sábado, 18 de novembro de 2023

Metade do Amapá seria Israel

 

Metade do Amapá seria Israel

 

Professor Nazareno*

 

            O atual Estado de Israel foi criado em 1948. Tem pouco mais de vinte e dois mil quilômetros quadrados e uma população superior a nove milhões de pessoas. Judeus e árabes em sua grande maioria. Praticamente todos os cristãos já saíram de lá. Só que havia na região quase meio milhão de palestinos que ali moravam há mais de dois mil anos. Não deu outra: as guerras e os desentendimentos com os moradores locais começaram já no dia seguinte. Pelo menos quatro guerras entre Israel e os países árabes vizinhos foram verificadas em menos de 30 anos. Os dois povos nunca se entenderam e os combates, a carnificina, o colonialismo, o terrorismo e as agressões mútuas podem ser verificados quase todo dia, mês e ano naquele lugar que, ironicamente, tem o nome de “Terra Santa”. Só que tudo poderia ser diferente do que é. Israel poderia ter sido criado muito longe dali.

            Após o Holocausto na Segunda Guerra Mundial, os judeus mereciam ter uma pátria só para eles. Poderia ter sido em Madagascar na África, na Sibéria ou mesmo em plena Amazônia brasileira. No Amapá, por exemplo. Em qualquer um desses lugares, todos semidesérticos na época, seria com certeza um país 4 vezes maior do que é hoje o Estado de Israel. Mas os judeus não quiseram. Queriam voltar para ali, no Oriente Médio. O lugar que “Deus apontou para Moisés” que seria o lar definitivo dos judeus. E aqui pra nós: esse Deus foi muito cruel, escroto e até sacana com os hebreus. Levou-os para um lugar onde não há petróleo e nem água potável. Só areia, calor e muito deserto. Se o Brasil tivesse vendido metade do Amapá para os judeus seria um louvor até hoje. Tanto para os raros amapaenses como para os judeus. Na foz do rio Amazonas há água doce em excesso.

            E ali também não havia muitos habitantes. Apenas uma meia dúzia de índios “selvagens” que não iam fazer diferença nenhuma para ninguém. O Brasil mesmo já cometeu um Holocausto matando mais de seis milhões desses índios e ninguém nunca percebeu. Se percebeu não deu a menor importância. Israel tirava de letra conviver com esses selvagens. Além do mais, ficava bem mais próximo dos Estados Unidos e bem ali em frente ao oceano Atlântico. Os judeus iriam desenvolver aquela região inóspita e seriam hoje uma das maiores potências econômicas do mundo. Só metade do Amapá não faria falta nenhuma ao Brasil. Assim como não fariam falta, e nem fazem ainda hoje, lugares atrasados como Rondônia, Acre, Roraima e algumas das outras inúteis unidades da federação, que só dão prejuízos. Aliás, o Acre foi trocado com a Bolívia por um cavalo.

            Duvido que se Israel fosse ali vizinho ao Amapá se haveria tantas guerras. O novo país não precisaria ter Força Aérea, Marinha e nem Exército como tem hoje. Terrorismo seria inexistente. E ninguém iria querer “afogar o último judeu no mar” e nem “incendiar metade do Estado judeu”. O muçulmano mais próximo estaria muito distante dali. E como fazemos alguns de nós cristãos, todos os anos os judeus iriam à “Terra Santa” visitar os seus lugares sagrados. Com a venda de metade do Amapá, o Brasil poderia ter investido em outras regiões do país e garantiria dessa forma uma paz definitiva para as três maiores religiões monoteístas da atualidade. Israel gasta hoje horrores para dessalinizar água do mar e para produzir alimentos no deserto. No Amapá, não precisaria de nada disto. Mas hoje é impossível tirar Israel de onde ele está. E também não é viável dividir o Amapá em dois. E Moisés, Maomé e Cristo deveriam mediar brigas entre irmãos. Chega de guerras!

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

quarta-feira, 15 de novembro de 2023

FAP, a Força Aérea da Palestina

FAP, a Força Aérea da Palestina

 

Professor Nazareno*

 

         Membros do Hamas, grupo político que controlava a Faixa de Gaza, atacaram cidadãos israelenses no dia sete de outubro de 2023 e cometeram as maiores barbaridades de que se tem notícias. Pelo menos 1400 cidadãos israelenses inocentes foram trucidados covardemente com essa ação totalmente deplorável e condenável. Só que a resposta de Israel não veio contra esses terroristas do Hamas, mas contra toda a população civil da Faixa de Gaza. Ajudadas pelos Estados Unidos e por grande parte da União Europeia, as Forças Armadas de Israel desfecharam um dos maiores ataques contra populações civis e estão matando crianças, mulheres e velhos indiscriminadamente. Os mortos acontecem aos milhares e o que é pior: o mundo civilizado não faz nada para acabar com essa terrível carnificina em andamento. O povo palestino está sendo morto e esmagado como insetos.

      E como na época de Adolf Hitler e dos nazistas, um outro genocídio pode estar a caminho. Os palestinos não têm Força Aérea. Não têm Marinha de Guerra e não possuem tanques e tropas de infantaria para pelo menos se defenderem dos ataques que o seu povo está sofrendo. Se você ouvir falar da guerra entre Israel e os palestinos não acredite nessa lorota. Não é guerra! Não existe guerra nenhuma! É apenas um massacre de um povo com o aval das grandes potências econômicas e militares do mundo. É tudo um genocídio que está se permitindo apenas para vender armas. O povo palestino vai deixar de existir em pouco tempo. Serão exterminados assim como o foram os índios do Brasil e tantos outros povos. O que o Hamas fez é deplorável sob todos os aspectos, mas como disse o Secretário-geral da ONU: nada é por acaso. Isso é uma resposta ao colonialismo sofrido.

