domingo, 13 de outubro de 2019

Nem Greta, nem Lula, nem Raoni


Nem Greta, nem Lula, nem Raoni


Professor Nazareno*

            
            O Prêmio Nobel da Paz de 2019 foi anunciado pela academia norueguesa e de certa maneira revelou-se uma grande surpresa: não contemplou nenhum dos favoritos. O vencedor foi o desconhecido primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed Ali de 43 anos e um dos responsáveis pelo processo de paz com a vizinha Eritreia, lá nos confins da África subsaariana. A sueca e ativista ambiental Greta Thunberg já dissera antes que sua militância contra o caos climático não tinha o objetivo de ganhar prêmios. Já o cacique brasileiro Raoni “corria por fora”, mesmo não se sabendo o que de tão importante ele fez para ser contemplado. Seria o seu beiço de “lata de Nescau”? E o ex-presidente Lula ser agraciado com tal honraria seria também outra aberração. A única coisa que liga os três, no entanto, é o ódio que aparentam sentir pelo atual presidente Jair Bolsonaro.
            Para delírio dos seus seguidores, o “Mito” bem que poderia ter faturado esse prêmio, que não é dado pelo dote intelectual, mas político: é o único dos prêmios da academia norueguesa que o sujeito ganha sem ter demonstrado nenhuma inteligência ou feito qualquer pesquisa. Típico do atual presidente dos brasileiros. E a sua política de inclusão social de semear a paz entre os governados é reconhecida no mundo inteiro. Negros, presidiários, nordestinos, quilombolas, mulheres, homossexuais, ativistas dos direitos humanos, defensores do meio ambiente e outras minorias que o digam. Se existisse um prêmio para as tolices que se diz e pela maneira única de se envolver em encrencas desnecessárias, Bolsonaro seria imbatível. Sem Nobel, sem Oscar, sem nenhum reconhecimento externo, o nosso país continua sendo chacota internacional.
            Sem pesquisas de ponta, sem prestígio e sem conhecimento algum, patinamos. E só não somos piores por que produzimos commodities, mesmo que seja à base da destruição da natureza. Temos um dos piores sistemas de Educação do mundo. Entretanto, a academia da Noruega poderia ter no nosso país vários candidatos. Se os seus membros tivessem o desprazer de conhecer Rondônia, por exemplo, não faltariam postulantes ao prêmio. Hildon Chaves, o prefeito de sua suja e imunda capital, seria um candidato seriíssimo. Hildon, que passa a maior parte do tempo viajando para o exterior, poderia ser agraciado pelo que fez em prol das crianças da zona rural do município. Sem aulas por falta de transporte escolar, muitos dos meninos porto-velhenses poderão ser comparados brevemente às crianças da mesma Etiópia do atual vencedor da comenda.       
Outro que merecia um prêmio dessa magnitude seria a atual empresa de energia elétrica de Rondônia, a Energisa. Responsável talvez pela maior captura de “gatos” em todo o mundo, a Energisa é a empresa dos sonhos dos rondonienses: semeou a paz e a harmonia entre os consumidores do Estado e por incrível que pareça, fez muitos políticos trabalharem em benefício do povo mais sofrido. Além do mais, a “competente” companhia de luz mostrou o que poucas pessoas sabiam: a Polícia Civil, o PROCON e o IPEM têm função definida e servem para alguma coisa. Já Marcos Rocha, o esforçado governador de Rondônia, mereceria também ser agraciado com o Nobel pelo que fez recentemente aos professores do Estado. Como se pode ver, no Brasil e em Rondônia postulantes ao Nobel da Paz não faltariam. Até o Nobel de Literatura poderia ter sido dado a determinados “jornalistas” locais que insistem em pregar o atraso e o passado.




*É Professor em Porto Velho.

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

A Civil e a Energia S.A.


A Civil e a Energia S.A.


