sábado, 15 de agosto de 2015

Roberto Sobrinho devia voltar



Roberto Sobrinho devia voltar

Professor Nazareno*

            Eu não tenho procuração para fazer campanha antecipada para ninguém, muito menos para falar bem ou mal de qualquer político, mas observando-se a situação caótica em que a cidade de Porto Velho sempre esteve e com ela conviveu desde a sua fatídica fundação há mais de um século, não é nada anormal afirmar em alto e bom som que o ex-prefeito Roberto Sobrinho do PT, para o bem de todos, devia voltar a administrar os portovelhenses por pelo menos mais um ou dois mandatos. Afirma-se à boca larga que a capital dos “destemidos pioneiros” é uma cidade arrasada e muito pior do que Porto Príncipe depois do terremoto ou Hiroxima pós-bomba atômica. E nem precisava afirmar nada, pois para qualquer leigo em urbanização, a verdade saltaria logo aos olhos com uma simples caminhada pelas ruas da cidade, para ver in loco a situação de uma capital.
            Estamos no mês de agosto em pleno verão amazônico e a poeira sufocante das esburacadas ruas associada à fumaça das queimadas torna a vida do morador local um verdadeiro inferno. E como se o castigo fosse pouco, a forte presença do fenômeno El Niño eleva diariamente a temperatura para quase 40 graus. A volta do ex-prefeito talvez até não resolvesse o problema, mas não o aumentaria. A pouca grama que existe na cidade, por exemplo, está completamente esturricada de tanto sol. Não vejo ninguém aguando os canteiros como no tempo dele. Roberto Sobrinho pode ser responsabilizado por uma série de erros quando administrou Porto Velho é verdade, mas não foi ele que derrubou a centenária castanheira do bairro Triângulo e nem extinguiu milhares de outras árvores das ruas porque “são responsáveis”, e não as chuvas, pelas alagações.
E onde é hoje o quente, perigoso e escuro Espaço Alternativo havia na época em que ele nos administrava umas mil árvores, algumas frutíferas, plantadas por ele. Todas foram arrancadas e o local hoje está sujo e abandonado. Vão culpá-lo por isso também? Duvido que o petista tivesse recebido uma ponte escura como breu. Pode-se falar então dos viadutos. Ele pelo menos teve a coragem de iniciar as obras. E se aquilo incomoda tanto, por que ainda não foram concluídos? Há quase três anos que ele não manda mais em nada na cidade. Quando o petista assumiu, o índice de saneamento básico era um por cento. Quando saiu, beirava os três, ou seja, um aumento de 200 por cento. Qual prefeito fez isto? Poeira e fumaça no verão, lama no inverno, além da carniça, sujeira e da fedentina eram a rotina na administração dele. E hoje, mudou alguma coisa?
A administração petista é acusada de muita corrupção e malversação do dinheiro público. Só que nem o ex-prefeito nem nenhum dos seus assessores estão presos e até hoje nada foi devolvido aos cofres públicos. São inocentes? O PT é acusado de roubo e corrupção e isto parece ser fato. Embora não se justifique, qual partido não roubou? Por que não se fizeram manifestações anticorrupção contra as outras siglas também? Dilma Rousseff, que recebeu 54 milhões de votos dos brasileiros, assim como Lula e o partido da estrela vermelha são a Geni de hoje. Só que quase todos os brasileiros somos a Geni, eis a verdade. E o cidadão comum, uma espécie de “Maria vai com as outras” entrou na onda e já flerta com uma virada de mesa. Sobrinho foi um péssimo prefeito, claro, assim como todos: do passado, do presente e do futuro. A regularização fundiária, pelo menos, foi a sua marca maior. Corajoso, foi o único a peitar o fascismo da mídia. Devia voltar.




*É Professor em Porto Velho.

Um comentário:

Eloysa Rabaioli disse...

Não revolucionou a cidade, assim também como nenhum outro, mas o pouco que fez, fez tentando deixar um legado melhor. Ainda não podia votar quando ele saiu candidato, mas fiquei torcendo para que ele ganhasse com a esperança de que algo novo estaria por vim...hoje, apesar de alguns escândalos envolvendo o ex-prefeito, se ele saísse candidato novamente, sem nenhuma dúvida, teria meu voto.
Redação ótima como sempre porfessor.