sábado, 16 de março de 2019

Rondônia, a Meca do atraso


Rondônia, a Meca do atraso


Professor Nazareno*
               

Rondônia é o suprassumo da bosta. Dentre as 27 unidades da federação, é talvez a pior delas. Longe e muito distante dos grandes centros civilizados do mundo, o jovem Estado já devia ter sido anexado pela Bolívia há muito tempo. Aqui nada dá certo por mais que se tente. Sua inusitada, suja e fedorenta capital é uma curva de rio sem a menor qualidade de vida. Os políticos daqui estão entre os mais desonestos do país, embora sejam aclamados como heróis pela incauta e desinformada população. Rondônia é um destes lugarzinhos sem eira nem beira para onde só vem quem tem negócios ou tem a infelicidade de ter parentes morando aqui. As raras passagens de avião são as mais caras e cada vez mais os poucos voos ainda disponíveis para a “capital das sentinelas avançadas” são cancelados. O Estado é conhecido como a latrina do Brasil.
Aqui não há universidade estadual, não existe banco do Estado e o único que possuía já foi extinto, os seus ativos financeiros “doados” à elite política e a outros “empresários” e por isso o povo paga mensalmente uma “dívida eterna” à União. O lugar é tão miserável que mesmo possuindo três hidrelétricas, deve ter uma das mais altas taxas de energia elétrica do país. Tinha a Ceron, Centrais Elétricas de Rondônia, a tosca concessionária de energia elétrica, que foi vendida a preço de banana para uma tal Energisa de Minas Gerais, que junto com a Aneel empurrou goela abaixo dos otários consumidores locais um reajuste superior a 25 por cento. Na época, somente meia dúzia de políticos espertalhões se disse preocupados com o roubo. Agora, consumado o assalto, todos “colocaram sua viola no saco” e a Energisa ri à toa da cara dos lesados.
A capital dos “destemidos pioneiros” tem um hospital de Pronto Socorro. É um “açougue” imundo, caindo aos pedaços e sem a menor infraestrutura para onde só vai basicamente quem é pobre. É um “campo de extermínio de miseráveis”. O “velho açougue” tem desafiado um a um os governantes que assumem o poder neste “cu do mundo”. Lá os “problemas macro sempre predominam sobre os problemas micro”. Enquanto isso, sua paupérrima clientela de banguelas e despossuídos morre pelo chão feito inseto. Mas a cidade, por incrível que pareça, até que possui prédios suntuosos e caros que são verdadeiros palácios de ouro e que abrigam as várias instâncias da Justiça, os fóruns, os Ministérios Públicos e também os barnabés a serviço do Estado. Lugar infame e escroto, em Rondônia professor é proibido de merendar junto aos seus alunos.
Futebol de verdade não há. Só alguns times de nomes engraçados e das últimas divisões. Mas o Carnaval rondoniense é um dos melhores. Uma conhecida banda chega a colocar mais de cem mil pessoas nas ruas. Foi recentemente declarada não se sabe ainda o porquê como “patrimônio cultural” da cidade, embora sua maior contribuição seja somente gerar muitas toneladas de lixo, entulhos e seboseira por onde passa. O prefeito da capital, bem intencionado, colocou algumas flores para enfeitar uma das sujas ruas. Roubaram tudo e ainda quebraram os vasos. O brasileiro comum é um perfeito idiota. O rondoniense também. De política nada entende. E por isso não só ajudou a eleger o “Mito” como ainda defende as barbaridades ditas pelo arremedo de presidente. O Estado é a casa dos comissionados e do nepotismo. Por aqui ainda não choveu merda, mas Porto Velho é a única capital onde se improvisa transporte coletivo.




*É Professor em Porto Velho.

