domingo, 18 de fevereiro de 2018

Um apelo à Luciana Oliveira



Um apelo à Luciana Oliveira


Professor Nazareno*


Com muita tristeza tenho acompanhado pelas redes sociais que a jornalista, ativista social e blogueira de Porto Velho, Luciana Oliveira da Silva, seria candidata a Deputada Estadual por Rondônia. Nada mais me abateu do que esta fatídica e triste notícia, que espero, seja falsa e que a amiga não caia nesta armadilha neste exato momento em que Porto Velho, Rondônia e o Brasil precisam muito de pessoas como ela. O seu trabalho crítico é de extrema importância. Com o recente advento das redes sociais não seria o premeditado fim da Luciana como pessoa crítica, como alguém que propaga a dialética e que abre os olhos da população explorada? Temo que decisões mais poderosas já tenham encontrado um meio “legal” de calhar-lhe a voz e de colocá-la na mesma esparrela que sempre ditou as grotescas decisões da nossa sociedade.
Luciana, assim como qualquer outro brasileiro que goze dos seus plenos direitos e deveres políticos tem todo o direito de ser candidata a qualquer cargo eletivo. Porém, o momento talvez não seja agora. Ela pode até dizer que na Assembleia Legislativa ou em qualquer outro pedestal ou janela sua voz ganhará mais força, mais altivez. Acho que não. Ela só poderá concorrer a qualquer cargo eletivo se for filiada a um partido político, se já não for (tremo na alma só de pensar nisto). Se eleita, perderíamos uma das melhores ativistas políticas dos últimos tempos. E na primeira crítica ou autocrítica mais dura à atuação de seus pares seria sem dó expulsa e até poderia perder o mandato. O trabalho dela hoje nas redes sociais é importante para todos nós enquanto sociedade esquecida e explorada pelo poder. E ela nunca correu risco de perder cargo nenhum.
O vídeo que ela produziu para a campanha fascista da Rede Globo, por exemplo, já atingiu quase três vezes o tamanho da população de Rondônia. Como deputada será que “Sua Excelência” poderia se arriscar com uma publicação destas? Acho que não. Mas sendo a ativista crítica que “desce o cacete” no erro e na estrutura de poder vigente não tem problemas. Acho que ela vai servir a este mesmo poder e talvez com ele compartilhar ou até mesmo compactuar. Alex Palitot, o atuante vereador, perdeu muito do seu encanto como um dos melhores professores de História da região para servir ao mesmo partido dos Capixabas, por exemplo. Hoje ele é sabotado na Câmara de Vereadores e seu trabalho não tem sido fácil. Dizem até que o “caçador de corruptos” mais competente da História de Rondônia será candidato a governador. Uma tristeza.
Eu não faria isto, Luciana! O momento talvez não seja agora. Primeiro tentamos mudar a tradicional estrutura podre e depois entramos. Eu há quase 40 anos ainda resisto às investidas de quem quer me fazer mudar de pensamento por que se incomoda com o meu pensamento. Nunca permitirei que me chamem de excelência, apenas de senhor já me basta. Não entre nessa, amiga! Se eleita você morre como ativista política e blogueira além de ser obrigada talvez a defender canalhas. Se perder, terá um fim mais melancólico ainda. Só na possibilidade de ser candidata a um cargo na política, ela parece que já está se alinhando aos discursos corriqueiros dos políticos tradicionais: “se aceitar ser candidata, vou perseguir a lealdade com pessoas que me enxergam como o senhor, professor. Não serei uma nova cara na política, mas uma forma diferente de atuar na política”, disse. Dessa vez não acreditei na Luciana Oliveira: uma nova cara?




*É Professor em Porto Velho.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Intervenção em Porto Velho, já!



Intervenção em Porto Velho, já!


