quinta-feira, 28 de maio de 2026

BR-319: o maior erro de Lula

BR-319: o maior erro de Lula

 

Professor Nazareno*

 

            Nos três mandatos como presidente do Brasil, o ex-metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, já cometeu inúmeros erros administrando o país. Coisa até normal levando-se em conta a complexidade de uma nação com um território tão grande. Porém o maior erro de todos eles será a recuperação asfáltica da BR-319, que liga o barranco do paraná do Careiro no Amazonas a Porto Velho capital de Roraima. A rodovia Álvaro Maia não será, como se pensa, a redenção das duas decadentes capitais amazônicas, mas o início da destruição total de toda a região. Lula esperou a saída de sua Ministra de Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, para, num ano político, fazer média com o povo amazonense. Assim como a BR-364, que criou o Estado de Rondônia e iniciou a devastação da Amazônia, essa outra estrada semeará o caos e levará ao fim dessa região.

            Muitos amazonenses reclamam que vivem isolados do restante do país. Mas a partir de 1976 eles ganharam a estrada novinha e deixaram-na se acabar em pouco tempo. Fala-se, sem nenhuma prova, que algumas pessoas até ajudaram na destruição da própria estrada para assim beneficiar o transporte fluvial naquela época. Se a classe política do Amazonas quer tanto esta estrada por que gastaram junto com o BNDS mais de um bilhão de reais na época para fazer uma suntuosa e inútil ponte sobre o rio Negro ligando o “nada a coisa alguma”? Por que não fizeram essa ponte ligando a sua Manaus ao Careiro e consequentemente à BR-319? Lula vai abrir o coração da Amazônia com esta estrada desnecessária. Garimpeiros, madeireiros, invasores, latifundiários, grileiros, posseiros, ladrões de terras e assassinos de povos originários serão atraídos com a BR-319 asfaltada.

Lula e todo o governo do PT sabem que essa gente vai invadir e destruir o que ainda resta de floresta. Dizer que durante a Covid-19 pessoas morreram em Manaus por causa da estrada que não tinha asfalto é balela, tolice, hipocrisia total. Todo mundo sabe o porquê do caos na capital amazonense durante a pandemia. Esconde-se o real motivo porque Manaus assim como Porto Velho são, ainda hoje, redutos do bolsonarismo mais radical e doente que existe. Nossos irmãos amazonenses morreram aos montes na pandemia por causa da irresponsabilidade de um governo genocida e incompetente que queria usar Manaus como laboratório para o Kit-Covid. Além do mais, Lula pode estar dando um tiro no pé: nem os amazonenses muito menos os rondonienses vão votar nele por causa dessa estrada dispensável. O bolsonarismo por estas bandas é uma doença!

E depois, quem nos garante que muitos dos “empresários amigos”, de Manaus e também de Porto Velho ou mesmo até de fora, não serão contemplados com a futura privatização da mesma? A BR-364, por exemplo, já foi devidamente “doada” a forâneos, que hoje cobram pedágios exorbitantes trazendo mais fome, pobreza e miséria para todos nós. Lula e o PT ajudariam muito a nossa região se esquecessem essa rodovia de uma vez por todas. A Amazônia precisa ser preservada a todo custo! E depois, que importância têm Manaus e Porto Velho no jogo do bicho para serem ligadas com tanto custo ambiental assim? Se eu fosse o Lula iniciava a parte burocrática e depois de eleito, se for mesmo reeleito, acabava com essa brincadeira de mau gosto. Bastará dizer que o IBAMA ou outro órgão de defesa do meio ambiente não permitiu. Assim, pelo menos por mais quatro anos a região seria preservada. Esse asfalto incendiará tudo e o fogaréu está para começar.

 

 


*Foi Professor em Porto Velho

terça-feira, 26 de maio de 2026

Rondônia quer Daniel Vorcaro?

Rondônia quer Daniel Vorcaro?

 

Professor Nazareno*

 

            Daniel Vorcaro é um banqueiro já falido. Quase ninguém o conhecia antes da derrocada do Banco Master. Jovem, esbelto, inteligente e muito bem relacionado em Brasília e também em outras grandes capitais do país, o “empresário” virou, de uma hora para outra, uma pessoa extremamente tóxica bem pior do que nitroglicerina, dinamite ou até mesmo o Urânio-235. Seus negócios nebulosos à frente do seu banco colocaram-no no centro de um furacão político. Quem se encosta nele corre o risco de ser banido para sempre da vida pública. Foi exatamente o que aconteceu com Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Flávio já era dado como o futuro mandatário do país devido aos seus altos números nas pesquisas eleitorais. Ciro Nogueira, outro bolsonarista raiz, também sucumbiu, após se aliar ao banqueiro e receber dele altas mesadas em propina.

