quinta-feira, 22 de junho de 2017

Não visitem Paris!


Não visitem Paris!

Professor Nazareno*

            Durante a última semana, o estudante cearense Max Petterson Monteiro fez um vídeo engraçado falando mal do calor de Paris e também dos hábitos dos franceses de um modo geral. O relato do brasileiro, que mora há mais de três anos na capital francesa, fez sucesso nas redes sociais. Eu faço coro com o rapaz e afirmo sem nenhum ressentimento que visitar Paris é uma das maiores tolices que se pode fazer na vida. Eu já fiz isso e me arrependo até hoje. Embora seja a cidade mais visitada do mundo, a capital dos franceses não oferece muitas coisas boas a seus visitantes. A começar pelo calor que é infernal. Diferente de muitas outras cidades europeias, a umidade relativa do ar desencoraja qualquer um a visitá-la. Aquilo é um inferno que fica longe de tudo e de todos. Já faz muito tempo que se devia destruir a cidade para se construir tudo de novo.
            Infelizmente Paris é uma capital de Estado, mas não deveria ser. É suja, fedorenta, sem arborização, sem esgoto, violenta, sem mobilidade urbana, sem água tratada e imunda. O lixo é comum no meio das ruas após qualquer manifestação. Dentre as cidades francesas é a pior para se morar. Quase todos os seus habitantes são sujos, feios, caipiras e também fedem. Afirma-se que eles não gostam de tomar banho só para sentirem o fedor de suas podres axilas. Paris é banhada por um rio, o Sena. Nele fizeram uma ponte que não tem serventia para nada, uma vez que do outro lado da capital não existe sequer uma única vila. Ou seja, liga o nada a coisa alguma. Até hoje essa maldita obra só serviu para aumentar o número de suicídios entre os franceses. E o pior é que à noite é escura feito breu. Gastaram mais de 300 milhões de reais à toa, para nada.
            Paris tem dois tipos de moradores. O nativo, que é passivo, abestado, acomodado, preguiçoso e indolente. Adora dar o que tem aos outros só para ver a alegria alheia. Tem também o “parisiense de coração”, que é esperto, forasteiro e metido a trabalhador. Esse cidadão vive fazendo mentirosas juras de amor à cidade, mas todo mundo sabe que quando ganhar dinheiro o suficiente ou se aposentar vai “picar a mula” e voltar para o grotão onde nasceu. Os políticos parisienses são quase todos ladrões, corruptos e mal feitores. Em toda eleição enganam descaradamente o povo otário com promessas que nunca serão cumpridas. Em Paris não há boas escolas nem universidades conceituadas e o precário sistema de saúde só tem um hospital de pronto socorro que mais se parece um campo de concentração. Lá eles exterminam só pobres.
            Como o povo dali é burro e os políticos muito espertos, Paris está repleta de obras inacabadas. Existem uns viadutos horrorosos e mal feitos que há mais de dez anos enfeitam a saída, ou a entrada, da cidade e só servem para atestar a incompetência dos homens públicos da capital francesa. Há também por lá um lugar de lazer chamado Espaço Alternativo cuja existência é uma ameaça constante aos poucos voos de um dos aeroportos da cidade. Não sei se o Charles de Gaulle ou o de Orly. O transporte coletivo em Paris é um inferno. Existe uma linha de nome interbairros que demora um dia para fazer o “rolé” completo. Como um cabaré ou uma currutela, a cidade está dividida em zonas. A zona leste é a mais chique enquanto a zona sul é a mais habitada. A prefeita da cidade, Anne Hidalgo, é um embuste, uma farsa. Não fez nada útil até agora e vive só iludindo os bajuladores com papo furado. Quem diabos teria coragem de visitar Paris?




*É Professor em Porto Velho.

