quinta-feira, 24 de maio de 2018

Cabaré sem a madame!


Cabaré sem a madame


Professor Nazareno*

            
            A atual greve dos transportes mostra ao Brasil o que é o governo do golpista Michel Temer: nada. Bastaram poucos dias de paralisações para as autoridades de Brasília irem à lona. O governo, de joelhos, cedeu em quase tudo. A política estúpida de aumentar os combustíveis todos os dias mostrou a verdadeira face de um governo espúrio e impopular que sucedeu por meio de um golpe parlamentar outro governo igualmente corrupto e desacreditado. O Palácio do Planalto não tem como resolver qualquer problema que seja. E pior: diante do caos, a população reacionária que bateu panelas, vestiu a camisa amarela da seleção e bradou “Fora, Dilma!” está engolindo, acovardada, todos estes desmandos. Os “coxinhas” estão quietos sem esboçar qualquer reação. Como pode apenas uma categoria colocar em xeque todo o governo de um país?
            O desmanche da Petrobras começou ainda nos governos petistas. O PT, nos oito anos do governo Lula, se lambuzou na corrupção e no desmanche da estatal. A compra da refinaria de Passadena e a sucessão de presidentes envolvidos no desvio de dinheiro enfraqueceram e praticamente quebraram a décima maior empresa do mundo. A roubalheira, no entanto, continuou nos mais de dois anos do governo golpista do MDB de Michel Temer e sua turma. E a conta não tardou a chegar para nós, pagadores de impostos. A greve dos transportes coloca o poder contra a parede. Pior: a maioria da população brasileira apoia o movimento, mesmo sabendo das terríveis consequências que pode passar com o desabastecimento e a consequente escassez de vários produtos. O povo está se lixando para o governo e para as autoridades que comandam hoje o país.
            Porém esta greve não é apenas um movimento de caminhoneiros como muita gente inocentemente acha. Menos de 30% dos mais de dois milhões de caminhões pertencem aos seus motoristas. A greve é principalmente uma paralisação do setor de transportes do país. São os empresários mais uma vez, talvez aqueles mesmos que bateram panelas para a saída da Dilma e do PT, que estão por trás desta chantagem e da monstruosa paralisação. Desde quando trabalhadores comuns exigiriam do governo, por exemplo, a não tributação sobre os combustíveis? Desde quando simples operários cobrariam do governo o fim do PIS/COFINS? Muitos deles nem sabem o que é isso. A parte negativa deste movimento reivindicatório está, como sempre, na falta de patriotismo do cidadão brasileiro. São muitos os que estão se aproveitando para faturar.
            No Recife, havia posto de gasolina vendendo o produto a nove reais. Em Brasília, ali nas barbas do poder, o combustível bateu facilmente os dez reais. No Rio de Janeiro os hortifrutigranjeiros dispararam. Um saco de batatas passou em um dia de 50 para mais de 300 reais. O importante neste país é levar vantagem em tudo, doa a quem doer. A verdadeira ética nacional aflora nestes momentos de crise, infelizmente. A lei do Gérson é regra a ser seguida por quase todos neste infeliz momento de crise. O Brasil virou um puteiro sem comando. Se em apenas três ou quatro dias o país foi ao caos, é de se imaginar se uma paralisação perdurar uma semana ou mais. Tocaram fogo no cabaré e a madame fugiu. Dizem que esta guerra é contra os políticos, mas quem vai pagar as consequências de novo é o povo. Luciana Oliveira: “postos sem combustíveis, voos cancelados, escassez de alimentos. A direita transformou o Brasil em uma Venezuela”.




*É Professor em Porto Velho.

terça-feira, 22 de maio de 2018

Outra Copa do fracasso?


Outra Copa do fracasso?


