quinta-feira, 14 de novembro de 2019

Rondônia não existe


Rondônia não existe

Professor Nazareno*
           
Durante muito tempo os rondonienses se alegravam ao ouvir falar que o Acre, o nosso charmoso Estado vizinho, não existe. Mas observando atentamente os fatos sob a lógica e a seriedade, percebe-se que Rondônia também não existe. Província pobre, distante, primitiva e sem nenhum futuro, o jovem Estado é uma cópia fiel e até pior do que o país que lhe dá abrigo. Vergonha internacional, filha direta das queimadas, do atraso e da devastação ambiental, Rondônia é um desses “abortos da natureza” que só tem existência por que em Brasília, no final da década de 1970, um conchavo entre militares golpistas e políticos mal intencionados permitiu a sua malfadada criação. Por aqui a preguiça e o jeitinho dão o tom em quase tudo: o Estado foi criado em 1981, mas só foi instalado no ano seguinte. Ou seja, são dois feriados sem a menor necessidade.
A minúscula população de menos de dois milhões de pessoas na sua maioria é uma mistura bizarra de nordestinos desempregados, agricultores expulsos pela mecanização agrícola do sul do país e de índios. E agora imigrantes venezuelanos, bolivianos, haitianos e também alguns políticos mal intencionados. Os rondonienses querem reconstruir, por exemplo, a BR-319, que liga Rondônia ao Amazonas afirmando que esta será a redenção (de novo) do jovem Estado. Tolice, enganação, lorota, conversa fiada. Esta estrada já existia, era asfaltada, sinalizada e até a criação do Estado fazia a ligação entre Porto Velho e o Careiro da Várzea. Se essa BR fosse tão importante assim, teria sido conservada até hoje. Os próprios amazonenses não a querem, pois em vez de ligarem Manaus a ela, gastaram 1,3 bilhão de reais numa ponte até o Cacau Pirera.
Além do mais, rasgar o coração da Amazônia com uma estrada desnecessária é pedir para acabar de vez com a floresta amazônica. Multidões e multidões de invasores pobres, grileiros, posseiros e outros tipos darão cabo em pouco tempo da sua rica biodiversidade. Vão devastar, incendiar e destruir tudo. Essa BR é o tiro de misericórdia na Amazônia. A França deveria ser avisada para impedir mais este desastre ambiental sem precedentes. Só a União Europeia poderia vetar esta hecatombe e frear a criação de outra Rondônia como a da BR-364 com toda a destruição já conhecida. Como Rondônia tem “jornalistas” que ainda defendem o caos e a agressão ao meio ambiente, o apocalipse parece ser inevitável. Foi essa mesma gente que lutou para privatizar a velha Ceron e hoje aparece como defensor dos consumidores “encurralados” pela Energisa.
Mas não é só isso. Muitos rondonienses querem “peitar” o Brasil e reservar vagas na única universidade pública do Estado para alunos nascidos em Rondônia. Uma espécie de Nazismo absurdo que atenta contra qualquer lógica. A Unir é bancada com recursos federais e por isso os alunos do país inteiro podem pleitear vagas nela. Engraçado é que os filhos de Rondônia podem estudar fora sem sofrer discriminação nenhuma. Em vez de se lutar para criar uma universidade estadual ou mesmo melhorar o péssimo ensino do Estado, tenta-se criar um jeitinho para lograr vantagens indevidas. Com preguiça de estudar mais, querem recompensas pela notória incompetência. Estudem mais, meninos! Só assim vocês terão sucesso em qualquer universidade do país e até do exterior. Por tudo isso, não há como levar este Estado a sério. Já viramos chacota e agora se entende por que muitos dos brasileiros duvidam que Rondônia exista.




*É Professor em Porto Velho.

quarta-feira, 13 de novembro de 2019

Os idiotas “politizados”