Professor Nazareno*

            O Rio de Janeiro é um lugar de muita sorte. Está sob intervenção das tropas federais a partir de agora. Pelo menos a área da segurança pública estadual está sob as ordens militares. Por causa disso, o governo golpista de Michel Temer não poderá, por enquanto, dar andamento às reformas ultrajantes que planejou para liquidar com os direitos dos trabalhadores brasileiros. A violência, segundo diz a mídia golpista, está fora de controle naquele Estado e por isso a necessidade dessa medida extrema. Se fosse por isso, todas as unidades da federação deveriam também ficar sob o controle do governo central. Porém, quem deveria estar mesmo sob intervenção seria a cidade de Porto Velho. Aqui o caos existe desde muito tempo. E não é só na área da segurança pública. Em todos os setores existem desgraças visíveis e total falta de governabilidade.
            O cidadão porto-velhense há mais de três décadas se quiser ver o fundo do poço tem que olhar para cima. E não pensem que os meus textos são repetitivos como erroneamente já falaram as trombetas das boas novas. Repetitiva é a caótica situação em que sempre se encontrou esta cidade. Como escrever algo novo diante de tanta desgraça que se observa no dia a dia? A violência por aqui sempre foi rotina. Não há final de semana em que não se registre bestialidade de todo tipo. A cidade é um verdadeiro Big Brother: quase toda semana cidadãos são eliminados. A zona leste, por exemplo, não se parece com as favelas da “Cidade Maravilhosa”? Na verdade Porto Velho é uma grande favela com quase 500 mil habitantes que desafia as mais elementares regras de civilidade. Devia ter sofrido intervenção desde o garimpo e as chacinas no Urso Branco.
            Além do mais, para a alegria de muita gente, o atual prefeito deveria ter sido defenestrado por Brasília desde que trabalhou apenas seis meses em 2017 e se mandou para o Primeiro Mundo. Coisa absurda que nem o Marcelo Crivella, prefeito do Rio, fez em tempo tão recorde. Hildon Chaves merecia também perder o cargo quando contratou sem concurso público um batalhão de funcionários comissionados de fazer inveja a qualquer mandatário. Porto Velho apresenta tantos problemas para uma cidade de porte médio que deveria viver sob intervenção e ser administrada de fora o tempo todo. Nos dias que chove, a cidade vira uma alagação só. A água podre invade residências e desaloja os pagadores de IPTU. E as autoridades inertes ainda vão às redes sociais dizer o óbvio: que sempre existiu aguaceiro por aqui e que a culpa é do prefeito anterior.
            Não só Porto Velho, mas o Estado de Rondônia como um todo deveria sofrer intervenção federal. A simples existência do “açougue” João Paulo Segundo já seria uma boa desculpa para o Planlato mandar alguém administrar a saúde pública deste Estado. Aquele “campo de extermínio de pobres” é uma violação constante aos direitos humanos e ninguém faz nada. O caos sempre esteve presente em quase todas as áreas na administração de Rondônia e de sua desorganizada e inabitável capital, mas por que só o Rio de Janeiro teve este privilégio de ser administrado por outras forças? A recente construção dos novos “terminais” de ônibus urbanos pela prefeitura de Porto Velho, por exemplo, já justificaria qualquer tipo de intercessão política. Isso sem falar nas toneladas de lixo que uma famosa banda de carnaval produziu e que muita gente aplaudiu como sendo normal. Se tivéssemos os tiroteios do Rio, Brasília nos olharia?




*É Professor em Porto Velho.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Carnaval: lixo e alienação



Carnaval: lixo e alienação


Professor Nazareno*


Se levarmos ao pé da letra, o Carnaval de Porto Velho simplesmente não existe. E não é por se tratar apenas de uma imitação muito mal feita dos carnavais de verdade lá de fora. Muita gente diz que a Banda do Vai Quem Quer é a expressão máxima da folia local. Ora, em primeiro lugar banda é uma reunião de músicos formada com o intuito de tocar arranjos musicais. Coisa que a “Banda do Manelão” não faz nem nunca fez, pois ali quase ninguém entende de música. Pelo menos a verdadeira música. Depois, a fuzarca com a mundiça se reúne no sábado à tarde quando oficialmente ainda nem começaram as folias de Momo. Carnaval se brinca no domingo, na segunda e na terça-feira. Porém, todos naquele ambiente promíscuo e violento fazem de conta que estão brincando o verdadeiro Carnaval e contribuindo com a cultura da terra de Rondon.
Onde está escrito que cultura é beber cachaça ruim, distribuir preservativos, usar fantasias ridículas e pular feito doido no meio da rua? Fechar o comércio, urinar em frente às residências, arranjar confusão e produzir toneladas de lixo também não são coisas republicanas que possam ser confundidas com cultura muito menos com entretenimento. Porto Velho não tem cultura esta é a verdade. Aqui, sem nenhum sucesso se tentam copiar todas as manifestações, culturais ou não, que acontecem em lugares mais civilizados. Do Boi de Parintins ao São João de Campina Grande, o que se observa é uma tentativa vã e inútil de mostrar que o “Estado Karipuna” é um caldeirão fervilhante de culturas. Uma das únicas coisas que a tal banda produziu, por exemplo, foram toneladas de lixo e imundícies nas ruas por onde a orgia pateticamente desfilou.
Nem Porto Velho nem Rondônia têm nada a ensinar a ninguém em termos de cultura nem de outra atividade qualquer. Durante o Natal e o Ano Novo muitas pessoas que podem saem daqui para gastar seu dinheiro em outras terras. No Carnaval é a mesma coisa. Perder tempo para ver imitação grotesca de folia mal feita decididamente não é programa para ninguém de bom senso. Pior: dizem que mais outra vez o desfile das “escolas de samba” da capital foi adiado. Já não chega de tanta bizarrice e empulhação com os pobres moradores daqui? Isso sem falar num tal de Arraial Flor do Maracujá que deve ser realizado lá pelos meados do ano. Com Copa do Mundo e outras festas bisonhas e terríveis, o cardápio do porto-velhense estará farto em 2018. Às vezes questiono: o que foi que fizemos de tão ruim para merecer tantas desgraças o ano todo?
Decididamente viver em Porto Velho, a eterna capital de Roraima, não é fácil. A desgraça que é a cidade impossibilita qualquer ser humano viver decentemente. Nada por aqui dá tranquilidade aos seus infortunados moradores. Sem porto, sem água tratada, sem esgotos, sem nada. Agora mesmo, para se ter uma ideia, é lama em abundância e alagações na ruas. No verão, a poeira sufocante nos aguarda. Ruas intrafegáveis, lama podre e sujeira por toda parte é a rotina maldita que se vê no dia a dia. Se o Carnaval aqui fosse bem organizado até que abrandava um pouco nosso sofrimento. As autoridades nunca se importaram com o povo daqui, que lhes adora e todo ano de eleição vota nos mesmos candidatos. Mas todos parecem felizes. São como hiena, que come carne podre e não para de rir e muitos ainda dizem estar satisfeitos. Carnaval, Copa do Mundo e depois eleições para eleger os mesmos. Folia de alienação!




