domingo, 18 de abril de 2010

Você confia em propagandas? CUIDADO!


O Poder da Propaganda Enganosa


Professor Nazareno*


O Código de Defesa do Consumidor proíbe expressamente as modalidades de propagandas enganosas e abusivas. Propaganda enganosa é crime e sujeita o infrator a uma pena de detenção de três meses a um ano e multa (a mentira já começa aqui, pois ninguém nunca foi preso por isso). Incorre na mesma pena o agenciador ou criador da mesma. Diz-se nas linhas do referido Código que se deve distinguir a propaganda enganosa da abusiva. Esta é mais grave, pois induz o consumidor a se comportar de forma prejudicial. São propagandas que incitam à violência, desrespeitam valores ambientais, exploram o medo do consumidor ou se aproveita da deficiência de julgamento ou inexperiência das crianças. A mídia parece nem questionar isso, apenas veicula qualquer imagem.

Diariamente vemos essas mentiras serem veiculadas sem nenhum critério. E o pior é que se tem observado que cada vez mais os políticos se aproveitam desse poder e não medem esforços para turbinar suas campanhas eleitorais. Difícil ter um Governo que não crie slogans, geralmente falsos e hipócritas, para enganar os trouxas por este Brasil afora. Em Porto Velho, Roberto Sobrinho diz que a cidade é de todos, embora só ele e sua trupe a administrem, e mal. Cassol, ex-governador, passou sete longos anos mandando e desmandando em Rondônia como se fosse o seu feudo e ainda fazia com que os incautos acreditassem que “Trabalho e Respeito” era a máxima que tinha que ser seguida por todos. Saiu foi aplaudido.

Tudo mentira. Tudo lorota. Tudo conversa fiada. A própria Assembléia Legislativa do Estado de Rondônia também criou a sua frase de efeito para enganar os otários. “Sou daqui e exijo respeito”. Como se legislar sobre “defecar em rodoviárias” e induzir o povo a acreditar que havia mesmo dinheiro sendo devolvido ao Executivo fossem coisas verdadeiras. Desde quando enganar a fé pública é respeitoso? Por não ter capacidade de compreender fatos, nem leitura de mundo apurada, o povo é o grande culpado de isto acontecer freqüentemente. Alguém no Brasil, por exemplo, já questionou qualquer tipo de propaganda na área política? Todos sempre engolimos a seco estas mentiras travestidas de verdades.

A propaganda enganosa é incrível e geralmente convence a todos. Depois dos lamentáveis e desastrados episódios de “spray de pimenta” a COE, com o nosso dinheiro, veiculou nos principais sites e na mídia local, propagandas mostrando o “lado romântico, fraterno e humano” da corporação. Antes de aumentar os preços nos garrafões de água mineral em Rondônia, as empresas do ramo fizeram circular na mídia uma matéria, mentirosa, claro, dando conta de que a água consumida aqui é a mais pura e limpa do mundo. Se a propaganda é a alma do negócio, como entender que em Porto Velho se compra material de construção numa casa com nome de Agroboi? E a loja Romera é de Roma ou romaria?

A Ditadura Militar dizia que “este é um país que vai pra frente!” embora o Brasil caminhasse a passos largos para trás. As hidrelétricas do Madeira juram que o progresso é realidade por aqui, mas não dão um pio sobre os empregos apenas temporários, a energia que vai para fora do Estado e os incontáveis desastres ao nosso ambiente. Nunca falaram da ressaca pós-usinas. Nós próprios acreditamos que Rondônia seja um lugar bom para se viver e que os seus símbolos representam o que há de mais belo e encantador no mundo. E o município de Extrema, mentira maior do que esta? Se aqui é o céu como dizem as propagandas, nada mais a fazer. Basta sentar, se acomodar como um legítimo beiradeiro e apreciar o Éden, o eldorado em que nos fizeram acreditar. “Me engana que eu gosto.”


*Leciona em Porto Velho na Escola João Bento da Costa.

2 comentários:

Arthur Alves disse...

Ainda não perceberam?
é um complô internacional e todos estão envolvidos! ¬¬

Karla disse...

A ressaca não virá apenas "pós-usinas". Ela já é uma realidade (mas nós avisamo desde o início!). Os direitos dos trabalhadores são constantemente esmagados pelas empresas. Sem contar as condições de trabalho! Como se não bastasse, recentemente faleceu um funcionário: http://www.rondoniaovivo.com/news.php?news=65357

Quero ver quem vai se responsabilizar por isso... Se é que vão!