quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

Uma nação de covardes!

Uma nação de covardes!

 

Professor Nazareno*

 

            Graças a Deus o Brasil já começou a vacinar seus habitantes contra a Covid-19. MENTIRA! MENTIRA! MENTIRA! Não houve nenhuma vacinação em massa. Por enquanto, somente pouco mais de 1% dos brasileiros serão vacinados. Não é nem metade do pessoal da linha de frente. O Brasil não tem até hoje, quase um ano após o início desta pandemia, nenhum plano para vacinar seus cidadãos. Não tem, nunca teve e talvez nunca tenha. As poucas vacinas que iniciaram essa grande mentira da vacinação foram conseguidas pelo governador de São Paulo, João Doria. O governo federal não tem uma vacina sequer para imunizar ninguém. Por isso, o Ministério da Saúde confiscou as vacinas da CoronaVac que São Paulo conseguiu da China. O “início” da vacinação foi uma jogada de marketing para inglês ver, pois não há vacinas no Brasil.

            De forma vergonhosa, muitos governadores, prefeitos e políticos de um modo geral foram aos aeroportos para receber “a vacina que salvará os brasileiros”. Fotos, otimismo, discursos inflamados, enganação, hipocrisia, mentira, desfaçatez. Pior: de norte a sul do país já houve pessoas que descarada e covardemente furaram a fila para tomar a vacina. “Elizabeth II às avessas”. O escândalo é tanto que o prefeito de Manaus proibiu fotos das pessoas sendo vacinadas para evitar mais vergonhas. Como se não bastassem esses péssimos exemplos, as dificuldades para aparecerem mais vacinas em terras tupiniquins ficam mais evidentes ainda. China e Índia, os dois países responsáveis pela produção de 2/3 dos insumos para a fabricação dos imunizantes, tiveram problemas diplomáticos recentes com Bolsonaro. E há “pendências” no envio desses produtos.

            Além dos terríveis problemas do “Holocausto no Amazonas” causados por incompetência das três esferas de poder, especula-se que o angustiante atraso, já sanado, de dois milhões de doses de vacinas da Índia e dos insumos da China se deve ao fato de Bolsonaro, seu filho Eduardo, deputado federal, e o chanceler Ernesto Araújo terem desnecessariamente atacado os chineses numa recente discussão sobre tecnologia 5G. Como visto, Bolsonaro e seus devotos odeiam a China, mas é nesse país do Oriente que está a salvação dos brasileiros. O “Bozo” chamava o produto da China de “a vacina chinesa do Doria”, que foi imediatamente rebatizada para “a vacina do Brasil”. E a reação dos brasileiros a todo este descalabro do Planalto continua sendo a mesma: nenhuma. O Congresso Nacional está de férias. O STF nada disse. E o povo se calou.

            A política externa de Bolsonaro é um desastre que além de tornar o Brasil um pária internacional fatalmente vai resultar em muitas mortes em nosso país e ninguém toma providências. Uma nação de covardes, que vê seus cidadãos morrerem pela incompetência dos governantes e se cala. Por tudo isso, Jair Bolsonaro tem que sair do poder para o bem do Brasil. Mas a Câmara dos Deputados não deixa. No entanto, não há maior covardia para com o Brasil e os brasileiros, do que a do atual presidente desta casa legislativa, Rodrigo Maia, o Nhonho. Maia sairá do cargo em fevereiro e coube a ele a façanha de reter pelo menos 61 pedidos de impeachment contra o Bolsonaro. E a covardia continuará: nem o Baleia Rossi muito menos o Arthur Lira, um deles sucessor de Rodrigo Maia, pedirá a saída do “Bozo” que governa desastrosamente o país. Quantos mortos ainda serão necessários para que a “nação de covardes” reaja ao óbvio?