*É Professor em Porto Velho.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

A Banda e o Milagre



A Banda e o Milagre


Professor Nazareno*


Lula é inocente e não será preso, mesmo já tendo sido condenado em segunda instância. Aécio Neves é um bom mocinho e jamais se envolveu em escândalos nacionais. Toda a cúpula do PSDB e de outros partidos políticos está empenhadíssima em trabalhar pelo bem dos mais necessitados. Os juízes que têm residência fixa onde trabalham vão devolver cada centavo do auxílio-moradia. Ex-governadores devolverão também seus salários ao Erário. Nenhum servidor público do Brasil receberá acima do teto e todos serão concursados. Nada de funcionário comissionado. Médicos, juízes, desembargadores, políticos, jornalistas e professores receberão quase a mesma remuneração e todos, dentro de suas especificações, terão o mesmo reconhecimento. A mídia será totalmente imparcial e só noticiará o que for verdade. Nada de golpismo.
LGBT, gays, travestis e os outros setores sociais terão aceitação sem nenhum problema. Livros não mais serão proibidos e as Igrejas receberão todo tipo de fiel independentemente de sua orientação sexual. Pabllo Vittar será indicado ao Grammy Awards dos EUA. Um filme do Brasil finalmente concorrerá ao Oscar com reais chances de ganhar a estatueta. A tola e estéril disputa entre “coxinhas e petralhas”, ou seja, a briga Direita X Esquerda não mais existirá. Todos agora estarão empenhados em lutar pela extinção da desigualdade social. O Brasil de agora em diante não terá mais tantos problemas sociais. A violência deixará de existir. Os morros serão chamados de favelas sem nenhum preconceito. Porto Velho receberá voos de todas as partes do Brasil e as passagens aéreas para esta capital serão as mais baratas e acessíveis do mundo.
Beber cachaça, se drogar e pular feito macaco no meio das ruas de agora em diante será cultura e terá subvenção oficial. Homem se vestir de mulher e mulher se vestir de homem terá amplo apoio popular e aceitação de todos. O antropólogo Claude Lévi-Strauss que se vire. As corporações internacionais reconhecerão o trabalho de seus funcionários e aumentarão seus salários. Porto Velho não será mais uma cidade suja e imunda. Durante a passagem de qualquer agremiação carnavalesca, sacos de plástico serão distribuídos para que não se sujem as ruas. Os brincantes não mais jogarão detritos nas calçadas. Após a passagem dos blocos as ruas continuarão limpas e cheirosas. Brigas não haverá mais. A confraternização entre inimigos será rotina. E para o deleite de todos, mel e leite jorrarão das avenidas durante os festejos de Momo.
Em Porto Velho, até o rio Madeira dará uma trégua e não mais invadirá a cidade com suas águas pútridas. Ônibus para o campus não serão mais assaltados, a Unir finalmente terá um Hospital Universitário, o prefeito da capital não vai mais tirar férias depois de seis meses de trabalho, o João Paulo Segundo atenderá a todos como se fosse um “açougue” do Primeiro Mundo, os desfiles das escolas de samba de Porto Velho não serão mais adiados, a Constituição será trocada pela Bíblia, a Rua Medianeira não ficará mais alagada durante as chuvas, Rondônia não será mais confundida com Roraima e a TV Rondônia finalmente exibirá o Jornal Nacional ao vivo. O Carnaval e a Banda do Vai Quem Quer transformarão a sociedade para melhor. E como disse a minha amiga e jornalista Sandra Santos: “senhores, a crise no Brasil se encerra hoje, sexta-feira, dia 09/02 e só retornará ao meio dia da quarta-feira próxima”. Eu vou pra Banda. Vamos?




*É Professor em Porto Velho.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