sábado, 17 de junho de 2017

Espaço dos Curupiras


Espaço dos Curupiras


Professor Nazareno*

            Curupira é um ser mitológico muito conhecido em toda a Amazônia brasileira. Trata-se de um jovem muito danado, de cabelos vermelhos, pés virados para trás e um exímio acrobata que anda pendurado nas árvores de toda a região. Acredita-se que o Curupira não tenha nenhum dos órgãos excretores e por isso não defeca nem faz xixi. Baseados neste ente demoníaco e surreal, autoridades de Rondônia refizeram o Espaço Alternativo de Porto Velho. Não para homenagear a lenda e as crendices populares da região, mas pelo singelo fato de não haver na suntuosa e eleitoreira obra um único banheiro onde os atletas de fim de semana possam fazer suas necessidades fisiológicas. O único espaço de lazer dos porto-velhenses se localiza no caminho do desajeitado aeroporto da cidade e tem chamado ultimamente a atenção pelas esquisitices vistas ali.
            Esse Espaço Alternativo não foi criado por nenhuma autoridade ou governante, mas pelo povo e hoje é uma verdadeira vitrine para políticos mal intencionados. Trata-se da continuação da Avenida Jorge Teixeira que faz a ligação entre a cidade e o seu aeroporto, dito internacional pelos mais incautos e sonhadores. Se levada ao pé da letra a questão da segurança, essa área de lazer nem deveria existir, pois representa um sério perigo não só para o acanhado movimento de aeronaves, mas principalmente para as pessoas que fazem suas caminhadas diárias naquele local. Todos os dias entre as cinco e as oito horas da manhã e também entre as cinco e oito da noite, fecha-se uma das ruas para as pessoas caminharem. O perigo reside no fato, perfeitamente possível, de haver um acidente de grandes proporções na única pista de pouso do campo de aviação.
            Como transportar os feridos para os hospitais da cidade se uma das ruas estiver entupida de pessoas caminhando? Como fazer para que equipes de socorro se desloquem com mais rapidez para o local do sinistro? Como evacuar multidões de uma hora para outra? É mais fácil para as nossas autoridades evacuar nas pessoas em vez de evacuá-las. Como se vê: esse caminho mais curto pode não ter adiantado de nada na hora de um sufoco. Óbvio que se espera que isso nunca aconteça, mas se acontecer em quem colocar a culpa pelo dimensionamento da tragédia? Mas pensando bem: levar feridos para os hospitais da cidade adiantaria alguma coisa? Acho que as autoridades pensaram nisto. Hospital de Base e Hospital João Paulo Segundo atenderiam os feridos adequadamente? É melhor ficar agonizando na pista e esperar outro voo para cair fora.
            Por questões estritas de segurança, o Espaço Alternativo deveria ser retirado dali. Se fosse implodido, ninguém mais se elegeria deputado ou senador e tudo ficaria muito mais seguro. Ou então que se faça outra ligação entre a cidade e o aeroporto que não tenha que ser interrompida perigosamente em nenhum horário. Por que não se faz uma pista de caminhada ao lado do imponente rio Madeira? O consórcio que construiu Santo Antônio devia ter pensado nisso. Aliás, lindas passarelas ao lado de rios não faltam nas cidades amazônicas. Humaitá e Santarém, por exemplo, têm lidas pistas de caminhada ao lado dos rios que lhe banham. A única coisa que este consórcio fez foi um porto meia boca que já está parado, danificado e sem uso. Sem banheiros, o Espaço dos Curupiras é uma boate a céu aberto, servindo como pista de racha e onde se encontra o maior número de preservativos usados por metro quadrado da capital. E as letrinhas?




*É Professor em Porto Velho.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

E se nada der certo?


E se nada der certo?

Professor Nazareno*
           
Alunos do Ensino Médio de uma escola particular gaúcha, o Instituto Evangélico de Novo Hamburgo (IENH), na região metropolitana de Porto Alegre, promoveram uma “atividade pedagógica” chamada “Se nada der certo” e se vestiram com roupas de empegadas domésticas, faxineiras, motoristas de ônibus, ambulantes, garis, cozinheiros e outras profissões que “na visão deles” representam o fracasso na escala trabalhista do país. A chiadeira foi geral. A hipocrisia tomou conta das redes sociais como se o mundo tivesse acabado. Nada mais natural num país cuja sociedade sempre foi dividida, como no livro Casa Grande e Senzala de Gilberto Freyre. A atividade foi preconceituosa, sim, pois não levou em conta a importância dessas profissões nem o grau de felicidade e empatia que esses profissionais possam ter. Mas foi realista e retrata o que é o Brasil.
O nosso país tem mais de 500 anos e nunca deu certo. É um fracasso quando comparado com as potências mundiais de verdade. Somos o país do jeitinho, da gambiarra e ninguém nunca reclamou. Os alunos poderiam ter se fantasiado de político. Presidente da Câmara, deputado federal, prefeito, vereador ou mesmo senador da república não faria diferença. De preferência todos eles vestidos de presidiários e com algemas. Ou você vai dizer que a profissão de político no Brasil é algo que deu certo? Qualquer um dos alunos poderia ter se fantasiado de Michel Temer com o seu governo golpista e fracassado que também nunca vai dar certo. Ser ambulante, vendedor de picolé, camelô, pipoqueiro ou outra profissão afim significa um fracasso? Sim. Pelo menos em nossa cidade a atual administração do PSDB não os vê com bons olhos.
Porto Velho, por exemplo, também nunca deu certo como cidade. É uma porcaria só. Um eterno fracasso. É, segundo dados do IBGE, a latrina do Brasil, a desgraça do mundo. A nossa capital é suja, mal administrada, violenta, podre, fedorenta, sem água tratada, repleta de obras eleitoreiras e inacabadas, com lama no inverno e poeira no verão, com apenas 2% de esgotos e saneamento básico, sem arborização e com o pior IDH dentre as capitais do país.  Mas muitas pessoas tolas declaram amor ao lodaçal como se aqui houvesse coelhinhos saltitantes e borboletas azuis. Muitos cidadãos porto-velhenses comodamente fecham os olhos para a carniça e a fedentina. Com mais de cem anos, até agora nada deu certo na capital dos “destemidos pioneiros”. Só umas letrinhas no caminho do aeroporto parecem ter conseguido aprovação geral.
Tolice repreender a escola gaúcha e seus alunos. Basta encarar a realidade deste país chinfrim sem ética e sem respeito pelos ditos mais humildes. Quem não quer que seu filho seja médico, advogado ou engenheiro? Nenhum professor dá aulas para seus alunos e torce para que eles sejam vendedores de balinhas de gengibre nos sinais ou as suas alunas se transformem em “lavadeiras de cuecas de marido”. Muito menos para serem garis ou diaristas. Porém, se dar bem na vida não é necessariamente ter profissões reconhecidas como sendo da elite. Muitas vezes quem passa, arruma, limpa, conserta, vigia e lava pode ter mais equilíbrio pessoal, felicidade e empatia do que muita gente que estuda em colégios grã-finos e esnoba outras profissões. Só que não tem dinheiro nem fama, termômetros ridículos em nosso meio social falido. E talvez nunca se eleja político. Juro que não entendi: por que nenhum dos alunos se fantasiou de professor?




