domingo, 26 de março de 2017

Tô fora: Porto Velho um caos


"Tô fora: Porto Velho um caos"

Professor Nazareno*

            Há quase cem dias no comando do município, a nova administração de Porto Velho tenta, a duras penas, mudar a cara da capital mais feia, desorganizada, suja, fedida e imunda do país. O Dr. Hildon Chaves e seus assessores juntamente com os quase dois mil funcionários comissionados recém-contratados procuram mostrar que a capital dos rondonienses agora tem outro aspecto. Mas parece que o trabalho de “enxugar gelo” não tem dado muito certo por aqui. Torcendo para que o imponente rio Madeira não estrague ainda mais a rompança inicial, os gurus do PSDB e seus aliados de última hora improvisam com panos quentes o que certamente será mais um desastre administrativo na capital protegida pelo Satanás. Nada ou quase nada mudou na rotina dos mais de 500 mil sofredores que tiveram a triste sina de ter “isso aqui” para morar.
            Na capital dos rondonienses, no entanto, a sujeira continua seu reinado infindável. Depois da passagem da famosa banda de carnaval, por exemplo, muitas toneladas de monturo podiam ser vistas nas ruas desertas atestando que a limpeza de uma cidade deve começar pela faxina na cabeça de seus habitantes. Porto Velho não é uma cidade suja, já que ela não se suja sozinha. São seus filhos, visitantes e moradores que a emporcalham desmesuradamente todos os dias. Porém, mesmo com um início desastroso no campo político, os novos administradores procuram em vão mostrar serviço. Pudera! Depois da tritura covarde dos quinquênios nos salários dos servidores municipais e da contratação sem concurso público de quase dois mil “aspones” não restava outra coisa para os caciques da prefeitura senão limpar também a sua imagem.
            Talvez por isso a prefeitura municipal encabeçou mais uma campanha sinistra para tentar colocar um pouco mais de ordem no nosso conhecido caos: “Porto Velho uma cidade em construção”. O lugar tem mais de um século de existência e essa não é a primeira vez que tentam, sem sucesso, “ensinar missa a vigário”. Da outra vez alguns “empresários” locais mandavam as pessoas abraçarem a podre cidade. Como ninguém topou beijar a carniça e se locupletar com a fedentina, a campanha “deu com os burros na água”. Por que seria diferente agora? Não há pesquisas, mas acredita-se que mais de 90 por cento dos moradores de Porto Velho são porcos e imundos mesmo. Falta só defecarem no meio da rua. Além de muitos serem mal educados, claro. Basta observar a rotina macabra em repartições públicas, comércios e principalmente nas ruas e avenidas.
            A campanha é absurda, pois tenta ensinar civilidades e bons modos a um povo acostumado ao lixo e à imundície. Eu não mandaria o sujeito limpar a sua própria casa. Além de ele já estar acostumado ao lodaçal, isso seria uma intromissão em costumes alheios. A panfletagem manda também cuidar das praças. Ironia das mais infames, pois quase não há praças nesta cidade. Nem praças, nem arborização e muito menos recantos de lazer. Tem o inacabado, eleitoreiro e sujo Espaço Alternativo, onde se verifica a maior concentração por metro quadrado de garrafas de bebidas quebradas e de preservativos usados. Os igarapés são esgotos infectos com merda boiando a céu aberto. O Instituto Trata Brasil mostra a nossa capital como a mais suja do país com apenas 2% de saneamento básico. Tomara que cheguem logo as férias. Curitiba e Gramado me esperam. Vivemos um caos e o Dr. Hildon pegou um dos piores abacaxis de sua vida.





*É Professor em Porto Velho.