O Brasil que eu quero



O Brasil que eu quero


Professor Nazareno*
           

A Rede Globo de Televisão, a Vênus Platinada, lançou recentemente uma espécie de campanha para os brasileiros mandarem um vídeo de apenas 15 segundos que será publicado posteriormente falando sobre o futuro do país. “O Brasil que eu quero” é o mote da esdrúxula campanha global. Eu não vou mandar vídeo nenhum, mas a minha amiga a jornalista Luciana Oliveira fez uma gravação impagável que jamais será publicada. Não sei fazer vídeos, gosto apenas de escrever textos. E escrevendo direi à Globo e a quem tiver coragem de ler meus escritos qual o Brasil que eu quero e desejo para as futuras gerações. Para começo de conversa e plagiando a Luciana, quero também um Brasil sem a Rede Globo com a sua programação ridícula e alienante. Se puder, direi também qual a Rondônia e a Porto Velho que desejo para o futuro próximo.
Quero um Brasil onde juízes não recebam auxílio-moradia se residirem na mesma cidade em que trabalham. Um país onde todos sejam tratados de forma igualitária sem preconceitos e restrições. Nada de privilégios nem de profissionais recebendo fortunas do Estado. Todos devem receber o necessário para servir ao povo sofrido. Que tal um Brasil sem a maldita síndrome da Casa Grande e Senzala onde as operações contra a corrupção e desmandos dos políticos não sejam ideologizadas e que se aplique a lei doa a quem doer? Quero um Brasil sem Lula nem Bolsonaro, pois diz a História que o passado só se repete como farsa. Um país com uma mídia imparcial e menos golpista seria muito bom para todos. Apesar do controle remoto, uma televisão que não tivesse o BBB e as novelas talvez tivesse mais tempo para discutir coisas sérias.
Uma nação sem o futebol alienante e medíocre que temos seria também de muito bom grado. Os onze marmanjos ricos e milionários, que não representam a maioria dos brasileiros pobres e necessitados, jamais seriam endeusados e mimados como o são em um país sério e comprometido com todos seus cidadãos. Não seria nenhuma maluquice desejar uma derrota na próxima Copa do Mundo da Rússia. A repetição dos 7 X 1 me encheria de alegria e emoção e sei que muitos dos brasileiros também gostariam, embora não admitam. Na política, quase todos nós queremos governantes sérios e comprometidos com as necessidades de quem paga impostos. E como beber pinga e se drogar não é cultura, um país sem Carnaval e sem uma Banda sujando as ruas já emporcalhadas de uma cidade como Porto Velho seria algo muito bom para as pessoas.
Quero um Brasil sem Rondônia e sem Porto Velho onde seus políticos às vezes governam usando um blog e tiram férias com apenas seis meses de trabalho. Uma nação sem hospitais como o “campo de extermínio de pobres”, o João Paulo Segundo desta capital. Quero todas as cidades com mobilidade urbana. Uma nação sem mentiras e hipocrisias onde as pessoas pensassem, discutissem e tivessem leitura de mundo e participação nas decisões comuns a todos. Não há nenhum crime em se querer um lugar em que políticos ladrões jamais se reelegeriam para continuar a enganar o povo. Enfim, quem não quer um país com educação de qualidade? Eu quero. E sempre lutei por isso. Já pensou se todas as escolas públicas deste país fossem iguais ao Colégio João Bento de Porto Velho? Educação de tempo integral para todos os cidadãos é o mínimo que se pode desejar para este povo ignorante. Um problema: a Globo não vai ler o meu texto.




*É Professor em Porto Velho.

domingo, 7 de janeiro de 2018

Direita x Esquerda: estupidez?


Direita x Esquerda: estupidez?


Professor Nazareno*

            A luta ideológica entre progressistas e conservadores que aparenta existir no Brasil é uma farsa. Fala-se que as eleições presidenciais deste ano prometem um embate feroz entre os dois grupos. Ledo engano. Com menos de 20 por cento de seus eleitores conscientes e devidamente politizados, o pleito será marcado pelos candidatos que melhor souberem enganar seus eleitores. “No Brasil não existe direita nem esquerda, mas um punhado de políticos ladrões que sempre se juntam para roubar o Erário”, disse certa vez o colunista Diogo Mainardi.  Nem Lula é da esquerda e muito menos Jair Bolsonaro é da extrema direita. E tudo indica que os dois se engalfinharão na luta pela preferência do eleitorado. Isso se a elite do país permitir a candidatura do petista, que será julgado proximamente ou a mídia não destruir as pretensões do capitão reacionário.
            Pobre Brasil, que terá um dos dois como o próximo presidente da República. A ignorância de grande parte do eleitorado não consegue ver nada melhor para votar. E o pior é que parece não existir opção melhor do que eles. Bolsonaro é a medida certa para os eleitores desesperados e sem nenhuma leitura de mundo. Assim como o Collor iludiu grande parte dos brasileiros dizendo que era o caçador de marajás, Bolsonaro acena para os mais radicais e burros dizendo que vai fazer de tudo se eleito. Nem Collor caçou marajá nenhum nem o chamado “Bolsomito” vai prender qualquer corrupto. Já Lula é a panaceia milagreira dos esquerdistas. O homem que não vai mais roubar e vai governar para os pobres. Coisa que não fez em oito anos. E nenhum deles governará para os mais necessitados. Nenhum está preocupado com o povão e os brasileiros de um modo geral.
            Nem Lula muito menos Bolsonaro fará jorrar mel e leite das ruas como seus eleitores tolamente acreditam. A campanha eleitoral ainda nem começou e muita gente já está escolhendo suas preferências sem nem observar a viabilidade das propostas apresentadas por cada um deles. Qual dos dois promete, por exemplo, criar sistema de educação integral nas nossas escolas? Qual dos dois promete investir em educação de qualidade? Embora se diga que estão subestimando a popularidade do ex-militar, não creio que ele tenha mais eleitores do que o petista. Quem vota no Lula tem a mesma massa cinzenta do eleitor do Bolsonaro. Ninguém quer pensar no Brasil, apenas em suas próprias necessidades. Sem nenhuma ideologia ou convicção política, os eleitores mandarão de novo para o Planalto um presidente sem nenhuma identidade com o país.
            O Brasil não precisa de salvadores da Pátria, mas de alguém que tenha a vontade de resolver os problemas seculares que enfrentamos. E isso se faz com tenacidade e empatia com o próximo. Se o futuro governante não tiver espírito coletivo, seriedade e honestidade, de nada adiantará ficar quatro anos fingindo nos governar. Vivemos um hiato político perigoso: o desprestígio da classe política fará aparecer “um Deus” que tudo resolverá. A vitória de Jair Bolsonaro ou de Lula apenas adiará a concepção de uma nação justa para com os seus habitantes. Estamos vivendo em uma “sinuca de bico” e não sabemos o caminho que devemos seguir. “Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”. Nem direita, nem esquerda. Nada de extremismos tolos, nem de vinganças premeditadas e inócuas. O Brasil precisa de ações que possam fazer uma das maiores economias do mundo ser um lugar próspero e justo. Lula e Bolsonaro sabem disto?