*É Professor em Porto Velho.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Nazareno, o lixo de Rondônia!


Nazareno, o lixo de Rondônia!



Professor Nazareno*

            “Posso não concordar com uma só palavra do que dizeis, mas defenderei até a morte o vosso direito de dizê-las”.  Quando Voltaire disse isso, não imaginava que num futuro distante haveria um lugar chamado Porto Velho, capital de um Estado chamado Rondônia. O Brasil, infelizmente, já existia, mas certamente não era do conhecimento do grande filósofo francês. Longe, mas muito longe mesmo de ser um pensador, filósofo, ensaísta ou alguém de destaque, eu gosto de escrever textos. Não sou  governador, mas tenho um blog (http://blogdotionaza.blogspot.com.br) onde publico os meus escritos. Sou, claro, professor de Redação e produzo textos como forma de treinar e incentivar meus alunos. Nada mais natural, o problema são as reações incoerentes que às vezes passam dos limites, não com os textos ou suas ideias, mas comigo mesmo.
            Confesso que fico espantando com a repercussão de alguns destes escritos. Um dos últimos que escrevi foi “Em busca de um símbolo” criticando a presepada que fizeram com o Espaço Alternativo de Porto Velho. Mais de duzentas mil pessoas leram o referido artigo, conforme consta no site Tudorondonia, no meu blog e nos comentários nas redes sociais. São mais de 10 mil comentários, curtidas e compartilhamentos. Geralmente não leio as reações, pois além do respeito tenho muito carinho por todos os meus leitores. Posso não estar com a razão, mas é dessa maneira que penso sobre o fato. Porém, muitos desses meus leitores, zangados, partem para a ignorância sem medir possíveis consequências futuras. Não entendo por que leem o Professor Nazareno quando têm Foucault, Machado, Drummond, Clarice, Sartre, Euclides da Cunha, etc.
            Muitos outros textos são criados a partir dos meus. E isso é muito bom: um texto dando combustível a muitos outros. Fico realizado. Joelson Teixeira, por exemplo, produziu um escrito sensacional. Marcelo Negrão produziu outro, também muito bom. Vinícius Canova, idem. E até pessoas que não moram mais aqui nem vivem nossa triste realidade também se inspiraram para expor suas ideias. Como o senhor Diego Paes que fez um excelente escrito, embora muito apelativo e senso comum. Uma ex-aluna minha, Luciana Mourão, que mora em São Paulo, também contribuiu com seus belos escritos.  Porém, há fatos tristes. Thalita Vitória afirmou: “nunca gostei dele e depois dessa só tenho mais desprezo por ele”. Voltaire tremeu no túmulo. Ricardo Erse, outra pessoa maravilhosa, disse: “A eterna imbecilidade defecada pelos dedos do tal professor”.
Carlos Caldeira, pessoa fantástica, ex-candidato a vereador de Porto Velho e homem muito sensato se saiu com esta: “Eu acho que o Professor Nazareno já levou muito chifre em Porto Velho, pra ele odiar tanto a cidade”. Outra leitora disse que o Tudorondonia deveria ser censurado. Juliana disse que o texto era desprezível e quem o escreveu mais ainda. Como ela sabe? Muitos outros leitores apelaram para a censura pura e simples e atacaram o autor, não a obra. Esqueceram-se da nossa Constituição e da liberdade de expressão? Uma pena. Mas muitos me deram razão e detonaram mais ainda com a “capital do lodaçal” e seus incompetentes gestores. Sem os referidos textos, será que as pessoas demonstrariam tanto amor assim à cidade? Pior: se não levar um tiro, eu o “lixo de Rondônia” continuarei escrevendo sobre Porto Velho, o Brasil e o mundo. Há defeitos? Consertem ou os mostro. E se não gostarem, não leiam. Simples.




*É Professor em Porto Velho.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Não saia, Michel Temer!


Não saia, Michel Temer!


