quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Previsões já confirmadas


Previsões já confirmadas

Professor Nazareno

            Não sou cartomante nem adivinho e nem faço previsões de absolutamente nada. Mas óbvio que também não sou nenhum idiota como falam algumas pessoas. Apenas escrevo textos e neles faço comentários que acabam se confirmando depois. Quando o senhor Jair Bolsonaro foi eleito presidente, eu disse que não só a nossa democracia corria perigo como também a imagem do Brasil seria prejudicada se ele confirmasse na prática o que dissera durante a campanha eleitoral bem como durante toda a sua vida. O obscurantismo, a censura e a diminuição de direitos conquistados a duras penas pela sociedade brasileira são práticas que se veem diariamente sendo levadas a cabo pelo atual governo. Tudo de ruim que sempre existiu na política brasileira vem se repetindo normalmente no cotidiano da população. O país hoje insiste em entrar na Idade Média.
            A censura já ameaçou voltar recentemente em várias ocasiões no Brasil como na Bienal do Livro no Rio de Janeiro e também na área da Educação em São Paulo com o recolhimento de livros didáticos. Além disso, um dos filhos do “Mito” afirmou que “O Brasil não crescerá por vias democráticas”. Em alguns setores, por exemplo, a censura e o obscurantismo são mais visíveis: por causa da questão financeira, alguns sites de notícias não têm coragem de peitar determinados órgãos do Estado. Só noticiam aquilo que agrada ao “patrão”. Vergonha máxima: em tempos de liberdade de expressão, nenhuma publicação ou matéria que desagrade ao poder vigente. Voltaire deve se retorcer no túmulo. Se não houver uma tomada de consciência, as coisas infelizmente só vão piorar. Triste saber que muitos “jornalistas” já se renderam ao poder do vil metal.
Neste fim de mundo, quando o prefeito Hildon Chaves foi eleito, eu alertei para que ele tivesse muito cuidado com o seu vice, mesmo que este “fosse um boi”. Não deu outra: pouco tempo depois, por causa do já esquecido escândalo da JBS, houve o rompimento dos dois e o vice-prefeito da capital fez o mesmo que todos os outros vice-prefeitos que lhe antecederam: nada. Eu disse também que jamais o Dr. Hildon amaria, beijaria e acariciaria uma cidade tão detonada quanto esta. E quando todos falavam mal do Mauro Nazif, eu previ que o “lento mandatário” daria a volta por cima em muito pouco tempo. O mesmo não só se elegeu deputado federal como hoje “ameaça” voltar a administrar a cidade mais suja e imunda do Brasil: Porto Velho, a eterna capital de Roraima. Como desgraça pouca é meio de vida, é bem possível que este pesadelo volte.
Em Porto Velho, o infortúnio continua e por isso o abandonado “açougue” João Paulo Segundo prossegue com a sua sina de ser apenas um “campo de extermínio de pobres”. Palácios de mármore são anunciados sem nenhuma cerimônia, como um Centro de Convenções, e nada da construção do “velho açougue” prosperar. Outra vez disse que as hidrelétricas do rio Madeira encareceriam a energia elétrica em Rondônia. Fui criticado na época e quase açoitado em praça pública. E aí está a Energisa “presenteando” os otários todo mês. Juro que “eu acho é pouco”. O teatro foi feito para nada. Está jogado às traças. Não há espetáculo. Devia ser implodido. Igual ao ginásio Cláudio Coutinho, onde não tem jogos há tempos. Os viadutos continuam sem nenhuma serventia e a ponte se eternizará escura. Só não previ que a França e outros países da União Europeia contribuiriam para o fim da fumaça em Rondônia. Será que sou burro?



*É Professor em Porto Velho.