quarta-feira, 22 de março de 2017

Carne, povo e governo podres


Carne, povo e governo podres

Professor Nazareno*

            A recente operação Carne Fraca da Polícia Federal contra o setor de frigoríficos, produção e exportação de carnes e derivados mostrou ao mundo a precariedade e a gambiarra de parte dos empresários brasileiros. Mostrou também o pouco caso, o jeitinho, a ganância, o improviso, o terceiro-mundismo e o amadorismo que vários executivos locais ainda teimam em seguir. Muitos desconsideram ou não percebem que nos países civilizados e desenvolvidos e que importam grande parte dos nossos produtos agropecuários, essa prática está extinta há muitos anos. Óbvio que a Polícia Federal dessa vez errou feio ao divulgar de forma pirotécnica a operação sem prever as consequências internacionais para esse estratégico setor da nossa economia. E também porque generalizou-se a bandalheira quando menos de 5% pratica o que foi mostrado.
            Muitos países da União Europeia, Japão, Coreia do Sul dentre alguns outros que importam nossos produtos já suspenderam temporariamente a compra até melhores esclarecimentos do governo brasileiro. Guardadas as devidas proporções, essa operação desastrada “cortou as pernas do Brasil”. Foram décadas de trabalho duro para que se conquistassem esses selecionadíssimos mercados. E tudo pode ser jogado fora por causa da estupidez e da ambição desmedida de meia dúzia de sujeitos metidos a empresários. O famoso jeitinho, tão comemorado por aqui, pode levar o nosso país à bancarrota, ao fracasso, à desgraça e à pobreza. Carne podre, produtos adulterados, carniça, corrupção, jeitinho e toda sorte de sujeiras jamais serão aceitos em países civilizados. Pior: muitos desses maus empresários sabem disso, pois visitam sempre todos esses países.
            Levar vantagem em tudo, ter lucro exorbitante independente de quem o paga e como paga, ascender erradamente ao mundo dos negócios e da riqueza são práticas comuns para grande parte dos homens de negócios brasileiros. Aqui, de um modo geral, alguns empresários do setor de construção civil, por exemplo, constroem edifícios com material de segunda qualidade sem levar em consideração o fato de que seres humanos, pessoas mesmo vão morar nestes apartamentos. “O importante é o lucro”, devem pensar. Até no Carnaval a gambiarra nos carros alegóricos é uma constante e pessoas morrem por falta de segurança. No futebol, campeonatos Sub-20 quase sempre têm jogadores de 22 ou 23 anos inscritos. Leve seu carro ao mecânico para trocar uma peça e não se estresse se pagar por todo o serviço ou por uma peça nova que não foi trocada.
            A maioria desse povo iletrado e subdesenvolvido que vive do jeitinho é podre em sua essência. Sempre foi governado por políticos igualmente podres. Deve ser por isso que muitos acreditaram cegamente que o Primeiro Mundo consumiria produtos podres também. O governo podre do Brasil, liderado por Michel Temer, um golpista também podre, para “botar panos quentes” no gravíssimo problema e provar que a nossa carne não é podre, levou embaixadores e representantes dos países que compram nossos produtos para um churrasco numa churrascaria de Brasília que só vende carnes importadas. É mole? Desculpa mais podre do que esta não existe. A situação é tão podre no Brasil que essa operação da PF está servindo para abafar outra operação igualmente podre: a Lava Jato. Quase não se fala mais nela. Tem muita gente querendo crucificar a Polícia Federal por causa do caos criado. Uma nação podre nunca escapará da podridão.




*É Professor em Porto Velho.

domingo, 12 de março de 2017

Rondônia é o Sudão do Sul


Rondônia é o Sudão do Sul


Professor Nazareno*

            
          O Sudão do Sul é mais um dos países miseráveis do continente africano. Novo e desmembrado do Sudão, o país enfrenta muitas dificuldades. Com uma área territorial três vezes maior do que o Estado de Rondônia no norte do Brasil, o país africano tem uma população de quase 12 milhões de pessoas. Porém, as duas unidades territoriais guardam muitas semelhanças em vários aspectos. No Sudão do Sul é tudo muito atrasado, brega e bagunçado. Assim como no estado do Brasil. Estamos no século vinte e um nos dois lugares, mas parece que vivemos ainda na Idade Média. A violência no novo país da África é uma constante por causa das rivalidades tribais. Já em Rondônia a violência é por causa das drogas e da enorme concentração de renda. Nenhum turista do mundo teria coragem para visitar o país africano assim como o estado rondoniense.
            Juba é a capital do Sudão do Sul. Com uns quinhentos mil habitantes a cidade é uma porcaria e apresenta problemas em todos os setores. Sem redes de esgotos, sem água tratada, sem transportes coletivos adequados, sem nenhum planejamento urbano, violenta e sem a menor possiblidade de um ser humano civilizado sobreviver por pouco tempo, a cidade se parece com Porto Velho, a capital dos rondonienses. Todos os políticos de Juba são ladrões, canalhas, interesseiros e mal feitores. Mas quase todos são adorados pela população e pelos estúpidos eleitores. O prefeito de Juba, um rico empresário que já abriu mão de seu salário semanal, costuma mandar para a Câmara de Vereadores da cidade projetos de leis na calada da noite para serem aprovados sem leitura e discussões pelos escroques, canalhas e ambiciosos vereadores analfabetos.
Recentemente na cidade de Ariquemes, interior de Rondônia, houve algo que fez tremer de inveja os líderes mais radicais daquele inóspito país africano. O prefeito da cidade e mais sete vereadores simplesmente censuraram livros didáticos que seriam distribuídos para as crianças da cidade. Os livros diziam apenas que existiam famílias diferentes da tradicional e traziam também outras informações sobre ideologia de gênero. As autoridades locais não gostaram do conteúdo e ameaçaram passar a tesoura nas páginas “amaldiçoadas e imorais”. Desrespeitando a Constituição, o MPF, o Ministério Público do Estado e os princípios mais elementares da Declaração Universal dos Direitos Humanos, a cidade rondoniense dá um péssimo exemplo para a jovem democracia brasileira ao estimular abertamente a homofobia e o ódio contra minorias.
Porém as coincidências de Rondônia com o Sudão do Sul não param por aí. Nada funciona no nosso Estado. Até uma famosa banda de carnaval da capital é uma excrescência. Atrasada e produtora de toneladas de lixo urbano por onde passa, a agremiação carnavalesca foi barrada pela polícia no último desfile. A desorganização é geral. A apresentação dos blocos carnavalescos, por exemplo, ficou para abril num total desrespeito ao que dizem ser a cultura local. Juba está destroçada pela guerra civil que assola aquele país. Porto Velho também está destroçada, só que pela incompetência de suas autoridades. Obras inacabadas e eleitoreiras são cenas comuns nos dois lugares. Na capital do Sudão do Sul quase não há políticos. Em Porto Velho há, mas não servem para nada. Podridão e lixo são comuns aqui e lá. A mídia é quase toda comprada e a TV local só recentemente passou a exibir ao vivo seus programas. Rondônia, capital Juba.





