quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

“Tecnologias” brasileiras



Tecnologias” brasileiras

 

Professor Nazareno*

                                                                              

            Que o Brasil não é um país sério, disso todos nós já sabíamos. A frase erroneamente atribuída ao ex-presidente francês Charles de Gaulle nunca esteve tão em evidência como nos dias de hoje quando estamos vivendo uma das piores pandemias de que se tem notícia na história da Humanidade. O mundo desenvolvido e civilizado “corre contra o tempo” para debelar e vencer a terrível ameaça da Covid-19.  Universidades, cientistas, pesquisadores e centros de pesquisas espalhados pelo mundo buscam incessantemente meios para atacar o vírus e trazer dias melhores para todos nós. A prestigiada Universidade de Oxford da Inglaterra em parceria com o laboratório sueco AstraZeneca assim como os laboratórios Pfizer dos Estados Unidos e BioNTech da Alemanha devem lançar suas vacinas para combater o Coronavírus nos próximos dias.

O reconhecidíssimo Instituto Gamaleya ligado à Universidade de Moscou também já criou e lançou a sua vacina, a Sputnik V. O governo russo em breve deve iniciar a vacinação em massa de sua população. O laboratório biológico dos russos já deu garantias da eficácia de sua descoberta. O Reino Unido deve iniciar a vacinação em massa de sua população já nos próximos dias. Muitos laboratórios da China já têm também a sua vacina. É só uma questão de tempo: a Coronavac deve imunizar pessoas no mundo inteiro. Muitas vacinas estão em fases finais de testes e certamente vão liberar pessoas a partir dos próximos meses. Pesquisas de ponta, tecnologia de primeira, estudos avançados, universidades respeitadíssimas é o que se percebe. As potências mundiais, que investem em educação, já estão perto de colher os frutos de suas apostas.

Enquanto isso, o Brasil patina e caminha a passos largos para trás. Nenhuma universidade ou laboratório nacional fez qualquer coisa para diminuir a tragédia da pandemia. Aqui a gente se vira como pode. As mortes e os números de casos só aumentam. A agonia do Brasil é um triste drama quase sem fim. Autoridades negacionistas e alheias ao drama dos nossos cidadãos é o que mais se observa. No país a única tecnologia que se vê são as invasões de cidades por bandidos fortemente armados como aconteceu recentemente em Criciúma, Araraquara e Cametá no Pará. Grupos fora-da-lei que usam armas “privativas” das Forças Armadas levam o terror para as cidades invadidas numa verdadeira guerra civil. Quando não são os bandidos aterrorizando e roubando todos, são os políticos levando o nosso suado dinheiro por meio da corrupção.

Porém, não sejamos tão injustos com a bandidagem. Em Criciúma, cidade de 220 mil habitantes, os marginais “” deixaram duas pessoas feridas enquanto a PM de São Paulo, por exemplo, matou pelo menos nove pessoas quando tentou no ano passado acabar com um baile funk na periferia. O Brasil na contramão, mas inovando: bandidos zelosos e polícia desastrada? Essa tecnologia deveria ser exportada para o mundo inteiro. Existe conhecimento melhor do que mandar matar o próprio marido e não ser presa nem por um minuto sequer? Mas há algo mais inédito ainda: contar sacos de dinheiro sujo em frente às câmaras e não responder ao devido processo, continuar livre, leve e solto e ainda por cima legislando os otários e receber seus altos salários em dia. Isso é uma invenção somente do nosso país mesmo. Orgulho de ser brasileiro e também rondoniense! Rachadinhas, deboches e devastação ambiental. O Brasil é para poucos!

 


         

      *Foi Professor em Porto Velho.



domingo, 29 de novembro de 2020

Prefeito por acaso

Prefeito por acaso

                                                                              

Professor Nazareno*

 

  Há quatro anos, quando o Dr. Hildon foi eleito pela primeira vez prefeito de Porto Velho, eu lhe dei os pêsames por aquela triste vitória. E eis que a tragédia em sua vida se repete melancolicamente. Administrar Paris, Viena, Berlim, Vancouver, Sidney ou qualquer outra cidade civilizada do mundo deve ser uma dádiva, mas ser prefeito ou vereador em Porto Velho é uma desgraça sem tamanho. E no caso dele pior ainda: diz que não recebe nada de salário para passar por esta agonia suprema. - Admiro muito a sua coragem, bom homem! Se eu tivesse um por cento dos seus bens, já estaria há muito tempo junto a minha família desfrutando as benesses de lugares paradisíacos. Preciso lhe repetir? Porto Velho continua suja, feia, fedida, imunda, violenta, sem esgotos, sem árvores, sem água tratada, sem saneamento básico e com toneladas de merda nas ruas.

