sábado, 26 de novembro de 2016

Fidel: o fim de uma era!

Fidel: o fim de uma era!

Professor Nazareno*

A morte do líder revolucionário cubano Fidel Castro é o anúncio já esperado do fim triste e melancólico de uma era que trouxe para o mundo muitas incertezas, polêmicas e medo. As esquerdas e o pensamento revolucionário espalhados pelo mundo inteiro precisam mudar suas estratégias se quiserem ainda ter acesso ao poder. Fidel se vai num momento em que a luta ideológica se dá praticamente entre direita e extrema direita. O Comunismo aos poucos vai virando “peça de museu”. Donald Trump é eleito presidente dos Estados Unidos, Michel Temer toma o poder no Brasil por meio de um golpe constitucional com o apoio do Congresso Nacional e de parte da opinião pública reacionária, Macri é eleito na Argentina e a maioria dos países da União Europeia dá guinada cada vez mais forte em direção a governos sempre mais conservadores.
Com o fim do Comunismo e da Guerra Fria no final do século passado, ser comunista virou coisa de pessoas velhas e ultrapassadas. Após isso, somente Coreia do Norte, Cuba e mais uns dois ou três países do mundo ainda teimaram em continuar achando que todos os habitantes de um país são iguais e que toda a riqueza produzida dentro de uma sociedade deve ser repartida de forma igual entre todos os cidadãos. Até a China, a outrora potência comunista, abriu mão das ideias ensinadas por Karl Marx. Com uma economia de mercado, os chineses despontam hoje como a segunda maior potência econômica do mundo ficando atrás apenas dos Estados Unidos. Usam os ideais comunistas apenas na política somente para manter os privilégios dos donos do poder. Fidel não percebeu o óbvio: era preciso mudar para continuar mandando em seus pares.
Mas o revolucionário de "Sierra Maestra" não foi só fracasso. Enfrentou cara a cara o gigante americano e quase leva o mundo à terceira guerra mundial com a crise dos mísseis instalados em Cuba em 1962. Fidel Castro foi exemplo para as esquerdas na maioria dos países. No Brasil foi idolatrado por Jânio Quadros e também pelos petistas, recentemente expulsos do poder. Grande parte da classe artística brasileira lhe teceu muitas loas. Junto a outro também revolucionário, Ernesto Che Guevara, dá o toque romântico ao pensamento esquerdista. Muitos jovens nas décadas de 60 e 70 do século passado são influenciados por sua ideologia oca sem perceber que “o velho camarada” não passava de um sanguinário ditador que nunca se renovou politicamente e que estava levando o seu país ao colapso e à ruína social e econômica. Cuba hoje ainda é passado.
Fidel morre e com ele toda uma era também se vai. Cuba, sem a menor condição de gerir a sua sociedade usando apenas o sistema comunista, já está se aproximando do Capitalismo que tanto criticava. A economia da China também já é capitalista. No século XXI, a dinâmica das relações internacionais não pode mais retroceder à Guerra Fria nem à ultrapassada ideia de que todos os cidadãos de um país são iguais frente aos novos desafios econômicos e à produção e distribuição de riquezas. A esquerda, principalmente no Brasil, ao assumir o poder roubou até “casca de ferida”, não trouxe os benefícios que tanto pregava e fez tudo aquilo que tanto criticava nos direitistas. Não há bons exemplos a serem seguidos em países como Venezuela, Bolívia e Equador que teimam ainda em seguir a cartilha ditada por Havana. Fidel Castro foi importante, pois projetou sua pequena Cuba para o mundo. Com ele, enterra sua fracassada ideologia.




*É Professor em Porto Velho.

sábado, 19 de novembro de 2016

Hildon Chaves: “início pífio”

Hildon Chaves: “início pífio”