            Antes aclamado como herói e amigo de todos, principalmente dos integrantes da extrema-direita reacionária, o bajulado banqueiro virou hoje “persona non grata” em todo o território nacional. Por isso deveria vir para Rondônia, enquanto “dava um tempo” na sua pouco ilibada reputação. Aqui poderia fundar um banco público junto com a classe política local. Seria o ROBAN, Rondônia Banco, para alavancar o progresso e o desenvolvimento não só da suja e imunda capital Porto Velho, mas de toda a região. Na pior dentre as capitais do Brasil para se viver, Vorcaro poderia recomeçar a sua vida longe dos golpes e da corrupção, uma vez que em Rondônia a classe política é séria e totalmente comprometida com as aspirações populares. “Aqui não há políticos ladrões como no resto do país. Deve ser por isso que o Estado é o mais bolsonarista de todos.

            A Assembleia Legislativa do Estado de Rondônia, por exemplo, é um oásis de honestidade e de lisura com o dinheiro público. A Câmara de Vereadores de Porto Velho também goza de muito prestígio e de popularidade e deveria ser indicada para ganhar um prêmio Nobel qualquer devido aos seus relevantes trabalhos prestados em prol da cidade e de seus moradores. Com Daniel Vorcaro em Rondônia a coisa mudaria de figura. Porto Velho não teria mais fumaça no verão nem alagações no inverno. Tenho certeza de que ele contribuiria para fazer uma excelente rede de esgotos e de saneamento básico. Ninguém daqui iria mais beber água de bosta. Um cidadão nascido e criado na cidade de pior IDH do país veria, pela primeira vez na vida, o que é esgoto e o que é mobilidade. Acho até que teríamos um porto rampeado no rio Madeira e também um “Built to Suit”.

            É claro que vivendo aqui, Daniel Vorcaro, junto com os probos e competentes políticos rondonienses, ajudaria a acabar com o pedágio Free Flow da mortífera BR-364. E não é tão difícil assim para o renomado ex-banqueiro vir para Rondônia fixar residência. Aqui vários políticos de fora já concorreram na política e foram eleitos. Rondônia praticamente numa teve um governador nascido em terras karipunas. Dizem que somente um deles nasceu aqui. A sebosa e fedorenta capital jamais teve um prefeito nascido nas barrancas do Madeira. E para Rondônia “adotar” um candidato forâneo basta o pastor pedir para votarem nele. Claro que morando na “Capital da Insalubridade”, na “Latrina do Brasil”, o sinistro banqueiro deveria dizer para todo mundo e também acreditar que é um “rondoniense de coração”. Com tanta vergonha, os urubus do Cai n’Água iriam embora daqui. Rondônia é 70 por cento da extrema-direita. Vorcaro se sentiria em casa!

 

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

quinta-feira, 21 de maio de 2026

A extrema-direita também rouba!

A extrema-direita também rouba!

 

Professor Nazareno*

 

            Claro que sim! Principalmente no Brasil. E isto não é novidade para ninguém. Na verdade, ela sempre roubou, foi corrupta, sempre desviou recursos públicos, teve vários integrantes seus que enriqueceram ilicitamente, prevaricou e na política faz de tudo para se manter no poder. Isso sem falar que sempre foi golpista e nunca esteve ao lado dos pobres, dos trabalhadores e também daqueles eleitores que sempre votaram nos seus candidatos. E a esquerda? Pelo menos em nosso país não há muita diferença entre direita, esquerda e extrema-direita. É tudo farinha do mesmo saco. Diogo Mainardi, escritor e colunista, disse certa vez que “no Brasil não existe direita nem esquerda. O que existe é um bando de salafrários, vagabundos, ordinários e corruptos que vez ou outra se juntam para roubar o dinheiro do povo”. É obvio que devam existir algumas exceções.