Professor Nazareno*

Sou um pai de família muito pobre e com pouca instrução. Tinha luz elétrica em minha casa, mas ultimamente não conseguia pagar em dia as contas. Atrasei a última fatura por apenas 15 dias e a companhia de luz já veio me cortar o fornecimento. Só que dessa vez foi diferente. Vários eletricistas chegaram de forma agressiva e todos estavam acompanhados de agentes policiais armados até os dentes. Cercaram a minha humilde residência me fazendo ameaças e me deixaram no escuro. As nebulizações que eu dava no meio filho, que é alérgico e asmático, não podem mais ser feitas. À noite, é quase impossível dormir sem o pequeno ventilador que temos. O calor é sufocante e agora até a água que bebemos é quente. A geladeira, que ficava grande parte do tempo desligada, agora só serve como armário para colocar as poucas compras que ainda consigo fazer.
Não posso entender o porquê dessa atitude dos policiais. Gritavam comigo como se eu fosse um bandido dos mais perigosos. Quanto será que eles ganham para fazer isso com pessoas humildes? Se eu reagisse, teria que ser imobilizado e detido por resistência, diziam eles em voz alta. Meu nome foi para o SPC e Serasa. Não posso mais comprar nada à prestação. Há algum tempo, no início da construção das usinas hidrelétricas, eu gritei a todos pulmões: Hidrelétricas, já! Diziam naquele tempo que o povo mais pobre ganharia um Shopping Center e a vida de todos os nativos iria melhorar muito principalmente os mais pobres. Nós forneceríamos energia boa e barata para os grandes centros consumidores, e como temos várias usinas dessas produzindo muito, praticamente daqui para frente não íamos pagar quase nada pela conta de luz.
O rio das usinas sempre foi desta terra, mas a companhia que fornece a energia é de fora, como sempre. E ela pagou apenas 50 mil reais pela compra de uma empresa “que só dava prejuízos”. E toda a classe política, sem exceção, concordou com aquela venda” absurda, já que na época ninguém deu um só pio. “Tudo para os forâneos, nada para os nativos” é um mantra já bastante conhecido entre os consumidores lesados. Como agora esses mesmos políticos estão querendo “defender o povo?”. Será que eles estão defendendo só os empresários e usam a desculpa de que estão defendendo os mais pobres? Muitos desses políticos “lutadores” vão ganhar “carradas de votos” nas próximas eleições, com certeza. E o poder público, faz o que para amenizar o sofrimento dos mais pobres? Apenas fornece policiais para ajudar uma empresa privada.
Porém, essa mesma empresa de eletricidade é uma das melhores e mais bem intencionadas que já se viu em todo o mundo: além de oferecer o seu produto com lisura e honestidade, também constrói canil, manda reformar pátios de órgãos públicos e revitaliza outros prédios do Estado. E faz isso sem nenhum interesse, não é incrível? Só mesmo por amor à terra onde presta os seus excelentes serviços e também pela dedicação que tem por seus consumidores. Hoje, apesar de eu estar sem energia elétrica em minha casa, não há como não demonstrar o meu incondicional amor a esta terra de gente brava e hospitaleira. “Não nasci aqui, mas meu coração é daqui”. E mesmo à luz de velas e com algumas dificuldades, gritarei com toda a força: "temos os melhores políticos do mundo, que lutam por cada um de nós". Depois de privatizada a energia, falta agora o Procon, a polícia e o IPEM, por isso somos muito felizes como povo.




*É Professor em Porto Velho.

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Eu teria condenado o Lula


Eu teria condenado o Lula

Professor Nazareno*

             Hoje eu sou um simples professor aposentado. Mas se fosse um juiz, na época eu também teria condenado o ex-presidente Lula à prisão. A corrupção é o pior inimigo das recém-democracias latino-americanas. É inimiga da humanidade como um todo. E Lula chefiou um governo corrupto e imoral. Prova maior é a condenação de muitos petistas que lhe assessoraram como Zé Dirceu, Zé Genoíno, Antônio Palocci, Delúbio Soares, João Vaccari Neto dentre tantos outros. Essa gente se envolveu primeiro no Mensalão e depois no Petrolão. No primeiro caso, armaram um esquema indecente e abjeto para se perpetuar no poder. Depois, sem dó nem piedade, se aliaram a uma parte da elite empresarial do país para saquear a Petrobras. Tudo isso sem levar em conta os princípios de igualdade e de honestidade que eles sempre defenderam antes do poder.
            Só que como juiz, eu teria condenado o Lula e todos os outros petistas sempre dentro da legalidade. Não teria dado “brechas” para nenhuma ilação após o fato consumado. O “Sapo Barbudo” teve, claro, todo o direito à ampla defesa, mas “o jogo” parecia já ter as cartas marcadas. Um juiz não pode jamais instruir nenhuma das partes do processo, isso é consenso não só nos meios jurídicos, mas a própria Constituição prevê esse dispositivo. Nos processos da Lava Jato que incriminavam os petistas, Sérgio Moro não foi apenas um juiz, foi uma espécie de advogado de acusação. As gravações da Vaza Jato deixam isso bastante claro. Não havia escapatória para o ex-presidente. Ele fora flagrado no erro e com a “mão na botija”. Não lhe restava outra alternativa: teria que pagar por todos os erros cometidos. E havia provas de sobra para o veredito final.
            De cada dez maneiras para condenar os malfeitores, somente uma era a errada. E o juiz de Curitiba optou exatamente por ela. Parece que na pressa e ambição de “subir rápido na vida” e de conseguir mais admiradores, subverteu a lei e agiu também de forma clandestina. Prendeu os corruptos, mas em troca queria fama, cargos, Ministério da Justiça (que acabou conseguindo) e até uma vaga como ministro do STF. Não os prendeu por que os mesmos tinham que ser presos e a lei devia ser cumprida, mas por que teria dividendos e ganhos com isso. Lamentável essa postura de um juiz. Na Itália, por exemplo, a Operação Mãos Limpas colocou todos os mafiosos na cadeia e nunca misturou juízes com acusadores. Nenhum dos magistrados após terminada a referida operação virou ministro de Estado ou assumiu qualquer cargo de relevância no governo.
            Lula está preso em Curitiba e de lá não deveria sair tão cedo. Ele e seus comparsas devem muito a este país e têm que pagar pelo mal que fizeram. Mas tinha que ter sido condenado de forma justa, dentro da lei e por um juiz imparcial, como devem ser todos os juízes. Na década de 1950, Sobral Pinto lutou pela legalidade da candidatura de Juscelino Kubitschek à presidência e depois, convidado pelo mesmo JK, recusou a cadeira de ministro da Justiça. “Não fiz o meu trabalho em troca de um cargo no seu governo, fiz o que tinha que ser feito por que ainda acredito na Justiça”, teria dito o melhor advogado que este país já teve. Lula e o PT não destruíram o Brasil como se acredita, apenas deram seguimento ao doloroso processo que vem desde os tempos coloniais. Além do mais, não há nenhum problema em Lula estar preso. O doído é ver Aécio Neves, Temer, Fabrício Queiroz, os donos da JBS e tantos outros estarem soltos.




