domingo, 30 de abril de 2017

Religião, Estado e alienação


Religião, Estado e alienação


Professor Nazareno*

RELIGIÃO é uma senhora muito charmosa, elegante, atraente e enigmática. É casada há muito tempo com o senhor ATRASO e com ele tem vários filhos: PRECONCEITO, ÓDIO, GUERRA, RACISMO, INTOLERÂNCIA, EXPLORAÇÃO e HOMOFOBIA. A senhora RELIGIÃO sempre foi muito cortejada pelas pessoas, pois durante muito tempo transmitiu aos humanos a falsa imagem de bonança, caridade, amor e respeito ao próximo. Responsável maior por quase todas as desgraças da humanidade, a dissimulada dona RELIGIÃO já matou, torturou e perseguiu muitos sábios e cientistas que não lhe davam importância. Toda poderosa, ela já teve tribunais famosos, que julgavam e matavam na fogueira os defensores de outras verdades. Giordano Bruno, Galileu Galilei dentre muitos outros sofreram as “agruras divinas”.
A estranha senhora sempre foi aliada dos mais notórios carrascos da História. Dizem até que Adolf Hitler, apesar de não ter tido uma relação muito amistosa com ela, sempre explorava cinicamente a amizade dela com as outras pessoas e teria, segundo Richard Dawkins, concordado com Napoleão Bonaparte, que disse: “RELIGIÃO é ótima para manter as pessoas comuns caladas” e também com Sêneca: “A dona RELIGIÃO é considerada verdade pelas pessoas comuns, mentira pelos sábios e útil pelos governantes”. Muito sinistra e hábil, a senhora RELIGIÃO se associou sem nenhum acanhamento a todos os tipos de governo apenas para continuar a exploração dos mais humildes e desinformados. Importante observar que os seus filhos são instruídos e bem educados enquanto seus seguidores, na maioria dos casos, são idiotas.
Muito gananciosa e voraz, a RELIGIÃO explora cinicamente os mais pobres prometendo-lhes bonanças e riquezas numa terra imaginária a que todos terão acesso, mas só depois da morte. E por falar em coisas imaginárias, todos os líderes apresentados por ela são seres igualmente imaginários que só povoam a cabeça dos mais incautos e sem leitura de mundo. Nietzsche, filósofo, crítico e pensador alemão, tentou em vão combater as maldades dessa inútil senhora. Fracassou e terminou louco e sem muita credibilidade. Baruch Spinoza talvez tenha feito a melhor definição dela, mas também teve de viver escondido e no anonimato. No Brasil do século XXI, a influência da miserável está em todos os lugares conhecidos, principalmente na política. Forte e decidida, influencia os parlamentares que pertencem à Bancada da Bíblia no Congresso.
A desprezível senhora luta com todas as suas forças para acabar com o Estado laico e pela volta vergonhosa dos conceitos da Idade Média dentro de nossa sociedade. Aqui, sua influência cresce cada vez mais. Na política é golpista, reacionária, conservadora e rica. Acho até que é filiada ao PSDB ou ao PMDB. Na sociedade e nos costumes se mete em tudo tentando ditar suas ultrapassadas regras de convivência. Seus filhos estão, claro, a seu serviço e não poupam esforços para manter seus privilégios e também para disseminar sua ideologia segregacionista, má, defasada e obsoleta. Com ela e seus parentes e seguidores à frente, o mundo não caminha, não se moderniza e os direitos humanos são sempre desrespeitados. Um mundo sem RELIGIÃO seria um lugar muito melhor, é o que muitos afirmam. Basta observar, por exemplo, países como Suécia, Noruega e Japão e compará-los àquelas nações que a seguem obrigatoriamente.




*É Professor em Porto Velho.

sábado, 29 de abril de 2017

A esquerda morreu?


A esquerda morreu?