Os idiotas “politizados

Professor Nazareno*

            Já não se pode mais esconder: o Brasil é de fato uma nação repleta de idiotas que não têm leitura de mundo nem conhecimentos. Um país de 213 milhões de habitantes cuja maioria da população, com raríssimas exceções, não teve acesso a escolas de boa qualidade muito menos tem a mínima noção de civilidade e bons modos. Fazendo-se uma comparação com países do mundo civilizado como, por exemplo, Alemanha, Áustria ou Noruega, percebe-se por que o nosso país tem uma das sociedades mais problemáticas que existem. Aqui, fala-se uma língua parecida com a que se fala em Portugal. Apenas se fala, pois na hora de escrevê-la percebe-se o nível de alfabetização da maioria desse povo. No entanto, essa mesma gente “tapada”, por causa das redes sociais, passou a dar pitacos sobre todos os temas. “Os idiotas agora têm vez e voz”.
            Na política, o brasileiro é um desastre atrás do outro. Todo o país hoje está dividido entre duas horríveis vertentes oriundas da mesma ignorância que norteia grande parte dessa gente. De um lado, há os adoradores do ex-presidente Lula, um operário com uma “razoável” leitura de mundo que lutou contra a Ditadura Militar e notabilizou-se pelos discursos inflamados contra a repressão daqueles anos de chumbo. Mas o petista mergulhou o Brasil numa espiral de corrupção e roubalheira jamais vista na História. Do outro lado está o atual presidente Jair Bolsonaro, um ex-militar de pouquíssima leitura de mundo, de tendências fascistas e autoritárias. Lula ainda é visto como uma espécie de “Deus” dos pobres, enquanto Bolsonaro é o “Mito”. Os dois, no entanto, são a mesma versão de uma realidade decadente, podre e sem nenhum valor.
            O país está dividido politicamente. Tudo agora é motivo para se comparar essas “duas peças” políticas que estão à disposição deste triste país. Nas redes sociais não se vê outra coisa. Toda publicação, incluindo as muitas Fakenews, serve para se debater o “sexo dos anjos”. Um debate oco, sem ideologia, sem nada de instrutivo e que apenas é usado para acirrar ainda mais a estupidez dos participantes. Um diz representar o pensamento esquerdista, o socialismo, o comunismo e todos os ideais revolucionários já existentes. Já o outro se diz direitista, capitalista, reacionário, adorador dos Estados Unidos e mesmo já tendo se casado várias vezes, se diz defensor da tradicional família brasileira e dos bons costumes. Os dois têm uma penca de filhos enrolados e de caráter duvidoso, que “além de governar o país” junto a seus pais, estão sujos como o esgoto.
            Idiotizados e cegos de paixão e ódio, os brasileiros comuns tomam partido e defendem ferrenhamente seus “ídolos de merda”, seus “zeróis de nada”. Ninguém discute o porquê de se ter mais de 13 milhões de desempregados. Ninguém quer saber por que a violência campeia. O Brasil tem hoje um dos piores sistemas de educação do mundo, mas ninguém dá bola para isso. Somos o segundo maior produtor de alimentos do mundo, mas temos mais de 15 milhões de miseráveis. Isso também não interessa. Por que uma das mais prósperas economias do planeta tem uma qualidade de vida tão ridícula? O dinheiro dessa nação não deveria ser usado para acabar com a assassina desigualdade social que temos? Ninguém quer saber disso. Por que nunca ganhamos um Prêmio Nobel ou um Oscar? Enquanto o país sofre, para muitos a culpa de tudo isso é do Lula, do PT e das esquerdas. Já para outros, a culpa é só do Bolsonaro e da direita.




*É Professor em Porto Velho.

sábado, 9 de novembro de 2019

Fique em Rondônia, Energisa!


Fique em Rondônia, Energisa!


Professor Nazareno*

            É com muita tristeza que vejo a malfadada classe política de Rondônia apontar suas baterias sujas e já desgastadas contra a Energisa, a concessionária de energia elétrica em terras karipunas. O ex-prefeito de Porto Velho, Dr. Mauro Nazif, chegou a espalhar panfletos, outdoors e cartazes pela cidade pedindo para a Energisa ir embora daqui. Um tal de coronel Chrisóstomo disse que também é contra os desmandos da injustiçada concessionária. Léo Moraes, outro deputado federal, esperneia como louco “para defender os rondonienses” desta companhia de eletricidade. A “toda poderosa” Assembleia Legislativa do Estado criou até uma CPI para investigar a atuação da herdeira da Ceron. “Tudo em vão, tudo para inglês ver”. Não creio que essa rompança vá dar em alguma coisa, pois foi essa mesma classe política que presenteou a Energisa.
            Além do mais, a Energisa é uma empresa capitalista e não entrou na onda de privatizações para levar prejuízo. Para mim, ela é só alegria e satisfação. Depois que se instalou em Rondônia, a minha conta de luz só diminuiu. A cada mês a minha fatura vai só abaixando. Para se ter uma ideia, em setembro de 2019, por exemplo, gastei em minha residência exatos 656 quilowatts e paguei 566,33 reais. No mês seguinte, outubro de 2019, consegui diminuir a conta para 576 quilowatts no que importou em 496,42 reais. Em novembro, o consumo caiu mais ainda: 447 quilowatts e “apenas374,02 reais para pagar. Claro que muita gente vai dizer que tenho “gatos” aqui em casa. E respondo: tenho, sim! Três lindas gatas. A Alvinha, a Neguinha e a Éris. O que ninguém admite é que a Energisa me ensinou a economizar energia elétrica. Fiscalizem-me, ora!
            Antes de a Energisa chegar por aqui eu pagava um valor bem mais alto pela energia consumida. Agora eu sou um ferrenho economizador. Ar condicionado eu tenho dois aqui em casa e além da manutenção semestral, eu os programo para funcionar só três horas por noite. É o suficiente. Apesar do calor infernal de Porto Velho, o ambiente fica resfriado a noite toda. Não há necessidade de eles ficarem ligados 10, 12 ou 14 horas ininterruptas gastando energia sem controle. Durante o dia, nada de ligar ar condicionado. Todas as lâmpadas de minha residência são de LED, para economizar. A geladeira não precisa de lâmpada, pois não somos cegos. Lavar roupa, só em finais de semana. Todos os aparelhos de eletrodomésticos aqui são desligados da tomada. Aquela luzinha acesa gasta muita energia num mês inteiro. Ações simples, resultados enormes.
            É claro que a Energisa não é nenhuma santinha nesta barafunda toda. É uma empresa ambiciosa atuando num país esculhambado como o Brasil, onde muitos querem se dar bem à custa dos outros. E é até possível que a diminuição do valor mensal de minhas contas seja por causa da pressão que a empresa vem sofrendo. Mas sei que não é, pois estou atento e a minha meta é sempre gastar menos quilowatts a cada mês. O meio ambiente agradece e o meu bolso adora. Muitos rondonienses são folgados e querem ostentar, pois 72% já colocaram “gatos” e também não procuram economizar nada. Os políticos deveriam parar com esta gritaria boba. Vivemos em um país capitalista e não socialista. Culpados, agora querem se redimir. Por que eles não lutam para estatizar a empresa? Por isso, eu não quero que a Energisa vá embora de Rondônia, por enquanto. Privatizem mais: a Caerd, a ponte, as ruas, a cidade e também o Estado.




