domingo, 9 de junho de 2013

Porto Velho não precisa de viadutos




Porto Velho não precisa de viadutos

Professor Nazareno*

        Já há quase seis meses à frente do Executivo municipal, o prefeito Mauro Nazif, uma espécie de Eisenhower da Amazônia, parece não estar muito preocupado em terminar as obras dos vários viadutos que “enfeitam” a entrada e a saída de Porto Velho nos dois sentidos. Muito tranquilo, o nosso maior gestor parece também não querer dar andamento às inúmeras outras obras necessárias para tirar esta cidade do buraco em que sempre esteve. Sem nenhuma qualidade de vida digna para seus habitantes, a nossa capital ostenta um dos piores IDH’s dentre as capitais do Brasil além de ter apenas dois por cento de saneamento básico e menos de três por cento de água tratada segundo dados do Instituto Trata Brasil. E isto apesar de estar estrategicamente localizada às margens de um dos maiores rios de água potável do planeta, o já estuprado e dominado rio Madeira. Nazif e sua equipe reclamavam do excesso de chuvas, mas mesmo com a chegada do verão, a cidade continua muito pior do que Roberto Sobrinho a deixou.
            A principal das inúmeras obras inacabadas da capital dos rondonienses são os viadutos, claro. E o atual prefeito está com medo de mexer naqueles elefantes brancos. Muitos dizem que aquilo ali é a catacumba do PT de Rondônia e como no Brasil profanar túmulos é crime, é melhor deixar tudo quieto mesmo. Além do mais, os porto-velhenses não precisam de viadutos como existem nas grandes cidades. Para quê diabos uma cidade caipira como a nossa vai precisar de elevados e viadutos? O idiota que teve a infeliz ideia de construir “aquelas tumbas amaldiçoadas” devia ser preso por burrice e falta de planejamento com o dinheiro público. Se há problemas com o trânsito caótico,  a solução mais viável e inteligente seria investir na melhoria dos transportes coletivos. Aqueles monumentos horríveis na entrada da cidade mal vão resolver o caos do local onde estão situados. Mas é assim mesmo: matuto é uma desgraça, vê algo na cidade grande e logo quer imitar achando que vai resolver os seus problemas.
Com relação à ponte do rio Madeira, “a que liga o nada a coisa alguma”, a conclusão da obra simplesmente foi adiada mais uma vez. A data agora é julho do próximo ano. Provavelmente vão dar um “jeitinho” e trazer a Presidente do país, em plena campanha eleitoral, para inaugurar o lúgubre monumento. São quase 300 milhões de reais jogados fora. E tem muita gente que aplaude o desperdício. Os defensores daquela “homenagem à estupidez” agora estão com cara de cachorro defecando na chuva: o fato é que um dos responsáveis por aquilo ainda não tem certeza da data de conclusão da desnecessária obra. Trezentos milhões de reais investidos em educação, saúde ou saneamento básico numa cidade imunda e sem infraestrutura como Porto Velho faziam muita diferença. Mas quem veria esta grana se fosse investida embaixo da terra? É bem melhor ver uma obra medonha que faz jus à “esperteza e a capacidade dos nossos políticos” e ainda assim morar na lama e na imundície de uma cidade porca.
            Recentemente, até os vereadores de Porto Velho, acostumados a não fazerem nada de futuro em benefício da cidade e de seu povo, iniciaram um movimento para protestar contra as obras paradas. Tentaram criar até uma “comissão pró-viadutos”, mas se aquietaram quando perceberam que pontes e viadutos não combinam com a rotina de matutos e capiaus. Além de não terminar jamais esses viadutos e nem interceder pela ponte do Madeira, obras que já demonstraram não ter nenhuma serventia para os habitantes desta capital, o Doutor Mauro devia mandar destruir todos os outros monumentos da cidade. Assim, ficaria mais conhecido e daria um sentido mais útil ao seu mandato. As Três Caixas d’Água, a Estrada de Ferro Madeira Mamoré, o Trevo do Roque, o Estádio Aluízio Ferreira, a “Arena Aluizão” com seus quase quatro mil lugares e outras velharias, que só enfeiam ainda mais Porto Velho, seriam riscados do mapa. Entusiasmo para isso não falta, pois o nosso prefeito anda muito empolgado: vamos fazer o possível para que Porto Velho seja a melhor cidade da região Norte e quiçá do país”, disse recentemente o seu irmão, Gilson Nazif, que o ajuda a nos administrar. Pelo visto, Mauro Nazif é o único prefeito a dar um “choque de gestão” (digestão) na cidade.


*É Professor em Porto Velho.

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