*É Professor em Porto Velho.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Bairro São João em Calama/RO


Bairro São João em Calama/RO


Professor Nazareno*

           
           Falar sobre o bairro São João de Calama/RO, a “Veneza esquecida do Madeira”, é falar sobre a própria vila. Distrito mais antigo de Porto Velho, a capital de Rondônia, a vilazinha remonta aos idos do antigo Primeiro Ciclo da Borracha ainda no século dezenove. Situada estrategicamente entre três rios, o Madeira, o Machado e o Maici e a floresta amazônica, tem seu nome provavelmente ligado às “palmeiras calamenses” que são abundantes na região. Outros dizem que o nome da vila se refere às iniciais de uma companhia de látex, a Companhia de Látex do Madeira, de Ji-Paraná. De qualquer forma, Calama é um desses paraísos ainda não descobertos da Amazônia Ocidental. Tem seu povo constituído na maioria por pessoas simples e humildes, gente boa como pescadores, agricultores, funcionários públicos e ainda alguns descendentes dos índios Parintintins.
            O bairro São João é o núcleo principal da vilazinha. É onde se situa a igreja de São João, padroeiro do lugar. E é a própria história de Calama. De frente para o imponente rio Madeira, a meia distância entre o rio Machado e o paradisíaco rio Maici, o bairro é o retrato mais perfeito da comunidade. Por displicência das autoridades, perdeu recentemente o casarão histórico que adornava o barranco agressivo. Hoje a vila corre o risco de desaparecer sob as águas caudalosas do rio que lhe banha. O barranco avança sem piedade, mas seus moradores são heróis esquecidos que não arredam pé dali e sem recursos, lutam como bravos guerreiros para manter tudo aquilo preservado. Mas a vila não pode desaparecer, jamais. O bairro São João assim como a vila inteira têm muitas histórias. Seus moradores, suas pontes, seus personagens deixaram marcas indeléveis e inesquecíveis.
O fim de Calama, entretanto, seria o fim de uma época. O começo da História de Rondônia está testemunhado naquelas barrancas, outrora repletas de “pelas” de borracha e outros produtos amazônicos e hoje essas mesmas barrancas estão quase esquecidas pelo poder público. Os velhos casarões do Segundo Ciclo da Borracha e hoje caindo literalmente aos pedaços dão pena a quem os observa. A construção das hidrelétricas no Madeira também não trouxe boas notícias para aquele povo ribeirinho: entre Porto Velho e o distrito de São Carlos em breve ficarão bem pior as condições para a navegabilidade. Dificuldades aumentarão e pode demorar ainda mais a viagem de barco até a capital. Por conta do “estupro” sistemático do rio Madeira, a oferta de peixes e outros produtos diminui a cada ano e não se veem medidas efetivas de compensação para a população carente.
            Impossível não se lembrar da Calama do Senhor Benjamim Silva, o “médico” da região. De Alfredo Teles, um grande batalhador dos ribeirinhos e administrador do distrito.  Do professor Goldsmith Correa Gomes, que poderia ser o nome da escola. Do comerciante Joaquim Pires, da Dona Mercedes, do Chico Prestes, do Ivo Santana, do Santa Bárbara, do Pedro Silva, dos Botelhos, dos Pantojas, do Torquato, do Caíco, do Caboclinho Neves, do Balbino, do Sr. ZUI, do Padre Vitório e de tantos outros heróis lembrados pelos moradores. Como esquecer o bom futebol de Calama que já exportou craques até para a Europa? O clássico local Remo X Ponte Preta que já não existe mais? O São Francisco e tantos outros bons times? O peixe com farinha, a carne de caça, o encontro das águas, o fenômeno das terras caídas, as enchentes e as muitas pessoas que se perderam em suas traiçoeiras matas?
A secular Calama é assim mesmo: combina o velho com o novo sem perder o seu charme, o seu encanto. Luta para ter internet de qualidade. Resiste a toda forma de agressão e não se deslumbra com o moderno. Suas duas pousadas: a do Domingos e a do Abelha refletem a tranquilidade local. Mãe de toda a Rondônia e de partes do sul do Amazonas, a pacata vilazinha observa atentamente, como uma verdadeira matriarca que é, o desenvolvimento dos filhos e pede para viver confortavelmente no seu anonimato para que possa ter mais alguns anos de vida. Existe progresso melhor do que ter uma vida pacata? Mas a violência, as drogas, a pressa, e as mazelas de um mundo dito desenvolvido e civilizado já insistem em dar as caras por lá, infelizmente. Porém a vila e o seu bairro São João resistirão bravamente a tudo. Prova disso foi a heroica resistência à enchente histórica de 2014. Ela não assusta com nada. Prossegue sua vida mostrando bravura ao mundo.




