segunda-feira, 21 de novembro de 2011

E o Tio Suamy chorou...



A CAUSA DO MEU CHORO 


E no meu lugar qualquer um chorava. Fui convidado para ir à aula da saudade da turma 2011 do JBC e, lá após minha chegada, os alunos apresentaram um vídeo que questionava por que os professores do Terceirão ficavam felizes com o sucesso dos alunos do projeto nos concursos de universidades e na vida. Eu, que já me afastei de tudo, e que fiz votos de não interferir, não falar mais nada, eximir-me de qualquer palpite sobre a escola, me encontrei emocionado, com apenas uma resposta: a de ser um natural educador, alguém que a vida toda só aprendeu a fazer isso.
O problema é que na última quinta feira, fui convidado por técnicos da escola a participar de reunião que deliberaria  a forma como seria escolhido o Conselho Escolar e, se definida, no momento subseqüente poderia ocorrer a apresentação dos membros na mesma reunião. Ocorreu um descontrole de alguns dos presentes, os ânimos se exaltaram e teve inicio uma grande demonstração de falta de bom senso por parte de muitos presentes, a ponto de gente apresentar semblante desfigurado, outros até precisarem de maior atenção por questões de saúde. O certo é que o tempo fechou e o objetivo da reunião não aconteceu.
Após as conversas finais, na sala da supervisão escolar, quando já me despedia dos funcionários, alguém que sempre tratei bem, respeitei e até defendi em passado não tão distante, estranhamente apresentando um humor estranho, desacatou-me, me perguntou se eu “aceitaria óleo de peroba para passar no rosto, que eu governava a escola de fora, que controlava tudo de fora”.
Confesso que não respondi naquele momento nada, até porque sei que “quando um não quer: dois não brigam”, mas sai mundo a fora bastante pensativo. E por que pensativo? Porque passei  8 anos trabalhando no JBC, reconheço minhas limitações mas, nada tenho a ver com o processo eleitoral para gestores escolares, visto que o mesmo foi deflagrado pelo governo do estado, as regras não foram discutidas pelas comunidades escolares.
Compreendi então, que a reunião não teve um desfecho razoável, devido a que todos os servidores estão nervosos, desconfiados com tudo e com todos, porém, por que o ataque a minha pessoa?  Porque eu sou o responsável direto junto com um conjunto de profissionais (e essa pessoa com certeza não está no meio desses), pelo sucesso de mais de 1000 (mil) alunos que adentraram nas universidades federais e, mais de 1500 (um mil e quinhentas) vagas públicas via Pro Uni, todas em nível superior.  Existe, um cordial respeito à minha pessoa, de forma cidadã, humana e racional, não pelo fato de ser o ex diretor, mas pelo meu passado. Ao contrário do comentado eu não tenho apenas a “ficha limpa”, tenho a vida limpa.  Não tem como apagar o que eu fiz e, felizmente “contra resultados não existem argumentos”, qual é o meu pecado afinal? O que faço de mal? Por que hostilidades à minha pessoa?
Uma coisa meus caros, tenham certeza: dificilmente alguém que trabalhou corretamente, cumpriu o Regimento Escolar, que fez o esforço necessário e apresentou produção dentro da lei tem algo contra o tio Suamy e, quando alguém se manifesta contrário desconfie, pois a possibilidade desse ser um dos revoltados do sistema, que é infeliz por ser professor, que joga pedra da cruz pra frente até em passarinhos, é com certeza das maiores.  
Tenho certeza que pratiquei boas ações, me empenhei com as condições que tinha para fazer a melhor gestão possível para funcionários e principalmente para os alunos. Tenho recebido da maioria das pessoas manifestações elogiosas, de apreço e até de saudosismo por parte deles.
A demonstração foi de ódio, de mágoa, de insatisfação pela existência de minha pessoa, que talvez até, não deveria ter nascido (meu caso), na mesma tarde a professora já tinha perguntado o que eu tinha ido fazer no JBC, e com elegância respondi que tinha ido participar da reunião.
Quero informar que sou servidor do quadro do Estado de Rondônia, à disposição da Secretaria de Estado da Educação, lotado no JBC, que tenho uma folha de serviço  a esse ente federado,  momentaneamente, não tenho nenhum interesse em retornar à direção nem do JBC, nem de escola estadual nenhuma, mas informo que enquanto funcionário desfrutarei de meu direito cidadão, de entrar na escola, participar de reuniões se convidado, jamais praticarei motim contra qualquer diretor escolar, pois não fui contratado para isso e, que no caso do JBC,  o diretor pode  ser qualquer um, respeitarei sua gestão e trabalharei com muito afinco para que tenha bons resultados, pois acredito que boas gestões, ocorrem mesmo não sendo “apenas eu dirigindo” ou alguém que eu simpatize e, que o beneficiado tem que ser sempre o aluno.
Foi por isso, que recebendo o “afago carinhoso” do vídeo dos alunos, na aula da saudade, chorei, e compreendam, na condição que o “monstro” chorou, “qualquer um chorava”, porque no JBC, quem deveria afagar respeitar, tratar bem, trabalhar para ampliar os “laços de camaradagem”, semeia o ódio e, quem supostamente não possui ainda a tal formação superior é de onde vem o afago, a mão amiga, o reconhecimento, enfim a demonstração de racionalidade, foi por isso que chorei, e como chorar me fez bem, deixou meu espírito entendendo que simplesmente “as rosas não falam, simplesmente as rosas exalam o perfume que roubam de [...]”, e que como diz o ditado, “aqueles que estão aí  atrapalhando meu caminho passarão, e eu passarinho”. Agora que o choro e a emoção me fizeram bem, não resta a menor dúvida e, se fosse preciso chorava de novo. AMÉM.