Professor Nazareno*

Sobre a greve geral convocada pelos esquerdistas no último dia 28 de abril em todo o país para protestar contra as reformas trabalhistas e da Previdência não vou tecer quaisquer comentários. Se foi ou não bem-sucedida somente o tempo dirá. Palmas, então, para aqueles poucos que saíram às ruas na vã tentativa de barrar a covarde retirada de seus direitos conquistados há pouco tempo e a muito custo. A direita conservadora, fascista e reacionária venceu de novo, por que ela sempre vence. Manda absoluta no país desde o seu descobrimento e também no mundo praticamente desde que o Homo erectus saiu das cavernas. Os raros 13 anos de domínio das esquerdas no Brasil foram um embuste, uma “conversa para boi dormir”. Lula e o PT se aliaram covardemente à direita para roubar o povo num dos maiores escândalos já vistos.
Zé Dirceu, Lula, Delúbio Soares, João Vaccari, José Genoíno e quase todos os outros petistas mentiram para os jovens militantes que aguardaram ansiosamente pela chegada deles ao poder desde as décadas de 70 e 80 do século passado. “A esquerda precisa chegar ao poder para estancar a roubalheira e a sangria que a elite impôs ao país nestes cinco séculos de exploração”, era a cantilena mentirosa dos novos aspirantes à Presidência da nação. “Com a esquerda no Planalto, o povo terá vez e voz”, era o mantra em que cegamente se acreditava. E era tudo mentira. O projeto do PT não era de governo, mas de poder apenas. E isto ficou se sabendo pouco tempo depois quando estouraram os escândalos do Mensalão e do Petrolão. A Lava Jato e as delações da Odebrecht desnudaram tudo e o Brasil soube qual era a “competência” da esquerda.
A direita deu chances para os esquerdistas e estes jogaram tudo fora tentando imitar seus algozes. Os antigos marxistas e revolucionários se encantaram com o poder e tentaram roubar tudo sozinhos sem dividir nada com ninguém. Deu no que deu: em 2016, sofreram um golpe, foram humilhados e escorraçados. Os mais visionários, no entanto, ainda sonham com esse tal de Lula como próximo presidente a ser eleito. Sem carisma e acusado de ter recebido propinas de empreiteiras como um sítio e um tríplex à beira mar, o “sapo barbudo” agoniza politicamente e se dará por satisfeito se não for parar atrás das grades antes das eleições. “O Brasil não tem direita nem esquerda, mas um bando de políticos ladrões e salafrários que se juntam para roubar o já espoliado, cansado e sofrido povo brasileiro”, disse Diogo Mainardi, antigo colunista da Veja.
Um povo sem educação de qualidade, sem transportes públicos, exposto à violência desenfreada, sem saúde pública e sem perspectiva nenhuma de dias melhores é o resultado desse assalto sistemático e secular à oitava economia do mundo. Mas burra a direita não é. Diz que a última greve geral fracassou, foi pífia e que não entende como alguns brasileiros ainda ousam reclamar: o Brasil já está na Copa do Mundo de 2018 e o Carnaval não foi proibido para ninguém. Blocos, bandas e escolas de samba são criados diariamente para, disfarçados de cultura, financiar a orgia popular. Entorpecidos, muitos se dão por satisfeitos em manter seus raros empregos. Direita ou esquerda, o certo é que todos nós continuaremos jogando o jogo dos maus políticos e em 2018 reelegemo-los para que continuem a nos administrar. Seguimos a produzir riquezas na esperança vã de dias melhores. A greve não fracassou. O fracasso é nosso, que nunca reagimos a nada.



*É Professor em Porto Velho.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Trabalharei na sexta, 28/04


Trabalharei na sexta, 28/04

Professor Nazareno*

Sou professor, claro. Não daqueles bons e catedráticos. Professor de Redação e de Gramática Normativa. Tenho mais de 700 alunos só no Projeto Terceirão da Escola João Bento da Costa em Porto Velho. Não sou reacionário, conservador e nem coxinha, mas não me recuso a ir trabalhar na sexta-feira, dia 28 de abril, quando o Brasil inteiro vai fazer greve geral contra as reformas trabalhistas anunciadas pelo governo golpista de Michel Temer. Até concordo com quase todas as reivindicações e reclamações dos protestos, mas se negar a ir dar aulas é jogar fora uma das poucas oportunidades de mostrar aos pupilos a real situação em que se encontra o país depois do golpe dado num governo igualmente ladrão, mas eleito democraticamente. Além do mais, muitos dos meus alunos não têm leitura de mundo e precisam de opiniões sobre todos os temas.
Não posso me recusar a dar algumas aulas onde lhes informarei que várias empresas do Brasil como os grandes bancos, por exemplo, devem muito à Previdência Social e que a tática covarde e criminosa de se colocar a culpa nos trabalhadores pela falência do nosso sistema previdenciário é mais uma farsa desse governo ilegítimo e corrupto. Falarei ainda sobre o golpe de 17 de abril passado quando um Congresso Nacional repleto de denunciados na operação Lava Jato golpeou a Dilma Rousseff com a sórdida intenção de se livrar das acusações, que foram mostradas à nação com as recentes delações da Odebrecht. Direi que a Rede Globo de Televisão é uma empresa que deve satisfações ao país e que, apesar de sua competência, manipula a opinião pública ao seu gosto e que quase todos os seus programas são alienantes e ridículos.
Seria uma tolice perder a oportunidade de dizer aos meus alunos que Porto Velho ainda continua sendo o “cu do mundo” e que a Consultoria Macroplan afirmou recentemente que em sujeira e podridão só ganha de Macapá no Amapá. Embora muitos deles já sabiam disto, por que não repetir que temos uma das piores qualidades de vida do Brasil?  O nosso IDH é menor do que Porto Príncipe no Haiti e igual ao de muitas capitais de países da África subsaariana. Muitos meninos ficarão informados de que o “prefeito sem salário” Hildon Chaves é uma farsa em Porto Velho. Hildon mentiu sobre os quinquênios e empregou sem concurso público mais de dois mil “assessores”. Tudo isto com a conivência absurda da Câmara de Vereadores da cidade. Meus parentes das civilizadas Curitiba e Gramado continuarão sem me visitar ainda por um bom tempo.
Direi a todos eles que espero convictamente pela prisão do Lula e pela punição exemplar do PT, o partido que me enganou durante décadas. Falarei também que os tucanos José Serra, Geraldo Alckmin e Aécio Neves estão enrolados na Lava Jato por causa das delações das empreiteiras e que assim como os petistas devem ser punidos sem dó nem piedade. O PMDB e o PSDB, parceiros no golpe contra o PT, também são tão sujos quanto pau de galinheiro. Por que não falar que a corrupção na política brasileira é endêmica e que o povo não reage por que é acomodado e despolitizado demais? E claro que eles saberão que Rondônia é o Estado da pistolagem absoluta e que por aqui impera a lei do mais forte. Não teria coragem de dispensar meus alunos com assuntos tão importantes para se debater em boas aulas. E então, vocês estão esperando o quê? Todos para a sala de aula. Depois vamos às manifestações. Ou vão se acomodar?




