quarta-feira, 24 de abril de 2019

Fora, usinas do Madeira!


Fora, usinas do Madeira!


Professor Nazareno*

            Outro dia ouvi falar que o governo federal está querendo construir duas grandes hidrelétricas na calha do rio Madeira em Rondônia. Uma será logo aqui na cachoeira de Santo Antônio e a outra no Jirau, região de Jaci-Paraná. Sou contra estas duas obras, pois não vejo nenhum benefício que as mesmas trarão para este Estado. Não podemos entregar “de mão beijada” as nossas riquezas naturais para produzir energia boa e barata para outros Estados da federação sem sermos devidamente compensados por isso. O rio Madeira além de ter uma beleza selvagem indescritível, é um verdadeiro santuário para vários tipos de peixes assim como infinitas outras espécies da fauna amazônica e com a construção de hidrelétricas em seu leito, toda essa biodiversidade estará correndo sérios riscos de extinção. Se possível faço até greve para evitar esses dois empreendimentos.
            A população de Rondônia está ensandecida com a possibilidade de se construir essas duas obras. Em Porto Velho não se fala de outra coisa. E quase 100% dos moradores querem essas construções. “Hidrelétricas, já!” É o mantra que mais se ouve aqui. Os comerciantes estão eufóricos. Já prometeram até construir um Shopping Center na cidade. Será ali na Calama com a Rio Madeira. Rádios, jornais, televisões, enfim, toda a mídia não veicula outra coisa que não seja o imediato início dos trabalhos no rio Madeira. “As hidrelétricas trarão o progresso para esta sofrida região!”, falam à boca miúda os políticos. Os filhos da terra e também aqueles “filhos de coração” apregoam que “pobreza por aqui, nunca mais!”. Muitos dizem que a partir dessas construções, a energia elétrica em Rondônia terá apenas uma taxa simbólica. Ou talvez seja de graça.
            Como sou teimoso, continuo sendo contra essas hidrelétricas e ainda digo que a corrupção vai comer solta. Muito dinheiro será desviado para os corruptos daqui e os de fora. O Brasil não gosta de Rondônia e quer apenas explorar o seu já combalido meio ambiente. “Parem com esta asneira”, grito sem ser ouvido. Depois que estuprarem este rio, as madeiras não mais descerão em seu leito descaracterizando-o completamente. Não vale a pena. Enchentes grandes poderão ser uma constante se isto for feito. “Não se brinca com a natureza, impunemente”, tento alertar. Além do mais, a cidade de Porto Velho ficará eternamente sob a possibilidade de desaparecer do mapa, caso haja o rompimento de uma dessas barragens. Muitas espécies de peixes serão extintas. E o ouro que há nessas cachoeiras ficará com quem? O rio será todo assoreado a jusante.
Isso sem falar que haverá uma enxurrada de peões e capiaus que em nada vai contribuir para o verdadeiro progresso dessa cidade. Quase todos vêm e voltam, pois somos uma curva de rio. São os eternos passantes de Rondônia. A violência vai aumentar e os problemas sociais e urbanos se multiplicarão. A energia aqui produzida não vai nos beneficiar em nada, tenho certeza. Será bom somente para os outros Estados e para nós ficarão como sempre só as sequelas no meio ambiente e as desgraças costumeiras como já aconteceu com os outros “ciclos salvadores”. O MP devia fazer algo. A Justiça devia impedir mais este descalabro em Rondônia. A Assembleia Legislativa devia se pronunciar. Os políticos e os outros corruptos ficarão mais ricos ainda. Rondônia não merece passar por esta catástrofe anunciada. Parem já com esta sandice de hidrelétricas. Por que não constroem um novo hospital de pronto socorro?




*É Professor em Porto Velho.