            O problema é que na nossa política, o que mais se tem visto ultimamente são os caciques e também quase todos os políticos e eleitores da extrema-direita reacionária dizendo que Lula e o PT são um bando de ladrões. “Lula Ladrão! é um mote que se popularizou naquele meio. Mesmo que não se saiba exatamente o que foi roubado, repete-se a frase como um mantra. Eu não acuso a esquerda nem os seus políticos de terem roubado alguém ou alguma coisa, mas também não duvido. E eis que agora é a extrema-direita que se vê em maus lençóis com o recente escândalo do Banco Master e de seu proprietário Daniel Vorcaro. É aquela velha máxima de Vladimir Lenin se repetindo: “acuse seus adversários daquilo que você faz. Chame-os do que você é”. Toda a extrema-direita nacional se viu diante do espelho. E agora, quem rouba? Quem é roubado?

            Parece que o banqueiro é agora “irmão e amigo” de todo mundo da extrema-direita. Pelo menos é o que se observa nos áudios vazados. Flávio Bolsonaro, que já está sangrando nas pesquisas para presidente por causa do seu envolvimento com Vorcaro, pode ter dado adeus as suas pretensões políticas. Ciro Nogueira, presidente do PP e ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro, recebia mensalmente uma gorda mesada do dono do Banco Master. Era cotado para ser candidato a vice-presidente na chapa de Flávio nas próximas eleições. Até o “falante” deputado Sóstenes Cavalcante do PL do Rio de Janeiro teria sido flagrado pela Polícia Federal com quase 400 mil reais dentro de sua casa numa recente operação policial. Ele afirmou que a origem desse dinheiro é lícita. Já pensou se estes fatos tivessem como protagonistas políticos da esquerda e do PT de Lula?

            Em termos de corrupção e de roubar ou desviar dinheiro público a contenda parece que está empatada no Brasil. E como fazer para votar sem correr o risco de eleger ladrões, canalhas e corruptos? Simples, basta escolher candidatos que mostram na prática a defesa dos mais humildes. Jamais votar em quem quer expulsar os pobres das cidades. Por que votar em políticos que são assumidamente contra a diminuição da jornada de trabalho no país? Como votar em candidatos que querem criar uma jornada de 52 horas semanais de trabalho? Político inimigo do trabalhador? Não! Há políticos honestos e candidatos também honestos, embora sejam exceções. Se o candidato é favorável à diminuição da maioridade penal ou é contrário à política de direitos humanos não devia receber votos. Como um eleitor pobre votará num futuro presidente, deputado, governador ou senador que é contra as políticas sociais? Eleger corruptos ou ladrões é perigosíssimo.

 

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

domingo, 17 de maio de 2026

A linda mascote de Porto Velho

A linda mascote de Porto Velho

 

Professor Nazareno*

 

            Porto Velho, a imunda e fedorenta capital de Roraima, ganhou, assim do nada, uma mascote para lhe representar. O atual prefeito da currutela fedida, Leonardo Barreto, escolheu sem fazer nenhum concurso, o boto-cor-de-rosa para ser a mascote da cidade-lixo, a pior dentre todas as 27 capitais do Brasil em IDH, saneamento básico e água tratada. Agora, o animado administrador quer que os azarados moradores escolham um nome para o infeliz animal. Existe tristeza maior, mesmo para um animal irracional, representar logo a capital nacional da sujeira? Coitados dos botos. Eles não mereciam desgraça maior. Além de já terem a má fama de estuprar as irmãs, filhas e outras parentes, agora o pobre animal vai ter que representar a sujeira e a imundície. Animal de destino sinistro, seria melhor para eles serem extintos para não ter que passar mais esta vergonha.

            Discordo da escolha que o “prefeito tik tok disse que fez. Como pagador de impostos há quase meio século desta imunda capital, entendo que ele patrocinou uma grande injustiça ao reino animal. Por que ele deixou de fora, por exemplo, os ratos e os urubus que infestam as ruas daquela área onde funcionava um antigo porto rampeado no rio Madeira doado pela Santo Antônio Energia e que hoje só resta um barranco íngreme, cheio de lodo e escorregadio? Além do mais, o boto-cor-de-rosa está quase extinto. O que tem de sobra, não só naquelas redondezas, mas na cidade inteira também, são ratos e urubus. Façamos justiça: a verdadeira mascote de Porto Velho tinha que ser um urubu ou qualquer uma das ratazanas já tão familiares que vemos ali a qualquer hora do dia. O Leonardo Barreto está há quase dois anos nesse cargo e já fez o quê por esta cidade?