sábado, 31 de agosto de 2019

Saudades da fumaça


Saudades da fumaça


Professor Nazareno*

            
            O Brasil nunca soube cuidar da Amazônia, embora reclame soberania sobre ela. Todos os anos, desde meados do século passado, que as queimadas e a fumaça são rotinas na região. E todo governo sabe disso, seja ele de direita ou de esquerda. E nenhum nunca fez nada. Rondônia, por exemplo, é filha das queimadas, dos incêndios, da destruição. Lugar amaldiçoado que nasceu da devastação do meio ambiente hoje se junta ao Pará e ao Mato Grosso para saber quem mais destrói o ecossistema. Mas agora, final de agosto, a cidade está quase sem fumaça em seu podre horizonte. O governo local, o governo federal com todos os seus ministérios, as Forças Armadas, os Batalhões Ambientais, as secretarias de meio ambiente, o IBAMA, o ICMBio e outras tantas repartições estão num frenesi jamais visto para conter as labaredas e o fogo na mata.
            Até o presidente Jair Bolsonaro, antes um dos maiores incentivadores do fogo e da destruição da Amazônia, entrou na luta para conter as chamas. Decretou moratória nas queimadas por 60 dias e mobilizou as Forças Armadas para enfrentar a fumaceira. Bastou a França e alguns outros países europeus pressionarem, para que as autoridades brasileiras começassem a mostrar serviço. A pergunta que não quer calar: por que o Brasil não agiu dessa forma em anos anteriores? Por que as Forças Armadas, com sua bravura e seus “filhos de Caxias”, nunca entraram em campo para conter o genocídio deste bioma? Até alguns “jornalistas” mequetrefes metidos a falastrões, baixaram o tom e passaram a elogiar publicamente os órgãos de defesa do meio ambiente e também reconhecerem que toda a região estava sob a fumaça e o caos num determinado período.
            O brasileiro de um modo geral só age sob pressão. E a França, juntamente com seus pares na Europa, não vai baixar a guarda. Bolsonaro que se cuide. Os incendiários também. Os defensores do caos agora não têm outra saída: ou trabalham direito ou terão que amargar incontáveis prejuízos. Com relação à Amazônia e a sua preservação, o Brasil está sob tutela de Emmanuel Macron. Ironia das ironias: sob forte pressão estrangeira, o “Mito” se tonará o melhor presidente brasileiro a debelar incêndios na região amazônica. Ou faz isso ou se arrisca a perder o acordo MERCOSUL x União Europeia, corre ainda o risco de ver produtos brasileiros sendo boicotados no mundo civilizado ou mesmo de ter a soberania sobre a Amazônia sendo colocada em risco. O falastrão, debochado, arrogante e todo poderoso Bolsonaro agora está sob rédeas curtas.
Porém, eu já estou com saudades da fumaça. Acordo pela manhã e não vejo mais o caos a que estava acostumado. “Sem queimadas, não tem progresso”, por isso as autoridades deviam desobedecer aos europeus e tacar fogo na floresta de novo. Por causa do presidente da França, o rondoniense agora terá que respirar oxigênio em vez de fuligem. Os porto-velhenses deveriam reclamar também da lama no inverno, da ponte escura, da falta de saneamento básico e de água tratada em Porto Velho. E já pensou se um cidadão francês precisa ser internado no “açougue” João Paulo Segundo? Macron deveria ser informado de tudo isso. Tenho certeza de que tomaria providências como fez na questão ambiental. Mas eu tenho uma dúvida: Bolsonaro está agindo assim, como um ambientalista, porque está com medo dos franceses ou por receio de enfrentar um boicote internacional? Terei de vender minha motosserra e meu sítio aos “jornalistas”?




*É Professor em Porto Velho.

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Rondônia “peita” a França


Rondônia “peita” a França

Professor Nazareno*

            Diante da atual crise ambiental envolvendo os presidentes da França e do Brasil por causa das queimadas na Amazônia, eis que agora surge um ingrediente novo e extremamente perigoso para as relações bilaterais dos países envolvidos. A Assembleia Legislativa do Estado de Rondônia “fala grosso” com os franceses e põe os pobres coitados em polvorosa. Os franceses estão apavorados e temerosos com esta tomada de posição unilateral deste “importantíssimo” Estado do Brasil. O presidente da toda poderosa ALE/RO, Laerte Gomes, disse sabiamente que há interesses de diversos países e até de outros Estados da federação em criar uma situação embaraçosa para Rondônia. Gomes, que é um estadista de primeira grandeza, um político extremamente inteligente e respeitado, alegou que estão querendo impor a Rondônia uma imagem muito negativa.
            O eminente parlamentar afirmou também que Rondônia é um Estado promissor economicamente e imputar-lhe uma imagem negativa de devastador da selva é uma grande injustiça, uma mentira. Nas décadas de 70 e 80 do século passado, Rondônia não devastou um só centímetro quadrado de floresta. Laerte Gomes está corretíssimo. Nenhum governador daqui disse que “queimadas são sinônimos de progresso”. A “selva” que existe às margens da BR-364 entre Vilhena no sul e Porto Velho foi toda plantada pelos pioneiros que vieram povoar o Estado. Nenhuma árvore foi arrancada. Além do mais, está correta a afirmação de que “quem produz alimento não devasta nem queima”. Devem ser os professores, então, ou outros profissionais liberais que o fazem. Quem já viu fumaça nos céus de Rondônia durante o verão todos os anos? Ninguém!
            Outro “bravo” deputado de Rondônia que “peitou” os franceses foi Jean Oliveira. O inteligente e preparado parlamentar foi logo dizendo que o Brasil é a 5ª maior economia do mundo. Suas sábias palavras diminuíram de imediato o PIB da própria França, da Itália, do Reino Unido, Índia e Canadá. Para desespero e medo dos franceses, Jean Oliveira deu um “pito” em Emmanuel Macron e logo o chamou à responsabilidade. Para o nobre, douto e insubstituível parlamentar, o líder francês desrespeitou todo o povo brasileiro e feriu o patriotismo nacional ao atacar a soberania do nosso país. Superou Winston Churchill com sua verve. Colocou “os caras” no seu devido lugar. Orgulho para Rondônia e para os rondonienses. Resta saber agora o que a França, acuada pela ação dos parlamentares da ALE/RO, vai fazer para se defender.
            A França é membro permanente do Conselho de Segurança da ONU e diante dessa forte ação diplomática de Rondônia devia convocar uma reunião de emergência para expor sua posição. Já há relatos de que os rondonienses, povo muito esclarecido e inteligente, já estão boicotando o pão francês em represália ao país europeu. Pior: os turistas de França podem ser proibidos de vir visitar a Praça das Três Caixas d’Água, o porto do Cai N’Água, a ponte escura do Madeira e os viadutos. Um horror para eles. Bolsonaro e o Brasil não precisam mais se incomodar com os arrogantes franceses. Rondônia, por meio da sua Assembleia Legislativa, dará um “chega pra lá” neles. Se quiser, pode até convocar o 5º BEC, a 17ª Brigada de Infantaria ou mesmo o 54º BIS de Humaitá para enfrentar os europeus. Os “filhos de Caxias” estão prontos para a defesa da nossa soberania. Juro que já estou com muita pena dos franceses. Coitados! SELVA!