Professor Nazareno*


               O atual presidente do Brasil, Michel Temer, tem apenas 3% de popularidade segundo recente pesquisa divulgada na mídia. Pior: segundo essas mesmas pesquisas ele conseguiu a proeza de unir o Brasil inteiro contra a sua própria pessoa. É um número muito baixo, claro, mas mesmo assim se eu fosse o mandatário brasileiro continuaria teimando em não deixar de jeito nenhum a Presidência da República. Só sairia à força, como ele mesmo já admitiu, ou então por meio de um golpe de Estado. Igual ao que ele e seus amigos reacionários deram na Dilma Rousseff e no PT em abril de 2016. E o motivo é simples: com um povo xucro e chinfrim que tem em nosso país, “sua excelência” está de bom tamanho para governar essa gentinha. O ditado popular não diz que cada povo tem o governo que merece? Então o Brasil merece o governo que aí está.
                Todo mundo sabe que este medíocre governo “está mais sujo do que pau de galinheiro”. Há entre os mais variados setores da vida pública nacional a certeza de que o seu governo foi um fantoche criado apenas para livrar muitos de seus integrantes da cadeia por causa da Operação Lava Jato. Muito pior do que isso foram as delações comprometedoras de Joesley Batista da JBS. Michel Temer está na linha de tiro e pode ser cassado por várias razões. As pressões não param. Só os pedidos de impeachment já ultrapassam uma dúzia. Todos, óbvio, já devidamente engavetados por Rodrigo Maia, seu amiguinho e presidente da Câmara dos Deputados. Ainda assim, Temer insiste em não abandonar a cadeira de presidente da República. Muitos alegam que as recentes conquistas na economia podem ser perdidas com a sua iminente e abrupta saída.
            Além do mais, se ele cair, é o Congresso Nacional que fará a escolha do próximo mandatário. Isso mesmo: a eleição será indireta e serão os senhores deputados federais e os senadores que dirão ao país quem será o sucessor de Michel Temer. A nossa Constituição prevê eleições indiretas neste caso. Pedir e clamar por eleições diretas agora é passar por cima da lei maior do país. Pior: mesmo que fosse um pleito direto, já está mais do que provado que o eleitor brasileiro de um modo geral não sabe votar nem sabe escolher bem os seus representantes. Basta olhar o perfil da maioria de nossos políticos. Em Porto velho, por exemplo, escolhemos para prefeito um cidadão que disse “reconhecer um bandido com apenas dois minutos de conversa”. Mais de 150 mil porto-velhenses caíram na lorota politiqueira. E amar, beijar e acariciar a podre cidade?
            Somos despolitizados e simplórios, infelizmente, e por isso pagamos uma conta muito alta por causa de nossas péssimas escolhas. Entra ano e sai ano e o que se veem são autoridades cada vez mais incompetentes, dissimuladas, mentirosas e corruptas nos governando. Raríssimos são os políticos escolhidos por nós que governam de fato para o bem da sociedade. Assim, Michel Temer é um castigo merecido para um povo que insiste em não fazer corretamente as suas escolhas políticas. Eleição direta para quê? Foram essas eleições que colocaram Dilma, Lula, Aécio, Eduardo Cunha, Zé Dirceu e o próprio Temer no poder. Engana-se quem pensa que esse tipo de eleição fará jorrar mel e leite das ruas. Por isso, continue com suas reformas demoníacas, senhor presidente! Ética para isso o senhor não tem, mas quem tem ética neste país de semianalfabetos? Não saia! A sua popularidade ainda não chegou a zero. E se chegar, quem vai reclamar?




*É Professor em Porto Velho.

sábado, 3 de junho de 2017

Educação: acesa a luz do túnel


Educação: acesa a luz do túnel


Professor Nazareno*


O Brasil e consequentemente o Estado de Rondônia vivem na área da política e da economia um cenário de terra arrasada. Para ver o fundo do poço, brasileiros e rondonienses há muito tempo têm que olhar para cima. Políticos ladrões, corrupção e roubos antes nunca vistos na história, prisões de autoridades, grampos telefônicos, Operação Lava Jato, delações premiadas, afastamento de parlamentares, impeachment de presidente, vice-prefeito enrolado, ex-governadores presos, cassação de mandatos, propinas, prisão domiciliar, malas cheias de dinheiro, ministros de Estado correndo atrás de foro privilegiado, PT na berlinda, PSDB enrolado, partidos políticos acusados de desvio de verbas. É este infelizmente o cenário que se tem observado em nosso país nos últimos três ou quatro anos. O suplício parece que não tem mais fim. É só vergonha.
Diante deste cenário apocalíptico, eis que surge a tão famosa luz no fim do túnel. E a “tocha mágica” vem de onde menos se esperava: Rondônia. Sim, deste Estado mesmo, onde o povo é tão acomodado, despolitizado e passivo quanto o brasileiro comum. E veio da área da educação. A SEDUC, Secretaria de Estado de Educação do Estado de Rondônia junto com a CRE, Coordenadoria Regional de Ensino de Porto Velho, em parceria com a FARO, a Faculdade de Rondônia, promoveram o primeiro aulão SEDUC/FARO para o ENEM. O maior teatro de Rondônia, o Palácio das Artes, finalmente serviu para alguma coisa. O dia dois de junho de 2017 entrará para a história da educação de Rondônia e talvez até do Brasil. Mais de 1200 alunos das escolas públicas de Porto Velho se acomodaram para assistir aulas de Linguagens e Humanas.
Os professores da Escola João Bento da Costa foram os protagonistas do show educacional que foi transmitido pela internet para todo o Estado. Todos os 52 municípios rondonienses assistiram ao “mega-aulão”. E os números são realmente assustadores, surreais: a transmissão ao vivo teve só nas primeiras horas mais de 130 mil acessos, quase dois mil comentários e pelo menos 1500 compartilhamentos. O professor Thales Gomes, um dos criadores da ideia, estava eufórico: “plantamos a semente. Outros aulões virão. A educação de Rondônia pode virar exemplo para o Brasil”. E ele não estava delirando. Ações deste porte, capitaneadas pela SEDUC, CRE e FARO só se veem em países de ponta como a Coreia do Sul ou mesmo a Finlândia. São os gestores da educação, SEDUC e CRE, se aproximando da ponta final, o aluno.
Estudantes eufóricos, alegres e atentos, professores motivados, diretores de escolas colaborando, autoridades presentes, Estado inteiro participando. De Extrema a Cabixi. De Costa Marques a Calama. Há cenário melhor do que este para enfrentar e vencer qualquer crise social e até política? A educação é a peça-chave para libertar a sociedade de seus vícios. É assim no mundo inteiro. Com estas ações, Rondônia mostra como usar a educação para traçar novos e melhores rumos para todos. O ENEM não espera por ninguém. Todos têm que se preparar com antecedência. Na escola Professor João Bento da Costa, por exemplo, o trabalho de preparação dos alunos não para, nunca parou. O JBC é destaque há vários anos na aprovação de alunos para vários cursos de universidades espalhadas pelo Brasil afora. O pior é que muitos não veem nem reconhecem isso. Preferem viver as suas vidinhas bem longe do que liberta: a educação.