Professor Nazareno*

Se for mesmo verdade que o futuro prefeito de Porto Velho, Hildon Chaves do PSDB, já escolheu o seu “novo staff para administrar pelos próximos quatro anos a pior capital do Brasil em qualidade de vida, chega-se à triste conclusão de que esta fedida cidade é mesmo uma dádiva de Deus ao contrário e que não restam dúvidas de que Satanás é mesmo o seu protetor maior. O “Gabinete Naftalina” ou “Museu dos Espantalhos”, segundo várias publicações da mídia local, traz uma relação sinistra de nomes velhos e conhecidos da política e da administração local que, em tese, são também corresponsáveis pelo estado de penúria em que se encontra a capital. Porto Velho não se transformou de uma hora para outra na latrina que é: foram anos de descaso, péssimas administrações e incompetência que nos transformaram nesta favela.
Com mais de 510 mil habitantes, a maior e pior favela do Brasil agoniza há mais de 100 anos sob a batuta de péssimos administradores. Nunca se entenderá por que ainda tem status de capital, já que dentro do próprio Estado de Rondônia há cidades muito mais bonitas, cuidadas, centralizadas e limpas do que ela. Além disso, geograficamente é a mais distante cidade de Rondônia em relação aos grandes centros mais civilizados do país como Brasília, Goiânia e São Paulo. Com apenas dois por cento de saneamento básico e percentual ínfimo de água encanada além de muita sujeira e abandono, a capital dos “destemidos pioneiros” nunca deu a nenhum de seus habitantes a menor condição de moradia. Corre o risco de na posse do novo prefeito, ter pouca gente para a festa: são férias de fim de ano. E quem pode “monta no porco” e cai fora.
Mas pensando bem: quem o Dr. Hildon escolheria para lhe ajudar nesta missão quase impossível? Quem estaria disposto a servir de kamikaze nunca época de vacas tão magras? Não há nem nunca houve, nos limites deste Estado, ninguém com competência para tão árdua tarefa. Com mais de um século de existência, Porto Velho nunca teve um único prefeito nascido em suas terras. Fala-se até que o próprio Estado de Rondônia nunca foi governado por um filho seu. Então, o jeito é partir para as gambiarras mesmo ou então trazer alguém de fora. O Brasil está cheio de aventureiros e gente de toda espécie, mas duvido que um sujeito, por mais filantropo que seja e que more em Curitiba, no litoral do Nordeste ou na Serra Gaúcha tenha tanta coragem para enfrentar lama podre no inverno e fumaça e poeira sufocantes no verão. Vem, mas sem a família!
Mas não sejamos injustos: o futuro alcaide até que poderia, sim, contar com a competência da terra. Carlos Ghosn, executivo reconhecido no mundo inteiro pelo seu magnífico trabalho na Renault e na Nissan bem que poderia dar uma mãozinha na administração desta currutela. Nascido em Porto Velho, o executivo talvez nem mais saiba o nome do lugar onde dizem que ele nasceu. Maurício Bustani seria outra “prata da casa” que poderia ajudar seus conterrâneos a sair do eterno lodaçal. Mas como localizá-los? Alguém sabe a última vez em que eles pisaram aqui? Competentes, esses ilustres rondonienses criariam a “Secretaria de Bichos Mortos” e jamais teriam deixado, por exemplo, que o rio Madeira invadisse calmamente o pequeno e inútil acervo histórico na grande enchente. Força, Dr. Hildon! Não ouça os falastrões. Ponte escura, viadutos, Espaço Alternativo inacabado serão ecos do passado. Natal no escuro? Jamais.




*É Professor em Porto Velho.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