*É Professor em Porto Velho.

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Obrigado, Senhor Macron!



Obrigado, Senhor Macron!


Professor Nazareno*

                Senhor presidente da República da França, Emmanuel Macron: Eu, um simples professor da Amazônia brasileira há quase quarenta anos, venho respeitosamente por intermédio destas poucas linhas a fim de lhe agradecer de coração pelas suas atitudes para defender esta região das criminosas queimadas. Tenho um blog com uns dois ou três leitores, sofro de rinite alérgica crônica e tenho um filho asmático. Há muito tempo, senhor presidente, que eu não via o céu de agosto por aqui, que muita gente mentirosa insiste em dizer que é “azul, e será sempre azul”. O nosso céu todos os anos nesta época sempre esteve encoberto por uma densa fumaça cinza que prejudicava a todos. Mesmo nos treze anos de governos da esquerda a tragédia nos acompanhou sem que ninguém neste país tenha feito algo para nos defender. O cu do mundo sofre: tosse, rinite, asma!
            Sua corajosa fala, senhor Macron, contra o presidente do meu país encorajou outros líderes mundiais a discutir a situação desta castigada região. Se não fosse o senhor, dificilmente o G7 teria entrado nessa briga. O senhor Jair Bolsonaro com suas falas absurdas incentivou a devastação da Amazônia, todos sabem disto. Permitiu, por exemplo, que se criasse “o Dia do Fogo” lá na BR-163 no Oeste do Pará. E, claro, mentiu descaradamente quando disse em Osaka, na reunião do G20, que respeitaria o meio ambiente só para assinar o acordo MERCOSUL e União Europeia. Enganou todos os líderes do seu continente, já que por aqui demitiu cientistas, diminuiu a fiscalização e deu carta branca para a devastação e a queimada dessa região, como havia prometido na campanha. Não fosse a sua bravura, estaríamos hoje vivendo em um caos muito pior.
            O Bozo, senhor Macron, por sua causa, virou de uma hora para outra um ferrenho defensor do meio ambiente. O “Mito” mobilizou nossas despreparadas Forças Armadas para combater qualquer foco de fogo e de fumaça. “Convocava para reunir e reunia para convocar”. Em Porto Velho nunca se viu tanto avião e tanta gente querendo acabar com incêndios. Ele até já disse que vai endurecer a legislação e mandar prender qualquer um que ouse tocar fogo na mata. O resultado disso é que minha rinite melhorou e apesar de ainda ter fumaça, as coisas estão melhorando. Só o cérebro de muitos é que não se ajeita, pois alguns tolos ainda têm um amor louco pelo “Coiso” e o defendem com garra. Quando, de forma deseducada, atingiu a sua nobilíssima esposa foi até aplaudido. Mas está se borrando. Faça mais pressão que ele obedece sem piar.
            Senhor Macron, por favor, não incentive o boicote aos nossos produtos nem interfira para que os europeus não ratifiquem o acordo com o MERCOSUL. E outra coisa, a Amazônia é 60 por cento do Brasil. Não interfira na nossa soberania sobre ela, pois com esse susto acho que aprenderemos a cuidar melhor dela. Não mande seus poderosos caças “Dassault Rafale” nem seus submarinos nucleares para nos assustar com seus atômicos mísseis balísticos, pois aqui não aguentamos nem meia hora de guerra. Falta dinheiro para tudo no Brasil, até para a marmita dos recrutas. Estamos na lona. Já entendemos que para se produzir commodities não precisa agredir a natureza nem queimar a Amazônia como sempre fizemos. Pague-nos bem que não incendiaremos mais a maior floresta tropical do mundo. Devia convidá-lo a vir a Rondônia, mas aqui é uma desgraça que não merece sua presença. “Les bresiliéns devraient parler Français”.
           



