terça-feira, 20 de novembro de 2018

Passarela de churrascos


Passarela de churrascos


Professor Nazareno*


A passarela do novo Espaço Alternativo de Porto Velho, a famosa “montanha- russa do atraso”, está sendo exposta aos maiores críticos de arquitetura das Américas, na XXI Bienal Pan-Americana de Arquitetura de Quito, no Equador. Não entendi ainda o porquê dessa participação, uma vez que a referida construção pouco ou nada representa para os porto-velhenses. Pode até ganhar algum prêmio, mas duvido muito que coisa tão horrenda possa encantar quem realmente entende de arquitetura e de arte. Projeto superfaturado que levou ao xilindró um deputado federal e um ex-prefeito, a geringonça desajeitada só serviu até agora para fazer vergonha aos transeuntes que a usam. Só que de útil mesmo não se vê nada naquele trambolho. É mais um amontoado de ferro cuja única função até agora foi só fazer “fotinhas” para postar nas redes sociais.
Como não havia ninguém interessado ou com coragem suficiente, foi o próprio criador daquilo que fez a inscrição na Bienal do Equador. A rigor, quase ninguém sabe o significado de coisa tão feia. Basta perguntar a qualquer uma das pessoas que diariamente caminham por ali. Todos os dias centenas de cidadãos continuam fazendo suas caminhadas sem perceber a presença do “monumento”. A escuridão já toma conta de algumas áreas daquele espaço e não vai demorar muito para que a violência faça companhia aos atletas de fim de semana. De jacaré a cobras venenosas já foram vistos entre as pessoas. Não sei o que vão avaliar para dar um prêmio àquela coisa imprestável, pois ali não tem internet como prometeram e não existem banheiros, como se fosse algo feito somente para curupiras, seres mitológicos sem o órgão excretor.
Acredita-se que por total ineficiência da fiscalização do próprio município, os camelôs e vendedores ambulantes de comida já invadiram o local com seus fogareiros, botijas de gás, carrinhos de pipoca, picolés, caixas de isopor e outros utensílios. A fumaceira horrível exalando cheiro de carne de quinta é o que mais se vê quando se vai lá. Em vez de apreciar a “obra de arte”, as pessoas ficam sufocadas. Não existe nenhum estacionamento e os carros ficam parados em uma das pistas inviabilizando totalmente o tráfego. E se houver um acidente aéreo de grandes proporções? Tomara que aquilo não ganhe nenhum prêmio, pois assim não incentivaria outras coisas do tipo em Porto Velho. Já chegam os horríveis grafites nos elevados, a Praça dos Horrores, as Três Caixas D’Água, os próprios viadutos íngremes e a inútil ponte escura do rio Madeira.
É de partir o coração saber que gastaram muitos milhões de reais para fazer tal objeto. Antes, o lugar era repleto de árvores frutíferas e o verde abundava. O barulho de um igarapé com águas cristalinas encantava a todos. Fazia gosto caminhar respirando o pouco de ar puro que ainda havia na cidade. Pássaros não faltavam. Hoje aquele recanto de lazer é lúgubre, feio, escuro, cheio de concreto e sem o verde que antes lhe caracterizava. É um troço feito somente para angariar votos dos mais incautos e tolos, tanto que serviu para eleger um senador da república e reeleger o mesmo deputado que antes fora preso por causa da fatídica obra. Os jurados equatorianos deveriam saber de todas essas informações antes de votar. Fato: aqueles arcos infernais e sinistros com a falta de manutenção característica de Rondônia podem cair em cima dos transeuntes algum dia. Assim como o símbolo maior da cidade lá no centro, que até já apodreceu.




*É Professor em Porto Velho.

domingo, 18 de novembro de 2018

Seremos monitorados?


Seremos monitorados?