A superlua e o novo prefeito


A superlua e o novo prefeito

Professor Nazareno*

            Nelson Rodrigues disse certa vez que, por causa da democracia, o mundo seria governado por idiotas. Não por competência, claro, mas por que eles são a maioria. E idiotas infelizmente é o que não falta em Porto Velho e também no Estado de Rondônia inteiro. Acredita-se que em torno de oitenta por cento dos nossos cidadãos eleitores sejam perfeitos idiotas: não têm leitura de mundo, não têm escolaridade, geralmente nada leem, são despolitizados, votam quase sempre como uma “Maria vai com as outras”, não enxergam um palmo diante do nariz e obviamente não sabem escolher corretamente seus representantes. Senão vejamos: o que esperar de uma população de eleitores que vota em Roberto Sobrinho e o elege duas vezes seguidas, em Mauro Nazif e uma Câmara de Vereadores de Porto Velho como a que “está saindo do forno” agora?
            Pior: quase 150 mil pessoas votaram em Hildon Chaves e o elegeram para prefeito da capital dos “destemidos pioneiros” achando que estavam fazendo uma grande coisa para a sua imunda, fedorenta, suja e descuidada cidade. O Dr. Hildon do PSDB não acreditava que pudesse ganhar um pleito já na primeira eleição. Chegou inclusive a admitir esta possibilidade quando o Ibope errou feio ainda no primeiro turno. “Esperava um terceiro ou um quarto lugar”, disse o novo prefeito desta capital. Estreante na política, o ex-promotor público queria apenas lançar seu nome entre os eleitores para, futuramente, talvez se candidatar com êxito para deputado federal ou mesmo senador da República. Só que deu azar: foi eleito, para sua surpresa e espanto. Ninguém em sã consciência quer ser prefeito daqui. Mariana Carvalho que o diga.
            Ser prefeito de Porto Velho é uma maldição que muita gente quer evitar, pois quase todos os últimos administradores caíram no ostracismo e praticamente morreram politicamente. A capital das “sentinelas avançadas” destrói a carreira política de qualquer um. A cidade, cujo protetor é o Satanás, não tem mais jeito. E até agora ninguém descobriu como quebrar o miserável encanto. Até a superlua não deu certo por estas bandas. Como única atração turística da cidade escura, o macabro fenômeno encantou a matutos e beiradeiros e só serviu para iluminar a desnecessária e também escura ponte e também a entrada (e a saída) da cidade nas imediações dos tortos viadutos ainda inacabados. Pela primeira vez “deu-se à luz” por aquelas bandas que imitam o breu. Muitos incautos disseram que o fato já pode ser obra do novo prefeito.
            Disseram que a lua estava maior e por isso, mais bonita, brilhosa e encantadora. Muitos trouxas acreditaram na lorota e ficaram horas a esmo de “cara pra cima” observando o ridículo fenômeno que de novo não tinha absolutamente nada. A mesma lua, nem maior nem menor, voltará com o mesmo brilho nos meses seguintes. Mas os tolos portovelhenses acreditaram e ainda juram que viram uma lua maior do que o normal. Assim como acreditaram também nas “poesias” toscas do candidato tucano recém-eleito. E ainda continuam acreditando. “Na minha administração só terá fichas limpas”, alardeou convicto o novo prefeito como se o seu chefe de transição não fizesse parte da nova administração da capital da fedentina. Não creio que a superlua e muito menos o novo mandatário possam resolver os problemas de Porto Velho, que nasceu para ser a latrina do Brasil. Mas tomara que o tucano brilhe muito mais do que essa lua.




*É Professor em Porto Velho.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

ENEM, e nem deu certo!


ENEM, e nem deu certo!

Professor Nazareno*

O professor da Unicamp Leandro Karnal disse recentemente que não existe país nenhum no mundo com governo corrupto e população honesta. O Brasil, claro, não podia ser exceção. Aqui, falamos mal de todo governo e também da corrupção que sacode o país desde o seu descobrimento e não percebemos, ou fingimos, que a sociedade nada tem a ver com o problema. Praticamente em tudo o que acontece, a maldita corrupção e o “jeitinho” estão presentes. A prova do ENEM, Exame Nacional do Ensino Médio de 2016 realizada este mês de novembro está repleta de acusações de fraudes. A cada momento estouram pelo país afora reportagens e denúncias dando conta da prisão de várias pessoas que se envolveram em maracutaias para levar vantagem no exame. No Amapá, um homem foi preso com o rascunho no bolso da redação já feita.
Do ponto de vista pedagógico, no entanto, o ENEM é uma das provas mais bem completas de que se tem notícia. Vários países civilizados do mundo adotam sua sistemática. O problema é a sua aplicação. Nosso país é uma nação de muitos corruptos e desonestos. A logística para a aplicação das provas num país continental como o Brasil é complicadíssima. Se não bastasse essa terrível dificuldade geográfica, muitos brasileiros parecem não gostar de fazer as coisas de maneira honesta. Uma das edições do exame nacional já foi totalmente anulada em 2009 por vazamento de provas ainda dentro da gráfica. Ultimamente em todas as edições já houve tentativas de fraude. Quadrilhas especializadas em adulterar concursos proliferam pelo país e costumam vender gabarito e também o tema da redação. Infelizmente este ano não foi diferente.
Uma jovem do interior de Minas Gerais foi presa e está sendo acusada pela Polícia Federal de contratar os serviços de uma dessas quadrilhas. Detalhe: na sua rede social está escrito que ela lutou fervorosamente pela saída da ex-presidente Dilma Rousseff do governo. Óbvio que não se pode dizer que todo “coxinha” e reacionário seja corrupto. Mas onde estão todos aqueles que há pouco tempo batiam em panelas, se vestiam de amarelo e gritavam a todos os pulmões “Fora, Dilma!”?  Onde estão todos aqueles que queriam a todo custo tirar o PT e seus asseclas do poder para acabar com a corrupção? A prova do ENEM leva a sério até o horário de entrada dos alunos. Se atrasar um minuto apenas, perde o concurso. É a regra. De Rondônia, claro, veio o pior dos exemplos: um participante em Guajará-mirim pôde entrar meia hora após o início.
Está mais do que comprovado que infelizmente houve vazamento do ENEM de 2016. Isso sem falar no triste caso dos mais de 200 mil alunos que só farão as provas daqui a um mês por causa da ocupação de várias escolas onde seriam realizadas as avaliações. No país da corrupção e da pouca vergonha, fica muito difícil se preparar para uma prova séria como essa. Um ano inteiro de luta, estudos, preparação e expectativas pode ser levado para o lixo por causa de pessoas inescrupulosas e sem nenhum sentimento nacional. Com um dos piores sistemas de educação do mundo, o Brasil sofre e tem dificuldades para aplicar um concurso reconhecido mundialmente. Criado pelo governo FHC e aperfeiçoado nos governos petistas, o Exame Nacional do Ensino Médio estreia no governo golpista de Michel Temer como um embuste. O MPF do Ceará já pediu a anulação da redação do ENEM/2016. Brasil, até quando esse caos?