*É Professor em Porto Velho.

terça-feira, 27 de agosto de 2019

“Jornalistas” incendiários


Jornalistas” incendiários 

Professor Nazareno*


O Estado Policial voltou. Agora com camionetas, helicópteros, aviões. Ameaça pequenos produtores, aplica pesadas multas. As pequenas comunidades rurais estão em pânico. O desespero toma conta. Com superpoderes, lhes dado por uma legislação imposta pela esquerdalha, que dominou o país durante década e meia e com apoio incondicional de entidades internacionais, como as milhares de ONGs que dominam nossa Amazônia, o Ibama é um Estado a parte, dentro do Estado”. Essas mal traçadas linhas, por incrível que pareça, foram escritas em 2019 por um “jornalista” que reside na Amazônia brasileira, hoje totalmente tomada pela volumosa fumaça das queimadas que levaram o mundo civilizado a protestar e a nos ameaçar via G7 com pesadas sanções comerciais. Romper tratados e boicote a nossos produtos também estão na mira.
 Moro há quarenta anos nesta região e todos os anos a rotina incendiária é a mesma: a fumaça cobre os céus e os transtornos se repetem. Mas o mundo está mudando. Chega! Foi a gota d’água agora. Os europeus, por exemplo, que destruíram todas as suas florestas, hoje são os maiores defensores do meio ambiente. Compram muitos dos nossos produtos agropecuários e parte do seu dinheiro financia projetos ambientalistas na Amazônia. Por isso, não vão permitir a destruição que se faz com a maior floresta tropical do mundo. Defender a extinção da política ambiental em favor dos que destroem a natureza é um equívoco sem precedentes. E muitos “jornalistas” lamentavelmente fazem isso sem perceber que preservar o meio ambiente hoje em dia necessita de uma legislação até mais rigorosa. Seja ela proposta por quem quer que seja.
Defender um bem que é de todos não precisa cor partidária nem posição política. A legislação ambiental tem que ser mais rígida, pois o indivíduo só aprende quando é atacado na sua parte mais sensível: o bolso. Se o sujeito tocasse fogo e segurasse a fumaça... Incentivar o crime ambiental e o enfraquecimento da legislação, como também faz o presidente incendiário, o “Capitão Motosserra”, só piora as coisas. Crime é defender a fumaceira na Amazônia. O Brasil não está preparado para um boicote internacional de seus produtos. Além do mais, uma árvore em pé vale muitas vezes mais do que uma árvore derrubada e queimada. E os europeus pagam para não derrubar. Só que o “esperto” presidente abriu mão do dinheiro da Alemanha e da Noruega. Podia ter atraído mais países para ajudar na preservação da região amazônica. E todos ganhariam.
Se o Brasil quer tanto mostrar ao mundo quem manda na floresta amazônica, terá de assegurar a todos que ela não será derrubada nem queimada como fizeram com as florestas da Europa e do resto do planeta. De pé, a Amazônia promete ser o maior instrumento de barganha política e diplomática do Brasil no século XXI. Mas no chão, transformada em cinzas, seus troncos aprofundarão a cova onde estará enterrada a reputação do único país com nome de árvore”. Por isso, todos nós temos o dever de preservar a Amazônia. Ela é nossa e a nossa soberania sobre ela é algo indiscutível. Pulmão do mundo ou não, é imprescindível para a vida humana e está em nosso solo. Usar a mídia para atacar os países que já estão se reflorestando ou mesmo criticar as leis ambientais nos coloca num triste nível de atraso. Muitos desses países fizeram tudo isso na Idade Média. Época para onde alguns desses “jornalistas” deviam voltar a escrever.





*É Professor em Porto Velho.

sábado, 24 de agosto de 2019

Acuaram o “Mito”