*É Professor em Porto Velho.

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Bozo, cidadão de Paris

Fabio Vieira/ Getty Images

Bozo, cidadão de Paris

Professor Nazareno*

            Jair Messias Bolsonaro, presidente do Brasil, acaba de ser laureado com o título de Cidadão Honorário de Paris. A honraria foi anunciada recentemente pela prefeita da cidade, Anne Hidalgo. Fazendo sinal de arma com as mãos, milhões de apoiadores do popular mandatário brasileiro saíram às ruas do Brasil e também do mundo inteiro em sinal de aprovação. Dentre os ganhadores desse título estão o ex-presidente da África do Sul, Nelson Mandela, e o Jornal Charlie Hebdo. Bolsonaro é um político muito popular não só em seu país como também ao redor do planeta. Com apenas nove meses à frente do governo, já encantou o mundo com suas ações. Esta honraria pode ser apenas a primeira de uma série que ele certamente ganhará devido a admiração que o mundo tem por sua política. No Brasil, ele tem a aprovação de quase cem por cento dos eleitores.
O “Mito” é realmente uma unanimidade mundial. Estive recentemente em Paris e em várias outras capitais da Europa e percebi o quanto ele é amado. É mesmo uma espécie de “cidadão do mundo”. De Lisboa até os montes Urais, passando por Paris, Berlim e Roma só se fala das ações do presidente brasileiro. Lá ele é amado e idolatrado até mais do que no Brasil. Outras honrarias devem ser acrescentadas ao currículo deste ilustre brasileiro. Do brilhante discurso que fez em Davos na Suíça até a sua recente fala na ONU, Jair Bolsonaro é uma espécie de Mahatma Gandhi ou de Martin Luther King. Suas sábias decisões encantam a todos. Veja-se, por exemplo, a questão ambiental. Hoje a Amazônia brasileira não tem um só foco de queimada. A fumaça é coisa do passado. O nosso heroico presidente agiu rápido e deu uma resposta satisfatória ao mundo todo.
Sempre fazendo sinal de “arminha com as mãos”, as pessoas estão muito eufóricas e felizes com mais este reconhecimento vindo de uma cidade que é referência no planeta inteiro. “A esquerda pira”. Os petistas estão em polvorosa e não sabem o que fazer de tanto ódio e inveja. Não têm uma só palavra para expressar a sua decepção. E não é só na área ambiental que Bolsonaro tem se destacado, mas principalmente na polêmica questão dos direitos humanos. Líder nato, “o maior representante da família brasileira” já deu infinitas provas de sua capacidade única de governar. No Rio de Janeiro tem ajudado o governador Wilson Witzel a combater a violência da cidade e não dá tréguas às milícias. Em todos os Estados da Federação, o “Mito” tem demonstrado seu enorme talento para resolver problemas. “O Brasil agora é outro”, afirmam todos.
Como tem um governo baseado unicamente no Humanismo e na valorização do indivíduo, Bolsonaro devia ser canonizado no lugar da Irmã Dulce. Até o Vaticano por meio do papa Francisco tem feito menções honrosas ao líder brasileiro. Se continuar agindo assim em breve o nosso amado presidente receberá também o título de Cidadão Honorário de Porto Velho ou de Rondônia, já que não existe honraria maior no mundo. Aqui, para êxtase de todos, certamente ele jamais confundiria Rondônia com Roraima devido a sua enorme capacidade intelectual. Seus ministros e colaboradores são também muito admirados por todos. Abraham Weintraub, Sérgio Moro, Ricardo Salles, Damares Alves. É cada um nome melhor do que o outro. Por basear sua administração no tripé “ciência, democracia e tolerância” não será nenhuma novidade se o nosso “estimado líder” vier a ganhar também o Prêmio Nobel da Paz, que será anunciado ainda este mês.