*É Professor em Porto Velho.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016


Quem disse que em Porto Velho não existem BELAS PRAIAS? (foto dia 03/11/2016)

Eu te amo, Porto Velho!


Eu te amo, Porto Velho!

Professor Nazareno*

            Muito antes de Hildon Chaves do PSDB ser eleito prefeito de Porto Velho em 2016, eu já amava esta cidade. Agora, claro, amo muito mais ainda. O ex-promotor de justiça é um homem íntegro, honesto, pacífico, empreendedor, justo e poeta. Seus versos de extrema profundidade e conteúdo intelectual deveriam lhe render um Nobel de Literatura. Mas entendo que a prefeitura de Porto Velho já lhe cabe muito bem como prêmio. Sei que outras grandes vitórias virão. Vive a síndrome do escolhido. Arrebatar do nada quase 150 mil votos criticando a cidade não é para qualquer um. Quanto a mim, pobre coitado, nenhum voto de consolação ao tentar mostrar a verdade sobre este mesmo lugar. Fui linchado virtualmente e me consideraram simplesmente um verme. Uma “persona non grata”, um desqualificado, um pária social, um escroque, um nada.
                Estou chateado e muito aborrecido e quero ir-me embora daqui. A ingratidão e a insensatez da maioria dos habitantes da capital de Rio Branco (ou de Roraima?) me afetaram profundamente. Fiz uma burrice das grandes e não há mais espaço para mim por aqui. No dia em que publiquei meu texto, por exemplo, os vereadores desta capital tramavam um aumento de salário para si na ordem de 50% em seus vencimentos. Querem ganhar agora “somente” 18 mil reais por mês. Preocupados em achincalhar nas redes sociais o “pária Nazareno”, muitos eleitores e filhos de Porto Velho se esqueceram de protestar. Até os “rondonienses de coração” passaram batidos. Mas tenho certeza de que os novos edis não vão aceitar essa “ofensa” em suas contas bancárias e em nome do povo sofrido de Porto Velho vão renunciar a essa imoralidade.
            Saio deste lugar, mas com muita pena. Onde encontrarei um povo bravo, ordeiro e aguerrido como esse daqui? Onde encontrar uma gente que convive pacificamente com políticos ladrões e incompetentes e com tantas obras inacabadas e não dá um pio sequer? Mas o “o portovelhense é um forte”, acima de tudo. Como me sinto um derrotado, queria ir embora em grande estilo. E vou avisando: em lombo de jegue, não. Deixei de ser nordestino há tempos. Pode ser de avião? Há passagens aéreas neste lugar, mesmo “aquelas mais em conta”? E quero ir ao aeroporto sem passar pelo Espaço Alternativo. Aquela obra de grande valor e beleza me causaria uma espécie de banzo. Pense num povo que é respeitado pelas suas autoridades: área de lazer para todos. É só felicidade. Será que perderei a rara oportunidade de ver o meu lar e o ar perfumados?
            Sentirei saudades do lodaçal, claro. Mas não quero sair também pela rodoviária infecta e nem pela BR dos viadutos tortos e inacabados. Pela ponte escura, nem pensar. Será que me readaptaria a Curitiba, Maringá, Chapecó, Gramado ou Canela? E assistir ao Jornal Nacional e ao Fantástico da Globo ao vivo e sem gravação atrasada? E cursos de Medicina sem ter um hospital universitário, onde verei? Tomara que o Moro nunca venha aqui. Viver em cidades com quase 100% de água tratada, saneamento básico e boa mobilidade urbana deve ser um horror. Na internet sentirei falta de sites de altíssima credibilidade como “O Nortão” e da requisitadíssima página do Facebook “Humor em PVH”. Democráticos, imparciais e com milhões de acessos, esses dois imprescindíveis órgãos de comunicação locais me fariam muita falta lá no Sul. E torço para que o Dr. Hildon e seus fichas limpas façam tudo com amor. Porto Velho, eu te amo. E até breve!