*É Professor em Porto Velho.

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Uma escola de verdade


Uma escola de verdade

Professor Nazareno*

            A Finlândia, país escandinavo, situado no norte da Europa tem o melhor sistema de educação do mundo, ao contrário do Brasil que tem um dos piores. É praticamente impossível traçar quaisquer comparações entre os dois países no quesito educação e transmissão de conhecimento. Helsinque, a capital finlandesa é uma cidade mais ou menos do mesmo tamanho que Porto Velho, capital de Rondônia. Lá, o sistema de educação e consequentemente as escolas são exemplos não só para os europeus, mas para o mundo inteiro. Em todos os quesitos que são avaliados, os estudantes finlandeses sempre ficam em primeiro lugar há vários anos consecutivos. Grande parte da educação no país é pública e as escolas, todas limpas, pedagogicamente organizadas e com turno integral, se esmeram em transmitir conhecimentos de ponta para os seus alunos.
            A Escola “Suomen Liikemieten Kauppaopisto”, uma espécie de Escola Técnica fica na parte centro-norte da capital do país. Tem pouco mais de 600 alunos e sua estrutura jamais pode ser comparada a qualquer escola pública do Brasil. O estabelecimento de ensino tem um mini hospital, sim até por que diferente dos brasileiros, os alunos finlandeses adoecem. A escola conta ainda com vários laboratórios de Física, Química, Biologia, Matemática, Línguas e Artes Plásticas. Como essa escola funciona em turno integral, os alunos dispõem ainda de amplos dormitórios e alojamentos todos impecavelmente limpos e asseados. Há instalações para quase todas as práticas de esportes e o transporte escolar, confortável, pontual e gratuito, leva e traz diariamente os alunos. Quase 100% dos alunos têm o Inglês como segunda língua.
Comparada ao Brasil, a Finlândia é um país pobre. Tem um PIB que a coloca entre as quarenta e cinco nações mais ricas do mundo enquanto o nosso país figura entre as oito. Os professores finlandeses não ganham tão bem como se imagina. Mas todos têm compromisso com seus alunos e com a educação que é transmitida. A maioria tem mestrado, doutorado e PHD e fala fluentemente Inglês, Sueco e, claro, a língua nacional. Não fazem greve e são anualmente avaliados por um sistema comparado ao ENEM do Brasil, que não avalia, nem ensina nada a ninguém. Se a escola consegue boa classificação nacional, os professores são mais bem remunerados. Se a escola vai mal, os docentes perdem no quesito produção e têm o salário diminuído. No Brasil um bom professor ganha a mesma coisa que um mau professor. E quase nenhum nada produz.
Na Finlândia, os políticos quase não se metem na educação. Nada de premiar escolas com diplomas de honra ao mérito ou outra porcaria qualquer como é comum por aqui. Os políticos finlandeses se ocupam em administrar o país, o Estado ou a cidade. Nada de angariar votos antecipados distribuindo papéis inúteis a quem tem a obrigação de fazer a coisa de maneira correta. Nada de demagogia barata, pois os professores e diretores de escolas refutariam na hora qualquer tentativa de hipocrisia demagógica e eleitoreira. Em vez de premiar uma ou outra escola, as autoridades finlandesas procuram saber por que todas elas não funcionam como deveriam. As escolas também não recebem influência da religião. Dos quase seis milhões de habitantes do país, cerca de 60% são ateus. Lá, professor de História, por exemplo, não tem religião nem se associa a nenhuma ordem ou sociedade. Por que nossas escolas são diferentes das finlandesas?




*É Professor em Porto Velho.

sábado, 27 de maio de 2017

“Somos destemidos idiotas”


“Somos destemidos idiotas”


Professor Nazareno*


Um hino, praticamente qualquer hino, é uma das coisas mais mentirosas do mundo. Ufanistas, otimistas em excesso, visionárias, mentirosas e muitas vezes até fascistas, estas músicas de gosto duvidoso, que representam lugares, nem deviam existir como símbolo maior de uma nação. O hino nacional do Brasil, que é um dos mais feios do mundo, é um atentado ao bom senso. Ele chama os acomodados, preguiçosos, malandros e indolentes brasileiros de povo heroico e depois insiste na mentira: brava gente! Quem acreditaria que um filho desta terra não fugiria à luta e, por amor à pátria, não temeria a própria morte? Frouxos e covardes como são a maioria dos filhos desta terra, amor aqui só por dinheiro. Defender o país? A primeira coisa que se faz por estas bandas é fugir para o exterior. Joesley Batista que o diga no recente episódio do JBS.
Já o hino “Céus de Rondônia” é outra lorota sem sentido. Feio, desafinado e longe de ser uma bela peça musical, a melodia que representa os rondonienses se esmera na mentira e na enrolação. Em momento algum afirma que os céus daqui estão encobertos pela criminosa fumaça das queimadas. Em vez de azul é cinza chumbo cheio de poluição e partículas tóxicas. Ao ouvi-lo, pode-se sentir uma angústia e um desejo de se suicidar. Um amigo meu, disse-me certa vez que ao ouvir estas desafinadas notas, ele sentia desejos e sensações homicidas. Outro amigo, o poeta e professor Carlos Moreira redefiniu a sua letra e, mesmo com a música ainda feia, ficou melhor de se entendê-lo. A mentira começa dizendo que somos destemidos pioneiros. Pioneiros são os nativos Karitianas, Karipunas, Uru-Eu-Wau-Wau, Pacaás Novos, Araras, Suruís e Gaviões.
Pioneiros que devastaram as florestas e exterminaram os silvícolas sem dó nem piedade em nome de uma agropecuária agressora ao meio ambiente? Pior: destemidos em quê? Só se for para votar em político ladrão. É fato que os rondonienses sejam um povo honesto e probo. Mas por que vota e elege tanto político corrupto? Um hino para representar essa gente tinha que enaltecer o comodismo e a característica desse povo de entregar “de mão beijada” suas riquezas para os outros. Foi assim com as hidrelétricas, o rio Madeira, a floresta e tantas outras riquezas naturais. Os rondonienses não sabem ou não querem se administrar. Nunca tiveram um governador aqui nascido e nem um prefeito de sua suja e imunda capital. Todos são de fora e muitos endeusados. O político rondoniense mais amado e venerado por estas bandas é um gaúcho: o Teixeirão. Pode?
Um hino de verdade devia falar sobre isto. É muito estranho os “destemidos pioneiros” rejeitarem suas próprias crias. Os grandes filhos da terra sequer são lembrados. Quem daqui já ouviu, por exemplo, falar do diplomata Maurício Bustani ou do grande, conhecidíssimo e internacional executivo Carlos Ghosn? Um hino realista deveria explicar por que em todas as férias os habitantes daqui “montam no porco” e enchem as praias do Nordeste. Ou então mostrar o porquê do porto-velhense comum morar numa cidade tão suja e fedida e ainda achar que está na Suíça. Como é possível admitir a carniça e a imundície, mas não querer que ninguém fale sobre isso? O pior é a cidade estar agora sem um vice-prefeito e ninguém pressionar a inútil Câmara de Vereadores para investigar esse gravíssimo fato. Todo hino mente, mas é venerado pelos incautos e idiotas. Por que não fazem de uma toada ou de um funk o nosso hino?