*É Professor em Porto Velho.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Hitler envergonhado


Hitler envergonhado

Professor Nazareno*

O ditador nazista Adolf Hitler mora no inferno desde o seu suicídio naquele distante 30 de abril de 1945. Mas vez por outra faz uma visitinha ao mundo, de onde diz sentir ainda muitas saudades. Recentemente esteve no Brasil, país tropical que com outro ditador era, naquela época e às escondidas, um grande aliado dos alemães. Mesmo em pleno século XXI, o carniceiro germânico ficou espantado com muitas coisas que acontecem por aqui. Ficou estarrecido e morto de vergonha com alguns métodos de controle social usados pelos nossos políticos. “Como pode uma enorme massa ignara com mais de 206 milhões de pessoas se submeter bovinamente às ordens e ditames de meia dúzia de mandatários?”, pensou o escroque ariano. Uma nação inteira trabalhar de sol a sol para sustentar luxos e roubalheiras do staff nem os nazistas conseguiram.
Hitler era racista, misógino, preconceituoso, assassino, homofóbico, cruel, ditador, cínico e sanguinário. Mas não foi corrupto como o são muitos dos políticos brasileiros. Os nazistas perseguiram cruel e covardemente todas as minorias em solo alemão. Mataram muitos negros, homossexuais, deficientes e judeus. Já os mandatários do Brasil perseguem a maioria de sua população, principalmente os pobres e desassistidos. Hitler não era alemão, mas gostava muito de seus compatriotas arianos e por eles fazia tudo o que fosse possível. Decididos a não roubar um único centavo dos germânicos, os nazistas não interferiram muito na infraestrutura do país tanto que hoje, só 70 anos depois, a Alemanha figura entre as maiores potências econômicas e culturais do mundo. Isso apesar de ter sido derrotada, humilhada e repartida entre os vencedores.
O sistema educacional dos brasileiros é um dos piores do mundo na atualidade. O oposto da educação pública da Alemanha e da Áustria, por exemplo. “Todo o imposto arrecadado do povo deve ser investido em benfeitorias para esse mesmo povo”, tentou em vão ensinar Hitler aos políticos e autoridades brasileiras. Com os olhos marejados de emoção, o ditador nazista lamentou não ter empregado contra os seus inimigos judeus o sistema de saúde pública do Brasil. “Verdadeiros campos de extermínios são os hospitais públicos deste país”, disse. “Só que em vez de matar os inimigos do Estado, os brasileiros matam os pobres e pagadores de impostos”, completou meio confuso. Imagine-se se ele tivesse visto o Hospital João Paulo Segundo de Porto Velho em Roraima. Exemplo claro de como se matam pessoas e ainda se é reconhecido por isso.
O sistema de Justiça deste país é hilário. Só os pobres são punidos. Roubar muito dinheiro geralmente não dá em nada. Veja-se a Operação Lava Jato que está em curso. Alguns dos ladrões do dinheiro público já estão soltos ou cumprindo prisão domiciliar em suas luxuosas mansões. O Partido Nazista era fichinha diante das falcatruas dos partidos políticos do Brasil. O PT, o PSDB, o PP, o PMDB e tantos outros se especializaram em dilapidar impunemente o Erário do país. Os nossos políticos roubam, corrompem, desviam e depois mentem diante da Justiça dizendo que são inocentes. Afinal “uma mentira contada diversas vezes, torna-se uma verdade”. Em 2018 haverá eleições e a maioria dos bandidos, corruptos e ladrões do dinheiro público será eleita tranquilamente para continuar roubando o povo como se fosse a coisa mais normal do mundo. Aqui, Hitler aprendeu muitas coisas e se envergonhou dos políticos.





*É Professor em Porto Velho.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Deus, o Diabo e o Brasil