*É Professor em Porto Velho.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Porto-velhenses guerreiros!


Porto-velhenses guerreiros!


Professor Nazareno*

            Estou espantando! Deveras espantado com tanta demonstração de patriotismo, de determinação e de civismo. Nunca em meus quase sessenta anos de vida vi um povo tão abnegado e tão profundamente lutador pelos seus objetivos. Dos pouco mais de 520 mil habitantes da capital de Rondônia pelos menos uns 120 mil saíram às ruas na tarde deste último sábado. Cifra impressionante para os padrões de qualquer cidade do mundo, uma vez que em torno de 25% dos habitantes estavam lá lutando por um objetivo, uma finalidade. Nestes tempos bicudos em que a participação política está esquecida e relegada a um segundo plano, eis que a “capital dos destemidos pioneiros” mostra ao mundo o bravo exemplo de como reivindicar melhorias para a sociedade e para as futuras gerações. Uma tristeza eu ter nascido lá pelos cafundós da Paraíba.
            Não há espetáculo mais belo de se ver. Mais de cem mil pessoas, rondonienses e “rondonienses de coração”, protestando nas ruas de Porto Velho contra o desemprego, a inflação, a corrupção, a apatia dos governos estadual e municipal, a falência da saúde, da educação e também pelo abandono da capital e contra a falta de políticas públicas para a população mais carente. Todos em uníssono gritando contra o golpe da direita reacionária contra um governo legitimamente eleito. A chiadeira era geral também contra a nomeação de Alexandre de Moraes para ministro do STF. Isso sim, que é civismo e amor às causas pátrias. Pense num povo que tem ancestralidade. Um prêmio Nobel é o que essa gente merece. Onde estão as academias sueca e norueguesa que não veem esta bravura, esta determinação, esta garra, este patriotismo e esta luta árdua?
            Cartazes, faixas, banners enfeitavam as ruas. O frenesi era geral. Havia até quem protestasse contra a política externa de Donald Trump, dos Estados Unidos. Muitos daqueles politizados cidadãos mandavam recados para o novo prefeito eleito de Porto Velho, Hildon Chaves. “Não aceitamos administração meia-boca, de faz de conta” dizia um cartaz. “E nada de entregar a administração da cidade a um Boi depois de menos de dois anos”, dizia outro. Havia reclamações também contra o governo do Estado: “a nova rodoviária da cidade não pode ser uma simples obra eleitoreira e muito menos ficar sem a sua conclusão definitiva como o Espaço Alternativo”, alertava a multidão eufórica. A ponte escura e o viaduto do PT, que já está se desmanchando com as chuvas, não sairão da memória desse povo guerreiro. Eles só exigem respeito!
            Pessoas desenvolvidas, esclarecidas, bem informadas, conscientes de seus direitos e batalhadoras sempre vão reivindicar melhorias de seus governantes. E de forma pacífica, respeitosa e ordeira. E isso é o que se vê com muita frequência em Porto Velho, terra de pessoas que têm no respeito e na higiene suas maiores qualidades. As ruas onde houve aquela passeata-monstro, por exemplo, principalmente a Carlos Gomes e a Sete de Setembro, ficaram até mais limpas quando terminou o grande ato cívico. Pedaço de papel algum se via jogado no chão. Garrafas de água jogadas a esmo era uma raridade. Preservativos usados, absorventes femininos ou cascas de picolé sequer se viam esquecidos pelas limpas ruas e avenidas. E vai ser assim todos os anos. “O povo unido, jamais será vencido”, era o mantra que ecoava quando a astuta multidão intelectualizada caminhava de punhos cerrados! Juro que ouvi a internacional socialista!




*É Professor em Porto Velho.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

O Carnaval aliena?


O Carnaval aliena?