*É Professor em Porto Velho.

sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Lula livre, justiça ou escárnio?



Lula livre, justiça ou escárnio?


Professor Nazareno*

Por seis votos a cinco, o Supremo Tribunal Federal derrubou a prisão após condenação na segunda instância. Com a decisão, todos os réus condenados só poderão ser presos após o trânsito em julgado, isto é, depois de esgotados todos os recursos. Assim, a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está com os dias contados e o petista pode ser solto a qualquer momento. Não só ele, mas segundo cálculos do CNJ, o Conselho Nacional de Justiça, pelo menos outros cinco mil presidiários podem ganhar também a liberdade, dentre eles, o petista José Dirceu e o ex-deputado Eduardo Cunha, todos corruptos. Embora já tenha votado no Lula algumas vezes, não sou petista, não sou esquerdista e nem comunista. Apenas acho que se está escrito na Constituição que, para ser preso, o cidadão deve ter esgotados todos os recursos, que se cumpra e pronto.

                O problema é que, como sempre, esta decisão só aconteceu por que beneficiava apenas brasileiros ricos e poderosos. Os pobres, no entanto, continuarão cumprindo o seu destino de serem a escória da nossa sociedade e para eles nenhum benefício à vista. Lula livre é um escárnio à sociedade brasileira como um todo. O ex-presidente praticamente nada fez em benefício do país. Não combateu os privilégios da elite, não combateu a corrupção e pior, não investiu o que deveria ter investido em Educação. Lula e o PT apenas deram continuidade à roubalheira nas esferas governamentais que eles tanto denunciavam. Mas convenhamos que não foi Lula e o PT que destruíram este país. Esse processo acontece desde o longínquo ano de 1500 e os petistas apenas deram continuidade ao roubo e à desigualdade social já antes verificada. Nada foi inventado.
            Lula solto e voltando aos palanques é um tormento principalmente para os bolsonaristas mais eufóricos. Nas urnas, os militantes do “Mito” se borram todos tendo que enfrentar o “Sapo Barbudo” em uma eleição onde teria de participar de debates na mídia. Como explicar para o Brasil que a Operação Lava Jato, por exemplo, capitaneada pelo ex-juiz Sérgio Moro fez a coisa correta? Todo mundo sabe que Moro prendeu o Lula apenas para ganhar a vaga de Ministro da Justiça e depois ser nomeado ministro do STF. Ou seja, prendeu um corrupto e ladrão não por que era o correto e justo a se fazer para o bem do Brasil, mas por que seria beneficiado lá na frente com essa “manobra” absurda. Como juiz, se misturou aos procuradores e influenciou toda a operação. O corrupto Lula deve ser solto por que todo o processo está viciado e foi feito ilegalmente.
            Lula e o PT não fizeram absolutamente nada pelos pobres como seus cegos e despolitizados seguidores dizem. “Apenas os apresentou ao consumo”. Com o PT, o PMDB, a Arena, a UDN ou PSL o Brasil nunca mudou. Além do mais, eles destruíram a Petrobras inteira e aparelharam o Estado para roubar. Mas o Brasil não fez muita coisa ao trocar o PT por Michel Temer e depois por Bolsonaro. Mesmo assim, Lula voltando a ser presidente do país é um retrocesso sem tamanho. O miserável esquerdista pode querer trazer de novo as Olimpíadas e outra Copa do Mundo. O ex-presidente jamais deveria ser solto. Outra vez eu disse que o problema maior não era ele estar preso, mas muitas outras autoridades estarem soltas. O Queiroz, por exemplo. E também quem mandou matar a Marielle. Como aceitar que um Michel Temer, um Aécio Neves e tantos outros ainda riam de nós? Livre, Lula fará companhia a todos eles. Pobre Brasil!




*É Professor em Porto Velho.