Acuaram o “Mito

Professor Nazareno*

            Com apenas oito meses de mandato, o presidente Jair Bolsonaro parece que entendeu qual a verdadeira tarefa de um chefe de nação. Arrogante, brabo, petulante, incitador do ódio entre os governados, grosso com os opositores, mal educado, desrespeitoso, cheio de bravatas e com voz grossa, o líder da maioria dos brasileiros "afinou o canto" e se recolheu à sua insignificância. Precisou o mundo civilizado denunciar a possível extinção da Amazônia com as queimadas, sempre incentivadas pela política maluca do presidente, para ele ficar pianinho, pianinho. A poderosa União Europeia ameaçou boicotar todos os produtos brasileiros e de quebra barrar o acordo comercial com o MERCOSUL, única proeza até agora do presidente incendiário. Pressionado, ele baixou o tom e já se transformou num defensor do meio ambiente.
            Bolsonaro é responsável sim pelo aumento vertiginoso este ano das queimadas na Amazônia. Todas as decisões tomadas pelo seu governo na área do meio ambiente já denunciavam que o “Capitão Motosserra” partiria sem dó nem piedade para cima da maior floresta tropical do mundo. O fogo se alastrou e assombrou o mundo, que o acuou e lhe impôs limite. Nunca antes na História um presidente da república sujou tanto a imagem do Brasil no exterior como esse maluco. Estive recentemente na Europa e percebi que por lá o ódio ao Bolsonaro é comum em todos os países. Suas declarações estapafúrdias e o flagrante despeito à natureza irritaram sobremaneira tanto o cidadão comum quanto os líderes do velho continente. Diante das pressões, o “Mito” ou afina o tom de suas bravatas ou enfia a viola no saco para “bostejar” em outro lugar bem longe.
            A decisão da UE de boicotar os produtos brasileiros e a ameaça de romper tratados traria enormes prejuízos ao Brasil, principalmente ao agronegócio. E como praticamente só exportamos commodities, temos que aceitar calados as imposições dos nossos compradores. O “Mito” com suas declarações e falas desastradas está destruindo a nossa reputação e com isso todo o país perde. Se esses boicotes de fato acontecerem, ele será o único responsável e deve pagar pelas consequências. Terá que renunciar à Presidência imediatamente para não só o Brasil, mas a Europa respirar mais aliviada. Os protestos se espalharam pelo mundo em frente às representações diplomáticas do nosso país. Uma vergonha para todos nós. Graças ao senhor Jair Bolsonaro, a nossa imagem nunca esteve tão em baixa. Até as panelas voltaram quando o infeliz falou na televisão.
            O poder do capital, que elegeu este senhor para governar o Brasil, já deve ter se arrependido amargamente da grande bobagem que fez. Só que tirá-lo agora do poder significa convocar novas eleições. E com a vitória quase certa da oposição, os poderosos não querem pagar para ver. Por isso, vamos ter que aturá-lo até janeiro de 2021 pelo menos, quando ele será escorraçado para o general Hamilton Mourão assumir em seu lugar. Só que fazendo uma besteira atrás da outra é muito pouco provável que ele se mantenha governando o país por mais longos 14 meses. Bolsonaro é para o Brasil uma espécie de câncer em estado terminal. Não desceu ainda do palanque e continua envergonhando a todos nós. Com este choque de realidade, com esta crise ambiental, ele está acuado. Todo o poder agora para o IBAMA, ONGs e ICMBio. O seu desprezo pelo meio ambiente pode lhe custar muito caro. E seus apoiadores estão de “orelhas em pé”. 




*É Professor em Porto Velho.

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Rondônia sacaneia São Paulo


Rondônia sacaneia São Paulo

Professor Nazareno*

            São Paulo é a locomotiva do Brasil. Maior centro comercial e financeiro da América Latina com mais de 20 milhões de habitantes em sua área metropolitana, a “Terra da garoa” é reconhecida no mundo inteiro como uma das Mecas do consumo mundial. Sua gente, vinda de todas as partes do planeta, caracteriza-a como uma das cidades mais cosmopolitas da Terra. São Paulo é indústria, é comércio, é agronegócio, é produção, é turismo, é dinheiro, é futebol, é PIB, é qualidade de vida. Já Rondônia não é NADA. Não tem PIB, não tem IDH, não tem turismo, não tem futebol. É um lixo que existe apenas por um acaso da política. Sampa está estrategicamente situada no Sudeste brasileiro com acesso ao mar e Rondônia se situa entre o Cerrado e a Amazônia. Os dois lugares, no entanto, tiveram um insólito encontro nestes tristes dias de verão de 2019.
            Rondônia arde sob o irresponsável fogo do agronegócio. A floresta amazônica, que faz parte do território rondoniense, está sendo incendiada num ritmo jamais visto. Para a alegria do “capitão Motosserra” e também das autoridades em geral, que têm incentivado a destruição completa do ecossistema amazônico, a única produção visível do jovem e sinistro Estado tem sido a fumaça tóxica das queimadas. E segundo meteorologistas renomados, esse vapor chegou à capital bandeirante causando muitos transtornos para os paulistas: choveu água escura e contaminada. Numa tarde de agosto de 2019, o dia virou noite em São Paulo. Pouco depois das três da tarde, os coitados dos habitantes daquela cidade foram castigados por uma chuva de fuligem misturada a uma poluição jamais vista ali. “Rondônia não pode nos castigar assim”, reclamavam todos.
Além da fumaça tóxica de suas criminosas queimadas, Rondônia não tem absolutamente nada a oferecer nem ao Brasil nem à progressista São Paulo. A parte de Cerrado no Estado já virou fazenda faz tempo e o quinhão de floresta amazônica diminui a cada dia sem que as autoridades façam algo para deter o avanço “do boi e do capim”. Com isso, sofrem todos. E o mundo repercute negativamente a devastação sem controle e a iminente extinção do importante bioma. Por ironia, esses incêndios têm sido até bons para os rondonienses, pois os mesmos nunca se destacaram em nada mesmo e somente dessa maneira surreal podem ser notados pelo Brasil que funciona e também pelo resto do mundo. Além do Tambaqui assado, da farinha de mandioca e das balinhas de cupuaçu, que outras coisas se produzem aqui que tenham tanta importância assim?
Como São Paulo tem muito dinheiro, os paulistas deveriam comprar Rondônia. Assim, não haveria mais tantas queimadas e os coitados poderiam respirar um ar mais puro e limpo. Já pensou os esforçados paulistas organizando Expovel, Semana Santa e Arraial Flor do Maracujá em datas corretas? Por isso, Rondônia devia ser extinta ou passar a pertencer a São Paulo imediatamente. O inútil Teatro das Artes teria, enfim, espetáculos de verdade e o futebol contaria com times de primeira como Santos, Palmeiras, Corinthians e São Paulo. O rio Madeira está secando mais ano após ano. O perigo seria os paulistas colocarem oxigênio na fumaça que os rondonienses respiram. Podia matar todos. Devíamos sair às ruas para protestar contra as queimadas e solicitar a anexação deste atrasado Estado a São Paulo, só coisas boas nos aconteceriam, pois seriam extintas também a Unir, a Assembleia Legislativa e as Câmaras de Vereadores.