É Professor em Porto Velho.

terça-feira, 23 de maio de 2017

Volte, Dr. Mauro Nazif!


Volte, Dr. Mauro Nazif!

Professor Nazareno*

O Dr. Mauro Nazif Rasul é um político brasileiro. Filho de imigrantes palestinos e nascido no interior do Estado do Rio de Janeiro é um homem íntegro, honesto, bom esposo e dedicado pai de família. Formado em Medicina em Volta Redonda, este grande homem decidiu vir para Porto Velho/Rondônia para a felicidade dos habitantes desta maltratada terra. “Nestas paragens do poente”, o Dr. Mauro só trouxe alegrias para os “destemidos pioneiros”. O seu currículo em beneficio dos rondonienses é muito extenso e quase todos são sabedores de suas incontáveis ações em prol dos mais carentes e necessitados. Para quem não sabe ele é cidadão honorário de Porto Velho, título concedido por indicação da honrosa e tradicional Câmara de Vereadores da cidade, uma espécie de Academia Norueguesa do Oscar, dada a sua importância no nosso município.
Para muitos porto-velhenses, no entanto, o Dr. Mauro como carinhosamente é chamado, é um verdadeiro herói. Principalmente para os servidores públicos que foram demitidos pelo ex-governador José Bianco a mando das autoridades do PSDB. O médico fluminense não pensou duas vezes em defender os servidores injustamente demitidos. Apanhou publicamente da polícia para defender os interesses alheios. Na época chegou a bradar a plenos pulmões que “não sairia da praça do palácio enquanto o governo não contratasse todos os servidores demitidos”. E assim o fez. Lutou, lutou e lutou para defender todos os perseguidos. Em 2012, o Dr. Mauro foi eleito prefeito de Porto Velho com mais de 142 mil votos, a segunda maior votação da história deste município, depois de ter sido vereador, deputado estadual e deputado federal.
Sempre eleito com enorme margem de votos, esse dedicado médico administrou a cidade de maneira ímpar. Durante os seus quatro anos de mandato, por exemplo, contratou menos de 700 funcionários comissionados. Com os servidores municipais, ele sempre teve uma relação muito cordial. Jamais permitiu retirar vantagens dos mesmos. O caso dos quinquênios, tomados de maneira vil e covarde, teria sido resolvido de forma fácil e diplomática por ele sem causar prejuízos a ninguém. Homem sincero, o Dr. Mauro jamais mentiria para ninguém. Essa lorota de “conhecer um bandido com apenas dois minutos de conversa” ele jamais teria dito. Uma mentira deslavada como esta deve ser evitada por um político sério. E dizer que abraçaria a cidade, dormiria com ela, lhe acariciaria, cuidaria das suas feridas e perfumaria os seus ares? Jamais!
Quatro anos e nenhum caso sério de corrupção. Porto Velho era feliz e não sabia. A injusta derrota do Dr. Mauro nas últimas eleições municipais jogou a nossa cidade no caos e na incerteza. Duvido que ele tivesse permitido que se colocassem aquelas “letrinhas ridículas” lá no inacabado Espaço Alternativo. Duvido! Os viadutos da cidade estão a pleno vapor, é verdade, mas todos estão sendo mal feitos e “a toque de caixa”. Prova disso é que uma carreta carregada não consegue subi-los. A ponte, claro, ainda continua escura feito breu. E o vice do Dr. Mauro? Alguém ainda se lembra dele? Em quantos escândalos de corrupção ele se envolveu? Em nenhum. Homem também íntegro e honesto, jamais envergonhou um só porto-velhense. Tomara que com esta crise política e esses novos tempos, tenhamos de trocar também o prefeito de Porto Velho. Seria muito melhor para todos nós. Volte, Dr. Mauro! O senhor nunca fez nada.