*É Professor (ainda) em Porto Velho.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

18 mil reais por mês para cada vereador de Porto Velho?


18 mil reais por mês para cada vereador de Porto Velho?

Continuem culpando O NAZARENO


NAZARENO NÃO É PARA ELEITORES DE HILDON ENTENDEREM



NAZARENO NÃO É PARA ELEITORES DE 

HILDON ENTENDEREM

Por LUCIANA OLIVEIRA

Um dia após a escolha do novo prefeito da cidade, o popularmente conhecido só como professor Nazareno, com um daqueles artigos que ninguém ousa escrever, jogou um balde de água fria no melhor do sonho do portovelhense.
O povo tinha amanhecido inebriado com as promessas do estranho na política que ao longo da campanha provou que não era tão estranho, mas mesmo assim foi eleito, como estranho.
“Agora essa cidade vai melhorar”, ouvi da vendedora de banana do mercado do km Um, uma eleitora que sequer tinha ouvido falar do candidato a quem deu o voto.
Nazareno sacaneou, deu um cutucão do tipo que acorda às 10 da manhã na segunda, a pessoa que dorme pensando que é domingo.
No título do artigo, foi logo dando os pêsames ao futuro alcaide e até por isso, inclusive que tem preguiça de ler, leu.
Quando escreveu, Nazareno não pensou duas vezes em disparar sua língua calibre 32 e acabou varando o coração de gente que aqui nasceu ou escolheu pra viver.
“Sujeira, lixo, catinga, carniça, fedentina, bosta, esgoto a céu aberto e imundície é o que não faltam por aqui. Fico muito triste pelo senhor, pois pegou um dos piores abacaxis de sua vida. Cidade fedorenta, sem árvores, escura, violenta, sem praças, sem planejamento urbano nenhum e repleta de gente mal educada não é o lugar ideal para se fazer política.”
Quem não foi atingido ao ler, contou pros outros e o artigo surtiu um efeito vazo entupido. O dia todinho comentaram o mal-estar causado, a vergonha e o mau exemplo para as criancinhas que escaparam de serem comidas por comunistas.
Nem vou citar outro parágrafo pra não ser linchada nas redes sociais como Nazareno.
Imagine! Ele disse que “a maioria da população daqui é composta de gente simplória, sem a menor leitura de mundo e que crê em Deus, Cristo, Natal e Papai Noel.”
Finalmente achei o que considero um erro no texto do professor que escreve Nostradamicamente e a partir deste parágrafo que realça injusta culpa seletiva no processo eleitoral, direi o que penso.
Primeiramente, Fora PSDB! Um partido que tem a sigla suja feito cueca de menino com a marca de cocô que parece um rastro de bicicleta.
Segundamente, obrigado.
E finalmente, parabéns por provocar demonstrações de amor à cidade em quem não deu a mínima aos absurdos que o eleito disse sobre o que o Nazareno chamou de “antessala do inferno”.
O prefeito eleito disse durante a campanha que pra cá ninguém vem nem com passagem barata, que talvez a pesca sirva como atrativo turístico e que tradições culturais como o Arraial Flor do Maracujá não merecem apoio do Estado por meio de emendas parlamentares.
Os que se afetaram com o artigo do professor calaram e no dia 30 de outubro votaram maciçamente no candidato que não só desdenhou, mas revelou profundo desconhecimento e desapego da cidade.
Até quem promove atos em defesa do patrimônio histórico e cultural riquíssimo da capital fez campanha pelo candidato que mais menosprezou a cidade.
Os revoltados com o artigo não suportaram ler o que se aproxima da verdade, mas consagraram por meio do voto o poema de amor mais fuleiro já dito em campanhas eleitorais por essas bandas.
“Porto Velho, eu vou cuidar de você, curar tuas feridas, limpar todos os cantos e enterrar os desencantos.”
O candidato que escolheu como sócia a esposa de um senador cassado, também tocou o coração dos eleitores ao dizer que Porto Velho “sempre foi vítima de pessoas ferozes, verdadeiros algozes que lhe sugaram, surraram e espoliaram.”
E lá pelas tantas do poema prometeu o que toda amante ou prostituta sonha em ouvir:
“Vou fazer o que ninguém fez, cuidar, acariciar, amar.
Não vou prometer porque não sei enganar, só sei realizar.
Vou fazer tudo por você, porque meu compromisso é com você.”
Quantas amantes e prostitutas já caíram nessa conversa e até o fim da vida dormiram com a realidade?
Já preferi o engano, quem nunca? E espero que leiam corretamente o que escrevi. Será?
Já estrebuchei com outros textos azedos do professor, daqueles que a gente prova e cospe. Foi preciso um tempo pra entender o que ele de fato quer com tais provocações.
Foi com muita raiva e só com ele, que aprendi a mergulhar numa isca textual polêmica.
O que Nazareno quis foi desmoralizar os que dizem amar Porto Velho e caem sempre nas mesmas esparrelas de discursos eleitoreiros. Não tenho essa técnica, sou romântica, mas sei ler e quando mais desafiante melhor.
Ele provocou os eleitores e o eleito.
Dizem que o homem nasce e morre pela boca e, quem viver verá que Hildon Chaves jamais poderá cumprir em 4 anos a promessa de adornar canteiros, perfumar ares e fazer felizes todos os lares dessa cidade que parece imensa por seus problemas.
Mas, o povo que se contorceu de raiva por não saber ler os textos do professor Nazareno, amou o discurso messiânico do tucano.
O fato é que nem o professor e muito menos o político economizaram nas palavras pra atingir o íntimo do portovelhense.
A diferença é que um escreveu sob o ponto de vista da realidade e ou outro da ficção pura e simples.
Um apertou o balão de oxigênio para que sintam vontade de viver, para que reajam à ilusão que a política provoca.
O outro simulou uma respiração boca a boca em quem já teve morte cerebral.
Professor Nazareno não é leitura para apressadinhos e contra-indicado à hipócritas.
Certa vez ele comparou Roberto Sobrinho com Juscelino Kubitschek e acharam que era um elogio.