Sem nenhum MIG pela frente para combater de igual para igual e com um céu de brigadeiro, os pilotos da Força Aérea de Israel não têm nenhum problema para despejar toneladas de bombas sobre populações civis em Gaza. Assim, até eu entraria numa guerra! Abandonados à própria sorte, os palestinos não têm o que comer. Sofrem como muitos dos índios brasileiros e de grande parte das pessoas que moram nas favelas do nosso país. A Faixa de Gaza é muito pior do que foi o Gueto de Varsóvia durante a Segunda Grande Guerra. A diferença é que os palestinos ainda conseguem, a duras penas, criar os grupos que tentam enfrentar os judeus, como o Hamas, o Hezbollah e a Jihad Islâmica. Já no Gueto de Varsóvia as vítimas aceitaram o horror nazista de forma pacífica e sem lutar. Como expulsar “numa boa” famílias cujos ancestrais vivem ali há mais de dois mil anos?

Os homens do Hamas cometeram crimes de guerra contra indefesos cidadãos de Israel e devem ser punidos, mas Israel também comete os mesmos crimes de guerra contra os civis palestinos. “Olho por olho?”. São bombardeios sem critérios. E Israel não será punido. No Líbano, os judeus usam até bombas de fósforo branco contra membros do Hezbollah. O que é proibido pelas leis internacionais. E bombardear alvos civis e contra materiais como água, combustíveis, ambulâncias e medicamentes na Faixa de Gaza é crime de quê? Um erro não conserta o outro. Os pilotos da Força Aérea de Israel e os militares judeus de um modo geral devem se sentir como super-homens nesta carnificina que estão cometendo contra os indefesos palestinos. Se Israel tivesse tratado os palestinos bem e sem nenhum colonialismo desde 1948 nada disso estaria acontecendo, pois Israel é um país de gente boa. Mas a Palestina também o é. Sem antissemitismo ou islamofobia.

 

*Foi Professor em Porto Velho.

domingo, 12 de novembro de 2023

A Revolução dos Índios

A Revolução dos Índios

 

Professor Nazareno*

 

            Todo mundo sabe como é a nossa História. Quando Cabral chegou ao Brasil no ano de 1.500, encontrou por aqui pelo menos uns seis milhões de índios já vivendo tranquilamente em terras tupiniquins. Não se sabe até hoje se esta viagem foi por acaso ou de forma já antes planejada. O fato é que eles tomaram posse de tudo isso aqui em nome da Coroa Portuguesa e, aos poucos, os portugueses, dos quais descendem a maioria dos brasileiros, foram logo tomando conta das terras, das riquezas e exterminando todos os povos originários. Assim foi feito também em Israel. Os portugueses encontraram índios, já os judeus encontraram os palestinos. Israel reivindica direitos religiosos, históricos e culturais para expulsar o povo palestino de suas terras. Já os portugueses não reivindicaram nada. Apenas chegaram, invadiram, tomaram tudo e fincaram o pé até hoje.

            Os verdadeiros donos do Brasil são os índios que aqui já estavam muito antes da chegada desses “descobridores”. Assim como os donos da Terra Santa são os palestinos, que há mais de dois mil anos estavam morando por lá. Para expulsar e matar os donos da terra recém “descoberta”, Portugal levou bem mais tempo do que os israelenses. Os colonialistas lusitanos ainda trouxeram levas de negros escravizados da África, enquanto os judeus recebiam do mundo inteiro pessoas convertidas à fé judaica para ajudar na ocupação das novas terras. Hoje Israel bombardeia hospitais, escolas, mesquitas e creches para exterminar os palestinos. Já Portugal criou por aqui uma elite fascista e retrógada, que na maioria dos casos se encarregou de aniquilar “um por um” todos os indígenas. No Oriente Médio os invasores são chamados de sionistas. No Brasil chama-se agronegócio.

            Tecnologicamente, os palestinos são bem mais evoluídos do que os índios do Brasil. Por isso, resistem como podem à agressão sofrida. Mas no final todos eles, palestinos e indígenas, serão exterminados pelos invasores. O mundo inteiro diz que “Israel tem o direito de se defender”. Só que ao bombardear instalações civis de pessoas inocentes, os sionistas não estão se defendendo. Estão é atacando. E pior: quem matou e trucidou mais de 1400 civis inocentes de Israel não foram mulheres grávidas, jovens, velhos, médicos, religiosos e crianças palestinas. Foram os terroristas do Hamas. Até agora, para cada judeu morto pelos terroristas, pelo menos 100 palestinos já perderam a vida. E como a matança continua, esse número monstruoso e absurdo só tende a aumentar. Já os índios do Brasil são hoje pouco mais de 1,5 milhão de indivíduos. E já aculturados.

            Se esses índios resolvessem e pudessem resistir, a primeira coisa que fariam era expulsar todos os invasores do agronegócio de suas propriedades. A seguir, fariam como Israel fez e tomariam todas as terras que perderam nesses mais de cinco séculos de exploração e de roubos praticados pelo homem branco. Os nossos índios deviam fazer uma revolução: não permitiriam reconstruir a BR-319, pois ela será o fim do que ainda resta da Amazônia, a sua terra ancestral. Não permitiriam derrubar a floresta nem tacar fogo nela como se faz todo ano. Proibiam também envenenar os seus rios com o mercúrio. Todo e qualquer minério retirado de suas terras deveria ser só com a sua autorização e a negociação deveria lhe render bons lucros. Se Israel tem direitos totais sobre a Terra Santa, os nossos índios deviam ter também esse mesmo direito sobre as terras do Brasil. Os palestinos moram lá há dois, três mil anos. Já nossos índios sempre viveram por aqui.