A “Latrina do Brasil” segundo o Instituto Trata Brasil é a pior capital do país em qualidade de vida. E convenhamos: o senhor como prefeito nada fez para melhorar estes índices que os moradores da cidade parecem adorar. De novo, eu não votei no senhor. Nem na Cristiane Lopes. Vi na campanha de vocês a reedição da velha política. Eram os “Carvalhos” contra os “Cassóis”. Em “Roubônia” ou é o diabo ou é a mãe dele. E também, de novo, não havia o “menos ruim”. Os dois empatavam em mediocridade, em proselitismo barato, em politicagem infame e abjeta. Nem votei nem torço pelo senhor. Torcer para que Calama continue sem médico? Torcer para que as crianças da zona rural fiquem mais três anos sem aulas por falta de transporte escolar? Sua administração foi pior do que a pandemia da Covid-19: interrompeu as aulas e ignorou os pobres.

Torcer pelo seu sucesso é pedir para nós continuarmos com as alagações infindáveis dessa “cidade-prostituta”. Em dias de chuva, Porto Velho se transforma em um “OCEANO de MERDA”. E quase todos os moradores rindo e filmando tudo. Além disso, ficamos praticamente quatro anos sem transportes coletivos. O senhor não mudou em nada a realidade dos porto-velhenses: por aqui ainda se continua a beber bosta junto à água. E estamos bem às margens de um dos maiores rios de água potável do mundo. Na sua gestão, exibimos as piores colocações em sujeira. Mas muitas pessoas daqui ficam felizes ao matar a sede com fezes. E o asfalto sem saneamento? Adorei: dessa vez o senhor não os enganou com “poesias” ratuínas. Obras eleitoreiras e em cima da hora foram a enrolação de agora. Até à esquerda o senhor se aliou. E tudo para o nosso bem?

Seu vice agora não é mais um “Boi”. Viaje à vontade prefeito, pois já tem com quem deixar o imundo lodaçal! Vá morar de vez em Miami! “Rondonha” já tem mesmo a sina de ser governada pelas redes sociais. Converse com a Câmara de Vereadores. Ali só tem políticos de extrema grandeza e de “habilidades” ímpares. Churchill, Roosevelt e De Gaulle são fichinhas perto deles. O povo de Porto Velho merecia um Nobel por esta escolha. Nunca enalteça os lugares que o senhor visitar. Pode causar inveja nas ratazanas telúricas. Os jardins de Viena, o metrô de Barcelona, a limpeza de Munique, a organização de Miami são assuntos que devem ficar só com o senhor. O tosco e primitivo povo daqui não ‘merecemos’ nada disso. Não o parabenizo pela vitória, pois o senhor acertadamente nem queria se recandidatar. Só lamento pelo senhor ter que ficar respirando o ar empestado de carniça dessa cidade podre. Por mais dois ou quatro anos?

 

        


  *Foi Professor em Porto Velho.

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quarta-feira, 25 de novembro de 2020

segunda-feira, 23 de novembro de 2020


 Feliz da vida, CRISTIANE LOPES "CASSOL" comemora asfalto feito por HILDON CHAVES numa rua da zona sul de Porto Velho. SÓ O ASFALTO MESMO: sem arborização, sem saneamento básico, sem meio-fio, sem calçadas, SEM CAPTAÇÃO DAS ÁGUAS DAS CHUVAS, sem nada. O calor aumenta e as águas escorrem para o meio da rua. Mas todos ficam felizes. ELEIÇÕES: VOTE no DIABO ou na MÃE dele.
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sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Redação de Vinícius Oliveira de Lima    -     O tema da redação do Enem 2016 foi  "Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil”.

Tolerância na prática

     A Constituição Federal de 1988 – norma de maior hierarquia no sistema jurídico brasileiro – assegura a todos a liberdade de crença. Entretanto, os frequentes casos de intolerância religiosa mostram que os indivíduos ainda não experimentam esse direito na prática. Com efeito, um diálogo entre sociedade e Estado sobre os caminhos para combater a intolerância religiosa é medida que se impõe.

     Em primeiro plano, é necessário que a sociedade não seja uma reprodução da casa colonial, como disserta Gilberto Freyre em “Casa-grande e Senzala”. O autor ensina que a realidade do Brasil até o século XIX estava compactada no interior da casa-grande, cuja religião oficial era católica, e as demais crenças – sobretudo africanas – eram marginalizadas e se mantiveram vivas porque os negros lhes deram aparência cristã, conhecida hoje por sincretismo religioso. No entanto, não é razoável que ainda haja uma religião que subjugue as outras, o que deve, pois, ser repudiado em um Estado laico, a fim de que se combata a intolerância de crença.