 

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.


terça-feira, 19 de janeiro de 2021

Vacinação sem vacinas

Vacinação sem vacinas

 

Professor Nazareno*

 

            A Covid-19 é a doença causada pelo Coronavírus que como o próprio nome já diz, trata-se obviamente de um vírus. E para vírus, em tese, não há remédios. Somente os anticorpos produzidos pelo organismo atacado. A própria Anvisa afirmou que a vacina é extremamente necessária porque não há tratamento precoce para a doença. Ou seja, não há nenhum remédio. E a vacina em si não é um remédio, mas uma droga que ao ser injetada no corpo humano induz este a produzir as suas defesas. Esse negócio de Cloroquina, Ivermectina e outros medicamentos aleatórios são apenas invenção política de pessoas leigas e más intencionadas para enganar os idiotas. Até o médico francês Didier Raoult, “o pai da Cloroquina”, afirmou recentemente que seu medicamento não tem efeito nenhum sobre o Coronavírus. “Associado ou não a outro remédio”, concluiu.

            Por isso, desde o ano passado que várias nações estavam correndo atrás da vacina. Menos o Brasil. Há relatos de que a Pfizer teria oferecido ainda em julho pelo menos 70 milhões de doses ao país, que rejeitou o negócio. O governo federal não soube nem está sabendo conduzir a crise causada pela pandemia. O ministro da Saúde, um general do Exército que se diz especialista em “logística”, é um fracasso só. Uma incompetência, uma nulidade sem tamanho. As únicas vacinas disponíveis hoje no país são as seis milhões de doses da CoronaVac, vacina chinesa já antes muito criticada por Bolsonaro. Se aplicar as duas doses, dará apenas para imunizar três milhões de pessoas. Pouco mais do que um por cento dos brasileiros. Destas, Rondônia recebeu somente 33 mil doses. Serão 16 mil vacinados. Para os indígenas daqui foram 16,3 mil doses. E só!

            De onde virão as outras 425 milhões de doses para imunizar o restante da população do país, ainda não se sabe. O governo federal não sabe. O general-ministro, o da logística, não sabe, governadores não sabem, prefeitos não sabem. Ninguém sabe. Não fosse o João Doria, governador de São Paulo, que deu o pontapé inicial ainda no dia 17/01 à tarde, a vacinação no restante do país só começaria três ou quatro dias depois. Como iniciar uma campanha de vacinação em massa se não foram feitas campanhas? Como vacinar 215 milhões de pessoas se não existem vacinas? Eduardo “Pesadelo” e o seu chefe Bolsonaro deviam ser responsabilizados por tudo o que está acontecendo com os brasileiros, principalmente os mais pobres, nesta pandemia. O cruel e horroroso caso de Manaus clama por justiça. Aquilo ali foi um Holocausto calculado.

Jair Bolsonaro e o ministro Eduardo Pazuello, assim como todas as autoridades do Amazonas, deviam ser denunciados ao Tribunal Internacional de Haia na Holanda por crimes contra a humanidade. Cidadãos morrendo asfixiados por incompetência de seus governantes é um crime que devia ser punido sempre. Vergonha suprema: até Nicolás Maduro, o ditador socialista “tirano e sanguinário” da Venezuela, por piedade, mandou oxigênio para Manaus. A capital do Amazonas não tem oxigênio e o Brasil não tem vacinas nem governo. Tudo está sendo feito “a cu de cavalo”. Se existe, o Plano Nacional de Vacinação do Brasil parece a “casa da mãe Joana”. Aliás, a marca maior deste governo insensível e incompetente. E sem otimismos, pois a vacinação inicial tem até agora garantida só a primeira dose e para uma parcela ínfima de pessoas. Se fosse o governo Temer, teria mais empenho e profissionalismo. Fato: o Brasil não merece isto!

 

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

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domingo, 17 de janeiro de 2021

E se fossem pedaladas fiscais?

E se fossem pedaladas fiscais?

 

Professor Nazareno*

 

            O Brasil vive momentos dramáticos com a pandemia da Covid-19. Fala-se em uma segunda onda mais letal e mais transmissível do que a primeira ocorrida no início do ano passado. O aumento assustador de casos e de mortes se verifica em todas as unidades da Federação. Na cidade de Manaus no Amazonas, por exemplo, pacientes estão morrendo às centenas. Cemitérios da cidade já não estão mais dando conta de tantos enterros diários. A falta de oxigênio nos principais hospitais da capital faz com que os amazonenses morram asfixiados como nos campos de concentração nazistas sem que o poder público faça algo para estancar o sofrimento dos manauaras. No interior de Rondônia, as UTI’s das maiores cidades estão lotadas. A capital e outros municípios do Estado decretam Lockdown para tentar conter o vírus. Por todo o país o caos é iminente.