Suamy Lacerda, é prof. de História.

sábado, 19 de novembro de 2011

Vamos juntar os cacos de Rondônia de novo.


Rondônia Despedaçada


Professor Nazareno*
           
             
             O nome de Rondônia (ou Roubônia) nunca foi bem visto no restante do país, mas desta vez a situação piorou. A frágil, desacreditada e ridícula imagem do Estado está despedaçada, de novo. Ainda assim, é possível que o majestoso trabalho da Polícia Federal possa estar eivado de equívocos uma vez que as pessoas envolvidas ou presas até agora na Operação Termópilas são de ilibada reputação e competência junto à opinião pública. Valter Araújo, Presidente da Assembléia Legislativa do Estado de Rondônia, por exemplo, é cristão evangélico, um homem religioso e de boa índole, por isso jamais se envolveria em ilicitudes. A Deputada Estadual Epifânia Barbosa do PT é totalmente inocente e mesmo que não fosse, o seu partido a inocentaria como já o fez com o Secretário de Saúde depois que ele foi preso e indiciado pela Polícia Federal. Não entendi por que pairam suspeitas contra tantas pessoas boas. Deve ser engano. Um monte de gente presa e tendo suas vidas vasculhadas. O que eles fizeram de errado?
                  Nesta confusão toda, acho que o único culpado sou eu, Professor Nazareno. Devo declarar publicamente que cometi várias irregularidades nos últimos tempos. Não, não me envolvi em desvios de verbas do SUS, mas sou responsável por coisas bem piores. Vou confessar: apoiei o humorista Rafinha Bastos quando ele disse que o povo de Rondônia era feio. Uma declaração absurda. Feriu o nome do Estado. Denegriu a imagem que tínhamos no restante do país. Quando a revista Época esteve aqui e a repórter Eliane Brum “detonou” a cidade de Porto Velho dizendo que era um lugar sujo e imundo, eu, de forma até criminosa, dei apoio à jornalista. Meu Deus, que crimes bárbaros eu cometi. Perdão, Rondônia. Perdão, rondonienses, eu não devia ter feito isso. Além do mais eu disse certa vez que as Três Caixas D’água, o bonito e imponente símbolo de Porto Velho era feio. Disse também, durante as festas juninas, que a quadrilha da Assembléia Legislativa era a mais sofisticada daqui. Que horror. Menti!
                  Afirmei que em Rondônia não existe cultura própria e que o Carnaval devia ser proibido. Crimes inafiançáveis. Prisão perpétua para mim. Sou culpado. Uma heresia. Falei mal várias vezes do carnaval fora de época. Critiquei a construção das hidrelétricas dizendo que vão gerar energia boa e barata para o restante do país enquanto nós convivemos com os apagões diários e os desastres ambientais. Chamei o Hospital João Paulo Segundo de açougue e disse que ele havia se transformado recentemente em um “Campo de Extermínio de Pobres”. Santo Deus! Por que eu disse isso?  Cadeia para mim. Sou um crápula, um pulha, um rebotalho, um caniço pensante, um paraibinha metido a besta, um morto de fome, um professor aloprado, um canalha, um imbecil. A Polícia Federal devia vir à minha casa e revistar tudo, fazer uma devassa. Eu sou culpado. Outro dia blasfemei contra Papai Noel, o bom velhinho, chamando-o de pedófilo. Quero a saída do Januário da Unir e participei da “Marcha dos 104 zeróis”.
       Não mais me olharei no espelho de tanta vergonha, pois disse que o Brasil é um país de “jecas” e que esta nação vai terminar como feira de maxixe: tudo lascado em cruz pelo fundo. Admiti publicamente que a corrupção na sexta potência econômica do mundo não acabaria tão cedo, já que passa literalmente de pai para filho. Sei que ninguém terá piedade de mim. Outra vez disse que a Assembléia Legislativa do Estado de Rondônia era um ninho de ladrões quando na verdade aquilo é um lugar quase santo, um oásis num deserto de lama. Não votei nas eleições do Sintero e não acredito nestas eleições para Diretor das escolas. Ainda pesa contra mim o fato de eu ter acertado, com antecedência, o nome desta operação da Polícia Federal. Na redação do Enem eu quase acerto o tema. Um escândalo. Sou um idiota e mereço punição, já que não costumo levar humoristas a sério, apenas os políticos. Como eu tenho manchado o nome deste Estado com os meus escritos. Rondônia e os rondonienses merecem respeito e eu não soube fazer isto. Por favor, caros leitores, peço-lhes publicamente perdão pelas minhas idéias. Quanto ao pequeno probleminha do desvio de recursos do SUS na ordem de 120 milhões de reais para a Saúde do Estado e de tantas outras falcatruas e roubalheiras com o dinheiro público, o nosso dinheiro, não se aflijam: é algo passageiro e sem a menor importância. O tempo se encarregará de apagar estas pequenas tolices de nossas mentes.





