um pouco. A busca incessante pelo lucro e a ganância acima de tudo têm que ser repensados diante dessa atual hecatombe. Senão, o vírus pode piorar.



*Foi Professor em Porto Velho.

sexta-feira, 20 de março de 2020

Coronavírus é consequência


Coronavírus é consequência

Professor Nazareno*

Floresta amazônica e Cerrado/Pantanal são dois irmãos. Hoje eles estão muito doentes. Não se sabe como ainda sobrevivem depois de terem sofrido tantos ataques. O ano passado, por exemplo, os incêndios que sofreram foram devastadores. Eles tinham muitos outros parentes, todos praticamente já foram mortos: Mata Atlântica, Caatinga, Mata das Araucárias, Pampa, rios da Amazônia, lagos. Seus pais também estão bastante desgastados e sofrendo muito. Seu pai são os oceanos, que praticamente é um só, mas recebe nomes diferentes como Atlântico, Pacífico, Índico, etc. Sua mãe, a Terra, é só desgosto nas últimas décadas. Animais de todas as espécies estão sendo sumariamente extintos. Os oceanos estão entupidos de plásticos e outros dejetos. Os pesticidas e agrotóxicos envenenam diariamente a produção de alimentos para toda a Humanidade.
Como se não bastasse esse terrível cenário de terra arrasada e de destruição sistemática ao meio ambiente, a convivência entre os humanos há muito tempo não está nada boa. Mesmo depois da lição da Gripe Espanhola, o bicho homem se envolveu numa carnificina sem precedentes: a Segunda Grande Guerra que ceifou mais de 60 milhões de vidas e mostrou ao mundo do que é capaz o ser humano. O Holocausto não deixa quaisquer dúvidas. Fabricação e armazenamento sistemático de armas de destruição em massa, mísseis balísticos nucleares, bombas com poder imensurável de destruição. As nações e os homens não têm limites quando se trata de aniquilar o seu semelhante. Criaram-se regimes políticos sanguinários como comunismo, capitalismo, socialismo e outros “ismos” que só serviram para semear a fome e a miséria no mundo.
No Brasil, para se ter uma ideia, existe falta de comida quando a produção anual de alimentos do país daria para satisfazer três ou quatro vezes todo o conjunto da população. O que não se vende, simplesmente é jogado fora, estraga-se. A Mata Atlântica foi dizimada para o surgimento de cidades e para a especulação imobiliária. A seca do Nordeste pode ser resultado da ação antrópica. Todos os anos, há mais de cinco décadas, os céus da Amazônia são encobertos pela fuligem dos incêndios criminosos. A fumaça fecha aeroportos e deixa a vida dos moradores da região um inferno sem que ninguém tome uma só providência. Em pouco tempo a maior floresta tropical do mundo deixará de existir por causa da destruição de sua exuberante cobertura vegetal. Várias espécies foram extintas ou estão muito próximo disto. Nada detém a ambição humana.
A ganância desmesurada por dinheiro e por riqueza embruteceu sobremaneira “o mais inteligente dos animais”. Não há mais limites para se fazer fortuna neste mundo moderno. As sociedades são criadas somente com este objetivo como se os recursos do planeta fossem ilimitados. O homem lida hoje como se existissem várias outras Terras. O meio ambiente é apenas um mero detalhe. O capitalismo chega onde quer. O dinheiro abre toda e qualquer porta. Rios gigantescos são desviados por hidrelétricas. Florestas intransponíveis são destruídas. Habitats são rompidos. Os mares são invadidos e emporcalhados. Animais são caçados e mortos. A Terra é vilipendiada. Os alimentos se produzem só com veneno. As religiões mentem em suas falsas pregações. Os governos escravizam os mais necessitados. A empatia sumiu. Deus perdoa sempre. O homem perdoa às vezes, mas a natureza não perdoa nunca. Nosso “presente”: o Coronavírus.



*Foi Professor em Porto Velho.

terça-feira, 17 de março de 2020

O vírus está certo!

 O vírus está certo!