            Não há relatos de um só Estado ou grande cidade do país em que a situação esteja sob controle. Falta de vagas em hospitais particulares e públicos, dor, choro, agonia, sofrimento, falta de esperança da população em dias melhores. Enquanto isso, todas as instâncias do Poder Público parecem estar fazendo “ouvido de mercador”. Com exceção do Amazonas, o ENEM, Exame Nacional do Ensino Médio, foi realizado em quase todos os municípios do país como se não houvesse pandemia. Fala-se também que o aumento dos infectados se deu por conta das festas de fim de ano. E as eleições com dois turnos? Durante o último pleito as aglomerações aconteceram de forma até natural. Além disso, o ajuntamento de pessoas foi uma cruel rotina. Poucos abriram mão de suas férias. Postar fotos nas redes sociais em praias e balneários foi uma constante.

            Lamentavelmente muitos brasileiros, principalmente os mais pobres, estão jogados à própria sorte durante esta terrível pandemia. E muitos ainda vão morrer por causa do já esperado descaso dos governos municipal, estadual e federal. Não há oxigênio, não há vacinas e também não há governo que os ampare. Mais um fiasco do “desgoverno” Bolsonaro: até os dois milhões de doses da vacina de Oxford que seriam entregues pela Índia foram adiados. Parece que os indianos agora só vão entregar no dia “D” e na hora “H”. E nada de procurar desculpas e dizer que o STF proibiu o “Bozo” de agir durante esta crise sanitária. O governo federal é coordenador do sistema federal de Saúde, o SUS, do Plano Nacional de Imunização, o PNI. Tem autoridade para fazer compras centralizadas e procurar sempre os melhores preços. Mas nada fez e nem faz.

Sem nenhum impedimento por parte do STF, Brasília pode fazer pesquisas e consolidar os dados nacionais sobre a doença. Junto com os secretários de saúde, analisar o mapa nacional da doença, seu movimento de difusão, sugerir e tomar providências, fazer campanhas nacionais de esclarecimento e educação sanitária. A única autonomia que o Supremo reconheceu aos Estados e municípios foi somente sobre a decisão de autorizar, abrir ou fechar atividades comerciais e de serviços dentro desses próprios estados e municípios. Estamos em um estado de guerra e não temos Exército nem munição para enfrentar o inimigo. Cadê os políticos? Por que foram tão rápidos para cassar a ex-presidente e calam agora? Ainda bem” que toda essa angústia é “apenas” um genocídio com cidadãos morrendo asfixiados, sem ar. Mas tudo poderia ser bem pior: já pensou se o presidente Bolsonaro tivesse realizado as pedaladas fiscais?

 

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

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sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

Manaus não merece isso!


Manaus não merece isso!

 

Professor Nazareno*

 

            Com quase 2,5 milhões de habitantes, a bonita, turística e aconchegante cidade de Manaus, capital do Amazonas, por causa da Covid-19, é hoje uma cidade que está na lona, numa situação nada invejável. O número de infectados e de mortos aumenta exponencialmente a cada dia. A situação é de desespero e caos. Os hospitais públicos e particulares estão todos lotados. Falta oxigênio para entubar pacientes. Como nos campos de concentração nazistas, cidadãos manauaras estão morrendo asfixiados aos montes. Os cemitérios já não dão mais conta de tantos enterros diários. A situação é angustiante e Manaus pede socorro ao mundo. Autoridades locais decretaram toque de recolher. A capital amazonense, no entanto, deu em 2018 mais de 65% dos seus votos para eleger Jair Bolsonaro, talvez hoje o maior culpado pelo que a cidade está passando.

            Porém, a culpa por toda esta agonia e caos não é somente do governo federal. Parlamentares bolsonaristas, dentre eles, Eduardo Bolsonaro, filho do presidente da República, Bia Kicis e Carla Zambelli dispararam postagens nas redes sociais parabenizando o povo amazonense pela rebeldia em não cumprir o lockdown decretado pelo governador do Estado. “Primeiro Búzios e agora Manaus. Todo poder emana do povo” disse irresponsavelmente o filho de Bolsonaro. Não deu outra: o vírus agradeceu e “está fazendo a festa”. A falta de consciência de muitos patrões e também de seus funcionários e da população em geral infelizmente tem contribuído para o aumento desses dias terríveis vividos no Amazonas. Triste: “Queremos trabalhar”, gritava euforicamente muita gente aglomerada e sem máscaras antes de começar a desgraceira.