*É Professor em Porto Velho.


terça-feira, 15 de novembro de 2011

Atenção garotada do João Bento: isto interessa a vocês! querem acabar com o Projeto Terceirão.




Receita de Pirarucu de Casaca



Ingredientes:
 
1 quilo de pirarucu seco;
1 quilo de farinha de mandioca tipo Uarini (no Rio é conhecida como farinha d’água; se não achar, pode ser retirada da receita)
2 vidros de leite de coco pequenos;
6 ovos cozidos 200 gramas de azeitonas;
700 gramas de ervilhas;
2 bananas da terra fritas em rodela;
Molho;
4 tomates;
2 cebolas;
1 porção de cheiro verde;
2 colheres de chá de sal;
2 colheres de chá de colorau;
1 copo de água;
1 xícara de azeite de oliva.



Modo de Fazer


         Frite o peixe e depois desfie. A farinha deve ser misturada ao leite de coco, com cuidado para não ficar nem muito seca nem muito molhada. Para o molho, separe uma frigideira grande e ponha o azeite de oliva. Depois de quente, despeje as cebolas e deixe dourar com colorau.
        Em seguida acrescente o tomate. Refogue com água e sal a gosto. No final, ponha o cheiro verde. Ingredientes preparados, é hora do grande segredo do prato a arrumação. Os ingredientes são colocados em camadas, um a um. Primeiro o molho, depois a farinha, depois o pirarucu, a banana, e assim por diante. Depois das camadas prontas, leve ao forno por 20 minutos. Aí é só enfeitar e servir. 

        O pirarucu pode ser substituído pelo bacalhau, pescada ou peixe pedra, todos salgados.


E eu marchei contra a corrupção!




Protestos: a saga dos 104 “zeróis”