Deus, o Diabo e o Brasil

Professor Nazareno*

            Conta a História que Deus, cansado de tanto ver os políticos brasileiros pedirem votos em Seu nome, teria proposto um pacto com o Satanás. O Todo Poderoso também não estava muito satisfeito com os empresários do país que, segundo Ele, estavam distribuindo propinas para toda a classe dirigente para garantir os destinos da nação. O pacto era simples: Deus, por um bom tempo, saía de cena e não se incomodaria com os brasileiros e o Cramunhão passava a nos comandar e com isso, claro, ficaria depois com a maioria das almas verde-amarelas. Como era tinhoso, o Cão deu poderes a todos. Do PT ao PSDB passando obviamente pelo PMDB. Todos os políticos e dirigentes receberam aval para enganar o povo e lhe subtrair seus caros impostos. Militares, CUT, a mídia e até parte da Justiça, todos teriam poderes para surrupiar os incautos e idiotas.
            Mas Deus tinha que anestesiar os roubados, os humilhados. E assim foi feito, pois o “Senhor dos Senhores” estava cansado dos brasileiros e queria férias. A partir de então ninguém reclamaria de nada mesmo sabendo que seria enganado, vilipendiado. O Onipresente teria colocado na água uma substância que ao ser ingerida transformava inconformados em verdadeiras ovelhinhas. Mas o Pé Rachado quase bota tudo a perder quando permitiu na maior cara de pau aqueles 7 X 1 no futebol. Anestesiada, a população do país trabalharia como camelo para sustentar as classes política e empresarial. Não faltaria Carnaval nem futebol. Deus criou Banda do Vai Quem Quer, blocos carnavalescos, escolas de samba e muitos times de futebol. Os mais populares seriam campeões. A felicidade reinaria e a população alegre se divertiria como nunca.
            Políticos e empresários se danaram a roubar feito rato catita. Roubaram a previdência, os bancos públicos, as instituições, os hospitais e até as escolas. Quebraram Estados e municípios. Levaram dinheiro de hidrelétricas, de construções de estradas, metrô, dos salários dos funcionários. Redes de esgoto e saneamento básico não foram construídas nas grandes cidades só para desviar verbas para as contas dos felizes administradores públicos. A mídia sabia de tudo, claro, mas ficava calada enquanto a felicidade reinava entre o alegre povo, que se divertia adoidado indo aos estádios e pulando carnaval. Com Deus de férias e o Diabo à frente dos negócios protegendo os salafrários, a devassa ao Erário se deu de forma assombrosa. Até a carne consumida nos churrascos ficou podre e imprópria para o consumo humano. Mas ninguém reclamava.
            Em Rondônia, província pobre, distante e atrasada a roubalheira também virou rotina. E qual o problema? Basta dizer ao povo do lugar que ele é honesto, probo e trabalhador. Todos vão acreditar na lorota e, claro, continuar votando e elegendo ladrões como se fosse a coisa mais normal do mundo. O Coisa Ruim não queria, mas foi convencido de que se cidadãos religiosos fossem candidatos, os votos chegariam aos montes e bovinamente se aumentaria o rol da patifaria. “Vote no pastor ou padre e ganhe um terreno no céu”, era o slogan mais conhecido durante o pleito. O Belzebu permitiu até traficantes de drogas bancando eleições. Judeus, muçulmanos, hindus, cristãos e todas as outras denominações também receberam propina. Já há relatos de que Deus quando voltar de suas férias, não quer mais administrar o país. E o capeta também não quer, pois alega que foi corrompido e subornado pelos nossos políticos. E agora?





*É Professor em Porto Velho.

domingo, 9 de abril de 2017

Cem dias de nada


Cem dias de nada


Professor Nazareno*


Há aproximadamente cem dias à frente da prefeitura municipal de Porto Velho, o “prefeito sem salário” Hildon Chaves do PSDB ainda não disse a que veio. A capital dos rondonienses continua o caos e o inferno que sempre foi. Praticamente nada mudou por aqui. A cidade das hidrelétricas caminha com o seu triste destino de ser a pior cidade para se viver dentre as capitais do país. O Instituto Trata Brasil insiste em desnudar com números o Holocausto que nós habitantes somos obrigados a viver diariamente. Esgotos continuam rotineiramente a correr a céu aberto mostrando o desleixo e a inércia das autoridades para resolver o problema. Água tratada ainda é um artigo de luxo nesta cidade amazônica, onde chove quase que diariamente e que é banhada por um dos maiores rios de água ainda potável do mundo. O inferno é aqui.
Hildon Chaves, o pernambucano que se elegeu prefeito dizendo não ser político, ainda não trouxe nenhum alento para os porto-velhenses. Já há boatos entre os seus quase 150 mil eleitores de que se as eleições fossem hoje, não votariam mais no tucano. A decepção com a nova administração de Porto Velho veio mais rápida do que com o seu antecessor, o lento Mauro Nazif. Assim, a maldição sobre a podre e suja capital rondoniense continua sem tréguas. Nestes 102 anos de história, entra prefeito e sai prefeito e os problemas insistem em infernizar a vida dos moradores. O trânsito continua caótico, as ruas enlameadas e as alagações não dão sossego principalmente nas periferias imundas da capital. O verão se aproxima e com ele a sufocante fumaça das queimadas e a poeira infecta das ruas esburacadas darão brevemente o ar da graça.
Questionado sobre sua primeira ação assim que empossado, Dr. Hildon, “o prefeito sem salário”, relatou que iria avaliar a situação da prefeitura para depois iniciar as ações. "Precisamos avaliar a prefeitura para poder decidir que atitude tomar”, disse há três meses. Não fez uma coisa nem outra. E se avaliou a situação, nenhuma providência tomou para melhorar a nossa vida. Qual a diferença, por exemplo, que se percebe na cidade nestes últimos 100 dias? NENHUMA. O lixo espalhado nas calçadas é o cartão postal de sempre. Merda boiando a céu aberto no meio da rua durante as chuvas é uma constante. A rodoviária continua com seus banheiros infectos para receber os poucos visitantes que ainda se arriscam a vir para cá. As obras inacabadas espalhadas pelos quatro cantos da capital sequer foram citadas pela nova administração da cidade.
Qual a novidade, então, que o novo prefeito de Porto Velho fez até agora que qualquer administrador “meia boca” não faria melhor? Criar quase dois mil cargos comissionados e avançar na calada da noite contra direitos dos servidores municipais como a extinção dos quinquênios certamente poucos administradores de bom senso fariam. Até os semáforos que a administração anterior deixou estão em alguns cruzamentos com a contagem já danificada. O trânsito não melhorou, a escuridão piorou, a sujeira campeia, os igarapés continuam podres e pior: a autoestima dos moradores está um caos também. O prometido choque de gestão do início virou “choque digestão”. Então, Hildon Chaves, “o prefeito sem salário”, é uma fraude, um embuste, uma farsa? Ora, se nem ele mesmo acreditava que pudesse ganhar as eleições, como os tolos eleitores podem querer agora alguma benfeitoria em apenas cem dias?