*É Professor em Porto Velho.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Brasil, a quizila do mundo


Brasil, a quizila do mundo

Antônia Inocência*

            Fala-se que o ex-presidente da França Charles de Gaulle teria dito que o Brasil não era um país sério. Mais recentemente um diplomata de Israel falou que o nosso país, apesar de ser uma potência econômica e cultural, era um anão diplomático e não tinha quase nenhum respaldo na atual conjuntura política internacional. Resumindo: a nossa pátria é um zero à esquerda com todo o respeito ao zero. Se o mundo fosse o corpo humano já se sabe qual a parte que seria representada pela nossa nação. Sim, seríamos o “orifício da maldade”. Mesmo figurando já há algum tempo entre as dez maiores potências econômica do mundo, o Brasil fica nos últimos lugares quando o assunto é o IDH de sua população. A única posição alta que este país alcança é quando o tema diz respeito à corrupção e à transparência. Somos um país de desonestos e corruptos.
            Figurar entre as maiores economias do mundo não é nada vantajoso para quem só produz commodities, ou seja, depende só de terras agricultáveis, sol e água. Mesmo assim, a nossa carne e derivados vivem constantemente sob a suspeita de ter qualidade maquiada para enganar o mundo com produtos podres. Em conhecimentos, tecnologia de ponta e educação somos uma desgraça. Temos um dos piores sistemas de educação do mundo, nossa sociedade é violenta, a desigualdade social é nossa marca registrada e a nossa tão badalada pluralidade racial nada mais é do que fruto do estupro, já que nossos mulatos são filhos de pais brancos com mães negras ou índias e não o contrário. Se Cabral tivesse se desviado de nossas costas deixando os índios em paz, talvez hoje vivêssemos em uma sociedade muito mais humana, honesta, fraterna e menos corrupta.
            Mas o pior do Brasil são os brasileiros. Parte dos 206 milhões de indivíduos praticamente só sabe se reproduzir feito camundongos e depender dos programas assistenciais dos governos. Raros dos nossos cidadãos têm destaque internacional. Nunca ganhamos um Prêmio Nobel, não temos a bomba atômica, somos a vergonha do mundo e vivemos numa violência urbana desmesurada e sem controle. O Rio de Janeiro, por exemplo, é conhecido no mundo inteiro pela sua violência brutal. Uma guerra civil é o que se observa diariamente em suas favelas. Tiroteios já viraram rotina na “cidade maravilhosa”. Em todas as grandes cidades do país, as cracolândias crescem na cara das autoridades. Usam-se drogas como pão. Na política, somos o caos e vive-se um cenário de terra arrasada. Para ver o fundo do poço temos que olhar para cima.
            Mas não riam os moradores de Porto Velho e de Rondônia achando que brasileiros são só os outros e que estamos longe do problema. Somos um dos tentáculos do câncer maior chamado Brasil. Muitos dos nossos políticos locais estão até o pescoço também envolvidos em corrupção e roubalheiras. Infelizmente o Brasil é um tumor maligno já em estado de metástase. Os brasileiros não saem da sua comodidade e esperam milagrosamente por dias melhores. A maioria vê a política como um lindo jogo entre direita X esquerda e se esquecem de que são as futuras gerações que estão ameaçadas. Nosso PIB é roubado, saqueado sem dó. E muitos dos que podem, buscam o exterior com suas famílias para morar e se livrar da “pobrada” banguela e suja. Aqui não se tem alegria, só agonia feito sapo. A última vez que sorri foi quando levamos aquela surra dos alemães por 7 X 1. Nosso único produto agora é bunda de mulher.




*É uma prostituta aposentada de Porto Velho.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Eu, presidenta do Brasil


Eu, presidenta do Brasil

Antônia Inocência*

            Sou Antônia Inocência, uma velha prostituta já aposentada e “rondoniense de coração”. Tenho muitos anos de labuta nesta minha honrada profissão e já fiz de tudo o que se possa imaginar neste meu glorioso trabalho. Agora tenho todo o direito de querer coisas novas. Vou entrar na política para melhor administrar meu povo. Com a atual crise ética que o Brasil está enfrentando, sei que posso dar a minha singela contribuição para melhorar este cenário de terra arrasada que estamos vivendo diariamente. O brasileiro comum, honesto, trabalhador e pagador de altos impostos vive humilhado e explorado pelos ocupantes da Casa Grande.  Há muito tempo que para o infeliz ver o fundo do poço tem que olhar para cima. Mora na Senzala fedorenta e parece que não conseguirá jamais dela sair. E pior: ainda é obrigado a votar e achar que tudo está bom.
            Eleita presidenta, começarei logo a mostrar o meu plano de governo. Não sou da direita nem da esquerda, mas quero votos e apoio de qualquer lugar. Serei diferente, tenham certeza. Acabarei com a obrigatoriedade do voto. Durante minha gestão, a participação na política será muito próxima de zero. Não quero ver meus concidadãos sendo obrigados a eleger ladrões e corruptos. Nada de Estado laico durante o meu mandato. Vou me apoiar nos deputados da Bancada Evangélica para substituir imediatamente a Constituição pela Bíblia. Doravante, em toda sala de aula de qualquer escola deste imenso país, será cantado o hino nacional. Mandarei distribuir bíblias e catecismos em todas as comunidades pobres. Legalizarei o porte de armas para todo cidadão de bem e pretendo de início exercer certo controle sobre a mídia do país.
            Nem Temer, nem Lula, nem Dilma, nem Aécio, nem Cunha, nem PT, PSDB ou PMDB. O nome da vez agora é “Tonha de Rondonha”. Tirem todos os políticos profissionais do páreo e deem vez a quem quer trabalhar pelo povo. Mostrarei como se deve demonstrar amor de verdade a uma cidade sem precisar de textos simplórios e ridículos para que isto aconteça. Como presidenta eleita, transformarei todos os pobres e humildes em cidadãos de bem e ricos. Jamais permitirei que nas cidades exista ponte escura, viadutos inacabados e áreas de lazer eleitoreiras, feias e abandonadas. Água tratada, arborização, mobilidade urbana, jardins, praças, calçadas e saneamento básico serão coisas comuns em minha administração. Não contratarei um único funcionário comissionado nem jamais cortarei benefícios de concursados como os quinquênios.
            Resolvam logo estes problemas políticos do Brasil e me indiquem para a Presidência da República. Rondonha e sua linda e asseada capital Porto Velho terão os destaques que merecem. Ninguém virá morar aqui para encher “as burras” de dinheiro e depois se mandar para seus Estados de origem. Não permitirei jamais que faculdades de Medicina funcionem sem ter um Hospital Universitário. Vou propor também ao Ministério Público, a CGU e até ao STF que proíbam qualquer Estado de ser governado por um blog. Em minha gestão, por exemplo, qualquer hospital público ficará proibido de imitar os campos de extermínios nazistas. “Tonha de Rondonha” vai passar o Brasil a limpo e consertar as coisas. Jornalistas e professores ficarão proibidos de falar de suas cidades e só poderão publicar notícias boas e mentirosas, mas que tragam conforto ao sofrido povo. Quero presidir o Brasil, pois de puteiro eu entendo muito bem. Duvidam?