Professor Nazareno*

Religião, política, nações, governos, relações externas, diplomacia, Educação, convivência social, riqueza, dinheiro, fama, tecnologia, inteligência ou burrice. O Coronavírus ou Covid-19 não respeita nada. O mundo dito moderno inicia o ano de 2020 sob a égide de uma das maiores ameaças de que se tem notícia desde a eclosão da gripe espanhola no século passado, que teria matado cerca de 75 milhões de pessoas entre os anos de 1918 e 1925. Inventado ou não pelo homem, o pouco que se sabe sobre esta pandemia e este terrível vírus é que é uma grave ameaça à convivência humana nesse mundo moderno. O Covid-19 “defecou” na cabeça da humanidade e fez o homem engolir toda a sua empáfia e arrogância. E se for uma criação divina, o que duvido muito, simplesmente se confunde com o seu Criador ao determinar sua maneira de agir.
Dizem que esse “grande cidadão da humanidade” ainda não chegou a Rondônia. Também duvido muito. Mas chegará em breve, é só uma questão de tempo. Logo, logo estará entre nós. E todos nós devemos dar-lhe as boas vindas. Primeiro por que ele não discrimina rico ou pobre. Infecta a todos indistintamente. Depois por que desmascara governos hipócritas, incompetentes e despreparados. Além de dizer para os tolos humanos que a religião, por exemplo, também não lhe está imune. O Vaticano, a Santa Sé, a Caaba de Maomé e inúmeros outros lugares “santos” ou “sagrados” estão fechando suas portas com medo dele. Ora, se são lugares tão sagrados, por que tanto medo de se infectar? O Covid-19 desmascarou também a tradicional cura dos pastores evangélicos. Por que eles ainda não apresentaram o remédio para esta grave patologia?
Parabéns, Covid-19! Continue assim! Diga ao mundo que os ricos não podem fazer o que quiserem, fazer tudo. Os pobres também são seres humanos e merecem todo o respeito. Diga-lhes que dinheiro e poder não são tudo. Continue sua saga assim desse jeito: sem infectar as repúblicas miseráveis da África ou mesmo os Estados brasileiros mais pobres. Mostre a todos que as atrocidades da Guerra da Síria e a devastação da Amazônia não podem ficar impunes só por causa da ganância do bicho homem. Dinheiro não é nem nunca foi tudo. Faça a sua maneira, querido vírus, o que já devia ter sido feito há muito tempo. Não tome conhecimento da tecnologia nem da empáfia dos arrogantes e insolentes. Ainda que você me desgrace, vou defendê-lo sempre que puder e para onde eu for, meu grande amigo! Nem que seja para o “Tonhão” de Porto Velho.
Grandes metrópoles totalmente desumanas, uso ilimitado de drogas, exploração sexual de criancinhas, milícias urbanas, desrespeito, achaques, hidrelétricas assassinas, envenenamento dos rios e florestas, lixo nas ruas e avenidas, devastação ambiental sem precedentes, guerras fratricidas, uso indiscriminado de agrotóxicos e pesticidas, ganância exagerada por lucros e mais lucros, ataques constantes à democracia e ao bom senso, a própria condição humana sendo esquecida pelos seres que se dizem inteligentes. O planeta virou isso ultimamente. Acabe logo com tudo isso, Excelência! Invada o coração destas nações de arrogantes e faça-os ter que recomeçar tudo de novo. Imponha ao seu modo, meu querido, novas maneiras de os humanos se relacionarem. Não permita que os hospitais virem “açougues”. Mas sinto você ainda fraco, pois a Peste Negra ceifou 150 milhões de pessoas e a gripe de 1918 uns 75. Você vai evoluir?



*Foi Professor em Porto Velho.