Professor Nazareno*
           
             
       A Marcha contra a Corrupção, edição Rondônia, terminou em “beiju de caco”. O dia 14 de novembro, mais um feriado segundo os padrões rondonienses, seria o marco histórico dos protestos que mudariam o Estado e o país. Cento e quatro pessoas contadas a dedo, a maioria estudantes e professores da Unir que estão em greve há exatos dois meses. Não fosse isso, teríamos não mais do que duas ou três dezenas de manifestantes que enfrentaram o sol escaldante e um calor muito superior aos 40 graus para gritar palavras de ordem no meio da rua. À medida que o tempo passava, alguns bêbados, desocupados e moradores de rua se juntaram à manifestação que chegou ao final a somar pelo menos umas 140 pessoas. Isso mesmo: exatos 0,1 por cento do total que a banda-do-vai-quem-quer coloca nas ruas em fevereiro para pular o carnaval.
      Provavelmente nenhum dos muitos primatas que brincam o carnaval estava ali para se manifestar contra a roubalheira na política. Cheguei às três e meia da tarde e não vi distribuírem cachaça, maconha ou qualquer outra droga para animar as pessoas como costumeiramente fazem em outras ocasiões. Só água mineral mesmo. Ironicamente o trajeto percorreu em sentido contrário o caminho da famosa banda e de outras comemorações inúteis. O trânsito fluía normalmente e as pessoas, que olhavam perplexas “aquela deprimente passeata”, estavam todas espantadas como galinhas quando vêem cobra. “É uma procissão? Cadê o santo? Hoje é dia de quê mesmo, maninha?”. Perguntavam atônitas algumas senhoras que se protegiam do sol embaixo das marquises das lojas nas avenidas Sete de Setembro e Carlos Gomes no centro.
    Participei de um espetáculo horrendo, maçante, deprimente, vazio e pífio. Tentei me comparar aos 300 de Esparta que há mais de 25 séculos enfrentaram 120 mil combatentes dos exércitos persas de Xerxes na famosa batalha das Termópilas. Mas parece que ninguém se incomodava com aquela patetice explícita. Batendo em bumbos e latinhas, parecíamos zumbis lutando pela causa dos outros. Os nossos gritos de guerra não eram ouvidos por ninguém. Parecíamos São João Batista pregando no deserto. A corrupção parece que não atinge aquelas espantadas pessoas que nos olhavam. Não vi nenhum político participando daquilo. Nem o professor Pantera do PC do B estava presente. Até porque os comunistas não se envolvem em corrupção e são exemplos para o resto do país. Roberto Sobrinho, um vereador, um deputado, um senador, ninguém.
  O aparato de segurança do Estado nem se fez presente. Também não havia a menor necessidade. Como eram poucos os manifestantes, bastava meia dúzia de “coianos” com a sua famosa truculência para resolver qualquer imbróglio. Não me arrependi de ter ido marchar contra a corrupção, pois fiz a minha parte, porém percebi que muitos revolucionários de hoje estão sentados em frente a um computador fazendo a revolução dos teclados e das redes sociais. Já o povo, motivo maior das lutas sociais, está entretido em seus afazeres e se preparando para pular feito macaco nos carnavais que acontecerão naquelas mesmas ruas daqui a menos de três meses. O irônico de tudo isto é que a maioria daqueles manifestantes não precisa de um João Paulo Segundo ou do Estado. Só que é exatamente a corrupção que produz as excrescências públicas.
     Mas o Brasil é assim mesmo. É a Pátria do futebol, do carnaval, dos feriados que não existem, do Luan Santana, da Banda Calixo, do sertanejo universitário, da esquadrilha da fumaça e da pouca ou nenhuma consciência política. Os gigolôs da alienação geral também não estavam por lá. Deviam estar “pensando” em como entreter o povão ignaro com mais circo. A mídia praticamente também não se fez presente. Poucos sites eletrônicos noticiaram o evento. Somente aqueles que ainda não se venderam para a corrupção e para o dinheiro fácil dos donos do poder. Os brasileiros, com a síndrome de galinha (levando no traseiro e cantando), vão às urnas no próximo ano eleger mais uma penca de políticos desonestos que surrupiarão ainda mais seus minguados recursos. A corrupção é um ciclo sem fim. Um dos panfletos da marcha dizia: “você faz toda a diferença neste movimento de cidadania, seja para melhorar ou para piorar”. Mesmo sendo a semente, o começo da luta pela conscientização política deste povão broco e com um princípio de insolação, desta vez foi para piorar mesmo.





*É Professor em Porto Velho.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Nem Hitler agiu assim com os judeus!