segunda-feira, 11 de março de 2019

Tsunami de mentirinha


Tsunami de mentirinha


Professor Nazareno*
           

Não sei o que se passa na cabeça de alguns políticos. Outro dia tive o desprazer de ler na internet uma matéria falando que “Não há Energisa que resista a esse tsunami do bem”. A dita matéria se referia à pressão que a classe política de Rondônia estaria fazendo em Brasília para reverter o aumento criminoso de mais de 25 por cento nas contas de energia elétrica que a Aneel deu de presente para os otários dos consumidores rondonienses. Com fotos estampadas de vários políticos, o escrito tecia loas às autoridades e dizia também que “o resultado ainda não veio, mas quando a vontade política se alia ao bom senso e os poderes se unem em favor do povo, não há Energisa que segure”. Palavras ilusórias de políticos sonhadores soltas ao vento. Discurso de pura enganação. Só trouxa para cair nesta lorota de que político quer o bem do povo.
Os que defendem os rondonienses devem ser pessoas do bem, otimistas incorrigíveis e que certamente só querem o melhor para seus conterrâneos. Só que não percebem que a Energisa “está cagando e andando” para os rondonienses. O aumento absurdo de mais de 25 por cento está vigorando em todas as contas de energia elétrica e mais aumentos vêm por aí. E parece que os políticos que apareceram na reportagem nada podem fazer. Eu mesmo este mês já recebi o meu talão de luz e fiquei estarrecido com o valor. Gastei menos quilowatts e mesmo assim vou ter que pagar mais dinheiro para a Energisa. Isso sem ter tido um só centavo de amento em meu salário de professor. Para evitar problemas futuros, já quitei a conta absurda que me foi cobrada. E todos os rondonienses deveriam fazer o mesmo se não quiserem ter problemas com a Justiça.
Rondônia sempre esteve jogada à própria sorte. Nunca teve nenhum político que realmente tenha se interessado por esta latrina. Único Estado do Brasil que jamais foi administrado por um autêntico filho nascido aqui, Rondônia e os rondonienses parece que já se acostumaram a dar tudo que é seu para os forâneos. Construíram hidrelétricas, estupraram o nosso meio ambiente e nada nos foi dado em troca. Esse reajuste é um acinte contra o povo desta terra. É uma violência inexplicável. Um roubo mesmo. Na época do ciclo do garimpo, nosso ouro foi levado e só nos ficou o mercúrio no rio Madeira e a violência social em nossas periferias. Nos outros ciclos econômicos, a história se repetiu: “nada para os nativos, tudo para quem é de fora”. A Energisa é de Minas Gerais e está aqui para auferir lucros e mais lucros. Os rondonienses que pastem!
O tempo está passando e tudo infelizmente cairá no esquecimento como sempre. Assim como eu, muitos já pagaram a suas contas sem dar um pio. Tenho muita inveja do otimismo dessas pessoas sonhadoras. E tomara que o governador de Rondônia, senadores, deputados federais, deputados estaduais, prefeitos, Ministérios Públicos e o setor produtivo local estejam mesmo batalhando em nome do povo de daqui. Ainda assim, muitos rondonienses “não estão nem aí” para a sua própria desgraça. A Banda do Vai Quem Quer, por exemplo, além de ter produzido várias toneladas de lixo e seboseira, colocou mais de cem mil pessoas nas ruas durante o Carnaval. Enquanto isso, somente dez ou doze abnegados foram a essas mesmas ruas para protestar contra o roubo da Energisa e da Aneel. Dizer que “os bandeirantes de Rondônia estão como sentinelas avançadas” revela uma hipocrisia que nos faz pensar que temos dignidade.




*É Professor em Porto Velho.

domingo, 3 de março de 2019


Porto Velho e seu símbolo maior: O LIXO

Singela contribuição da famosa e homenageada Banda do Vai Quem Quer à cidade. (Carnaval de 2019)

