sábado, 14 de outubro de 2023

Podemos ser bombardeados?

Podemos ser bombardeados?

 

Professor Nazareno*

 

            Depois que explodiu a guerra entre Israel e o grupo radical Hamas, a pergunta que mais intriga os porto-velhenses é se os acontecimentos lá no distante Oriente Médio podem influenciar Rondônia e a sua suja e imunda capital. Será que os grupos Hamas, Hezbollah e Jihad Islâmica podem, de uma hora para outra, direcionar a sua ira para esta província atrasada e incivilizada do Brasil? Claro que não! Esta possiblidade está totalmente fora de contexto, mas motivos não faltam para que os radicais muçulmanos deem uma lição em nosso povo e também em nossas autoridades. “Como pode uma capital de Estado ser tão suja e mal cuidada como é Porto Velho?”, devem pensar os muçulmanos mais intransigentes. “Uma cidade que não tem sequer um hospital de pronto-socorro para seu povo mais pobre tinha que ser riscada do mapa”, pensam outros.

            Um daqueles líderes barbudos disse que esta cidade jamais vai ter um hospital de verdade. Até a construção do novo hospital, que fez muita gente ganhar as eleições, já foi paralisada. “Era de se esperar”, disseram. “As autoridades desta cidade e também do Estado são muito incompetentes e gostam de enganar a população pobre durante as eleições e por isso todas elas deveriam ser castigadas”, argumentam os jihadistas. Além do mais, não existe nem na cidade nem na província inteira qualquer resquício de oposição. Todos os vereadores e quase todos os deputados estaduais fecham sempre com o seu Poder Executivo inviabilizando dessa maneira a possiblidade de qualquer crítica ao governante de plantão. Mas aumentar impostos como ICMS, IPVA, IPTU, dentre muitos outros, é a coisa mais fácil que se vê por estes confins sem eira nem beira. Haja deboche!

            Uma cidade que não tem rede de esgotos, não tem água tratada, nunca teve saneamento básico e também não tem mobilidade urbana e cujas ruas são tortas não deveria ser atacada de jeito nenhum. O caos já impera por aqui há muito tempo. Atacá-la com mísseis e bombas seria castigá-la duplamente. Porto Velho já está destruída e bombardeada há décadas. Além do mais, toda vez que a prefeitura coloca asfalto em uma rua, a CAERO, Companhia de Água e Esgotos de Rondônia, destrói tudo com a intenção de levar conforto para o contribuinte. Esse sim, que é um bombardeio de verdade. Vejam, por exemplo, a rua torta chamada de Santos Dumont lá na zona norte da cidade. Não plantaram uma única árvore nela apesar do calor infernal que faz na cidade. Pior: eles fazem ruas por aqui só com o asfalto e sem a menor esperança de ter saneamento básico.

            Um daqueles chefes radicais disse que um povo tão tosco como o rondoniense, que presenteia os forâneos com energia boa e barata em detrimento de sua grande riqueza ambiental, merece ser punido com rigor tanto por Deus como por Alá. O problema é que bombardear o que já está destruído e acabado é pura perda de tempo. Esse povo também matou o maior rio que tinha para “ter o prazer” de poder pagar uma das contas de energia mais caras do país. Se Porto Velho fosse bombardeada espalharia muita fumaça pela cidade, só que não faria tanta diferença assim, pois os moradores já estão acostumados com a fumaceira e também com a poeira de muitas de suas esburacadas ruas. Não há a menor necessidade de se atacar essa província longe e incivilizada só porque ela é da extrema-direita apesar de ter só eleitores pobres. Essa guerra no Oriente não chegará aqui, pois a nossa batalha já está perdida. E mesmo sem o HEURO vamos continuar resistindo.

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

quinta-feira, 12 de outubro de 2023

Querem destruir Israel, por quê?

Querem destruir Israel, por quê?

 

Professor Nazareno*

 

            Do rio que tudo arrasta se diz que é violento, mas não dizem nada das margens que o comprimem”. Esta frase de Bertolt Brecht pode explicar um pouco do que está acontecendo mais uma vez no Oriente Médio quando, na surdina, o grupo palestino Hamas invadiu o sul de Israel e perpetuou uma das maiores barbaridades já vistas em tempos modernos. A carnificina desse grupo radical contra cidadãos pacatos não tem comparação nem no Holocausto. Mas por que o povo judeu tem sofrido tantos massacres, assassinatos, invasões, hecatombes, exílios, torturas, guerras e perseguições? Desde a primeira diáspora dos judeus com Nabucodonosor na antiga Babilônia passando pela segunda diáspora com os romanos e também na quase extinção deles com Adolf Hitler no Holocausto que esse povo é vítima de matanças. Por que o Hezbollah, Jihad e Hamas?

