segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Como estão os nossos revolucionários?


Os Jovens da Praça Tahrir


Professor Nazareno*


A revolução popular que incendeia o Mundo Árabe derruba a ditadura de Hosni Mubarak no Egito e ameaça se expandir pela região. No mês passado, manifestantes depuseram o Governo da Tunísia. A Praça Tahrir, que fica no centro do Cairo, capital do país, foi literalmente tomada por multidões ensandecidas que exigiam mudanças no Governo e na sociedade e só se acalmaram quando finalmente o poder percebeu o óbvio e saiu de cena. Importante observar nas imagens enviadas ao mundo que grande parte destes revolucionários é jovem e certamente muitos deles foram influenciados pela Internet e pelos sites de relacionamentos pessoais. "Havia outras formas de vida além dos muros do fundamentalismo islâmico", perceberam. Ao contrário da fábula "As rãs e o pintassilgo" de Rubem Alves, eles não mataram o pássaro, apenas se uniram a ele.

Munidos de Lap Tops e computadores comuns, os jovens usaram a grande rede para marcar suas reuniões e passeatas. Orkut, Msn, Twitter e simples aparelhos de telefones celulares foram fundamentais para o sucesso do levante. O Governo, ao perceber a manobra, interrompeu totalmente o sinal da Internet. O Cairo, cidade com mais de oito milhões de habitantes, ficou parecendo Porto Velho em dias de apagão digital. Bloquearam também o sinal dos celulares. Tudo em vão. Os sinais vindos das ruas eram claros: ou Mubarak deixava o poder e se iniciavam rapidamente as mudanças sociais, políticas e econômicas ou ninguém deixaria a Praça Tahrir. Essa revolução em terras muçulmanas se não nos trouxer algum ensinamento, certamente nos dará excelentes lições de como, no Brasil, devemos agir para mudar o caos em que vivemos.

O Brasil não é o Egito nem o Mundo Árabe, mas vivemos uma revolução sem precedentes na nossa História. Muito antes dos militares usurparem o poder em 1964 e estuprarem a ordem democrática vigente, que se iniciou uma revolução silenciosa em nossa pátria e que se perpetua até hoje. É a revolução da imbecilidade geral, da estupidez coletiva, do enaltecimento do senso-comum. É a revolução que emudece vozes destoantes e cala os que ousam pensar de modo diferente. Nossos jovens, alienados em sua maioria, e muito diferentes dos egípcios, enchem os shopping centers e espalham a semente da burrice institucionalizada. Usam a grande rede para disseminar tolices e navegar pelos sites de inutilidade geral. Fazem uma revolução às avessas e se melhorarem e evoluírem chegarão ao fundo do poço, já que estão muito abaixo dele.

A burrice dos nossos jovens e da maioria do povo brasileiro de um modo geral beira a insensatez. Basta olhar os sites de relacionamento pessoal deles. Vi uma jovem dizer que "ao espirrar na frente do ventilador, ele lhe jogou água". Outro jovem se disse amante de música "MPB internacional". As comunidades que eles criam são de fazer inveja a um débil mental ou idiota. Os tópicos e os comentários, além de agredirem gratuitamente a Gramática Normativa da Língua Portuguesa, têm conteúdo de psicopatas e de pessoas complemente alienadas. Nossos jovens, em sua maioria, são filhos da Globo e do BBB. Estão fazendo uma revolução para ver quem chega primeiro à terra dos otários. Curtem carnaval fora de época, se drogam estupidamente, desprezam os estudos e a boa leitura e abrem mão da verdadeira música. Uns imbecis modernos.

Os poucos que se salvam desta maré de estupidez, deste oceano de mediocridade, estão fazendo a verdadeira revolução, a sua, pois crêem que mudando as suas vidas praticando a leitura crítica, ouvindo a boa música e investindo no seu futuro, mudam a triste realidade em que se vive. O Brasil moderno é isso: sanguessugas, mensaleiros, fichas sujas, corruptos e ladrões se dizem autoridades, ganham milhares e milhões de votos da massa ignara, participam de governos, vêem na Rede Globo a salvação nacional e enquanto surrupiam o nosso dinheiro e os nossos sonhos nos fazem acreditar que nos ajudam. Os jovens da Praça Tahrir no Egito derrubaram um governo de 30 anos movidos pela vontade de mudar, de conhecer o novo, de acreditar em dias melhores. Aqui os nossos jovens não derrubam nem Roberto Sobrinho, votam no Tiririca e filosofam espirrando em frente a ventiladores. E pensar que muitos deles são o futuro deste país. O Egito de hoje é a França de 1968, o Irã de 1980, a Palestina de sempre e o Brasil de nunca. Quando me aposentar, saio daqui. Vou morar na Bolívia.