                                                                             


*É uma prostituta aposentada de Porto Velho.

domingo, 14 de maio de 2017

Em busca de um símbolo


Em busca de um símbolo

Antônia Inocência*

Eu nunca morri de amores por Porto Velho, embora more aqui há mais de 36 anos. A cidade não presta e é uma desgraça só. Inabitável, inóspita, suja, sem água tratada, sem arborização, quente, sem mobilidade urbana e sem esgotos, o lugar se localiza numa curva de rio e nem devia existir. Na verdade, a capital dos rondonienses nunca prestou em todos os seus mais de cem anos de existência e hoje ostenta o nada invejável título de “a pior dentre as capitais brasileiras” para se viver. Sem qualidade de vida e sem a menor perspectiva de oferecer aos seus sofridos habitantes qualquer índice aceitável de IDH, a cidade é um daqueles lugares horrorosos para onde só vem quem tem negócios ou então quem teve a infelicidade e o supremo azar de aqui nascer. Sem símbolo que a represente bem, busca-se inutilmente algo que possa ter essa função.
Fala-se que as Três Caixas d’Água são o símbolo maior da “capital do lodaçal”. Já disse outro dia que se for, mau gosto pior não há. O trambolho velho, enferrujado e inútil pode perder a qualquer momento esse ridículo status. Poucos ainda têm coragem de lhe admirar. Aquela geringonça feia e desajeitada pode cair a qualquer momento, vencida pela ferrugem e também pela feiura que lhe adorna. Por isso, qualquer porcaria pode ser o símbolo dos simplórios porto-velhenses. As preferências matutas se viraram agora para outra imundície também feia, desajeitada e copiada. São oito letrinhas mal colocadas ao lado de um patético sol lá pelas bandas do inacabado Espaço Alternativo, obra eleitoreira que até agora só serviu para eleger políticos ruins. A “sinistra coisa” está lá servindo para a alegre matutada fazer selfs e fotos para postar nas redes sociais.
Tomara que não tenha sido o poder público a criar e ainda ter que pagar por aquela idiotice. Porém, vi muitas pessoas elogiando aquilo fingindo nem perceber que o referido espaço fora tirado da população e até agora, muitos anos depois, não tem sequer data para ser entregue à comunidade que o usa para fazer suas caminhadas, já que a “cidade das hidrelétricas” não tem um só recanto de lazer. Se for mais uma busca a outro símbolo para a cidade, é melhor deixar as “Três Marias” mesmo, pois já estamos acostumados ao horror. Como é totalmente despolitizado e alheio à realidade que o cerca, o cidadão comum daqui se contenta com pouca coisa. É preciso, portanto, desculpar os idiotas que elogiam essas bobagens que lhe são oferecidas. Esperar o quê de quem só tem Guayaramerín na Bolívia como única experiência internacional?
Ainda bem que não colocaram ali a infame e surrada frase “Eu te amo, Porto Velho”. Seria um acinte, uma pilhéria, uma mentira mesmo. Quem em sã consciência amaria uma cidade que “abunda em merda”? Quem haveria de amar uma currutela cujo pretenso símbolo foi colocado na saída e não na sua entrada? Vi esta frase, escrita em inglês, em várias cidades da Europa. I love Munique! I love Paris! I love Veneza! É um deslumbre amar qualquer uma destas limpas e civilizadas localidades. Mesmo Curitiba ou Gramado fazem jus à placa. Tomara que tirem imediatamente “aquele negócio” dali. Chega de passar vergonha com tanta matutice e coisas bregas. Já não basta a fedentina e a carniça que temos de aturar diariamente andando pela cidade? O único monumento que deveriam erguer para representar Porto Velho seria um saco de lixo podre e cheio de tapurus ou então a estátua do Jeca Tatu, já que somos 500 mil matutos num canto só.



*É pseudônimo do Professor Nazareno.