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Bolsonaro acerta uma


Bolsonaro acerta uma

Professor Nazareno*

            Não votei no senhor Jair Bolsonaro para presidente da República nas últimas eleições. E dificilmente o faria, pois sempre disse que o mesmo tem fortes tendências fascistas, elogia a tortura como prática de Estado, não apresenta condições nem a menor competência para governar o nosso país, ainda por cima flerta com vários regimes ditatoriais e apresenta uma série de “defeitos” que não vou elencar aqui. Hoje, 300 dias depois do novo governo, eu não mudei uma vírgula do que pensava desse “Mito de araque”, mas tenho de admitir que há uma coisa recentemente proposta por ele e sua equipe de governo que me chamou a  atenção: se o Congresso Nacional aprovar uma PEC enviada esta semana, o Brasil terá uma redução no número de municípios a partir do próximo ano. Com ela, pelo menos 1254 “cidades” do país poderão sumir do mapa.
            Todos os municípios com menos de cinco mil habitantes e com arrecadação inferior a 10% de sua despesa total deverão ser incorporados às cidades vizinhas e maiores. Em Rondônia, pelo menos sete destas cidades poderão ter o seu final decretado com a nova PEC do “Mito”. Teixeirópolis, Rio Crespo, Castanheiras, Primavera de Rondônia e Pimenteiras do Oeste serão imediatamente riscadas do mapa. Cabixi e São Felipe do Oeste estão sob risco e também podem desaparecer. O irônico disso tudo é que Bolsonaro teve nestas cidades uma grande votação. Em algumas delas o percentual foi bem superior aos 70 por cento. “É Bolsonaro na cabeça, mano”! Gritavam todos, eufóricos. Se algum eleitor destes charmosos municípios não concordar em virar “mero distrito” de outras cidades, deverá fazer “arminha com as mãos” que a raiva passará.
            Essa Proposta de Emenda à Constituição é uma dádiva dos céus. Já pensou termos mais de mil e duzentos prefeitos a menos? Serão mais de onze mil vereadores que também serão poupados. Isso sem falar nas secretarias que serão extintas. Pelo menos mais de vinte mil malditos cabides de emprego serão economizados se a PEC for aprovada. A economia de gastos para o país será imensa e todos sairão ganhando com esta medida mais do que acertada. Porém, acho muito difícil uma lei como esta passar pelo crivo do perdulário e inútil Congresso Nacional. Mas, esta PEC está incompleta. Entendo que o governo federal deveria complementar estas medidas e acrescentá-las também para os Estados da Federação: todo Estado com menos de cinco milhões de habitantes seria imediatamente incorporado aos outros vizinhos e de maior população.
            Com esta medida patriótica e coerente, teríamos apenas 12 ou 13 unidades da Federação. Uma economia inimaginável para os combalidos cofres do país. Rondônia seria riscada do mapa na hora. Um alívio para muita gente uma “porcaria” de Estado como esse deixar de existir. Menos governadores, menos senadores, menos deputados estaduais e federais, menos Assembleias Legislativas, menos tribunais, vereadores e também muitas outras inutilidades. O país cresceria como nunca e aí sim, seríamos uma potência de verdade. Pelas minhas contas, os rondonienses seriam governados por Goiás ou pelo Pará. Embora eu já tenha dito que “Rondonha” deveria pertencer à Bolívia, ser repartido entre o Amazonas e o Mato Grosso ou então voltar à condição de Território Federal. Já pensou a alegria se o “Mito” resolve também acabar com toda e qualquer cidade que é mal administrada e tenha menos de cinco por cento de saneamento básico?




*É Professor em Porto Velho.