sábado, 2 de março de 2019

Sérgio Moro emparedado


Sérgio Moro emparedado


Professor Nazareno*

            
             O Ministro da Justiça e Segurança Pública, o ex-juiz Sérgio Fernando Moro, está se apequenando muito rápido no atual governo. O outrora todo poderoso chefe da Operação Lava Jato de Curitiba e tido como herói nacional pelos mais incautos e trouxas está vendo o seu prestígio descer ladeira abaixo. Paparicado por todos e endeusado como um caçador de corruptos além de ter sido um feroz combatente da corrupção, o juiz hoje não é nem a sombra daquela autoridade de tempos passados. Acusado de perseguir “somente os esquerdistas” e de ter condenado o ex-presidente Lula sem provas consistentes apenas para tirá-lo da disputa presidencial, o magistrado do Paraná já teve que voltar atrás com suas declarações e pior: foi desautorizado quando nomeou Ilona Szabór para o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária.
            A impressão que se tem é que Sérgio Moro condenou o petista somente para abrir caminho para o “Mito”, a cujo governo serve como um verdadeiro capacho. O Brasil perdeu um bom juiz e ganhou apenas um ministro “meia-boca”, igual ou pior a todos os outros que o antecederam. O ex-juiz já disse que Caixa 2 não é mais um crime tão grave assim. Entrevistas dele dadas anteriormente dizendo o contrário inundaram as redes sociais e mostraram ao país que até um juiz do porte dele, dependendo das circunstâncias e dos interesses em jogo, pode mudar de opinião em tão pouco tempo. Parece que a carta branca dada por Jair Bolsonaro ao seu “superministro” foi revogada. Se quiser ainda manter a fama, Moro tem que sair logo deste governo. Que poderes tem um ministro que não pode nem nomear uma simples funcionária de terceiro escalão?
Diz a História que Sobral Pinto, um dos melhores advogados que este país já teve, lutou ferozmente pela Liga de Defesa da Legalidade ainda na década de 50 do século passado para defender a candidatura de JK ao governo. Vitorioso, Juscelino teria convidado o advogado para integrar o seu ministério. Sobral Pinto rejeitou o convite e avisou ao novo presidente que seria dali em diante um fiscal do novo governo. “Lutei para conseguir sua candidatura à Presidência e não para participar de sua administração”, teria dito na época o eminente advogado. Moro, se não tivesse sido picado pela mosca azul, poderia ter dito isso ao “Mito”. Como magistrado, ele poderia investigar bem mais a fundo o “laranjal” dos Bolsonaros. Gozando do prestígio que possuía, seria muito mais útil aos brasileiros como juiz do que como um reles ministro.
Só que a classe política já tratou de tirar os poderes do ex-combatente juiz de Curitiba. Sérgio Moro precisa urgentemente salvar a sua biografia se ainda tiver quaisquer aspirações futuras e cair fora desse “governo de insanos”. Ainda assim, é um ministro considerado sensato num sinistro ambiente onde os “loucos e ensandecidos” assessores prevalecem e os filhos do presidente dão as cartas abertamente. “O atual governo do Brasil está entregue nas mãos de desequilibrados e desmiolados”, é a impressão que se tem. Em apenas dois meses, Moro descobriu que Brasília é diferente de Curitiba. Só que isso pode ser tarde demais. Ele já vive a sua prisão moral. Sem poder e sem prestígio, logo será ex-ministro e se aposentará, saindo para sempre da vida pública. Um fim melancólico e triste para quem há pouco tempo gozava de tanta admiração no país. “O justiceiro messiânico já queima como o Girolamo Savonarola.





*É Professor em Porto Velho.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Loucos conduzem cegos


Loucos conduzem cegos

Professor Nazareno*

            A tragédia teatral Rei Lear de Shakespeare produzida há mais de quatro séculos está de volta à realidade. Nela, um rei louco comanda todo um povo que está cego pelas circunstâncias e falta de conhecimentos. O Brasil, guardadas as devidas proporções, está também vivendo esta tragédia bem ao pé da letra. O governo de Jair Bolsonaro retrata perfeitamente a obra de Shakespeare. O “rei” daqui pode até não ser louco, mas antes e durante a campanha eleitoral falou tantas barbaridades e loucuras que muitas pessoas diziam que ele realmente “não tinha juízo”. Bolsonaro zombou dos quilombolas, atacou os homossexuais, ridicularizou a mulher, desrespeitou os direitos humanos, fez chacotas com esquerdistas, falou mal de todos e se portou como um verdadeiro doido. Porém, muito pior do que a postura deprimente dele foi a escolha dos seus ministros.
            Pelo menos dois assessores do atual governo nos dão a impressão de que realmente estamos vivendo em séculos passados. Damares Alves, já apelidada de “Doidamares”, ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos é uma figura ímpar neste governo. A pastora evangélica é motivo de piadas e chacotas toda vez que faz uma declaração. Ricardo Pérez Rodríguez, colombiano de nascimento e que ainda se expressa com um forte sotaque castelhano, completa a sinistra lista de ministros “desmiolados” do governo do “Mito”. Mas ainda há outros assessores do Bolsonaro que não deixam quaisquer dúvidas de que são pessoas “sem o menor juízo e totalmente sem preparo suficiente” para estarem assumindo postos tão importantes no governo de um país. A real impressão que se tem é que “um desequilibrado” se juntou a outros loucos.
            A ministra “Doidamares” iniciou suas loucuras dizendo ter visto Jesus Cristo em cima de um pé de goiaba. Foi chacota nacional. Virou piada nas redes sociais e os brasileiros “mais sensatos” quase lhe comem o fígado. Mas ela não parou por aí. Depois afirmou em rede nacional que “de agora em diante, os meninos vestem azul e as meninas vestem rosa”. Foi novamente massacrada, teve que pedir publicamente desculpas e voltou atrás nas suas declarações alucinadas. Já o ministro colombiano, que afirma ser patriota com o país dos outros, não fica atrás da insana ministra. Determinou recentemente que se deve cantar o Hino Nacional nas escolas de todo o país. E foi além com a sua demência explícita: “todas as crianças devem ser filmadas cantando”. Foi achincalhado publicamente, voltou atrás na sua decisão e pediu desculpas públicas.
            Os mais de 57 milhões de cidadãos brasileiros, “cegos” e desprovidos de conhecimentos mínimos e que votaram nessa gente conduzindo-a ao poder maior no país não merecem ser governados dessa maneira absurda e surreal. O Brasil, apesar de já terem dito não ser um país sério, não merece essa gente desmiolada lhe governando. É um “volta atrás com pedidos de desculpas” jamais visto na nossa História. Os “Bolsominions” estão em polvorosa e muitos já não têm mais onde botar a cara de tanta vergonha. O Brasil não tem sorte mesmo: tirou os ladrões petistas do poder por meio de um golpe constitucional e na sequência colocou outros ladrões comandados por Temer e sua gente e agora, achando que tinha resolvido seus problemas, tem que conviver com lunáticos varridos no governo. O povo, na sua ignorância eterna, de nada desconfia e crê que está sendo bem conduzido. Pena: Shakespeare e o mundo continuam rindo de nós.




