quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

O povo acordou. Onde?

O povo acordou! Onde?

Professor Nazareno*

            Hoje no Brasil está virando moda em qualquer manifestaçãozinha de esquina que consiga reunir 10 ou 12 pessoas para reivindicar a mais tola e inútil das coisas, dizerem e gritar aos quatros cantos que o povo acordou. “O povo agora está mais consciente e não aceita facilmente ser usado pelos governantes hipócritas e exploradores”, é o mantra que mais se ouve. Só que é uma das maiores mentiras que já se ouviu. É uma tolice sem tamanho. Uma desinformação absurda. Onde foi que o povo acordou? Onde foi que o povo alienado, despolitizado, acomodado e explorado, de uma hora para outra, ficou consciente de seus direitos e deveres? No Brasil não foi. Usa-se como sempre o nome do povo como se ele fosse algo importante. Antes se dizia: “o povo unido, jamais será vencido”. Hoje, marotamente, coloca-se o povo nas manchetes.
            No Brasil se usa o povo como Bombril. Tem serventia para tudo, principalmente os pobres. Nas campanhas políticas, por exemplo, não existe nada melhor, e mais fascista, do que usar aqueles cidadãos, em cuja boca metade dos dentes está podre e a outra metade está fedendo a merda, para fazer proselitismo político. O pobre dá entrevista, recebe candidatos ricos em sua humilde casa e com eles toma café e almoça. Reúne o que chama de família e apresenta ao futuro prefeito ou deputado. O miserável do pobre é paparicado, adulado e até acredita que tem alguma importância além do seu mísero voto. Terminadas as eleições, nenhum candidato volta àquela pocilga longe, podre, violenta e infecta. Nem para agradecer os votos que conseguiu com as suas mentiras e promessas. Pobre só serve para isso: ser enganado e passar necessidade.
            A lorota agora é dizer que o povo acordou, participa dos debates nacionais e está em plena ebulição sociológica. “Me engana que eu gosto”. O povo interessado por política nem na Revolução Francesa. Não sei de onde tiraram esta piada infame. O povo está assistindo à Globo e outras emissoras reacionárias e se divertindo com programas igualmente reacionários, idiotas e fascistas. Muitos estão fazendo churrasco na laje e bebendo cerveja barata e cachaça ruim. Povo geralmente não tem tempo para participar de política muito menos de manifestações de rua. Primeiro por que não tem leitura de mundo nem estudos. Depois por que não consegue entender que a sua desgraça de vida está ligada às maracutaias e decisões políticas. Pobre no Brasil é massa de manobra. Sempre foi. E não sabe por que é usado pelos outros mais politizados.
            Nas manifestações, o pobre geralmente veste camisa amarela da seleção nacional e vai gritar nas ruas a favor dos direitistas. Muitas vezes nem sabe o porquê de estar ali. Quando o aglomerado é da esquerda, lá está ele de novo no meio dos “intelectuais” gritando palavras de ordem e reclamando de tudo. Um verdadeiro revolucionário semianalfabeto e desdentado da favela. Dos 206 milhões de brasileiros acredita-se que pelo menos oitenta por cento deles sejam cidadãos sem a menor leitura de mundo que age politicamente sempre como uma “Maria vai com as outras”. Basta observar os resultados das últimas eleições municipais. Em Porto Velho, por incrível que pareça, a composição da Câmara Municipal, por exemplo, é o retrato fidedigno de eleitores ignorantes e descompromissados com o futuro. O Brasil, assim, continuará deitado em berço esplêndido esperando um milagre para resolver a sua caótica e pobre situação.




*É Professor em Porto Velho.

sábado, 3 de dezembro de 2016

Como ser otimista?

Como ser otimista?