Nosso Auschwitz rondoniano


Professor Nazareno*

             
      A recente notícia veiculada nacionalmente informando que o Hospital João Paulo Segundo de Porto Velho é o pior hospital de pronto-socorro do Brasil pode não ter causado muito espanto na comunidade rondoniense. É tanta desgraça que acontece neste Estado e nesta cidade que já estamos nos acostumando a tudo isto. Mês passado foi o Instituto Trata Brasil que constatou ser esta capital a cidade mais suja e imunda do país com raros 1,2 por cento de saneamento básico e menos de três por cento de água tratada, mesmo sendo margeada por um dos maiores rios de água potável do mundo. Aqui só falta uma chuva de fezes para completar o quadro de mazelas sociais impostas à população, principalmente aquela fatia menos privilegiada. A conta da construção das hidrelétricas está começando a chegar. Mas quem são os culpados por tudo isto?
         A culpa é toda nossa enquanto sociedade. O poder público tem, obviamente, uma grande parcela de responsabilidade, talvez a maior, por mais esta vergonha, mas somos nós os mortais comuns e pagadores de impostos que fornecemos o combustível necessário para o aumento desta desgraça neste início de milênio. O nosso silêncio é mortal para os que precisam daquilo. Muitos de nós fazemos de conta que o Hospital João Paulo Segundo nem existe, pois nos protegemos vergonhosamente com os nossos planos de saúde particulares. “Se eu não sinto o problema, faço de conta que o caso não é comigo”. O choro dos desesperados e dos que perdem seus entes queridos em condições subumanas não nos incomoda nem nos afeta. Nem parece que aqueles cidadãos são seres humanos, eleitores e pagadores dos mais altos impostos do mundo.
        O que todos enquanto sociedade e poder público estamos fazendo com os nossos pobres, com os pobres de todo o Estado de Rondônia, é muito pior do que aquilo que Hitler fez com os judeus durante o Holocausto na Segunda Guerra Mundial. O tirano nazista nunca mentiu nem foi hipócrita com as suas vítimas. Nunca escondeu do mundo, nem dos próprios judeus, quais eram as suas intenções para quem não se enquadrasse nos ideais absurdos do Estado alemão. Quem pôde saiu o mais depressa possível e salvou a própria pele. Nós nunca dissemos para os nossos pobres, para os pobres de Porto Velho e de Rondônia, nem para aqueles que não podem dispor de um bom plano de saúde, e que por isso estão lá jogados, que o que temos a lhes oferecer é apenas a falta de dignidade, de humanidade, os maus-tratos, o chão frio, o sofrimento, a morte.
        O que nós fazemos com os nossos pobres é muito pior do que aquilo que a Igreja e a elite branca fizeram com os escravos em séculos passados. Quem nascia negro pelo menos era informado que “nem alma tinha” e por isso muitas vezes até se conformava com o destino de sofrimento. Estamos fazendo com os nossos deserdados pior do que os brancos europeus fizeram com os africanos no neo-colonialismo. Por que os vários governos que conviveram e convivem com o problema nunca encontraram uma solução? Por que desses miseráveis só interessa o voto em época de eleições? Autoridades, classe política, Poder público, sociedade civil organizada, todos devíamos tomar vergonha na cara e dar satisfação ao Brasil e ao mundo. Todos devemos governar para o bem daqueles quem nos elegeram e, por falta de opção, nos elegerá futuramente.           
De que adianta ser a sexta potência econômica do mundo e ter de conviver com estas desgraças? Juro que queria ser a última, mas não gostaria de possuir um Hospital João Paulo, uma Unir em greve, uma Porto Velho suja e imunda, uma sociedade hipócrita e mergulhada no caos e na corrupção. Somos os responsáveis por um povo que lota as ruas com 140 mil pessoas numa banda de carnaval, numa passeata gay ou numa Marcha para Jesus e não conseguimos mobilizar ninguém para reivindicar saúde ou educação públicas de qualidade. Os gigolôs da miséria e da alienação geral devem ter bons planos de saúde, as autoridades e os políticos de plantão também, por isso  levamos a sério humoristas bobos e suas piadas idiotas em vez de nos preocupar com os problemas sociais que tanto denigrem a nossa imagem lá fora. A fumaça que exalava dos fornos crematórios em Auschwitz, Birkenau, Treblinka e Sobibor incomodava os não judeus enquanto o cheiro de sangue pisado e de carne crua que exala da Avenida Campos Sales, na Zona Sul de Porto Velho, nem penetra nas nossas hipócritas narinas. Diante disso, ter vergonha de ser rondoniense e brasileiro devia ser algo normal para quem nada faz. Somos monstros insensíveis que não aprendemos nada com Auschwitz.






*É Professor em Porto Velho.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

O nosso nome está mesmo correto?