*É Professor em Porto Velho.

terça-feira, 1 de outubro de 2019

Aniversário cabuloso


Aniversário cabuloso

Professor Nazareno*

             Capital de Roraima, a cidade de Porto Velho está fazendo aniversário. São 105 anos de desgraças e infortúnios. Não se sabe como um lugar tão desprezível e inóspito consegue viver tanto tempo assim sem se autodestruir. Protegida pelo Satanás, seu padroeiro maior, a cidade sempre foi um arremedo de currutela sem eira nem beira. Com raros dois por cento de saneamento básico e praticamente sem água potável, o amaldiçoado lugar não consegue se livrar do nada honroso título de “a pior dentre as capitais do Brasil para se viver”. Os números do Instituto Trata Brasil a colocam num patamar bem pior do que as miseráveis cidades da África subsaariana. Se o mundo civilizado a conhecesse, seria classificada como uma espécie de Porto Príncipe tupiniquim. Uma Eritreia das Américas, uma Cabul ou uma Damasco da Amazônia.
            Em termos de desgraceiras e de baixa qualidade de vida, Porto Velho é um lugar ímpar no mundo. Com mais de dez mil focos de queimadas, a fumaça dos incêndios nas suas florestas em 2019, por exemplo, assombrou o mundo civilizado e deu o tom da falta de qualidade de vida de seus desafortunados moradores. Envolta em uma nuvem de fuligem por mais de três meses seguidos, a “currutela fedida” ardeu sob o fogaréu apocalíptico. Viver por aqui só se for por obrigação, falta de sorte ou teimosia. Sem árvores, o calor é infernal. Porto Velho praticamente não tem transportes coletivos muito menos mobilidade urbana. O acanhado aeroporto faz raríssimos voos para os lugares civilizados e o custo das passagens é absurdo. Turistas não há, já que ninguém se aventura a visitar estas distantes terras. Sequer o marechal Rondon foi aqui enterrado.
            A capital de Roraima é um lugar onde nada dá certo. Quando alguém daqui por acaso aparece na TV de fora é uma festa na cidade. Uma breguice sem tamanho. Dizer em cadeia nacional que Rondônia não é Roraima é um feito equivalente a ganhar um Prêmio Nobel. Logo depois, todos se esquecem e a vida volta a ser o que era antes: uma chatice só. Aqui tinha Expovel, que se transformou em ExpoPorto. Tem o Arraial Flor do Maracujá, mas ainda sem data e local definido depois de quase quarenta anos. Existe também uma banda de Carnaval que emporcalha de lixo e imundícies as ruas e avenidas por onde passa. Uma fedentina só. Aqui já teve também outra banda, a “Versalle”, que fez só um “sucesso” e praticamente desapareceu. Obras de arte e monumentos não existem. Só as pinturas mal feitas nos viadutos. Há um “açougue” e uma ponte escura.
            Mas estranhamente muitos políticos querem administrar o lugar. São incontáveis os pré-candidatos que vão concorrer às eleições no ano que vem. Para se ter uma ideia, muitas crianças da zona rural do município ainda não começaram sequer o ano letivo de 2018 por falta de transporte escolar. Um verdadeiro crime contra a humanidade. Energia elétrica por incrível que pareça há, mas é uma das mais caras do Brasil, apesar das inúmeras hidrelétricas que o município se orgulha de possuir. Os apagões voltaram e é um desafio viver com os carapanãs. Nem precisa dizer que a cidade tem uma Câmara de Vereadores que para nada serve. Porto Velho é como aquele planeta gigante que os astrônomos descobriram recentemente, mas que segundo as teorias atuais, “não deveria sequer existir”. Ou então temos de admitir que estupros, lixo, lodo, fedentina, carniça, tapurus, merda, esgoto a céu aberto e violência são agora pré-requisitos de uma cidade.




*É Professor em Porto Velho.