Não é à toa que seus alunos de escola pública sempre estão entre os melhores no ENEM.

domingo, 30 de outubro de 2016

Meus pêsames, Dr. Hildon!


Meus pêsames, Dr. Hildon!

Professor Nazareno*

Se conselho fosse bom, não se dava. Vendia-se. Mas, como pagador de impostos e morador há 36 anos desta “antessala do inferno” me achei no direito de lhe falar ao pé do ouvido. O senhor recebeu uns 150 mil votos para ser prefeito. Meus pêsames! Fosse eu, estaria muito preocupado com este “presente de grego”, pois vai administrar uma das piores cidades do Brasil em IDH. Sujeira, lixo, catinga, carniça, fedentina, bosta, esgoto a céu aberto e imundície é o que não faltam por aqui. Fico muito triste pelo senhor, pois pegou um dos piores abacaxis de sua vida. Cidade fedorenta, sem árvores, escura, violenta, sem praças, sem planejamento urbano nenhum e repleta de gente mal educada não é o lugar ideal para se fazer política. Mas escute este humilde munícipe e talvez o senhor tenha um pouco mais de sorte na sua faina pelos próximos quatro anos.
Siga algumas regrinhas básicas se quiser ter sucesso. Não faça a bobagem de, por pura ambição, se candidatar para governador em 2018 e deixar o pepino para seu vice. Se o senhor tiver um parente muito próximo, jamais o nomeie para qualquer cargo na prefeitura, muito menos para ser Secretário de Obras. Pode até não ser Nepotismo, mas dá um azar danado. Não invente de trocar, sem nenhuma necessidade, o sentido da Avenida Sete de Setembro. Nunca diga que a administração anterior deixou a cidade em frangalhos e totalmente desarrumada. Porto Velho sempre foi um caos e ninguém acreditaria nesta lorota. E nunca faça decoração natalina com pneus velhos. Dá também muito azar e o povão não esquece. A maioria da população daqui é composta de gente simplória, sem a menor leitura de mundo e que crê em Deus, Cristo, Natal e Papai Noel.
Capriche em todas as decorações natalinas, portanto. Não mande arrancar nenhuma das poucas árvores da cidade como fizeram com a famosa e centenária castanheira do Triângulo. Se tiver que construir ruas e avenidas, faça-as todas com retorno. Rua sem retorno lembra administração municipal também sem retorno. O senhor já andou pela Avenida José Vieira Caúla? Sempre que puder, mande limpar com o seu próprio dinheiro, claro, o terreno em frente a sua residência ou condomínio. O povo daqui diz que adora ver limpeza. Plante flores, mande fazer jardins floridos nas poucas praças da cidade. E nunca se esqueça de aguá-los durante o verão. Acabar com as alagações da cidade? É muito difícil. Então, nunca prometa fazer o que não pode. E reze para não ter outra enchente histórica senão sua reputação desce por água abaixo.
Dê uma função para o seu vice-prefeito. No Brasil, vice só serve para dar golpe e trair o titular. Por isso, fique de olho no seu. Apesar de ele ser um BOI, não confie muito. Não permita que ele passe quatro anos recebendo um baita salário para não fazer absolutamente nada. Não votei no senhor, Dr. Hildon Chaves. Nem no Léo Moraes. É que sempre voto no “menos ruim” e neste caso era impossível: vocês dois são péssimos e nenhum merecia meu voto. Faça desta cidade, senhor futuro prefeito, um lugar bom para se morar. Não permita mais que eu me envergonhe ao trazer parentes meus da limpa Curitiba e da civilizada Serra Gaúcha para visitar esta maldita currutela fedida. Sei que o senhor não conhece a cidade. Então pegue o Interbairros 030 e dê um rolé pelas suas imundas e esburacadas ruas. Vá à zona Leste à noite. Uma dúvida: o senhor ainda vai acariciar, cheirar, beijar e amar a cidade após a esperada chuva de MERDA?  