Professor Nazareno*
           
            Estamos a poucos dias do início da Copa do Mundo de futebol que será realizada na Rússia. Até agora não se tem visto, como em outros anos, a euforia dos torcedores brasileiros. Parece que o pessimismo tomou conta de todos contrastando com aquela encantadora “onda verde e amarela” que arrebatava corações e mentes de quase todos os cidadãos do país antes do torneio. Tristes e desolados, muitos nem vão assistir aos jogos da seleção canarinho. Ainda curtindo a ressaca dos 7 X 1, muitos torcedores já não acreditam mais na sua seleção. Desiludidos com o futebol e ainda lamentando a roubalheira fora de campo da última Copa do Mundo, realizada no Brasil, muitos brasileiros preferem torcer em absoluto silêncio pelo seu time. Sem nenhum legado nas 12 cidades onde aconteceram os jogos, todos só se lembram do que foi roubado.
            Além das humilhantes derrotas para alemães e holandeses, nada ficou como lembrança para o Brasil e os brasileiros. Os políticos e empresários roubaram como nunca e ajudaram a deixar o nosso país nesta situação caótica em que se encontra. Nenhuma das cidades-sede teve melhorias em sua infraestrutura. Isso sem falar em alguns estádios que se mostraram verdadeiros elefantes-brancos. Manaus, Natal e Brasília, por exemplo, não sabem o que fazer com aqueles monumentos ao desperdício do dinheiro público. Deveriam implodir suas inúteis arenas para que não dessem mais tantos prejuízos ao Erário. E como se não bastasse, vários torcedores hoje têm vergonha de vestir a camisa amarela, pois foi com ela que os “coxinhas” foram às ruas pedir a saída da Dilma a fim de colocar o golpista e impopular Michel Temer no seu lugar.
            Vestir a camisa verde-amarela é hoje sinal de decepção e idiotice. Isso sem falar que os jogadores não representam o Brasil nem nós, os brasileiros. São homens “podres de ricos” que moram na Europa, ganham em euros e dólares e respondem tão somente pelos interesses de seus clubes e de seus ricos patrocinadores. Nike, Adidas, Heineken, Coca-Cola, Emirates, Visa e Master Card é quem darão as cartas, e os prêmios, na Rússia. Alguns dos “nossos heróis” dão até entrevistas em outros idiomas. Jogador de futebol ter amor ao seu país é coisa do passado. Por tudo isso, o sofredor, explorado e humilhado torcedor do Brasil não deveria vibrar pela sua seleção nacional. Tem que torcer pelo bom futebol e isso não faz mais parte da nossa realidade. Derrota humilhante deveria ser castigada. Que tal obrigá-los a morar um mês na imunda Porto Velho?
            Dessa forma, não vou torcer pelo Brasil. Até já escolhi o meu time de coração: é, claro, a poderosa Alemanha e tomara que venham outros 7 X 1. E de novo em cima dos nervosos e fracos canarinhos. Até a camisa do “tanque europeu” de Thomas Müller, Neuer e Özil eu já comprei. Não vi até agora nenhuma rua pintada, não vi ninguém usando a ridícula camisa amarela, nem conheço um só torcedor que saiba de cor a escalação do time de Tite. Se o Brasil ganhar esta Copa do Mundo, o povo brasileiro esquecerá rapidamente a sua situação de “vaca de presépio” e começará a acreditar que somos de novo uma potência. Em 1970 os militares usaram a vitória de Pelé e companhia para descer o cacete no povo e aumentar a repressão aos oposicionistas. Só que a direita dessa vez antecipou as coisas: botou a seleção na rua antes do jogo começar. Agora deve torcer por uma improvável vitória no campo. Ou fracassa de novo.




*É Professor em Porto Velho.

domingo, 20 de maio de 2018

Não leiam o Professor Nazareno!


Não leiam o Professor Nazareno!

Professor Nazareno*

            Rondônia é um fim de mundo sem eira nem beira, disso muita gente sabe. É um lugar ermo, atrasado, brega e com raros resquícios de civilidade. Se o mundo fosse o corpo humano já se sabe qual parte que representaríamos. Sua capital é suja, fedorenta, sem rede de esgotos, sem mobilidade urbana, violenta, mal administrada, quente, sem água tratada e segundo o Instituto Trata Brasil é a pior dentre as 27 capitais do Brasil em qualidade de vida. Muitos dos políticos daqui são larápios do dinheiro público e estão cansados de se envolver em escândalos. Operação Dominó, Operação Ludus, Operação Termópilas e tantas outras já fazem parte do folclore político local. E o eleitor de Rondônia nunca tomou vergonha na cara para se livrar desta praga que tanto lhe identifica. Rotina: entra ano e sai ano e os mesmos maus políticos são eleitos e reeleitos.
            Porém, o que não combina com Rondônia nem com nenhum outro lugar do mundo é a censura. Meus textos, no entanto, já sofreram muitos tipos de cerceamento e quase todos vindos inacreditavelmente de pessoas que usam a palavra como ferramenta de trabalho. Desta vez foi o excelente chargista Rondineli Gonzalez a apontar suas baterias antidemocráticas e ditatoriais contra mim. Gonzalez deve conhecer Voltaire e sabe que a censura foi abolida há pouco tempo a muito custo no nosso país. Adoro o trabalho de alto nível dele e jamais teria a coragem de pedir que algum órgão da mídia local o boicotasse. Mas Rondineli não é o único. Outros sujeitos metidos a jornalistas e intelectuais já se incomodaram também com os meus escritos. Até donos de site. E todos eles têm todo o direito de não gostarem dos meus textos. Só não podem proibi-los.
            Gonzalez é um jovem rondoniense que tem um talento raro para produzir boas charges. Ele se diz jornalista, mas precisa aprender o que é liberdade de opinião. Gostar de Rondônia, de Porto Velho e de suas bizarrices é um direito dele e de qualquer outro cidadão. Eu respeito, embora não concorde. Já não gostar daqui é um direito meu que também precisa ser respeitado. Faço textos por que sou professor de Redação e também sou jornalista com formação acadêmica. Nunca pedi a nenhum site que os publicasse. Tenho um blog (https://blogdotionaza.blogspot.com) e nele publico o que eu quiser, quando quiser, como quiser. Estão incomodados? Bloqueiem-me na internet. Estão chateados comigo, mas por que leem o que eu escrevo? Não leiam, então! Em vez disso, leiam Foucault, Machado, Clarice, Fernando Pessoa, Nietzsche ou Drummond.
            O problema talvez seja porque geralmente faço meus textos pela manhã, sentado no vaso sanitário, daí escrever tanta m... Outro dia um professor de História disse que eu era débil mental. E muitas outras pessoas já promoveram campanhas e mais campanhas nas redes sociais para censurarem meus escritos tolos e até para me expulsar da cidade. Tudo isso é risível, pois não conseguem deixar de ler a minha opinião. Entrem na Justiça contra mim, senhores! Porém, para desespero de muitos, não vou parar jamais de escrever a não ser que aconteça algo de pior comigo, uma vez que “aqui é uma terra já bem acostumada ao ronco do trabuco”. Rondônia é um lugar “maravilhoso” onde alguns jornalistas se insurgem contra textos, ativistas culturais não toleram o diferente, intelectuais pregam a censura e o povo, sempre ele, elege todo ano os piores políticos. Em que outro lugar do mundo encontraria tantas bizarrices para escrever meus textos?