Siglas e nomes errados em Rondônia


Professor Nazareno*

             
          Já ouvi muita gente de respeito dizer que o Acre, o nosso querido Estado vizinho, não existe e que já deu muito prejuízo ao Brasil, pois fora trocado com os bolivianos por um pangaré reumático e desdentado. Seguindo esta lógica maluca, tenho certeza de que Rondônia também não existe. E se de fato existe, é uma espécie de “segunda pessoa do quase nada” dentro da realidade brasileira. Sou rondoniano há 32 longos anos e tenho observado sem nenhum interesse, apenas pela curiosidade, que coisas muito estranhas acontecem por aqui na hora de se colocar nomes nos lugares, pessoas, eventos ou instituições. Parece que essa falta de lógica é um mal verificado no Brasil inteiro, porém com traços muito característicos nestas terras que muitos insistem em dizer que são de Rondon. Contradições e esquisitices são observadas em quase tudo. Sempre reclamei do nome estranho e às vezes engraçado de muitos dos meus alunos. Alguns parecem que retirados de latas de goiabadas ou mesmo de bulas de remédios.
      Rondônia tem 52 municípios e não 53 como acreditam muitos moradores de Extrema, dois anos após a desnecessária votação para emancipar aquele charmoso distrito. E Cacoal é um deles. Uma linda cidade, mas com um nome errado. Cacaual seria o correto, assim consta em todos os dicionários da Língua Portuguesa. O nome equivocado também está escrito no brasão e na bandeira municipal. “Uma plantação considerável de cacaueiros, dispostos proximamente entre si” não é e nunca foi um Cacoal. Cacau para aqui, cacau para lá e o progressista município é a “Capital do Café”. Cafezal, então. Outro caso bisonho de erro acontece com Candeias do Jamari. Como quase todo mundo sabe Jamari é um rio, só que está a mais de 20 quilômetros distante do centro desta belíssima cidade que é cortada e margeada, aí sim, pelo rio Candeias. Por que Candeias é do Jamari se está ali bem ao lado do formoso rio Candeias? Alguém sabe explicar? Conclusão: essa bela cidade não é do Jamari, mas do Candeias mesmo.
         Na área cultural, também é um desastre quando se deseja nomear algo em Rondônia. A sigla ou o nome da Universidade Federal de Rondônia, única universidade pública do Estado, é ironicamente, Unir. Não aparece a letra “F”, mas é federal, pois todos juram. Naquele ambiente que se diz “superior”, além de faltar uma letra, falta também muita união e competência. Desmandos, sujeiras, lixos, monturos, ratazanas, roubalheiras, brigas e outros afins é tudo o que se observa. Dizem que essa Unir é tão suja que mais se parece com a cidade de Porto Velho. Na (a) Fundação Rio Mar, onde dizem haver muitos “outros tipos” de sujeira, detectamos também sérios problemas com a sigla e o próprio nome desta imponente instituição. Fala-se que o correto é Fundação Rio Madeira. Não entendi mais nada. Por que Rio Mar se este é o apelido do rio Amazonas e não do Madeira? O ideal, para se evitar mais confusão, seria Universidade Federal de Rondônia, UFRO e pronto. E com ou sem sujeira, Fundação Rio Madeira.
         Já a Caerd, que ninguém sabe para que serve, uma vez que em Porto Velho não existe nem água tratada nem esgoto, deveria ser rebatizada para Caero já que a sigla de Rondônia é Ro e não Rd. No comércio da capital a confusão continua: uma  conhecida loja de eletrodomésticos se chama Romera. Nada a ver com romaria nem com Roma. Esse nome também não consta em nenhum dicionário que se conheça. Mas se algum fazendeiro ou agropecuarista quiser comprar algo para a sua fazenda ou o seu rebanho, não adianta ir a uma famosa loja chamada Agroboi. Lá só se vendem materiais de construção. Sem ter um único pé de cacto ou de maracujá na cidade, as duas maiores festas folclóricas daqui foram batizadas com estes nomes exóticos. A Catedral Metropolitana de Porto Velho, que em 2005 encenou o “Terror na Catedral”, se chama Sagrado Coração de Jesus, mas a padroeira é Nossa Senhora Auxiliadora. O marco inicial da cidade de Porto Velho está isolado, quase dentro do mato mesmo, entre um cemitério e uma barragem e num raio de sete quilômetros dele não há cidade alguma.
         Uma das mais importantes ruas da cidade, que foi doada ao Governo Federal, se chama Migrantes, Imigrantes ou Costa e Silva. A atual BR-319 era Avenida Jorge Teixeira e que já foi Avenida Kennedy. Como muitos porto-velhenses têm mania de grandeza, bairro Alphaville tem uns três na cidade, mesmo com muita lama e sujeira. O teatro estadual, que ninguém sabe quando vai terminar, deveria se chamar Rafinha Bastos. Idaron, embora pareça masculino e inicie com a letra "I" é uma agência e está no feminino. A nova sede administrativa do Estado, que tem prédios construídos na forma das letras I e C de Ivo Cassol, o do Império da Roça, duvido que seja chamada de C.P.A.  Aqui ninguém sabe onde começa nem onde termina um bairro. A famosíssima e badalada danceteria Papo de Esquina não se localiza em uma esquina. A bucólica localidade de Calama tem seu nome que ninguém sabe de onde se originou nem o que significa. Deve ser por tudo isso que muitos brasileiros confundem Rondônia com Roraima. E já que o politicamente correto agora é chamar toda e qualquer favela de comunidade, entende-se por que o único nome adequado nesta confusão toda é o da nossa cidade: um porto muito velho mesmo situado num barranco sujo e fedorento que dá nome ao lugar. Estou confuso: será que o meu nome é mesmo Professor Nazareno?





*É Professor em Porto Velho.

sábado, 5 de novembro de 2011

O Brasil potência? Verdade?