Professor Nazareno*

            
            Sim! O Carnaval não só aliena como também serve como uma espécie de freio filosófico, político, econômico e social para as pessoas mais progressistas. Sob o ponto de vista da Educação, da Filosofia e da utilidade prática, nem devia existir. Sêneca, filósofo da Antiguidade Clássica disse sobre a religião que ela é considerada verdade pelas pessoas comuns, mentira pelos sábios e útil pelos governantes. Napoleão Bonaparte foi mais além: a religião é ótima para manter as pessoas comuns caladas. Claro que eles não conheciam a Carnaval brasileiro para se referirem somente à religião. O Brasil é um país cuja população é a mais alienada e tosca do mundo. Sem acesso a uma educação de qualidade, a informações, ao conhecimento e à leitura de mundo, os nossos compatriotas são considerados um dos povos mais estúpidos e inúteis do planeta.
            E como alienar as pessoas é uma das atividades mais promissoras nesta periferia de mundo, principalmente pelas classes dominantes, o Brasil tem-se esmerado nesta arte. Além da religião e do futebol, temos também o Carnaval como uma das vanguardas desse processo de destruição coletiva do bom senso e da politização humana. Com um dos piores sistemas de educação do mundo, sem pesquisas de ponta, sem domínio da tecnologia e do conhecimento formal, a religião, o futebol e o Carnaval entraram em nossa sociedade como verdadeiros deuses. Até a política e o capitalismo abriram espaço para essa fraude. Dizer que a “folia de momo” é cultura é uma estupidez sem tamanho. Desde quando consumir álcool, se drogar e se fantasiar com o sexo trocado é cultura? Lévi-Strauss deve se revirar no túmulo com todas estas sandices.
            Dizem que o Carnaval dá lucro e movimenta a economia. Mentira. Lorota. Conversa fiada. Causa, na maioria das vezes, muito prejuízo e horrores numa sociedade já acostumada a tantas desgraças. Além da sujeira e do lixo nas ruas após os desfiles, o que se veem são pequenos ambulantes venderem só um pouco mais de suas minguadas mercadorias. Isso sem falar no aumento da violência, do sexo livre e do consumo de drogas ilícitas como crack, maconha e cocaína. Quantos mortos a mais se verificam durante esta festa demoníaca e totalmente desnecessária? Os hospitais públicos lotam durante a aberração cultural. Cultura é ler um bom livro. É buscar novos conhecimentos. É também participar ativamente de todos os processos políticos que mudam o destino das pessoas. Parece até que a política no Brasil não precisa mais de nenhuma mudança.
            Durante estas festas ridículas, mas populares, quem se lembra, por exemplo, da retirada covarde dos quinquênios no salário dos servidores da Prefeitura de Porto Velho? Quem se lembra dos vereadores sacanas que traíram seus eleitores? Quem se lembra do “açougue” João Paulo Segundo? Do Espaço Alternativo? Quem se lembra do golpe do Michel Temer, Romero Jucá, José Serra e Aécio Neves contra um governo também ladrão e corrupto, mas democraticamente eleito? O Carnaval aliena, entorpece, ridiculariza e contribui para aumentar ainda mais a estupidez de um povo já bronco e explorado. Pior são os seus ardorosos defensores, verdadeiros gigolôs da alienação alheia que defecam pela boca suas filosofias baratas somente para justificar seus vícios mais mesquinhos. Para quê dias inteiros e às vezes até semanas de trabalho perdidas para a folia? Acabar e proibir o Carnaval? Façam isto e esperem a verdadeira revolução.




*É Professor em Porto Velho.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Sociedade de bandidos soltos


Sociedade de bandidos soltos

Professor Nazareno*

            Acredita-se que pelo menos oitenta por cento dos cidadãos brasileiros hoje são totalmente despolitizados, não sabem votar, não têm leitura de mundo, não têm informações e vivem à margem dos grandes acontecimentos nacionais e mundiais. Como vivemos em uma democracia, os outros 20 por cento restantes vivem eternamente reféns dessa maioria burra. Ultimamente muitas destas pessoas saíram às ruas para derrubar uma presidente democraticamente eleita e colocaram no seu lugar uma coalizão de políticos corruptos que não mudou em nada a nossa triste situação. Pior: muitos bateram panelas quando se sentiram roubados e enganados. Continuaram a ser explorados e ludibriados, mas pararam com as batidas nos utensílios. Parece que não sabiam o que estavam fazendo nem o porquê. Serviram só como de massa de manobra.
            Mas é no dia a dia que vemos o quanto parte da sociedade brasileira é chinfrim, atrasada, pré-histórica e perversa. Muito perversa mesmo. Mais de 80% dos nossos compatriotas se dizem cristãos, mas não seguem nenhum dos ensinamentos do seu Mestre. Se um caminhão tomba em qualquer estrada do país, os moradores dos arredores quase sempre correm logo para saquear a carga. Seja de que produto for. Muitos sequer procuram saber se há feridos ou não no acidente. Tratam logo de roubar o maior número de mercadorias possível. Na recente greve de policiais no Espírito Santo, cidadãos comuns participaram de saques e arrombamentos de várias lojas na capital capixaba. Até uma candidata a vereadora pelo PSDB de Cachoeiro do Itapemirim foi flagrada saindo de uma loja com sacolas de objetos roubados. E tudo pareceu normal.
            A maldade de muitos brasileiros é vista de maneira sórdida também nos comentários postados nas redes sociais. Durante a matança verificada nos presídios do país, o festival de horrores de muitos brasileiros aflorou como nunca. Embora cristãos e às vezes com curso superior, muitos cidadãos festejaram a carnificina como se o Brasil tivesse conquistado uma Copa do Mundo. A alegria era estampada diariamente nas redes sociais. Vi médicos, enfermeiros e outros profissionais da saúde postarem coisas absurdas como se os mesmos nunca tivessem feito o juramento de Hipócrates. Parece que muitos deles fizeram juramento para serem hipócritas. Durante o AVC que a esposa do ex-presidente Lula sofreu, o festival de absurdos inundou o Facebook demonstrando que a verdadeira doença não era em Marisa Letícia, mas em parte da nossa sociedade.
            A realidade é que o brasileiro comum, por falta de conhecimento, não sabe discutir política. E nem outros assuntos. Direitos humanos, ideologia de gênero, respeito às minorias, censura, Estado laico, novo formato de família, por exemplo, são temas desconhecidos para a maioria dos nossos ignorantes cidadãos. Muitos dizem que os políticos são ladrões e desonestos, mas segundo o teólogo e psicólogo Sérgio Oliveira “a ausência da polícia, como no Espírito Santo, revela uma realidade assustadora: o nosso caos ético e moral. Quando a polícia se torna a regra de conduta, o instrumento de controle que nos impede de cometer crimes percebe-se a falta de consciência ética e moral. Retirada a polícia, vem à tona o desejo de um povo corrupto. Idiotice pensar que só os políticos são desonestos. Tendo oportunidade, muitos viram criminosos. Se precisamos de polícia para sermos honestos, somos uma sociedade de bandidos soltos”.