            Porto Velho sempre foi a latrina do Brasil. Pior: muitos dos políticos direitistas daqui nunca se preocuparam com limpeza, higiene, rede de esgotos, água tratada nem qualidade de vida. Todos os anos são eleitos e reeleitos e nada fazem pela melhoria do povo otário que os elege. Muitos deles querem é mandar expulsar todos os pobres da cidade. Um absurdo, pois agindo dessa maneira nazista não vai sobrar muita gente por aqui. Não sei o percentual, mas acredito que mais de noventa por cento da população de Porto Velho seja constituída só de pessoas pobres e miseráveis. E quase todos eles dependem dos programas sociais do governo como bolsa isso e bolsa aquilo. Mas como são influenciados pela direita e pela extrema-direita reacionária, sempre votam e elegem, em todas a as eleições, os candidatos mais reacionários que há. E Rondônia é só o “Mito”.

            Leonardo Barreto está totalmente por fora em escolher um animal aquático para representar a cidade que ele administra. Porto Velho não é Veneza e nunca será. A não ser que ele tenha se lembrado das constantes e inacabadas alagações que se presenciam em toda época de chuvas por aqui. O eterno encontro das ruas Rio Madeira e Rio de Janeiro no bairro Nova Porto Velho é um bom exemplo. Ali é uma região onde só mesmo os botos sobrevivem. O próprio Barreto foi praticamente eleito em 2024 ao dançar, em pleno mês de outubro, em uma poça de lama na zona leste depois de uma forte chuva. Só que de lá para cá, a cidade continuou sendo alagada toda vez que chove. Nada foi feito. Só conversa fiada mesmo! Um só centímetro de rede de esgoto, uma casa a mais que foi contemplada com água tratada. Melhorou a mobilidade urbana? NADA! Absolutamente nada foi feito em benefício dos pagadores de impostos. E nem a coleta de lixo melhorou!

 

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.


quinta-feira, 14 de maio de 2026

Rondônia: bolsonarismo em alta

Rondônia: bolsonarismo em alta

 

Professor Nazareno*

 

            O Estado de Rondônia tem na política algo de mais surreal no Brasil. É, dentre todos as unidades da federação, a mais bolsonarista, reacionária e amante da extrema-direita. Seus eleitores superam, e muito, em termos proporcionais, os eleitores de estados ricos e tradicionais como Santa Catarina, Minas Gerais e São Paulo. Só que “a nova estrela no azul da União” é um dos estados mais pobres e miseráveis que há. Aqui, sequer tem uma grande população. Temos algo só em torno de 0,82% da população nacional e um PIB até menor do que isso: apenas 0,7%. Todos os números são, portanto, menores do que um por cento. Resumindo: Rondônia diante da já tosca realidade nacional é uma espécie de “segunda pessoa do quase nada”. Mas a maioria dos eleitores daqui insistem em votar na extrema-direita e a bajular candidatos com o sobrenome Bolsonaro.

            Mesmo com o bolsonarismo sitiado não só no estado, mas em todo o país, os eleitores não deixam de tecer loas aos representantes daquilo que há de mais reacionário, conservador e direitista na política. O bolsonarismo, de um modo geral, só trouxe mais desgraças para este jovem estado. Veja o exemplo do atual governador. Foi eleito e reeleito com sobras pelo seu fiel eleitorado. Passou oito anos no Palácio Getúlio Vargas e neste período o atraso, o subdesenvolvimento e as desgraças foram a tônica. Neste meio tempo, só faltou dar uma chuva de merda nas “Terras de Rondon”. O governo Marcos Rocha é tão pífio que o atual mandatário sequer vai se candidatar a algum cargo político nas próximas eleições. Em Rondônia nada dá certo. Para se tirar um simples documento de identidade, por exemplo, é quase impossível. Ninguém consegue agendar. Tudo é caos.

            A capital do estado continua ainda sem porto rampeado. E a construção do seu novo hospital de pronto-socorro deu em nada. O “Built to Suit” prometido por Marcos Rocha ficou só nisso mesmo: promessa. Rondônia nunca teve pedágio em suas raras e precárias rodovias. Mas o Free Flow apareceu de repente na perigosa, esburacada e mortífera BR-364 para desespero dos eleitores direitistas que moram às margens dessa estrada. Aqui se paga uma das mais caras taxas de energia elétrica do Brasil, apesar de termos pelo menos três hidrelétricas somente para gerar energia boa e barata para fora do estado. Ainda assim, o bolsonarismo está em alta em Rondônia, apesar de só ter trazido mais desgraças e muito mais misérias para o seu povo. O combustível daqui é um dos mais caros de todo o país. Rondônia foi o único estado a não aderir ao pacto do diesel.