            Logo após o genocídio que os judeus sofreram na Alemanha nazista, foi criado o Estado de Israel. Depois de mais de dois mil anos os judeus têm finalmente o seu país e voltam a se estabelecer na “Terra prometida”. A nova nação foi criada em 1948 e teve o aval das principais potências vencedoras da Segunda Guerra Mundial. Mas e o povo palestino, que estava morando ali há mais de dois milênios? Sem suas terras, sem suas casas, sem seus patrimônios, eles não aceitaram, na época, a criação de um Estado só para eles. E as confusões na região já começaram no dia seguinte com a primeira guerra dos países árabes contra os judeus. Outras três guerras eclodiriam mais tarde: a Guerra de Suez em 1956, a dos Seis Dias em 1967 e a do Yom Kippur em 1973. Todas vencidas por Israel com a ajuda do Ocidente. Desde 1948 a paz nunca mais voltou para aquela região.

            Os palestinos foram confinados em duas áreas descontínuas: a Cisjordânia, ocupada por Israel até hoje e a Faixa de Gaza, onde vivem quase 2,5 milhões de palestinos sob condições desumanas e onde a miséria, a pobreza, o medo e o abandono fazem parte do cotidiano. A Faixa de Gaza é uma prisão a céu aberto sem nenhuma qualidade de vida. Já Israel é uma potência econômica e sua qualidade de vida é comparável à de muitos países europeus. Tem democracia plena, tem boas universidades e uma máquina de guerra de fazer inveja a qualquer país desenvolvido. Mas não soube tratar adequadamente os palestinos e por isso paga um preço alto por essa péssima convivência. Os EUA jogaram duas bombas atômicas no Japão e massacraram a Alemanha, porém os planos Marshall e Colombo reconstruíram seus antigos inimigos. O mal deve ser sempre freado com o bem.

            Os israelenses são um povo bom, alegre, amigo, parceiro. Afirmo isso, pois estive lá em 2022.  Os palestinos deveriam ser melhor tratados. Assim como também os vizinhos árabes de Israel. As relações entre países no Oriente Médio são muito estranhas. O Irã só sossegará “quando afogar o último judeu no Mediterrâneo” e Saddam Hussein jurou por Deus (Alá) que incendiaria metade do Estado Judeu. A convivência pacífica entre povos é possível, sim! Os muçulmanos são um povo também ordeiro e bom. Judeus, cristãos e muçulmanos devem viver em harmonia sem carnificinas, genocídios nem perseguições. Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, é o maior culpado por esta guerra. Com arrogância, prepotência e empáfia ele lidera um governo de extrema-direita, antiárabe e que promove anexações e desapropriações contra os palestinos. E isso levou a esta reação violenta. Moisés, Jesus Cristo e Maomé devem estar muito tristes com mais esta matança.

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

terça-feira, 10 de outubro de 2023

As “guerras” de cada um

As “guerras” de cada um

 

Professor Nazareno*

 

            O outrora todo poderoso Estado de Israel se viu, de uma hora para outra, perdido em mais uma das intermináveis guerras contra o seu costumeiro inimigo: os palestinos e seus grupos políticos radicais chamados no Ocidente de terroristas. Na surdina e sem quase ninguém perceber, o Hamas atacou o Estado judeu neste início de outubro de 2023 e matou centenas de seus cidadãos. Israel foi reconhecido como a nação independente do povo judeu somente em 1948, mas paga até hoje um preço muito alto por ter se instalado na “terra prometida”, onde palestinos muçulmanos estavam residindo a mais de dois mil anos, muito antes, portanto, das diásporas dos judeus. Durante a segunda guerra mundial, Hitler teria assassinado mais de seis milhões de hebreus e por isso, o mundo do pós-guerra resolveu criar uma pátria judaica. Só que parece que se esqueceram dos povos palestinos.

            Confinado na Faixa de Gaza e na Cisjordânia ocupada, esse povo palestino praticamente não tem reconhecimento internacional. Muitos deles vivem subalternos aos israelenses e não veem a hora de expulsar todos os judeus de “suas” terras. Embora seja uma nação próspera e com amplo reconhecimento no mundo, Israel tem que conviver com pessoas que por muitos milênios sempre residiram no “domínio histórico” judeu. Por isso, são várias as guerras entre os dois povos. Enquanto Israel tem o apoio de quase todo o mundo ocidental incluindo a União Europeia e os Estados Unidos, os palestinos têm apoio de vários países vizinhos e muçulmanos como Líbano, Síria, Irã, Iraque e Jordânia. Há espaço para dois Estados na região: um palestino e outro judeu tendo Jerusalém como cidade neutra. Mas ninguém abre mão da cidade, que é sagrada também para os cristãos.