domingo, 21 de abril de 2019

Cinco séculos na merda


Cinco séculos na merda

Professor Nazareno*

O Brasil, como Rondônia, é o suprassumo da bosta. Está fazendo 519 anos. Por incrível que pareça esse país figura desde o final do século passado como uma das maiores potências econômicas do mundo e é atualmente o segundo maior produtor de alimentos de planeta.  Porém, tem uma qualidade de vida sofrível e uma população de quase 215 milhões de pessoas, dos quais mais de oitenta por cento sobrevivem aos trancos e barrancos. São ignorantes, pobres, semianalfabetos, violentos, injustos, sem leitura de mundo e sem conhecimentos. Temos a oitava pior desigualdade social e os nossos miseráveis são “meio que invisíveis” e muito piores do que os da África subsaariana, pois não servem sequer para um espetáculo televisivo. Fomos o último país do Ocidente a libertar seus escravos sem, no entanto, tê-los indenizados corretamente.
Se Pedro Álvares Cabral e a Coroa portuguesa tivessem pensado direito na merda que estavam fazendo lá no longínquo ano de 1500, teriam desviado suas caravelas para descobrir outros mundos melhores. Teriam deixado isso aqui nas mãos dos silvícolas. Talvez hoje estivéssemos vivendo outra realidade bem melhor. O Brasil é uma nação, por incrível que pareça. Só que sempre foi uma chacota nos meios internacionais. Nenhum outro país civilizado do mundo jamais levou isto aqui a sério. Fala-se até que o ex-presidente francês Charles de Gaulle teria dito que “o Brasil não é um país sério”. E não é mesmo. Nunca foi. Para o brasileiro comum o pior inimigo é o próprio brasileiro mesmo. O Brasil é um dos líderes mundiais em violência. São quase 60 mil assassinatos todos os anos. Nas estradas e no trânsito a violência não fica atrás.
Adoramos puxar o saco de outros povos e países como o fez recentemente o nosso presidente lá nos Estados Unidos. Uma vassalagem de envergonhar qualquer um. Parte de nossa soberania foi entregue “de mão beijada” aos norte-americanos sem nenhuma contrapartida dos ianques. Somos campeões em reconhecer nos outros povos uma superioridade que não temos e nem acreditamos que tenhamos um dia. Só produzimos commodities e quando o assunto é educação, por exemplo, somos uma vergonha mundial, um fracasso. Temos um dos piores sistemas de educação do mundo e nunca ganhamos um único Prêmio Nobel. Em nada nos destacamos. Até no futebol, esporte que dominávamos como ninguém, somos agora um humilhante fracasso. E esse retrocesso já acontecia bem antes dos 7 X 1 de 2014. Até a Bélgica nos ensina futebol.
Com um PIB entre os dez maiores do mundo, conseguimos ter mais de 20 milhões de pobres e miseráveis. Nossos desempregados beiram hoje a estratosférica marca de 14 milhões de trabalhadores. Se o mundo fosse o corpo humano já se sabe qual parte seríamos. Não temos infraestrutura, nossos portos, estradas e aeroportos estão destruídos e sem nenhuma competitividade. Somos desorganizados e quando sediamos eventos internacionais como Olimpíadas e Copa do Mundo, roubaram tanta verba que nem a fraca Justiça que temos conseguiu punir todos os ladrões. O Brasil infelizmente é uma piada internacional já pronta. Cabral e seus descendentes deveriam ser processados nas cortes internacionais. Descobrir uma desgraça dessas deveria ter sido um crime imperdoável. Já pensou se fôssemos administrados pela Alemanha, Japão ou França? Acho que nosso país deve ser como a lombriga: “se sair da merda, morreremos todos”.




*É Professor em Porto Velho.

sexta-feira, 19 de abril de 2019

Nem direita nem esquerda


Nem direita nem esquerda


Professor Nazareno*


O Brasil da atualidade está dividido politicamente. De um lado, a esquerda e os esquerdistas defendendo o “Lula Livre” e ainda se lamentando do golpe sofrido por Dilma Rousseff em 2016. Do outro, os coxinhas, reacionários e direitistas que se juntaram à extrema-direita para tecer loas ao “Mito” e ao atual governo de plantão. No centro e tomando nele, fica o povão, que não sabe o que é direita ou esquerda e que sofre as agruras ditadas pelos “donos” do poder. Ambos os defensores deste ou daquele sistema social e político estão errados se levarmos em conta a triste realidade do Brasil em seus quase 520 anos de História. Nosso país foi governado 506 anos pela direita e “somente” 13 anos pela esquerda. Em 2019, inicia-se um governo da extrema-direita e como sempre prometendo “mundos e fundos” para os brasileiros mais carentes e pobres.
Todos eles, tanto direitistas quanto esquerdistas só pensam neles próprios. O Brasil de hoje tem uma das maiores desigualdades sociais o mundo e segundo cálculos otimistas, conta com uma população de quase 20 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza e na miséria total. Isso num país que é o segundo maior produtor de alimentos, tem as maiores extensões de terras agricultáveis do planeta e é um dos maiores produtores de commodities que se conhece. O Brasil alimenta o mundo inteiro com a sua enorme produção agrícola, mas é incapaz de matar a fome de seus famintos e miseráveis. É como disse o jornalista Diogo Mainardi: “o Brasil não tem partido de esquerda, de direita, de nada. Tem um bando de salafrários que se reúnem para roubar juntos”. Já pensou se o PT e seus asseclas tivessem nos governado durante 506 anos?
O brasileiro, de um modo geral, não tem ideologia nenhuma. A maior luta ideológica por aqui sempre foi roubar o Erário e ficar rico à custa do povo sofrido. Poucos governantes pensam no benefício da nação como um todo. Governar no Brasil tem sido sinônimo de enriquecimento ilícito e de divisão unilateral dos recursos do país. Partidos políticos e outras agremiações são fundadas para se apoderar, em tese, de uma riqueza que poderia nos proporcionar uma nação bem menos injusta sem pobres ou miseráveis. Como pode este país figurar entre as dez maiores potências econômicas da atualidade e ter um IDH não compatível com toda esta riqueza? Nossa educação, nosso sistema de saúde e toda a nossa infraestrutura poderia ser melhorada com este alto PIB. Em meio a tanta riqueza, uma população inteira de pobres e excluídos anda desolada.
Nem Lula, nem Dilma, nem Haddad, nem o PT resolveram nem vão resolver os problemas dos brasileiros. Assim como o Bolsonaro, seus filhos, o Sérgio Moro, o Mourão e o PSL também não vão resolver coisa alguma. Mesmo que pudessem, eles não quereriam. Ciro Gomes, João Amoedo e tantos outros, idem. Todos estão ricos, poderosos, famosos e assim vão continuar. Todos os políticos, com raríssimas exceções, estão preocupados é com as suas fortunas, lícitas ou ilícitas. E o pobre que “continue pastando” se quiser colocar comida em sua mesa, se quiser criar seus filhos. Para muitos destes políticos, infelizmente, o Brasil e os brasileiros são apenas um mero detalhe na paisagem. Discutir questões morais e religiosas num país de famintos e semianalfabetos é uma ironia infame. Quem quer saber de censura, de tortura, de direita, de esquerda, de STF, de Previdência ou outra coisa se o alimento não lhe chega à mesa?