Professor Nazareno*

            Já deve ser o sinal dos novos tempos. Eu o Professor Nazareno começo a desconfiar de que “forças estranhas e reacionárias” estão querendo monitorar os cidadãos. O “Estimado Líder” ainda nem tomou posse e parece que a “caça às bruxas” já está em vigor. Não sei com que razão e objetivo. Também não sei de onde partem as ordens para espionar jornalistas e professores. Inicialmente pensei que fosse aquela deputada do PSL eleita recentemente em Santa Catarina, Ana Caroline Campagnolo, ou até mesmo o ex-ator pornô Alexandre Frota, eleito deputado federal por São Paulo. Pode ser também algum “amigo” meu, professor de História, que votou no “Mito” e agora se acha no direito de chafurdar a vida alheia. Ou quem sabe até alguém de Porto Velho mesmo, do meio jornalístico, que se alimenta do ódio pelo PT e pelas esquerdas.
            O problema é que apesar do voto no Haddad, não somos da esquerda. Na verdade nunca fomos. E nem da direita, do centro, de baixo, de cima, de fora ou de dentro. Será que é por que nas minhas aulas lá no colégio João Bento da Costa eu ensino alguns meninos a pensar? Reconheço que certa vez eu falei para eles: “a cadela do fascismo está no cio, meninos! Por isso, é preciso deter o avanço desta doutrina em nossa sociedade”.  Pedi-lhes que assistisse ao filme “A onda” de Christian Becker e também lhes disse que era preciso ler de Karl Marx a Antonio Gramsci passando por Machado e por Nietzsche. “Leiam todos os autores”. E de qualquer tendência política ou social. “Isso lhes fará bem e lhes dará muita leitura de mundo”. Mas tenham muito cuidado a partir de agora: a besta do fascismo ri à toa e relincha de alegria e satisfação.
            O “Estimado Líder” não é tão perigoso quanto a maioria de seus seguidores. Ele tem pouca leitura de mundo e só sabe repetir feito papagaio que a esquerda tem que acabar e que o Comunismo deve ser extinto da face da terra. Não entende que num mundo globalizado é preciso abrir mercados em detrimento da questão ideológica. Suas absurdas declarações já têm causado prejuízos gigantescos para o Brasil antes mesmo de ele tomar posse. Sua desastrada fala criou problemas com Cuba, Noruega, países árabes, MERCOSUL e China. Parece até que ele não tem uma boa assessoria para lhe advertir que deve permanecer com a boca fechada. “Só fale o que sabe, senhor presidente!”. E como ele quase nada sabe, o silêncio será a sua melhor política externa. Transferir a embaixada do Brasil de Telavive em Israel para Jerusalém é algo ridículo e esdrúxulo.
            Muitos dos 57 milhões de eleitores do “Mito” veem nele a oportunidade de colocar na ordem do dia em nossa frágil sociedade alguns temas já extintos como repressão, perseguição a “militantes subversivos”, extinção de direitos adquiridos e supremacia do conservadorismo. Tomara que não voltem os DOI-CODI e a tortura a oposicionistas. Os reacionários de plantão não veem também a hora de adotarem a pena de morte, reduzir a maioridade penal para oito ou 10 anos, extinguir totalmente os direitos humanos, romper relações diplomáticas com países considerados de esquerda, censurar toda e qualquer publicação da mídia e controlar a arte, teatro, cinema e sites da internet. A felicidade de muitos desses eleitores está em transformar a escola em um lugar vigiado onde só se podem ensinar os valores da direita. O mundo mudou e quem perdeu o bonde da História corre o risco de repeti-la. “Mas ela só se repete como farsa”.




*É Professor em Porto Velho.

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Programa Menos Médicos


Programa Menos Médicos

Professor Nazareno*

            De forma unilateral, Cuba desiste de continuar no “Programa Mais Médicos” do governo brasileiro. As autoridades cubanas alegam que declarações “depreciativas e ameaçadoras” do futuro presidente Jair Bolsonaro inviabilizam qualquer possibilidade dos médicos cubanos permanecerem no país. A data de retirada de todo o pessoal já está marcada: a partir de 31 de dezembro próximo, os cerca de oito mil e duzentos médicos caribenhos não mais darão atendimentos nos rincões do Brasil. Faltando ainda quase dois meses para assumir o governo brasileiro, o “Mito” tem causado com as suas desastradas falas estragos em todas as áreas em que se mete. Bolsonaro e seus assessores já nos envergonharam com os árabes, com os palestinos, com o Mercosul, com a China, com os Brics, com a Noruega e agora o problema é Cuba e seus médicos.
            Livrando-se dos médicos cubanos e do viés ideológico, Bolsonaro acredita que teria um problema a menos. Engano: com esta decisão de Cuba, os problemas na área social no Brasil se avolumarão de maneira avassaladora. Em breve teremos um “apagão médico”. Pelo menos duas mil e oitocentas cidades brasileiras serão afetadas com a saída dos médicos estrangeiros. Destas, cerca de mil e quinhentas só contavam com esse pessoal de fora. As aldeias indígenas serão as mais afetadas, pois cerca de 75% delas são atendidas pelo programa. Mais de 60 milhões de brasileiros pobres e desassistidos dependem desse atendimento e a partir de agora ficarão à mercê da sorte. Os médicos brasileiros, geralmente filhos de famílias mais abastadas, não querem ir para os rincões do Brasil e não será desta vez que eles vão atender ao apelo do Ministério da Saúde.
            Lugares ermos do país como as periferias das grandes cidades, o sertão do Nordeste e principalmente a Amazônia sempre foram comunidades evitadas pela classe médica do Brasil. Somente os médicos estrangeiros, principalmente os cubanos, é que se aventuravam “nestas brenhas”. E não precisa se discutir de quem é a culpa. O que mais importa no momento é saber quando todos esses médicos cubanos serão substituídos. Bolsonaro tem os hospitais Sírio-Libanês e Albert Einstein para se tratar, como quando levou recentemente uma facada. Lula, Michel Temer, Dilma Rousseff e outras altas autoridades do país têm acesso a médicos bons e eficientes a hora que bem quiserem. Já o pobre pagador de impostos nada tem. Conta somente com a sorte. E quando poderia ter contato com um médico de verdade, essa chance acaba, desaparece.
            Como torcer por um governo que faz “uma bobagem atrás da outra” antes mesmo de assumir o poder? Bolsonaro precisa imediatamente parar de falar asneiras. Precisa entender que o mundo evoluiu e com a globalização, qualquer declaração precisa ser avaliada. Não se governa mais sozinho um país, é preciso compreender as relações complexas que norteiam as nações. Mas o mesmo parece não ter inteligência suficiente para entender isso. Havia um compromisso feito com a Organização Pan-Americana da Saúde entre Brasil e Cuba e o “Mito” com a sua língua comprida ameaçou mudar as regras já estabelecidas. Deixou que a questão ideológica prejudicasse milhões de cidadãos brasileiros. A pergunta que não quer calar: quantas pessoas morrerão por falta de médicos com este fato criado agora? A quem atribuir a culpa desta tragédia anunciada? Isso é só o começo. Pior: outras tragédias podem estar a caminho.