E o Brasil também tem as suas guerras. Milícias armadas do Rio de Janeiro, por exemplo, mataram três médicos que participavam de um congresso mundial da categoria. Por causa disso, o Estado interveio e exatamente nesta segunda-feira, dia 9 de outubro, investiu contra os bandidos armados. Dois helicópteros foram alvejados com tiros de fuzil. Além do mais, quase 60 mil cidadãos brasileiros são mortos todo ano pela violência que sempre “correu solta” no país. Outra guerra praticamente perdida em nosso país é a corrupção na política. Porém, quase todos os brasileiros convivem normalmente com a roubalheira. Elegeram um presidente que já fora preso por se meter em negócios escusos e muitos ainda cultuam um outro que além de corrupto também é fascista e tentou dar um golpe de Estado para se perpetuar no poder. Nossas guerras são cruéis, mas ninguém vê.

Israel luta contra os grupos Hamas, Jihad Islâmica e Hezbollah, além de ter outras nações arqui-inimigas como o Irã e a Arábia Saudita, por exemplo, que tentam destruí-lo a todo custo. Já o Brasil tem o ex-presidente Jair Bolsonaro, o bolsonarismo, a fome, a impunidade, a pobreza, a miséria, a desigualdade social, a violência urbana e o PT como as suas guerras particulares. E precisa vencer todas elas, se quiser ter paz. Toda nação ou país tem a sua “guerrinha” particular. Rondônia, apesar de não ser um país, também tem a sua. E a guerra deste longe, atrasado e incivilizado rincão do Brasil é contra o meio ambiente. Todo ano, durante o verão, a fumaça criminosa das queimadas empesta o ar que todos nós respiramos e ninguém nunca fez nada para combater. Outra desgraça talvez até pior do que uma guerra e também provocada pela mão humana é essa seca em plena Amazônia. Para vencer uma guerra é preciso ter disciplina e ordem. Coisas que não temos.

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

quarta-feira, 4 de outubro de 2023

Crise aérea: não vá à Justiça!

Crise aérea: não vá à Justiça!

 

Professor Nazareno*

 

            Havia naquela província subdesenvolvida e incivilizada praticamente um só aeroporto para atender as pessoas que precisassem viajar para outros pontos do país. Só que a procura por voos para as cidades civilizadas era muito pequena e por isso as maiores companhias aéreas, talvez prevendo prejuízos, decidiram retirar e cancelar a maioria dos seus voos. Além do mais, algumas dessas companhias alegavam que havia muitas demandas judiciais contra elas naquele insólito lugar. E não tardou para que “soluções mágicas” aparecessem de imediato: com o cancelamento de voos, exige-se que as pessoas retirem as suas reclamações e de quebra aumenta-se o valor das passagens, uma vez que a procura por viagens fica superior à oferta de aeronaves. Isso sem falar que a apagada classe política pode aparecer de repente como a “salvadora da pátria” para sanar o caos.

            Assim, todos ganham com a incomum manobra. As empresas aéreas têm quase todas as suas reclamações retiradas na Justiça, a classe política local vira a heroína do povo e todo mundo daquele atrasado rincão volta a viajar de avião saindo direto da capital da província sem precisar viajar cinco dias de barco ou 24 horas de ônibus para embarcar em outra cidade ou Estado vizinho. Dessa forma, se a partir de agora o seu voo atrasar cinco, seis ou até mesmo dez ou doze horas não vá à Justiça. Aceite tudo calado! Caso contrário, a sua cidade ou até mesmo o Estado podem ficar isolados para sempre. Se por acaso você ficar sem uma conexão, fique resignado em nome da estrita possibilidade de “avião para todos”. E se por qualquer motivo você se sentir injustiçado, explorado, rebaixado, nada de buscar reparos na Justiça comum. Seja paciente, ria e pense nos outros.

            O que custa uma pessoa simples, quando quer viajar, ser infringida, desrespeitada, desconsiderada, violada, desvalorizada, ridicularizada, diminuída, pisada, menosprezada, aviltada e arrasada por uma empresa aérea? Tudo passa, inclusive esses sentimentos toscos. Não te deram comida nem hospedagem numa cidade estranha por que o seu voo foi cancelado? Aguente o tranco e acredite que tudo vai dar certo depois. Nada de tentar buscar os seus direitos nos tribunais. E se você tem alguma demanda judicial contra qualquer empresa aérea, desista logo. Se seu parente morreu por que não chegou a tempo para ser tratado em um outro Estado, nada de estresse ou de picuinhas. Lembre-se: “todo mundo tem que morrer um dia mesmo”. Não há tragédia maior do que uma cidade inteira ou um Estado ficar sem voos regulares em seus aeroportos. Fato: deve-se é evitar o pior.