Professor Nazareno*

O poeta, dramaturgo, escritor, jornalista e Nobel de Literatura, o português José Saramago disse certa vez que não era pessimista, mas “o mundo é que é péssimo”. Olhando por esta ótica, a realidade do Brasil não aponta para outra perspectiva que não seja a de sofrimento, tristeza, angústia, dor, decepção e penúria. O time de futebol da Chapecoense de Santa Catarina, por exemplo, foi dizimado quase por inteiro por causa da irresponsabilidade em um fatal desastre aéreo nos Andes colombianos e o país consternado chorou copiosamente a perda de seus atletas. Nesta tragédia, para mais uma tristeza nossa, vimos que a Colômbia é um país muito mais civilizado e organizado do que nós brasileiros. Percebemos por que somos uma nação de quinta categoria e que na maioria das vezes não merecemos sequer o respeito de outros países do mundo.
Como ser otimista com essa classe política que temos em nosso país? Como ter alegrias com esse povo, cuja maioria é chinfrim, ridícula, com pouquíssima leitura de mundo, semianalfabeta, despolitizada e que em todas as eleições vota sempre nos mesmos patifes e ladrões? Como ter um mínimo de decência com um Congresso Nacional igual a esse que temos no Brasil? Políticos escroques que em meio à dor coletiva do país legislaram na calada da noite em causa própria. O presidente do Senado responde a vários processos e inquéritos na Justiça e parece que nada acontece ao mesmo. Como esboçar um mínimo de alegria num país cujo presidente da República é golpista, traidor, sem popularidade alguma, com vários ministros afastados por corrupção e desmandos e que representa uma legião de políticos igualmente nefastos?
Como suportar a dor de integrar uma nação cuja maioria de seus governantes demonstra pouco ou nenhum respeito aos seus próprios cidadãos? Como se conformar com o “jeitinho” como se fosse a coisa mais normal e natural do mundo? Como conviver com um dos piores sistemas de educação em pleno século vinte e um? Como ser tratado por uma medicina curativa que suga cada centavo de seus pacientes e nada devolve em serviços de excelência? Como ter os piores serviços públicos se para evitar isso se paga uma das mais altas taxas de impostos de que se tem notícia? Como aturar a falta de mobilidade urbana nas grandes e médias cidades espalhadas pelo vasto território nacional? Como aceitar passivamente que um time grande rebaixado no campeonato nacional de futebol pode entrar depois no tapetão e evitar a queda para outra divisão?
Como morar numa capital de Estado como Porto Velho que é cheia de lixo, ratos, urubus, podridão, bichos mortos, ruas tortas, violência e pessoas mal educadas que ainda reclamam de quem denuncia esse descaso? Como aceitar que as passagens aéreas para cá sejam as mais caras do país? Como aceitar e ainda pacificamente que a cidade mais uma vez fique sem decoração de Natal? Como votar e eleger uma Câmara de Vereadores como a que foi recém-eleita na capital de Rondônia? Como no país ter a coragem de tirar uma presidente eleita, mas negligente e no lugar dela colocar “todas essas tranqueiras” que aí estão? A violência aumenta, a devastação da natureza aumenta, a recessão aumenta, a inflação aumenta, os problemas sociais aumentam, o cinismo aumenta e os políticos e as autoridades ainda zombam da população. Como ser otimista num caos desse? Mas sejamos esperançosos: ainda não choveu BOSTA aqui.




*É Professor em Porto Velho.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

“Brasileirice” na tragédia?

Brasileirice” na tragédia?