*É Professor em Porto Velho.

domingo, 14 de abril de 2019

Nietzsche foi um idiota!


Nietzsche foi um idiota!


Professor Nazareno*


Desculpem-me, mas não sei mesmo quem foi esse tal de Nietzsche. E sempre me orgulhei disso, dessa minha “alegada ignorância”. Esse sujeito deve ter sido mais um desses comunistas de araque sem nenhuma importância para a História da humanidade. Em nada contribuiu para o conhecimento dos seres humanos. Acho que foi ele quem inventou a chamada Evolução das Espécies. Acho que ele era cubano, nicaraguense, boliviano ou venezuelano para falar tantas bobagens. Nunca entendi por que tantas referências a ele. O mundo evolui e com ele as ideias. E precisamos de uma vez por todas ensinar de agora por diante aos jovens brasileiros a importância de personalidades importantes para a história do conhecimento e que mudaram o mundo. Olavo de Carvalho, do Brasil, é uma dessas figuras que marcarão para sempre as nossas mentes.
Muitos dos atuais professores de História precisam rever seus conceitos, todos já devidamente ultrapassados. O Nazismo, por exemplo, foi um movimento de esquerda, que tentava conquistar aquele mundo incauto. E quase conseguia se não fosse a intervenção pronta e precisa dos eternos donos de tudo, os Estados Unidos da América. Com o mundo liberto das agruras e do sofrimento de ditaduras infames, caminhamos para o progresso e o desenvolvimento. No Brasil tivemos um regime de ampla aceitação popular entre 1964 e 1985. Se houve tortura e censura foi por causa dos insistentes pedidos da maioria da sofrida população. Particularmente acredito que não houve nada de exceção naquela época. Tudo foi dentro das leis e dos regulamentos sociais. Não há um só juiz que tenha discordado daqueles santos métodos de governar. STF, um herói.
Em 1964 não houve golpe nenhum por aqui. E a partir daí, pelo menos até 1985 mel e leite jorraram das ruas. A alegria era geral. O progresso e o desenvolvimento eram uma constante em todos os quadrantes do país. Eleições em todos os níveis, imprensa livre noticiando tudo, alegria nas periferias, êxtase nos quartéis, ninguém sendo obrigado a aceitar o diferente, nada de torturas, otimismo a mil. DOI – CODI era uma espécie de casinha da Barbie aonde muitos gostariam de ir. Acho que foi nessa época que “Cristo aprendeu a subir num pé de goiabeira”. Bons tempos aqueles em que trabalhador pacífico era metralhado com a sua família com 80 tiros e não existia tanto “mimimi”. Bons tempos aqueles em que o mandatário maior da nação podia dar suas opiniões sem ter que ser incomodado por setores inconvenientes da imprensa nacional.
Paulo Freire. Quem foi este imbecil? Quantas pessoas ele alfabetizou em toda a sua vida? Pessoa sem nenhuma importância, não teve o reconhecimento de ninguém, além de poucos petistas e esquerdistas eufóricos. Muitos dos professores de História da atualidade votaram certo nas últimas eleições do Brasil e por isso reconduziram corretamente ao poder alguém de reconhecimento internacional. Jair Bolsonaro coloca o mundo a seus pés com o seu vasto conhecimento e excelente leitura de mundo. Cada declaração dele é uma profecia, uma lição. É um ensino de humanidades, de democracia e de direitos humanos. Já pensou todos agora ensinando em casa aos seus filhos que a terra é plana e que nunca houve golpe nem ditadura militar no Brasil? Caminhamos a passos largos para o futuro. Prêmio Nobel para Bolsonaro, Damares Alves e Ernesto Araújo. Eles merecem. E também todos os seus eleitores e adeptos. Pra frente, Brasil!