É Professor em Porto Velho.

Comemoração desnecessária


Comemoração desnecessária


Professor Nazareno*

            O sequestro de um ônibus em São Gonçalo na área metropolitana do Rio de Janeiro talvez tenha exposto ao mundo o tipo e o caráter de alguns governantes do Brasil nesta atual safra de maus políticos recém-eleitos. Willian Augusto da Silva, um jovem negro de apenas 20 anos, morador da periferia, diagnosticado com problemas mentais, tomou quase 40 pessoas como reféns dentro de um ônibus e a todo instante ameaçava matá-los ateando gasolina dentro do veículo em plena ponte Rio-Niterói. Não deu outra, após algumas negociações entre a PM e o “jovem depressivo”, um atirador de elite da Polícia Militar o abateu com oito tiros, sendo que seis balaços perfuraram o corpo do rapaz matando-o na hora. A horripilante cena, filmada ao vivo e transmitida para todo o país, arrancou efusivos aplausos de quase toda a nação. Uma alegria geral.
            Porém, o que mais chamou a atenção naquelas cenas dantescas foram as comemorações do atirador e também do governador do Estado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel. Ao descer do helicóptero, Witzel vibrou como se Neymar tivesse feito um gol pela seleção brasileira em plena Copa do Mundo. Com as mãos cerradas era impossível para ele esconder a euforia, a alegria e a satisfação pela possível morte do jovem. Estranha também foi a vibração do policial que apertou o gatilho: comemorou  “o feito” como se estivesse participando de uma competição esportiva. O governador depois disse que havia vibrado pela vida e não pela morte. “Vibrei pelas pessoas que saíram vivas do episódio” disse após ser confrontado pelas cruéis imagens da triste realidade. Já o policial que “cancelou o CPF” do infeliz, até agora não declarou nada.
            Alguns questionamentos, no entanto, precisam ser feitos. Havia mesmo a necessidade de abater aquele infeliz e daquela forma midiática? Não havia possibilidade de atingi-lo nas pernas sem precisar ter que matá-lo? E por que oito disparos? Será que a PM e o governador teriam coragem de fazer isto com milicianos, com corruptos ou com poderosos traficantes de drogas? Medir forças com quem não as tem pode ser ainda, infelizmente, uma mentalidade reinante dentro da maioria das nossas forças policiais. E agora no Brasil, nestes tempos bicudos e politicamente incorretos, o que prevalece é a força bruta, a demonstração da estupidez e da ignorância. Se o governador vibrou com a morte do rapaz, errou grotescamente e desceu ao nível dele. Foi desrespeitoso com ele, com a família dele e principalmente com a postura inerente a um governador de Estado.
            Todo governante tem a função de harmonizar e de pacificar a sociedade que governa. Mas no Brasil de hoje o que se vê é a barbárie e a estupidez como políticas de Estado. Declarações absurdas e surreais são dadas a todo instante pelos governantes de plantão. Parece que ainda não desceram dos palanques eleitorais. A própria Justiça do país dá a entender, como no caso da Lava Jato, por exemplo, que julga de acordo com os interesses políticos em jogo e não de acordo com o que preconiza a lei. Há uma clara inversão de valores e quem perde com isso é a própria sociedade que assiste inerte ao uso da violência para combater a violência. Parece que voltamos aos tempos da Lei de Talião, da barbárie e da carnificina. Pior: já pensou se a família daquele infeliz morto ajudou a eleger Witzel? Deu um tiro no próprio pé. “Bandido bom é bandido morto”, só que aquele bandido tinha uma arma de brinquedo e sofria de sérios problemas mentais.