*É Professor em Porto Velho.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

A UNIR e o “jeitinho”


A UNIR e o “jeitinho

Professor Nazareno*

            Unir é a Universidade Federal de Rondônia, embora a sigla não represente corretamente este Estado, cuja sigla é RO e não “R”. É uma universidade “meia-boca” sem nenhum prestígio sequer local ou regional. Lendo-se sua abreviatura, totalmente errada, não há a certeza de que se trata de um órgão federal muito menos em qual Estado se situa. A UFPB, por exemplo, é Universidade Federal da Paraíba. Já a UFPR é, claro, a Universidade Federal do Paraná. Mas o problema da única universidade pública de Rondônia não é somente a sua sigla. Nela funciona, por exemplo, há anos o curso de Medicina sem que haja um hospital universitário. Ali nem uma UPA há. Não duvidaria jamais da competência dos médicos formados por lá, mas um hospital ou até mesmo um “açougue” funcionando ali ajudaria e muito na formação de todos esses profissionais.
             Porém, mesmo com toda essa extrema penúria acadêmica, a Unir não é muito frequentada pelos alunos rondonienses. Estes se contentam somente com os cursos de menor procura. Em Medicina, para se ter uma ideia, há uma verdadeira invasão de acadêmicos vindos de outras unidades da federação. Por isso, ouvi falar de um projeto defendido pelo Deputado Federal Léo Moraes no sentido de se discutir a admissão “diferenciada” dos alunos de Rondônia. Um acinte, um absurdo se isso for verdade. Léo Moraes deve ser um homem inteligente e sabe que a Unir é bancada com recursos federais, embora se situe em terras karipunas. Logo, todo aluno de outra unidade da federação tem o direito de não ser barrado ali. Criando esta reserva de vagas se admitiria também que universidades de fora do Estado proíbam rondonienses de estudarem nelas?
            Tanto Léo Moraes quando os defensores desta excrescência deviam procurar saber por que alunos de Rondônia não conseguem entrar em sua única universidade pública para estudar e consequentemente atacar o problema e não criar “jeitinhos”. Essa postura me mete medo: os alemães, na década de 30 do século passado, também passaram a discriminar cidadãos não nascidos em território germânico. E deu no que deu. Se este absurdo atemporal for concretizado, seus idealizadores com certeza não pararão por aí. E a próxima medida discriminatória seria talvez a admissão de alunos pela cor da pele, pelo sexo ou pela posição político-filosófica. Léo Moraes certamente entraria para a História deste fracassado Estado se ajudasse a criar uma universidade estadual ou até municipal. Aí sim, poderiam implantar essas barreiras discriminatórias.
Os estudantes rondonienses são bons e têm competência de serem até melhor e mais bem preparados do que os do Sul do país ou de qualquer outra parte do mundo. Sou professor e sei disso. Não podem é querer triunfar da pior forma possível, criando “penduricalhos”, “bolsonarices” e “cláusulas de barreiras” só porque nasceram aqui. As escolas de ensinos Fundamental e Médio de Rondônia têm que melhorar e muito. Principalmente as públicas. E todos nós profissionais da educação temos que lutar para que isso aconteça. Rondônia é um dos poucos Estados do Brasil que não possuem uma universidade estadual ou municipal. E isso é tão vergonhoso quanto inventar quebra-galhos” absurdos, dispensáveis e anacrônicos. Duvido que os alunos do curso de Direito da mesma Unir, que vão representar o Brasil na Áustria em uma competição mundial, entraram na universidade de forma errada e na mamata. Há como não se orgulhar deles?




*É Professor em Porto Velho.

sábado, 23 de fevereiro de 2019

Rondônia será bombardeada?


Rondônia será bombardeada?