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

O legado de Greta Thunberg


O legado de Greta Thunberg


Professor Nazareno*


O Brasil vive hoje momentos muito difíceis. Nossa democracia corre riscos e parece que estamos voltando à Idade Média em muitas áreas, principalmente na política. Voltaire nos ensinou que é possível não concordar com uma única palavra do que se diz, mas que é importante respeitar o direito de qualquer pessoa se expressar. Isso foi dito lá pelo final do século XVIII em plena Revolução Francesa e as sociedades mais civilizadas vêm repetindo esse mantra com o passar dos anos. De um modo geral, os brasileiros desconhecem minimamente essas regras e qualquer outra ação civilizatória. E isso se tornou patente com a ativista sueca Greta Thunberg. A jovem escandinava de apenas 16 anos, que sofre da Síndrome de Asperger, encampou a defesa do meio ambiente e de certa maneira vem atormentado os líderes mundiais por causa do clima.
Em vez de se discordar com argumentos das ideias defendidas por ela, muitos marmanjos se especializaram em tecer comentários maldosos e infames contra a menina. Falam, sem muitas provas, que ela está sendo financiada por George Soros, megainvestidor húngaro-americano e um dos homens mais ricos do mundo. Afirmam maldosamente que ela além de ser da esquerda está por trás de interesses escusos. Bastaram apenas cinco minutos de um discurso na ONU na Cúpula de Ação Climática no mês passado para que ela virasse alvo de uma cruel campanha difamatória no mundo inteiro. Pior, nenhuma dessas acusações se sustenta, já que todas são baseadas em desinformação e fofocas. No Brasil, até o filho do presidente Jair Bolsonaro e candidato a embaixador do Brasil nos EUA, Eduardo Bolsonaro, também entrou nesta “jogada”.
Além disso, em Natal no Rio Grande do Norte, um “jornalista” bolsonarista absurdamente disse ao vivo que “ela precisa de sexo para parar com este histerismo”. Infelizmente, os ataques à ativista se multiplicam no mundo inteiro como se o que ela está defendendo prejudica a sociedade, o planeta, a civilização. Greta Eleonora Ernman Thunberg é uma criança ainda e além de falar o inglês fluentemente sabe o que está fazendo. Em Rondônia a fumaça deste ano só diminuiu por causa da ação, embora tardia, de alguns órgãos de defesa do meio ambiente, que só agiram depois da pressão da França e de outros países da União Europeia. A “Cúpula do Clima na ONU” serviu de pressão para que se respeitassem mais a sofrida Rondônia. Com a sua fala, Greta Thunberg contribuiu para a diminuição das doenças provocadas pela fumaça por aqui.
Nunca vi nenhum adulto defender o meio ambiente com a tenacidade e o vigor desta garota escandinava. De vilão do clima com as queimadas todos os anos, o incendiário Estado de Rondônia deveria agradecer a ela pelo fim da fumaceira. Ao lado de outro ícone, o brasileiro cacique Raoni, a “jovem viking” já foi indicada para receber o Prêmio Nobel da Paz deste ano, que será anunciado em outubro próximo. Duvido que Wilson Witzel, o polêmico governador do Rio de Janeiro ou outro bolsonarista qualquer, fosse indicado a tal honraria. Bolsonaro e seu governo medíocre não ganharia prêmio nenhum com sua política chinfrim e estúpida. Os “bolsomínios” vão ter que engolir a Greta Thunberg e as suas ideias por muito tempo ainda. E se tudo o que esta ilustre ativista está defendendo for mentira, falácia, ilusão, exagero, tudo já valeu a pena, pois quem não gostaria de viver sem queimadas e sem a fumaceira de Rondônia?





*É Professor em Porto Velho.

sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Lula Livre? Nunca! Jamais!


Lula Livre? Nunca! Jamais!

Professor Nazareno*

            O STF decidiu apoiar a tese de que algumas sentenças da Lava Jato podem ser anuladas por apresentarem irregularidades. Isso pode até beneficiar o ex-presidente Lula, preso em Curitiba e acusado de vários crimes de corrupção. Lula livre é um pandemônio que assusta grande parte do atual governo brasileiro. O maldito molusco goza de um prestígio ainda grande no cenário político do país. Com a queda de popularidade de Jair Bolsonaro, o medo da volta da esquerda ao poder cresce cada vez mais em todos os cenários. Não há o que discutir: mesmo tendo sido julgado pela Lava Jato e pelo juiz Sérgio Moro de forma errada, Lula não está preso por acaso. Seu governo criou o Mensalão e o Petrolão e, de um modo geral, aparelhou o Estado para roubar. O “sapo barbudo” pode até não ter roubado, mas permitiu que todos roubassem.
            Óbvio que é uma injustiça dizer que só o PT destruiu o país. Isto por que foram “somente” 13 anos dos petistas no poder. Muito antes, o Brasil já estava sendo saqueado pelas elites desde Cabral. Foram 502 anos de roubo e saques incluindo aí a Ditadura Militar entre os anos de 1964 e 1985. Lula e sua turma apenas deram prosseguimento à destruição sistemática das nossas riquezas. Líderes petistas, muitos deles hoje condenados e presos, não se contiveram quando viram a dinheirama que a oitava economia do mundo produzia. Apesar de terem prometido livrar o país da pobreza secular, meteram a mão sem dó nem piedade no patrimônio nacional. Destruíram a Petrobras e aparelharam as instituições para dilapidá-las em seguida. Lula fez muito mal ao país e por isso não deveria ser solto nunca mais. Tem que pagar por todo o mal feito.
            Eu já votei no Lula, no PT e na Dilma, confesso meio envergonhado. Fui, assim como todos aqueles que votaram neles, também enganado. Mas convenhamos: por que só o Lula está preso? E o Paulo Maluf? E o Michel Temer? E o Aécio Neves? E o Fabrício Queiroz? E todos os que erraram com o Brasil? Convenhamos também que a corrupção deve ser combatida sempre dentro da legislação e não de forma igualmente criminosa como fizeram o Moro e o Deltan Dallagnol. O PT não fez nada de bom para o nosso país. Engana-se quem defende o contrário. Claro que no varejo fez uma coisa boa aqui outra acolá. Assim como todos os governos antecessores, também não investiu nada na Educação e muito menos tirou o pobre da miséria: apenas apresentou o infeliz ao consumo. Só isso. Comer, viajar de avião e fazer uma faculdade enganou a todos.
            Já os governos que sucederam o PT também não mostraram ainda a que vieram. Michel Temer foi um desastre incomum. Com quase zero de popularidade e depois do golpe dado na Dilma Rousseff, o emedebista já foi preso por duas vezes, mas logo saiu da cadeia, pois não ameaçava ninguém. O “Mito” é uma vergonha só: ainda não desceu do palanque e sua popularidade cai a cada dia. Desastrado, arrogante, submisso aos EUA, admirador de algumas ditaduras como a de Pinochet no Chile, sem nenhum conhecimento ou leitura de mundo e seguidor de um torturador como o coronel Ustra, o Bozo é só decepção. De Davos ao discurso na ONU, o mundo tem pena de nós e já percebeu o quanto muitos brasileiros estão sofrendo com este governo atemporal e anacrônico. É cada ministro pior do que o outro. Hoje é difícil dizer qual governo foi o pior: se o ladrão e corrupto do Lula e do PT ou o fascista de Bolsonaro. Pobre Brasil!