*É Professor em Porto Velho.

domingo, 11 de novembro de 2018

O “Estimado Líder” enrolado


O “Estimado Líder” enrolado


Professor Nazareno*

            Apenas três dias. Isso mesmo: três dias após ter sido eleito com a avassaladora onda de mais de 57 milhões de votos, o senhor Jair Bolsonaro o “Estimado Líder” para a maioria de seus eleitores, já teve de recuar várias vezes na composição do seu futuro ministério. Parece que a “coisa” não é bem como ele e os seus radicais seguidores prometiam durante a campanha eleitoral. Ninguém governa um país complexo como o Brasil “de qualquer maneira e como bem entender”, ou seja, “a cu de cavalo”. Bolsonaro, que não tem uma boa leitura de mundo devido ao seu pouco estudo, vai ter que analisar detalhadamente todas as situações. A princípio achou que poderia normalmente ignorar o “establishment” e ditar as suas vontades. Ledo engano. Não conseguiu sequer fundir meio ambiente com agricultura por pressão da União Europeia.
            A desastrada fusão desses dois ministérios, que daria indiretamente plenos poderes para o desmatamento e para o aumento das agressões ao ecossistema brasileiro, foi prontamente interrompida pelo alerta da bancada ruralista. Com a globalização, o mundo hoje está conectado a tudo. Nada passa despercebido. Com mais desmatamentos para a expansão da agropecuária, os europeus boicotariam de imediato toda e qualquer pretensão do novo presidente. Um grão sequer não seria comprado a mais do Brasil se isso acontecesse. O “Mito” está de mãos atadas. Precisa entender a complexa conjuntura política internacional senão pode colocar o nosso país em maus lençóis lá fora. Erro: muitos eleitores toscos e desinformados votaram no Bolsonaro achando que o mesmo teria plenos poderes para mandar e desmandar no país da forma que bem entendesse.
            Se as eleições fossem hoje, duvido que o “Estimado Líder” tivesse a mesma quantidade de votos. Poderia, por incrível que pareça, já perder as eleições que acabou de ganhar. Já há muita gente insatisfeita com suas escolhas para a futura assessoria. A indicação do “político” Sérgio Moro para o Ministério da Justiça pode ter sido “um tiro no pé” e não uma grande cartada aplaudida pelos anseios populares. Com isso, a Operação Lava Jato praticamente se acaba. Não há um juiz da envergadura do Moro para conduzir os trabalhos em Curitiba. Isso sem falar no fato de que a sua aceitação para ser futuro ministro deu razões de sobra aos petistas: “Moro foi parcial quando prendeu Lula só para eleger o Bolsonaro e por isso já foi devidamente recompensado”.  A sua ida para o ministério coloca o Judiciário a nu e lança suspeitas sobre a Lava Jato.
Sérgio Moro agiu bem diferente do advogado Sobral Pinto, por exemplo, que na década de 1950 criou a Liga de Defesa da Legalidade para apoiar a candidatura de Juscelino Kubistchek à Presidência, mas recusou o convite do novo presidente para ser seu ministro. Sérgio Moro deixa a Lava Jato “órfã de pai e mãe” por causa da ambição de ser futuro ministro do Supremo Tribunal Federal a partir de 2020 na vaga de Celso de Mello. Se não for indicado por Bolsonaro, ainda assim o magistrado paranaense, que é muito popular, pode concorrer à Presidência em 2022. Se ainda vão prender corruptos em Curitiba é algo que “temos de pagar para ver”. Bolsonaro já ameaçou um jornal e muitos de seus seguidores não veem a hora de começar a abater “pretos e pobres” que portarem fuzis. Ele já criticou o Enem e incentiva perseguição a professores. Até árabes, chineses, Brics e Mercosul já estão “putos”. Se não mudar, o “Mito” estará encrencado.