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

sexta-feira, 10 de novembro de 2023

Não foi Deus que criou Rondônia

Não foi Deus que criou Rondônia

 

Professor Nazareno*

 

            O poeta e escritor português José Saramago, Prêmio Nobel de Literatura de 1998 e autor do romance “O Evangelho segundo Jesus Cristo”, disse certa vez que não poderia acreditar num Deus que criou o ser humano. Parafraseando Saramago, pode-se também dizer que Deus não criou o Estado de Rondônia. Muito menos ainda essa sua imunda e podre capital Porto Velho. Deus talvez até nem exista assim como muitos seres humanos creem. Ele estaria ligado à natureza e às coisas que compõem o Universo, segundo Baruch Spinoza em “O Deus de Spinoza”. Deus estaria, portanto, dentro de cada um de nós. Pensando bem: como pode um ser tão poderoso, onisciente, onipresente, onipotente, justo, correto e bom em todos os aspectos ter criado aberrações como este Estado e esta cidade? Porto Velho só pode ser, com toda certeza, obra do Satanás e de seus assessores.

            Não cabe na minha cabeça entender que o Todo Poderoso criou um Estado cujos eleitores, pobres e miseráveis em sua maioria, são da direita e da extrema-direita. Deus é da esquerda. Todo mundo sabe disto. A direita e a extrema-direita geralmente destroem o meio ambiente, acumulam riquezas, incentivam a desigualdade social, ajudam no extermínio aos povos originários, pregam o garimpo ilegal, negam a ciência, falam mal das vacinas, exploram os pobres e geralmente utilizam a religião para encobrir as suas maldades. Já a esquerda é outra “vibe”. Como Jesus Cristo, boa parte dos esquerdistas tenta combater a fome e a miséria, prega a igualdade entre as pessoas, incentiva a ciência e o conhecimento, combate a fome e semeia o amor fraterno entre as pessoas. Já as duas ideologias, pelo menos aqui no Brasil, roubam os cofres públicos sem a menor cerimônia.

            Deus não pode ter criado Rondônia, já que somos um Estado fruto direto da devastação ambiental. Isso é coisa do Belzebu, óbvio! Até uma ferrovia o Diabo já teve aqui em Porto Velho. E por causa desse ataque sistemático à natureza, estamos vivendo uma das maiores secas já vistas nessa região. Além do mais, enfrentamos diariamente todo tipo de problemas sem soluções à vista. A classe política desse Estado só pode estar a serviço do Cramunhão. Vive-se uma crise aérea única dentre todas as unidades da federação e ninguém faz nada. Recentemente um show da cantora Roberta Miranda, por exemplo, foi cancelado em Porto Velho, que segundo a IR Produções foi “por problemas na malha aérea do Estado”. Ninguém em sã consciência quer vir para cá. A empresa também citou um “desacordo comercial”. O fato é que nada dá certo neste distante rincão.

            Se foi o Pai Eterno que criou isso aqui, há uma dívida muito grande d’Ele para com os moradores desta aberração regional. Porto Velho, uma capital, não tem água tratada, não tem rede de esgotos, não tem árvores, o lixo e a catinga campeiam por toda parte, e mesmo assim, o povo da cidade continua satisfeito e feliz. A construção de um hospital para tratar a saúde das pessoas devia ser um ato vindo de uma divindade. Mas o novo e badalado hospital de pronto-socorro de Porto Velho, o HEURO, “Built to Suit”, parece que já deu com os burros n’água. Só pode mesmo ter sido o “Pé Rachado”, protetor maior da cidade e dos seus miseráveis habitantes, que interveio e ficou torcendo para esse novo “açougue” não dá certo. Tudo bem que “quando Deus criou o homem”, deu-lhe o livre arbítrio. Mas no caso de Rondônia e Porto Velho, ele cruzou os braços para sempre ou simplesmente entregou os destinos disso aqui ao Anjo Mau. Precisamos de sal grosso!

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

terça-feira, 7 de novembro de 2023

Punido por falar verdades

Punido por falar verdades

 

Professor Nazareno*

 

            Um inusitado crime aconteceu em uma fazenda de Sapezal, cidade localizada a 480 quilômetros de Cuiabá no Mato Grosso. Um rapaz, provavelmente rondoniense, foi esfaqueado pelos amigos por que estaria falando mal de Rondônia. Não há detalhes desse absurdo caso de xenofobia às avessas, mas certamente nada justificaria tamanha violência e crueldade. E até por que a vítima não estava falando mal de Rondônia, lugar de origem de todos eles. Talvez estivesse até reclamando, e com alguma razão, que o Estado “mais a oeste” é tão rico e tem no agronegócio a sua base econômica, mas mesmo assim eles estavam trabalhando em outro Estado. Devia ter falado também da origem de Rondônia e do grande desastre ambiental, que desmatou grande parte da floresta amazônica, para abrir a BR-364 e até hoje não produzir riquezas suficientes para matar a fome dos pobres.

            Deve ter falado também que a sua terra natal é quase toda da direita e da extrema-direita bolsonarista, apesar da fome e da miséria que existem no Estado. “São mais de 18 milhões só de cabeças de gado, mano!”. “E por que há tanta fome e tanta gente pobre?”. Provavelmente a vítima falou, e não muito bem, da Assembleia Legislativa do seu Estado e também da Câmara de Vereadores de Porto Velho. “Como pode dos 21 vereadores, todos serem a favor do prefeito da cidade? Que putaria é essa?”, pode ter questionado. “Rondônia tem muito político ladrão. Uns até são filmados contando dinheiro em sacos de lixo de plástico e mesmo assim são eleitos e reeleitos sem nenhum problema”, observou. “E eles gostam também de aumentar os impostos dos pobres e miseráveis”. Se falou da corrupção, pode ter despertado a ira de seus colegas de trabalho. Isso é perigoso.