*É Professor em Porto Velho.

9 comentários:

Junior disse...

Kkkkkkkkkkkkk oh Deus, quem nesse mundo ira espirrar na frente de um ventilador? O Brasil realmente está um caos... Pena que quase ninguém percebe isso.

Estéfane Rocha disse...

oh my god...
o q fazer com essas pessoas que nunca percebem que está na hora de nos levantar e nos unir a favor dos nossos direitos?/
sei q cada um deve fazer sua parte, mas se nos unirmos em grande público conseguiremos boa parte dos nossos beneficios...

Daniel Barbosa de Souza disse...

CARO PROF NAZARENO SEU ARTIGO EXPRESSA A MAIS PURA REALIDADE DO MUNDO ARABE E PRINCIPALMENTE DO BRASIL. NOSSOS JOVENS SÃO DOMINADOS PELAS DROGAS, NÃO POSSUEM QUASE NENHUM PREPARO INTELECTUAL, SÃO AVESSOS A BOA LEITURA, A BOA MÚSICA E CADA VEZ MAIS LIXOS COMO OS BBB DA VIDA FAZEM O MAIOR SUCESSO. ALEM DE PREOCUPANTE UMA VERGONHA.

Beto Caveira disse...

Se professores como você estivessem precoupados em passar o devido conhecimento e não escrever este tipo de artigo para alimentar o EGO tenho certeza que já era um ponto de partida para a mudaça dos nossos jovens. Não perca tempo com esses artigos "profressor" vá elaborar uma aula para seus alunos, vai ser de grande valia para eles...

Amanda Lopes disse...

O pior é que nós, ou somente eu, como professora não consigo fazer nada com os nossos jovens brasileiros. Sou uma voz destoante, emudecia e envergonhada por, às vezes, pensar diferente.

Ivanilson Frazão Tolentin disse...

Professor Nazareno, nesse texto o senhor, mais uma vez, acertou no alvo. É por esse "pacto pela mediocridade" que impera na mente da maioria da população que é, infelizmente, alfabetizada pela Globo e outros canais de comunicação em geral, que eu sou a favor da regulação dos meios de comunicação em nosso país. AOs contrários, não venham com a aquela desculpa esfarrapada que é censura, pois, a censura maior é uma empresa de comunicação comandar vários veículos e ter mais da metade da audiência nacional em TV. Isso sim, é uma censura, pois, no final das contas, só temos uma versão dos fatos. Ou seja, vai prevalecer a idéia dessa minoria tranvestida de democratas e modernos quando, no fundo, são uns conservadoresretrogrados e querem que o nosso complexo de colonizados ou de cachorro vira-lata se perpetue para sempre. Assim se mantem a concentração de renda e o paraíso para uns poucos em nosso país. Parabéns, Professor!

Paulo Araújo da Silva disse...

Excelente texto professor!!! Essa é a dura realidade do nosso brasil!!!

Arlindo Guerreiro disse...

Professor: apresar de me parecer ser uma pessoa ainda relativamente jovem na idade, não posso deixar de discordar de V. Exª já que me parece utilizar os argumentos de grande parte dos velhos da minha idade para quem os jovens - no caso os brasileiros - são ignorantes, impertinentes, alienados, etc. Com efeito, apesar de todos os seus defeitos - quem não os tem? - os jovens são o futuro e são eles que, embora cometendo erros, irão governar o Mundo!

Itan Alan disse...

Caro Beto Caveira, pelas suas palavras você não conhece o trabalho do professor Nazareno. Uma das escolas que ele leciona ,João Bento da Costa, só em 2010 aprovou mais de 200 alunos para UNIR.Então, meu caro "brasileiro filho da Globo",ele tem méritos para dizer o que disse .Então, antes de criticar um professor que realmente se importa em passar conhecimento e senso crítico aos alunos,critique os nossos governantes e outras pessoas que realmente não estão preocupadas com o estado de alienação em que se encontram os jovens brasileiros.

Itan Alan ,membro do corpo discente da escola João Bento da Costa, aluno e com orgulho do professor Nazareno e de toda equipe do Projeto Tercerão.