*É Professor em Porto Velho.



quinta-feira, 8 de novembro de 2018

A Praça dos Horrores


A Praça dos Horrores


Professor Nazareno*
           
            
             Porto Velho, a fedorenta e suja capital de Roraima, sempre foi uma cidade podre, desorganizada e feia. Muito feia mesmo. É um lugar inóspito e difícil de viver. Nada tem de atrativo, nem sequer um prédio ou mesmo algo natural que lhe dê um visual “mais ou menos”. Quase não tem praças, não tem recantos de lazer, não tem áreas verdes e apesar de estar no meio da maior floresta tropical do planeta, também não tem árvores. Pontilhada de lixo e sujeiras por todos os lados, a “velha prostituta abandonada” tem sido nesses poucos mais de cem anos de existência, um laboratório para as pessoas de fora que sempre lhe administraram. Desta vez, a atual administração da cidade, aquela que disse que beijaria, acariciaria e amaria sem tréguas a “currutela fedida”, tentou fazer o que chama de praça, porém a tentativa fracassou mais uma vez.
            O insólito lugar escolhido para a presepada foi a confluência das ruas Amazonas com Nações Unidas no bairro Nossa Senhora das Graças. Uma espécie de “Praça dos Seringueiros” ou apenas uma homenagem aos seringueiros da região deveria ser construída naquela localidade. Só que o tiro saiu pela culatra. Colocaram estranhamente ali um boneco muito mal feito, todo desengonçado, em cima de um tosco pedestal, com o corpo maior do que as pernas, portando uma poronga na cabeça e ao lado de um “calango” medonho. Quando vi aquela sinistra coisa, pensei que se tratava da estátua do Jeca Tatu em homenagem aos matutos de Porto Velho. Aquilo não é uma obra de arte de jeito nenhum. É um trambolho feio e repugnante, só que combina com a feiura da maioria dos habitantes da “capital da fedentina”. Parece um triste espantalho de roçado.
            Só espero que não se tenha usado dinheiro público para bancar aquela horrenda coisa. A “praça” não tem uma só muda de seringueira para dar mais ênfase ao lúgubre “monumento”. Alguns bancos feios, tortos e sem graça tentam inutilmente dar melhor aparência ao lugar. O triste boneco com aspecto de “papangu” segura um tronco de pau seco e está lá a assombrar crianças indefesas e pessoas desavisadas. Coisas de Porto Velho e de Rondônia mesmo. Já não bastam as horrorosas pinturas que fizeram nos feios, sujos e desajeitados viadutos? Embora muitos chamem aqueles tristes grafites de arte, em nada melhorou a “fisionomia de catacumba” daqueles elevados, que para nada servem até hoje. Tenho medo de ir à noite ver aquela coisa funesta e apavorante, pois acho que também está escura feito breu, como os viadutos e a ponte do rio Madeira.
            A capital dos “destemidos pioneiros” não tem jeito mesmo. É uma cidade feia, nojenta e desarrumada que terá de conviver eternamente com esta sina de carniça e podridão. Vão agora gastar mais alguns milhões para embelezar a “Praça da Bosta” lá na Estrada de Ferro como se fosse possível transformar feiura em beleza de uma hora para outra. Como a “Praça do Papangu”, em pouco tempo estará também cheia de lixo, garrafas pet, merda e toda a sorte de sujeira jogada pelo chão. Com a eleição de mais um Coronel para governar o Estado, espera-se que o novo governador pelo menos olhe um pouco para a cidade onde mora com a sua família e lhe dê uma feição de capital. Pagar impostos caríssimos para ver jogarem fora, como sempre se fez em Porto Velho, nos dá uma tristeza sem tamanho. Que alegria há de se morar num lugar considerado como o pior do Brasil em saneamento básico e água tratada? E agora com o Jeca Tatu.