     De outra parte, o sociólogo Zygmunt Bauman defende, na obra “Modernidade Líquida”, que o individualismo é uma das principais características – e o maior conflito – da pós-modernidade, e, consequentemente, parcela da população tende a ser incapaz de tolerar diferenças. Esse problema assume contornos específicos no Brasil, onde, apesar do multiculturalismo, há quem exija do outro a mesma postura religiosa e seja intolerante àqueles que dela divergem. Nesse sentido, um caminho possível para combater a rejeição à diversidade de crença é desconstruir o principal problema da pós-modernidade, segundo Zygmunt Bauman: o individualismo.

      Urge, portanto, que indivíduos e instituições públicas cooperem para mitigar a intolerância religiosa. Cabe aos cidadãos repudiar a inferiorização das crenças e dos costumes presentes no território brasileiro, por meio de debates nas mídias sociais capazes de desconstruir a prevalência de uma religião sobre as demais. Ao Ministério Público, por sua vez, compete promover as ações judiciais pertinentes contra atitudes individualistas ofensivas à diversidade de crença. Assim, observada a ação conjunta entre população e poder público, alçará o país a verdadeira posição de Estado Democrático de Direito.

quinta-feira, 28 de maio de 2020

“O Brasil acima de todos”

O Brasil acima de todos

Professor Nazareno*

            Quando o atual presidente da República lançou o slogan de sua campanha, eu nunca tinha pensado que a ficção imitaria a realidade tão rapidamente. “Brasil acima de tudo. Deus acima de todos” foi o mantra que impulsionou muitos brasileiros de pouco cérebro a conduzir para o poder maior do país um sujeito “sinistro” que até hoje não governou nada e só sabe arranjar polêmicas e confusões. O Brasil sempre foi um país muito mal governado, porém com Jair Bolsonaro está batendo todos os recordes. Defensor da terra plana e que nega a atual pandemia de Covid-19, o “Mito” e sua equipe colecionam confusões a cada declaração desastrada que dá. O Brasil caminha a passos largos para ser o novo epicentro da pandemia. Os números de mortos e infectados não param de crescer. E já somos o vice-campeão dessa evitável tragédia. De quem é culpa?
            Atualmente em número de casos só perdemos para os Estados Unidos, um país também governado por outro lunático, Donald Trump, que tem em Jair Bolsonaro um lambe-botas de primeira hora. Mas não demorará muito para assumirmos a ponta desse “campeonato da morte”. O mundo civilizado, que vê o Brasil somente no verão amazônico por causa das queimadas, antecipou sua visão sobre a nossa decadente pátria por causa do pífio combate que estamos fazendo ao vírus mortal. Nunca um slogan caiu tão bem para um país. Vergonha suprema: vamos desbancar o mundo e seremos o campeão em mortos e talvez em infectados. Tendo à frente (na verdade por trás) um presidente ignorante e broco, que incentiva seus cidadãos a desafiar a quarentena e o isolamento social, a situação no Brasil infelizmente só tende a piorar cada dia que passa.
            A Argentina, que tem um presidente de verdade, está nos dando uma lição de civilidade e coerência no combate à pandemia. Inveja: a firmeza de seu líder maior foi decisiva para os nossos hermanos colherem resultados menos cruéis. Mesmo países como Uruguai e Paraguai dão um baile no Brasil do “líder” Bolsonaro. Com poucos mortos e infectados pelo Coronavírus, Alberto Fernández lidera uma aprovação superior a 93% dos argentinos. Estados Unidos e Brasil coincidentemente foram os países cujos presidentes, no início dessa pandemia, levaram na galhofa todas as recomendações das autoridades mundiais da Saúde. O cruel resultado está aí para todos verem e tirarem suas próprias conclusões. Pior: a grave crise política que o Brasil vive em meio à terrível pandemia indica que tudo pode piorar para nós, os sofridos cidadãos brasileiros.
            Fosse o Brasil um país sério e seu povo fosse instruído e politizado o suficiente, podia-se dizer que a atual crise institucional poderia nos levar a uma feroz guerra civil ou a um golpe de Estado. Mas com um povo semianalfabeto, acéfalo e idiotizado que não sai das redes sociais, o máximo que se conseguirá com sucesso é aumentar a morte aos milhares pelo Coronavírus. Principalmente do “gado” pobre e indefeso. E sem a devida e correta assistência do Estado aos seus cidadãos. Não se devia cobrar e muito menos impor lockdown ou quarentena a ninguém. O povo, de forma consciente e pacífica, fazia a sua parte e ajudava na contenção da doença. Com poucas mortes, a organização da economia se buscaria depois. Foi assim em Portugal, na Nova Zelândia e está sendo nos nossos vizinhos. Só que esses países têm comando forte e respeitado. Sem rumo e sem liderança, ficaremos mesmo “acima de todos”. No número de mortos.