Professor Nazareno*

            A tragédia que se abateu sobre o jovem time da Chapecoense e consternou o mundo do futebol teve dimensões épicas de dor e sofrimento inenarráveis para o Brasil e principalmente para aquela desenvolvida cidade no interior de Santa Catarina. É inimaginável tentar medir ou mesmo compreender o que estão passando os familiares das 71 vítimas fatais daquele fatídico voo. O Brasil que dá certo chora mais uma vez uma tragédia em pouco tempo. Outras catástrofes como o rompimento de uma barragem em Mariana, Mina Gerais, e o incêndio da boate Kiss em Santa Maria no Rio Grande do Sul deixarão marcas profundas nos corações e mentes de todos os envolvidos que chorarão amargamente sobre cinzas e lama. Mas uma pergunta que não quer calar ainda ecoa incômoda: havia meios de se evitar o caos ou tudo não passou de obra do acaso?
            Não há ainda explicações claras e precisas sobre as causas que levaram o “avião da Chapecoense” a se espatifar sobre os Andes em plena selva colombiana matando quase uma centena de pessoas e dizimando completamente a promissora equipe de futebol brasileira. Pode ter sido um temporal amazônico, muito comum em nossa região. Podem ter sido falhas mecânicas ou outras causas até então desconhecidas e que serão futuramente melhor explicadas pelas autoridades daquele país. Mas ao que tudo indica, o problema mais provável foi mesmo pane seca, ou seja, falta de combustível. A aeronave, um modelo AVRO/ RJ 85 de fabricação britânica, tem autonomia para três mil KM de voo. Exatamente a mesma distância entre as cidades de Santa Cruz de La Sierra na Bolívia e Medellín, destino final na Colômbia. Não houve escalas na viagem.
            Mas segundo autoridades aeronáuticas bolivianas, o plano de voo desta aeronave previa uma escala em Cobija ou mesmo em Bogotá para reabastecimento. Além dessas duas cidades havia possibilidades de paradas para esse fim em Porto Velho, Rondônia, Rio Branco e Cruzeiro do Sul no Acre, Iquitos no Peru ou até mesmo Manaus, Tefé ou Tabatinga no Amazonas. Será que o piloto pensou como um brasileiro e achou que o combustível seria suficiente para completar a fatídica viagem? Além do mais, quem em sã consciência gostaria de fazer um pouso em Porto Velho, Brasil, um fim de mundo atrasado e esquecido como esse? “Um voo sem escalas economizaria tempo e dinheiro”, podem ter pensado erradamente os responsáveis pela condução daquela aeronave. Se assim foi, o jeitinho brasileiro prevaleceu e levou a um desastre que comoveu o mundo.
           Chapecó não merecia isso. Nem ela nem nenhuma outra cidade do mundo, claro. Município progressista do desenvolvido Oeste de Santa Catarina com cerca de 210 mil habitantes tem na agricultura e na indústria agropecuária o carro-chefe de suas receitas. Com uma das melhores qualidades de vida do Brasil, a limpa, civilizada, florida e asseada “capital do Oeste catarinense” pode até ser comparada a algumas cidades da Europa e dos Estados Unidos. Bem diferente das cidades do Norte e do Nordeste do Brasil, onde pobreza, lixo, exploração humana, miséria e violência são cenas comuns. A Chape, seu apelido carinhoso, tinha uma folha enxuta, organização, um bom elenco e já despontava como uma das grandes equipes do fracassado futebol brasileiro. Por tudo que se faça para reparar a tragédia, nada apagará de nossas mentes a alegria daqueles meninos alviverdes do interior. A Chapecoense viverá para sempre em nossos corações.





É Professor em Porto Velho.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Conselhos ao Dr. Hildon