            Não busque nunca os seus direitos mais elementares caso se sinta abusado algum dia. Pense sempre nos lucros que as empresas aéreas podem perder. Essa busca pode ser prejudicial à comunidade inteira, pois apesar da morosidade, a Justiça até que às vezes funciona. Há bons advogados que ganham muitas demandas. Por isso, se as suas férias foram “estragadas”, relaxe! No próximo ano haverá outras férias. O seu tratamento fora de domicílio, TFD, está com problemas de logística nos raros voos disponíveis? Sossegue, vá à rezadeira que talvez o problema seja resolvido por aqui mesmo. Voo atrasado é progresso. Afinal viajar de avião não é para todo mundo nos confins do mundo. Mas já há sinalizações de que os voos na província atrasada vão voltar ao normal. Os seus políticos são supimpa, mano! Todo final de ano aumenta a procura de pessoas que vão pegar praia e fazer fotos para as redes sociais. Só se vê bondade nessas empresas aéreas!

 

 


*Foi Professor em Porto Velho.


 

segunda-feira, 2 de outubro de 2023

E Porto Velho ganha presentes


E Porto Velho ganha presentes


Professor Nazareno*

           

Porto Velho, a currutela fedida e eterna capital de Roraima, está de parabéns. São 109 anos de pura carniça, lodaçal e esgotos a céu aberto. Desde a época do velho Pimentel, figura inventada que ninguém sabe quem foi nem onde morou, que a cidade ostenta um dos piores índices de qualidade de vida, IDH, dentre as maiores cidades do país. Já com o Major Fernando Guapindaia que o sujo, esmo e abandonado lugar lutava para ser uma cidade habitável com o mínimo de civilidade. Como uma velha prostituta explorada e abandonada, o arremedo de cidade sempre foi procurado por muitos, mas nunca foi bem administrado. Só que este ano já ganhou vários presentes e ainda pode ser contemplada com uma série de privilégios que nenhuma outra capital do Brasil já viu. As empresas aéreas GOL, Latam e Azul já iniciaram os bons regalos à cidade como uma homenagem.

O singelo “presente” que as maiores companhias aéreas do país deram a Porto Velho como lembrança de aniversário é de fazer inveja a qualquer outra grande cidade do mundo. E a “capital dos destemidos pioneiros” merece tamanho afago. Em 2023 Porto Velho também ganhou uma rua torta lá pela zona Norte e que será usada para todos os eventos que se realizam por aqui. Da Banda do Vai Quem Quer até a Marcha para Jesus passando pela Expovel, o Sete de Setembro e o Arraial Flor do Maracujá tudo vai ser “mostrado” nesta rua que tem nome bem moderno: rua Santos Dumont. Ela vai facilitar também para que os moradores do bairro Nova Esperança cheguem mais rápido ao aeroporto da cidade quando forem viajar principalmente para o exterior. A capital ainda ganhou mais de 700 quilômetros de asfalto novo. Porém, só o piche mesmo sem esgotos.

Como é mês de outubro, as hidrelétricas do rio Madeira presentearam um rio sequinho, sequinho para os incultos habitantes de Porto Velho. Nunca em toda a história da cidade se viu o velho Madeira neste estado de penúria e caminhando rapidamente para a extinção. “É um grande presente para todos nós, pois aquele rio é muito selvagem e em suas águas caudalosas só tem bichos ferozes” devem pensar muitos dos moradores daqui. Outros complementam: “como este rio nunca serviu para nada mesmo, é bom que se façam roças em seu leito seco. Aumentará a produção agrícola”. A criminosa devastação das árvores da Avenida Tiradentes foi outro mimo que a administração municipal deu à maltratada urbe. Até os portadores de deficiência física quase ganham a retirada de seus empregos. Mas os pecuaristas da cidade vão bamburrar com o aumento no preço da carne.

E como é festa de aniversário, a Assembleia Legislativa do Estado não podia ficar de fora sem dar lembrancinhas para a cidade. Ela aprovou recentemente a criação de uma comissão especial para discutir as atividades garimpeiras no rio Madeira. Já pensou você chegar à beira do rio e, muito encantado, ver mais de mil dragas de garimpo extraindo ouro dali? Os nossos políticos são fenomenais. Porto Velho recebe presentes demais, mano! Todo dia seus habitantes contribuem com a limpeza e a organização da cidade. E outro bom presente que Porto Velho ganhou pelos seus 109 anos tão bem vividos veio do IBGE, que divulgou o resultado do último censo e concluiu: em vez dos esperados 600 mil habitantes, somos 461 mil matutos vivendo num canto só. Somos a quinta maior cidade do Norte. Só que o melhor presente mesmo seria uma enorme estátua de um saco de lixo cheio de tapurus ali na entrada. Por isso, desejo de coração: Parabéns, Porto Velho!