            Tomara que este pobre rapaz não tenha falado nada sobre a insólita Porto Velho, capital de Roraima. Já pensou que raiva ele não iria despertar nos rondonienses e também nos “rondonienses de coração?”. Uma cidade porca, imunda, podre, suja, fedorenta, mal planejada, feia, malcheirosa, quente, sem árvores, largada, longe, abandonada, xexelenta, sem esgotos, sem água tratada, sem planejamento urbano, violenta, repleta de favelas, sem mobilidade urbana, sebosa, dentre outros adjetivos nada abonadores não pode mesmo ter elogios de ninguém. Ainda assim, muitos otários elogiam a “capital dos destemidos pioneiros” e por isso deram uma facada no pobre rapaz. Espero que o infeliz trabalhador esfaqueado não tenha falado da rua torta nem da nova rodoviária enviesada e horrorosa que estão construindo para ser inaugurada durante as eleições do próximo ano. Um horror.

            Será que ele falou do “açougue” João Paulo Segundo e do novo HEURO, “Build to Suit”, do governo do Estado? Se fez isso, livrou-se de ter levado um tiro de bazuca ou até mesmo de canhão. Muitos dos pobres de Rondônia não gostam de ouvir essas coisas. Já levar uma facada por falar as verdades sobre a Zona Leste da cidade de Porto Velho pode não ser um ato raro nestes dias tensos... Porém, um assunto tabu mesmo é a possível recuperação da BR-319 ligando Porto Velho ao Careiro, próximo a Manaus. Se ele disse que essa desnecessária estrada será o fim de toda a Amazônia, “cutucou a onça com vara curta”. Dizer que a 319 vai trazer a miséria, o garimpo ilegal, o desmatamento, as invasões de terras é autodestruição. Falar sobre a ponte do suicídio seria “chover no molhado”. E se ele falou da UNIR, uma universidade sem hospital universitário? Vamos torcer pela recuperação deste cidadão. E eu? Será que eu já me livrei de algumas facadas?

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

sexta-feira, 3 de novembro de 2023

A cidade dos quatro açougues

A cidade dos quatro açougues

 

Professor Nazareno*

 

            Porto Velho, a capital de Roraima, nunca teve um hospital de pronto-socorro honrado. Há quase 40 anos funciona na zona sul da cidade um arremedo de clínica de urgência e emergência que tem feito as vezes de uma instituição pública de saúde. Sempre viveu lotado e nunca deu conta totalmente das demandas que ali chegam. O João Paulo Segundo de Porto Velho parece com o Al-Ahli Arab, um dos hospitais da Faixa de Gaza. O velho açougue porto-velhense é como um campo de concentração daqueles da Segunda Guerra Mundial. Só que em vez de matar judeus, mata os pobres. Em Gaza, por exemplo, os hospitais públicos de lá, mesmo em tempos de guerra como agora, cuidam quase sempre de palestinos, árabes e também de cidadãos judeus. O velho pronto-socorro daqui foi criado por acaso e até hoje já desafiou oito governadores, prefeitos e todos os políticos.

            Mas os otimistas dizem que os problemas podem estar mais perto do fim. Como estamos em um ano pré-eleitoral as promessas para sanar o caos já começaram. Há uma possibilidade de esta capital ter em um futuro muito próximo “uma penca” de hospitais de pronto-socorro para atender aos seus pobres e miseráveis pacientes. Fala-se em três ou até mesmo em quatro novas unidades de atendimento por aqui que surgirão “assim do nada”. Só que a tão badalada construção do HEURO, Hospital de Emergência e Urgência de Porto Velho, pelo governo do Estado, parece que vai terminar mesmo em “beiju de caco”. Inventaram até um nome pomposo em inglês só para enganar os trouxas: “Built to Suit”, que numa tradução livre pode significar “construído para se adequar”. Só que até agora não se adequou a absolutamente nada e sua construção pode até parar. Né incrível?

            Outra possível enganação política aos pacientes desassistidos de Porto Velho pode já estar a caminho: é o pronto-socorro municipal. A prefeitura da cidade já canta aos quatro cantos que tem pelo menos 50 milhões de reais para iniciar a construção do novo logradouro público de saúde. Dizem que deve ser construído ali perto da maternidade municipal no bairro Embratel. Uma prefeitura que em oito longos anos desarborizou quase toda a cidade, não construiu nada de esgotos e saneamento básico, não limpou a cidade da imundície característica, não entregou a EFMM aos moradores, deixou o porto rampeado enferrujar a céu aberto, não construiu uma praça sequer, fez na zona Norte uma rua toda torta, sem árvores e diz que vai entregar uma nova rodoviária durante as eleições de 2024, não é nada confiável. O eleitor de extrema-direita continua sendo alvo de lorotas.

            O terceiro açougue de Porto Velho poderia ser o João Paulo Segundo mesmo ali na Avenida Campos Sales. Com o HEURO na zona Leste e o pronto-socorro municipal próximo ao centro, a zona Sul da imunda cidade poderia ficar com o seu antigo hospital. Afinal de contas muita gente já está devidamente acostumada às humilhações, correrias, mortes e privações vividas naquele lugar. Mas por incrível que pareça, há uma quarta opção de açougue para Porto Velho. O ex-governador Confúcio Moura começou a construção de outro ali por trás do Hospital de Base na zona Norte. Toda a fundação com inúmeros pilares e algumas plataformas estão abandonados no tempo testemunhando a incompetência e a má vontade dos nossos políticos em atender aos pobres e necessitados. Porto Velho tem vários palácios suntuosos, fóruns judiciais, há ricas instituições públicas, Assembleia Legislativa, CPA, Ministérios Públicos. Mas não tem um só açougue decente.