*É Professor em Porto Velho.

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Não sou candidato!



Não sou candidato!


Professor Nazareno*

            Fiquei surpreso e ao mesmo tempo muito puto quando minha filha me informou que eu seria candidato ao governo de Rondônia nas próximas eleições, pois o meu nome aparecia em uma pesquisa de opinião com 0,93 por cento das intenções de voto. Sob o registro no TER/RO com o número 02923/2018, estava lá o nome Prof. Nazareno no meio de outros possíveis candidatos. Óbvio que não sou eu. Ou é uma brincadeira de muito mau gosto ou se trata realmente de alguém com o meu nome, o que seria algo absolutamente normal. Não teria coragem para tanto. Ser candidato a um cargo político e ainda por cima num Estado lascado e atrasado como Rondônia seria algo que eu não desejaria nem para o meu pior inimigo. Por isso, tranquilizo os dois ou três leitores que tenho e lhes asseguro que ainda não perdi a cabeça para estar fazendo essas loucuras.
            Tenho até participado da política, mas não gosto dela a ponto de me submeter a humilhações deste tipo. E vou logo avisando que se qualquer um cidadão ou eleitor idiota ou filho da puta se meter a votar em mim, eu não responderei pelos meus atos e o excomungo para sempre da minha vida. Como administrador, eu sou um zero à esquerda e mal consigo me administrar. Se tivesse que participar “dessa coisa horrorosa” certamente eu o faria em um lugar civilizado e com eleitores conscientes, jamais escolheria “isso aqui”. Talvez em algum Estado mais desenvolvido do sul do país ou até mesmo na civilizada Europa eu admitisse sair candidato a algo. Esse fim de mundo jamais seria governado por mim. Tenho quase 60 anos e pelo que sei, ainda não perdi a razão nem a cabeça. Tranquilizem-se: não sou e nem quero ser candidato a nada.
            As razões por que eu jamais me candidataria são óbvias: eu detesto Rondônia e também a sua podre e imunda capital e não vejo a hora de sair daqui. Quero morar num lugar mais civilizado e limpo. Além do mais, só estando louco ou mal intencionado para participar do jogo sujo que é a política. Não quero ser presidente, governador, deputado ou senador. Que graça tem hoje participar da política e não poder roubar nada ou ficar rico ilicitamente? O Ministério Público, a Polícia Federal, parte do Poder Judiciário e outras “palmatórias do mundo” estão muito atuantes e poderiam estragar tudo. Só entro nesse jogo se for para enriquecer com o dinheiro público. Caso contrário, nem pensar. Nunca fui filiado a partido político nenhum, odeio a mentira e quero distância de gente simplória e sem leitura de mundo. Como eu pediria voto na periferia de Porto Velho?
            O fato é que a política no Brasil nunca me encantou. Como participar de tudo isso se não sou evangélico? Como mentir que vou ajudar os pobres e miseráveis se não sou filantropo? Como, enfim, me dedicar de corpo e alma a algo tão rentável e lucrativo se não gosto de dinheiro? Tenho medo de ficar rico e muito pior: de ficar famoso. Por tudo isso, peço encarecidamente às pessoas de bom senso que se o nome que aparece nesta pesquisa maluca realmente for o meu, não votem em mim. O que eu faria como governador certamente não agradaria a ninguém. Se o diabo ajudasse e eu fosse eleito, trabalharia para a extinção completa de Rondônia, que só prejuízo dá ao Brasil. Mandaria implodir as três Caixas d’Água de Porto Velho e destruiria também o Espaço Alternativo. As hidrelétricas do Madeira seriam desmontadas. E quem ama essas tolices que só existem aqui não gostaria que isso acontecesse. Então, esqueçam-me, por favor!