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.


quarta-feira, 27 de setembro de 2023

Mataram o rio Madeira

Mataram o rio Madeira

 

Professor Nazareno*

 

            Há quase 43 anos quando passava pela primeira vez em Porto Velho, eu fiquei admirado com a grande exuberância do rio Madeira. Era o longínquo mês de janeiro de 1981 e perguntei a um senhor se eu podia atravessar aquele magnífico rio a pé. Ele sorriu e disse que era impossível, pois havia uma profundidade muito grande. Algo em torno de 20 metros ou mais no caudaloso canal. Além do mais, disse o homem, há muitos bichos que devoram um ser humano em questão de minutos. O tempo passou e a minha pergunta pode ter uma outra resposta hoje. O velho Madeira perdeu o encanto de outrora e diminui cada vez mais ano após ano. A seca inclemente na região em 2023 associada a um calor insuportável que beira os 40 graus à sombra parece que querem o fim irremediável do décimo oitavo maior rio do mundo. Lula: “não é normal o que acontece no rio Madeira”.

            Secaram o Madeira. E todos vamos pagar por isso. Em seu leito construíram duas grandes hidrelétricas e hoje é a tosca mão humana que determina repiquetes, enchentes e vazantes. O rio Madeira não tem mais madeiras e praticamente nasce em Porto Velho, logo a jusante da hidrelétrica de Santo Antônio. Sem forças, agonizante e debilitado pela ambição do homem, o rio também deixou de ser piscoso. Os poucos e raros peixes que ainda teimam em nadar em busca da piracema perderam o rumo com os paredões que impuseram ao seu habitat natural. Quem não se lembra dos famosos festivais de pesca na extinta cachoeira do Teotônio? Ali sim, era peixe aos montes! Cansei de pegar peixe no tapa. No verão, ao pé das corredeiras era fácil ser pescador. Era curimatá, surubim, pacu, sardinha, pescada, mandi e infinitas outras espécies que matavam a fome de muita gente.

            O rio Madeira está hoje com apenas um metro e trinta centímetros de água. Se não chover pra valer a partir de outubro próximo, vai secar ainda mais e a travessia nele “sem molhar os pés”, que antes era impossível, vai se tornar uma realidade. Até as embarcações de pequeno porte têm restrição para navegar em seu leito seco, cheio de pedras e bancos de areia. A navegação noturna foi proibida. Vilarejos como São Carlos, Nazaré e Calama têm dificuldade de acesso. O rio Madeira já está morto. As hidrelétricas em seu curso condenaram-no à extinção. E as dragas do garimpo ilegal extraindo ouro em seu leito cambaleante e removendo areia completaram o serviço. Provavelmente o velho Madeira nem canal tem mais. Ali está tudo revirado, mexido, destruído. Assorearam o maior rio dos rondonienses. Os poucos peixes que ainda existem estão contaminados pelo mercúrio.

            E quem ganhou com as hidrelétricas? Certamente não foram os “trouxas” dos rondonienses. Aqueles que gritavam de peito estufado no início deste século: “queremos hidrelétricas, já!”. Quanto se paga hoje para ter energia elétrica em Porto Velho? Não é pouca coisa, não. E nestes meses de verão o consumo aumenta exponencialmente. Grande parte da produção energética das hidrelétricas rondonienses vai para o Sistema Interligado Nacional. Rondônia deixou que estuprassem a sua natureza e em troca paga uma das tarifas de energia elétrica mais caras do país. O Estado hoje praticamente está até sem aeroporto, pois os poucos voos regulares que havia foram quase todos retirados sem maiores explicações. Rondônia deu o que tinha para o Brasil e nada recebeu em troca. E a classe política local, rica, pouco ou nada faz. Com essa seca severa no Madeira, até o abastecimento de combustível pode ficar comprometido. Por aqui só falta chover merda.

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

domingo, 24 de setembro de 2023

Como sair de Porto Velho?

Como sair de Porto Velho?

 

Professor Nazareno*

 

            A atual situação em Porto Velho, capital de Roraima, é muito angustiante. Os rondonienses estão quase que sitiados em sua suja e imunda cidade. Aqui quase ninguém consegue sair por água, por rodovia ou mesmo de avião. Voltamos ao antigo Primeiro Ciclo da Borracha em meados dos anos 1800 quando para se viajar à capital do país, precisaria primeiro viajar de recreio para Manaus e somente de lá ir até o Rio de Janeiro. Por aqui praticamente não há mais aviões disponíveis para se viajar. Até há um ou dois voos regulares por dia, mas o problema é o preço que é de desencorajar qualquer um. As principais companhias aéreas do país diminuíram unilateralmente o seu atendimento aos cidadãos porto-velhenses alegando altas demandas judiciais contra elas. Já a classe política e as autoridades em geral fazem o que sempre fizeram nessas horas tristes: nada.