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

quarta-feira, 1 de novembro de 2023

Rondônia quer imitar a Paraíba

Rondônia quer imitar a Paraíba

 

Professor Nazareno*

 

            Rondônia e a Paraíba são duas províncias distantes, atrasadas, pobres e quase sem nenhuma importância na já lascada e tosca realidade nacional. Ambas praticamente sempre viveram das benesses e dos recursos de outros Estados mais desenvolvidos da federação através do FPE, Fundo de Participação dos Estados. Não sobreviveriam sem a “bondade” federativa e sem os repasses dessas verbas nacionais a que todos os entes federados têm direito. Com exceção dos Estados do Sudeste e do Sul do país, tanto Rondônia como a Paraíba, assim como várias outras províncias subdesenvolvidas, sempre deram prejuízos à nação. Eu tive o supremo azar de ter nascido em um e de até hoje viver em outro desses rincões do Brasil. Digamos que há 42 anos fugi da seca e da miséria nordestinas. Mas hoje vejo essas mesmas coisas em terras da “próspera” e boa Amazônia.

            Quando por aqui passava e resolvi ficar, ainda no início da década de 1980 do século passado, muitas pessoas “zoavam” comigo dizendo que eu era mais um retirante nordestino que passava sede e que comia calango. “Rondônia é a Meca do Brasil e do mundo, para onde muitos desempregados vêm matar a sede e a fome”, diziam de peito estufado, com desdém e empáfia, muitas pessoas que já viviam aqui. Óbvio que a Paraíba sempre foi uma porcaria sem eira nem beira. Um lugar conhecido apenas por “exportar” sua gente para outros lugares mais abastados como o Rio de Janeiro e São Paulo, por exemplo. Só que os motivos pelos quais saí de lá não eram ligados à sobrevivência. E Rondônia já foi um lugar até próspero e cheio de oportunidades. Foi, não é mais. Ambas incivilizadas províncias destruíram os seus fartos recursos naturais e hoje já estão pobres.

            A seca de 2023 que se abateu sobre as terras rondonianas fez até o poder público distribuir água mineral para os ribeirinhos. Não são mais carros-pipa que matam a sede das pessoas. São, por ironia, “barcos-pipa”. Não chove por aqui já faz muito tempo. E quando forma uma nuvem de chuva, pessoas vão rezar para que chova logo. Como se faz lá no Nordeste. Rondônia virou um sertão quente, só que úmido. Cidades inteiras, como Espigão do Oeste, estão à beira do caos sem água potável para os seus habitantes. A destruição da floresta amazônica com as respectivas nascentes dos pequenos rios fez secar tudo. O rio Madeira, outrora caudaloso e navegável, está morto, assoreado, sem peixes e cheio de pedras e barrancos de areia. Desmatamento cruel, fogo na mata, garimpo ilegal e o genocídio de povos originários mostraram o inferno a Rondônia. E também à Paraíba.

            Mas já ouvi dizer que o Estado nordestino, apesar de ter um território cinco vezes menor e uma população quase duas vezes e meia maior, estaria até um pouco melhor financeiramente do que esta unidade federativa do Oeste. Dizem também que os paraibanos investem no turismo por causa das águas quentes do Atlântico, que banha o minúsculo Estado. Em Rondônia nem turismo tem. Não há turismo, nem qualidade de vida. A única coisa que deve ter de sobra nas duas províncias são políticos ladrões e incompetentes. E povo otário. Aí o páreo é duro. Até a Praça da EFMM em Porto Velho já ficou esquecida e sem data para ser entregue à população. Fala-se que o Hospital de Traumas de João Pessoa é melhor do que o “Açougue” João Paulo Segundo daqui. Os paraibanos destruíram a mata Atlântica, mas conseguiram preservar sua capital como uma cidade verde. Pessoas pedindo esmolas ainda não há muitas por aqui, mas chegaremos lá.

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

segunda-feira, 30 de outubro de 2023

Proponha a paz, Netanyahu!

 Proponha a paz, Netanyahu!


Professor Nazareno*

 

            Desde a criação do Estado de Israel pela ONU em 1948 que a paz deixou de existir na região onde antes moravam os palestinos. No outro dia em que os judeus ganharam o seu país, várias nações árabes da região iniciaram a primeira guerra. Depois outras três guerras aconteceram. E todas elas vencidas no campo de batalha pelos israelenses com a ajuda dos países ocidentais. Partes da Palestina foram entregues aos judeus, que hoje ocupam quase todo o território. Assim, eles “espremeram” os palestinos em duas áreas descontínuas: a Cisjordânia, ocupada e totalmente controlada pelos judeus e a Faixa de Gaza, onde vivem mais de 2,3 milhões de pessoas em condições miseráveis e subumanas. Hoje são mais de cinco milhões de palestinos e uns 9,5 milhões de habitantes no lado de Israel. Os conflitos e o ódio pela região nunca mais tiveram fim. E as guerras explodiram.

            Como Israel chegou à “Terra prometida” com mais de dois mil anos de atraso, deveria ter lutado intransigentemente pela paz. Afinal de contas, teria de conviver com os seus vizinhos palestinos, que já estavam morando ali há um bom tempo. Ninguém discorda dos direitos culturais e históricos do povo judeu. Mas certamente uma das piores coisas que existem é ter um mau vizinho. E Israel, portanto, repetiu a História. Quando terminou a Primeira Guerra Mundial, os países vencedores como França, Reino Unido e Estados Unidos, por meio do Tratado de Versalhes, humilharam a Alemanha. Fizeram os germânicos pagarem pesadas indenizações de guerra. Os alemães também tiveram que ceder partes de seu território e viveram por isso, uma brutal recessão econômica. Diante de tanto sofrimento e de humilhações da nação alemã, surge Adolf Hitler com o Nazismo.