*É Professor em Porto Velho.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Curitiba e Porto Velho: nada a ver



Curitiba e Porto Velho: nada a ver


Professor Nazareno*

No momento estou em Curitiba, a bela, limpa e florida capital do Paraná. Aqui, nada lembra Porto Velho, a suja, mal cuidada, cheia de carniça e fedorenta capital de Rondônia. Estou encantado, pois nesta cidade tudo cativa e deslumbra. Com aproximadamente dois milhões de habitantes e quase quatro milhões se contarmos a sua área metropolitana, a asseada capital dos paranaenses é só progresso, desenvolvimento e modernidade. Tem mais de sete vezes a população da imunda capital dos rondonienses, mas nela quase tudo funciona. Enquanto Porto Velho tem clima de rincão africano e de sertão nordestino, em Curitiba e no sul do país estamos no outono com temperaturas agradabilíssimas. Dificilmente passa dos 20 graus. Nada de umidade, suor, catinga de sovaco, calorão, transpiração excessiva ou qualquer vestígio de poeira, lama ou sujeira.
Com alguns problemas de saúde, vim fazer um check up, já que em Porto Velho não tem a mesma e eficiente medicina daqui. As opções karipunas seriam o “açougue” João Paulo Segundo ou então o Hospital de Base, ou seja, nenhuma. Em média, paga-se 300 reais por uma consulta com direito a recibo, coisa que em Rondônia muitos profissionais da saúde, além de cobrar bem mais caro, se negam a fazer. O transporte coletivo de Curitiba é excelente e imita o de muitas cidades do Primeiro Mundo. Do aeroporto, em São José dos Pinhais, para qualquer ponto da metrópole, paga-se apenas uma passagem com tempo médio de espera de apenas 15 minutos. O preço é quase igual ao que se paga em Porto Velho. Ônibus limpos, confortáveis e climatizados dão gosto. Bem diferente do Consórcio SIM com os seus carros já sucateados, quentes e sujos.
Muitos dirão que a capital do Paraná é assim por que é antiga e que Porto Velho é ainda muito jovem. Engano, pois estive andando pelo interior do Estado paranaense. Maringá com 65 anos é um deslumbre só. Tem quase a população da suja Porto Velho. Londrina, com pouco mais de 80 anos e bem maior do que a “capital da sujeira” se destaca pela beleza e pelo asseio de suas ruas. Todas são cidades muito jovens, mas bem cuidadas. Cascavel, próxima à cidade onde nasceu o atual governador Daniel Pereira fica nos primeiros lugares em saneamento básico e água tratada. Além, claro, de ser um verdadeiro jardim para os olhos de seus visitantes. Tomara que o nosso governador se entusiasme, lembre os tempos de infância e transforme Porto Velho também num jardim. Muitas flores, praças arborizadas, organização e ausência de lixo são rotina aqui.
Como em Rondônia, o Paraná tem também políticos ladrões, pobreza, corrupção e violência. Mas nem de longe pode se comparar os dois lugares. Os políticos do Paraná demonstram que têm muito amor por sua capital e pelo Estado. Foi o Paraná e não Rondônia que criou a Operação Lava Jato. Sérgio Moro não é rondoniense e talvez jamais visite Porto Velho. Curitiba foi uma das sedes da última Copa do Mundo. Seus dois clubes, o Furacão e o Coxa, já foram campeões nacionais e são conhecidos no mundo inteiro. Alguém conhece o Genus? E a “Arena Aluizão” com seus 600 lugares? Rua das Flores, Praça do Japão, Rua 24 horas, Centro Cívico, Passeio Público, Museu do Olho, Santa Felicidade, Ópera de Arame, Jardim Botânico. Tudo só flores, flores. Diferente de lama, lama, poeira, poeira. Europa e África subsaariana num mesmo país. Tchau, Curitiba. Até breve! Tenho de voltar para o inferno, pois ainda sou eleitor por lá.




*É Professor em Porto Velho.

quinta-feira, 10 de maio de 2018

MDB, a salvação nacional!



MDB, a salvação nacional!