sábado, 14 de março de 2020

Coronavírus rondoniense


Coronavírus rondoniense


Professor Nazareno*

Zé Beiradeiro é um rondoniense nato. Muito religioso e defensor da família, ele acredita que a terra sempre foi plana e que todas as doenças são um desígnio de Deus, “o pai todo poderoso de todos nós”. Zé, talvez por ter poucos recursos financeiros e quase nenhuma leitura de mundo, nunca saiu de Porto Velho ou de Rondônia. Sobre o tal Coronavírus, ele já disse para todo mundo que quis lhe ouvir que isso é apenas uma invenção das televisões e jornais mais importantes, ou seja, da grande mídia. Zé está um pouco adoentado agora e por isso foi ao único hospital que já conheceu em toda a sua vida. Trata-se do “açougue” João Paulo Segundo de Porto Velho, onde acredita que existem médicos muito inteligentes e capacitados para curar qualquer tipo de doença. “Todos esses médicos foram formados nas escolas daqui mesmo”, acredita o simplório.
Por ter uma religião, Zé das Beiradas acredita piamente que esse Coronavírus, se existir mesmo, jamais chegará por aqui. “Porto Velho é do Senhor Jesus”, diz confiante. Por isso, esse capiau tem a certeza de que “nada de mal acontecerá com esta cidade abençoada nem com os seus habitantes inclusive aqueles que não têm fé”. E costuma tranquilamente ensinar em sua prosa que “mesmo que o vírus insolente chegasse aqui, todos nós, os bravos bandeirantes de Rondônia, enfrentaríamos ele com os nossos terçados”. Além do mais, acredita esse “Zé da Roça” que sendo Rondônia uma potência na religião podem-se dispensar remédios e vacinas que “para nada servem”. Basta juntar alguns pastores em um culto e levar todas as pessoas infectadas para lá que a doença seria exterminada. “É na igreja que resolvo todos os meus males”, diz convicto.
Zé também acredita que Rondônia já tenha experiência suficiente com hospitais lotados e por isso não teria problema algum com este negócio de vírus inventado. “O estresse aqui seria mínimo nestes casos”. Ele diz que na Itália e em outros países desenvolvidos do mundo o sofrimento é maior porque lá as pessoas não sabem conviver com estas precariedades. “Aqui em Porto Velho, temos até escolas que não funcionam e já estão em quarentena há tempos sem nem precisar de Coronavírus”, filosofa. Numa coisa concordamos com o nosso rondoniense matuto: esse negócio de vírus importante é conversa de Primeiro Mundo. Só se preocupa é quem foi à China, à Itália e aos Estados Unidos. Ou seja, os ricos. Pobre que só visita Porto Velho se preocupa é com piolho, vermes, zika, dengue, malária, diarreia, brotoeja, pira, potó, mutuca, carapanã e maruim.
O Zé rondoniense acredita que a distância e a pouca importância de Porto Velho e de Rondônia podem manter essa doença muito longe daqui. De fato: para este lugar fedido, sujo, feio, sem organização, violento, sem eira nem beira só vem quem tem muita necessidade mesmo: parentes ou negócios. Também vem para Porto Velho e para Rondônia quem quer entrar na política e “encher as burras” de dinheiro. Já disseram ao Zé Beiradeiro que vírus é um troço muito inteligente. “Então o povo daqui tem que se orgulhar de morar nesse lugar e se acalmar, pois está mais do que comprovado que jamais essa praga viria a esse fim de mundo distante e incivilizado”. Zé está um pouco chateado por que algumas pessoas incrédulas duvidaram que o seu herói, o presidente Jair Bolsonaro, pudesse ter sido infectado com o vírus. “Um homem mandado por Deus para salvar o Brasil e os brasileiros está acima dessas tolices”, avisa o nosso filósofo.



*Foi Professor em Porto Velho.

quinta-feira, 12 de março de 2020

O JBC de ladeira abaixo?

O JBC de ladeira abaixo?