*É Professor em Porto Velho.

quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Geografia: uma aula inútil



Geografia: uma aula inútil

Professor Nazareno*

            De um modo geral, a população de Rondônia é composta em sua maioria por gente parva, sem leitura de mundo, desinformada e por isso mesmo presa fácil das armadilhas criadas pela mídia televisiva e também pelos políticos. Na semana passada, por exemplo, muitos foram ao êxtase por que uma jornalista local ao apresentar o Jornal Nacional da rede Globo disse que Rondônia não era Roraima. A vibração foi colossal. “Uma aula de Geografia para o Brasil e para o mundo”, gritavam às lágrimas os mais eufóricos. Telões instalados no único Shopping Center da capital e em vários outras localidades deram um aspecto de final de Copa do Mundo. Esse tema é tão importante que vai mudar a sofrida realidade desse povo tolo. Ninguém percebeu que essa “jogada” da Globo foi somente para alavancar sua audiência que cai vertiginosamente a cada dia.
            Além do mais, quase ninguém no Brasil aprendeu esta “aula” nem vai aprender tão cedo. Hoje mesmo, ainda se continua confundindo Rondônia com Roraima não por desconhecimento da Geografia, mas pela pouca ou nenhuma importância que estas duas províncias atrasadas e subdesenvolvidas representam para o país. Rondônia e Roraima são como duas irmãs siamesas que sobrevivem na miséria econômica e social. Fincadas em plena Amazônia, uma faz fronteira com a Venezuela e a outra com a Bolívia. O histórico das duas, no entanto, se parece muito: alguns sulistas gostam de dizer que “colonizaram” estes dois pedaços esquecidos do Brasil. A imigração é uma constante nos dois longínquos territórios que foram recentemente transformados em Estado. Uma sofre por causa da invasão dos venezuelanos, a outra padece com imigrantes bolivianos.
            Roraima tem Romero Jucá, mas Rondônia não fica atrás e também tem os seus “líderes”. Em ambas as unidades da federação existem políticos ladrões e desonestos e geralmente são eles que “dão as cartas”. Em Rondônia vive-se atualmente outra crise. Assim como lá em Roraima. Os dois rincões vivem só de ciclos. Embora Roraima esteja situada no hemisfério norte da terra, o atraso, a corrupção, o subdesenvolvimento e a miséria fazem parte da realidade de sua sofrida e minúscula população. Em Rondônia essa triste realidade não é nada diferente. Os dois povos são devastadores contumazes da natureza. No final do século passado, por exemplo, o mundo ficou assombrado com os incêndios florestais em Roraima. Agora, o medo é em Rondônia com a agressão à Amazônia. Porto Velho sofre com as queimadas e tem hoje quase 10 mil focos de calor.
            Não se sabe quem sofre mais: se um rondoniense quando é confundido com um roraimense ou o contrário. Nunca se viu um paulista ser confundido com um carioca. Duvido que alguém confunda os Estados Unidos com a Europa. Isso porque são lugares desenvolvidos, ricos, civilizados e têm grande importância para o mundo. Rondônia e Roraima são o suprassumo da merda, lugares ermos, periferias do mundo. O PIB de Roraima é 0,2% do PIB brasileiro. Rondônia tem também um PIB inexpressivo: 0,6 do PIB nacional. Já IDH inexiste em ambas as províncias, que deveriam voltar à condição de território federal ou serem devolvidas respectivamente a Nicolás Maduro e a Evo Morales. Se Boa Vista nada tem de bom a oferecer aos seus visitantes, Porto Velho é a capital brasileira dos estupros. Em ambas, saneamento básico e água tratada é um luxo quase inexistente. Então, parabéns à Globo: disse ao Brasil que “essas coisas” existem.

           

*É Professor em Porto Velho.

sábado, 21 de setembro de 2019

Ana Lídia é Roraima!


Ana Lídia é Roraima!