*É Professor em Porto Velho.

sexta-feira, 12 de abril de 2019

Sem dias lá e aqui


Sem dias lá e aqui

Professor Nazareno*

Com muitas dificuldades os novos mandatários do Brasil e de Rondônia, eleitos no final do ano passado, chegaram aos cem dias de governo à frente de suas respectivas administrações. Um desastre anunciado e absolutamente nada de mudanças nos rumos esperados para quem, numa rompança absurda, mentirosa, nacionalista e triunfante, anunciava aos quatro cantos que “de agora em diante” mel e leite jorrariam de todas as ruas do país e que a vida dos governados melhoraria radicalmente. A montanha pariu um rato. Governos pífios, perdidos e sem rumo é o que se tem visto de norte a sul. As novas administrações têm tudo para fazer parte do folclore político além de se caracterizarem como uma repetição pior de tudo já visto antes. Nada, absolutamente nada de novo aconteceu nem lá nem aqui. Fato: em alguns casos voltamos foi no tempo.
 Em Rondônia, por exemplo, nada de novo aconteceu neste período. Quando há pouco mais de três meses o Coronel Marcos Rocha, uma espécie de preposto do “Mito” entrou para nos governar, o “açougue” João Paulo Segundo de Porto Velho era um campo de extermínio de pobres. Continuou tranquilamente matando muitos dos eleitores miseráveis da capital rondoniense só que agora com um ingrediente macabro: ratos e muitas baratas. O infame logradouro público está infestado de ratazanas gordas que correm alegremente em meio aos pacientes lá internados. Não houve neste período nenhuma decisão que pudesse ter melhorado a vida de quem quer que seja. No âmbito da máquina administrativa do Estado, houve um aumento de funcionários comissionados em detrimento de servidores legalmente concursados. Rondônia vai falir.
Em Brasília, Bolsonaro coleciona uma decepção atrás da outra. Nunca, em tão pouco tempo um presidente do Brasil tinha índices tão baixos de popularidade. Em sua desastrada viagem aos Estados Unidos, o nosso mandatário maior foi se humilhar covardemente perante os norte-americanos e entregar parte de nossa soberania a Donald Trump. Bolsonaro tem se mostrado um presidente muito fraco, despreparado, sem leitura de mundo e avesso ao mundo das negociações políticas. Governa o país pelas redes sociais e toda vez que abre a boca, é um desastre sem tamanho pelas declarações absurdas que faz. Só diz barbaridades. Seus ministros são também muito despreparados e até o da pasta da Educação, o colombiano Vélez Rodríguez, já foi devidamente demitido do cargo que desastradamente ocupava. Muitos deles têm ínfima popularidade.
Damares Alves, Ernesto Araújo e outros assessores e ministros do presidente são figuras folclóricas que só servem para falar abobrinhas, disparates, tolices e por isso mesmo envergonhar o Brasil e os brasileiros. Muitos eleitores dessa gente já estão arrependidos e se pudessem se escondiam de seus amigos e familiares. Estão calados e não dão um pio. Conheço muitos assim. Há mesmo algo de surreal em Brasília. “O Nazismo era de esquerda” ou então “Não houve ditadura muito menos golpe militar no Brasil em 1964”. O Brasil já virou chacota internacional e as críticas começam a se avolumar. O gás de cozinha não para de subir. O preço da gasolina está nas alturas. Em Rondônia foi a energia elétrica que subiu sem controle. Esses governos nada fizeram, estão perdidos e sem rumo. O colapso é iminente. Cem dias do capitão Bolsonaro no Brasil e do coronel Marcos Rocha em Rondônia. Sem dias de alegria lá e também aqui.




*É Professor em Porto Velho.

sexta-feira, 5 de abril de 2019

Calama tem culpa?


Calama tem culpa?