*É Professor em Porto Velho.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

O exemplo de Lucrécia/RN


O exemplo de Lucrécia/RN

Professor Nazareno*

            Lucrécia é uma simpática cidadezinha localizada no sertão semiárido do Estado do Rio Grande do Norte. Tem cerca de quatro mil habitantes e está distante uns 350 quilômetros de Natal. As autoridades e a populução da cidade deram um grande exemplo ao Brasil e ao mundo nestas eleições municipais de 2016. O fato quase não foi noticiado pela grande mídia, embora fosse inusitado, exemplar e sem precedentes. Durante o pleito, não houve naquele município nenhuma disputa ou concorrência para a escolha dos seus futuros representantes. Como, óbvio, só havia uma vaga para prefeito, somente houve um candidato. Na verdade, candidata. A futura prefeita da cidade será a professora Conceição Duarte, do Democratas, eleita com 2.316 votos. Para a Câmara Municipal de Lucrécia/RN, havia nove vagas para vereadores. Só houve, portanto, nove candidatos.
            Na cidade não se gastou dinheiro nenhum para bancar a eleição de ninguém. Todos os candidatos, desde que tivessem sufrágio diferente de zero, já estavam eleitos antes da votação do dia dois de outubro. Não houve comícios, panfletagem, discursos de ódio, acusações, intrigas, fofocas, baixarias, ofensas, estresse e muito menos briguinhas por causa de nenhum concorrente. Tudo já tinha sido acertado antes em infindáveis reuniões entre os possíveis candidatos, os partidos políticos, as autoridades constituídas e a população da cidade, a maior beneficiada com os acertos. Todos já estavam eleitos para trabalhar em benefício da coletividade. Por que Porto Velho não segue este belo exemplo de Lucrécia? O Dr. Hildon Chaves devia chamar o Léo Moraes ou vice-versa para acertar os detalhes de uma fusão política para o bem da cidade onde moram. “Hildon Moraes e Léo Chaves”.
Um dos dois vai administrar esta capital pelos próximos quatro anos. E como ambos dizem amá-la incondicionalmente, podiam pensar melhor na possibilidade dessa união. O poder de escolha do povo continuaria sendo respeitado: o mais votado dos dois representava a Prefeitura ou metade dela e o menos, cuidava da administração da cidade e da outra metade, numa espécie de Parlamentarismo tupiniquim. Porto Velho teria dois prefeitos ao mesmo tempo. Com quase 27 mil votos, o petista Roberto Sobrinho assumiria qualquer secretaria do município, assim como Williames Pimentel que teve mais de 33 mil sufrágios, Mauro Nazif com 51 mil, José Ribamar com seus 12 mil, e até o Pimenta com seus mais de dois mil votos seriam também secretários da capital de Rondônia, já que todos só queriam o progresso, o desenvolvimento e a felicidade daqui.
O pior é que nenhum deles está disposto a se unir para beneficiar o lodaçal, a pocilga. Todos só pensam em si mesmos, em suas ambições pessoais, em seus partidos, em suas coligações. O portovelhense entra no jogo deles e toma partido por um ou por outro e se esquece da sua cidade que é quem mais sofre nesse “jogo de empurra”. Todos devíamos nos unir por esta maltratada cidade. Isto por que as propostas de um não são melhores do que as do outro e transformariam a provinciana, suja e fedida Porto Velho na Paris, Londres ou Milão dos trópicos. Porém, já se sabe que cidade teremos daqui a quatro anos. As atuais promessas não passam de engodo, de enganação para se ganhar votos dos simplórios. Não somos Lucrécia/RN e certamente, para a nossa desgraça, ganhará aquele que souber melhor enganar a população, aquele que mentir de forma mais profissional e convincente. Domingo tem eleição. E Porto Velho perderá de novo.