*É Professor em Porto Velho.

Bem-vindos, meninos e meninas!


           Às vezes fico pensando: se esses meninos tivessem sido treinados e incentivados desde pequenos, ninguém os segurava mais. Incentivados a ler tudo desde as primeiras séries. Treinados a serem argumentativos. Induzidos a pensar sobre todos os conhecimentos. Levados a ler tudo o que foi proibido pela Igreja e por outras forças da alienação. Apresentados ao conhecimento. Forçados, até, a serem investigativos. Cobrados por tudo e por todos a mostrarem conhecimento com causa e consequência. Criados para a dialética. Vistos como pessoas que querem saber de tudo e não se acomodam com frases feitas nem com conceitos velhos e ultrapassados inventados pelos outros apenas para dominá-los. 
              Se eles, enfim, tivessem sido criados para liderar o mundo. Para serem "a METAMORFOSE AMBULANTE e jamais ter aquela velha opinião formada sobre tudo". Questionar tudo e todos, elaborar conhecimentos próprios. Meu Deus (o de Espinoza), estou sonhando. Eles são apenas o que os outros quiseram que eles fossem: são o que são e parece que estão satisfeitos com isso. Que desperdício! Mentes novas, brilhantes, criativas, lindas e fadadas a repetir o velho e batido bordão: tudo é assim mesmo e nada vai mudar nunca. É porque Deus quer. Por que as coisas são assim? Porque sim! Pensam no passado e vivem do passado. Mas terá sempre um ou outro que viverá do futuro... E estes, sim, vão me dar aulas (boas aulas) depois... Vão me fazer ter orgulho de tê-los tido como alunos. Vão revolucionar Porto Velho, Rondônia, o Brasil e talvez o mundo. Mas serão menos do que 5%, infelizmente. BEM-VINDOS, meninos e meninas. Pensem como jovens bonitos e bonitas que são. Acreditem que devem pensar como gente de 15, 16 ou 17 anos. NUNCA PENSEM COMO VELHOS.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Fora, servidores públicos!

Fora, servidores públicos!


Professor Nazareno*


O PSDB nunca gostou de funcionários públicos, eis a verdade. Quando o ex-presidente FHC governou o país entre os anos de 1995 e 2002, as demissões no serviço público bateram recordes. Era PDV (Plano de Demissão Voluntária), era servidor colocado em disponibilidade, era perseguição, era assédio moral no trabalho, era falta de reajuste salarial. Foi nesta época que em Rondônia o ex-governador José Bianco mandou dez mil pais de família para o olho da rua. Muitos sem direito a nada. Tudo em nome do Neoliberalismo e do Estado mínimo. Agora o prefeito eleito de Porto Velho Hildon Chaves, também do PSDB, tenta reeditar aqueles tempos macabros para os barnabés municipais. Conseguiu aprovar na Câmara de Vereadores, na calada da noite, a extinção de benefícios sob a alegação de que vai economizar 100 milhões de reais.
            A mídia noticia que todos os mais de 13 mil servidores do município de Porto Velho foram prejudicados com medidas draconianas. A extinção do quinquênio foi aprovada por 17 votos a favor do prefeito. Alguns vereadores inclusive dizem que não leram a “papelada em forma de lei” e por isso votaram “sim”. Foi o caso de Júnior Cavalcante e de Cristiane Lopes. A vereadora Ellis Regina do Sindeprof, o sindicato que reúne os servidores municipais e que forma a base eleitoral da parlamentar, estaria viajando. Somente o vereador Aleks Palitot votou “não” para impedir prejuízos aos servidores. Administrar a coisa pública perseguindo humildes trabalhadores é muito fácil além de ser uma covardia. O estranho de tudo isso é que na mesma lei, pede-se para aumentar o valor dos CDS e criam-se vários outros cargos na esfera municipal.
            Segundo se comenta, o prefeito Hildon Chaves já teria nomeado neste curto período de tempo, um mês apenas, pelo menos 1772 comissionados com gordos CDS e claro, todos sem concurso público. Isso é mais do que o dobro dos nomeados em quatro anos pelo ex-prefeito Mauro “Lento” Nazif. Retirar o quinquênio ou qualquer outro benefício de servidores legalmente concursados é uma incoerência inexplicável para quem bradava aos quatro ventos durante a campanha eleitoral que iria moralizar a administração municipal. Economizar esse dinheiro para quê? Vai investir na cidade? O pior de tudo isso é que muitos servidores votaram e fizeram campanha para o tucano na esperança de dias melhores. Coitados! Não se lembraram de Fernando Henrique Cardoso nem de José Bianco. Pior foram os 17 vereadores que traíram os injustiçados.
            E a prefeitura precisa, e muito, deles. Como prestar atendimento na saúde, educação, limpeza dentre outros setores sem a sua imprescindível colaboração? Mas o PSDB parece não gostar destes trabalhadores. Defende a privatização de tudo. O sonho do Estado mínimo pretende entregar o patrimônio público a setores particulares. Leia-se: a setores de amigos e correligionários já previamente escolhidos numa relação de compadrio, de toma lá, dá cá. Infelizmente a administração de Hildon Chaves até agora tem-se mostrado um embuste, uma farsa. Procura medir forças com quem não as tem. O problema de Porto Velho, de Rondônia e do Brasil não é nem nunca foram os servidores públicos. Claro que há muitas falhas que precisam ser consertadas. O nosso problema é a roubalheira, a corrupção e a incompetência dos administradores públicos. Perseguir ou demitir servidores para colocar apadrinhados no seu lugar é trocar seis por meia dúzia.