Professor Nazareno*

            Calama é uma vilazinha charmosa e quase encantada às margens do lendário rio Madeira e se localiza bem na divisa do Estado de Rondônia com o Amazonas. Está a quase 200 quilômetros de Porto Velho, a capital. É muito mais antiga do que a cidade de onde é apenas um dos seus distritos. Tem umas três mil pessoas morando na sede da vila e serve de apoio para uma microrregião de mais de cinco mil moradores. A “Veneza esquecida do Madeira” hoje não é nem sombra do que foi durante os históricos ciclos da borracha. Os sucessivos governos e as autoridades municipais e estaduais se revezam no poder para destruir e aniquilar qualquer resquício de vida boa e decente para os seus habitantes. Do Major Guapindaia até Hildon Chaves, o atual prefeito de Porto Velho, o que se vê são administrações pífias, desastradas e miseráveis para o esquecido distrito.
            Como se não bastasse o agressivo barranco do Madeira, que ameaça diariamente a sua existência, o distrito sobrevive às duras penas nas mãos de administrações falidas como a de Hildon Chaves. Há mais de um ano que não tem médico. O Programa “Mais Médicos” do Governo Federal, já sucateado pelo governo do “Mito”, parece que consegue mandar profissionais para todo lugar, menos para Calama. Visitar a vila ou mesmo morar por lá é um risco de morte constante. Pessoas acidentadas com picadas de cobras, aranhas e escorpiões “têm que se virar” se quiserem escapar. Às pressas têm que ser levadas para Humaitá no Amazonas, pois soro antiofídico não existe no distrito. E se existe, não há médico para prescrevê-lo. E ninguém toma providência alguma. Uma simples gripe ou outra doença qualquer deve ser curada à base de rezas e benzedeiras.
            O povo de Calama é bom, ordeiro, trabalhador e pacífico. Morei cinco anos lá e sei do que estou falando. Só convivi com pessoas de bom coração e humanos fora de série. Calama e todo o Baixo Madeira não merecem este tratamento desumano, animalesco, bruto e absurdo. Aliás, ninguém merece. As autoridades de Porto Velho e de nenhum outro lugar do mundo não ficam um dia sequer sem médico. Todos os mandatários da cidade, de um modo geral, têm acesso a bons planos de saúde e hospitais. Mas o bravo e guerreiro povo de Calama “que se vire” quando precisar cuidar de sua saúde. E agora Calama está sem escola também. A Escola Gen. Osório ainda não começou o ano letivo de 2019. Apenas 23 por cento dos alunos dependem de transporte fluvial, mas as “otoridades porto-velhenses” impediram o início das aulas para todos.
            Sem médico, sem transporte fluvial, sem escola e sem dignidade. Os alunos da General Osório, que vão fazer o Enem em Humaitá, estão sem estudar e não têm a quem recorrer. E sabe de quem é a culpa? Muitos dizem que é dos próprios moradores da vila. “Não sabem escolher os seus representantes corretamente, por isso têm que pagar o preço”, afirma-se cinicamente. Muitos dos atuais vereadores de Porto Velho encheram as burras de voto por lá nas últimas eleições e agora se fazem de cegos. Alan Queiroz, Marcelo Reis, Maurício Carvalho, Ada Dantas e todos os outros deviam se compadecer daquele sofrido distrito. Mesmo que não tivessem recebido um só voto dos calamenses, eles são vereadores de todo o município. O próprio prefeito da capital só foi uma vez a Calama e os moradores da vila nunca vão esquecer este dia. Calama é um lugar lindo e paradisíaco.  Mas se não dão conta dele, por que não o devolvem logo para Humaitá?




*É Professor em Porto Velho.

sábado, 30 de março de 2019

Democracia não festeja ditadura


Democracia não festeja ditadura


Professor Nazareno*

           
O Brasil tem 519 anos de existência. Neste período foi governado pela direita, a elite econômica do país, por exatos 506 anos. A esquerda o governou por apenas 13 anos e agora quem está no poder é a extrema-direita, que deverá governá-lo pelo menos nos próximos quatro anos. O nosso país figura entre as dez maiores potências econômicas do mundo. Somos o segundo maior produtor de alimentos e temos as maiores extensões de terras agricultáveis do planeta. No entanto, apesar destes números garbosos, temos uma das piores nações em termos sociais. Nossa educação figura entre as piores, não temos saúde pública decente, estamos mergulhados numa corrupção endêmica, nossa desigualdade social é imensa e a nossa sociedade é uma das mais injustas de que se tem notícia. Vivemos a síndrome da “Casa Grande e Senzala”.
O atual governo é de extrema-direita e liderado por um ex-militar do Exército. O capitão Jair Messias Bolsonaro, chamado de “Mito” pelos seus bajuladores e eleitores, está à frente de um dos mais sinistros, fracos e enrolados governos de que se tem notícia. Desde que o maluco e surreal Jânio Quadros governou os brasileiros na década de 1960, que não vivíamos dias tão estranhos na política. Um governo sem rumo e totalmente perdido em suas ações. Do suposto envolvimento de familiares do presidente com as milícias no Rio de Janeiro e com o possível assassinato da vereadora Marielle Franco, esse governo é pífio e até agora só serviu para nos envergonhar. Todos os que votaram nele, os que se abstiveram e, claro, todos os opositores. Dos atuais ministros, não se sabe qual é o mais burro e inapto. O Brasil não merecia este governo bizarro.
Para se completar o circo de horrores, o “Mito” resolveu comemorar o dia 31 de março de 1964. Foi proibido pela Justiça e houve críticas dentro e fora do país. A História não pode ser reescrita: em 1964 tivemos um golpe de Estado que sufocou a nossa jovem democracia. Depois se instalou uma feroz Ditadura Militar de 21 anos que praticou as mais terríveis violações contra a oposição. De novo, Bolsonaro voltou atrás: “não foi comemorar, foi rememorar”, disse cinicamente. Democracias não comemoram ditaduras. Se comemorar é porque não é uma democracia. Só as ditaduras se auto elogiam. Bolsonaro foi criticado no Chile onde elogiou o ditador sanguinário Augusto Pinochet. Depois elogiou Alfredo Stroessner do Paraguai. Se gosta tanto assim dos ditadores, por que o “Mito” não elogia também o cruel Nicolás Maduro da Venezuela?
Celebrar os anos da Ditadura Militar, marcados pelo fechamento do Congresso Nacional, cassação de direitos políticos, perseguição e tortura de adversários, além de censura à imprensa e o assassinato de mais de 400 pessoas de ambos os lados definitivamente não combina com os dias atuais. Bolsonaro está perdido e não sabe o que faz. Precisamos construir 2019 para depois comemorar 1964. O PT, claro, roubou muito e também ajudou a saquear o país, mas o líder do bando já está preso em Curitiba, julgado, condenado e pagando pelos seus erros. E o Brasil, ao seu jeito, já fez as pazes com o passado. E nele tivemos uma Ditadura Militar cruel e sanguinária. Desastrados, os militares foram combater uma suposta ditadura comunista e nos deram outra pior ainda. E se não foi golpe nem Ditadura, como explicar as violações às novas gerações? Então o DOI-CODI, eleições indiretas, censura, torturas, perseguições e exílios foi fake.