Conselhos ao Dr. Hildon

Professor Nazareno*

        
          Outro dia quando escrevi um texto sobre a eleição do Dr. Hildon do PSDB para ser o próximo prefeito de Porto Velho e pedi-lhe os pêsames por aquilo que todo mundo achava uma glória, uma grande felicidade eu fui duramente criticado por tê-lo alertado sobre o abacaxi que ele herdou. Num programa de televisão sem muita audiência de uma emissora local fui alertado por duas loiras bonitas: “esse professor devia se candidatar a vereador em vez de fazer críticas atrás de um computador”, disse uma deles cheia de más intenções comigo. “Dê sugestões ao novo prefeito”, continuou a bela loira toda eufórica e já aborrecida. Elas podem não saber, mas jamais quero me candidatar a qualquer cargo político. Muito menos na capital da podridão. Escrevo textos e não tenho culpa se pessoas os leem e com eles se estressam. É minha função.
            Mesmo assim, no referido texto havia muitas sugestões para o Dr. Hildon. Basta fazer uma pequena releitura do mesmo para perceber as minhas boas intenções. Discordo humildemente da bela e nobre apresentadora: para dar sugestões a qualquer político deste país, não é necessário ser um deles. Somos cidadãos livres e gozando plenamente dos nossos direitos políticos podemos dar nossas opiniões. E por isso não medi palavras naqueles escritos para ajudar o futuro prefeito. E reitero: em Porto Velho ainda há tudo por se fazer. Mas todos os prefeitos anteriores que tentaram fazer algo naufragaram no mar de boas intenções. O Dr. Hildon precisa fazer as coisas certas pela fedida capital. A começar, claro, pela escolha do seu futuro secretariado. Como fazer o prometido choque de gestão com figurinhas já carimbadas do nosso triste meio político?
            Outra bela jornalista, a minha competente amiga Sandra Santos, disse-me outro dia que eu deveria fazer um texto sem ironias sobre a nova administração da “capital dos destemidos pioneiros”. Precisava dar palpites, boas sugestões e mostrar de maneira coerente como o novo prefeito deveria agir para tirar a cidade do marasmo secular em que lhe meteram. Claro que sempre me envergonhei em trazer parentes meus para me visitar. O que Porto Velho tem para oferecer aos seus poucos e escassos visitantes? Absolutamente nada de atraente se vê por aqui. A não ser que desorganização, lodaçal, falta de mobilidade urbana, lixo, violência, urubus, ratos, lama, poeira, fumaça e esgotos a céu aberto sejam atrações turísticas. Pouquíssimos portovelhenses com boas condições financeiras têm coragem de passar suas férias de fim de ano na cidade. É mentira?
            Administrar com os pés no chão já seria um bom começo. Nada de “adornar teus canteiros, perfumar teus ares e fazer felizes todos os teus lares”. Isso é balela, tolice, enganação, farsa, embuste. É letra de música brega, ridícula, cafona. É coisa de galanteador barato se dirigindo a sua amante ou a uma prostituta ordinária. A excelente blogueira e jornalista Luciana Oliveira disse que eram “os versos mais barrelas e ridículos que já apareceram por estas bandas”. Mas encantou o tolo, pateta e semiletrado eleitorado desta capital, infelizmente. Atenção, Dr. Hildon: faça retornos na Avenida Vieira Caúla, não arranque mais nenhuma árvore da cidade, faça belas decorações de Natal, canteiros floridos, uma nova rodoviária, nunca comece uma obra sem previsão de término, dê uma função para o seu vice, termine o seu mandato e faça valer cada suado centavo que pagamos em impostos. Ou o senhor quer mais sugestões?





*É Professor em Porto Velho.

sábado, 26 de novembro de 2016

Fidel: o fim de uma era!

Fidel: o fim de uma era!

Professor Nazareno*

A morte do líder revolucionário cubano Fidel Castro é o anúncio já esperado do fim triste e melancólico de uma era que trouxe para o mundo muitas incertezas, polêmicas e medo. As esquerdas e o pensamento revolucionário espalhados pelo mundo inteiro precisam mudar suas estratégias se quiserem ainda ter acesso ao poder. Fidel se vai num momento em que a luta ideológica se dá praticamente entre direita e extrema direita. O Comunismo aos poucos vai virando “peça de museu”. Donald Trump é eleito presidente dos Estados Unidos, Michel Temer toma o poder no Brasil por meio de um golpe constitucional com o apoio do Congresso Nacional e de parte da opinião pública reacionária, Macri é eleito na Argentina e a maioria dos países da União Europeia dá guinada cada vez mais forte em direção a governos sempre mais conservadores.
Com o fim do Comunismo e da Guerra Fria no final do século passado, ser comunista virou coisa de pessoas velhas e ultrapassadas. Após isso, somente Coreia do Norte, Cuba e mais uns dois ou três países do mundo ainda teimaram em continuar achando que todos os habitantes de um país são iguais e que toda a riqueza produzida dentro de uma sociedade deve ser repartida de forma igual entre todos os cidadãos. Até a China, a outrora potência comunista, abriu mão das ideias ensinadas por Karl Marx. Com uma economia de mercado, os chineses despontam hoje como a segunda maior potência econômica do mundo ficando atrás apenas dos Estados Unidos. Usam os ideais comunistas apenas na política somente para manter os privilégios dos donos do poder. Fidel não percebeu o óbvio: era preciso mudar para continuar mandando em seus pares.
Mas o revolucionário de "Sierra Maestra" não foi só fracasso. Enfrentou cara a cara o gigante americano e quase leva o mundo à terceira guerra mundial com a crise dos mísseis instalados em Cuba em 1962. Fidel Castro foi exemplo para as esquerdas na maioria dos países. No Brasil foi idolatrado por Jânio Quadros e também pelos petistas, recentemente expulsos do poder. Grande parte da classe artística brasileira lhe teceu muitas loas. Junto a outro também revolucionário, Ernesto Che Guevara, dá o toque romântico ao pensamento esquerdista. Muitos jovens nas décadas de 60 e 70 do século passado são influenciados por sua ideologia oca sem perceber que “o velho camarada” não passava de um sanguinário ditador que nunca se renovou politicamente e que estava levando o seu país ao colapso e à ruína social e econômica. Cuba hoje ainda é passado.
Fidel morre e com ele toda uma era também se vai. Cuba, sem a menor condição de gerir a sua sociedade usando apenas o sistema comunista, já está se aproximando do Capitalismo que tanto criticava. A economia da China também já é capitalista. No século XXI, a dinâmica das relações internacionais não pode mais retroceder à Guerra Fria nem à ultrapassada ideia de que todos os cidadãos de um país são iguais frente aos novos desafios econômicos e à produção e distribuição de riquezas. A esquerda, principalmente no Brasil, ao assumir o poder roubou até “casca de ferida”, não trouxe os benefícios que tanto pregava e fez tudo aquilo que tanto criticava nos direitistas. Não há bons exemplos a serem seguidos em países como Venezuela, Bolívia e Equador que teimam ainda em seguir a cartilha ditada por Havana. Fidel Castro foi importante, pois projetou sua pequena Cuba para o mundo. Com ele, enterra sua fracassada ideologia.