*É Professor em Porto Velho.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Uniformes disformes


Uniformes disformes


Professor Nazareno*


O Brasil tem um dos piores sistemas de educação do mundo. Ficamos sempre nos últimos lugares quando somos comparados a outros países. Finlândia, Coreia do Sul, Alemanha e Japão dão de goleada em nós quando o assunto é educação de qualidade. Há mais de quarenta anos, no entanto, que eu trabalho na área da educação e neste tempo frequentei muitas escolas. Estaduais, municipais e também particulares. Em todas elas o sistema é precaríssimo em todos os sentidos. Nunca houve turno integral de ensino em nenhuma delas e as deficiências sempre foram enormes. Professores mal pagos, despreparados, desmotivados, sem a menor autoestima e quase todos sempre reclamando da profissão escolhida é uma triste rotina verificada em nossos precários estabelecimentos de ensino. Porém em todas elas os alunos usam o uniforme escolar.
Resquício ainda da tenebrosa época da ditadura militar e da atual mentalidade golpista reinante em nossa sociedade, o fardamento se revela por si só como uma farsa absurda. Marcam-se os alunos na falsa ilusão de que está se contribuindo para a organização didático-pedagógica dentro das escolas. Engano. A organização de uma escola se dá pela qualidade dos profissionais envolvidos no processo educativo e nunca, jamais pela cor da roupa que os estudantes usam para frequentá-la. É importante salientar também que o nível dos alunos, sua vontade de aprender coisas novas e trocar informações explorando ao máximo a relação entre educador e educando podem contribuir para melhorar o fraco nível verificado nesses ambientes. Fardamento só serve para iludir os tolos e fazer propaganda gratuita no caso das escolas particulares.
Além do mais, as desnecessárias fardas impulsionam uma verdadeira indústria, que se aproveita do fato. Só em Rondônia, por exemplo, são mais de 220 mil alunos apenas no Ensino Médio. Com a clientela do Ensino Fundamental essa soma mais do que duplica. E os números são alarmantes: segundo o MEC, o Brasil possuía em 2015 quase 38 milhões de alunos matriculados. Este ano de 2017 são quase 40 milhões de pessoas que são obrigadas na maioria das vezes a usar uma ridícula peça de tecido para poder aprender algo. Já vi em muitas ocasiões alunos sem a farda serem impedidos de assistir aulas. Barrados, podem perder o interesse pela escola e assim comprometer o seu futuro. É balela também afirmar que essa roupa dá mais segurança ao jovem identificando-o mais facilmente. Quem afirma isso não conhece a utilidade dos crachás.
É tolice também achar que a roupa iguala os meninos. Mas igualar para quê? Não moramos em uma sociedade socialista. E basta olhar para cada um deles para se perceber que não são iguais em nada. Até na maneira de aprender algo eles possuem as suas diferenças. Usar farda é um retrocesso, uma estupidez, uma ignorância. Escola não é quartel muito menos seminário religioso. Um lugar onde se debatem ideias e conceitos já devia ter abolido a obrigatoriedade do fardamento. Pior: a autoestima de muitos fica lá embaixo quando têm que usar roupas ridículas, toscas, cafonas, fora da sua realidade. A organização de uma escola se dá pelos resultados obtidos e nunca por causa da cor da calcinha ou da cueca de quem quer estudar. E mudanças não haverá tão cedo. Se nossa escola não evoluir como nos países civilizados daqui a pouco os alunos serão obrigados a prestar continência aos “superiores” e a cantar o feio Hino Nacional todos os dias.