            Hitler nem alemão era. Nasceu na Áustria, que fora depois devidamente anexada à Alemanha. O conceito de superioridade da raça ariana, aliado a outros conceitos cruéis e estúpidos levantou o ânimo de quase todo o povo alemão rumo à Segunda Guerra e à vingança das cláusulas abusivas de Versalhes. E deu no que deu: mais de 60 milhões de mortos e prejuízos incalculáveis em todos os continentes. Isso sem falar no Holocausto, que dizimou mais de seis milhões de judeus. No Oriente, os Estados Unidos venceram a guerra e detonaram duas bombas atômicas sobre o Japão, que fizeram o país asiático se render incondicionalmente. Mas nem na Ásia nem na Europa se repetiu o Tratado de Versalhes. Pelo contrário: foram criados os planos Marshal e Colombo para reconstruir esses países devastados e assim evitar futuras vinganças por parte dos povos derrotados.

            Pare de semear o ódio, Netanyahu! Deixe de matar velhos, crianças e mulheres com a sua vingança. Cace o Hamas sem tréguas e destrua só essa organização radical, poupe os inocentes! Entre em Gaza e distribua o amor entre aqueles pobres cidadãos, que muitas vezes nada têm a ver com o radicalismo desses grupos. Lembre-se de Jesus Cristo, que enfrentou e venceu todo um império só com o amor. Destruir Gaza e muitas famílias palestinas inocentes para quê? Assim, o ódio nunca vai acabar. Terminados esses ataques insanos de agora, Israel deveria anexar, reintegrar e sustentar todos os cidadãos dali. Dinheiro para isso existe. Há muitos cidadãos judeus pelo mundo. Só nos Estados Unidos são mais de seis milhões. Na Europa há outro tanto. E há também muitos países ricos que podem ajudar nessa tarefa, mas sem doar armas. Se Israel ajudar os palestinos, não haverá motivos para que se queiram destruir os judeus. Sem isso, as guerras nunca vão terminar!

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

quarta-feira, 25 de outubro de 2023

Os “benefícios” da BR-319

Os “benefícios” da BR-319

 

Professor Nazareno*

 

          Com a seca histórica do rio Madeira em 2023, renasceram de novo as esperanças de que a BR-319 entre Porto Velho e Manaus, capital do Amazonas, volte a ser asfaltada. Inaugurada no ano de 1976, em pleno governo ditatorial-militar, com a lorota “integrar para não entregar”, a fatídica rodovia foi na época um dos maiores desastres ambientais do mundo e que quase levou ao fim total da Amazônia. Felizmente, no final da década seguinte a estrada, imprestável e totalmente desnecessária, foi, até os dias atuais, quase riscada do mapa e deu, dessa forma, mais algumas poucas décadas de sobrevivência à já devastada e explorada região de florestas e um dos biomas mais importantes de toda a Humanidade. Várias são as desculpas para se reconstruir o trecho de mais de 890 quilômetros da BR. “Vai tirar Manaus do isolamento”, dizem os destruidores da natureza.

       Se Manaus quisesse mesmo sair desse tal “isolamento” não teria gastado um bilhão e 300 milhões de reais em 2007 para construir uma ponte no rio Negro para ligar a capital amazonense ao Cacau Pirera em vez de ligá-la à BR-319 no Careiro. Além do mais, essa ideia de asfaltar pela segunda vez a velha 319 só atende aos apelos dos devastadores do meio ambiente. A estrada é o coração da Amazônia ainda preservada. Sua construção é o tiro de misericórdia no que resta de floresta e de povos originários. E pior: não leva a desenvolvimento nenhum, pois quando se destruíram partes do Cerrado e da Amazônia ocidental para se pavimentar a BR-364, o resultado maior que se obteve foi Rondônia. E com certeza, este Estado incivilizado, pobre e distante não é nenhum exemplo de respeito ao meio ambiente e nem de qualquer resquício de desenvolvimento.

        Será que quando existia a BR-319 totalmente asfaltada, havia esse progresso em abundância na região? Óbvio que não! E por que agora com a construção da estrada essa tal melhoria surgirá assim do nada? Fato: seus defensores querem é substituir a densa mata preservada por pastagens para alavancar o agronegócio e com isso, ficarem mais ricos e poderosos. Reconstruída, a rodovia teria pelos menos uns 150 quilômetros de cada lado para desenvolver atividades ligadas ao agro assassino e totalmente contrário ao meio ambiente. Devem ser criados também órgãos para extinguir de uma vez por todas os povos originários. Como foi feito com os Yanomamis, a “prosperidade” logo abre mão dessa “gente selvagem” que só serve para turbinar as ONG’s. O rio Madeira foi morto pela ganância do homem. O que custa agora matar também o que ainda resta da floresta?

         Manaus e Porto Velho não têm nenhuma importância dentro da tosca realidade nacional. São cidades pobres, desarrumadas, sujas e imundas. Ligá-las por terra não trará, portanto, nenhum benefício ou serventia para ninguém. As duas cidades sempre foram ligadas pelo velho Madeira sem nenhum problema. Aí assorearam e depois mataram o rio com duas hidrelétricas só para justificar novas agressões ao já combalido meio ambiente. Com a BR-319 rasgando a Amazônia ao meio, a floresta não durará nem mais cinco anos e cidades inteiras com levas de gente pobre e miserável podem ir surgindo aos poucos onde antes havia a densa e preservada mata. Favelas, invasões, violência, fome, pobreza e miséria serão uma rotina, infelizmente. Com o desmatamento desordenado, as secas e os desastres ambientais virão com mais força e a região inteira pode se tornar inabitável em pouco tempo. Grileiros, invasores de terras, garimpeiros serão os donos da Amazônia.