            Manaus tem a Arena da Amazônia, um dos mais bonitos e mais caros estádios de futebol do mundo. Isso numa cidade onde praticamente não há futebol. Mas como “Copa do Mundo não se faz com hospitais”, fica-se aqui questionando se toda esta dinheirama tivesse sido investida na Saúde e na infraestrutura local, talvez a cidade não estivesse vivendo agora todo este drama e agonia. Além do mais, o governo federal com o ministro da Saúde, Eduardo “Pesadelo” teria falado que Manaus está vivendo tudo isso porque seus habitantes não tomaram antes a Cloroquina. Pazuello e Bolsonaro sabiam o que estava acontecendo no Amazonas e não tomaram nenhuma providência. No desespero, Manaus agora está “exportando” pacientes graves para outros Estados. Um perigo, pois a nova cepa do vírus assassino e mortal pode contaminar todo o país.

            A rede de solidariedade, no entanto, espalhou-se pelo Brasil inteiro e também em partes do mundo. Artistas, intelectuais, desportistas, empresários de multinacionais e cidadãos comuns estão fazendo o que os governos estadual e federal não fizeram pela cidade. Ironia suprema, até o governo bolivariano da Venezuela já ofereceu oxigênio para os hospitais de Manaus. “Enquanto Bolsonaro cruza os braços, Nicolás Maduro estende a mão para Manaus” foi a manchete do jornal Correio Braziliense. Segundo o embaixador daquele país, Jorge Arreaza, o governo de Maduro, em nome da solidariedade latino-americana, vai disponibilizar quantidades de oxigênio suficientes para resolver o triste e urgente problema de Manaus. Se isto acontecer, os bolsonaristas já podem mandar os outros brasileiros irem para a Venezuela, pois lá deve ter oxigênio. E torçamos para que a situação de Manaus não seja um prenúncio para o resto do Brasil.

 

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.


terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Vacinação sem dia nem hora

Vacinação sem dia nem hora

 

Professor Nazareno*

 

            Mais de 60 países no mundo já iniciaram a vacinação de seus cidadãos contra a Covid-19. Na América Latina pelo menos cinco países já deram a largada: Argentina, Chile, México, Costa Rica e Porto Rico. Em toda a União Europeia, nos Estados Unidos, apesar do Donald Trump, no Canadá, Nova Zelândia, China, dentre outros, a preocupação com a pandemia já acendeu a primeira luz no fim do túnel. No Brasil, infelizmente ainda não há data nem hora para começar o fim do martírio de nossos cidadãos. O ministro da Saúde do país, o general Eduardo Pazuello, afirmou em recente entrevista que será no dia “D” e na Hora “H”. Ou seja, aqui não há data prevista para que comecemos a nos livrar deste maldito vírus. Enquanto isso, o governo de São Paulo diz que deve iniciar próximo dia 25 a vacinação em massa de todos os seus cidadãos.

            Por incrível que pareça, Pazuello é um general do Exército brasileiro e se diz um especialista em logística. Deve ter sido por isso que assumiu a pasta da Saúde no meio dessa feroz pandemia causada pelo Coronavírus. Só que sua pífia atuação à frente do Ministério tem criado dias de pânico e incertezas para toda a população do país, ansiosa para ter qualquer vacina o quanto antes. Não houve nenhuma logística na sua desastrada e incompetente gestão. Até os insumos para a aplicação de uma vacina ainda não existem. Seringas, agulhas, pessoal para aplicar as doses, nada. Absolutamente nada foi preparado para enfrentar o que qualquer pessoa sem nenhuma formação em “logística” teria previsto. Há notícias de que a Pfizer teria vendido ainda em julho pelo menos 90 milhões de doses para ser entregues em dezembro do ano passado. O Brasil não quis.