Professor Nazareno*

            Muitos brasileiros não gostam da política. Alega-se injustamente que os políticos nacionais são todos corruptos, ladrões, desonestos e que a maioria deles só governa em causa própria e só pensa em si mesmo. Fala-se à boca miúda que os partidos políticos do Brasil são verdadeiras organizações criminosas que só servem, dentre outras coisas, para dilapidar o Erário, roubar os pobres, enriquecer ainda mais os já ricos, aumentar a desigualdade social, se envolver em escândalos, fazer maracutaias e principalmente para envergonhar ainda mais a imagem do nosso país no exterior. E tanto faz: pode ser um partido de direita, da extrema direita, de centro, de esquerda ou mesmo da extrema esquerda. Todos só pensam em seus próprios interesses. Dizem que não temos nem jamais tivemos partido com ideologia. Ser ideológico por aqui é roubar, roubar, roubar.
            Porém, no meio de todo este lodaçal político, existe um partido que é a salvação nacional. Ele é diferente de todos os partidos políticos que existem ou já existiram entre nós. Aclamado entusiasticamente pelos mais humildes, ele é muito melhor do que o Partido Republicano ou o Democrata dos Estados Unidos. Pela sua lisura, determinação e comprometimento com os destinos do Brasil e de seu povo, ganha com sobra de qualquer agremiação da Europa e do mundo civilizado. Estamos falando do MDB, Movimento Democrático Brasileiro. Foi fundado por patriotas em 1966 para fazer frente à Arena, o partido da elite, e corajosamente ser oposição à Ditadura Militar. Ainda durante o regime dos generais, passou a se chamar PMDB e finalmente voltou a ser o velho MDB de guerra. Nunca se envolveu em escândalos ou maracutaias neste tempo.
            É talvez o maior partido político do Ocidente. Nunca, jamais, em tempo algum teve um militante ou filiado envolvido em roubalheiras ou corrupção. O MDB é um porto seguro para brasileiros e brasileiras que gostam da boa política. Sempre governou com serenidade, lisura e honestidade. Nunca se aliou a ninguém para poder assumir qualquer cargo. Já teve três presidentes da República que só deram orgulho aos sofridos brasileiros: José Sarney, Itamar Franco e agora Michel Temer. Todos gozaram e ainda gozam de altíssimo prestígio e aceitação popular. Nas urnas, é imbatível desde que patrioticamente seus heróis assumiram nosso destino em 1985 com a morte de Tancredo Neves. Foi combativo durante a Ditadura Militar e seus membros sempre se destacaram pelo amor ao país e à causa pública. O MDB é sinônimo de excelentes administrações.
            Em Rondônia não é diferente. Confúcio Moura, nosso futuro senador, sempre se destacou à frente desta agremiação partidária. Governou o Estado por duas vezes e o colocou como um dos grandes destaques nacionais. Valdir Raupp é outra estrela de grandeza nas cores emedebistas.  O senador é “hors concour” em eleições por aqui e por isso deve ganhar do povo rondoniense em 2018 mais “oito anos de ouro” no Senado. Maurão será governador. Nas câmaras municipais de todo o país, nas Assembleias Legislativas, na Câmara dos Deputados e no Senado só se destacam os políticos do MDB. Verdadeiros “Homens de Ouro” zelando pelos destinos do Brasil. Nenhum político deste honroso partido foi preso ou teve que responder algo a qualquer instância da Justiça. Sem o MDB este país seria uma republiqueta de quinta categoria. Temer, Cabral, Eduardo Cunha, Romero Jucá, Renan Calheiros... Vida longa a todos eles!




*É Professor em Porto Velho.

sábado, 5 de maio de 2018

Coreias unificadas: potência

                                          KOREAN BROADCASTING SYSTEM / AFP

Coreias unificadas: potência



Professor Nazareno*

            
           O presidente da Coreia do Norte, Kim Jong-un, assombra o mundo mais uma vez. Sua proeza agora não foi mais um teste com armas nucleares ou as ameaças aos Estados Unidos e aos seus vizinhos, a Coreia do Sul e o Japão. O ditador do país mais fechado do mundo, que há pouco tempo testava lançamentos de mísseis balísticos e explosões atômicas, aceita dialogar com o seu arqui-inimigo e vizinho presidente Moon Jae-in da Coreia do Sul para tratar de negociações de paz e também da completa desnuclearização da península coreana. O encontro entre os dois mandatários encantou o planeta e parece que afastou de vez o perigo de um confronto atômico envolvendo os Estados Unidos, a China e todos os povos da região. Alívio: As duas Coreias que tecnicamente ainda estão em guerra desde 1953 ensaiam um definitivo acordo de paz.
        As grandes potências econômicas e militares do planeta como Estados Unidos, Inglaterra, França, Rússia e China podem ter armas de destruição em massa em seus arsenais, mas os países de menor expressão estão proibidos de tê-las. Mesmo assim, Israel, Paquistão, Índia e Coreia do Norte são integrantes desse seleto clube nuclear. O Brasil, óbvio, não tem armas nem para matar passarinho. Nossas Forças Armadas não dispõem de munição ou armamentos sofisticados nem para uma hora de guerra. Nossa Força Aérea tem apenas alguns "teco-tecos" enferrujados que foram sobras da Segunda Guerra Mundial. Estamos longe de enfrentar numa guerra os modernos caças franceses Dassault Rafale, os Sukhoi da Rússia ou os invencíveis caças F-35 dos Estados Unidos. O Brasil não pode participar de conflitos: seria derrotado facilmente por qualquer país.
   Nossa Infantaria é risível. Numa guerra de verdade perderia até para a Bolívia ou Venezuela e a nossa Marinha dispõe somente de um porta-aviões totalmente obsoleto que também é sobra da Segunda Guerra. Já os norte-coreanos têm Forças Armadas bem treinadas além de um poderoso arsenal atômico. Por isso, foram à mesa de negociação com os seus vizinhos do Sul. Mais pobre e atrasada do que a Coreia do Sul, o Norte sofre com as sanções impostas pela ONU por causa do seu arsenal atômico. O ditador Kim Jong-un percebeu que unido, o povo coreano será fortalecido em todos os aspectos. A Coreia do Sul desponta hoje como a décima potência econômica do mundo. Tem uma economia igual à do Brasil embora só tenha 52 milhões de habitantes numa área igual à de Pernambuco. Seus bons produtos são conhecidos e consumidos no planeta inteiro.
   Não foi o Capitalismo que desenvolveu os sul-coreanos. Foi a disciplina e a organização daquele povo oriental. O Brasil é capitalista, mas é fracassado. Rondônia, nem se fala. Juntas, as duas Coreias serão talvez em poucas décadas um dos países mais desenvolvidos e modernos do mundo. A República da Coreia encantará o mundo. A área territorial das duas nações juntas ficará menor que Rondônia e terá uma população disciplinada, organizada e muito trabalhadora de quase 80 milhões de pessoas. Sozinha, a Coreia do Sul já é uma das maiores potências econômicas da atualidade. Unido, o novo país, além do forte poderio econômico, será também uma potência nuclear invejável. O perfeito sistema de educação dos sul-coreanos os projeta como um país moderno e superdesenvolvido. O coroamento dessa política de paz e harmonia entre os dois povos se dará com a entrega do Prêmio Nobel da Paz para os dois líderes coreanos.