Brasil: a primeira potência sem futuro


Professor Nazareno*
           
           
Segundo projeções do FMI, Fundo Monetário Internacional, e de várias agências financeiras internacionais, a partir de 2011 a economia do Brasil superará o Reino Unido e colocará o nosso país como a sexta potência econômica do planeta. Devido à prolongada crise financeira na Europa, no final de 2010 já superávamos em números absolutos o PIB da Itália e segundo ainda estes organismos, em menos de três anos superaremos a toda poderosa França. Em 2020, portanto muito próximo já, nenhuma economia da Europa será maior do que a do Brasil e certamente de acordo ainda com as mesmas projeções, estaremos entre as três potências econômicas do mundo ao lado de emergentes como China, Índia, Rússia e México. Claro que é um excelente desempenho para uma nação que sempre viveu dependendo da comunidade financeira mundial.
Só que esses números garbosos de prosperidade param por aí. A ONU divulgou recentemente que em IDH, Índice de Desenvolvimento Humano, o Brasil ocupa uma posição bastante incômoda: estamos em 84º lugar dentre 180 nações pesquisadas. Uma vergonha para um país que se orgulha de ser uma das maiores potências mundiais. Como nenhum de nós, mortais comuns, consegue enxergar toda esta riqueza significa dizer que a monstruosa desigualdade social responde por quase todas as mazelas nacionais. De que adianta sermos em breve a maior potência econômica do mundo se não conseguimos resolver os nossos mais cruciais problemas internos? Viver no Brasil sempre foi muito ruim, mas para os muitos pobres daqui é pior ainda. Quando se olha para um hospital ou uma escola pública, percebe-se por que a desgraça está à espreita.
O Brasil não investe nem nunca investiu o que devia na educação e na saúde de sua população, itens necessários para se avaliar o índice de IDH. A maioria das nossas escolas públicas está podre, caindo literalmente aos pedaços. A educação que se pratica neste país é ridícula e ultrapassada. O “açougue” João Paulo Segundo de Porto Velho, que muitos insistem em chamar de hospital, é o retrato da saúde pública deste país. Praticamente não há uma única cidade brasileira onde a saúde e mesmo a educação funcionem de forma humana. Em quase todas as áreas culturais somos um fracasso. Nunca ganhamos nenhum prêmio Nobel enquanto países vizinhos nossos já foram agraciados várias vezes. Na área de Cinema nunca ganhamos um Oscar e a nossa melhor universidade, a USP, foi apontada recentemente entre as piores do mundo.
Se a situação cultural do Brasil é ruim, a de Rondônia, periferia da periferia da periferia, é pior ainda. Aqui não há produção intelectual nenhuma. Aliás, neste lugar não existem intelectuais. O rondoniense mais sabido que conheço deixa todo dia pela manhã a sua produção intelectual dentro do vaso sanitário. Após a descarga, acaba-se o pensamento do indivíduo. Muitas vezes o cretino nem se limpa. Feito galo, levanta-se e vai comer de novo para “pensar” na manhã seguinte. Quase todos os comentários dos sites eletrônicos locais estão repletos de erros gramaticais. Parece que a Língua Portuguesa é usada em Rondônia como se fosse um simples dialeto. Aqui a pena de morte e os maus tratos contra presos são defendidos de forma aberta até por alguns políticos. Incrível, mas só humoristas neste pedaço de Brasil é que são levados a sério.
O fracasso de Rondônia e do Brasil não combina com o status de potência mundial. Até no futebol deixamos de ser fortes. Nos últimos jogos Pan-americanos de Guadalajara no México, por exemplo, ficamos com um pífio terceiro lugar no quadro geral de medalhas bem atrás de Cuba. A ilha caribenha tem apenas seis por cento da nossa população e nos ultrapassou. Para nos consolar, colocaram um jogador do Santos, Neymar, para concorrer ao lado dos grandes atletas europeus ao prêmio de melhor do mundo. Vamos perder feio. O Santos vai perder para o Barcelona de Messi. O futebol jogado por Pelé sempre foi muito inferior ao de Maradona e praticamente só os brasileiros mais otimistas vêem o contrário. A maioria das nossas cidades não tem saneamento básico e a violência campeia em todas elas. A corrupção tornou-se endêmica no país inteiro. Na maioria dos casos, a nossa Justiça só funciona para os pobres. Vários Ministros de Estado já caíram em menos de dez meses. O ENEM foi fraudado mais uma vez. Só crescemos por causa do fracasso dos outros. Se tivéssemos vulcões, terremotos, nevascas ou outras catástrofes climáticas seríamos muito pior do que Sudão, Haiti ou Somália. Status de potência só por enquanto. Sem educação de qualidade e sem planejamento como segurar por muito tempo essa passageira euforia?





*É Professor em Porto Velho.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Rondônia voltando a ser Território?