Professor Nazareno*

            Desde a Segunda Guerra Mundial que o Brasil não participa de uma guerra de verdade. E mesmo assim, naquele conflito entramos somente por causa da pressão dos Estados Unidos, já que o ditador Getúlio Vargas mantinha relações até amistosas com o III Reich de Adolf Hitler. Fomos ao conflito e não mudamos absolutamente nada na geopolítica mundial. O Brasil, como sempre, serviu de chacota internacional na época. E eis que agora estamos na iminência de participar de outra guerra: o governo do “Mito”, lacaio dos interesses norte-americanos, insiste na derrubada do ditador Nicolás Maduro da Venezuela. O nosso país não deveria se meter em assuntos internos de outras nações. O problema da Venezuela deve ser resolvido pelos venezuelanos. A nossa participação deveria ser de ajuda humanitária e respeitando a autodeterminação alheia.
            Bastou um capitão e um general assumirem a Presidência da República para que a ameaça de guerra pairasse sobre nós. Carlos Bolsonaro, um dos filhos-problema do nosso presidente, defendeu uma solução militar para a crise venezuelana e o assassinato do presidente do país vizinho. Mesmo sendo submisso a Donald Trump, que pretende se apoderar do petróleo da Venezuela, Jair Bolsonaro não deve embarcar nesta aventura maluca. O ditador Maduro não tem nada a perder e sob intensa pressão internacional pode piorar as coisas para nós. A Venezuela já posicionou mísseis SV-300 ao lado da nossa fronteira. Além do mais, eles têm os temíveis caças Sukhoi-30. E qual é a nossa tecnologia para um conflito desses? Uma guerra agora seria o caos, o fim. Será que os eleitores do “Mito” estão festejando a possibilidade de brigas com os nossos vizinhos?
            Tremo de medo só de pensar na possibilidade de bombardearem partes do nosso território. Já pensou se mísseis forem lançados contra Rondônia e Porto Velho? Porém, acho que as forças bolivarianas não perderiam tempo com esta “província de bosta”. As hidrelétricas da região “iriam para o saco” em pouco tempo e nem precisariam da força do velho rio Madeira enfurecido. Com as bombas, a merda abundante que existe na cidade jorraria a esmo. Porto Velho viraria uma fedentina só. Algo até normal para seus habitantes. Será que as nossas “forças” conseguiriam impedir a catástrofe sobre nós? Os supersônicos Sukhoi-30 dariam um passeio nos nossos “teco-tecos” já enferrujados e obsoletos. Isso sem falar na Rússia e na China, aliados de Maduro, que certamente entrariam no conflito. Rondônia ser riscada do mapa seria algo muito bom para todos.
Mas não vai haver guerra nenhuma e Rondônia não será destruída desta vez. Nossas Forças Armadas são muito fracas para o combate, pois têm munição para apenas uma hora de conflito. Nossa guerra deveria ser para combater a pobreza, a péssima educação que temos, a violência interna, a injustiça, o analfabetismo e a desigualdade social. Não para matar vizinhos pobres. E quem precisa no momento de ajuda humanitária é o nosso país, não os venezuelanos. Além do mais, “a ajuda humanitária para a Venezuela é apenas um pretexto para a invasão daquele país”, dizem os russos e chineses, que já estão monitorando a situação. Ainda assim, se eu morasse em Manaus ou Boa Vista, por exemplo, estaria “com as barbas de molho”. Se o Brasil “piorar as coisas”, teremos apenas “um lacaio do imperialismo fazendo a vontade do seu patrão, os EUA”. Apenas dois meses de governo e já temos a iminência de uma guerra. É mole?




*É Professor em Porto Velho.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Sirenes debochadas e tardias