            Hoje para o cidadão comum, aquele que não tem carro próprio, não há como sair tão facilmente assim de Porto Velho. Enquanto a rodoviária nova não sai, a atual está funcionando precariamente perto do porto do Cai n’água em meio à sujeira e à imundície caraterísticas da cidade. Ratos, urubus e muita carniça é a visão caótica de quem chega a esta capital. É preciso usar máscaras para aliviar um pouco a catinga daquele ambiente fétido e promíscuo. Parece até que ainda estamos em plena pandemia do Coronavírus. E como não tem eleições este ano, somente em 2024 é que vão inaugurar o novo terminal de passageiros. Pelo menos essa é a promessa que se escuta. Enquanto isso, turistas e visitantes têm que se conformar com o lodaçal. Se o cidadão chegar num dia de domingo, o tormento aumenta drasticamente, pois ali funciona um feira livre com toda a fedentina.

            Porém a poucos metros daquela insalubre e caótica “rodoviária-feira” está o porto de passageiros no rio Madeira. Não se sabe, no entanto, qual dos dois lugares é mais sujo e fedorento. A concorrência é grande entre porto e rodoviária. Só que esse tal porto nada mais é do que um barranco íngreme, cheio de mato, restos de peixe, comida estragada jogada fora, porco e imundo e que não tem sequer um caminho para os passageiros irem até os barcos. O sebento porto de Porto Velho é a cara da própria cidade: sem a menor infraestrutura e que funciona ali desde os anos áureos dos ciclos da borracha na região. O porto rampeado que a Santo Antônio Energia doou à cidade está inoperante há muito tempo, enferrujando a céu aberto e sem data para voltar a atender com um pouco mais de decência os seus passageiros pobres. Nem por terra nem por água se pode sair de Roraima.

            No aeroporto a situação é pior ainda, embora o ambiente por incrível que pareça tenha um pouco mais de limpeza. Conseguir um voo saindo daqui para Brasília, São Paulo ou outra cidade civilizada qualquer é só para os ricos, políticos e autoridades. O problema é o preço e as infinitas conexões que nos obrigam a fazer. Há casos de até 24 horas entre esperas e conexões para se chegar a São Paulo. Muita gente viaja a Manaus de barco ou vai até Rio Branco ou Cuiabá para tentar a sorte. Como eu não tenho dinheiro nem muitas necessidades, fico por aqui mesmo desfrutando as belezas da terra dos “destemidos pioneiros”. Essas “paragens do poente” nos oferecem coisas bizarras e surreais para se ver. Na Rondônia bolsonarista da extrema-direita, apesar da pobreza imensa de sua gente, ainda é possível ter portadores de deficiência sem direitos e até pessoas pobres sendo censuradas por que conseguem comer carne só uma vez na semana. Sair daqui para quê?

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

sexta-feira, 22 de setembro de 2023

É difícil viver na democracia

É difícil viver na democracia

 

Professor Nazareno*

 

            A democracia foi criada pelos gregos ainda na Antiguidade Clássica e os primeiros países a implantá-la foram, nessa ordem, Inglaterra, Estados Unidos e França. No Brasil a democracia tem pouco tempo levando-se em consideração os mais de 523 anos de História do nosso país. Depois da Segunda Grande Guerra, nossa democracia reapareceu, ainda que muito frágil. Por isso durou pouco tempo. Em 1964, os militares em conluio com a rica e abastada elite civil deram um golpe e surrupiaram os nossos mais elementares direitos. Somente em 1985 nos devolveram a liberdade. Assim, o nosso atual regime democrático tem apenas 38 anos. Mas esse é o maior tempo ininterrupto em que vivemos sob este regime. Winston Churchill disse que “a democracia é o pior regime político, com exceção de todos os outros”. Viver sob a democracia pressupõe aceitação e até sacrifício.

            Na Nova Ordem Mundial, a maioria dos países ricos e desenvolvidos vive sob o regime democrático. Dos cinco integrantes do atual Conselho de Segurança da ONU, por exemplo, três deles, exatamente a Inglaterra, os Estados Unidos e a França são defensores ardorosos da democracia e têm suas sociedades baseadas sob esse regime. Já China e Rússia praticamente desconhecem as mais elementres regras de como se viver de forma democrática. Na maioria dos países árabes, em grande parte das nações africanas e nas ex-repúblicas que se autoproclamavam comunistas no Leste Europeu, assim como na periferia do mundo, o jogo democrático quase não faz parte do cotidiano dos governos e das pessoas de um modo geral. Democracia é a aceitação ao diferente. É o respeito ao que foi combinado anteriormente, é acima de tudo, civilidade, fraternidade e boa convivência.

            No Brasil, infelizmente, em muitos ainda reina a mentalidade golpista, truculenta e desrespeitosa para gerir a sociedade. Principalmente na caserna, onde a obediência e a hierarquia reinam quase absolutas. No último governo que tivemos, o ex-presidente Jair Bolsonaro, um militar oriundo do Exército, tentou destruir “o que conquistamos há pouco tempo e a muito custo”. Foram praticamente quatro anos de ataques rasteiros à nossa democracia, que resistiu bravamente. O “Bozo” atacou as instituições democráticas sem trégua durante todo o seu mandato. O STF e seus ministros eram atacados quase que diariamente. No Congresso Nacional, o ex-presidente “comprou” o apoio da maioria para se garantir no cargo sem o menor risco de impeachment. Na PGR tinha a certeza de que não seria importunado pelo procurador Augusto Aras. Mas os podres estão vindo à tona.