Professor Nazareno*

            A Escola João Bento da Costa de Porto Velho nos últimos vinte anos foi considerada uma das melhores escolas públicas de Rondônia. Na época do vestibular para ingresso na UNIR, a Universidade Federal de Rondônia, seus alunos sempre conseguiram vagas para qualquer curso daquela instituição. No Enem, não é diferente. Na última realização do Exame Nacional de Ensino Médio, por exemplo, muitos de seus alunos conseguiram se destacar com notas altas principalmente em Redação. Foram vários casos de alunos que ultrapassaram os 900 pontos. E a rotina da escola sempre proporcionou a “seus meninos” o que de melhor existe em preparação tanto para a vida como para a realização de uma prova difícil como é o Enem. Por isso, vários de seus estudantes já entraram em universidades particulares e públicas espalhadas pelo Brasil.
            Porém sou suspeito para falar bem daquela instituição ensino, pois trabalhei lá por longos vinte anos e sou, junto com outros colegas professores, um dos fundadores do Projeto Terceirão na escola pública, que funciona nessa escola e dispensa quaisquer comentários. Hoje, já aposentado, gostaria de continuar falando bem da escola que me recebeu tão bem durante tanto tempo. E o faço, pois sei que a habilidade dos professores que deram continuidade ao trabalho de excelência lá realizado é algo ímpar. Competência, dedicação, amor ao trabalho, apego ao conhecimento e acima de tudo compromisso com a coisa pública apesar dos salários irrisórios que recebem para desenvolver sua faina. Mas em 2020, a Escola João Bento da Costa de Porto Velho sequer iniciou suas aulas para o atual ano letivo. E não foi a ameaça pelo Coronavírus.
            As escolas particulares de Porto Velho não deviam, mas se quiserem podem até comemorar a paralisação do JBC. Terão um concorrente de peso a menos com que se preocupar. As aulas em toda a rede estadual de ensino iniciaram no dia seis de fevereiro e há previsões, incertas, de que no João Bento só iniciarão no próximo dia 16 deste mês. Mas quase ninguém acredita, pois várias previsões já foram feitas sem que se cumprisse nenhuma das datas anunciadas. Os alunos que infelizmente se matricularam no JBC este ano estão de quarentena sem que o Coronavírus tivesse ainda chegado por aqui. Em outras escolas públicas como a Tiradentes da Polícia Militar e o Major Guapindaia, dentre muitas outras, as atividades letivas já iniciaram e os alunos, com garra, já estão perto de terminar o primeiro bimestre. “Circunstâncias” impedem o JBC de funcionar.
            Vergonha: num país onde a educação, principalmente a pública, não tem nenhuma qualidade, impedir o bom funcionamento de uma escola que mostra serviço como o JBC de Porto Velho parece ser prioridade: lá não param as “reformas”.  Ali já dei aulas em meio à poeira, marteladas e barulho de construção. Os professores não têm culpa. Os pais dos alunos também não. A Direção da escola idem. O Corpo de Bombeiros não tem culpa. A defesa Civil não tem culpa. A SEDUC não tem culpa. O Suamy não tem culpa. O Coronel Marcos Rocha também não tem culpa, mas os alunos do João Bento estão vergonhosamente sem aulas há mais de um mês e por isso já foram prejudicados para o próximo Enem. Ontem, essa escola era manchete por causa dos resultados de seus bons alunos. Hoje, porque os impede de ter aulas. Como serão amanhã as manchetes dessa escola pública que sempre honrou o nome deste Estado?




*Foi Professor em Porto Velho.