Sirenes debochadas e tardias


Professor Nazareno*


O brasileiro só fecha a porta depois que foi roubado”. Esse é um dos ditados populares mais corretos e perfeitos de que se tem notícia. E a triste realidade que estamos vivendo não nos deixa nenhuma dúvida. A tragédia de Brumadinho em Minas Gerais é um claro exemplo disso. Antes do rompimento da barragem, nenhuma sirene tocou para alertar as pessoas do perigo iminente. O resultado foi mais de 320 mortes. Agora, depois da tragédia consumada, todo dia é um soar de sirenes por todos os cantos. Moradores das várias cidades que têm barragens já perderam o sossego. “Ninguém consegue mais dormir direito com o barulho, desnecessário agora, dessas sirenes”, disse um morador de Nova Lima em Minas Gerais. “Parece que elas estão debochando de nós, pois tocam a esmo sem nenhum perigo à vista”, reclamam outros moradores.
No Brasil infelizmente as coisas parecem que só funcionam assim. E o atual governo do “Mito” Jair Bolsonaro não deixa quaisquer dúvidas. É um governo que só produz notícias ruins. Mas agora é tarde. O cara já está instalado no Planalto e de lá só vai sair depois de pelo menos uns quatro anos. A hora é de começar a cobrar responsabilidades de quem o elegeu para tentar evitar outra desgraça dessa no futuro. “O nosso país não merecia um governo desses e nem ser governado dessa maneira”, é a impressão que se tem. A maioria dos assessores escolhidos é de um amadorismo fora do comum. Parece um governo de mentirinha. Da exótica ministra Damares Alves até o recém-exonerado ministro Gustavo Bebiano e passando pelo ex-juiz Sérgio Moro que as trapalhadas se sucedem numa frequência nunca vista. “Estamos no mato sem cachorro”.
Dá nojo ver a cara lavada dos eleitores do “Bozo” tentando arranjar desculpas para os embustes do “Mito”. E ainda não se completaram nem dois meses desse governo atrapalhado. As barbaridades que ele falava antes de ser eleito deviam ter sido levadas em conta antes de se elegê-lo para governar um país complexo como o Brasil. Todos os seus eleitores foram mais uma vez enganados e nada podem fazer a não ser lamentar. Em Rondônia, a situação até agora em nada mudou. O nepotismo é uma triste realidade que teima em se repetir nesse Estado na maior cara de pau. O número de comissionados sem concurso já passou a incrível marca das quatro mil contratações e ainda vem mais por aí. Nenhum governo anterior conseguiu esta cifra absurda. Se isso for mudança é uma mudança para pior. Até merenda está faltando nas escolas nesse início de governo.
Sérgio Moro, o outrora sisudo e “competente” juiz da Lava Jato e agora Ministro da Justiça, já disse que “Caixa 2” não é mais corrupção. Por isso, até virou chacota nas redes sociais. A impressão que se tem é que o Brasil perdeu um juiz fiel às leis e ganhou um ministro que compactua descaradamente com o pensamento da classe política vigente. O laranjal do PSL, partido que elegeu o presidente, está aí para todo mundo ver e vergonhosamente contemplar. É um escândalo atrás do outro, infelizmente. Os filhos do Bolsonaro são piores do que os filhos do Lula. Michel Temer e muitos de seus colaboradores continuam soltos e as punições abrandam-se e diminuem cada vez mais. As sirenes tocam e mostram a terrível barafunda em que este país se meteu. Só que elas estão tocando muito tarde. A desgraça já está feita. O Brasil virou piada no mundo civilizado. A lama podre já começou a inundar todo o país. Entramos na Idade Média.




*É Professor em Porto Velho.

sábado, 16 de fevereiro de 2019

Essa conta é nossa, sim!


Essa conta é nossa, sim!


Professor Nazareno*

            Alguns “gatos pingados” foram recentemente às ruas de Porto Velho para protestar contra o aumento de mais de 25 por cento na conta de energia elétrica em Rondônia. Muitos políticos oportunistas também estavam lá fazendo discursos zangados contra a Energisa e a Aneel, a estatal que cuida do setor energético. Falas raivosas e cheias de emoção contaminaram o insólito ambiente. Aplausos e mais aplausos ecoavam cada vez que alguém falava. Só que aquele “circo dos horrores” não passou de uma encenação patética, ridícula, sem sentido e totalmente fora de hora e de propósito. Se realmente a classe política local e algumas pessoas daqui estão contra esse aumento que eles consideram abusivo, por que permitiram que a antiga Ceron, as Centrais Elétricas de Rondônia, fosse privatizada por um dos menores preços do mercado?
            Dava até pena quando os sindicalistas e alguns funcionários saíam às ruas para protestar contra a iminente privatização da empresa. Eram ridicularizados pelas pessoas e acusados de não quererem trabalhar. “Bando de preguiçosos e arruaceiros” era o falatório que mais se ouvia. “Tem que privatizar mesmo, só assim ela funcionará melhor”, diziam todos de peito estufado. O consumidor rondoniense sempre desdenhou dos trabalhadores e dos sindicalistas. E muitos dos atuais políticos sequer saíam de seus afazeres para defender quem quer que fosse. A Ceron foi privatizada e vendida a preço de banana (50 mil reais) sem que houvesse no momento uma só voz a se levantar contra este absurdo. Agora, depois que o leite está derramado e a desgraça já instalada, querem protestar e mostrar serviço dizendo que estão ao lado de toda a população sofrida.
Tarde demais. A classe política covardemente deixou que mais este patrimônio dos rondonienses fosse “doado” a forasteiros. Votaram em massa no Bolsonaro e na sua trupe mesmo sabendo que a “privataria” vai continuar sem freios. Caerd, Porto, aeroporto, estádio, BR-364, BR-319, ponte sobre o rio Madeira e até o próprio Estado de Rondônia pode ser dado de graça para quem é de fora. Com o falido BERON foi assim, gerando uma dívida absurda e eterna que pagamos até hoje. E o que os rondonienses ganharam com isso? Nada. No caso das hidrelétricas do rio Madeira, que segundo seus sábios técnicos “nem Deus as arrebenta”, o saldo que ficou foi só de desgraças, caos social e infortúnios. Estupraram o meio ambiente de Rondônia e o presente que ficou para grande parte da capital foi “viver sob a espada de Dámocles”.
Os rondonienses de um modo geral são explorados, estuprados, enganados, roubados, vilipendiados e nada fazem. Não resistem contra o opressor. Não esboçam qualquer reação contra a destruição de seu meio ambiente, por exemplo. Por isso, este “aumentozinho” nas contas de energia elétrica é apenas mais uma face da patifaria a que nos acostumaram. Rondônia nunca foi governada por um legítimo filho da terra. Sua fedorenta e suja capital nunca foi administrada por um rondoniense. Os melhores empregos são dados aos forâneos. Então, essa conta é nossa, sim! Temos que pagá-la sem esboçar um pio. E vem mais aumento por aí. Não entendo o porquê da chiadeira: “ganhamos” um Shopping Center para os nossos jovens, “ganhamos” uma linda ponte, “ganhamos” viadutos, “ganhamos” uma excelente passarela para fazermos “fotinhas”, “ganhamos” um lindo aeroporto internacional. Povo feliz, reclamando de barriga cheia.