*Foi Professor em Porto Velho.

segunda-feira, 25 de maio de 2020

Os BOSTAS de Rondônia

Os BOSTAS de Rondônia

Professor Nazareno*

            O presidente de República teria dito na reunião ministerial do último dia 22 de abril que se precisasse de algum apoio popular “pediria a alguns desses bostas aí para balançar uma bandeira do Brasil em frente ao palácio do Planalto”. Os seguidores do “Mito” foram rebaixados de gado para bosta em pouco tempo. Ainda assim, muitos continuam cegos seguindo o seu líder e o reelegeriam já no primeiro turno se as eleições fossem hoje. Esses excrementos existem em todos os lugares do Brasil e são mais de 210 milhões. Em Rondônia, por exemplo, já são quase dois milhões. O jovem e atrasado Estado, que sempre foi uma merda, pode se acabar de uma hora para outra por causa da atual pandemia. A doença avança sem tréguas por todo o Estado. Hoje já são quase 4 mil casos confirmados e mais de 120 mortos. E estamos apenas no começo da tragédia.
            Sem o Coronavírus, Rondônia já sofria com doenças comuns como malária, desnutrição, curuba, diarreia e lombrigas. Esse Estado sempre foi o suprassumo da bosta e com a pandemia, piorou ainda mais. O “açougue” João Paulo Segundo, que sempre foi uma das vergonhas daqui, deteriorou-se por completo. Pacientes esparramados pelos corredores, falta de médicos e de remédios era rotina. “Só que tudo continuou como dantes no quartel de Abrantes”. O Coronavírus apenas mostrou o que sempre foi tido como normal: que “Rondonha” é uma terra arrasada, um lugar ermo sem eira nem beira, uma currutela fedida e mal administrada. Pior: grande parte do povo que mora aqui é também uma bosta fedida. Depois dos primeiros casos de Covid-19, as festas pipocaram em todos os lugares. E participar de uma delas virou sinônimo de orgulho para muitos.
            Os inúteis de Rondônia continuam alegremente fazendo suas “Coronafests” e suas “Coronabikes” só para ter o prazer de disseminar o vírus mortal com mais força ainda. As caminhadas pelo Espaço Alternativo ficaram até maiores com a quarentena. No Skate Park é difícil não encontrar atletas de última hora. As feiras livres ganharam mais fregueses. Pessoas com máscaras sujas no queixo é o que mais se vê nesses toscos e mortais ajuntamentos. O comércio na Avenida Jatuarana na zona sul da cidade e também na José Amador dos Reis na zona leste foi turbinado. Nunca se viu tanta gente comprando bobagens e transmitindo a letal doença. Mas Rondônia e os titicas daqui não têm culpa, pois só copiam o que veem no resto do Brasil, um país de gente estrume. Lockdown, quarentena, isolamento social são “coisas” inexistentes neste fim de mundo.
            E por causa das atitudes desses excrementos humanos, todos os leitos de UTI’s em todo o Estado de Rondônia já estão ocupados. A partir de agora, quem for contaminado pela Covid-19, que não procure mais nenhum hospital público. Não existem vagas. Fique em casa “tomando Cloroquina se você for da direita ou esperando a Tubaína se você for de esquerda”. Como era de se esperar, o Coronavírus “joãopaulinizou” os hospitais de Rondônia por causa de alguns poucos merdas. A corrupção, marca maior desse povo imprestável, continuou a todo vapor. Não há um só Estado ou cidade onde não haja malversação do dinheiro público durante a pandemia. Infelizmente, muitos ainda morrerão como insetos por causa da ignorância da maioria estúpida e da apatia de governantes incompetentes e alheios ao povo. O Coronavírus chegou e venceu. E matará quantos puder. Caos total: cada um que cuide de si mesmo.