quarta-feira, 4 de março de 2020

A Cidade da Cultura


A Cidade da Cultura


Professor Nazareno*

           
Porto Velho é mesmo uma cidade abençoada e de ventura. Com pouco mais de 500 mil habitantes, a capital dos rondonienses acaba de ganhar das autoridades mais uma grande construção: trata-se do Centro de Convenções Cidade da Cultura. Uma obra extraordinária que custará nada menos do que 14 milhões e meio de reais em recursos repassados pelo Ministério do Turismo e pelo Governo do Estado. A obra futurística já começou e será erguida orgulhosamente no Parque dos Tanques na zona norte da cidade. O canteiro de obras está a todo vapor e a primeira parte desse “projeto de ouro” será entregue aos porto-velhenses logo em breve. Construção extremamente importante para a realidade da sofrida cidade, o “Centro Cultural” além de desafogar o Palácio Teatro das Artes também trará muito mais comodidade e conforto para os moradores.
A ordem de serviço foi assinada pelo governador Marcos Rocha em dezembro do ano passado e imediatamente já começaram os serviços da primeira etapa, que compreende uma arquibancada para mais de dez mil pessoas, seis salas destinadas à escola de artes, quatro bares, dois auditórios com capacidades para 200 e 400 pessoas respectivamente, seis banheiros, rampas de acessibilidades, sistema de proteção contra descargas atmosféricas, área pavimentada de 35 mil metros e estacionamento para quase trezentos veículos. “Porto Velho realmente estava precisando de uma obra como esta”, é a impressão que todos têm. Segundo um técnico da Sejucel, “tudo está correndo conforme o previsto e a conclusão dessa etapa será no meio do ano que vem, quando iniciará a segunda etapa e a parte final do projeto”. Porto Velho, cidade de muita sorte.
Engana-se, no entanto, quem pensa que Porto Velho terá somente este suntuoso prédio. O “Palácio dos Fóruns” na Avenida Pinheiro Machado, por exemplo, é um deslumbre só. Aqui temos também muitas outras obras de destaque nacional como o moderníssimo CPA, que abriga a nata do funcionalismo público estadual e a indispensável Assembleia Legislativa, além de muitos outros prédios e repartições que são o orgulho de Rondônia. As autoridades daqui, de um modo geral, não medem esforços para brindar o povo com comodidade e alento. As atividades culturais de Porto Velho e de Rondônia já não cabiam mais nos poucos lugares que temos para mostrar a “explosão” de nossa arte e do nosso ousado talento. Banda do Vai Quem Quer, blocos carnavalescos, Expovel, Flor do Maracujá, Flor do Cacto, tudo agora terá o seu lugar.
A sorte do povo de Porto Velho é que esta “construção abençoada” veio no tempo e na hora certa, já que a cidade não apresenta nenhum ponto de alagamento ou outro problema qualquer e por isso não há, no momento, nenhuma necessidade de maiores investimentos em infraestrutura sanitária como rede de esgotos, saneamento básico ou mesmo água tratada. Em tempos de Coronavírus e de outras epidemias como a dengue, a malária, ataques de lombrigas e fome na periferia, a função dos governantes é buscar sempre o melhor para os seus governados. Nossa capacidade de atenuar estes contratempos é ímpar. Parabéns, prefeito Hildon Chaves! Parabéns, governador Marcos Rocha! Porto Velho e Rondônia estão de parabéns. A nossa capital já conta com estrutura mais do que suficiente para encarar “qualquer epidemia” e “qualquer outro problema que vier”. Fato: viver em Porto Velho e em Rondônia é outro patamar, mano!



*Foi Professor em Porto Velho.

segunda-feira, 2 de março de 2020

A sujeira rondoniense


A sujeira rondoniense

Professor Nazareno*

            Toda unanimidade é burra. Quem pensa com a unanimidade não precisa pensar”, disse certa vez o dramaturgo Nelson Rodrigues. Se levarmos em conta o Carnaval da Banda do Vai Quem Quer e dos blocos carnavalescos que desfilam na cidade de Porto Velho no mês de fevereiro, chega-se à triste conclusão de que o cidadão porto-velhense é muito imundo mesmo. Não todo cidadão, mas pelo menos aqueles que vão às ruas durante a folia de Momo. Toneladas e mais toneladas de sujeira são jogadas por eles nas já sujas e imundas ruas da cidade. Estive este ano na banda e vi o desleixo que se tem pela cidade. Há quatro anos que vou no domingo pela manhã, logo cedo, fazer fotos da sujeira e da imundície que a famosa banda deixa de “presente” para a municipalidade. Neste tempo, quase nada mudou. Apenas a quantidade que só aumenta.
            Todo rondoniense não é sujo, claro. Muitas das cidades do interior do Estado de Rondônia são até limpas e higiênicas. Cacoal, Vilhena e Ouro Preto são exemplos de cidades bonitas e asseadas. Mas há outras bem menores que se esmeram na limpeza. Nem se comparam com a porca Porto Velho. Além disso, algumas delas têm flores, muitas flores em suas arborizadas ruas, praças e canteiros. Se parecem com as cidades do sul do Brasil como Blumenau, Gramado, Canela e Curitiba. Guardadas as devidas proporções, em alguns casos, podem ser compradas com cidades da Europa. Porto Velho não tem comparação. A sujeira é tanta que esta capital sempre se pareceu com uma filial do inferno. Uma cidade habitada só por porcos. Haja bosta e urina nas ruas. Não é à toa que é a pior em esgotos dentre as capitais do Brasil com menos de 2%.
            E a culpa não é somente do prefeito e das autoridades. Todos nós moradores temos uma parcela de responsabilidade no lodaçal que é esta capital. Há casos em que o cidadão sequer limpa o mato na entrada de sua residência. A cidade também não tem árvores, embora se situe em plena floresta amazônica. Pouquíssimas ruas são arborizadas. A Avenida Jatuarana, por exemplo, do início até o final na Avenida Campos Sales não tem uma só árvore plantada. Na época do calor, andar nela se torna algo insuportável. Outras ruas como a Calama, no sentido Leste/Oeste, talvez a maior rua da cidade, também não tem uma só árvore em seu longo trajeto. Carlos Gomes, Pinheiro Machado e Sete de Setembro igualmente não têm nada de sombra para amenizar o calor. No verão, a cidade vira um suplício. Caos: “lixo dá emprego a gari”.
            Os filhos daqui e os que dizem ser “filhos de coração” deveriam colaborar mais um pouco com o seu lugar. Por que a Banda do Vai Quem Quer não distribui todo ano sacolas para os foliões recolherem o lixo que produzem? Os donos dos blocos deviam fazer o mesmo se amam a cidade como dizem. Nada contra o Carnaval, mas o Poder Público mandar garis limparem aquilo com o dinheiro dos impostos que eu pago não é justo. Eu e muitos outros cidadãos que não foram às ruas durante o Carnaval. Até por que os garis não limpam aquilo de graça num dia de domingo. O rondoniense não é sujo, mas muitos foliões de Porto Velho são “porcos imundos” que não mereciam morar na cidade que vive com bueiros entupidos. Conheço muitas cidades do Primeiro Mundo e duvido que lá eles produzam tanta nojeira assim nos seus desfiles. Todos sabem que lixo e sujeira são sinônimos de povo subdesenvolvido, atrasado e de lugar abandonado.