*É Professor em Porto Velho.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Lula, o anticristo endeusado


Lula, o anticristo endeusado


Professor Nazareno*

            
         O Brasil decididamente nunca foi um país sério. Não há um único setor em que tenha destaque internacional. Somos a chacota do mundo. Ninguém nos leva a sério. Somos a vergonha do planeta na economia, apesar de figurar entre as dez maiores, somos “um nada” na educação, não temos política externa eficiente, pois somos “um anão diplomático”, não temos a bomba atômica, não temos Forças Armadas decentes e na política, damos aulas de corrupção, de roubalheira e de como não respeitar os cidadãos que pagam impostos. Pior: não sabemos escolher os nossos representantes. Este ano, as pesquisas dizem que Lula, o “sapo barbudo”, ganhará as eleições se for candidato, apesar do sítio de Atibaia, do tríplex do Guarujá e outros escândalos. Agora em janeiro será julgado em segunda instância e se condenado pode ficar fora do páreo.
            Lula foi na política nacional uma das piores desgraças que nos aconteceu. Semianalfabeto, o sindicalista do ABC paulista entrou na política prometendo distribuir as riquezas nacionais entre a população mais carente. Crítico feroz da rica elite do país, o metalúrgico mudou de opinião e para chegar ao poder se aliou covardemente a todos aqueles que criticou. Os seus governos foram uma farsa sem tamanho. Com trânsito livre entre os menos privilegiados, soube como ninguém prometer “mundos e fundos” aos necessitados. Era outra mentira dos petistas: como distribuir a renda dos seus novos e ricos amigos àqueles que os elegeram? Lula se aliou a José Sarney, a Jáder Barbalho, a Antônio Carlos Magalhães, a Collor e a Paulo Maluf, que hoje está preso em Brasília. Pelo poder, o sindicalista virou elite e se deleitou em explorar os pobres pelo país afora.
            O eleitor do Lula e do PT de um modo geral é tão simplório e cego que não percebe o mal que eles, os petistas e esquerdistas, também fizeram ao país. Pior do que se unir à elite rica foi a transformação do Estado brasileiro em uma ala do seu partido. O Mensalão explodiu já em 2005 e o Petrolão pouco tempo depois. Além do mais, o PT se uniu às empreiteiras e a seus executivos para dilapidar os cofres da nação. Hoje, muitos petistas estão atrás das grades ou respondendo a processos na Justiça e na Lava Jato. Não se sabe quanto de dinheiro sujo circulou pelos esgotos clandestinos do PT. Lula não investiu em educação de qualidade muito menos distribuiu riqueza como havia falsamente prometido. O pouco que fez foi só no varejo. E mesmo assim, algumas ações típicas para enganar os babacas que ainda insistem em votar nele e em seu partido.
            Os treze anos em que o Partido dos Trabalhadores esteve no poder foram iguais aos outros 504 em que a elite mandou. Os pobres ficaram mais pobres e os ricos mais ricos. É a síndrome da Casa Grande e Senzala. A distribuição de renda é uma promessa só para ganhar o voto dos mais incautos. Lula hoje toma vinhos caros e vive muito melhor do que qualquer metalúrgico. Não entendo por que quer governar de novo o país se já o fez desgraçadamente por duas vezes seguidas sem realizar o que havia afirmado. Lula é corresponsável pelo golpista Michel Temer e por toda esta crise política e econômica que vivemos hoje. A ideologia do PT é só o poder, nada mais. Só os seus seguidores que não conseguem ver. “Os companheiros”, cegos pela ideologia e querendo vingar o golpe sofrido, ao votar nele não veem o mal que vão fazer ao Brasil e ao seu povo. Fato: a esquerda no poder roubou tanto quanto a direita. Credo em cruz!




*É Professor em Porto Velho. 