*É Professor em Porto Velho.

quarta-feira, 27 de março de 2019

“Angela Merkel” e o Nazismo


Angela Merkel” e o Nazismo


Professor Nazareno*

            Numa atitude considerada insana por muitos de seus compatriotas, a primeira ministra da Alemanha, ‘Angela Merkel’, determinou recentemente ao Ministério da Defesa e aos quartéis que se comemorasse o dia da implantação do Nazismo naquele país europeu. O Nazismo foi uma forma de governo cruel e sanguinária que sempre foi evitado e condenado por todas as nações civilizadas do mundo. Uma incoerência tendo em vista que a chanceler alemã condenou publicamente a ditadura na Venezuela. Se o país sul-americano não pode ter um regime de exceção, por que se deve comemorar uma data tão infame quanto esta? Além do mais, esta ação só incita o ódio num país já dividido ideologicamente. E a função de qualquer chefe de Estado, que goze de suas plenas faculdades mentais, devia ser pregar a paz social e a harmonia entre os cidadãos.
Se o Nazismo tivesse assassinado somente um indivíduo, ainda assim não merecia ser comemorado em respeito aos familiares dessa pessoa. Festejar os mortos por um Estado obscurantista e demoníaco demonstra crueldade e falta de humanidade pura e simples por quem o faz. Devem ser pessoas inclinadas a amar o diabo, o satanás e não ao Cristo que tanto pregam. Nada do que a Nazismo possa ter criado quando esteve no governo, justificou a censura, o fechamento do Congresso Nacional, a tortura como política de Estado, as perseguições, os estupros, o exílio, o rapto de crianças. O Nazismo e o golpe de Estado dado por Hitler e seus seguidores são coisas tão cruéis e abomináveis que a própria ‘Angela Merkel’ elogiou as ditaduras, mas preferiu se eleger com o voto direto e seguindo todas as regras da democracia. Não quis dar um golpe.
O mundo inteiro condena as violações que aconteceram (de ambos os lados) no período do Nazismo. A chanceler do país e muitos internautas não deviam, portanto, semear o ódio e nem a divisão dos governados, mas o amor e a paz entre os cidadãos. O regime foi cruel, sanguinário, assassino, torturador, perseguidor, fascista, insano e retrógrado. Se os seguidores do obscurantismo eram tão bons, por que entregaram de “mão beijada” o poder aos civis sem terem sido obrigados a isso? E é bom que se diga: Hitler não tornou ninguém cruel, misógino, racista, homofóbico, preconceituoso, xenófobo, intolerante e idiota. Essas pessoas sempre existiram, apenas precisavam de alguém que desse voz aos seus instintos e pensamentos malévolos. Ainda não se sabe como pôde ‘Merkel’ ser eleita, já que é muito ignorante, inculta e sem leitura de mundo.
Muitos dizem que foi a síndrome da formiga, que estava com raiva da cigarra e por isso resolveu votar no inseticida. Assim, todos serão mortos, inclusive o grilo que se absteve de votar. Hoje praticamente só existem dois tipos de eleitores de ‘Angela Merkel’: os que já estão arrependidos pela bobagem que fizeram e os fascistas e apoiadores de primeira hora que não querem largar o osso de jeito nenhum. Sem popularidade, as pesquisas dizem que perderia o cargo se a eleição fosse hoje. ‘Merkel’ não tem apoio nem dentro dos quartéis nem nas ruas. Sua patente é muito inferior aos seus comandados e o seu fraco e sinistro governo pode não ser levado muito a sério. O atual Ministério é uma piada de mau gosto onde ninguém se entende. Os filhos dela se intrometem todo dia nos assuntos do Estado como se o atual governo fosse a “casa da Mãe Joana”. Ainda assim, ela é a cara da maioria de seus cidadãos: incultos e estúpidos.




*É Professor em Porto Velho.