            Não existe um só estado no país que tenha as passagens aéreas tão caras como aqui. Caríssimas e muito raras! E ninguém faz nada para tentar resolver o problema. O ICMS do combustível de aviação deve ter também o preço muito alto, pois muitos passageiros locais preferem ir de ônibus para Rio Branco ou Cuiabá para pegar voos mais baratos. O bolsonarismo vai fazer Rondônia voltar a ser território de novo. Ainda assim o eleitor não “abre os olhos” para a triste realidade que o cerca. Flávio Bolsonaro está enrolado até o pescoço com o banqueiro Daniel Vorcaro, mas muitos rondonienses nada veem de anormal nisso. Dão-lhe apoio integral e votam maciçamente nos candidatos que insistem em usar o sobrenome Bolsonaro. Aliás, por aqui muitos candidatos brigam para usar esse sobrenome que, no resto do país, já está em franco declínio com o seu líder julgado e preso. Falam que o próximo governador daqui será o ex-pit bull do Bolsonaro.

 

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

quinta-feira, 7 de maio de 2026

E se a Terra for mesmo plana?

E se a Terra for mesmo plana?

 

Professor Nazareno*

 

            Este ano de 2026 haverá eleições no Brasil para vários cargos. De Presidente da República, passando por governadores, deputados estaduais, deputados federais e até para dois terços do Senado, os brasileiros vão escolher nas urnas eletrônicas todos os seus candidatos. Como ainda faltam mais de cinco meses até o pleito, os respectivos candidatos ainda não foram devidamente escolhidos nas convenções dos partidos. Mas as pesquisas eleitorais já estão a todo vapor. Fala-se até que Flávio Bolsonaro, da extrema-direita e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, ganhará o pleito para presidente e se tornará o próximo mandatário do país. E não será a primeira vez que a extrema-direita governará o Brasil. Dos 526 anos de nossa triste História, o PT e a esquerda governaram por exatos 18 anos, enquanto a elite conservadora esteve nos governando por pelo menos 508 anos.

            Com a volta triunfante da extrema-direita ao poder de forma lícita e democrática por meio de sufrágio universal, de urnas eletrônicas e da vontade absoluta da maioria dos nossos eleitores, esperam-se algumas mudanças na rotina de todos os brasileiros. Pra começo de conversa, o salário mínimo vigente no país será congelado por pelo menos seis anos consecutivos. Funcionários públicos de todas as esferas não terão mais a estabilidade em seus empregos e os aposentados deixarão de receber reajustes em seus vencimentos. Todos os auxílios sociais como bolsa família, bolsa gás, bolsa isso e bolsa aquilo serão reduzidos sumariamente. O número de pessoas trabalhando com a carteira assinada terá que ser sempre muito maior do que aqueles cidadãos que recebem auxílios governamentais. Porém, as mudanças não serão apenas verificadas nos programas sociais.

            No novo governo não haverá mais STF e nem também Ministério Público e o novo Congresso Nacional, que elegeu praticamente só deputados e senadores da direita e da extrema-direita, será, por vontade própria, totalmente submisso ao Poder Executivo. Já no primeiro ano de mandato será redigida uma nova Constituição para alinhavar os desejos e as vontades não só da classe política recém eleita, mas de todos os brasileiros que, felizes, elegeram o novo governo do país. O ensino será totalmente modificado no país inteiro. Em disciplinas como Geografia, por exemplo, será ensinado que a Terra é plana e que é o sol que gira em redor desse inusitado planeta e não o contrário. Paulo Freire será banido das universidades públicas, que serão fechadas e em História será ensinado que a Revolução de 1964 foi um marco do nosso progresso e desenvolvimento.