*É Professor em Porto Velho.

sábado, 28 de abril de 2018

Rondônia será extinta



Rondônia será extinta


Professor Nazareno*

            A participação do atrasado, subdesenvolvido e longe Estado de Rondônia no PIB do Brasil é insignificante: algo em torno de 0,6% apenas. Aqui tem uma população que representa menos de um por cento da população nacional. Por isso, para a realidade do país Rondônia não significa absolutamente nada. Este Estado vai se acabar muito em breve e não será nenhum desastre natural o responsável pela hecatombe karipuna. Com pífios números à frente de apenas quatro outros Estados, todos da região Norte, a jovem unidade da federação agoniza e devia ser extinta para não dar mais prejuízos à nação. O fim “disso aqui” não seria percebido por quase ninguém, além de trazer um enorme alívio para muitas pessoas: a dívida do extinto Beron, o Banco do Estado de Rondônia, foi adiada até 2048 e agora teremos que pagar à União mais de metade do nosso PIB.
            Óbvio que essa dívida já foi paga várias vezes e todo mundo sabe disso. Porém, muito pior do que qualquer catástrofe da natureza, a classe política desse Estado, além de não fazer absolutamente nada em benefício dos pobres cidadãos pagadores de impostos, ainda contrai dívidas astronômicas e praticamente impagáveis para nossos filhos e netos. Se Rondônia não tivesse sido transformada em Estado, esta dívida não existiria. A emancipação foi a pior coisa que nos aconteceu. Se tivéssemos continuado a ser administrados por Brasília, a situação talvez não tivesse chegado a esse ponto. Rondônia hoje só dá prejuízos e vergonha ao restante dos brasileiros, que também não têm muito do que se vangloriar. Fomos emancipados somente para ajudar a Arena, o partido dos generais. Mesmo assim, Brasília só mandou coronéis para nos administrar.
            Desfeito o “grande erro” de 1981, talvez tivéssemos dias melhores. Opções não faltariam: poderíamos ser devolvidos à Bolívia, por exemplo, que seria bem melhor. Ou então sermos anexados ao Mato Grosso ou ao Amazonas. E quem pegasse o “abacaxi”, herdaria também todas as dívidas e todas as outras desgraças que aqui existem. Deviam colocar o Estado de Rondônia à venda. Mas duvido que alguém em sã consciência quisesse comprá-lo. Ficar com a cidade de Porto Velho, a sua podre e fedorenta capital? Só se fosse para destruí-la por completo a fim de vender os destroços para as empresas de construção e aterro. O “açougue” João Paulo Segundo não serviria para nada depois de implodido. Muitas outras obras da cidade como o Espaço Alternativo, a ponte escura e os viadutos tortos e íngremes nem para aterro servem mais. Ninguém compra o caos.
            Depois das Operações Dominó, Luminus, Hygéia, Ludus, Termópilas e infinitas outras realizadas no Estado pela Polícia Federal, o preço de Rondônia não vale hoje sequer um único centavo. Só que vendido, nem que seja no mercado negro, o Estado se livraria de trambolhos como a Assembleia Legislativa e a capital abriria mão da Câmara de Vereadores. Um alívio: campanhas políticas não haveria mais. Nenhum senador, nenhum deputado, nenhum governador. Mas os rondonienses são teimosos como mulas, já que preferem ficar no prejuízo sem nenhuma qualidade de vida e sofrendo a ter que serem administrados por Brasília. Um paradoxo, pois nunca, jamais, em tempo algum, um rondoniense nato administrou o Estado. Nem a sua suja capital. Os forasteiros sempre tiveram vez por aqui só que “deu no que deu”. Sob a ótica do Capitalismo, Rondônia é um lugar já falido. Vendendo tudo, não pagaria o que deve. Quem dá mais?




*É Professor em Porto Velho.