*Foi Professor em Porto Velho.

sábado, 23 de maio de 2020

Os erros de Bolsonaro

Os erros de Bolsonaro

Professor Nazareno*

Acabar com a eterna corrupção dos deputados federais, dos governadores, dos senadores, enfim, de todos os políticos do Brasil. Destruir o monopólio da imprensa e colocá-la sempre a serviço do país e de todos os brasileiros. Impedir os privilégios da elite nacional sobre os mais pobres e miseráveis. Distribuir de forma mais justa toda a riqueza nacional. Colocar um fim na desigualdade social brasileira. Defender a democracia como único regime político do país. Exercer um controle mais efetivo sobre o próprio governo para atingir uma governabilidade mais tranquila. Essas premissas, em tese, deveriam ser defendidas por todo e qualquer governante sério. O fato é que a falta delas levou pelo menos 520 anos para se estabelecer em nossa sociedade e hoje já faz parte do “establishment” não se podendo, portanto, mudá-las de uma hora para outra.
O governo de Jair Messias Bolsonaro pode até não ter todas estas qualidades, mas de certa maneira procura defendê-las para como ele mesmo diz: “fazer do Brasil um país melhor para todos os brasileiros”. O governo do “Mito” acerta na receita e erra na dose para aniquilar os problemas do Brasil. Quer implantar mudanças na marra sem levar em consideração que a sociedade nacional levou mais de cinco séculos para chegar a este patamar. Defende a democracia, mas quer impor suas vontades sem observar direitos adquiridos, sem observar as opiniões contraditórias, sem observar a importância da oposição, ignorando os preceitos da própria democracia, que ensina a importância dos poderes constituídos. Sem nenhuma educação e sem nenhuma liturgia pelo cargo que ocupa, Bolsonaro quer impor sua vontade sem respeitar nenhum critério.
Sem um mínimo de educação, o presidente do Brasil finge não reconhecer que o poder no país sempre foi exercido pelo Executivo, pelo Congresso Nacional e pelo Supremo Tribunal Federal. São as regras da nossa democracia, todas baseadas em nossa Constituição, que ele jurou defender. Sem os três poderes juntos, pouca coisa se pode fazer para bem administrar o país. A união dessas instâncias de poder é fundamental para se conseguir algum sucesso. Só que Bolsonaro insiste, com suas grosserias, sua estupidez e “coices” mudar as coisas. Na força bruta não se consegue nada. Somos uma democracia, por isso é preciso respeitar o contraditório, mesmo sem concordar com ele. O “Mito” e a maioria de seus ministros demonstram grosserias, falta de diálogo. São ríspidos e inconsequentes como foi observado na reunião de 22 de abril lá no Planalto.
Com palavras de baixo calão e desrespeito aos outros poderes, Jair Bolsonaro pediu para sofrer um impeachment. A ex-presidente Dilma Rousseff, por muito menos do que isso, foi retirada do cargo em 2016 sem a menor consideração. Bolsonaro ataca furiosamente, como um cachorro raivoso e sem “papas na língua”, a esquerda, os comunistas, a mídia, os socialistas, os governadores, os congressistas, a oposição, o Supremo e todos aqueles que discordam dele e de seu “governo do ódio”. O poder está lhe fazendo muito mal, por isso tem que sair logo e dar seu lugar a quem tem mais sabedoria, paciência, bons modos e também aceitação do contraditório. Seus filhos aloprados são piores do que os filhos do Lula. Jair Bolsonaro envergonha o Brasil e muitos dos brasileiros, envergonha a civilização. Devia renunciar e ir cuidar de sua filha menor. Deixe o poder para quem tem democracia na veia, paciência e menos ódio. Saia!



*Foi Professor em Porto Velho.