*É Professor em Porto Velho.

sábado, 19 de novembro de 2016

Hildon Chaves: “início pífio”

Hildon Chaves: “início pífio”

Professor Nazareno*

Se for mesmo verdade que o futuro prefeito de Porto Velho, Hildon Chaves do PSDB, já escolheu o seu “novo staff para administrar pelos próximos quatro anos a pior capital do Brasil em qualidade de vida, chega-se à triste conclusão de que esta fedida cidade é mesmo uma dádiva de Deus ao contrário e que não restam dúvidas de que Satanás é mesmo o seu protetor maior. O “Gabinete Naftalina” ou “Museu dos Espantalhos”, segundo várias publicações da mídia local, traz uma relação sinistra de nomes velhos e conhecidos da política e da administração local que, em tese, são também corresponsáveis pelo estado de penúria em que se encontra a capital. Porto Velho não se transformou de uma hora para outra na latrina que é: foram anos de descaso, péssimas administrações e incompetência que nos transformaram nesta favela.
Com mais de 510 mil habitantes, a maior e pior favela do Brasil agoniza há mais de 100 anos sob a batuta de péssimos administradores. Nunca se entenderá por que ainda tem status de capital, já que dentro do próprio Estado de Rondônia há cidades muito mais bonitas, cuidadas, centralizadas e limpas do que ela. Além disso, geograficamente é a mais distante cidade de Rondônia em relação aos grandes centros mais civilizados do país como Brasília, Goiânia e São Paulo. Com apenas dois por cento de saneamento básico e percentual ínfimo de água encanada além de muita sujeira e abandono, a capital dos “destemidos pioneiros” nunca deu a nenhum de seus habitantes a menor condição de moradia. Corre o risco de na posse do novo prefeito, ter pouca gente para a festa: são férias de fim de ano. E quem pode “monta no porco” e cai fora.
Mas pensando bem: quem o Dr. Hildon escolheria para lhe ajudar nesta missão quase impossível? Quem estaria disposto a servir de kamikaze nunca época de vacas tão magras? Não há nem nunca houve, nos limites deste Estado, ninguém com competência para tão árdua tarefa. Com mais de um século de existência, Porto Velho nunca teve um único prefeito nascido em suas terras. Fala-se até que o próprio Estado de Rondônia nunca foi governado por um filho seu. Então, o jeito é partir para as gambiarras mesmo ou então trazer alguém de fora. O Brasil está cheio de aventureiros e gente de toda espécie, mas duvido que um sujeito, por mais filantropo que seja e que more em Curitiba, no litoral do Nordeste ou na Serra Gaúcha tenha tanta coragem para enfrentar lama podre no inverno e fumaça e poeira sufocantes no verão. Vem, mas sem a família!
Mas não sejamos injustos: o futuro alcaide até que poderia, sim, contar com a competência da terra. Carlos Ghosn, executivo reconhecido no mundo inteiro pelo seu magnífico trabalho na Renault e na Nissan bem que poderia dar uma mãozinha na administração desta currutela. Nascido em Porto Velho, o executivo talvez nem mais saiba o nome do lugar onde dizem que ele nasceu. Maurício Bustani seria outra “prata da casa” que poderia ajudar seus conterrâneos a sair do eterno lodaçal. Mas como localizá-los? Alguém sabe a última vez em que eles pisaram aqui? Competentes, esses ilustres rondonienses criariam a “Secretaria de Bichos Mortos” e jamais teriam deixado, por exemplo, que o rio Madeira invadisse calmamente o pequeno e inútil acervo histórico na grande enchente. Força, Dr. Hildon! Não ouça os falastrões. Ponte escura, viadutos, Espaço Alternativo inacabado serão ecos do passado. Natal no escuro? Jamais.