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Um banco para Rondônia



Um banco para Rondônia


Professor Nazareno*

            O jovem e atrasado Estado de Rondônia não tem banco. Mas já teve: era o Beron, Banco do Estado de Rondônia. Porém, muitos dizem que não era um banco de verdade, “assim como o fusca não era um carro”. O referido banco teve pouco tempo de existência. Mas nesse curto período foi dilapidado pela classe política do Estado. Muitos se beneficiaram do dinheiro fácil daquela instituição financeira. E vivem muito bem até hoje. Na década de 90 do século passado e em plena época do Neoliberalismo do PSDB e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, a ordem era liquidar de vez aquele agente público. Por isso, tudo do Estado fora “doado” aos empresários. Foi nessa mesma época que o ex-governador José Bianco demitiu cerca de dez mil servidores públicos causando dessa maneira uma das maiores crises socioeconômicas por aqui.
            O Beron não sobreviveu, mas o Estado de Rondônia, a duras penas, continua sobrevivendo infelizmente até hoje. Dizem que foi apenas um político o repensável pela liquidação do “caixa dos políticos”. Ledo engano. Foram muitos oportunistas que arruinaram o ex-banco. E pior: até hoje a dívida com a União continua sendo paga e por isso, depois de quase duas décadas permanece nos dando prejuízos. Muitos dos seus ex-funcionários ainda brigam na Justiça para receber compensações trabalhistas e indenizações. Rondônia é um Estado muito rico, mas de uma gente pobre. E a culpa é toda dos políticos. Como pode um Estado situado entre dois biomas reconhecidos no mundo inteiro, o Cerrado e a Amazônia, e dono de uma das mais ricas biodiversidades do planeta ter tantos problemas como Rondônia? E por que os políticos nada fazem?
Como pode haver pobreza e miséria em um Estado que tem um dos maiores rebanhos bovinos do Brasil? Fala-se em mais de 12 milhões de cabeças de gado. Aqui não há seca, como em muitos Estados nordestinos. Não há desastres naturais como terremotos, geadas ou nevascas. Não temos vulcões, mas temos a Assembleia Legislativa do Estado e em Porto Velho temos a Câmara de Vereadores. Além disso, nossos políticos são talvez os piores do Brasil. A nossa população é muito pequena e a extensão territorial é enorme. Somos maiores do que o Reino Unido. Não fosse a maldita classe política, talvez estivéssemos melhor. Este Estado precisa de um banco. Que tal ROBAN, o Rondônia Banco? Bem diferente do velho Beron, na nova instituição somente aqueles mais pobres e necessitados teriam direito às benesses.
Rondônia não tem banco, Porto Velho, que é uma capital, não tem porto decente, não tem saneamento básico, água tratada nem mobilidade urbana, as estradas daqui não são duplicadas, o curso de Medicina na única universidade pública não tem hospital universitário, o aeroporto internacional da capital não faz um voo sequer para fora do Brasil, a ponte que liga o “nada a coisa alguma” não tem iluminação, a rodoviária da capital se parece um pocilga, nossa educação é sofrível em todos os aspectos, a saúde pública padece diariamente com o seu “açougue” problemático, somos talvez o único Estado do Brasil em que não há universidade estadual, os nossos três senadores estão enrolados com a Justiça e a maioria dos políticos reza para se reeleger a fim de se livrar dos seus processos. Porém com todas essas mazelas, o povo estranhamente é feliz e todo final de tarde vai ao Espaço Alternativo fazer “fotinhas” para postar no Facebook.




*É Professor em Porto Velho.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Por que odiamos os políticos?



Por que odiamos os políticos?


Professor Nazareno*

            Depois do futebol e talvez do Carnaval, o esporte favorito dos brasileiros é falar mal dos políticos. Nestes tempos de Operação Lava Jato com processos e prisão de várias autoridades, inclusive de um ex-presidente da República, a população respira aliviada toda vez que um político vai “em cana”. Nunca na História deste país, o STF trabalhou tanto. A situação chegou a tal ponto que muitos brasileiros sabem na ponta da língua o nome dos 11 ministros do Supremo Tribunal Federal e ignoram a escalação da seleção nacional de futebol para a próxima Copa do Mundo. Para muitos, ser político é sinônimo de ladrão, de querer ficar rico à custa do trabalho alheio. Entrar para a política hoje no Brasil é o mesmo que entrar para o mundo do crime. Aliás, muitos bandidos e traficantes gozam de popularidade bem maior do que muitas autoridades constituídas.
Há mais de 40 anos o Brasil figura entre as 10 maiores potências econômicas do mundo. No início do século chegou a ser a sexta maior economia do planeta quando seu PIB quase supera o da França e o da Inglaterra. Hoje somos o segundo maior produtor de alimentos do mundo. Temos riquezas naturais incalculáveis, além de mais de sete mil quilômetros só de litoral. Na Amazônia temos um quinto de toda a água potável do planeta. Isso sem falar na rica biodiversidade. Com mais de 220 milhões de cabeças, temos o maior rebanho bovino comercializável do mundo. Produzimos frango, soja, milho, pescados e inúmeras outras commodities. As nossas riquezas são invejáveis, mas a classe política nacional não deixa que toda essa fartura chegue à mesa dos cidadãos. Temos hoje mais de 20 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza.
De certa forma, os políticos do Brasil são os maiores responsáveis pela miséria e pela pobreza nacional. A desigualdade social, uma das maiores do mundo, é incentivada e fomentada pelos péssimos serviços públicos que são prestados aos nossos cidadãos. Pelo menos 34,4 por cento do PIB são arrecadados em impostos. Mais do que países como Canadá, Austrália e Alemanha. Parte do dinheiro e da riqueza nacional que são produzidos aqui vai para o bolso dessas autoridades e de empresários igualmente ladrões. Entrar na política pode significar acesso a essa riqueza. Todos os presidentes, governadores e prefeitos, de direita ou de esquerda, lutam para chegar aos seus cargos e depois esquecem os eleitores e passam, na maioria das vezes, a dilapidar o Erário sem dó nem piedade. Isso sem falar nos 61.604 senadores, deputados e vereadores do país.
Roubar, roubar e roubar são os objetivos da maioria dos que entram na política. Os caras roubam até casca de ferida. E pior: nada fazem em beneficio daqueles que os elegeram. Rondônia é um exemplo claro dessa distorção nacional. Tem uma população minúscula e um PIB até alto. Possui um dos maiores rebanhos bovinos do país, está situada entre dois biomas reconhecidos no mundo, tem muita água portável e extensões de terras produtivas, mas a riqueza parece que passou longe dos seus habitantes. Porto Velho, sua suja e imunda capital é uma cidade pior do que Porto Príncipe, capital do Haiti. Parece uma cidade da África Subsaariana. Lixo, pobreza e miséria são os cartões postais do lugar. Parte dos seus políticos ganha da média nacional em roubalheira, escândalos, corrupção, mentiras e incompetência. Em Rondônia e no Brasil, o povo não gosta dos políticos, mas os elege sempre. Assim não há como quebrar nossas  correntes.