Professor Nazareno*

O mundo pode se acabar hoje. Não estou mais preocupado com nada. Aceito de coração o que vier de agora por diante: Roraima finalmente apareceu em destaque no Jornal Nacional da Rede Globo. E em grande estilo. Por isso, estou muito feliz e radiante. A jornalista Ana Lídia Moura apresentou o maior noticiário do Brasil ao lado de um dos maiores ícones do jornalismo nacional: um rapaz lá do Espírito Santo. Em Porto Velho, capital de Roraima, e em todos os recantes do Estado não se falava em outra coisa neste sábado, 21 de setembro. “O nosso Estado é destaque nacional” gritavam eufóricos os habitantes como que comemorando uma conquista de Copa do Mundo da seleção nacional de futebol. “Vocês viram a competência da consagrada jornalista?”. “Vocês viram como ela se saiu bem?”, falavam todos muito emocionados.
Não há como discordar. Maríndia Lídia Daibes é uma jornalista competente e arrojada. Deu conta do seu recado na bancada do principal jornal televisivo do país e de quebra patrocinou um show à parte com sua aveludada e linda voz. Mostrou caráter, bom profissionalismo, leitura de mundo e muito conhecimento naquilo que faz. Se a partir de hoje, a brilhante jornalista roraimense fosse escalada para apresentar o Jornal Nacional diariamente, ninguém sentiria falta de mais ninguém naquela “bancada de ouro”. Com toda a certeza, Lídia Moura é um exemplo para as novas gerações que se aventurarem nos caminhos da notícia e do jornalismo. Além do mais, a TV Rondônia, afiliada da Rede Globo, é uma emissora de televisão de alto estilo. Já deveria ter ganhado várias comendas na área do jornalismo. Prêmios Pulitzer e Esso, por exemplo.
Maríndia, no entanto, se superou no final do JN: convidou todos os brasileiros a conhecer Roraima. Falou sobre as belezas naturais do Estado, mas se esqueceu de dizer que aos poucos tudo está sendo destruído pela ganância dos mesmos brasileiros que ela convidou. O rio Madeira, por exemplo, foi estuprado por hidrelétricas em seu leito e hoje não é nem a sombra do que fora anos atrás. Em suas águas já não existem mais as madeiras boiando que lhe deram o nome e o preço da energia elétrica que se paga por aqui é o “olho da cara”. Ou seja, doamos a nossa preciosa natureza para os outros em troca de nada. Outra beleza natural, a floresta amazônica, está sendo minuciosamente destruída ano após ano para dar lugar às pastagens. Rondônia é uma potência agropecuária, mas à custa das queimadas e da triste devastação ambiental sem controle.
A competente e bonita jornalista orgulhou a todos nós nascidos aqui, é verdade. Mas ainda acho que ela deveria ter falado para todos os brasileiros sobre a existência de um determinado “açougue” na zona sul da capital e que as autoridades de Roraima preferem fazer suntuosos “palácios de mármore” a construir um hospital decente para os pobres. Ela poderia também ter comentado sobre a sujeira, a carniça, o lixo e a fedentina das ruas da castigada cidade bem como da falta de água tratada e de saneamento básico para os porto-velhenses. Falar sobre a roubalheira e os escândalos na política local nem precisava, pois ninguém lhe teria prestado muita atenção, já que isto é uma mania nacional a que todos já se acostumaram tranquilamente. Além das rotineiras queimadas, de muita fumaça no verão, da falta de cultura, de uma ponte escura e da carne produzida à custa da natureza, Roraima tem talentos de sobra para encantar o país.



*É Professor em Porto Velho.

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Arroche mais, Energisa!


Arroche mais, Energisa!


Professor Nazareno*

            Com um largo sorriso estampado no rosto, eu vejo de camarote agora em Porto Velho e em todo o Estado de Roraima algumas pessoas reclamarem do preço mensal em suas contas de luz. De um modo geral, os rondonienses merecem mais este castigo em suas vidas. Acomodados e entreguistas, a maioria dos cidadãos deste Estado pedia todos os dias a privatização da antiga Ceron. Por burrice, maldade ou estupidez mesmo não ouviam os clamores dos coitados dos sindicalistas e dos funcionários de que esta privatização absurda elevaria sobremaneira os preços das tarifas. Não deu outra: apesar de termos várias hidrelétricas por aqui, pagamos uma das mais altas tarifas de energia elétrica do Brasil. Capitalistas e “bolsomínios” de carteirinha, muitos imbecis e idiotas imploravam não só pela privatização, mas também pela venda total daquela empresa.
            A Energisa nada mais é do que uma singela amostra do Capitalismo em terras karipunas. Para ela, lucros e privilégios. Para os otários dos consumidores “pau no lombo” e tarifas exorbitantes. Além de possuir muitas hidrelétricas, Rondônia é o Estado campeão brasileiro de queimadas. Ninguém no país incendeia mais a Amazônia do que os rondonienses. Não só tocam fogo na mata, como parece que têm uma vocação nata para destruir o meio ambiente. O Estado foi “colonizado” por sulistas e por isso o “fogo” sempre foi um dado cultural por aqui, “cultural e até econômico”, como confirmou recentemente um político. Rondônia é filha direta das queimadas e da devastação, por isso conviver com a fumaça é algo normal. Construir hidrelétricas para beneficiar forâneos é outra coisa corriqueira. Índios querendo energia elétrica é surreal.
            Arroche mais, Energisa! Não tenha piedade de nenhum consumidor. Faça com que todos entendam que Rondônia sempre foi a “latrina do Brasil”, uma “terra de ninguém”. Não ligue para os políticos. “Cão que muito ladra não morde”. Muitos deles são aproveitadores que só querem aparecer agora, já que estamos próximos de eleições. Por que eles não se manifestaram na época da privatização? Por que não impediram a “doação” da concessionária? Onde eles estavam? E por que só agora se dizem “indignados”? Isso lembra o falido Beron e a sua triste sina. Se a ligação for clandestina, corte! Atrasou? SPC nele! Não tem contador na residência? Coloque imediatamente um! Tem “gato” no medidor? Chame a polícia e mande prender o ladrão. Só tem energia elétrica em casa quem pode. Não pode pagar? Que use velas e porongas!
Uma pena que só privatizaram até agora a Ceron. Deviam ter feito isso com tudo o que existe por aqui. Privatizem a ponte escura, o espaço alternativo, os viadutos sem serventia, as ruas esburacadas, os hospitais públicos (o “açougue” e o HB), todas as escolas, o aeroporto, o porto, a UNIR, a cidade e o Estado. Privatizem o rio Madeira e o pouco que ainda resta da floresta amazônica. Para andar pelas ruas de Porto Velho, cada cidadão deveria pagar uma quantia a alguém. Nada de escola gratuita ou hospital que atende sem cobrar. O atual deputado federal e ex-prefeito de Porto Velho, Dr. Mauro Nazif, disse recentemente: “Vá embora de Rondônia, Energisa!”. Concordo com ele. Vá embora, mas, por favor, mande outra concessionária de energia mais radical ainda para ver se esses rondonienses folgados aprendem a valorizar o que é seu. “Quando tudo for privado, seremos privados de tudo”. Quanto será que vale um Estado como Rondônia?