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Rondônia busca a fama


Rondônia busca a fama

Professor Nazareno*

            O Estado de Rondônia é um desses lugares toscos e longínquos que muita gente pelo Brasil afora crê não existir. Mas infelizmente existe e para desespero de muitos moradores é um dos piores lugares do mundo. Tem somente 52 cidades instaladas e é cada uma pior do que a outra. Sua população é inferior a 1,8 milhão de habitantes espalhados numa área territorial equivalente à do Reino Unido. A capital Porto Velho detém há anos o horroroso título de “a pior dentre as capitais do Brasil” para se viver. Não tem água tratada e não tem árvores, embora se situe em plena Amazônia brasileira. A cidade é suja, fedorenta, desarrumada, violenta e quase inabitável, pois não possui rede de esgotos. Em vão, muitos de seus moradores buscam incessantemente algum fato, alguma coisa que lhe dê sentido e que passe a ideia de que o lugar é bom e famoso.
            O nome Rondônia é uma homenagem a um forasteiro: o Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon, um mato-grossense que sequer foi enterrado no Estado que dá o nome. Nada aqui dá certo por mais que se tente. O Estado é uma espécie de latrina do Brasil para onde só vem quem tem negócios ou teve a infelicidade de ter parentes morando por aqui. Neste ano de 2019, envergonhou o mundo civilizado quando foi palco de queimadas apocalípticas. De Calama, na divisa com o Amazonas até Vilhena, no extremo sul, a fumaça deu o tom no último verão. Rondônia é filha direta das queimadas, da devastação ambiental e da agressão à natureza. Caos total: o lugar vive só de ciclos. E cada um também pior que o outro. O último foi o das hidrelétricas. Mas já teve o ciclo do ouro, o da borracha e o da transformação do território em Estado...
            Rondônia é uma vergonha para o Brasil, que também já é outra vergonha descomunal. Aqui nem as operações policiais dão certo. Tivemos duas ultimamente. Em 2013, foi desencadeada a Operação Apocalipse, um vexame sem tamanho, já que algumas prisões foram feitas de forma equivocada. Mais recentemente tivemos a Operação Pau Oco que, segundo alguns comentários, foi um dos maiores fiascos já patrocinado por um Estado. Os “grampos” que estão sendo publicados na mídia envergonham não só os rondonienses, mas o Brasil inteiro. Rondônia teve uma banda de rock de nome esquisito e forâneo que a Globo disse fazer sucesso. A referida banda teve somente uma música de sucesso e desapareceu das paradas. Futebol praticamente não existe no Estado. Só alguns times que participam da série “Z” e depois também somem.
            Sem nenhuma fama e procurando qualquer coisa para aparecer pelo menos em nível nacional, os rondonienses elegeram outro dia uma jornalista local como heroína por que a mesma ao apresentar o Jornal Nacional da Globo, no rodízio que a emissora faz semanalmente no país inteiro, disse que não se podia confundir Rondônia com Roraima. Foi a senha para que a mesma quase tivesse sido indicada a ganhar um prêmio Nobel por este grande feito”. Agora, a busca da fama a qualquer preço recai sobre um  professor local que teve uma de suas questões colocada na última prova do Enem. Não se fala mais em outra coisa. Parece até aquela música da “caneta azul”. Não sei como os rondonienses não indicaram o seu ex-governador como o maior responsável pelos bolsonaros governarem o país pelas redes sociais. Afinal, Confúcio Moura governou o Estado por oito anos usando apenas um blog. O que farão agora para se chegar à glória?





*É Professor em Porto Velho.

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Testando a democracia


Testando a democracia

Professor Nazareno*

A jovem democracia brasileira tem menos de 40 anos. Na verdade, há 34 anos, no dia 15 de março de 1985, com a doença de Tancredo Neves, o vice-presidente José Sarney, eleito pelo Colégio Eleitoral, inicia o seu mandato. Ela é muito jovem, é verdade, mas nunca na história deste país vivemos tanto tempo assim sob esse regime que Segundo Winston Churchill, “é a pior forma de governo, exceto todas as outras”. E hoje com a eleição de Jair Bolsonaro e seus filhos, a nossa democracia, “conquistada há pouco tempo e a muito custo” nunca esteve tão ameaçada. Desde muito antes da campanha eleitoral que levou essa gente ao poder, que a nossa tranquilidade política sofre ameaças. Quando não é o presidente com suas frases ameaçadoras, são os seus filhos que afrontam sem maiores problemas o nosso estado democrático de direito.
Por causa da roubalheira dos governos de esquerda, o “embuste de presidente” ganha as eleições com mais de 57 milhões de votos e assume o poder demonstrando pouco ou nenhum apego à democracia. Bolsonaro foi machista, homofóbico, misógino e preconceituoso com índios e negros. Ele, para delírio de muitos de seus eleitores, atacou praticamente todas as minorias e também a nossa democracia. Pior: durante o golpe dado na Dilma Rousseff em 2016, o “Mito” teceu elogios ao coronel Brilhante Ustra, um torturador reconhecido pela nossa Justiça. Em pleno século vinte e um, Jair Bolsonaro faz questão de caminhar na contramão do pensamento que domina as mais civilizadas e modernas democracias do mundo. Ele praticamente já entrou em rota de colisão com vários líderes e governos como o da França na recente questão ambiental.
Os filhos do atual presidente do Brasil são muito piores do que os filhos do Lula. Estes já estão esquecidos enquanto aqueles incomodam com ameaças. E as declarações absurdas são constantes. Outro dia, Carlos Bolsonaro, vereador na cidade do Rio de Janeiro, disse que sob uma democracia, as mudanças para o país são quase impossíveis. Agora, foi a vez de Eduardo Bolsonaro, eleito democraticamente o deputado federal mais bem votado do Brasil em todos os tempos, afirmar aleatoriamente que “se a oposição tiver importunando demais, poderia ser decretado um novo AI -5 para enfrentar a situação”. Muito estranho ele falar isso num momento de total calmaria no país. Eduardo fora indicado pelo próprio pai para ser embaixador do Brasil nos Estados Unidos e agora é líder do PSL, o partido pelo qual todos os Bolsonaros foram eleitos.
Das duas uma: ou eles, pela imbecilidade que têm, estão testando a nossa democracia de maneira irresponsável ou estão criando factoides para encobrir coisas muito mais graves. As provas do assassinato da vereadora Marielle Franco, por exemplo, chegam cada vez mais perto dos gabinetes e também da casa dos bolsonaros. Afinal um deles, o Flávio, foi eleito senador no mesmo Estado onde a Marielle seria também candidata ao Senado. Além do mais, o caso Queiroz, o PC Farias do Bolsonaro, não para de atormentar a vida deles. A democracia do Brasil, apesar de jovem, é forte e vai resistir a tudo. As reações foram unânimes e Eduardo, que já pediu desculpas, agora corre o risco de ser cassado. Não é possível que tantas pessoas sejam também fascistas e antidemocráticas. Se forem, devem entender que uma mentalidade não se muda assim do nada. Afinal, o remédio para os males da democracia será sempre mais democracia.