*É Professor em Porto Velho.

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Porco Velho: latrina do Brasil



Porco Velho: latrina do Brasil


Professor Nazareno*

            Agora é oficial. Porto Velho, a imunda, podre e fedorenta capital de Roraima, é a pior dentre as maiores cidades do país em saneamento básico e água tratada. Até o ano de 2017, estávamos à frente de Ananindeua no Pará e de Macapá, capital do Amapá. Em 2018, com apenas 36,3% das residências com água encanada e de risíveis 3,3% de esgotos e saneamento básico, a “capital das sentinelas avançadas” ficou em centésimo lugar, ou seja, amarga a lanterna dentre as cem maiores cidades do Brasil. E quem diz isso é o Instituto Trata Brasil em sua última publicação sobre o ranking do saneamento básico nas cidades do país. Uma vergonha se levarmos em consideração o fato de que estamos localizados ao lado do rio Madeira, um dos maiores rios do mundo, com água barrenta, mas potável. Isso sem falar em vários outros rios menores e muitos igarapés.
            Além de ser vergonhoso viver em um lugar inóspito, que ostenta estes números ridículos quando se fala em limpeza urbana, somos obrigados a pagar uma das mais altas taxas de IPTU dentre as capitais. Pagamos também taxa de iluminação pública para vivermos praticamente na escuridão. A Ponte do rio Madeira é escura e o viaduto do antigo Trevo do Roque não tem uma só lâmpada. As ruas do centro e dos bairros mais distantes também imitam o breu. E ainda falta muita energia. Porto Velho fede à merda por onde se vá. A podridão e a carniça podem ser sentidas nos quatro cantos da capital. No inverno, as alagações dão o tom da estação chuvosa. Ruas inteiras e grandes avenidas se parecem rios imundos com bosta boiando em suas pútridas águas. Isso quando não se veem animais mortos cobertos de tapurus “enfeitando” a triste paisagem.
            Infelizmente Porto Velho sempre foi assim. Entra ano e sai ano e nada melhora por aqui. A esculhambação não tem fim. Parece que nunca teve prefeito que mostrasse um mínimo de amor pela “prostituta velha e abandonada”. Só este ano, 150 milhões de reais serão desperdiçados. Se a cidade fosse uma mulher, todos os seus administradores já tinham sido enquadrados na Lei Maria da Penha. Pior: praticamente todos os que a maltrataram estão este ano de 2018 nas ruas pedindo o voto dos tolos porto-velhenses. Porto Velho não tem porto. O barranco escorregadio já substituiu o moderno porto rampeado doado pela Santo Antônio Energia. E ninguém toma providências. Deve ser porque é só gente pobre que usa aquelas instalações. Rodoviária há, mas é suja também. Isso sem falar no acanhado e feio aeroporto, que de internacional não tem absolutamente nada.  
Nós somos a latrina do Brasil. Uma cidade porca, cheia de lixo e fedorenta. Ninguém de fora quer investir num lugar onde a sujeira é rotina. Depois de um show ou mesmo um desfile de carnaval, toneladas de lixo invadem as ruas entupindo os poucos bueiros que existem. Depois, as infectas águas pluviais fazem o resto do serviço. Aqui não há praças floridas como em Curitiba, que ficou em primeiro lugar dentre as capitais. Não há recantos de lazer. Flores, nem nos cemitérios existem. Nem Natal iluminado tem por aqui como nas cidades de verdade do sul do país. Mas Porto Velho tem passarela no Espaço Alternativo onde os mais simplórios se deleitam e fazem “fotinhas” para postar nas redes sociais. Tem também bandeiras na entrada da cidade em vez da estátua do Jeca Tatu. Impossível não sentir vergonha quando os nossos parentes insistem em nos visitar. Pelos recursos que existem, Porto Velho não merecia essa situação deprimente.





*É Professor em Porto Velho.