sábado, 16 de março de 2019

Rondônia, a Meca do atraso


Rondônia, a Meca do atraso


Professor Nazareno*
               

Rondônia é o suprassumo da bosta. Dentre as 27 unidades da federação, é talvez a pior delas. Longe e muito distante dos grandes centros civilizados do mundo, o jovem Estado já devia ter sido anexado pela Bolívia há muito tempo. Aqui nada dá certo por mais que se tente. Sua inusitada, suja e fedorenta capital é uma curva de rio sem a menor qualidade de vida. Os políticos daqui estão entre os mais desonestos do país, embora sejam aclamados como heróis pela incauta e desinformada população. Rondônia é um destes lugarzinhos sem eira nem beira para onde só vem quem tem negócios ou tem a infelicidade de ter parentes morando aqui. As raras passagens de avião são as mais caras e cada vez mais os poucos voos ainda disponíveis para a “capital das sentinelas avançadas” são cancelados. O Estado é conhecido como a latrina do Brasil.
Aqui não há universidade estadual, não existe banco do Estado e o único que possuía já foi extinto, os seus ativos financeiros “doados” à elite política e a outros “empresários” e por isso o povo paga mensalmente uma “dívida eterna” à União. O lugar é tão miserável que mesmo possuindo três hidrelétricas, deve ter uma das mais altas taxas de energia elétrica do país. Tinha a Ceron, Centrais Elétricas de Rondônia, a tosca concessionária de energia elétrica, que foi vendida a preço de banana para uma tal Energisa de Minas Gerais, que junto com a Aneel empurrou goela abaixo dos otários consumidores locais um reajuste superior a 25 por cento. Na época, somente meia dúzia de políticos espertalhões se disse preocupados com o roubo. Agora, consumado o assalto, todos “colocaram sua viola no saco” e a Energisa ri à toa da cara dos lesados.
A capital dos “destemidos pioneiros” tem um hospital de Pronto Socorro. É um “açougue” imundo, caindo aos pedaços e sem a menor infraestrutura para onde só vai basicamente quem é pobre. É um “campo de extermínio de miseráveis”. O “velho açougue” tem desafiado um a um os governantes que assumem o poder neste “cu do mundo”. Lá os “problemas macro sempre predominam sobre os problemas micro”. Enquanto isso, sua paupérrima clientela de banguelas e despossuídos morre pelo chão feito inseto. Mas a cidade, por incrível que pareça, até que possui prédios suntuosos e caros que são verdadeiros palácios de ouro e que abrigam as várias instâncias da Justiça, os fóruns, os Ministérios Públicos e também os barnabés a serviço do Estado. Lugar infame e escroto, em Rondônia professor é proibido de merendar junto aos seus alunos.
Futebol de verdade não há. Só alguns times de nomes engraçados e das últimas divisões. Mas o Carnaval rondoniense é um dos melhores. Uma conhecida banda chega a colocar mais de cem mil pessoas nas ruas. Foi recentemente declarada não se sabe ainda o porquê como “patrimônio cultural” da cidade, embora sua maior contribuição seja somente gerar muitas toneladas de lixo, entulhos e seboseira por onde passa. O prefeito da capital, bem intencionado, colocou algumas flores para enfeitar uma das sujas ruas. Roubaram tudo e ainda quebraram os vasos. O brasileiro comum é um perfeito idiota. O rondoniense também. De política nada entende. E por isso não só ajudou a eleger o “Mito” como ainda defende as barbaridades ditas pelo arremedo de presidente. O Estado é a casa dos comissionados e do nepotismo. Por aqui ainda não choveu merda, mas Porto Velho é a única capital onde se improvisa transporte coletivo.




*É Professor em Porto Velho.

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