*É Professor em Porto Velho

domingo, 18 de agosto de 2019

Orgulho da escola Rio Branco



Orgulho da escola Rio Branco


Professor Nazareno*

            Alguns alunos da Escola Rio Branco de Porto Velho em Rondônia num gesto simples deram na semana passada um exemplo não só para a nação, mas para toda a Humanidade: diante da catástrofe ambiental que se abateu sobre a cidade e o Estado, saíram às ruas com máscaras nos rostos para denunciar ao planeta toda a sua insatisfação com a derrubada e a queima da “outrora” floresta amazônica. Como muitos sabem, sou professor há mais de 20 anos na Escola Professor João Bento da Costa na zona sul da cidade, mas não tive a ousadia nem a coragem para, em total silêncio e respeitando todas as regras impostas, denunciar um crime tão bárbaro e violento que se pratica de forma vil contra as futuras gerações. Parabéns a todos que participaram deste ato cívico e também aos que tiveram a iniciativa de mostrar ao mundo a sua amargura.
            Diante do silêncio criminoso das autoridades locais, do hoje maior incentivador da atual destruição da Amazônia, o “capitão motosserra” e também de todos os órgãos pagos com o dinheiro público para evitar a catástrofe, a brava comunidade daquela escola estadual tomou a dianteira e se insurgiu contra o absurdo reconhecido em todo o mundo civilizado. A cidade de Porto Velho está mergulhada em fumaça e fuligem há mais de três semanas sem que nenhuma autoridade ou mesmo a mídia tenha tomado qualquer providência. Aeroporto quase fechado por duas vezes, voos são desviados e os acanhados hospitais locais estão tomados por velhos, crianças e principalmente pessoas mais sensíveis à fumaça. O calor é infernal e a qualidade de vida, que sempre foi uma desgraça nesta capital, piora sensivelmente. O horror é visível e ninguém faz nada.
            Quando iniciou esta catástrofe ambiental, o governador do Estado estava calado e dela vai sair mudo. Parece até que concorda com o caos a que submeteram os rondonienses, seus eleitores. Até agora, nenhuma palavra, nenhuma ação, nenhuma providência para conter a desgraça. O prefeito da cidade, que deve ter viajado para o Primeiro Mundo para se livrar do ar irrespirável, também nada disse sobre a hecatombe ambiental. A inútil Câmara de Vereadores, a tosca Assembleia Legislativa, o Poder Judiciário, os Ministérios Públicos. Ninguém deu um pio sobre o problema. A própria população de Rondônia, muito acomodada e indolente, apenas reclama e muitos chegam a admitir que “todo ano é assim mesmo. Não há muita coisa a se fazer”. Vi até uma "jornalista" publicar em sua rede social que na Europa eles também poluem. É mole?
            Os alunos da Escola Rio Branco de Porto Velho que participaram deste protesto mereciam ganhar um prêmio pela sua coragem e pela bravura em mostrar para o mundo o que estão fazendo com a nossa floresta amazônica. Nenhuma autoridade daqui certamente vai valorizar o que eles fizeram. Mas se essas ações isoladas crescerem, num futuro próximo, os incendiários de plantão e também o agronegócio vão pensar duas vezes antes de acender o primeiro fósforo. Muitos desses “meninos de ouro” não estavam preocupados apenas com a sua respiração naquele momento, tenho certeza disso. Estavam todos preocupados com o seu próprio futuro e o futuro das próximas gerações. Neste ritmo alucinado de colocar fogo na floresta tropical e de destruir a Amazônia, em pouco tempo não sobrará uma árvore sequer. Obrigado, alunos e comunidade da Escola Rio Branco! Se eu não estivesse no JBC, queria estar com vocês.




*É Professor em Porto Velho.

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Nobel para o governador


Nobel para o governador

Professor Nazareno*

               Agosto de 2019. Há mais de três semanas que Porto Velho, a insólita e esquecida capital de Roraima, pede socorro sem que seu clamor seja ouvido nem aqui nem alhures. O silêncio mortal associado à terrível hecatombe que se abateu sobre seus mais de 500 mil moradores só tem exemplo no mundo neste mesmo mês de agosto, mas do ano de 1945, com as explosões atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki no Japão da Segunda Grande Guerra. A atual situação é de desastre ambiental. A fumaça tóxica engole tudo e todos. A floresta Amazônica arde sob a irresponsabilidade do agronegócio associada à notória inoperância dos muitos órgãos de defesa do meio ambiente da região. Porém, neste cenário rondoniano de terra arrasada, eis que aparece uma tênue esperança, uma luz no fim do túnel: o heroico e quase divino governador Marcos Rocha.
               Marcos Rocha é um jovem governador que tem sido uma grata surpresa para seus muitos eleitores. Trabalhador, arrojado, competente, humano e melhor de tudo, é um ferrenho defensor do meio ambiente e da natureza. Já deu várias entrevistas e foi inúmeras vezes à televisão mostrar seu descontentamento com as criminosas queimadas que assolam a região. “Não medirei esforços para acabar com esta tragédia que está trazendo tantos desconfortos e infortúnios para os pacatos cidadãos deste Estado”, teria dito o até agora maior estadista do povo de Rondônia. O Coronel Marcos Rocha coloca o outro Coronel no chinelo, tamanha é a sua desenvoltura e o seu empenho para sanar as dificuldades do povo sofrido. Ele não mede esforços para ajudar o cidadão comum. Velhos, crianças e portadores de doenças respiratórias podem contar com ele.
               O bravo governador, pelo muito que tem feito para o povo rondoniano nestes poucos dias à frente do governo de Rondônia, só pode ser comparado aos grandes heróis e governos da história da humanidade. Um Winston Churchill, um Konrad Adenauer, um Franklin Roosevelt. Suas inflamadas declarações contra a iminente extinção da Amazônia é um belo exemplo para toda a raça humana. Ele devia ser agraciado com um Prêmio Nobel. Onde estão as academias sueca e norueguesa que não o veem nestes momentos de tanta dor e sofrimento para o nosso povo? Obrigado, Coronel Marcos Rocha, pela preocupação com as criminosas queimadas e suas terríveis consequências para essa brava gente. O senhor pode não ganhar prêmio nenhum, mas ficará eternamente gravado em nossos humildes corações. Seu apego à natureza é algo ímpar.
                 Outro que também devia ser agraciado com um Prêmio Nobel era o atual prefeito de Porto Velho, Hildon Chaves, pelo muito que tem feito em benefício da educação das crianças ribeirinhas e da Zona Rural do município. O Dr. Hildon devia ser reeleito com quase 100% dos votos nas próximas eleições por causa da sua dedicação à cidade e pela notória preocupação com o futuro desta terra. Vida longa para estes dois grandes estadistas de Rondônia! Competência, humanismo, trabalho e acima de tudo heroísmo. Parabéns, prefeito e governador! Os senhores deveriam ser indicados para receber qualquer outro prêmio de reconhecimento internacional pela ousadia, determinação e compromisso com a vida humana e com o futuro. Com líderes assim, até esquecemos que há fumaça e que a “outrora” Amazônia arde sob o descuido dos maus brasileiros. Orgulho de Rondônia e suas autoridades, mano! Selva! Selva! Selva!