*É Professor em Porto Velho.

domingo, 26 de março de 2017

Tô fora: Porto Velho um caos


"Tô fora: Porto Velho um caos"

Professor Nazareno*

            Há quase cem dias no comando do município, a nova administração de Porto Velho tenta, a duras penas, mudar a cara da capital mais feia, desorganizada, suja, fedida e imunda do país. O Dr. Hildon Chaves e seus assessores juntamente com os quase dois mil funcionários comissionados recém-contratados procuram mostrar que a capital dos rondonienses agora tem outro aspecto. Mas parece que o trabalho de “enxugar gelo” não tem dado muito certo por aqui. Torcendo para que o imponente rio Madeira não estrague ainda mais a rompança inicial, os gurus do PSDB e seus aliados de última hora improvisam com panos quentes o que certamente será mais um desastre administrativo na capital protegida pelo Satanás. Nada ou quase nada mudou na rotina dos mais de 500 mil sofredores que tiveram a triste sina de ter “isso aqui” para morar.
            Na capital dos rondonienses, no entanto, a sujeira continua seu reinado infindável. Depois da passagem da famosa banda de carnaval, por exemplo, muitas toneladas de monturo podiam ser vistas nas ruas desertas atestando que a limpeza de uma cidade deve começar pela faxina na cabeça de seus habitantes. Porto Velho não é uma cidade suja, já que ela não se suja sozinha. São seus filhos, visitantes e moradores que a emporcalham desmesuradamente todos os dias. Porém, mesmo com um início desastroso no campo político, os novos administradores procuram em vão mostrar serviço. Pudera! Depois da tritura covarde dos quinquênios nos salários dos servidores municipais e da contratação sem concurso público de quase dois mil “aspones” não restava outra coisa para os caciques da prefeitura senão limpar também a sua imagem.
            Talvez por isso a prefeitura municipal encabeçou mais uma campanha sinistra para tentar colocar um pouco mais de ordem no nosso conhecido caos: “Porto Velho uma cidade em construção”. O lugar tem mais de um século de existência e essa não é a primeira vez que tentam, sem sucesso, “ensinar missa a vigário”. Da outra vez alguns “empresários” locais mandavam as pessoas abraçarem a podre cidade. Como ninguém topou beijar a carniça e se locupletar com a fedentina, a campanha “deu com os burros na água”. Por que seria diferente agora? Não há pesquisas, mas acredita-se que mais de 90 por cento dos moradores de Porto Velho são porcos e imundos mesmo. Falta só defecarem no meio da rua. Além de muitos serem mal educados, claro. Basta observar a rotina macabra em repartições públicas, comércios e principalmente nas ruas e avenidas.
            A campanha é absurda, pois tenta ensinar civilidades e bons modos a um povo acostumado ao lixo e à imundície. Eu não mandaria o sujeito limpar a sua própria casa. Além de ele já estar acostumado ao lodaçal, isso seria uma intromissão em costumes alheios. A panfletagem manda também cuidar das praças. Ironia das mais infames, pois quase não há praças nesta cidade. Nem praças, nem arborização e muito menos recantos de lazer. Tem o inacabado, eleitoreiro e sujo Espaço Alternativo, onde se verifica a maior concentração por metro quadrado de garrafas de bebidas quebradas e de preservativos usados. Os igarapés são esgotos infectos com merda boiando a céu aberto. O Instituto Trata Brasil mostra a nossa capital como a mais suja do país com apenas 2% de saneamento básico. Tomara que cheguem logo as férias. Curitiba e Gramado me esperam. Vivemos um caos e o Dr. Hildon pegou um dos piores abacaxis de sua vida.





*É Professor em Porto Velho.