quarta-feira, 20 de maio de 2020

O fim precoce de Rondônia


O fim precoce de Rondônia

Professor Nazareno*

            O jovem Estado de Rondônia, graças a Deus, já dá sinais de que vai levar fim. Até então, nada parecia destruir esta tosca unidade da Federação. Os maus políticos, as péssimas administrações a que foi submetida durante anos consecutivos, a destruição da floresta amazônica pelo fogo todos os anos, o lixo, a enchente histórica do rio Madeira, a eterna dívida do Beron, a roubalheira sem fim, a poluição dos garimpos. Apesar desses revezes, Rondônia ainda parecia indestrutível. Só parecia. A pandemia da Covid-19, no entanto, pode fazer em pouco tempo o que se achava impossível. Sem a menor infraestrutura na área da Saúde e também em todas as outras áreas, o ocaso rondoniano se aproxima. No “açougue” João Paulo Segundo o número de profissionais infectados pelo Coronavírus bate recordes e a pandemia avança sem controle por todo o Estado.
            Hoje mais de dois mil cidadãos foram infectados no Estado e o número de mortes já chega a quase uma centena, embora a população seja uma das menores do país. Em Guajará-Mirim, por exemplo, a taxa de letalidade pela Covid-19 é uma das maiores do mundo chegando a quase 50 por cento da população infectada. Não há hospitais públicos suficientes (na verdade nunca houve) para atender à demanda de portadores do Coronavírus e a morte se anuncia de maneira sinistra e catastrófica entre toda a população. Pior: muitas pessoas “filhas da terra” continuam fazendo suas “Coronafest” e disseminando o vírus numa velocidade assombrosa. Eu me enganei: pensei que Porto Velho e Rondônia iam se acabar de seboseira, de imundície ou então com uma grande chuva de merda. Mas será um vírus o responsável pela derrocada final.
            Porto Velho lamentavelmente seguirá os mesmos passos de Manaus, Fortaleza, Recife, Rio de Janeiro e de São Paulo. Nenhum desses lugares tem governo competente para enfrentar o vírus letal. O Brasil infelizmente sofrerá um baque grande com altos índices de mortalidade. A culpa é do vírus, claro, mas a falta de disciplina de uma população ignorante é um prato cheio para mais e mais infecções. Feiras livres, festas de aniversários, reuniões e comércios abertos é só o que se observa de norte a sul do país. Itália, Portugal, Áustria e alguns outros países civilizados da Europa e da Ásia como o Japão e a Coreia do Sul já estão aos poucos, e com muita cautela, abrindo as suas economias. Em Rondônia oficialmente tão cedo vão abrir o comércio. É que ele sempre esteve aberto. Basta ver as ruas Jatuarana e José Amador dos Reis. E as feiras livres.
            O governo do Estado está totalmente perdido diante dessa pandemia. Reúne para convocar e depois convoca para reunir. Compra hospital particular. Desiste do negócio. Compra outro hospital. Manda fazer reforma. Compra remédios sem critérios. E o povo, quase sem assistência do poder público, continua morrendo feito inseto. Rondônia e sua podre, fedorenta e imunda capital vão se acabar de uma vez por todas durante esta mortal pandemia. Sobrarão somente os mais sortudos. E tomara que as futuras gerações pensem num Estado mais progressista que invista em Educação e Saúde de qualidade para a sua população. Espero que a capital do Estado seja mais centralizada e que seja uma cidade com cultura e também mais limpa e organizada. A currutela fedida vai sucumbir para sempre e perderá o status de capital. Em Rondônia, depois da pandemia, não haverá mais queimadas ou fumaça. E o povo tem que ser outro. Pelo menos melhor.



*Foi Professor em Porto Velho.

segunda-feira, 18 de maio de 2020

Um país muito perigoso

Um país muito perigoso

Professor Nazareno*

            O Brasil é hoje um país muito perigoso para se viver. A violência desenfreada em nossa sociedade nunca foi um bom atrativo para ninguém. A falta de infraestrutura também contribui para esse fato. Além disso, o nosso país já é hoje o possível epicentro da pandemia de Covid-19. A gestão atrapalhada e desorganizada do fatal vírus associada às declarações monstruosas do presidente em relação a essa crise sanitária coloca mais combustível na triste situação. Assim, temos dois problemas para enfrentar: o sanitário e o político ao mesmo tempo. Depois virá o econômico, que será inevitável. Várias embaixadas já alertaram seus funcionários sobre a delicada questão do Brasil e orientam a volta deles o mais rápido possível. Com a recente demissão do ministro da Saúde, Nelson Teich, as coisas podem tomar um rumo incerto em meio ao caos daqui.
            Sem nenhum conhecimento técnico ou científico sobre o Coronavírus ou mesmo sobre qualquer outra coisa, Bolsonaro insiste em prescrever o remédio Cloroquina, ainda que sem a recomendação e o reconhecimento de sua eficácia pela comunidade científica internacional. Os números da Covid-19 no Brasil assustam o mundo e não param de crescer: hoje já são mais de 16 mil mortes com 240 mil infectados. E ainda não atingimos o pico da pandemia. Só que nosso insensível e sinistro mandatário faz pouco caso da desgraça alheia, ri das mortes e tripudia do número de óbitos no país. O “Mito” incentiva perigosamente as pessoas a sair às ruas, a desrespeitar a quarentena e o isolamento social. Para muita gente, Bolsonaro agindo assim é um genocida de sua própria gente. E o pior: ninguém, nada vai querer tirar tão cedo este sujeito do poder.
            Dilma Rousseff caiu por “quase nada”: teria dado pedaladas fiscais no orçamento. Mas o miserável do “Bozo” já fez e aconteceu com o Brasil e os brasileiros e não dá sinais de que pode cair fora. Será que as forças do atraso que o colocaram no poder estão com medo do monstro que criaram? A ex-presidente caiu, embora não tenha feito nem 10% do que está fazendo Jair Bolsonaro. Ele briga, insulta, tripudia, cria crises institucionais, ataca a democracia, dá declarações monstruosas, ri e debocha dos mortos pela Covid-19, interfere nas instituições, demite seus ministros “a troco de nada”, mas se junta ao Centrão e se garante no poder. Lá fora, o Bozo não tem nenhum prestígio. Mas aqui, seguidores ensandecidos pelo “líder” inundam as redes sociais e feito zumbis saem às ruas aos prantos. Hoje, o “Mito” seria eleito já no primeiro turno.
            Só que Jair Bolsonaro não enganou ninguém. Tudo o que está fazendo agora ele já fazia durante a campanha eleitoral. E cada voto que recebeu foi de forma consciente. Muitos dos brasileiros se viam nele e o veneravam. O “Salvador da Pátria”, o “homem que vai alavancar o Brasil para o futuro”, o “carrasco dos corruptos”, dentre muitos outros mantras eram gritados pelas multidões em delírio. Hoje o “Mito” é aplaudido ao levar os brasileiros à morte e ao suicídio e ao insuflá-los a saírem às ruas durante esta pandemia. Contra tudo e contra todos, ele nega o óbvio como a ciência e as orientações mais razoáveis das autoridades sanitárias para enfrentar o caos. Bolsonaro não tem ministério. O ministério é ele mesmo. Só vale sua vontade e sua visão sobre todas as coisas. A maior vergonha, no entanto, é não conseguirem ou não quererem tirá-lo do poder. Motivos não faltam. Hoje, alguns povos civilizados evitam o Brasil. Mas, e daí?