*É Professor em Porto Velho.

domingo, 10 de fevereiro de 2019

O JBC dá certo. Por quê?


O JBC dá certo. Por quê?

 Professor Nazareno*

            JBC é a escola Professor João Bento da Costa da zona sul de Porto Velho. É uma escola pública mantida pelo Estado de Rondônia. É relativamente nova, pois tem pouco mais de 20 anos de funcionamento. Mas é uma escola muito diferente da triste realidade do falido sistema educacional de Rondônia e do Brasil. Apesar de ser pública, a referida escola pode ser comparada em alguns itens às melhores escolas particulares de Porto Velho. Sou suspeito para falar da excelência deste estabelecimento de ensino, já que trabalho lá há mais de duas décadas e onde há exatos 17 anos ajudei a criar, com os professores José de Arimatéia de Geografia e Walfredo Tadeu de História, o Projeto Terceirão na escola pública. O professor Suamy Vivecananda, atual secretário de Estado da Educação nos ajudou muito nesta tarefa e foi um dos seus primeiros diretores.
            Com o professor Suamy à frente do Projeto Terceirão, a escola JBC alcançou níveis espetaculares de rendimentos para uma escola pública. Ano após ano, os alunos foram sendo aprovados em vestibulares espalhados pelo país afora. Da Unir, a Universidade Federal de Rondônia, às mais respeitadas universidades do sul do país, os alunos do JBC conquistaram vagas e mais vagas com as suas notas. Letras/Português, Licenciatura em História, em Química, Direito, Bacharelados, Medicina, Engenharias, Psicologia, dentre muitos outros cursos, foram opções dos “nossos meninos”. O trabalho de excelência, no entanto, continuou com o professor Chiquinho Lopes na direção da escola por oito anos seguidos e que a partir de agora tem nas professoras Lady Ribeiro e Juci Graminholi, a certeza de continuidade da “escola pública que sempre deu certo”.
            Claro que Porto Velho e Rondônia têm algumas outras escolas públicas muito boas também. Porém, o diferencial do JBC talvez sejam os professores. Além, claro, de excelentes alunos que já passaram pelo estabelecimento de ensino. Das turmas de primeiros anos até o Projeto Terceirão, há uma “simbiose” entre os mestres. Professor do João Bento não faz greve, embora não concorde com o salário de miséria que recebe. “Aqui é proibido o aluno ter aula vaga”, diz um professor do projeto. “Nós substituímos o colega que está doente ou impossibilitado de ir trabalhar”, conclui. O JBC acompanha as provas do ENEM e incentiva todos a estudar e dar o máximo de si. Por isso, os alunos Estevão Belfort e Dawson Melo fizeram 980 pontos na redação. Teynan Antônio e Luiz Henrique fizeram 960 pontos e Thiago Espósito e Francianni Diniz, 940.
            Mesmo com alunos obtendo notas de “aluno de qualquer escola particular”, o João Bento da Costa ainda tem sérios problemas de infraestrutura e a última reforma feita na escola, que durou “somente” o ano inteiro de 2018, trouxe sérios transtornos a professores, funcionários e alunos. Ainda assim, no ano passado, o JBC representou Rondônia nos Estados Unidos quando o diretor Chiquinho foi lá para receber o prêmio de gestão escolar/2017. “As aulas no JBC deveriam ser de turno integral já há tempos”, lamenta um dos professores do Projeto Terceirão. “Agora com o professor Suamy à frente da SEDUC este sonho pode se tornar uma realidade”, avalia. Os professores desta escola ganham a mesma coisa que os professores de outras escolas estaduais de Rondônia, mas fazem questão de dizer que escola pública de qualidade ainda é possível e se faz com muita garra. O João Bento quer ser diferente do outro João: o “açougue”.




