Uma
cidade sem moda
Professor
Nazareno*
Já ouvi dizer muitas vezes que o
brasileiro de um modo geral não sabe se vestir. No entanto, não se tem a
certeza de que isto seja verdade ou é apenas fofoca espalhada pelas redes de
lojas e grifes tentando conquistar novos clientes para seus produtos. O fato é
que basta dar uma olhada nas ruas do país para se observar a veracidade desta
triste realidade. Em Porto Velho, por exemplo, constata-se um verdadeiro
festival brega, cafona e de péssimo gosto quando o assunto é seguir as tendências
de estilo e se vestir bem. Diferente de Milão, a capital mundial da moda, ou de
outra cidade qualquer do mundo civilizado, muita gente desta capital se
esmera em se vestir como “Jeca”, ou seja, de forma totalmente
desajeitada. E isto infelizmente não está restrito apenas a nós, os homens, mas
principalmente às mulheres, que parece não conhecerem o bom gosto.
Uma pena, pois algumas das senhoras
daqui são até bonitas e charmosas e se tivessem a oportunidade e o bom senso de
se vestirem e se trajarem bem aumentariam consideravelmente sua beleza. Mas
mesmo que quisessem, não poderiam fazer isso, já que em Porto Velho não existe
uma única loja de reconhecimento internacional que acompanhe as tendências do
que acontece nos principais salões do Brasil e do mundo. Inegável reconhecer
que grandes marcas de grifes mundiais como Louis Vuitton, Dolce & Gabbana,
Yves Saint-Laurent, Christian Dior, Chanel, Gucci dentre inúmeras outras
conseguem fazer o incrível milagre de transformar reconhecidos “dragões”
em pessoas minimamente produzidas para serem vistas e admiradas. Por isso, a
Rua 25 de Março em São Paulo e Guayaramerin na Bolívia são os destinos certos
das nossas madames.
Outro dia fui a uma recepção noturna
aqui mesmo em Porto Velho e fiquei horrorizado com tanta mediocridade e tanta
falta de bom gosto da mulherada ali presente. Parecia uma festa à fantasia. Vi
muitas damas até bonitas, mas que estavam impecavelmente feias e desajeitadas. Bolsas,
sapatos e colares “fakes” davam o tom àquele desfile patético. Tudo
produto “Ching Ling” feito na China e em Hong Kong. Até os perfumes
usados eram de mau gosto. Uma fragrância insossa de cobra choca empestava o ar
daquele ambiente brega e cafona. E com certeza não se via ali uma única peça
original. Até as jovens portovelhenses geralmente também se vestem mal e muitas
delas dão graças a Deus por terem que usar as surradas e feias fardas
escolares, pois se parecendo com aqueles horríveis vasos chineses todas elas ficam
pobres e iguais.
O descompasso com a moda por aqui é
tanto que muitas cidades do sul do país estão a dois ou três anos de distância
de nós. Se a comparação for com uma cidade da Europa ou dos Estados Unidos, aí essa
distância será de anos-luz. Até marcas nacionais do Centro-Sul do país costumam
mandar para cá suas “pontas de estoques” para serem aproveitadas. E
quando raramente faz um friozinho por estas bandas, algo como 27 ou 28 graus
Celsius, o desfile de horrores pelas ruas se intensifica. Cheiro de mofo,
barata e naftalina dá o tom aos transeuntes. E como eu sempre tive bom gosto e
costumo me vestir bem, entendo que esta arte é para poucos. É estranho Porto
Velho não ser o paraíso dos brechós. Com tanta cafonice, vulgaridade e gosto “démodé”
para se vestir e tudo isto aliado à falta de grandes marcas mundiais da moda e
do lazer, essas lojas se dariam muito bem por aqui. Aliás, maninha! Com que
roupa você vai à festa hoje?
*É Professor em Porto Velho.