            Além de negacionista da pandemia e crítico feroz da ciência, o “capitão-presidente” parece fazer de tudo para que ninguém no país seja vacinado tão cedo. E como o “general-ministro” obedece cegamente às ordens do chefe, muitas vidas ainda serão ceifadas. Até agora são mais de 204 mil mortos e oito milhões de infectados. Mil mortos todo dia pela pandemia. Cada segundo, cada minuto, cada dia sem vacina significa mais brasileiros mortos. Mais famílias destroçadas. Mais dor. Mais sofrimento. E tudo por culpa do governo federal que não providenciou ações para o enfrentamento do problema. E pensar que a ex-presidente Dilma Rousseff foi escorraçada do poder por que fez pedalada fiscal. Além do escárnio, do pouco caso e da falta de respeito com os mortos, Bolsonaro e seu ministro deviam ser responsabilizados pelo aumento de óbitos.

            O Brasil tem uma das maiores cargas tributárias do mundo e por isso todos os cidadãos daqui têm direito à vacina grátis. Mas por irresponsabilidade, por incompetência, por má vontade mesmo dos governantes, o antídoto não vai dar para todo mundo. A correria entre a vida e a morte será inevitável. Dessa forma, algumas castas mais privilegiadas já estão se movimentando para chegar primeiro à imunização. Se o Brasil tivesse começado a vacinar em dezembro passado, e houve oportunidades para isso, certamente em meados de março ou abril próximos, o vírus já diminuiria bastante entre nós. A Anvisa tem que agir rápido e liberar urgentemente as vacinas que já estão sendo aplicadas no mundo desenvolvido. Ironia: a mesma Anvisa libera os agrotóxicos que o mundo inteiro proíbe. Então não devia proibir as vacinas que o mundo libera. Fato: o país está sendo castigado duas vezes: pelo Bolsonaro e pelo vírus.

 

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

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Programa Conteúdo Amazônia - Prof. Nazareno


sábado, 9 de janeiro de 2021

Aqui, Bolsonaro triunfaria

 

Aqui, Bolsonaro triunfaria

 

Professor Nazareno*

 

Os lamentáveis acontecimentos políticos de seis de janeiro de 2021 nos Estados Unidos, que abalaram a democracia da maior potência econômica, militar e cultural da atualidade, mandaram um tenebroso recado para o resto do mundo. O alerta foi disparado e países com regimes democráticos muito jovens como o Brasil podem “mergulhar de cabeça” em aventuras irresponsáveis e inconsequentes. A extrema-direita norte-americana capitaneada pelo maluco e psicopata Donald Trump só não triunfou no golpe de Estado por que as Forças Armadas daquele país não lhe deram o apoio esperado para consumar a morte da forte democracia local. No Brasil, governado por um lunático igual ou pior do que o fanfarrão americano, o recado para a virada do jogo político em 2022 já foi dado. E por aqui não há um establishment como nos EUA.

O Congresso americano tem uma forte tradição democrática. Os políticos de lá além de serem nacionalistas têm na defesa da democracia o seu maior trunfo, embora Nancy Pelosi desconfie de que Trump possa desencadear um ataque militar ou mesmo nuclear contra alvos dentro do próprio país. Muito diferente do Congresso Nacional do Brasil que mais se parece com um bordel de quinta categoria. Aqui não há ideologia política nenhuma a não ser a ganância pelo poder e pelo dinheiro. Verbas públicas de preferência. Em nosso país, de um modo geral, não existem políticos de direita nem de esquerda, muito menos nacionalistas ou democratas. Há apenas um bando de salafrários que querem ficar cada vez mais ricos e poderosos à custa do suado dinheiro dos nossos impostos. Para essa gente, não interessa o regime nem a ideologia que está no poder.

Além dessa cambada de patifes celerados e ambiciosos, há as Forças Armadas. E dentro da maioria de muitos quarteis brasileiros lamentavelmente ainda reina uma mentalidade golpista que não perdoa o fato de ter sido escorraçada do poder pelas circunstâncias advindas com o fim do Comunismo no ano de 1985. Tudo isso apesar dos privilégios que ostentam até hoje. O próprio presidente da República, um fracassado capitão do Exército, é oriundo desse pensamento tacanho e retrógrado. Democracia é um mero detalhe para grande parte dessa gente. Num pretenso ataque às instituições democráticas em 2022, choveria apoio de várias alas reacionárias da sociedade. Além do mais, num país de analfabetos políticos, onde mal se tem o que comer, qualquer “esmola oficial” fará com que muitos aceitem o horror de uma ditadura militar ou civil.