*Foi Professor em Porto Velho.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

Bem-vindo, Covid-19!

Bem-vindo, Covid-19!

Professor Nazareno

O Coronavírus ou Covid-19 é um vírus perigosíssimo que começou a infectar e a matar seres humanos no interior da China e está se espalhando por todo o mundo numa velocidade espantosa. Muitos países de Primeiro Mundo como a Itália, o Japão e a Coreia do Sul já registram várias mortes e centenas de pessoas já foram infectadas. Foi provavelmente uma falha humana e já chegou ao Brasil, pois era apenas uma questão de tempo. E, graças a Deus, logo estará “fazendo estragos” em terras tropicais. O que ainda não se sabe é se a ameaça chegará aqui com a mesma força que tem mostrado nas terras geladas do hemisfério norte ou se perderá força com o calor dos trópicos. O fato é que se demonstrar o mesmo poderio que tem mostrado no mundo civilizado, devastará meio mundo. Sem a menor infraestrutura no setor da saúde pública, será o novo Armagedom.
Com muita competência e determinação somente para pular Carnaval e torcer por times de futebol, e também para muitas outras coisas inúteis, os brasileiros morrerão feito formiga principalmente aqueles mais pobres. Com o Covid-19 instalado em terras tupiniquins, em todas as cidades o caos se instalará rapidamente piorando uma situação que por si só já é extremamente caótica. Se não perder força, o novo vírus será uma espécie de Peste Negra na “latrina do mundo”. Em províncias atrasadas como Rondônia, por exemplo, populações inteiras serão dizimadas como insetos. Sem a menor estrutura para enfrentar sequer a realidade do dia a dia, o caos se instalará em questão de dias. Hospitais lotarão e as cidades serão riscadas do mapa em semanas. Os cemitérios logo ficarão saturados e não caberá mais tanta gente morta com os enterros.
O pior é que o vírus sequer esperou o Carnaval passar para chegar a estas atrasadas e distantes terras. Os corruptos governantes do país, que esperam décadas e mais décadas para construir um simples hospital, não terão muito que fazer se a catástrofe viral for instalada. A falta de saneamento básico e de água tratada só vai contribuir para o vírus se disseminar mais rapidamente. Tremo só de pensar que em Porto Velho tenhamos somente o “açougue” João Paulo Segundo e o Hospital de Base para enfrentar a possível e concreta ameaça. E não adianta tratar apenas os ricos e endinheirados ou aqueles que têm os melhores planos de saúde. Todos estarão sujeitos à nova ameaça e deverão ter o mesmo tratamento do Poder Público. Pelo visto, nos próximos dias, muitos dos porto-velhenses usarão máscaras mesmo sem ser Carnaval.
Num país onde grande parte do povo pobre, que não pode pagar pela medicina privada, pede nas ruas a privatização de tudo, já se sabe quais serão as consequências sobre a população de uma pandemia como essa que se anuncia. A não ser que os muitos pastores evangélicos, aqueles que dizem curar as enfermidades de seus fiéis, comecem logo a buscar a cura para o Covid-19 antes que a “anunciada hecatombe” paire sobre nós. Se não for contida a tempo, a nova Peste Negra será um pandemônio. Quero ver os petistas, os bolsomínions e outras denominações toscas, tanto de direita quanto de esquerda, continuarem com seus discursos tolos e vazios diante do inferno instalado. Mas além do Coronavírus, há também outra terrível ameaça sobre Rondônia e sua gente: o ex-goleiro Bruno deverá jogar o campeonato estadual de futebol pelo Guajará Esporte Clube. Se existir outra reencarnação, acho que os rondonienses chutaram a cruz.