*É Professor em Porto Velho.

sábado, 26 de outubro de 2019

Esquizofrenia coletiva


Esquizofrenia coletiva

Professor Nazareno*

            O mundo ferve: a América Latina ferve, a Europa ferve, a África ferve. Na Espanha, os catalães saem às ruas para protestar e mostrar sua insatisfação contra a decisão da Suprema Corte do país em punir líderes separatistas. No Equador, multidões fazem o governo direitista de Lenin Moreno recuar no aumento de mais de cem por cento dado aos combustíveis. No Chile, mais de um milhão e duzentas mil pessoas protestam nas ruas de Santiago contra o aumento no preço das passagens de metrô e principalmente contra as políticas neoliberais do governo de Sebastián Piñera. Os chilenos pedem mais justiça e o fim da desigualdade social que estão vivendo. Enquanto isso, o Brasil vive uma calmaria sem precedentes à espera de o Flamengo se tornar bi campeão da Taça Libertadores na mesma Santiago conflagrada pelos protestos sociais.
            Diferente das grandes manifestações de 2013, quando multidões foram às ruas “por causa de um aumento de apenas 20 centavos nos preços das passagens de metrô em São Paulo”, hoje o brasileiro não é nem a sombra daqueles manifestantes furiosos. Parece até que o objetivo “daquilo tudo” era só um jogo de teatro para nos confundir. Calados e passivos, assistimos ao golpe parlamentar dado na Dilma Rousseff e no PT em 2016, quando ascendeu ao poder a quadrilha do PMDB de Michel Temer. Vimos tranquilamente a roubalheira continuar dilapidando nossas riquezas. De camarote, assistimos ao aumento da corrupção dos governantes e nunca mais saímos às ruas para protestar contra nada. O fascismo hipócrita e anacrônico assume o poder nacional e sob a nossa complacência e esquizofrenia coletiva, dita as regras como se tudo fosse normal.
            Muito pior do que o Chile, o Equador, a Catalunha, a Bolívia ou qualquer outro país conflagrado, continua-se a viver hoje no Brasil dias turvos na política e na economia, mas ainda assim permanecemos acomodados como sempre. Desde o Brasil Colônia, a nossa sociedade é vítima da monstruosa desigualdade social e nada fez nem faz para combater essa desgraça nacional. Toda a riqueza produzida praticamente vai para as mãos de poucos enquanto a maioria sofre as agruras sem fim. A violência desenfreada nas grandes cidades, a fome, embora sejamos um dos maiores produtores de alimentos do mundo, a corrupção, a injustiça e a roubalheira descarada nos remetem à eterna condição de país de miseráveis. Com um dos piores sistemas de educação do mundo e com a saúde pública toda sucateada, muitos brasileiros ainda riem feito hienas.
            A Amazônia em 2019 ardeu e ainda arde sob o criminoso fogo do agronegócio. O mundo civilizado foi quem gritou contra a fumaça das queimadas. As paradisíacas praias do Nordeste estão infestadas e poluídas de petróleo. Os rios da região Sudeste estão cheios de lama. Mariana e Brumadinho ainda contam seus mortos. A região Sul padece sob o agrotóxico, o veneno na agricultura. E o governo fascista de Bolsonaro nada faz. A privatização e o Neoliberalismo atingiram até a distante população de Rondônia com a roubalheira da Energisa. A desigualdade social só aumenta. Por aqui, o “açougue” João Paulo Segundo ainda não saiu do papel para atender como seres humanos os rondonienses. A briga no Brasil ainda é Direita X Esquerda. E ninguém diz nada. E ninguém faz nada. E ninguém protesta. E ninguém vai às ruas mostrar suas insatisfações. Mas, se o Flamengo perder a Libertadores, aí a revolução começa na hora.



*É Professor em Porto Velho.