Isso sem falar numa imprensa vendida em sua grande maioria onde “jornalistas” reacionários, conservadores, despolitizados e “coxinhas” não se cansam de tecer loas aos ditadores de plantão, que lhes presenteiam com polpudas verbas públicas. O puxa-saquismo da mídia brasileira aos governantes de hoje só não é maior por que, por falta de visão, burrice e estupidez do próprio Bolsonaro, muitas verbas foram cortadas sem maiores explicações. Como se vê, o atual presidente do Brasil pode até perder as próximas eleições, mas do cargo não sairá tão facilmente. A ameaça está sendo dada todos os dias em suas declarações. O ovo da serpente está chocando e só aguarda a hora de agir. Nossa sorte é que a União Europeia e mesmo os Estados Unidos de Joe Biden não darão vida fácil aos usurpadores do poder. A extrema-direita deu seu último suspiro com a saída do Trump nos EUA, que têm uma Suprema Corte diferente do nosso STF.

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

O ocaso do Império

Foto: reprodução/Globonews

O ocaso do Império

 

Professor Nazareno*

 

Shame! Shame! Shame! (Vergonha em inglês). Não existe outra palavra para descrever o que aconteceu em Washington, Estados Unidos, no dia seis de janeiro de 2021 quando vândalos incentivados por Donald Trump, presidente do país, invadiram o Capitólio, sede do Congresso Nacional, para tentar impedir que os parlamentares reconhecessem a vitória de Joe Biden dois meses antes. A maior potência econômica e militar do planeta foi transformada de uma hora para outra em uma reles republiqueta de bananas ou numa nação da África subsaariana, que geralmente resolvem seus problemas políticos na força bruta. Desde o atentado às torres gêmeas em 2001 que os norte-americanos estão perdendo a hegemonia mundial. China e União Europeia só crescem. A partir de 2028 o PIB dos chineses superará toda a economia dos Estados Unidos.

Democracia e extrema-direita realmente não combinam. Em lugar nenhum do mundo. O republicano Donald Trump perdeu as eleições nas urnas e, sem provas, diz que lhe roubaram a vitória. Insiste que ganhou o pleito e se nega a entregar o cargo. Por isso, protagonizou cenas lamentáveis e absurdas no país que sempre foi exemplo de democracia para o mundo. Arrogante, negacionista, limitado e antidemocrático, ele incentivou toda a violência que se viu. Pelo menos quatro pessoas foram mortas e várias outras feridas. Pressionado pelos fatos e pelas circunstâncias já admite “uma transição ordeira” de poder no próximo dia 20 de janeiro. Devia ser responsabilizado pela anarquia que proporcionou, ser condenado e preso antes de deixar o cargo. Até seus correligionários republicanos condenaram fortemente as cenas vistas em Washington.

Além de covarde, a extrema-direita também é assassina, cruel e desumana. O exemplo dos Estados Unidos pode ultrapassar as fronteiras daquele país e “contaminar” outras democracias mundo afora. No Brasil, governado por um insano de ideias iguais ao do demente norte-americano, o sinal de alerta foi aceso. Jair Bolsonaro vai perder as próximas eleições de 2022 certamente. Suas ideias retrógradas, imorais, racistas, homofóbicas, misóginas e antidemocráticas também não prosperaram no mundo moderno e por isso a elite nacional já devia ir “colocando as barbas de molho”. Ano passado, por exemplo, fracassou e praticamente perdeu todas as apostas que fez em seus candidatos nas eleições municipais. Além do mais, o “Bozo” já alardeia publicamente que não aceita um pleito com urnas eletrônicas. “O voto tem que ser impresso”, disse.