*Foi Professor em Porto Velho.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

O ópio dos brasileiros


O ópio dos brasileiros

Professor Nazareno*

Karl Marx disse certa vez que a religião é o ópio do povo. Seguindo essa lógica, compreende-se que no Brasil também existem pelo menos duas coisas de efeito igualmente anestésico e hipnótico sobre o povão: o futebol e o Carnaval. Travestidas de cultura popular, essas duas “drogas” nacionais têm o poder de amortecer a realidade e de escamotear as agruras de um povo sofrido e espoliado. O Carnaval só acontece uma vez ao ano, mas consegue ocultar a triste realidade de maneira muito cruel. Leva multidões às ruas num delírio jamais visto numa sociedade civilizada. Dizem que une as pessoas das mais diferentes ideologias e visão social. Aqui, direita, esquerda e centro se irmanam numa infinita alegria nas comemorações populares. Durante a orgia, o país mergulha num processo de total esquecimento de seus problemas. E tudo vira festa.
Já o futebol é o ano todo. O esporte das multidões opõe torcedores de times diferentes, mas tem a mesma função da folia: inebriar multidões, semear o comodismo, dar a impressão de ser algo sério e tirar o pouco poder de luta das pessoas comuns. Por isso, a classe política e a elite econômica do país “pegam carona” nestas festas populares que nada têm de cultura. Carnaval é algo patético que apenas incita a violência e favorece o consumo de drogas. O número de mortos todos os anos por causa das “Folias de Momo” cresce de maneira ascendente em todo o país. Isso sem falar na sujeira que proporciona nas ruas. Em Porto Velho, por exemplo, a Banda do Vai Quem Quer promove todo ano um festival de lixo e nojeira. Mesmo após quarenta anos de desfile, os organizadores e brincantes ainda não foram civilizados em relação ao fato.
Talvez a única contribuição que essa banda dá a Porto Velho seja somente a imundície e o lixo que produz no sábado em que vai às ruas. Toneladas e mais toneladas de podridão e monturo é o que se observa já no domingo pela manhã. Ainda bem que não precisa do escasso dinheiro público para desfilar como fazem os muitos blocos daqui e de outras cidades do país. Nunca entendi por que seus organizadores nunca tentaram pelo menos conscientizar os brincantes com relação ao lixo que produzem. Em tempos de Coronavírus, desfilar blocos com milhares de pessoas é um risco desnecessário que os cidadãos conscientes deveriam evitar. Mas isso é quase impossível, pois dificilmente se encontra alguém com boa leitura de mundo e consciente entre os brincantes e também entre os amantes do futebol. Ali é só bebedor de cachaça.
Com o pré-carnaval, o Brasil “ganhou” mais uma semana de dias parados. São quase dez dias sem nenhuma produção nas indústrias e no governo, com escolas, fábricas e comércio paralisados em troca de nada. Mas é compreensível, pois “o ano só começa pra valer mesmo depois do Carnaval”, é o que se costuma dizer no país que nunca sai da “crise”. Nas nações civilizadas também existe futebol e Carnaval, mas tudo dentro do aceitável sem a necessidade absurda de paralisar um país inteiro nem de sair por aí matando pessoas a esmo em nome da folia. Futebol e Carnaval nunca acrescentaram nada ao Brasil, além de muito prejuízo, mortes e mais violência numa sociedade já turbinada pelo álcool e pelas drogas pesadas onde se matam quase 50 mil cidadãos todos os anos. É tempo de Carnaval e de Flamengo campeão. Não há como enxergar o Covid-19, fim da democracia, aquecimento global, violência. Tudo é samba!