            Derrotado e humilhado nas eleições de 2022, Bolsonaro tentou dar um golpe para continuar no poder. A delação premiada de seu ex-ajudante de ordens não deixa quaisquer dúvidas. As Forças Armadas foram até consultados sobre a essa vil possiblidade. E pelo que se sabe até agora, somente a Marinha, por meio do então ministro Almir Garnier, aceitou participar da derrubada do novo governo, que ainda sequer havia tomado posse. Comprovada a armação golpista, todos, inclusive o ex-presidente, têm que pagar caro por terem conspirado contra as nossas instituições. Viver sob uma democracia ainda é muito complicado nesse Brasil de analfabetos funcionais e políticos, por isso nosso regime democrático ainda corre sérios riscos de ser varrido do mapa. O dia 8 de janeiro foi o mais claro exemplo disso. Bolsonaro teve 58 milhões de votos e quase derrota o “Ladrão” como muitos bolsonaristas falam. Mas o Bolsonaro só daqui a oito anos. É a democracia!

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

segunda-feira, 18 de setembro de 2023

A rua Santos Dumont é torta

A rua Santos Dumont é torta

 

Professor Nazareno*

 

Em Porto Velho, a feia e inabitável capital de Roraima, existem pelo menos umas três ou quatro ruas com esse “sugestivo” nome. Ali por trás do inútil ginásio Cláudio Coutinho no bairro Caiari, por exemplo, existe uma que “quase” liga a Avenida Abunã à rua Benjamin Constant cortando a Herbert de Azevedo. E certamente deve haver muitas outras ruas com este nome pela periferia da suja e imunda cidade. Mas esta “nova” rua, apesar de estar também na periferia, tem outra função: dizem que vai ligar a antiga Avenida rio Madeira, a Chiquilito Erse, com a Jorge Teixeira no Espaço Alternativo e de lá vai até o imprestável, obsoleto e já quase parado aeroporto da cidade. Só que tem um detalhe urbanístico surpreendente: em vez de ser uma rua em linha reta, como deveriam ser todas as ruas, ela é torta e muito sinuosa. Estranhamente faz uma curva de quase 90 graus um pouco antes de se ligar à Jorge Teixeira.

            Dizem que a nova rua será a panaceia milagreira que vai resolver o caótico trânsito na Avenida rio Madeira com a Imigrantes na zona norte da cidade. Mentira, tolice! Essa insólita rua vai apenas trocar seis por meia dúzia, uma vez que grande parte do caos será transferido para a frente do Hospital de Base e do supermercado Assaí. O congestionamento sairá da Imigrantes no sentido Leste-Oeste e ficará na Jorge Teixeira, sentido Norte-Sul. Assim como foi feito no viaduto da Campos Sales com a BR-364. O congestionamento só mudou de horário. Antes era pela manhã em frente ao “açougue” João Paulo Segundo. Hoje é à tarde. Da mesma maneira, tenta-se agora mudar o itinerário da Avenida Calama entre a Guaporé e a rua Venezuela, mas somente nos dias úteis entre seis e meia e oito e meia da manhã. Resta saber no relógio de quem será marcado este horário. E nos feriados antecipados ou adiados?

            Óbvio que esta bisonha rua não foi projetada por um Pereira Passos, Jaime Lerner ou um Oscar Niemayer. A rua será infelizmente exatamente igual a quase todas as outras ruas dessa cidade: torta, sem boa calçada, sem meio-fio, sem arborização, sem acesso a cadeirantes e sem rede de esgotos. Fala-se pomposamente que mais de 700 quilômetros de asfalto foram colocados em Porto Velho ultimamente. Só o piche mesmo, pois arborização e saneamento básico são temas tabus por aqui. Segundo o Instituto Trata Brasil, a “capital dos destemidos pioneiros” tem hoje apenas 2,9 por cento de esgoto e saneamento básico. Há oito anos a cidade tinha aproximadamente 2,4 por cento. Neste ritmo, levará uns dois mil anos para se ter a totalidade da capital servida por uma boa rede de esgotos. Fala-se que o Flor do Maracujá, o Carnaval, a Expovel, Parada para Jesus e a Marcha do Orgulho Gay serão na rua torta. Será?