terça-feira, 22 de outubro de 2019

Eu “amo” a Energisa


Eu “amo” a Energisa

Professor Nazareno*

            A Energisa é agora a companhia de eletricidade de Rondônia. Só que ela é de Cataguases, Minas Gerais. Foi fundada em 1905 e hoje tem várias subsidiárias de energia elétrica espalhadas por todo o Brasil. É uma empresa de ponta. A competência e o arrojo em suas ações a credenciam para ser uma das melhores concessionárias desse setor não somente no Brasil, mas no mundo inteiro. Já devia ter faturado por diversas vezes o prêmio de melhor empresa para se trabalhar. As revistas Exame e Época Negócios, assim como a Great Place to Work não cansam de rasgar elogios ao desempenho, à correção, à competitividade e principalmente ao respeito às draconianas regras e leis do mercado. Trabalhar na Energisa é um deleitoso prazer. Seus sortudos funcionários e colaboradores não param de, com alegria, enaltecer seu lugar de trabalho.
Tudo aqui é feito com amor, humanidade, lisura e muita compreensão”, dizem à boca larga os seus risonhos trabalhadores. Pensamento rotineiro dentro da Energisa: com salários de primeiro mundo, vantagens pessoais inimagináveis e infinitas outras regalias, não há como não se dedicar “de corpo e alma” a uma empresa “quase santa” como essa. A Energisa comprou a antiga Ceron por um preço justíssimo. O processo de privatização dos bens públicos era um antigo desejo de toda a população rondoniense. Povo de sorte, os políticos locais logo se encarregaram de fazer todo o processo andar. Por isso, ninguém tem mais saudades da Ceron nem dos constantes apagões. Foram os políticos de Rondônia que deram mais este “presente” para o sofrido povo desse Estado. A Energisa talvez só perca em bondade e credibilidade para essa mesma classe política.
Porém, é exatamente na relação com o público consumidor que a empresa se destaca. Hoje, praticamente não há um só rondoniense que não teça loas à sua empresa de energia. Toda a população foi beneficiada com as tarifas sociais praticadas pela Energisa. Os contadores de luz, devidamente regulados e aferidos dentro da lei, não deixam quaisquer dúvidas da justeza dela. “Uma empresa assim deveria ir para a Alemanha, Bélgica ou mesmo o Japão, a fim de prestar os seus relevantes serviços”, é o que se comenta com frequência. Reclamação, nenhuma. Insatisfação, nada. Além, do mais, foi a Energisa que ensinou aos rondonienses os sinônimos de Capitalismo e privatização. Economia de energia passou agora a fazer parte do cotidiano de muitas pessoas daqui. E isso é muito bom, pois a natureza agradece. E tudo isso graças a quem?
A Energisa gosta tanto de Rondônia e de sua gente que incentiva até a liberdade de expressão. Parte da mídia chega também a enaltecê-la. Os jornalistas podem escrever o que quiserem sem ter que enfrentar tipo nenhum de censura ou cerceamento de opinião. A relação dessa empresa privada com os órgãos do Estado, no entanto, é de fazer inveja aos mais rotundos defensores do Neoliberalismo. A briosa Polícia Civil do Estado, por exemplo, sem muita coisa a fazer devido à escassez de violência nas cidades, foi uma aliada de primeira hora da companhia. Não raro, veem-se homens fardados acompanhando o trabalho de troca de contadores ou mesmo quando tiverem de cortar o fornecimento de luz. Outras reconhecidas instituições públicas como o IPEM e o PROCON também não mediram esforços para colaborar com a empresa privada. Será que ela não gostaria de comprar também a Caerd, os Correios e até o próprio Estado?




*É Professor em Porto Velho.

quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Injustiça com a Energisa

 Foto: Pedro Bentes do G1/RO

Injustiça com a Energisa


Professor Nazareno*
           

A Aneel, Agência Nacional de Energia Elétrica, cometeu uma das maiores injustiças contra a Energisa, a companhia de eletricidade de Rondônia, ao não conceder um “pequeno reajuste extra” de pelo menos 20% nas contas de energia elétrica dos consumidores do Estado a vigorar a partir do próximo mês de fevereiro de 2020. Vítima de uma feroz, injusta e sórdida campanha difamatória capitaneada principalmente pela classe política rondoniense, a empresa “tem feito das tripas coração” para atender, sempre dentro da lei, aos seus consumidores. A Ceron foi privatizada com a aceitação, a permissão e a anuência de toda a classe política do Estado, mas a Energisa “tem comido o pão que o diabo amassou” nas mãos dessa mesma gente, dos mesmos políticos, que hoje dizem solenemente estar defendendo a população contra os desmandos da empresa.
Não adianta esses políticos, muitos deles cheios de más intenções, espernear agora e fazer “charminho” só para encher de esperanças e impressionar os seus incautos eleitores. O aumento pode não ter vindo agora, mas virá depois em dobro, diluído mês a mês. É só uma questão de tempo. E ninguém vai reclamar. A Energisa é uma empresa capitalista baseada no lucro de seus donos. Não assumiu a antiga Ceron nem colocou dinheiro na “jogada” para levar prejuízo, pois quem faz proselitismo político e caridade social com o chapéu alheio são os políticos e algumas vezes o próprio Estado. E todos sabiam disto. Todos os políticos de Rondônia, que agora dizem estar insatisfeitos com a situação, também sabiam. Então eles venderam a velha Ceron a “preço de banana” para que todos nós tivéssemos diminuição nas contas de energia? “Me engana que eu gosto”.
Além do mais, muitos rondonienses não sabem o que é o Capitalismo selvagem. Por isso, saem por aí irresponsavelmente defendendo privatizações “a torto e a direito”. Achavam eles que os “gatos” a que muitos já estavam acostumados não teriam consequência nenhuma. A Energisa “botou no toco” e vai criminalizar um a um os ladrões da companhia. Só tem energia em casa quem pode. Várias centrais de ar condicionado, máquinas de lavar e outros luxos consomem muito. E ainda tem gente que se orgulha de ter colocado um “gato”. É óbvio que os excessos de ambos os lados têm que ser apurados, judicializados e punidos. Simples assim. Piada pronta: “Rondônia conquistou uma vitória, o resultado foi positivo”, falaram alguns políticos sem admitir que foram eles próprios que entregaram a Ceron “de mãos beijadas” para os forâneos.
Diferente do povo catalão, do povo basco ou dos curdos, que lutam como loucos e dão a vida e o sangue pela sua autodeterminação, os rondonienses entregaram sem nenhuma luta todas as suas riquezas para quem é de fora. Agora estão reclamando. É tarde. Deviam ter pensado antes. Entregaram o Beron, entregaram a Ceron, entregaram o rio Madeira com a sua exuberante natureza e as suas lindas cachoeiras, entregaram a floresta amazônica para o agronegócio tocar fogo nas nossas matas. “Todo o lucro para quem é de fora e nada para os nativos” é o mantra mais conhecido em Rondônia. Capitalismo e privatização são sinônimos disso que estamos vendo. E um aviso para os mais tolos: o nome da companhia de energia daqui é ENERGISA. Ela quer lucro e tudo fará para tê-lo. Se fosse uma empresa de cunho social mudaria o nome para Centrais Elétricas Irmã Dulce ou Madre Teresa de Calcutá. E por que não a estatizam de novo?