*É Professor em Porto Velho.


O “Mito” em Porto Fumaça


O “Mito” em Porto Fumaça


Professor Nazareno*

Depois de irresponsavelmente perder o dinheiro que Noruega e Alemanha mandavam para ajudar na preservação da Amazônia, Jair Bolsonaro resolve provar para o mundo que os brasileiros sabem muito bem preservar a maior floresta equatorial do mundo. Por isso, decidiu vir a Porto Velho em Roraima a fim de provar suas muitas teorias sobre os boatos, fofocas e mentiras que se fala sobre o desmatamento na região. Inicialmente, o avião presidencial teve muitos problemas para aterrissar no “aeroporto internacional” da cidade. A densa e criminosa fumaça não só fechou o campo de pouso local como também praticamente está inviabilizando o trânsito nas principais ruas e avenidas da imunda cidade. “Os rondonienses deviam parar de fumar um pouquinho só para diminuir esta fumaceira”, disse o presidente em meio a uma forte crise de tosse.
Efusivamente aplaudido pelos fãs e eleitores porto-velhenses e rondonienses, certamente aqueles mais intelectualizados e inteligentes, que foram receber seu herói nacional, o popular mandatário da nação quase não podia falar que era interrompido por aplausos e mais aplausos. Do aeroporto ao centro da cidade, multidões eufóricas gritavam slogans cívicos e muitos, emocionados, chegavam a desmaiar de tanta alegria. “Em termos de meio ambiente e preservação da natureza, o Brasil tem muito a ensinar ao mundo”, disse o “Mito” no início de seu acalorado discurso. “Além do mais, nós não precisamos do dinheiro desses países atrasados e subdesenvolvidos que tentam impor suas vontades sobre nós” completou o líder em meio a outra violenta crise de tosse. Disse depois que tinha visitado esses países e lá não encontrara uma só árvore plantada.
Sem enxergar quase ninguém a sua frente devido à densa fumaça, Jair Bolsonaro emocionava a todos os presentes toda vez que abria a boca para dizer algo. “Rondônia é um exemplo para o mundo em termos de respeito à natureza e ao ecossistema”, falava para delírio dos apaixonados seguidores. Disse que o mundo civilizado devia imitar esta cidade em termos de educação infantil. “Vejam o belo exemplo do prefeito Hildon Chaves e das autoridades em geral no tocante à educação das crianças e jovens ribeirinhos e da zona rural do município”.  Só não peço votos antecipadamente para ele por que o mesmo infelizmente não é do nosso partido, as eleições ainda serão no próximo ano e ele já está reeleito, completou para delírio dos presentes. “Vejam o nosso governador. Exemplo de homem ligado ao meio ambiente e à preservação ambiental”.
O presidente também falou que Rondônia é lugar de muita sorte com os governantes que tem. Após visitar o “açougue” João Paulo Segundo, teria cochichado a um assessor que a mídia local nunca mais falou sobre as mentirosas fofocas envolvendo aquele belo logradouro público. “Acho que esta minha tosse crônica e anormal seria resolvida aqui neste hospital de referência”, comentou para a preocupação dos seus asseclas mais chegados. Se não morasse em Brasília, o “meigo” presidente jurou que moraria em Porto Velho, Roraima. “Amei o clima de Alpes suíços do lugar. Nunca vi uma cidade mais arborizada do que essa. Põe Berlim e Oslo no bolso”, disse convicto. O “Mito” deu a entender que voltará em breve a “este lugar paradisíaco”. Talvez agora na Expovel ou então no final do ano durante o Arraial Flor do Maracujá. Após tossir muito e com os olhos já avermelhados, deixou-nos e voltou para limpar seus pulmões.



*É Professor em Porto Velho.