*É Professor em Porto Velho.

domingo, 23 de outubro de 2016

Porto Velho para forâneos



Porto Velho para forâneos


Professor Nazareno*



            Porto Velho, a inóspita capital explorada, é uma das piores cidades do Brasil. Dizer que é o fiofó do mundo é um desrespeito, uma injustiça a esta parte do corpo humano. Dentre as 27 capitais do país, fica no 26º lugar em IDH. Tem, segundo o Instituto Trata Brasil, apenas dois por cento de saneamento básico e menos de 30 por cento de água encanada. É uma cidade suja e imunda, todos que moramos aqui sabemos disto. Parece até que existe nesta capital uma cultura pela podridão já impregnada há tempos nas pessoas e autoridades. Aqui há uma verdadeira adoração pela sujeira, pelo lixo e pela carniça. Nas campanhas eleitorais, como agora, o problema vem à tona e depois passa, todo mundo esquece e volta a sua vida feliz no monturo. Mário Português “levantou a lebre” em 2012. Agora, foi a vez de Hildon Chaves alertar os nativos.
            O pernambucano natural do Recife e atual candidato do PSDB à prefeitura de Porto Velho, ao constatar o óbvio, teria dito que “ninguém vem para Porto Velho nem com passagem barata”. Ele só errou ao dizer que a passagem seria barata. Hoje para sair daqui as empresas aéreas cobram menos da metade do preço para quem quer vir. E como ninguém em sã consciência sairia de seus aprazíveis lugares para ir ao inferno, a demanda caiu e como consequência os preços das passagens aéreas, que já eram caros, aumentaram consideravelmente. Vir para Porto Velho só mesmo a negócio ou para retirar um parente doente. A chiadeira foi geral, como se isso aqui fosse uma espécie de éden, um paraíso escondido entre a mata e os rios amazônicos. Os eleitores do outro candidato, o paranaense Léo Moraes, aproveitaram para explorar o fato pouco inusitado.
            Mário Português disse com todas as letras que Porto Velho se parecia com uma favela num total desrespeito às favelas, claro. Mauro Nazif, natural do interior do Rio de Janeiro ficou irado com essa declaração, mas nada fez nos quatro anos de administração para provar o contrário. O caos reinante nesta cidade é culpa de cada um de nós, seus moradores. Óbvio que o Poder Público colabora e muito com a desgraça. As promessas corriqueiras das campanhas eleitorais anestesiam os esperançosos e ingênuos eleitores. Visitar a capital das “sentinelas avançadas” é uma operação de risco e os dois candidatos sabem disso. Não entendo a declaração de amor que eles, com a maior cara de pau, fazem a Porto Velho. Um abraça, o outro cheira só para ganhar nosso voto. Filantropos eles não são, mas todos os nativos creem na conversa fiada desses forâneos.
            Porto Velho nunca teve um só prefeito nascido na terra. Mas não é por isso que é essa pocilga fedorenta. O perfil do eleitorado local é estranho: “dar tudo aos forasteiros e nada para os nativos”, parece ser a filosofia karipuna. Se os de fora não amarem isto aqui, nenhum nativo o fará. O sujeito, já falido e sem perspectivas, geralmente vem para cá, trabalha, ganha rios de dinheiro, manda tudo para a família lá no Estado de origem, onde investe parte do que ganhou, e quando se aposenta volta para a sua terra natal. Por que Léo Moraes e Dr. Hildon Chaves não se juntam para o bem da cidade que um deles vai administrar? Dividem os eleitores, inventam mentiras e lorotas e no fim das contas quem perde somos todos nós, moradores de uma cidade sem a menor estrutura para se viver de forma decente. Não acredito em promessas eleitoreiras, claro. Mas torço para que o vencedor do próximo domingo faça uma excelente administração. Precisamos!



*É Professor em Porto Velho.