*É Professor em Porto Velho.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Tragédias com jeitinho


Tragédias com jeitinho


Professor Nazareno*

            
            Acidentes acontecem. Isso é um fato. Mas no Brasil eles são de certa forma consequências da “brasileirice” e do famoso jeitinho que costumam orgulhar tanta gente por aqui. As tragédias se multiplicam pelo país e somente neste início de ano, já tivemos dois casos que chocaram o mundo: o rompimento da barragem em Brumadinho e o terrível incêndio na concentração do Flamengo, o Ninho do Urubu. O saldo das duas catástrofes é aterrador: quase 400 mortos. Porém, o pior nestes dois casos é que tudo isto poderia ter sido evitado. Isso se esses fatos tivessem ocorrido em um país sério do Primeiro Mundo, onde segurança é levada ao pé da letra. Para se ter uma ideia, o Flamengo foi multado pelos menos 30 vezes pela Prefeitura do Rio de Janeiro por causa de suas instalações. O local não tinha alvará de funcionamento, ainda assim funcionava.
            Segundo ainda a Prefeitura do Rio, faltava um documento do Corpo de Bombeiros e por isso o centro de treinamentos estava interditado. Infelizmente tem sido assim em quase todas as nossas tragédias. Providências só são tomadas depois que acontece o pior. Pouco tempo depois, todo mundo se esquece do ocorrido e a vida “volta ao normal”. Foi assim em Santa Maria na Boate Kiss quando por total irresponsabilidade dos seus proprietários e também do Poder Público, pelo menos 242 jovens perderam a vida. Até hoje, seis anos depois, ninguém foi preso e parece que nunca será. Muito menos responsabilizado pela tragédia que chocou o mundo. Nos dias que se seguiram, boates espalhadas pelo Brasil inteiro foram vasculhadas e fiscalizadas como se o nosso país fosse os Estados Unidos ou a Alemanha. Tudo encenação pura.
            Em Brumadinho, a barragem da Vale soterrou mais de 350 trabalhadores brasileiros. Na Justiça, até agora, não aconteceu absolutamente nada com o presidente da companhia e nem com os seus donos. Somente alguns funcionários foram presos e já soltos dias depois. Preso mesmo quem ficou foram os pobres trabalhadores. E na lama tóxica da barragem assassina. Agora, sirenes tocam quase todos os dias para alertar a população. Outra encenação estúpida somente para mostrar eficiência: por que estas malditas sirenes não tocaram na hora da tragédia para avisar a todos? Depois da hecatombe em Minas Gerais, barragens no Brasil inteiro estão sendo fiscalizadas pelas autoridades. Menos a de Santo Antônio a sete quilômetros do centro de Porto Velho e a de Jirau, pois estas barragens, segundo seus “sábios” técnicos, são totalmente seguras.
            Parece que todos têm a certeza de que “nem Deus estoura essas barragens de Rondônia”. E como o brasileiro só coloca a tranca na porta depois que foi roubado, é bom “botarmos as barbas de molho”. A hidrelétrica de Santo Antônio fica de frente para a capital do Estado. Está bem ali só esperando a hora de testar a “capacidade humana”. Quem já foi orientado dos riscos se uma possível tragédia acontecer? Nunca houve treinamento para uma evacuação em massa. Sabe-se que em Rondônia as autoridades não evacuam as pessoas, mas nas pessoas. Onde há sirenes pela cidade? Quantas mortes ocorrerão em caso de rompimento daquele “troço” cheio de lama? Se o pior acontecer, quem será responsabilizado? Por que a Capitania dos Portos daqui  permite, por exemplo, que barcos viajem sem que ninguém seja obrigado a usar o colete salva-vidas? Brumadinho, Mariana, Santa Maria. Porto Velho seria só mais um nome?




*É Professor em Porto Velho.