*É Professor em Porto Velho.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

A superlua e o novo prefeito


A superlua e o novo prefeito

Professor Nazareno*

            Nelson Rodrigues disse certa vez que, por causa da democracia, o mundo seria governado por idiotas. Não por competência, claro, mas por que eles são a maioria. E idiotas infelizmente é o que não falta em Porto Velho e também no Estado de Rondônia inteiro. Acredita-se que em torno de oitenta por cento dos nossos cidadãos eleitores sejam perfeitos idiotas: não têm leitura de mundo, não têm escolaridade, geralmente nada leem, são despolitizados, votam quase sempre como uma “Maria vai com as outras”, não enxergam um palmo diante do nariz e obviamente não sabem escolher corretamente seus representantes. Senão vejamos: o que esperar de uma população de eleitores que vota em Roberto Sobrinho e o elege duas vezes seguidas, em Mauro Nazif e uma Câmara de Vereadores de Porto Velho como a que “está saindo do forno” agora?
            Pior: quase 150 mil pessoas votaram em Hildon Chaves e o elegeram para prefeito da capital dos “destemidos pioneiros” achando que estavam fazendo uma grande coisa para a sua imunda, fedorenta, suja e descuidada cidade. O Dr. Hildon do PSDB não acreditava que pudesse ganhar um pleito já na primeira eleição. Chegou inclusive a admitir esta possibilidade quando o Ibope errou feio ainda no primeiro turno. “Esperava um terceiro ou um quarto lugar”, disse o novo prefeito desta capital. Estreante na política, o ex-promotor público queria apenas lançar seu nome entre os eleitores para, futuramente, talvez se candidatar com êxito para deputado federal ou mesmo senador da República. Só que deu azar: foi eleito, para sua surpresa e espanto. Ninguém em sã consciência quer ser prefeito daqui. Mariana Carvalho que o diga.
            Ser prefeito de Porto Velho é uma maldição que muita gente quer evitar, pois quase todos os últimos administradores caíram no ostracismo e praticamente morreram politicamente. A capital das “sentinelas avançadas” destrói a carreira política de qualquer um. A cidade, cujo protetor é o Satanás, não tem mais jeito. E até agora ninguém descobriu como quebrar o miserável encanto. Até a superlua não deu certo por estas bandas. Como única atração turística da cidade escura, o macabro fenômeno encantou a matutos e beiradeiros e só serviu para iluminar a desnecessária e também escura ponte e também a entrada (e a saída) da cidade nas imediações dos tortos viadutos ainda inacabados. Pela primeira vez “deu-se à luz” por aquelas bandas que imitam o breu. Muitos incautos disseram que o fato já pode ser obra do novo prefeito.
            Disseram que a lua estava maior e por isso, mais bonita, brilhosa e encantadora. Muitos trouxas acreditaram na lorota e ficaram horas a esmo de “cara pra cima” observando o ridículo fenômeno que de novo não tinha absolutamente nada. A mesma lua, nem maior nem menor, voltará com o mesmo brilho nos meses seguintes. Mas os tolos portovelhenses acreditaram e ainda juram que viram uma lua maior do que o normal. Assim como acreditaram também nas “poesias” toscas do candidato tucano recém-eleito. E ainda continuam acreditando. “Na minha administração só terá fichas limpas”, alardeou convicto o novo prefeito como se o seu chefe de transição não fizesse parte da nova administração da capital da fedentina. Não creio que a superlua e muito menos o novo mandatário possam resolver os problemas de Porto Velho, que nasceu para ser a latrina do Brasil. Mas tomara que o tucano brilhe muito mais do que essa lua.