quarta-feira, 22 de março de 2017

Carne, povo e governo podres


Carne, povo e governo podres

Professor Nazareno*

            A recente operação Carne Fraca da Polícia Federal contra o setor de frigoríficos, produção e exportação de carnes e derivados mostrou ao mundo a precariedade e a gambiarra de parte dos empresários brasileiros. Mostrou também o pouco caso, o jeitinho, a ganância, o improviso, o terceiro-mundismo e o amadorismo que vários executivos locais ainda teimam em seguir. Muitos desconsideram ou não percebem que nos países civilizados e desenvolvidos e que importam grande parte dos nossos produtos agropecuários, essa prática está extinta há muitos anos. Óbvio que a Polícia Federal dessa vez errou feio ao divulgar de forma pirotécnica a operação sem prever as consequências internacionais para esse estratégico setor da nossa economia. E também porque generalizou-se a bandalheira quando menos de 5% pratica o que foi mostrado.
            Muitos países da União Europeia, Japão, Coreia do Sul dentre alguns outros que importam nossos produtos já suspenderam temporariamente a compra até melhores esclarecimentos do governo brasileiro. Guardadas as devidas proporções, essa operação desastrada “cortou as pernas do Brasil”. Foram décadas de trabalho duro para que se conquistassem esses selecionadíssimos mercados. E tudo pode ser jogado fora por causa da estupidez e da ambição desmedida de meia dúzia de sujeitos metidos a empresários. O famoso jeitinho, tão comemorado por aqui, pode levar o nosso país à bancarrota, ao fracasso, à desgraça e à pobreza. Carne podre, produtos adulterados, carniça, corrupção, jeitinho e toda sorte de sujeiras jamais serão aceitos em países civilizados. Pior: muitos desses maus empresários sabem disso, pois visitam sempre todos esses países.
            Levar vantagem em tudo, ter lucro exorbitante independente de quem o paga e como paga, ascender erradamente ao mundo dos negócios e da riqueza são práticas comuns para grande parte dos homens de negócios brasileiros. Aqui, de um modo geral, alguns empresários do setor de construção civil, por exemplo, constroem edifícios com material de segunda qualidade sem levar em consideração o fato de que seres humanos, pessoas mesmo vão morar nestes apartamentos. “O importante é o lucro”, devem pensar. Até no Carnaval a gambiarra nos carros alegóricos é uma constante e pessoas morrem por falta de segurança. No futebol, campeonatos Sub-20 quase sempre têm jogadores de 22 ou 23 anos inscritos. Leve seu carro ao mecânico para trocar uma peça e não se estresse se pagar por todo o serviço ou por uma peça nova que não foi trocada.
            A maioria desse povo iletrado e subdesenvolvido que vive do jeitinho é podre em sua essência. Sempre foi governado por políticos igualmente podres. Deve ser por isso que muitos acreditaram cegamente que o Primeiro Mundo consumiria produtos podres também. O governo podre do Brasil, liderado por Michel Temer, um golpista também podre, para “botar panos quentes” no gravíssimo problema e provar que a nossa carne não é podre, levou embaixadores e representantes dos países que compram nossos produtos para um churrasco numa churrascaria de Brasília que só vende carnes importadas. É mole? Desculpa mais podre do que esta não existe. A situação é tão podre no Brasil que essa operação da PF está servindo para abafar outra operação igualmente podre: a Lava Jato. Quase não se fala mais nela. Tem muita gente querendo crucificar a Polícia Federal por causa do caos criado. Uma nação podre nunca escapará da podridão.




*É Professor em Porto Velho.

domingo, 12 de março de 2017

Rondônia é o Sudão do Sul


Rondônia é o Sudão do Sul


Professor Nazareno*

            
          O Sudão do Sul é mais um dos países miseráveis do continente africano. Novo e desmembrado do Sudão, o país enfrenta muitas dificuldades. Com uma área territorial três vezes maior do que o Estado de Rondônia no norte do Brasil, o país africano tem uma população de quase 12 milhões de pessoas. Porém, as duas unidades territoriais guardam muitas semelhanças em vários aspectos. No Sudão do Sul é tudo muito atrasado, brega e bagunçado. Assim como no estado do Brasil. Estamos no século vinte e um nos dois lugares, mas parece que vivemos ainda na Idade Média. A violência no novo país da África é uma constante por causa das rivalidades tribais. Já em Rondônia a violência é por causa das drogas e da enorme concentração de renda. Nenhum turista do mundo teria coragem para visitar o país africano assim como o estado rondoniense.
            Juba é a capital do Sudão do Sul. Com uns quinhentos mil habitantes a cidade é uma porcaria e apresenta problemas em todos os setores. Sem redes de esgotos, sem água tratada, sem transportes coletivos adequados, sem nenhum planejamento urbano, violenta e sem a menor possiblidade de um ser humano civilizado sobreviver por pouco tempo, a cidade se parece com Porto Velho, a capital dos rondonienses. Todos os políticos de Juba são ladrões, canalhas, interesseiros e mal feitores. Mas quase todos são adorados pela população e pelos estúpidos eleitores. O prefeito de Juba, um rico empresário que já abriu mão de seu salário semanal, costuma mandar para a Câmara de Vereadores da cidade projetos de leis na calada da noite para serem aprovados sem leitura e discussões pelos escroques, canalhas e ambiciosos vereadores analfabetos.
Recentemente na cidade de Ariquemes, interior de Rondônia, houve algo que fez tremer de inveja os líderes mais radicais daquele inóspito país africano. O prefeito da cidade e mais sete vereadores simplesmente censuraram livros didáticos que seriam distribuídos para as crianças da cidade. Os livros diziam apenas que existiam famílias diferentes da tradicional e traziam também outras informações sobre ideologia de gênero. As autoridades locais não gostaram do conteúdo e ameaçaram passar a tesoura nas páginas “amaldiçoadas e imorais”. Desrespeitando a Constituição, o MPF, o Ministério Público do Estado e os princípios mais elementares da Declaração Universal dos Direitos Humanos, a cidade rondoniense dá um péssimo exemplo para a jovem democracia brasileira ao estimular abertamente a homofobia e o ódio contra minorias.
Porém as coincidências de Rondônia com o Sudão do Sul não param por aí. Nada funciona no nosso Estado. Até uma famosa banda de carnaval da capital é uma excrescência. Atrasada e produtora de toneladas de lixo urbano por onde passa, a agremiação carnavalesca foi barrada pela polícia no último desfile. A desorganização é geral. A apresentação dos blocos carnavalescos, por exemplo, ficou para abril num total desrespeito ao que dizem ser a cultura local. Juba está destroçada pela guerra civil que assola aquele país. Porto Velho também está destroçada, só que pela incompetência de suas autoridades. Obras inacabadas e eleitoreiras são cenas comuns nos dois lugares. Na capital do Sudão do Sul quase não há políticos. Em Porto Velho há, mas não servem para nada. Podridão e lixo são comuns aqui e lá. A mídia é quase toda comprada e a TV local só recentemente passou a exibir ao vivo seus programas. Rondônia, capital Juba.