            No novo cenário a partir de 2027, o Brasil não mais fará negócios com a China e as relações com os EUA e Israel serão plenas e garantirão a soberania deles em detrimento da nossa. Qualquer cidadão que ousar criticar o sionismo ou a política externa norte-americana será punido. Não haverá mais partidos de esquerda muito menos socialistas ou comunistas. O DOI-CODI, tortura e censura voltarão. Em Rondônia, que deu mais de 90 por cento dos votos aos novos governantes, serão criados hospitais “Built to Suit” de mentirinha e o pedágio da BR-364 será aumentado em 200 ou 300 por cento. As cidades brasileiras não terão mais pobres e a “fila do osso” será restaurada em todas as capitais. A BR-319 vai ser totalmente asfaltada e o rio Madeira será reaberto para o garimpo com mercúrio. Voltará o “dia do fogo” e a maioria dos povos originários será extinta e o Estado não será mais laico. E depois disso tudo, só posso dizer, calado: seja bem-vindo, Flávio!

 

 

 *Foi Professor em Porto Velho.

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Vivendo no país das 49 anistias

Vivendo no país das 49 anistias

 

Professor Nazareno*

 

            Assim é o Brasil: desde 1822 até os dias atuais, já tivemos na nossa insólita cena política quase meia centena de anistias. Um paraíso jamais visto dentre todas as nações civilizadas do mundo. Neste incrível país, tudo se perdoa, tudo se desculpa, tudo se releva, tudo se anistia, tudo fica por isso mesmo, qualquer que seja a gravidade do crime que se cometeu. O Poder Judiciário, em alguns casos, até que tenta punir sob a forma da lei, mas nada dá certo. No final, todos os infratores são liberados e até chamados de heróis. Todas as infrações cometidas durante um golpe de Estado, uma insurreição, um levante, uma ditadura ou uma crise, institucional ou não, tudo “termina em pizza” e depois o perdão vai, via de regra, para todos. As duas últimas anistias se referem à cruel, sanguinária e infame Ditadura Militar e mais recentemente, à tentativa de golpe do 8 de janeiro de 2023.

            Durante as décadas de 1960 e 1970 do século passado, os Estados Unidos, no contexto da Guerra Fria, financiaram, apoiaram e implantaram ditaduras militares em quase toda a América Latina. No Brasil, foi em 1964 quando os militares golpistas apoiados pela elite civil derrubaram João Goulart, um presidente democraticamente eleito para, segundo os vigaristas da época, evitar o comunismo em nossa pátria. Os milicos passaram quase 21 anos governando o país sob o tacão das baionetas e dos fuzis. Quase 500 pessoas foram assassinadas pelos governantes de então. Censura à mídia, privação de eleições diretas para Presidente da República, exílio de lideranças, perseguição aos oposicionistas, desrespeito aos direitos humanos, tortura nos DOI-CODI e todo tipo de violência foi usada como rotina, sem remorsos, como uma prática de Estado e de governo.

            Muito diferente de países vizinhos como o Chile e a Argentina, que também tiveram suas ditaduras cruéis e sanguinárias, mas que prestaram contas com o seu passado, no Brasil torturadores e torturados, perseguidores e perseguidos, quem bateu e quem apanhou foram todos colocados num balaio só e tudo ficou por isso mesmo. A anistia de 1979 praticamente perdoou a todos: culpados e inocentes. E apesar do trauma, a alegria voltou a reinar tranquilamente entre todos. E talvez por isso mesmo, algum tempo depois, um torturador cruel e sanguinário como Carlos Brilhante Ustra voltou a ser chamado de herói nacional. A Ditadura Militar foi e ainda é negada em todas as suas formas e o golpe de 1964 está sendo ensinado às novas gerações como “algo muito benéfico” para todo o país, apesar das arbitrariedades. Anistia e perdão sempre dão nisso!

            Com a certeza da anistia, em 2023, alguns vândalos da extrema-direita reacionária, insatisfeitos com a derrota nas eleições, invadiram Brasília, quebraram e depredaram as sedes dos Três Poderes sem prever sequer as consequências de seus tresloucados atos. Essa baderna toda aconteceu depois de acamparem em frente aos quartéis de todo o país por mais de dois meses seguidos pedindo outro golpe militar. Insuflados e talvez até financiados pelos perdedores do pleito eleitoral de 2022, muitos deles foram presos, julgados e condenados pela insanidade que cometeram. O próprio ex-presidente perdedor está preso depois de ser julgado e condenado a quase 30 anos de cadeia. Agora, vem outra anistia patrocinada por um Congresso Nacional direitista e reacionário. “O STF cometeu uma injustiça contra os patriotas”, dizem na maior cara de pau os que defendem mais este perdão. Anistia para arruaceiros é o ovo da serpente chocando. E eclodirá em breve!

 

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.