*É Professor em Porto Velho.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

A síndrome do atraso


A síndrome do atraso


Professor Nazareno*


O Brasil é um lugar muito atrasado, claro. Em quase todos os aspectos que vivenciamos no cotidiano percebemos que o nosso país se for comparado a uma nação de Primeiro Mundo como Finlândia, Suécia, França, Alemanha, Japão, dentre muitas outras fica há anos luz em termos sociais, econômicos e tecnológicos. Para muitos ainda não chegamos sequer à Idade Média. E faz sentido. A nossa política é uma desgraça. Quase todos os nossos políticos são pessoas que só se preocupam consigo mesmas. Do presidente da República ao mais humilde vereador, a maioria deles passa todo o mandato, dado pelos eleitores, tentando arrumar meios de enriquecer ainda mais mesmo que de forma ilícita. Por isso, a classe política perdeu completamente o pouco privilégio que tinha. Ser político hoje representa o que de pior existe dentre todas as profissões.
Sem leitura de mundo, semianalfabeta e com pouquíssimas informações a grande massa ignara do nosso país continua sendo vítima séculos a fio das vontades alheias. João Doria em São Paulo e Hildon Chaves em Porto Velho, por exemplo, conseguiram “ludibriar” grande parte de seus tolos eleitores afirmando não serem políticos, embora estando em campanha política. Mal assumiram, agem como políticos mesmo. E dos piores. Há mais de um mês à frente de Porto Velho, Hildon Chaves não fez absolutamente nada que o diferenciasse do “lento” Mauro Nazif. Em São Paulo, Doria se notabiliza apenas pelas rompanças absurdas: se fantasia todo dia de gari, de trocador de ônibus ou de outra profissão menos reconhecida financeiramente. No dia em que se vestir de prefeito, talvez não seja reconhecido pela população que o elegeu.
O Brasil é um país que foi concebido para não dar certo. O seu povo é na maioria estúpido, desinformado e alienado. Não conhece os seus direitos elementares, não tem educação e, quase sempre, ainda defende coisas que na época medieval já eram questionadas. Os “livros de Ariquemes” e o desejo de morte de um opositor político como a esposa do Lula fazem um Voltaire ou um Shakespeare tremerem no túmulo. A lama da Samarco, a Boate Kiss, o golpe da Direita contra o PT, o abandono das obras feitas para a Copa do Mundo e para as Olimpíadas, a nomeação de um Moreira Franco para driblar o STF, as mortes de Teori Zavascki, Celso Daniel e Eduardo Campos, a carnificina dentro dos presídios e o constante desrespeito aos direitos humanos e às convenções internacionais colocam este país no final da fila em termos de civilidade.
O “país sem futuro” fracassa em tudo. Figura entre as dez maiores economias do mundo, mas o povão tem um padrão de vida pífio. A miséria, a violência, a degradação ambiental, a exploração, o atraso e a desigualdade social são fatos rotineiros e até já impregnados ao cotidiano de todos. Sem investimentos em educação de excelência, em pesquisas e em planejamento caímos todos os anos nos índices de qualidade de vida. Somos uma eterna “potência de iletrados”. A federação é uma farsa uma vez que os Estados mais prósperos do Sul do país sustentam os mais pobres. O Norte e o Nordeste quase sempre só dão prejuízos e vergonha para o restante da nação. Mas neste mês de fevereiro tudo se esquece. É o Carnaval com suas mulheres nuas mostrando para o mundo o seu melhor produto de exportação. Até no futebol já decaímos antes mesmo dos 7 X 1. O que esperar de um país onde 170 pessoas são assassinadas todo dia?





*É Professor em Porto Velho.

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Livros gays, livros santos


Livros gays, livros santos

Professor Nazareno*

            O caso medieval dos “livros de Ariquemes” ainda dará muito que falar. Vergonha nacional e até internacional, a mutilação dos livros didáticos a pedido do prefeito Thiago Flores e de um grupo de vereadores evangélicos daquela simpática cidade rondoniense entrará para os anais da história como uma das maiores violências contra o bom senso e as liberdades individuais reinantes no país neste início de século XXI. Desde a queima de livros pelos nazistas em 1933 na Alemanha que não se via tamanha estupidez e imoralidade em nome da moral e dos bons costumes. O PMDB, partido de Flores e herdeiro único do MDB de Ulysses Guimarães, lutou heroicamente durante a Ditadura Militar contra a censura e a falta de liberdade de expressão. Não poderia ter entrado nesta fria e nem permitido esta vergonha absurda e anacrônica.
            A volta da censura por motivos religiosos lembra os duros tempos dos Tribunais da Santa Inquisição e também da Ditadura Militar. E não adianta invocar a vontade do povo soberano de Ariquemes para tomar medida tão esdrúxula. Um município não pode criar leis que contrariem a Constituição do país. O artigo 220 em seu segundo parágrafo é claro: “censura é todo procedimento oficial visando a impedir a livre circulação de ideias contrárias aos interesses dos detentores do Poder Público”. Se os vereadores evangélicos e o prefeito Thiago Flores não gostaram do que leram (se é que leram) nos livros, por princípios constitucionais estão impedidos de censurar, vetar ou mutilar qualquer parte dessas obras. Aliás, eles pediram a autorização dos autores ou da editora para fazer isso? E os professores que fizeram a escolha, por que não foram ouvidos?
            Além do mais, Ariquemes tem uns 90 mil habitantes. Pouco mais de 27 mil apenas votou no atual prefeito. Será que destes, todos concordam com a decisão absurda e cerceadora da expressão alheia? Até parece que na cidade não há bons advogados para ter orientado melhor o prefeito censor. Pior: não vi até agora nenhum professor da cidade reclamar do fato. Nem os que escolheram os livros. Falar que existem famílias diferentes das tradicionais não pode. Falar que existem homossexuais e minorias também não. Mas assistir ao BBB e navegar em sites pornográficos da internet parece que pode. Não é incrível? Pior mesmo é um cara metido a jornalista defender a atitude insana do prefeito. Um comunicador defender publicamente a censura é o fim dos tempos. Será que se sua coluna fosse adulterada ou censurada ele ficaria feliz e alegre?
            Mas se a moda de Ariquemes pegasse, seria interessante ver obras inteiras sendo maculadas, cortadas, tesouradas, censuradas. Dom Casmurro de Machado de Assis teria outro nome ou simplesmente as páginas “inconvenientes” do livro de “Bentinho e Capitu” seriam suprimidas. Obras inteiras consagradas pelas literaturas nacional e mundial seriam picotadas, mudadas e adulteradas sem a permissão de autores e editoras e ainda teria a conivência burra de jornalistas desinformados. Clarice, Drummond, o próprio Machado, Euclides da Cunha, Lima Barreto, Eça de Queirós, Fernando Pessoa e tantos outros sendo modificados por causa da religião e do obscurantismo seria uma curiosa volta aos tempos medievais. Não existem livros gays nem santos. O que existem são mentes doentes, bitoladas, má fé, o desejo de obscurantismo, burrice e hipocrisia. Muita hipocrisia. Será que já marcaram o dia do índex lá em Ariquemes? Vou lá ver.