Rondônia devia voltar a ser Território


Professor Nazareno*

            
           No cenário nacional, que já é uma grande porcaria, Rondônia não representa absolutamente nada. Deve constar nesses manuais de turismo que se trata de uma província atrasada, velha e sem futuro. Localiza-se no fim do Cerrado e começo da Amazônia, ou vice-versa, e por isso mesmo não é uma coisa e nem outra, pois está  imprensada entre o Mato Grosso e a Bolívia. E isso é fato, pois com uma área geográfica menor do que três por cento do total do Brasil, com 0,8 por cento da população nacional e menos do que isso de participação na parcela do PIB, muita gente otimista e desinformada ainda insiste em chamar este inútil espaço geográfico de Estado. Antes de ser Território Federal por 38 anos, isso aqui pertencia às terras do Mato Grosso e do Amazonas e sempre para atender às necessidades dos outros, foram redesenhando o lugar conforme gosto e interesses alheios. Primeiro, foi Território do Guaporé, pouco tempo depois Território de Rondônia e por fim, Estado de Rondônia.
            Por conta destes números estatísticos pífios e totalmente desprezíveis, a pomposa transformação do antigo Território de Rondônia em Estado há exatos 30 anos deveria ser repensada. Além de servir como uma espécie de castigo para os rondonienses que lutaram pela emancipação política e que depois não souberam administrar corretamente as suas terras, o fato poderia trazer inúmeros benefícios para todos os habitantes locais. A começar pelo excelente motivo de não termos uma Assembléia Legislativa. Mas que maravilha e quanto dinheiro poupado: nos Territórios não havia Assembléias Legislativas e por isso não tínhamos passado o vexame de ver escândalos divulgados nacionalmente como a Operação Dominó da Polícia Federal. Uma terra sem nenhum Deputado Estadual é o protótipo do paraíso, uma espécie de Éden. Senadores, nenhum. O Brasil jamais saberia que por aqui alguns tipos de políticos ainda defendem de forma medieval o uso de chicotes para punir presos comuns.
            Outra coisa muito boa também seria o fato de não termos o desprazer de possuir uma universidade federal como a Unir. Talvez tivéssemos extensões das boas universidades do país uma vez que lugares exóticos sempre interessam a universitários. Teríamos também bem menos feriados, já que os rondonienses comemoram o dia do seu Estado em duas datas. Em vez de 22 de dezembro e 04 janeiro, apenas o 13 de setembro. Duvido que como um simples Território, o restante do país se interessasse por fazer hidrelétricas para estuprar o nosso já combalido meio ambiente. A capital, infelizmente, seria ainda Porto Velho, que foi apontada recentemente pelo Instituto Trata Brasil como a cidade mais suja e imunda do país com apenas 1,2 por cento de saneamento básico e menos de 3% de água tratada. Com a “elevação” do Estado à condição de Território, o futebol vibrante que tínhamos antigamente voltaria a encantar os torcedores. Com menos gente nas ruas, trânsito caótico e violência, nem existiriam.
            Na onda do politicamente correto de que quanto menor o número de políticos, melhor para todos, só elegeríamos dois Deputados Federais. Nada de aumentar, a contragosto da população e com a estranha conivência do Poder Judiciário, o número de deputados ou vereadores. O Governador, mesmo numa democracia, escolheria o Prefeito da Capital: “Não concluiu todas as obras que prometeu, troca-se por outro que cumpra”. Poderíamos seguir as mesmas leis da Constituição Federal e a TV Allamanda, por exemplo, que não existia na época do Território, não poderia censurar nenhum jornalista apenas por conveniência própria, já que a liberdade de expressão é comum no Brasil inteiro. Talvez nem tivéssemos um Hospital como o João Paulo Segundo com as suas terríveis cenas de filme de terror de quinta categoria. O ruim disso é que nenhuma emissora de televisão de fora poderia noticiar o que todo mundo já sabia. Não teríamos também o arraial Flor do Maracujá nem os malditos carnavais fora de época. Até o salário dos professores era infinitamente maior naquela época e todo mundo sabe disto.
No Território, mesmo com incentivos oficias como na época do saudoso Teixeirão, as queimadas diminuiriam, a poluição seria menor e não haveria tanta ganância por terra e por gado para abastecer de carne boa e barata o restante do país. Poderíamos até pescar Jatuaranas no Cai N’água e com toda a certeza nem presídios federais teríamos. Os piores bandidos do Brasil ficariam por lá mesmo. “Rondônia, uma estrela a menos no azul (ou acinzentado céu) da União” seria o bordão cantado por todos. O hino, embora feio e sem graça, poderia ser o mesmo que sempre se cantou por estas bandas. Ou então adotaríamos “Novos Céus” do professor Carlos Moreira. Seríamos bem mais felizes. Por isso, deveríamos lutar para que Brasília nos adotasse por mais um tempo. Como Território, seria normal que políticos vindos de fora e alheios à nossa realidade nos administrassem. Na próxima reforma da Constituição, os nossos políticos deveriam propor esta mudança para o bem de todos os que nascemos aqui ou adotamos esta maravilhosa terra para viver. “Queremos voltar a ser Território”.






*É Professor em Porto Velho