Donald Trump e Jair Bolsonaro envergonham e apequenam seus países. Deviam ser escorraçados do poder, processados, julgados e presos. Deviam ser impedidos por lei de assumirem cargos tão importantes como o de presidente da República antes de mostrar exames de sanidade mental. Nem os Estados Unidos merecem um nem o Brasil merece o outro. Com 200 mil mortos pela pandemia do Coronavírus e quase oito milhões de infectados no Brasil, Bolsonaro continua zombando dos mortos e fazendo diariamente chacotas com a doença e nada lhe acontece. O mundo inteiro já começou a vacinar seus habitantes enquanto aqui o incompetente trava toda tentativa de imunizar nossos cidadãos. Nos Estados Unidos, epicentro da pandemia, não é diferente. Só que lá o establishment não permite delírios de governantes. Aqui, com a mentalidade golpista que temos, não se sabe o que virá. EUA: forma triste de se deixar a hegemonia mundial.

 

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.



domingo, 3 de janeiro de 2021

Políticos vira-casaca?

 


Políticos vira-casaca?

 

 

Professor Nazareno*

 

 

Nas eleições para prefeito de Buraco Quente em 2020, no primeiro turno votei no “esquerdista” professor Fernando Pessoa. Como o ilustre mestre universitário não foi para o segundo turno, decidi anular a minha opção na segunda votação. Rui Barbosa e Clarice Lispector não me convenceram em absolutamente nada para merecerem o meu voto. O então prefeito de Buraco Quente, que disputava o cargo, decidiu só de última hora concorrer à reeleição. Além do mais, não aprovei sua administração à frente da cidade entre 2017 e 2020. Não só viajou muito para o exterior como também deixou Calama sem médico por um bom tempo, a capital ficou uns dois anos sem transportes coletivos e muitas crianças ficaram sem aulas por falta de transportes escolares. Já a Clarice mostrou ser uma candidata bolsonarista. “Deus na frente”, era o seu bordão.

Fernando Pessoa foi um candidato muito fraco, como ficou demonstrado. E muita gente sabia disto. Mas era visto como representante da esquerda e por isso tinha o apoio quase incondicional dos jovens e de setores mais progressistas da sociedade. Bem diferente do Fernando Pessoa candidato a governador do Estado em 2018, o jovem político se aliou muito rápido ao Dr. Rui assim que terminou o primeiro turno do pleito. Não era da esquerda coisa nenhuma! Talvez de centro ou de outra denominação qualquer. Buscou a direita reacionária na primeira oportunidade que teve. E talvez sem nenhuma necessidade. Respeito sua decisão política, mas jamais concordarei com ela. Se eu soubesse que ele iria fazer isto, nem teria participado destas eleições. Quase sem biografia política, a sua postura pode ter sepultado de vez qualquer futura pretensão.

Deu a entender que estava desesperado para pertencer ao poder de qualquer jeito. Ainda que fosse o “frágil” poder municipal. Mesmo representando a esquerda, ganhou um presente por seu apoio: uma secretaria na prefeitura. Guardadas as devidas proporções, agiu como o ex-juiz Sergio Moro, que ganhou do presidente Bolsonaro um Ministério e também promessas de um dia vir a ser ministro do STF. Excelente professor universitário e bom advogado, Pessoa fez o contrário do grande jurista Sobral Pinto quando este rejeitou várias vezes ser ministro do Supremo a convite do ex-presidente Juscelino Kubistchek. Sobral Pinto não só lutou pelo direito de JK ser candidato à Presidência da República como teria dito ao ex-presidente que seria apenas um fiscal de sua administração. “Lutei pelo que acredito e não por cargos”, teria falado.

Se Fernando Pessoa queria cargos, ganhou um. Mas será que à frente da Superintendência dos Distritos conseguirá pelo menos mandar um médico para Calama? Conseguirá fazer com que os alunos ribeirinhos, por exemplo, tenham transporte de verdade para não perderem mais aulas? Vai fazer com que os esquecidos distritos da capital e seus moradores tenham mais peso nas decisões da prefeitura? Ou será apenas mais uma “marionete da elite” que nada decide? O tempo passa rápido e daqui a dois anos, se ele ainda for candidato a alguma coisa, não terá meu voto de jeito nenhum. Pessoa vai servir agora a um patrão da direita conservadora e retrógrada. E todos nós sabemos que Rui Barbosa e sua gente odeiam a esquerda e o pensamento progressista.  Ele poderia até ter dado apoio, pois isto faz parte do jogo político. Mas nada de aceitar cargos públicos. Políticos “vira-casaca” só denigrem a tosca política desse país. Triste!

 

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.