*É Professor em Porto Velho.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Porto-velhenses guerreiros!


Porto-velhenses guerreiros!


Professor Nazareno*

            Estou espantando! Deveras espantado com tanta demonstração de patriotismo, de determinação e de civismo. Nunca em meus quase sessenta anos de vida vi um povo tão abnegado e tão profundamente lutador pelos seus objetivos. Dos pouco mais de 520 mil habitantes da capital de Rondônia pelos menos uns 120 mil saíram às ruas na tarde deste último sábado. Cifra impressionante para os padrões de qualquer cidade do mundo, uma vez que em torno de 25% dos habitantes estavam lá lutando por um objetivo, uma finalidade. Nestes tempos bicudos em que a participação política está esquecida e relegada a um segundo plano, eis que a “capital dos destemidos pioneiros” mostra ao mundo o bravo exemplo de como reivindicar melhorias para a sociedade e para as futuras gerações. Uma tristeza eu ter nascido lá pelos cafundós da Paraíba.
            Não há espetáculo mais belo de se ver. Mais de cem mil pessoas, rondonienses e “rondonienses de coração”, protestando nas ruas de Porto Velho contra o desemprego, a inflação, a corrupção, a apatia dos governos estadual e municipal, a falência da saúde, da educação e também pelo abandono da capital e contra a falta de políticas públicas para a população mais carente. Todos em uníssono gritando contra o golpe da direita reacionária contra um governo legitimamente eleito. A chiadeira era geral também contra a nomeação de Alexandre de Moraes para ministro do STF. Isso sim, que é civismo e amor às causas pátrias. Pense num povo que tem ancestralidade. Um prêmio Nobel é o que essa gente merece. Onde estão as academias sueca e norueguesa que não veem esta bravura, esta determinação, esta garra, este patriotismo e esta luta árdua?
            Cartazes, faixas, banners enfeitavam as ruas. O frenesi era geral. Havia até quem protestasse contra a política externa de Donald Trump, dos Estados Unidos. Muitos daqueles politizados cidadãos mandavam recados para o novo prefeito eleito de Porto Velho, Hildon Chaves. “Não aceitamos administração meia-boca, de faz de conta” dizia um cartaz. “E nada de entregar a administração da cidade a um Boi depois de menos de dois anos”, dizia outro. Havia reclamações também contra o governo do Estado: “a nova rodoviária da cidade não pode ser uma simples obra eleitoreira e muito menos ficar sem a sua conclusão definitiva como o Espaço Alternativo”, alertava a multidão eufórica. A ponte escura e o viaduto do PT, que já está se desmanchando com as chuvas, não sairão da memória desse povo guerreiro. Eles só exigem respeito!
            Pessoas desenvolvidas, esclarecidas, bem informadas, conscientes de seus direitos e batalhadoras sempre vão reivindicar melhorias de seus governantes. E de forma pacífica, respeitosa e ordeira. E isso é o que se vê com muita frequência em Porto Velho, terra de pessoas que têm no respeito e na higiene suas maiores qualidades. As ruas onde houve aquela passeata-monstro, por exemplo, principalmente a Carlos Gomes e a Sete de Setembro, ficaram até mais limpas quando terminou o grande ato cívico. Pedaço de papel algum se via jogado no chão. Garrafas de água jogadas a esmo era uma raridade. Preservativos usados, absorventes femininos ou cascas de picolé sequer se viam esquecidos pelas limpas ruas e avenidas. E vai ser assim todos os anos. “O povo unido, jamais será vencido”, era o mantra que ecoava quando a astuta multidão intelectualizada caminhava de punhos cerrados! Juro que ouvi a internacional socialista!




*É Professor em Porto Velho.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

O Carnaval aliena?


O Carnaval aliena?