*É Professor em Porto Velho.

terça-feira, 15 de outubro de 2019

O Brasil sem professores


O Brasil sem professores


Professor Nazareno*

            Aposentado, hoje já não sou mais professor. Mas durante ‘rápidos’ 43 anos, orgulhosamente eu ministrei aulas em muitos dos recantos deste imenso país. Do já distante ano de 1976 no Colégio de Araçagi, interior da Paraíba, até a Escola João Bento da Costa de Porto Velho, Rondônia e passando pela escola General Osório de Calama no baixo rio Madeira, fui protagonista da “mais importante atividade” que um sujeito pode exercer. O professor no Brasil nunca foi valorizado nem pela sociedade muito menos pelos governantes. O Magistério sempre foi um trabalho de risco e hoje, com a volta à Idade Média e ao obscurantismo patrocinado pelos atuais governantes, assumir uma sala de aula tornou-se uma profissão tão perigosa quanto ser policial no Rio de Janeiro ou mesmo trabalhar enfrentando o perigo e a morte. O risco é iminente todo dia.
            Por lidar com o conhecimento e a ideologia e, portanto, a libertação do indivíduo, essa faina sempre foi vista com desconfiança pela classe política e também pela elite nacional. Por isso, atualmente ser professor é assumir um risco fora do normal. A perseguição aos decentes tornou-se maior e mais direcionada ainda nestes tempos de “O Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”. A perseguição aos mestres não se resume apenas aos baixos salários, mas principalmente à questão da ideologia dentro das salas de aula. Recentemente em Rondônia, a “patacoada das tabelas com os salários da categoria” empreendida pela SEDUC e pelo governo do Estado mostrou o quanto esses profissionais servem de massa de manobra aos interesses escusos dos “donos do poder”. Além de ganharem pouco, viram chacota pelo governante de plantão.
            A “profissão das profissões” nunca foi fácil e hoje está mais difícil ainda em terras tupiniquins. Muito diferente dos países civilizados: estive recentemente na Alemanha e lá o profissional mais bem remunerado pelo Estado é o professor. A justificativa: “todos os outros profissionais passaram pela sala de aula e precisaram do mestre. Do médico à chanceler do país”. Nem precisa dizer o motivo por que a Alemanha já conquistou mais de cem vezes o prêmio Nobel. No Japão, outra grande potência mundial, o professor não precisa se curvar diante do imperador. Para os orientais “um país que não tem professores, também não terá imperador”. O Brasil nunca conquistou um só prêmio Nobel e sua maior marca de exportação, além das commodities do setor primário, tem sido só “perna de jogador e bumbum de mulher”.
            Não adianta a mídia comprada pelo governo nem a própria sociedade não reconhecerem a importância dos mestres. Um país que não valoriza seus profissionais de sala de aula não pode se desenvolver. E o mundo civilizado é prova disso. E como muitos professores “abrem corações e mentes” de seus alunos, isso irrita sobremaneira os poderosos. E sempre foi assim, entra governo e sai governo. Durante a Ditadura Militar, nos governos neoliberais, durante a esquerda e está sendo assim agora. O bom professor é aquele que se propõe a abrir os olhos de quem não quer enxergar. O lendário e bom professor Paulo Freire, reconhecido no mundo inteiro e demonizado no governo atual, já dizia que “o bom professor é aquele que ao ensinar também aprende”. Por isso, neste dia dedicado a todos nós, parem com as hipocrisias baratas. Vamos nos alegrar em ser a cabeça da sociedade, “a única parte que pensa”. Tranquilo: eu faria tudo de novo.




*É Professor em Porto Velho.