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

domingo, 22 de outubro de 2023

Dor na “Faixa de Porto Velho”

Dor na “Faixa de Porto Velho

 

Professor Nazareno*

 

           A Faixa de Gaza, minúsculo território localizado entre Israel e o Egito, perto da Península do Sinai, onde foram confinados mais de dois milhões de palestinos, vive dias tenebrosos com a eclosão da guerra entre Israel o grupo radical Hamas. Após os atentados terroristas que esse grupo cometeu contra cidadãos israelenses matando mais de 1400 pessoas entre velhos, mulheres e crianças, a reação do Estado judeu em busca dos radicais tem levado o terror para as famílias palestinas residentes em Gaza. Bombardeios diários, cortes de energia, de água potável, de combustíveis e até de alimentos tem levado o pânico para a população civil, que em muitos casos, nada tem a ver com as atrocidades praticadas no sul de Israel. Guardadas as devidas proporções, Porto Velho, a insólita capital de Roraima, tem vivido dias parecidos com os da Faixa de Gaza. Também temos “bombas”.

            A rivalidade entre judeus e muçulmanos é milenar, mas somente nos últimos 75 anos é que se intensificaram os conflitos entre os dois povos. Já Porto Velho foi criada há 109 anos e de lá para cá o sofrimento em “nossa faixa” tem sido constante apesar de que a capital dos “destemidos pioneiros” deu tudo o que tinha para quem é de fora e recebeu em troca somente a dor, a tristeza e o sofrimento. Para começo de conversa, nem hospital de pronto-socorro e nem porto fluvial a suja e imunda cidade tem. Há décadas que funciona na zona sul um velho “açougue”, imundo e sujo, que faz as vezes de um hospital. E como lá em Gaza, ninguém faz nada para resolver o caos. Num dia de muita procura, esse velho e único hospital público de Porto Velho é bem pior do que os poucos hospitais de Gaza, que está vivendo uma sangrenta guerra. Mas essa guerra parece que é por aqui.

            Porto Velho tem muitos prédios e palácios suntuosos para abrigar a Justiça, o governo estadual, procuradorias, ministérios públicos e muitas outras instituições, mas na hora de beneficiar o pobre e infeliz do contribuinte com um simples hospital de pronto-socorro, a coisa se arrasta por vários anos e depois simplesmente emperra. Como em Gaza, até a água potável deve ficar escassa por aqui durante essa seca histórica no rio Madeira. As hidrelétricas construídas em seu leito moribundo, só para beneficiar o sul do país, podem ter contribuído para aumentar esse caos. Nossos bombardeios são os políticos que insistem em aumentar os impostos, que asfixiam ainda mais o pobre e miserável contribuinte. A população de Gaza sofre com os ataques dos israelenses, com bombas e mísseis, já em Porto Velho sofremos com o descaso sem fim dos governantes e políticos.

            Porto Velho não tem nem porto. A Faixa de Gaza tem, embora já tenha sido bombardeado por Israel. O nosso porto, doado pela Santo Antônio Energia, não sofreu o impacto das bombas, mas já está inoperante, enferrujando e apodrecendo lá na beira do rio. Gaza tinha saneamento básico. Uns 15 a 20 por cento, mas tudo está destruído e esburacado pelos bombardeios. Sem ter sequer bombas juninas, Porto Velho tem algo em torno de apenas 2,9 por cento de esgotos. Aqui é desmatamento, lama no inverno, poeira e fumaça no verão. Mas no próximo ano, os políticos se mobilizam para buscar os votos cativos dos tolos porto-velhenses, muitos dos quais alegremente vivem na miséria e se orgulham de votar na direita e na extrema-direita. A Faixa de Gaza tem apoio e até alguma solidariedade de partes do mundo. Já a “Faixa de Porto Velho” é esquecida, explorada e condenada ao sofrimento. Quem se importa com nossa dor e agonia? Nem Deus nem Alá.

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

quinta-feira, 19 de outubro de 2023

Quem é o dono do C.P.A?

Quem é o dono do C.P.A?

 

Professor Nazareno*

 

       A sigla CPA significa Centro Político-Administrativo e se localiza em Porto Velho, a suja e imunda capital de Roraima. Foi idealizado e construído pelo ex-governador de Rondônia Ivo Cassol, aquele do “Império da Roça”, entre os anos de 2008 e 2010 e foi inaugurado por volta do ano 2011 já por Confúcio Moura e teria custado na época aos cofres públicos a bagatela de 175 milhões de reais. Algo em torno de uns 350 milhões de reais em dinheiro de hoje. O dono do CPA é, portanto, todo o povo de Rondônia, uma vez que foi erguido com o dinheiro dos impostos pagos por todos os contribuintes do Estado. Não pertence a nenhum governador nem a nenhum governo de plantão, que são passageiros. Esta semana, assim que eclodiu a guerra entre Israel e o Hamas lá no Oriente Médio, o CPA apareceu com uma imensa bandeira do Estado judeu.

            Não se sabe, por enquanto, quem mandou hastear aquele “pavilhão estranho” aos rondonienses e também aos brasileiros de um modo geral. A bandeira de Israel é muito bonita e até combina com as cores dos prédios do CPA. Mas está errado fazer isso. É completamente fora de propósito uma simples, pobre e incivilizada província de um país qualquer hastear a bandeira de uma nação estrangeira em um prédio público. E os palestinos? Por que também não foram agraciados com a sua bandeira sendo hasteada no CPA de Porto Velho? Nada contra Israel e muito menos contra os palestinos, mas assuntos internacionais e política externa são temas que devem ser tratados pelo governo federal através do Ministério das Relações Exteriores. Além do mais, quando um governo, ainda que regional e sem nenhuma importância, toma partido numa guerra pode ferir interesses.