*Foi Professor em Porto Velho.

quinta-feira, 14 de maio de 2020

Um idiota a cada 30 anos


Um idiota a cada 30 anos

Professor Nazareno*

            A História do Brasil, a partir de 1930, nos mostra algo impressionante: pelo menos a cada 30 anos, aparece um sujeito “desmiolado”, “sinistro” e até meio “folclórico” metido a “salvador da pátria” e com ideias “mirabolantes” para assumir a presidência do país. Eleito democraticamente pelo voto direto, ou não, essas figuras passam a fazer parte de momentos únicos da nossa sociedade. Getúlio Vargas é o primeiro a encabeçar essa lista mais do que esquisita. Pelo menos entre 1930 e 1954, Vargas, que ainda é endeusado por muitos saudosistas, foi um ditador que tomou o poder em 1930, depois deu um golpe em si mesmo sete anos depois, era simpatizante do Nazismo, foi deposto ao fim da segunda guerra e depois volta ao poder pela via direta até cometer o suicídio. Ditador, era tido como “herói” e chamado de o “pai dos pobres”.
            Aproximadamente 30 anos depois, no início dos anos sessenta, aparece Jânio Quadros. Político de comportamento muito estranho, é eleito para presidente com um discurso ufanista que conquistou mais uma vez o imbecil eleitor. Sucedeu Juscelino Kubistchek, talvez o melhor mandatário que este país já teve. Mas sem nenhuma razão aparente, renunciou após poucos meses de mandato abrindo dessa forma o país para a aventura militar que duraria mais de vinte anos. Jânio falava de “forças estranhas” que haviam se levantado contra ele, mas nunca disse que forças eram essas. Volta a ser eleito em 1985 pela via direta para prefeito de São Paulo e às duras penas conclui seu mandato sempre criando factoides midiáticos. Em 1989 apoia Fernando Collor para presidente e para a nossa sorte, deixa a vida política para sempre até morrer em 1992.
Jânio sempre fora eleito como um incondicional combatente da corrupção só que terminou sua vida política sendo acusado exatamente de corrupção. Em 1990 o Brasil e o mundo infelizmente conhecem Fernando Collor de Melo. Outro “amalucado” que encantou as massas e se tornou presidente da República. Com um discurso agressivo, o mais jovem presidente eleito do Brasil era também conhecido como o “caçador de marajás”. Collor dizia combater os privilégios dos funcionários públicos, falou que a elite brasileira era muito atrasada e que colocaria o Brasil no rumo do Primeiro Mundo em pouco tempo. Economicamente foi um desastre completo para o país. Confiscou o dinheiro da população e para não ser cassado por corrupção, renuncia ao mandato em 1992. A elite criou os “caras-pintadas” para se livrar dele. Hoje é senador por Alagoas.
E como os ricos do Brasil nunca mudaram suas concepções políticas e o povo eleitor continuou sendo imbecil e idiota como sempre, eis que nos aparece exatos 30 anos depois de Fernando Collor mais outro “salvador da pátria” com um discurso também milagroso e mais agressivo que encanta, de novo, as massas ignaras.  Em 1930, tivemos Getúlio Vargas. Em 1960, nos aparece Jânio Quadros. Em 1990, Fernando Collor e em 2020, Jair Bolsonaro é o novo “condutor” do povo brasileiro. Eleito em 2018, Bolsonaro é a antítese do que seria um presidente. Grosso, sem nenhuma liturgia pelo cargo, sem “papas na língua”, com raros conhecimentos, acusado de racista, misógino e homofóbico, saudosista da tortura e de regimes antidemocráticos e cercado pelos seus três filhos problemáticos (e enrolados com a Justiça), o governo do “Mito” sofre o impacto de uma feroz pandemia. Pode ser cassado. E quem nos virá em 2050?