*É Professor em Porto Velho.

terça-feira, 6 de novembro de 2018

Escolas COM e SEM partido


"Escolas sem sentido"


Professor Nazareno*

Ainda faltam quase dois meses para o “Estimado Líder” tomar posse na Presidência do Brasil e os seus “lambe-ovo” estão excitados para ver as muitas mudanças que ele prometeu durante a campanha eleitoral. Uma dessas é a “escola sem partido”. Acreditam que o problema das nossas escolas é o ideológico. O Brasil figura entre as dez maiores potências econômicas do mundo há mais de 50 anos e tem um dos piores sistemas de educação dentre os países desenvolvidos e em desenvolvimento. Não foi o PT sozinho ou qualquer outro partido ou governo que destruiu o nosso falido sistema educacional. Foram todos eles juntos. Desde a chegada de Cabral que nunca se investiu em educação de qualidade por aqui. Esse privilégio é só para poucos. Para os pobres, somente escolas velhas e podres que quase nunca ensinaram nada a ninguém.
Agora com a eleição de um candidato da extrema-direita no país, volta ao debate a função do professor e das escolas. Pura sacanagem. Só hipocrisia mesmo. Quase ninguém neste país se interessou pelo ensino e pelas escolas. Não se destrói o que sempre esteve destruído. Além do mais, a escola tem que ser a última trincheira do saber. E o projeto “escola sem partido” é um retrocesso dos mais notáveis uma vez que querem limitar ainda mais a função dos professores e das próprias escolas. Querem trocar uma ideologia por outra. Coisa de otários, de imbecis mesmo. Não tem nenhum problema se a escola tem orientação marxista ou de qualquer outra tendência político- ideológica.  A escola tem que ser a última trincheira do conhecimento. Um lugar em que se discute de MERDA a FOGUETE. E é um lugar muito bom de se fazer política, sim.
           Marx, Nietzsche, Gramsci, Drummond, Rui Barbosa, Jesus Cristo, Sócrates, Platão, Aristóteles, Pablo Vittar, Lula e Bolsonaro. É um lugar para se debater tudo. Todas as tendências sociais, políticas, econômicas e religiosas. Da direita, da esquerda, do centro, de cima, de baixo, de dentro e de fora. Se não se puder discutir política na escola, isso já é em si uma discussão política e uma posição ideológica: a neutralidade. Política se faz em todos os lugares, principalmente nas escolas. O professor é um ser político por excelência. Quem não concordar com ele e com as suas ideias, que traga os seus argumentos para o debate. Assim todos terão acesso ao contraditório e todos aprenderão. Não se deve ter medo de debater nada. Atenção professores reacionários e defensores da “escola sem partido”: não reduzam ainda mais a importância da escola.
Os senhores sabem muito bem que o único lugar onde não se podia debater política era nos porões do DOI-CODI e durante os interrogatórios antes de se começar uma sessão de torturas durante a ditadura militar. Toda escola tem que ser multifacetada e plural na sua ideologia. Nada de se militarizar escolas já existentes. Que se criem mais escolas militares com esse objetivo. Uma vergonha que a discussão não seja outra: a transformação de todas as escolas deste país em “escolas de tempo integral” como é nos países desenvolvidos do mundo civilizado. O Brasil precisa melhor o seu ensino para chegar pelo menos ao seu primeiro Prêmio Nobel. Escolas de excelência para todos: pobres e ricos. Com isso, não haveria necessidade de cotas e certamente os serviços públicos melhorariam juntamente com toda a sociedade. Mas em vez disso, preferem ficar discutindo tolices. Escolas com e sem partido. E o aluno escolhe uma. Ou as duas.




*É Professor em Porto Velho.

sábado, 3 de novembro de 2018

E agora, Coronel?


E agora, Coronel?