*Foi Professor em Porto Velho.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

Uma nação privatizada


Uma nação privatizada

Professor Nazareno*

Sempre acreditei na máxima de que “quando tudo for privado, seremos privados de tudo”. E essa discussão no Brasil vem desde os governos neoliberais de FHC no final da década de 1990. “O Estado tem que ser o menor possível”, diziam os teóricos dessa aberração social. No nosso país, onde os governantes nunca investiram em Educação de qualidade, o resultado não podia ser diferente: desemprego em massa e uma economia baseada na informalidade. Essas são as “conquistas” que observamos hoje mais de duas décadas depois. A Vale do Rio Doce e a Energisa são dois exemplos típicos da grande onda de privatizações que tomou conta do Brasil nos últimos anos. Mesmo com 13 anos de um governo de esquerda, a onda privatizante se espalhou pelo Brasil, entregou várias empresas estatais à iniciativa privada e ainda continua sendo uma panaceia milagreira.
Mas não é. A privatização dos bens pertencentes ao Estado só aumentou a desigualdade social e os problemas dos cidadãos brasileiros, que pagam uma das maiores cargas tributárias do mundo, e nada recebem em troca. Se o Estado se desfizer de seus bens, deveria também parar de cobrar tantos tributos. Mas a desestatização não funciona assim. Pelo menos no nosso país. O Estado se desfaz de seu patrimônio e continua cobrando altos impostos de todos. Aqui não temos Educação de qualidade, não temos Saúde, não temos saneamento básico, nem qualquer assistência do Poder Público. Até o que se paga de energia vai para uma empresa privada que só vê o lucro. No caso específico de Rondônia, a atuação da Energisa dispensa quaisquer comentários. Assim como a Vale do Rio Doce com os seus incríveis desastres de Mariana e de Brumadinho.
Nos países desenvolvidos de Primeiro Mundo tudo o que é público funciona muito bem. No Brasil, só dá certo tudo que é privado. Por isso, a ideia de privatizar tudo tomou conta de todos indistintamente. Quando os funcionários da antiga Ceron saíam às ruas, por exemplo, todo mundo gritava a uma só voz: “têm que privatizar mesmo. Só assim vai melhorar”. E a classe política local foi a primeira a entregar o patrimônio dos rondonienses aos forasteiros. Depois eles tentaram consertar a bobagem criando uma CPI na Assembleia Legislativa para “defender os consumidores lesados pela empresa mineira”. Tarde demais. “Só conversa para inglês ver”. Sem a sua empresa de energia elétrica e tendo que pagar por uma das mais altas taxas de energia elétrica do país, os tolos rondonienses perderam tudo e hoje choram “desolados” sobre o leite derramado.
Agora o governo do “Mito” quer privatizar o resto do que sobrou do Estado brasileiro. Os Correios, A Caixa Econômica Federal, o Banco do Brasil, os poucos bancos estaduais que ainda existem, as estradas, as escolas públicas, os hospitais, a Petrobras, os portos, a Amazônia, o Cerrado, o litoral, as chapadas, as universidades federais e talvez até todos os Estados da Federação. Nada escapa da sanha privacionista do atual governo. Se depender de Brasília, tudo será entregue à iniciativa privada. E nada de se fazer a reforma tributária. Nada de diminuir os impostos. Nada de tentar melhorar os serviços públicos. Os mais de 13 milhões de desempregados sofrem pela incompetência dos sucessivos governos. O Estado sendo público nunca funcionou para a maioria de seus sofridos cidadãos. Por que melhorará se for todo doado à iniciativa privada? Aqui sempre prevaleceu a ideia da “Casa Grande e Senzala”. Triste tudo isso!



*Foi Professor em Porto Velho.