*É Professor em Porto Velho.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

ENEM, e nem deu certo!


ENEM, e nem deu certo!

Professor Nazareno*

O professor da Unicamp Leandro Karnal disse recentemente que não existe país nenhum no mundo com governo corrupto e população honesta. O Brasil, claro, não podia ser exceção. Aqui, falamos mal de todo governo e também da corrupção que sacode o país desde o seu descobrimento e não percebemos, ou fingimos, que a sociedade nada tem a ver com o problema. Praticamente em tudo o que acontece, a maldita corrupção e o “jeitinho” estão presentes. A prova do ENEM, Exame Nacional do Ensino Médio de 2016 realizada este mês de novembro está repleta de acusações de fraudes. A cada momento estouram pelo país afora reportagens e denúncias dando conta da prisão de várias pessoas que se envolveram em maracutaias para levar vantagem no exame. No Amapá, um homem foi preso com o rascunho no bolso da redação já feita.
Do ponto de vista pedagógico, no entanto, o ENEM é uma das provas mais bem completas de que se tem notícia. Vários países civilizados do mundo adotam sua sistemática. O problema é a sua aplicação. Nosso país é uma nação de muitos corruptos e desonestos. A logística para a aplicação das provas num país continental como o Brasil é complicadíssima. Se não bastasse essa terrível dificuldade geográfica, muitos brasileiros parecem não gostar de fazer as coisas de maneira honesta. Uma das edições do exame nacional já foi totalmente anulada em 2009 por vazamento de provas ainda dentro da gráfica. Ultimamente em todas as edições já houve tentativas de fraude. Quadrilhas especializadas em adulterar concursos proliferam pelo país e costumam vender gabarito e também o tema da redação. Infelizmente este ano não foi diferente.
Uma jovem do interior de Minas Gerais foi presa e está sendo acusada pela Polícia Federal de contratar os serviços de uma dessas quadrilhas. Detalhe: na sua rede social está escrito que ela lutou fervorosamente pela saída da ex-presidente Dilma Rousseff do governo. Óbvio que não se pode dizer que todo “coxinha” e reacionário seja corrupto. Mas onde estão todos aqueles que há pouco tempo batiam em panelas, se vestiam de amarelo e gritavam a todos os pulmões “Fora, Dilma!”?  Onde estão todos aqueles que queriam a todo custo tirar o PT e seus asseclas do poder para acabar com a corrupção? A prova do ENEM leva a sério até o horário de entrada dos alunos. Se atrasar um minuto apenas, perde o concurso. É a regra. De Rondônia, claro, veio o pior dos exemplos: um participante em Guajará-mirim pôde entrar meia hora após o início.
Está mais do que comprovado que infelizmente houve vazamento do ENEM de 2016. Isso sem falar no triste caso dos mais de 200 mil alunos que só farão as provas daqui a um mês por causa da ocupação de várias escolas onde seriam realizadas as avaliações. No país da corrupção e da pouca vergonha, fica muito difícil se preparar para uma prova séria como essa. Um ano inteiro de luta, estudos, preparação e expectativas pode ser levado para o lixo por causa de pessoas inescrupulosas e sem nenhum sentimento nacional. Com um dos piores sistemas de educação do mundo, o Brasil sofre e tem dificuldades para aplicar um concurso reconhecido mundialmente. Criado pelo governo FHC e aperfeiçoado nos governos petistas, o Exame Nacional do Ensino Médio estreia no governo golpista de Michel Temer como um embuste. O MPF do Ceará já pediu a anulação da redação do ENEM/2016. Brasil, até quando esse caos?




*É Professor em Porto Velho.