domingo, 29 de março de 2009

A História pode ser outra...


As guerras do Brasil e os nossos “zeróis”


*Professor Nazareno


O Brasil decididamente não é bom de guerra. Nem nunca foi. Das poucas de que participamos, as lembranças não são muito boas. A partir da segunda metade do século dezenove, estivemos na Guerra do Paraguai, praticamente a última em que houve mobilização direta e efetiva de nossas tropas e da qual participamos com uma aliança com outros países vizinhos (Argentina e Uruguai) e já no século passado, participamos de outras duas quase que por acaso: a Primeira e a Segunda Guerra Mundial. Aventuras que em nenhum dos casos trouxeram, de fato, ganhos reais ou motivos de orgulho para a nossa nação.
Na Guerra do Paraguai a História parece que não foi contada de maneira correta. A figura central deste episódio foi o Duque de Caxias, Luís Alves de Lima e Silva, que hoje é o Patrono do nosso Exército. O que a História não conta é que o mesmo teria participado de um verdadeiro genocídio e fora um verdadeiro algoz participando do assassinato cruel de quase 90 por cento de toda a população masculina adulta do país vizinho. Esta guerra foi um episódio típico de como o Brasil serviu de ‘cupincha’ para os interesses do capitalismo britânico. E, para variar, lá estavam os brasileiros defendendo os interesses alheios.
Na Segunda Guerra Mundial, a História também mente de forma acintosa. Embora estivesse sendo comandado por uma ditadura de direita (o Estado novo getulista), o Brasil acabou participando da guerra, junto aos Aliados (junto às nações democráticas). O motivo foi que em Fevereiro de 1942, submarinos supostamente alemães (há quem jure que eram norte-americanos) iniciaram o torpedeamento de embarcações brasileiras no oceano Atlântico. Em apenas cinco dias, seis navios foram a pique. O detalhe é que Getúlio, o ditador de plantão, via o Nazismo com bons olhos (o filme Olga, é exemplo disto). E praticamente entrou forçado neste conflito mundial. Desta vez para agradar aos Estados Unidos.
O que não dá para entender é por que o Alto Comando de Hitler estaria incomodado com meia dúzia de ‘macacos e jecas’ se podia contar futuramente com o apoio deles em troca de umas poucas moedas? O detalhe é que as tropas brasileiras chegaram à Itália após o 06 de junho de 1944 quando as aliados já haviam desembarcado em solo europeu na costa da Normandia e começavam a impor revezes contra Hitler e sua camarilha. Então o que diabos os soldados brasileiros foram fazer na Europa se as coisas já estavam praticamente resolvidas? Ou seja, a participação tupiniquim na Segunda Guerra Mundial teve resultados nulos para a História.
Entre Setembro de 1944 e Maio de 1945, mais de 25 mil soldados e oficiais brasileiros combateram na Itália. Tais confrontos resultaram em 456 mortos e uns três mil feridos. A Força Expedicionária Brasileira (FEB) capturou muitos soldados inimigos, oitenta canhões, 1.500 viaturas e quatro mil cavalos, saindo vitoriosa em oito batalhas. Tudo em vão, pois a História não mudaria o seu curso, como ficou provado mais tarde. Mas em troca do apoio brasileiro, Franklin Roosevelt, Presidente dos Estados Unidos, financiou a construção de uma gigantesca siderúrgica, a CSN (Companhia Siderúrgica Nacional), e desde então os americanos fincaram as garras em nossa economia para nunca mais sair daqui.
Como se pode vê, não somos muito bons de brigas nem de guerras. As nossas Forças Armadas não conseguem nem guarnecer as nossas vulneráveis fronteiras, que mais se parecem um queijo suíço, uma vez que drogas e armas entram e saem “a bel prazer” sem que nada seja feito. Recentemente, são os traficantes de drogas e bandidos comuns que estão levando de dentro dos nossos quartéis as armas que em tese serviriam para defender a sociedade brasileira que paga a maior carga de impostos do mundo. Se no plano interno a Segurança Nacional virou caso de polícia não é difícil imaginar a galhofa que seríamos se fôssemos comparados com as potências de verdade como os EUA, a Ex-URSS, França, Itália e Inglaterra...

(Texto também publicado no site www.rondoniaovivo.com.br)


*É professor na Escola João Bento da Costa em Porto Velho
(profnazareno@hotmail.com)

2 comentários:

Costa Brasil disse...

Professor Lazarento (digo, Nazareno), Do alto do seu inquestionável conhecimento magnânimo, que paira acima de tudo e de todos, do bem e do mal, do negro e do índio, do matuto, do beradeiro e do jeca, do analfabeto, do letrado e do doutor, que flutua por sobre a razão, por sobre todo conhecimento da humanidade, tal qual magnífico, gostaria de pedir-lhe, humildemente, sem querer incomodá-lo e, menos ainda, desviar-lhe de seus nobres afazeres diários, inclusive necessários para uma caminhada vitoriosa da população brasileira, quiçá, da própria humanidade, se é possível o eloqüente professor discorrer a cerca da Pedagogia do Auto-ódio. Tenho muito interesse sobre o tema, contudo, há pouca literatura versando sobre o assunto. Porém, é possível adiantar-lhe algumas pistas, ou melhor, identificar alguns temas recorrentes abordados por essa pedagogia: a) o sujeito que defende esta corrente pedagógica acredita que tudo no seu entorna não presta, tais como, pessoas nativas ou os imigrantes que há muito habitam a região, a cultura local, a cidade onde mora, o trabalho que sustenta toda sua família, a paisagem exuberante, o Rio Madeira e suas belas curvas sinuosas, etc., etc., e etc.,. Nada disto tem qualidade. Nada disso está no seu lugar devido, na forma adequado e na proporção exata; b) para um adepto e defensor da pedagogia do auto-ódio, só ele sabe como fazer, entende o que é certo e o que é errado, distingue, como ninguém, o bem do mal; c) no seu entendimento, tudo que é bom e presta vem de fora, de outras terras, de outras margens, de outros paises, de outras culturas e povos, inclusive ele próprio(o que se odeias); b) não está provado, mas, me parece e tudo indica que pessoas defensoras destas teses, ao descobrirem que o mundo está errado, terminam dando um tiro no próprio ouvido. O senhor pode me falar sobre este (seu)tema?!

Anônimo disse...

com esses comentarios ,percebece que é pelo conformismo ,que o Brasil anda do jeito que anda,afinal no Brasil temos plateia que assiste a tudo calada e so falta aplaudir,o descaso que as autoridades fazem nesse pais.