Professor Nazareno*

          
          Eleito com mais de 530 mil votos, a maior votação da História de Rondônia, o Coronel Marcos Rocha, candidato do pequeno PSL, partido do também eleito Capitão Jair Bolsonaro, tem tudo para entrar definitivamente na História deste jovem Estado. Ou então de ser um fracasso dos mais retumbantes. Na recente eleição desse desconhecido militar, acredita-se que o mesmo tenha desbancado as velhas oligarquias rondonianas e de ter aberto o caminho para instaurar um governo moderno com participação popular e com muito progresso e desenvolvimento. Esse Coronel, se quiser, poderá superar o outro, o “Deus de Rondônia”, considerado pelos rondonienses como o “maior administrador de todos os tempos em terras karipunas, o gaúcho Jorge Teixeira”. Os tempos são outros, mas condições não faltam para o Coronel de agora. Basta querer.
          Para começo de conversa, meu jovem Coronel, não tente administrar este Estado usando um simples blog como foi feito durante os últimos oitos anos. Respeite o povo daqui! Não use redes sociais para administrá-lo, por mais indolente, entreguista e despolitizado que ele seja. Não repita os velhos vícios da classe política local. Seja o novo, Coronel! Escolha a dedo os seus assessores sem repetir a prática das velhas raposas. Ataque com tenacidade os antigos problemas que sempre nos afligiram e que todos nós já conhecemos há muito tempo. O hospital João Paulo Segundo, por exemplo, tem que ser implodido. O “velho açougue” é uma vergonha para os filhos daqui e para os que aqui vivem. O senhor sabe isso. Como ficará a questão das queimadas sufocantes todo verão e o problema do saneamento básico e de água tratada em nossa capital?
          Não se aventure em conchavos políticos. Eles sempre foram danosos à população. Dê a Rondônia toda a importância que ela nunca teve em nível de Brasil, embora tenhamos menos de um por cento de sua população e sermos uma negação em termos de PIB e de IDH. Porto Velho é uma capital de Estado e não pode continuar sendo a eterna “capital da fedentina”. Invista em saneamento básico sem dó em piedade não só aqui, mas em todas as cidades do interior também. Somos o pior dos Estados da federação em limpeza e também em esgotos sanitários. Vá ou mande seus assessores a Curitiba ou à Serra Gaúcha para ver como eles cuidam de suas cidades. Não se envergonhe nem deixe que eu também fique constrangido quando os nossos parentes vierem nos visitar. Limpe a sujeira e ame esta capital como se ela fosse sua cidade natal.
            Todos sabem que não votei no senhor. Não votei nem jamais votaria. Não concordo com muitas coisas ditas pelo seu “chefe” maior, o Capitão que governará o Brasil. E como o senhor é um fiel seguidor dele... Mas torço para que o seu governo dê certo e seja um dos melhores já vistos por aqui. Pediria até voto para a sua reeleição se isso acontecesse. Não se esqueça: fumaça das queimadas, “açougue” João Paulo Segundo e saneamento básico. Resolvidos estes três problemas, o senhor entrará para a História deste Estado para sempre. Educação com turno integral, mobilidade urbana, fornecedores, conchavos políticos, estradas vicinais, duplicação da BR-364, Hidrovia do Madeira, escoamento da produção, publicidade oficial, dívida do Beron, proteção à natureza, relacionamento com a Assembleia Legislativa são coisas mais “simples” de serem resolvidas. Se não fizer nada disso, melhor nem ter sido eleito. Boa sorte, então!




*É Professor em Porto Velho.

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

O “Coiso” é meu presidente


O “Coiso” é meu presidente


Professor Nazareno*

            Jair Messias Bolsonaro é eleito presidente do Brasil com mais de 57 milhões de votos (27% dos brasileiros). Governará a 8ª economia do mundo e será a partir de janeiro o representante maior dos 210 milhões de habitantes. Nas urnas, derrotou com certa facilidade o “poste” Fernando Haddad do PT. O “Mito” recebeu voto de homossexuais, de quilombolas, de travestis, de professores, de muitas mulheres e de várias outras minorias. Recebeu também o apoio incondicional de alguns fascistas, esquerdistas, direitistas, religiosos (principalmente evangélicos), nordestinos e por isso se caracteriza como o mais novo fenômeno eleitoral do mundo. Apesar de estar há trinta anos fazendo política, é nos padrões do Brasil, aclamado como o “novo”. Assim como o foram também Jânio Quadros, Fernando Collor e até Adolf Hitler na Alemanha Nazista.
            Integrante da velha ordem política, o novo presidente entendeu muito bem o que teria que defender e falar para se eleger presidente. Soube como ninguém o que dizer para captar o voto dos desesperados. Suas frases de efeito e sua retórica de cachorro louco encantaram multidões desesperadas e já cansadas com a política tradicional feita no país. Grande parte de seus eleitores quiseram dar um basta à violência desenfreada na sociedade. Acham que deram um não à corrupção sem freios na política e nos negócios públicos. Entenderam que esse “Messias” era a única e última tábua de salvação a que tinham de se agarrar. Mas todos podem estar todos enganados. O “Mito” com sua fala agressiva atropela todas as políticas de bom senso seguidas num mundo cada vez mais preocupado com a democracia, as minorias e os direitos humanos.
            Ao contrário do que muitos acham, Bolsonaro não acredita no que diz. Isto ficou claro quando ele foi esfaqueado. Só faltou perdoar o seu agressor. Disse que nunca tinha feito mal a ninguém para merecer aquilo, ignorando que suas atitudes para conseguir o voto dos mais incautos sempre estiveram recheadas de ódio e de incitação à violência. Mas já está mudando e se desculpando. Tomara que não seja mais uma farsa. O Brasil não aguentaria tanta dissimulação. O fato é que Hitler não salvou a Alemanha, Donald Trump não redimiu os EUA, Rodrigo Duterte não moralizou as Filipinas, Jânio Quadros não varreu a corrupção e nem Collor caçou um só marajá. Por que um obscuro político da extrema direita e oriundo da caserna conseguirá colocar ordem num “cabaré sem a madame” como é o Brasil?  Ainda assim, torcerei para que ele faça um bom governo.
             O êxito do “Coiso” à frente dos destinos do Brasil será o triunfo de todos os brasileiros. Dos mais humildes e despolitizados aos mais fascistas e retrógrados. Do mais pobre ao mais endinheirado. Não votei nele nem votaria. Mas quero que ele seja íntegro em seu governo, tenha vida longa para nos administrar corretamente e tenha tempo para compreender que suas ideias estão equivocadas e que precisam mudar. Serei oposição a ele enquanto o mesmo assim pensar. Com meus textos, aplaudirei se acertar e o criticarei quando falhar. Porém, ele tem uma árdua tarefa pela frente: apaziguar um país envenenado pela raiva e pelo ódio semeado desnecessariamente antes e durante sua campanha eleitoral. Jair Bolsonaro só ganhou por causa da roubalheira e da corrupção do PT, do PSDB, do PDT, do MDB. O povo quer o fim da velha maneira de se fazer política aqui. E se ele é o “novo” não aceitará o apoio de quem perdeu. Vai conseguir?