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Jair Bolsonaro, o embuste


Jair Bolsonaro, o embuste


Professor Nazareno*


O deputado federal Jair Messias Bolsonaro provável candidato da extrema direita à presidência da República em 2018 é uma farsa das mais bem orquestradas na política deste país desde a ascensão de Getúlio Vargas ao poder na década de 30 do século passado. O militar aparece nas pesquisas de opinião com números robustos e se tudo se confirmar, deverá estar no segundo turno das próximas eleições com Lula ou outro candidato qualquer. Porém, representa tudo do mesmo: a mentira, a desfaçatez, o discurso de cachorro louco, a rompança desmedida e principalmente a esperança de dias melhores. Tudo isto já foi visto e vivido na política brasileira e não levou a nada.  Collor é um dos maiores exemplos desta pantomina desnecessária e tresloucada. Se eleito, Bolsonaro não poderá emplacar nem dez por cento das maluquices que alardeia fazer.
O que os conservadores e reacionários eleitores do Bolsonaro não querem entender é que se tiver a infelicidade de ganhar o pleito, o seu candidato não pode fazer absolutamente nada do que promete nos palanques e nas redes sociais. Seu discurso radical só serve para angariar votos. Ele será candidato a um cargo no Poder Executivo, que não governa sozinho um país. Existe o Congresso Nacional, o Poder Judiciário, o Ministério Público e também a opinião pública e a oposição. Isso sem falar na conjuntura política internacional que de certa forma exerce influência nas decisões governamentais tomadas pelos dirigentes de alguns países. O Brasil pertence à OEA, Organização dos Estados Americanos, à ONU e a várias outras organizações como o MERCOSUL, BRICS, G-20 e é signatário de vários acordos, convenções e tratados.
O mundo mudou, e muito, depois da aventura militar de 1964 no Brasil. E Bolsonaro sabe disto. Ele mesmo não tem quase nenhuma aceitação nos quartéis. Torturas, perseguições políticas, maus tratos a oposicionistas, conchavos espúrios, golpes, decisões antidemocráticas, desrespeitos aos direitos humanos, imposição de ideologias fracassadas não são mais aceitos como meios de se governar uma nação moderna. Ele é o primeiro a não acreditar nas tolices que tanto prega. Usa a mídia e o seu discurso ultrapassado e recheado de ódio apenas para cooptar votos dos eleitores mais estúpidos. Ninguém governa sozinho um país complexo como o Brasil nas atuais circunstâncias. Por isso, o capitão é uma farsa naquilo que prega. É um engodo que só tem aceitação na cabeça dos cidadãos menos escolarizados e vingativos na política.
Quem vota em Jair Bolsonaro e o admira pelo que ele defende ou é uma pessoa de má índole, cheia de péssimas intenções ou simplesmente não entende nada de política e civilidade. Geralmente são jovens que não viveram as agruras do regime militar ou as “viúvas saudosistas” da ditadura cruel e desumana que vivemos entre os anos de 1964 e 1985 do século passado. Como pode um indivíduo ser considerado um mito se demonstra ser racista, xenofóbico, homofóbico, ditador, defensor da tortura, dos maus tratos, dissimulado, instigador do ódio, machista, misógino dentre tantas outras “qualidades e atributos” tão questionáveis? Há sete legislaturas, ou seja, há quase 30 anos consecutivos, ele é deputado federal e neste tempo que projetos de leis de sua autoria foram aprovados? O que fez de bom para o país e o povo a ponto de ser quase canonizado pelos seus fiéis defensores? Não está na hora de quebrar o ovo da serpente?





*É Professor em Porto Velho.

sábado, 23 de dezembro de 2017

Infeliz Natal e Ano Novo pior


Infeliz Natal e Ano Novo pior


Professor Nazareno*

            
         A surrada e mentirosa frase “Feliz Natal e Próspero Ano Novo” dita de forma tão natural nos finais de ano apenas mostra a hipocrisia secular em que nós brasileiros vivemos. Não precisa fazer análises profundas dentro da nossa sociedade para observar o quão absurda é essa felicitação. Em quase todos os aspectos da vida nacional o que se vê é um pessimismo sem tamanho. Na política, por exemplo, o festival de roubalheira e corrupção quase não tem fim. Dos quase 600 congressistas que temos, um terço deles está respondendo a processos e também enrolados com a Justiça. Não há um único Estado que não tenha “representantes do povo” sendo investigados. O presidente do Brasil, o golpista Michel Temer, chegou a ser o mais impopular presidente de país no mundo com pífios 3% de aprovação. Perdia até para a margem de erro das pesquisas.
            O ano que ora se encerra foi uma verdadeira calamidade para quase todos os brasileiros. O preço do gás de cozinha bateu recorde por cima de recorde. A gasolina subiu de preço toda semana. A inflação disparou, mas a mídia insistia em dizer que estava diminuindo. O desemprego aumentou, os funcionários públicos foram e ainda estão sendo perseguidos sem tréguas. O trabalho escravo deu as caras. A roubalheira dos políticos continuou dilapidando o Erário. Vários Estados não pagaram o salário aos funcionários. Temer foi liberado duas vezes pela Câmara dos Deputados. Nem Aécio Neves nem Lula foram presos. Gilmar Mendes do STF soltou quase todos os presos sob sua jurisdição. A impunidade aos mais ricos correu solta. O futebol brasileiro praticamente perdeu todas as competições de que participou, exceto a Libertadores.
            Acomodados e acovardados atrás das redes sociais, a maioria dos brasileiros não bateu mais em panelas diante dos escândalos quase diários que apareciam na mídia. Várias lideranças populares foram mortas. A TV Rondônia sempre transmitia o Jornal Nacional com mais de uma hora de atraso.  O porto do Cai N’Água não foi consertado. A extrema direita invadiu as escolas e proibiu uma série de avanços antes conquistados a duras penas. O movimento escola sem partido passou a dar as cartas em vários estabelecimentos de ensino pelo país afora. A ideologia de gênero foi proibida e até livros didáticos foram censurados. Em Rondônia, na maior cara de pau, a direita ameaçou militarizar quase todas as escolas estaduais. E Porto Velho continuou sendo uma das piores cidades do Brasil em IDH, apesar das promessas do novo prefeito.
            Tendo que olhar para cima para ver o fundo do poço, o brasileiro não pode ouvir cinicamente que terá um Ano Novo repleto de coisas boas. Muito menos um feliz Natal. Em 2016 disseram essas mesmas lorotas e 2017 foi esta maldição toda. As perspectivas para o próximo ano, no entanto, não são nada animadoras. Será provavelmente aprovada a draconiana reforma da previdência e quase todos os deputados estaduais, deputados federais, senadores e governadores serão reeleitos. Uma multidão de políticos da pior espécie rumará para Brasília a partir de 2018 para acabar de dilapidar o país. Por mais quatro anos, o Brasil continuará na merda de sempre. As angústias deste ano parecem fichinha diante do que está por vir. A única alegria será ver o Brasil perder de novo a Copa do Mundo. Esperar que Lula, Jair Bolsonaro, Marina Silva, Geraldo Alckmin ou outra desgraça que seja eleita faça algo pela nação é pura ilusão. Há infelicidade pior?