*É Professor em Porto Velho.

domingo, 29 de janeiro de 2017

O que há comigo?


O que há comigo?

Professor Nazareno*

            Há certamente algo esquisito acontecendo comigo. Não sei o quê é, mas muitos amigos meus já me advertiram com relação as minhas atitudes diárias. Não mudei em absolutamente nada a minha opinião em relação aos fatos cotidianos. Sou brasileiro nato, não nasci em Rondônia, mas sou “rondoniense de coração” e sempre estive em consonância com as coisas daqui, do Brasil e do mundo. Sou cristão convicto, pai de família exemplar, casado há mais de 35 anos com a mesma pessoa, acredito cegamente em Deus todo poderoso, vou semanalmente à igreja, refuto o Satanás e leio diariamente a Bíblia. Sempre defendi os bons costumes e a convivência harmoniosa entre todas as pessoas. Acho que a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos foi uma boa opção para o mundo. Com este grande estadista no poder, viveremos uma revolução do bem.
            Nas últimas eleições, por exemplo, votei no Dr. Hildon Chaves para prefeito de Porto Velho e também num candidato a vereador que é evangélico, homem de Deus mesmo. Sou fã de carteirinha deste ex-promotor de justiça e percebo que ele é o único que vai resolver os poucos problemas que nossa cidade enfrenta. Vibrei com a posse de Michel Temer e sempre apoiei a saída do PT e da Dilma Rousseff do poder. Eles queriam transformar o Brasil em uma nação comunista. Um absurdo isso. Não entendo por que às vezes recebo críticas de certas pessoas. Será inveja? Com relação aos motins dentro das penitenciárias acho normal que os presos se matem, pois ficarão bem menos e a violência acabaria logo. Defendo que quanto mais mortes nas cadeias melhor para o Brasil. Que mal há em se pensar assim? Muitos também pensam assim como eu.
            Sou fã e seguidor de Jair Bolsonaro e vou votar nele para presidente em 2018. Acho que “bandido bom é bandido morto” e acredito que os “Direitos Humanos” foram criados para proteger bandidos e malfeitores e deviam ser extintos de nossa sociedade. Nas redes sociais às vezes curto publicações ditas machistas, preconceituosas, racistas, homofóbicas e misóginas. Amo o funk e também o sertanejo universitário e não perco um só programa da televisão nos domingos à tarde. Leio muito, principalmente os colunistas de Porto Velho. Opinião de Primeira do excelente jornalista Sérgio Pires é minha coluna preferida. Coerente, sério, instrutivo e atual nunca entendi por que o eminente escriba jamais foi indicado aos prêmios Esso e Pulitzer de jornalismo. Seus ricos textos pregam a paz e a boa convivência entre os mais variados setores sociais.
            Como cidadão, apoio a mutilação de livros “imorais” como determinou recentemente o prefeito de Ariquemes. Os professores que escolheram estes livros estão totalmente errados e não devem ser levados em consideração. Simples, assim! Se o estadista Thiago Flores quiser, serei um picotador oficial dessas obras didáticas. Já comprei várias tesouras. Se existem coisas erradas na cidade como o homossexualismo e famílias que não sejam as tradicionais, ninguém deve mesmo ficar sabendo. Aliás, se não forem pai, mãe e filhos biológicos é família? Essa interferência do Estado na criação dos nossos filhos só pode ser coisa do PT, o único partido envolvido em corrupção e desmandos em nosso país. Além do mais, os petistas querem corromper as futuras gerações deste país e é preciso agir em nome da moral e dos bons costumes. Não entendo por que me chamam de coxinha, reacionário e conservador. Estou espantado!



*É Professor em Porto Velho.