domingo, 24 de março de 2019

Marielle está viva


Marielle está viva

Professor Nazareno*

            Fez um ano que a vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco do PSOL e seu motorista Anderson Souza foram fuzilados. Faz um ano que ela não sai do noticiário e também das fofocas das redes sociais. Desconhecida do grande público até o seu trágico fim, o nome da vereadora covardemente assassinada cruzou fronteiras e hoje ela já é praticamente uma cidadã do mundo. Fala-se que será nome de rua em Paris e também nome de uma estação de metrô em Buenos Aires na Argentina. Marielle recebe homenagens póstumas em vários lugares do mundo civilizado como na Europa, Nova Iorque, Tóquio, Vancouver e Sidney. Ícone de muitos protestos principalmente dos esquerdistas virou sinônimo de guerreira contra as injustiças sociais. A forma brutal como lhe ceifaram a vida, no entanto, remete o Brasil aos sombrios tempos da barbárie.
            E é justamente no Brasil que muitos festejam o seu precoce fim. Incrível, mas em nome de uma ideologia, pessoas que se dizem cristãs e seguidoras de Deus festejam alegremente a morte de outro ser humano. E agora, que seus matadores foram presos, e que dentre um deles está um vizinho do presidente Jair Bolsonaro, as coisas começam a tomar um rumo “esquisito”. Nas redes sociais não se vê outra coisa sobre a infeliz vereadora que não sejam publicações infames e covardes achincalhando o seu nome. Tenta-se inutilmente tirar-lhe o pseudônimo de heroína. Mas tudo em vão. Quanto mais falam o nome dela, mais luzes colocam sobre ele. Heroína ou não, nem ela nem nenhum outro indivíduo merecia ter sido metralhado covardemente como foi. Marielle não será reconhecida no Brasil, mas no mundo civilizado o seu nome ecoará como um marco.
No seu país, entretanto, ela será morta todo dia com postagens criminosas e covardes denegrindo a sua imagem. Marielle Franco é uma heroína, sim. Ao seu tempo, ao seu modo e para os seus eleitores, parentes e amigos principalmente. Através da ONG da Maré, por exemplo, ela contribuiu para que 12 mil meninas que engravidaram  na adolescência terminassem seus estudos e pudessem ter o mínimo de qualificação para arranjar um emprego e sustentar os filhos. Pode não ser heroísmo, mas contribuiu para a sustentabilidade de vidas. Além de defender pautas sociais como racismo, mulher na política e defesa dos direitos básicos. Heroína, assim como também muitas outras mulheres e homens deste injustiçado país. Pessoas sensatas deviam parar de “continuar matando” Marielle Franco nas suas conversas. Isso é pura covardia. Ela já está morta.
Num país carente de heróis, Marielle Franco foi heroína pelo menos para a sua gente e os seus poucos seguidores. O ódio que ganhou de todos os reacionários e dos “coxinhas” mesmo depois de morta, talvez vire decepção quando se descobrir a verdade que está por trás dos verdadeiros mandantes de sua execução. A alegria incontida nos seus algozes quando do seu fuzilamento demonstra claramente o tipo de sociedade em que estamos vivendo. Tomara que não haja decepções, mas a prefeita de Barcelona, Ada Colau, já mandou um recado para o “Mito”. “Preste atenção, Jair Bolonaro: Marielle, Franco, mesmo morta, vai te tirar do poder antes do que você pensa”. Será mesmo? Marielle deve ser lembrada sempre. Assim como a juíza Patrícia Acioli, a policial Kátia Sastre, as professoras Heley de Abreu e Joselita Félix, a merendeira Silmara Cristina... A lista é enorme e nenhuma delas merece ser difamada covardemente nas redes sociais.



*É Professor em Porto Velho.

terça-feira, 19 de março de 2019

Ratos no “Açougue”


Ratos no “Açougue

Professor Nazareno*

            Era uma vez uma cidade muito limpa que tinha um hospital também muito limpo e organizado. Era um hospital modelo na região. Lá todo mundo comia seis vezes por dia e os pacientes eram recebidos com muita educação e cortesia. Os tratamentos no dito hospital se tornaram referência no país inteiro e também no mundo. Há relatos de que a população da referida cidade se fazia de doente só para se internar naquele ambiente limpo e aconchegante. O “atendimento de ouro” chamou inclusive a atenção do presidente dos Estados Unidos no recente encontro entre os “trumpalhões”. O “trumpalhão” de lá teria perguntado ao “trumpalhão” de cá como andavam as coisas num certo “açougue”. Como está dando tudo para os gringos, dizem que o “trumpalhão dos trópicos” também queria doar aos EUA aquele referido bazar de saúde pública.
            Os diplomatas estranharam o fato de se dar ratos de presente. “Mas nisso não há nenhum mal, pois os roedores são animais inofensivos e até limpinhos”. Além do mais, existem ratos em todo governo. Pelo menos no nosso país é uma coisa mais do que normal. Existem ratos nas Câmaras de Vereadores, existem ratos nas Assembleias Legislativas, prefeituras, palácio do governo e também nos Ministérios e em muitas outras repartições municipais, estaduais e federais. Por que não haveria de ter ratos num “açougue”? De acordo com as novas regras políticas, quem quiser se internar no lindo e bem cuidado hospital, tem que ser com rato. Ou então não se interna. Muitos planos de saúde, inclusive, já estão pensando em adotar este novo tipo de atendimento em suas apólices. Com rato ou sem rato? A escolha ficará por conta de cada cliente, obviamente.
            E nada de querer construir um novo hospital de pronto socorro na linda cidade. Essa ação poderia perigosamente salvar a vida de muitos pobres e miseráveis e eles têm que morrer para depois virarem estatísticas. Por isso, todo o repasse das arrecadações estaduais, por exemplo, devia ser feito somente para as varas da Justiça, para o Poder Legislativo, para o Ministério Público, para pagar os barnabés e também fornecedores. Os “Palácios de Mármore” destas instituições devem ficar sempre reluzentes para receber o público carente. Enquanto isso, o lindo hospital continua com a sua saga de “campo de extermínio de miseráveis”. E quem pode se livra dele comprando um bom plano de saúde. Se consertar aquilo, muitos desses planos podem ir à falência. E quem vai financiar as campanhas políticas para eleger os outros ratos? Entenderam o “jogo”?
            O Brasil definitivamente está mudando com o novo governo. E a cidadezinha citada também já acompanha os novos tempos com o seu lindo hospital. Nos governos de esquerda tínhamos um “campo de extermínio de pobres”. Agora a coisa evoluiu simplesmente para um campo de miseráveis. E com a agradável surpresinha de ter ratos em suas dependências. É cada gabiru tão grande e gordo que chega a fazer inveja aos melhores hospitais da Somália, Serra Leoa e Etiópia. Mas há o lado bom: se fossem ratazanas magras e esquálidas, seria um indicativo de que a situação estava muito ruim na cidadezinha. Em nenhum outro lugar do mundo existem roedores dentro dos “açougues”. Todas as pessoas da referida cidade deviam se orgulhar desses ratos, principalmente as que têm um bom plano de saúde. Seremos notícia no Brasil inteiro. Ironia das ironias: só os “ratos de fora” é que conseguirão combater os ratos de dentro.