A nova rua Santos Dumont na parte norte de Porto Velho além de ser enviesada pode também ser pouco útil para alguns eventos, uma vez que por não ter ainda arborização será inicialmente uma via extremamente quente e úmida. Sete de Setembro lá será um inferno. Mas se vão arborizá-la, por que então devastaram a pouca cobertura vegetal que havia em suas proximidades? Já não bastava o genocídio absurdo que fizeram com as árvores da Avenida Tiradentes no Pedacinho de Chão? Nada justifica que essa rua não tenha sido projetada em linha reta, já que o terreno é todo plano, não há residências por perto e também não tem outra rua sequer nas adjacências para se ligar a ela. A rua parece ter sido feita em uma currutela ou numa favela. Além do mais, se fosse em sentido retilíneo evitaria possíveis acidentes de trânsito e economizaria até mais combustível. Se for uma artéria projetada para a realização de eventos, as arquibancadas que certamente vão montar lá vão seguir o sentido torto da rua?

 

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.


sábado, 16 de setembro de 2023

Os dois erraram


 Os dois ERRARAM

O advogado Hery Kattwinkel confundiu "O Pequeno Príncipe" de Antoine de Saint-Éxupery com "O Príncipe" de Maquiavel. Já o ministro Alexandre de Moraes, que o corrigiu, pronunciou o nome Antoine (ontuâni) como (antoniê).

quarta-feira, 13 de setembro de 2023

E se o 8 de janeiro triunfasse?

E se o 8 de janeiro triunfasse?


Professor Nazareno*


Eu certamente hoje estaria preso e talvez já sendo torturado em alguma prisão de Porto Velho. A censura voltaria com toda a força ao país. Sites, jornais, rádios e as principais emissoras de TV devidamente fechadas ou sob intervenção de um censor. Os DOI-CODI seriam restaurados em todas as grandes cidades. Eleições diretas canceladas e vários opositores sendo caçados, perseguidos e mortos. Governadores e congressistas eleitos pela oposição estariam em cana. Jair Bolsonaro seria o atual presidente do Brasil. O Congresso Nacional estava fechado e todo o Poder Judiciário estaria sob intervenção do governo federal. STF sob forte tutela. TSE fechado. Milícias de extrema-direita seriam criadas para vigiar todos os que fossem da oposição. Petistas, esquerdistas e simpatizantes de causas mais progressistas vigiados. Professores, jornalistas e sindicalistas todos presos.

Os patriotários, que estavam acampados em frente aos quartéis das Forças Armadas espalhados por todo o país desde a derrota que sofreram nas urnas em 30 de outubro, invadiram Brasília e as instituições democráticas com um único objetivo: golpear a democracia brasileira e reconduzir ao poder o seu “Mito”, que havia fugido para os Estados Unidos e provavelmente tramou a tomada do poder para se perpetuar no Planalto. Mas a ridícula e tosca intifada terrorista dos inebriados bolsonaristas fracassou retumbantemente e o país respirou bem aliviado. Bolsonaro não reconheceu a derrota fragorosa que sofreu nas urnas para o Lula e sem o menor conhecimento da conjuntura política internacional “viajou” numa fracassada experiência golpista que lhe pode trazer ainda sérias consequências. Se culpado, o “Bozo” vai amargar a cadeia por muito tempo.

Sem a chancela dos EUA e da União Europeia, não haverá golpe nenhum na América Latina. A anta Bolsonaro e seus idiotas seguidores pensavam que ainda estavam em plena guerra fria. Fracassaram por pura burrice e falta de visão de mundo. Além do mais, com um golpe a partir do “nada” e sem nenhuma justificativa, o nosso país sofreria retaliações e sanções violentas de todo o mundo desenvolvido e civilizado. Acordos comerciais seriam suspensos e o Brasil sofreria um isolamento internacional jamais visto em toda a História. Aviões comerciais do país seriam proibidos de pousar em aeroportos norte-americanos e europeus. Todos os navios com bandeira nacional seriam impedidos de desembarcar produtos e mercadorias na maioria dos portos internacionais. Países vizinhos rompiam relações diplomáticas conosco e tirariam os seus embaixadores daqui.

Com as sanções, o Brasil não poderia participar de competições organizadas pela FIFA. Com um golpe dado aqui, adeus à Copa do Mundo. Adeus à Copa Conmebol Libertadores e a Sul-americana para os clubes nacionais. Adeus também às Olimpíadas. Investidores internacionais retirariam seus dólares daqui imediatamente e o país sofreria muito com boicotes em todos os níveis. A Zona Franca de Manaus pararia em menos de uma semana. Montadoras de automóveis suspenderiam toda a produção de carros por falta de peças e de outros componentes em um mês aproximadamente. Vivemos em um mundo globalizado e dependemos do mercado externo. Produzimos muitos alimentos, é verdade, mas venderíamos os excedentes para quem? Por isso, foi bom ter fracassado o golpe do genocida contra o Lula, que apesar de ser fraco como presidente, foi eleito de forma democrática. A democracia é o nosso futuro. Ditadura e Jair Bolsonaro nunca mais.


 


*Foi Professor em Porto Velho.