Professor Nazareno*

            
            Sim! O Carnaval não só aliena como também serve como uma espécie de freio filosófico, político, econômico e social para as pessoas mais progressistas. Sob o ponto de vista da Educação, da Filosofia e da utilidade prática, nem devia existir. Sêneca, filósofo da Antiguidade Clássica disse sobre a religião que ela é considerada verdade pelas pessoas comuns, mentira pelos sábios e útil pelos governantes. Napoleão Bonaparte foi mais além: a religião é ótima para manter as pessoas comuns caladas. Claro que eles não conheciam a Carnaval brasileiro para se referirem somente à religião. O Brasil é um país cuja população é a mais alienada e tosca do mundo. Sem acesso a uma educação de qualidade, a informações, ao conhecimento e à leitura de mundo, os nossos compatriotas são considerados um dos povos mais estúpidos e inúteis do planeta.
            E como alienar as pessoas é uma das atividades mais promissoras nesta periferia de mundo, principalmente pelas classes dominantes, o Brasil tem-se esmerado nesta arte. Além da religião e do futebol, temos também o Carnaval como uma das vanguardas desse processo de destruição coletiva do bom senso e da politização humana. Com um dos piores sistemas de educação do mundo, sem pesquisas de ponta, sem domínio da tecnologia e do conhecimento formal, a religião, o futebol e o Carnaval entraram em nossa sociedade como verdadeiros deuses. Até a política e o capitalismo abriram espaço para essa fraude. Dizer que a “folia de momo” é cultura é uma estupidez sem tamanho. Desde quando consumir álcool, se drogar e se fantasiar com o sexo trocado é cultura? Lévi-Strauss deve se revirar no túmulo com todas estas sandices.
            Dizem que o Carnaval dá lucro e movimenta a economia. Mentira. Lorota. Conversa fiada. Causa, na maioria das vezes, muito prejuízo e horrores numa sociedade já acostumada a tantas desgraças. Além da sujeira e do lixo nas ruas após os desfiles, o que se veem são pequenos ambulantes venderem só um pouco mais de suas minguadas mercadorias. Isso sem falar no aumento da violência, do sexo livre e do consumo de drogas ilícitas como crack, maconha e cocaína. Quantos mortos a mais se verificam durante esta festa demoníaca e totalmente desnecessária? Os hospitais públicos lotam durante a aberração cultural. Cultura é ler um bom livro. É buscar novos conhecimentos. É também participar ativamente de todos os processos políticos que mudam o destino das pessoas. Parece até que a política no Brasil não precisa mais de nenhuma mudança.
            Durante estas festas ridículas, mas populares, quem se lembra, por exemplo, da retirada covarde dos quinquênios no salário dos servidores da Prefeitura de Porto Velho? Quem se lembra dos vereadores sacanas que traíram seus eleitores? Quem se lembra do “açougue” João Paulo Segundo? Do Espaço Alternativo? Quem se lembra do golpe do Michel Temer, Romero Jucá, José Serra e Aécio Neves contra um governo também ladrão e corrupto, mas democraticamente eleito? O Carnaval aliena, entorpece, ridiculariza e contribui para aumentar ainda mais a estupidez de um povo já bronco e explorado. Pior são os seus ardorosos defensores, verdadeiros gigolôs da alienação alheia que defecam pela boca suas filosofias baratas somente para justificar seus vícios mais mesquinhos. Para quê dias inteiros e às vezes até semanas de trabalho perdidas para a folia? Acabar e proibir o Carnaval? Façam isto e esperem a verdadeira revolução.




*É Professor em Porto Velho.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Sociedade de bandidos soltos


Sociedade de bandidos soltos

Professor Nazareno*

            Acredita-se que pelo menos oitenta por cento dos cidadãos brasileiros hoje são totalmente despolitizados, não sabem votar, não têm leitura de mundo, não têm informações e vivem à margem dos grandes acontecimentos nacionais e mundiais. Como vivemos em uma democracia, os outros 20 por cento restantes vivem eternamente reféns dessa maioria burra. Ultimamente muitas destas pessoas saíram às ruas para derrubar uma presidente democraticamente eleita e colocaram no seu lugar uma coalizão de políticos corruptos que não mudou em nada a nossa triste situação. Pior: muitos bateram panelas quando se sentiram roubados e enganados. Continuaram a ser explorados e ludibriados, mas pararam com as batidas nos utensílios. Parece que não sabiam o que estavam fazendo nem o porquê. Serviram só como de massa de manobra.
            Mas é no dia a dia que vemos o quanto parte da sociedade brasileira é chinfrim, atrasada, pré-histórica e perversa. Muito perversa mesmo. Mais de 80% dos nossos compatriotas se dizem cristãos, mas não seguem nenhum dos ensinamentos do seu Mestre. Se um caminhão tomba em qualquer estrada do país, os moradores dos arredores quase sempre correm logo para saquear a carga. Seja de que produto for. Muitos sequer procuram saber se há feridos ou não no acidente. Tratam logo de roubar o maior número de mercadorias possível. Na recente greve de policiais no Espírito Santo, cidadãos comuns participaram de saques e arrombamentos de várias lojas na capital capixaba. Até uma candidata a vereadora pelo PSDB de Cachoeiro do Itapemirim foi flagrada saindo de uma loja com sacolas de objetos roubados. E tudo pareceu normal.
            A maldade de muitos brasileiros é vista de maneira sórdida também nos comentários postados nas redes sociais. Durante a matança verificada nos presídios do país, o festival de horrores de muitos brasileiros aflorou como nunca. Embora cristãos e às vezes com curso superior, muitos cidadãos festejaram a carnificina como se o Brasil tivesse conquistado uma Copa do Mundo. A alegria era estampada diariamente nas redes sociais. Vi médicos, enfermeiros e outros profissionais da saúde postarem coisas absurdas como se os mesmos nunca tivessem feito o juramento de Hipócrates. Parece que muitos deles fizeram juramento para serem hipócritas. Durante o AVC que a esposa do ex-presidente Lula sofreu, o festival de absurdos inundou o Facebook demonstrando que a verdadeira doença não era em Marisa Letícia, mas em parte da nossa sociedade.
            A realidade é que o brasileiro comum, por falta de conhecimento, não sabe discutir política. E nem outros assuntos. Direitos humanos, ideologia de gênero, respeito às minorias, censura, Estado laico, novo formato de família, por exemplo, são temas desconhecidos para a maioria dos nossos ignorantes cidadãos. Muitos dizem que os políticos são ladrões e desonestos, mas segundo o teólogo e psicólogo Sérgio Oliveira “a ausência da polícia, como no Espírito Santo, revela uma realidade assustadora: o nosso caos ético e moral. Quando a polícia se torna a regra de conduta, o instrumento de controle que nos impede de cometer crimes percebe-se a falta de consciência ética e moral. Retirada a polícia, vem à tona o desejo de um povo corrupto. Idiotice pensar que só os políticos são desonestos. Tendo oportunidade, muitos viram criminosos. Se precisamos de polícia para sermos honestos, somos uma sociedade de bandidos soltos”.




*É Professor em Porto Velho.