*É Professor em Porto Velho.

sábado, 16 de março de 2019

Rondônia, a Meca do atraso


Rondônia, a Meca do atraso


Professor Nazareno*
               

Rondônia é o suprassumo da bosta. Dentre as 27 unidades da federação, é talvez a pior delas. Longe e muito distante dos grandes centros civilizados do mundo, o jovem Estado já devia ter sido anexado pela Bolívia há muito tempo. Aqui nada dá certo por mais que se tente. Sua inusitada, suja e fedorenta capital é uma curva de rio sem a menor qualidade de vida. Os políticos daqui estão entre os mais desonestos do país, embora sejam aclamados como heróis pela incauta e desinformada população. Rondônia é um destes lugarzinhos sem eira nem beira para onde só vem quem tem negócios ou tem a infelicidade de ter parentes morando aqui. As raras passagens de avião são as mais caras e cada vez mais os poucos voos ainda disponíveis para a “capital das sentinelas avançadas” são cancelados. O Estado é conhecido como a latrina do Brasil.
Aqui não há universidade estadual, não existe banco do Estado e o único que possuía já foi extinto, os seus ativos financeiros “doados” à elite política e a outros “empresários” e por isso o povo paga mensalmente uma “dívida eterna” à União. O lugar é tão miserável que mesmo possuindo três hidrelétricas, deve ter uma das mais altas taxas de energia elétrica do país. Tinha a Ceron, Centrais Elétricas de Rondônia, a tosca concessionária de energia elétrica, que foi vendida a preço de banana para uma tal Energisa de Minas Gerais, que junto com a Aneel empurrou goela abaixo dos otários consumidores locais um reajuste superior a 25 por cento. Na época, somente meia dúzia de políticos espertalhões se disse preocupados com o roubo. Agora, consumado o assalto, todos “colocaram sua viola no saco” e a Energisa ri à toa da cara dos lesados.
A capital dos “destemidos pioneiros” tem um hospital de Pronto Socorro. É um “açougue” imundo, caindo aos pedaços e sem a menor infraestrutura para onde só vai basicamente quem é pobre. É um “campo de extermínio de miseráveis”. O “velho açougue” tem desafiado um a um os governantes que assumem o poder neste “cu do mundo”. Lá os “problemas macro sempre predominam sobre os problemas micro”. Enquanto isso, sua paupérrima clientela de banguelas e despossuídos morre pelo chão feito inseto. Mas a cidade, por incrível que pareça, até que possui prédios suntuosos e caros que são verdadeiros palácios de ouro e que abrigam as várias instâncias da Justiça, os fóruns, os Ministérios Públicos e também os barnabés a serviço do Estado. Lugar infame e escroto, em Rondônia professor é proibido de merendar junto aos seus alunos.
Futebol de verdade não há. Só alguns times de nomes engraçados e das últimas divisões. Mas o Carnaval rondoniense é um dos melhores. Uma conhecida banda chega a colocar mais de cem mil pessoas nas ruas. Foi recentemente declarada não se sabe ainda o porquê como “patrimônio cultural” da cidade, embora sua maior contribuição seja somente gerar muitas toneladas de lixo, entulhos e seboseira por onde passa. O prefeito da capital, bem intencionado, colocou algumas flores para enfeitar uma das sujas ruas. Roubaram tudo e ainda quebraram os vasos. O brasileiro comum é um perfeito idiota. O rondoniense também. De política nada entende. E por isso não só ajudou a eleger o “Mito” como ainda defende as barbaridades ditas pelo arremedo de presidente. O Estado é a casa dos comissionados e do nepotismo. Por aqui ainda não choveu merda, mas Porto Velho é a única capital onde se improvisa transporte coletivo.




*É Professor em Porto Velho.