*É Professor em Porto Velho.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Diáspora porto-velhense


Diáspora porto-velhense


Professor Nazareno*

                Outro dia um ex-aluno meu pediu para que eu fizesse uma retrospectiva do ano de 2017 abordando os fatos mais marcantes que aconteceram em Porto Velho e em Rondônia. Disse-lhe que não precisava: bastava ele ver as retrospectivas de anos anteriores para perceber o óbvio e o ululante, pois a história se repete há décadas sem nenhuma novidade. É como se estivéssemos parados dentro de uma cápsula do tempo. Neste ano infelizmente nada aconteceu de novo que merecesse qualquer tipo de registro. “Os políticos de Rondônia roubaram menos e quase não apareceu escândalo na mídia”, disse ele. É verdade, mas a maneira de se fazer política por estas bandas continua como nas décadas de vinte ou trinta do século passado. Nada evoluiu. Meia dúzia de políticos iludindo, mentindo e tapeando a maioria dos tolos eleitores. E sendo reeleitos todo ano.
            A capital de Rondônia, claro que continua suja, imunda, podre, fedorenta, cheia de lixo, sem praças, sem recantos de lazer, sem arborização, quente, com muita lama e alagações durante o inverno e com poeira e fumaça nos meses de verão. O mau cheiro característico de uma cidade inóspita, inabitável e sem rede de esgotos é o nosso maior cartão postal. Bichos mortos no meio das ruas e muito mato é uma cena comum por aqui desde o século passado. Os poucos lugares que se dizem turísticos são obras eleitoreiras e escuras como a “ponte da morte” no rio Madeira e os viadutos tortos e íngremes. Aqui não pode haver retrospectiva por que a cidade não melhorou. Continua uma currutela fedida e amaldiçoada de onde muitos de seus moradores nativos assim como “os rondonienses de coração” fogem durante as festas de Natal e Ano Novo.
            Nestes últimos dias de 2017, como em outros anos, a cidade se esvazia. Quem pode “pica a mula” em busca de lugares mais limpos e organizados. Apenas os menos endinheirados são obrigados ao sofrimento. Será que o atual prefeito também “montará no porco” e cairá fora?  Os loucos, e lisos como eu, é que temos coragem de encarar um Natal e um Réveillon no meio da carniça, dos ratos, dos carapanãs e dos urubus. Aliás, dizem as más línguas que Hildon Chaves abandonará Porto Velho para se candidatar ao governo do Estado em 2018. O “prefeito viajante”, se eleito de novo, implantará em Rondônia jornada de trabalho de seis meses anuais. Só neste ano ele já visitou a Disney, Paris, Dubai, China, Macau... Interessante seria que ele e outras autoridades passassem as festas natalinas nesta “podre pocilga infecta”. Sem estresse: o “BOI” nos administra.
            Sei que é muito triste perder as iluminadas festas de Gramado e Canela na Serra Gaúcha. Curitiba, a limpa e civilizada capital do Paraná, está um deslumbre. As quentes e paradisíacas praias do Nordeste estão esperando os rondonienses como fazem todos os anos. Ficar aqui para quê? Não há como se divertir em uma cidade imunda onde bosta, ratos, lama e tapurus abundam para todos. Ver aquela ridícula e feia árvore de Natal de pano na EFMM é uma desgraça que eu não indico para ninguém. Perambular no meio de gente mal educada fedendo a cachaça barata não se deseja nem aos piores inimigos. Esperar o Interbairros depois da meia noite é pedir para ser assaltado. Até o escroto do Papai Noel se entrar num destes ônibus fedorentos será estuprado na hora. Mas Porto Velho merece isto, pois só elege administradores sem identidade com a cidade. Depois todo mundo volta para ganhar dinheiro e gastar no final do ano, mas bem longe daqui.




*É Professor em Porto Velho.