*Foi Professor em Porto Velho.

segunda-feira, 11 de maio de 2020

“Que morram, então!”

Que morram, então!”

Professor Nazareno*

            A ameaça de um vírus desconhecido pode levar populações inteiras ou parte delas ao desaparecimento quase total. Não há remédios, não há vacinas, não há outras formas conhecidas para deter a ação mortal do agente infeccioso. E sempre foi assim. Na Peste Negra, que dizimou metade da população da Terra, e também na Gripe Espanhola, que ceifou a vida de milhões de pessoas, o único remédio era tomar distância do problema. Mesmo em outras crises sanitárias causadas por seres microscópicos como a cólera, o HIV, a hepatite e a meningite, a única maneira mais eficaz era evitar o contato. E não é diferente com o Coronavírus em pleno século vinte e um. Com grande capacidade de transmissão para infectar organismos humanos e causar a Covid-19, não há outra saída, por enquanto, que não seja a quarentena e o isolamento.
            Mas confinar populações inteiras dentro de casa não tem sido nada fácil hoje em dia, principalmente em países como o Brasil, onde além de as autoridades não gozarem de prestígio popular, a maioria de seus cidadãos depende do trabalho diário para prover suas necessidades básicas. “Se ficar em casa pode até escapar do vírus, mas morre de fome”, é o pensamento lógico a que a maioria, com alguma razão, se apega. Por isso, as pessoas, principalmente as mais frágeis economicamente, não pensam duas vezes para se arriscar. Em países ricos e civilizados, o confinamento ainda que tardio em alguns casos, já evitou milhares de mortos. Reino Unido, Itália, Estados Unidos, Espanha, Japão, Alemanha, dentre muitos outros países, foram obrigados a decretar a quarentena de seus cidadãos. Na Nova Zelândia, o povo, em respeito à primeira-ministra, obedeceu.
            Com muita disciplina, obediência, amor à nação e firmeza “santa” Jacinda Ardern praticamente venceu o vírus em seu país. E por causa do confinamento, muitos países já ensaiam a flexibilização de seus comércios e de suas atividades econômicas. Mas no Brasil de analfabetos funcionais, de gente indisciplinada, de pessoas ambiciosas e de ignorantes em relação à atual pandemia, o caos se anuncia. Hoje já são quase 12 mil mortos pela Covid-19 e o número de infectados ultrapassa os 150 mil. E ainda não  atingimos o “topo da curva”. E para piorar a situação, o presidente do país ignora qualquer recomendação séria sobre o vírus e incentiva todos a saírem às ruas. Num cenário assim, não há muito que fazer. É deixar o povo morrer à míngua. Não há outro jeito. É triste, mas se eu fosse uma autoridade, já tinha lavado as mãos e saído de cena.
            Em Rondônia, por exemplo, as “Coronafest’s” e as “Coronabikes” continuam acontecendo na “cara” das autoridades e da Justiça sem nenhuma punição. Pessoas caminham diariamente no “Skate Park” e no Espaço Alternativo da cidade como se nada estivesse acontecendo. Jogos de futebol, aniversários, passeios, churrascos, festas, feiras livres e ruas lotadas ainda é rotina em Porto Velho. O Estado devia orientar todos os hospitais e UPA’s a não mais atender ninguém suspeito de Covid-19. Só atenderia pessoas com doenças “normais”. Outras cidades do país também têm dificuldades para implantar o “Lockdown”. Não querem seguir a ciência nem obedecer às autoridades? Que morram, então! Deve ser muito prazeroso morrer seguindo as ideias de Bolsonaro e suas sandices hilárias. Claro que haverá muitas falências, mas com vida todas podem ser recuperadas. O Coronavírus mostra ao mundo o nível de povo que temos. Infelizmente!



*Foi Professor em Porto Velho.