*É Professor em Porto Velho.

domingo, 28 de outubro de 2018

Coitado do Coronel


Coitado do Coronel


Professor Nazareno*

            Marcos José Rocha dos Santos ou apenas Coronel Marcos Rocha, carioca de nascimento, é o mais novo governador de Rondônia. Eleito no segundo turno com 530.188 votos, ele tem agora nas mãos um dos piores abacaxis de sua vida. Político de início de carreira como gosta de se autodenominar, o Coronel terá pela frente uma das mais espinhosas tarefas com que um cidadão poderia sonhar. O longínquo, atrasado, incivilizado e inóspito Estado de Rondônia é tão importante na realidade do Brasil que muitos o confundem naturalmente com Roraima e vice-versa. Com menos de um por cento da população do país, sem nenhum IDH e com um PIB desprezível, esta tosca unidade da federação deveria ser entregue aos bolivianos ou então devolvida ao Amazonas e ao Mato Grosso se quisesse ter melhores dias para a sua sofrida população.
            Alegre, eufórico e muito feliz pelo que considera uma façanha, o Coronel parece ignorar a desgraça que lhe espera pela frente. O “rabo de foguete” em que se meteu poderá fazê-lo se arrepender amargamente. Rondônia é um lugar esquecido, cuja população é composta em sua maioria por funcionários públicos acomodados, velhos e pouco produtivos. Bem diferente dos princípios defendidos pelo PSL e pelo Bolsonaro, a sua eminência parda. Não fosse a ajuda paternalista de Brasília, Rondônia já teria encontrado o seu ocaso há tempos. O lugar é uma desgraça só. A capital é a pior em IDH e saneamento básico dentre as maiores cidades do país. O mesmo acontece na maioria dos municípios do Estado. Todas são cidades sujas, feias, mal administradas, sem água tratada e sem esgoto sanitário. Resumindo tudo: o animado Coronel se lascou.
            O que o Estado arrecada “mal dá para pagar os que arrecadam”. A eterna dívida do Beron com o governo federal asfixia qualquer orçamento. As hidrelétricas até produzem energia, mas para abastecer os de fora. Se seguir a Lei de Responsabilidade Fiscal ele não investirá nada em obras e benfeitorias. Ainda assim, prometeu “governar melhor para todos”. Vamos esperar pela duplicação da BR-364, já que ninguém em sã consciência vai querer comprar aquilo. Porto Velho, a antessala do inferno, precisa de investimentos para ontem. Uma nova rodoviária, um porto decente, saneamento básico, internacionalização do acanhado aeroporto e mobilidade urbana. Isso só para começar. O novo governador precisa substituir urgentemente o “açougue” João Paulo II, já que nem Raupp, nem Cassol e nem Confúcio fizeram tal proeza. Caos: ainda tem a fumaça.
            É para termos muita pena desse Coronel na sua tentativa de governar este fim de mundo, esta morada do Satanás, este elo perdido da existência humana. Mas como ele é de fora pode até ter algum apoio local. E como o rondoniense é muito indolente, o mesmo poderia pedir conselhos aos ex-governadores Ivo Cassol, o do Império da Roça, e mesmo ao blogueiro Confúcio Moura, da República Familiar de Ariquemes. Só que como eles nada fizeram por Rondônia, nada eles têm para aconselhar ao novo governo. Não votei nele nem no Expedito Júnior: é que eu só voto no menos ruim e eles são péssimos. Se os rondonienses elegeram um sujeito desconhecido, alheio à política, acusado de não ter experiência e de não decidir nada, como se alegrar com sua inusitada vitória? E como Deus não quer saber da “latrina do Brasil”, espera-se que pelo menos o Diabo tenha piedade de nós. Não seria melhor começarmos já a aprender o castelhano?