       O governo de Rondônia não pode apoiar Israel nem a Palestina nessa guerra insana. Até porque esse Estado tem o privilégio de ser a “pátria” de vários descendentes de judeus e também de muitos “árabes-libaneses-palestinos”. Todo rondoniense devia se orgulhar, e muito, das famílias Gorayeb, Roumiê, Toufic Matny, da família Hijazi (do restaurante Almanara), da família Esber (da Gráfica Imediata) e de tantos outros como por exemplo a família Hussein da professora Magda lá de Vilhena. Muitos judeus também deram infinitas contribuições a Rondônia, ao Brasil e ao mundo. Os dois povos são muito importantes no conturbado momento em que vivemos. Cabe a qualquer governo, regional ou nacional, prezar pela paz entre eles e contribuir para isso. Mas hastear uma bandeira de apenas um lado pode incitar a violência desnecessária e ser injusto com o outro lado.

      Tomara que esta insanidade não seja ainda resquícios do Bolsonarismo enrustido em algumas pessoas radicais e inconvenientes. “O Hamas não é a Palestina. O Hezbollah não é o Líbano. Al-Qaeda não é o Paquistão. O Talibã não é o Afeganistão. As FARC’S não são a Colômbia. O Boko-Haran não é a Nigéria. O Estado Islâmico não é o Iraque, assim como o Bolsonarismo não é o Brasil”. Pela lógica e em nome da paz e do respeito, aquela bandeira hasteada no CPA de Porto Velho deveria ser retirada dali imediatamente. Já não chega a vergonha que Rondônia e todos nós daqui passamos quando a Assembleia Legislativa do Estado, do nada e sem nenhum critério, deu o título de cidadão honorário a Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel? Como disse o cristão Papa Francisco: “em uma guerra, devemos tomar apenas um lado, o da paz”. Diálogo, paz, respeito e fraternidade deviam ser seguidos pelos governantes corretos. Chega de guerras e de ódio!

 

 


*Foi Professor em Porto Velho.

terça-feira, 17 de outubro de 2023

Cidadão de Rondonha, mano!

  Cidadão de Rondonha, mano!

 

Professor Nazareno*

 

            Benjamin “Bibi” Netanyahu é o primeiro-ministro de Israel. Ele acaba de receber o importante, inigualável e insubstituível título de cidadão honorífico de Rondônia. Isso mesmo. E não é piada não, mano! A Assembleia Legislativa do Estado de Rondônia, a necessária, poderosa, influente e honradíssima casa de leis de todos os rondonienses, concedeu no último dia 11 de outubro de 2023 a imprescindível comenda ao mandatário judeu pelos relevantes serviços que ele tem prestado ao povo karipuna. Com alguma pontinha de inveja, alguns órgãos noticiosos disseram que talvez ninguém daqui saiba o que isso signifique. Óbvio que sabe! O letrado, intelectual e inteligente povo de Rondônia, que acompanha passo a passo todo o noticiário internacional, tem como um de seus maiores líderes ninguém menos do que o atual premiê de Israel. Título mais do que justo!

            Disseram até que Benjamin Netanyahu não conhece Rondônia. Meu Deus, quanta desfaçatez! Claro que ele conhece e muito bem. Ele já deve ter vindo a Porto Velho várias vezes e como dizem, deve ter até bebido água do Madeira. Consta inclusive que ele só bombardeou a Faixa de Gaza depois que se certificou se não havia nenhum cidadão rondoniense visitando um daqueles lugares. E isso é possível, pois eu mesmo estive por lá em 2022 com a minha esposa visitando a Terra Santa. Falar que esse prêmio é injusto também não convence a muita gente. Afirmaram, só de inveja, que o anúncio feito pela Assembleia karipuna não detalhou o motivo pelo qual Netanyahu recebeu a comenda ou como os seus serviços impactaram esta província incivilizada e atrasada. Ora, basta olhar as ruas de Porto Velho para se lembrar logo de como ele deixou as ruas da Faixa de Gaza.

            O que Benjamin Netanyahu está fazendo com as ruas de Gaza lembra muito bem a cidade de Porto Velho. Na Faixa de Gaza não tem água encanada, não tem esgotos, não tem arborização, muitas ruas estão tortas e o único hospital de pronto-socorro do lugar se parece mais com um “açougue” de tanta gente gritando, morrendo à míngua e esperando por um tratamento. Netanyahu merece esse prêmio de todos os rondonienses, sim! Ele transformou Gaza na Porto Velho do Oriente Médio. Vejam o que ele fez com o porto dos palestinos, por exemplo. Inspirou-se certamente no porto que a Santo Antônio Energia deu aos porto-velhenses. Isso é que é homenagem de respeito, mano! Ele só não vai entender como em Rondônia não se gastou uma única bomba nem um só míssil para desativar toda a infraestrutura de um porto de passageiros. Por aqui a tecnologia é ímpar.

            Além do mais, tenho a certeza de que essa guerra ainda não terminou porque a importantíssima e competente Assembleia Legislativa de Rondônia ainda não participou das negociações diplomáticas com os envolvidos. António Guterres, secretário-geral da ONU, Antony Blinken e Joe Biden dos Estados Unidos, Olaf Scholz da Alemanha, Emanuel Macron da França, Wladimir Putin da Rússia, Recep Erdogan da Turquia e o próprio Netanyahu devem estar esperando alguém da ALE de Rondônia para dar início às negociações de paz. O mundo precisa de Rondonha, mano! Por que os poderosos deputados desta magnífica casa de leis não mandam logo um de seus inúmeros emissários ao Oriente Médio para participar das conversações e encerrar de uma vez por todas com tantas mortes e sofrimento? Só não entendi uma coisa: dizem que Benjamin Netanyahu estaria envolvido em corrupção. Mas o que isso tem a ver com a Assembleia Legislativa?

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.