*É Professor em Porto Velho.

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Novos tempos bolsonáricos


Novos tempos bolsonáricos


Professor Nazareno*

            Na semana passada tive que dar uma surra na minha esposa, a Francisca. A mesma dormiu demais e pela manhã não me fez os ovos mexidos como eu exijo todos os dias. Tive que ir à escola sem comer uma das coisas de que mais gosto. Disse-lhe que se isto acontecesse de novo, eu não a perdoaria. Quieta e calada, depois de umas tapas e uns puxões de cabelo, ela me obedeceu e depois me pediu muitas desculpas. A função da mulher é servir ao homem e ponto final. Felizmente, ela entendeu qual o verdadeiro papel da mulher nestes novos tempos em que estamos vivendo. Na escola, só inicio as aulas depois de ler a Bíblia e cantar o hino nacional. Os meninos entram na sala todos em fila depois de eu obrigá-los diariamente a prestar continências a mim ou a qualquer outra autoridade que esteja presente. Deus, a Pátria e os valores morais são ensinados.
            Esse negócio de politicamente correto é coisa já ultrapassada. Direitos humanos não existem mais e os presidiários têm que aprender a respeitar os cidadãos de bem que trabalham. Prisão perpétua e pena de morte serão a partir de agora analisadas juridicamente e poderão fazer parte do nosso Código Penal. A censura não voltará, mas todos os programas de televisão, propagandas, anúncios, músicas e filmes nacionais serão devidamente analisados por uma equipe do governo para se observar se o conteúdo abordado não está ferindo os valores da família e da pátria. O Estado não será mais laico. A religião que prevalecerá em todos os ambientes será a cristã. O ateísmo, por ser uma coisa demoníaca e totalmente anormal, não será mais tolerado. Família será composta agora só por homem e mulher. Nada de família homoafetiva ou outro tipo.
            O Nazismo foi de esquerda, a terra é plana, homem veste azul e mulher veste rosa, Cristo foi visto em cima de uma goiabeira, princípios democráticos não resolvem problemas de país nenhum, os Beatles não sabiam nada de música, todo bandido tem que ser morto pela polícia, Olavo de Carvalho é um intelectual, a NASA não distingue uma fogueira de acampamento de um incêndio qualquer, os dados do IBGE não são confiáveis, ideologia de gênero é coisa do capeta, Pinochet foi um herói chileno, o coronel Brilhante Ustra prestou relevantes serviços ao Brasil, a mídia só pode divulgar o que interessa aos governos de plantão e Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil nunca foram bons cantores. Essas verdades indiscutíveis precisam ser ensinadas às novas gerações. Fake News não podem ser criminalizadas e toda democracia é relativa.
            Respeitar o meio ambiente, só em último caso. Esse negócio de que a Amazônia e o cerrado estão sendo devastados pelas queimadas é lorota que espalham por aí só para prejudicar o governo e macular a imagem do Brasil lá fora. É preciso produzir alimentos cada vez mais. Onde já se viu índios com direitos? Os selvagens só terão terras demarcadas se nelas produzirem alguma coisa como milho, soja, arroz ou outras commodities. Os garimpos devem continuar existindo. De onde se tirou a ideia de que poluem os rios, a mata e a natureza? E como o trabalho dignifica o homem, toda criança deve ser ensinada a “pegar no batente” logo cedo para ir se acostumando. Justiça com as próprias mãos diminuirá a violência e sempre deve ser incentivada pelas autoridades. Mulheres, negros, homossexuais e todas as minorias devem se adaptar aos princípios e às regras da maioria. Assim, o Brasil entrará para o rol das nações civilizadas do mundo.



*É Professor em Porto Velho.