*É Professor em Porto Velho.

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

“Todos estão cegos”


“Todos estão cegos”


Professor Nazareno*


Eu, o famigerado professor Nazareno, sempre fui acusado injustamente de falar mal de Porto Velho e de Rondônia. Quando escrevo meus textos, sempre baseados nas verdades da realidade obscura que observo, vem uma enxurrada de críticas, insultos e ameaças pessoais. A despeito disso, Porto Velho, a insólita capital dos rondonienses continua uma cidade quase inabitável. A sujeira ainda é comum nas suas ruas e avenidas e a triste capital continua inabitável, suja, fedida e inóspita. Talvez por isso várias personalidades de reconhecimento nacional, acostumadas a uma vida bem melhor, também dispararam suas baterias contra essa situação vergonhosa em Porto Velho e em algumas cidades do interior. A prestigiada jornalista Eliane Brum da revista Época denunciou a total falta de estrutura da cidade quando veio aqui fazer uma reportagem.
O humorista Rafinha Bastos disse em uma de suas incontáveis piadas que o povo de Rondônia é muito feio, como se houvesse parâmetro para se medir tal afirmação. Tanto a jornalista quanto o humorista foram execrados publicamente. A indignação foi geral. Depois, foi a vez da atriz e apresentadora global Angélica dizer à revista Veja que “Ariquemes ficava no fim do mundo à esquerda”. Diante das repercussões de sua fala, ela teve que pedir desculpas nas redes sociais. Fala-se também que o ator Fábio Assunção, na época da gravação de Mad Maria, não teria dado boas informações sobre Rondônia e a sua qualidade de vida. Mais recentemente foi a cantora Anitta, que teria se apresentado em Cacoal e, segundo a opinião de pessoas ali presentes, a mesma demonstrou não ter gostado muito da cidade, ou seja, “parece que não queria estar ali”.
Agora foi Eduardo Bolsonaro, filho do candidato à presidência da República Jair Bolsonaro. O deputado federal durante um palestra teria “detonado” a simpática cidade de Guajará-Mirim. No vídeo, que circula nas redes sociais, ele pergunta: existe algum lugar no mundo pior do que Guajará-Mirim? Perguntou isso por que talvez não conheça Porto velho com as suas carniças. Mas ao contrário das outras vezes, não foi censurado. As pessoas riram e até concordaram com ele. Filhos da cidade e eleitores de seu pai acharam muita graça e até elogiaram o mesmo. “Ele está certo”, a cidade é assim mesmo. “Ele falou somente da cidade e não das pessoas”, disse outro. O sujeito desmoralizou o lugar e foi aplaudido. As pessoas estão cegas pelo “Mito”. Com essa fala preconceituosa, Bolsonaro agora deverá dobrar em Guajará-Mirim a sua votação.
Toda vez que há uma declaração afrontosa ou alguém de sua equipe faz uma tolice qualquer, Bolsonaro sobe nas pesquisas. Só que ninguém percebe que “a cadela do Fascismo está no cio”. Todos estão apaixonados e inebriados pelo “Mito”. Ninguém vê outro político a não ser Jair Bolsonaro e os seus filhos. Parece que no momento os brasileiros estão todos pensando em uma pessoa só. O “Estimado Líder” é a obsessão nacional. Se ele disser, por exemplo, que não vem a Porto Velho por que a cidade é feia, quente, mal administrada e catinguenta, será aclamado como herói. Todos os seus admiradores dirão que é verdade e que ele “estava apenas mostrando a realidade”. Sua votação dobrará, com certeza. Se ganhar as eleições no domingo talvez ele não implante uma ditadura ou um regime de terror no Brasil. Mas não fará isso se não quiser, pois o apoio tem de sobra. De qualquer forma, obrigado, Eduardo Bolsonaro! Eu estou certo.





*É Professor em Porto Velho.