quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Mais outro "debate sinistro"

Mais outro "debate sinistro"


Professor Nazareno*


Outra vez, como de costume, foi marcado mais um debate para saber quem consegue enganar melhor a multidão e assim vai governar a terra esquecida, atrasada, subdesenvolvida e distante. No palco, seis homens dispostos a prometer de tudo para uma plateia esperançosa e com poucos recursos para sobreviver, que vai escolher apenas um daqueles postulantes. No atrasado rincão, as promessas se multiplicam na televisão e os incautos sonham em ter dias melhores. Biu de Eudóssia, Zé das Beiradas, Sabá sem Futuro, Tonho das Promessas Eternas, Neco Falador e Joca de Zé Tomás se revezavam naquela infame tribuna para saber quem conseguia mentir mais e dessa forma convencer a todos de sua pouca competência. Quase ninguém da amaldiçoada plateia sabia, mas os seis homens sempre foram amigos entre si e estavam ali fazendo apenas um jogo de cena na certeza de que ali nenhum vai se dar mal.

Na imunda pocilga sempre faltou de tudo. E a cada ano que passa os problemas se multiplicam. A capital daquele fúnebre lugar nunca teve, por exemplo, um hospital de pronto-socorro decente. As promessas de se construir um sempre existiram e, dessa forma, todos os anos turbinaram as campanhas políticas. Já se tentou de tudo para que essa promessa se tornasse realidade, mas sempre "deram com os burros n'água". Inventaram até um "Built to Suit" e não deu certo. Inauguraram somente uma pedra no seu lugar. Essa pedra é muito importante, pois deve eleger vários políticos só neste ano: um senador da República e talvez até alguns deputados federais. Os homens do palco não deixaram por menos: disseram que em menos de dois anos vão levantar um novo estabelecimento de saúde não só na suja e imunda capital, mas em toda a região. Inédito, mas terão vários "açougues" iguais ao Sírio-Libanês. 

Poucas pessoas viajam para a surreal província. O preço absurdo das raras passagens aéreas é o obstáculo maior. Coisa, aliás, que nenhum daqueles homens do palco prometeu resolver. Viajar até 24 horas de busão para as capitais das províncias mais próximas é o que muita gente dali faz quando precisa sair do lugar. O preço da energia elétrica nem se fala. Deram de graça a única concessionária que havia e por isso poucas pessoas conseguem pagar em dia a conta de luz. A cidade, que se diz uma capital de Estado, é a pior dentre todas as capitais do país em qualidade de vida. Ali não há saneamento básico muito menos água tratada para atender a todos. Quase não há coleta de esgotos. São menos de 3 % do total da cidade inteira e água encanada menos de 35%. Um absurdo. As ruas são esburacadas, sujas, sem arborização, violentas e algumas são até tortas. A cidade não tem planejamento nenhum. 

Para que, então, fazer esses "debates de araque" só para enganar os trouxas e incautos? Os falantes homens do palco até "fingem" brigar entre si para impressionar os telespectadores. Mas algumas pessoas sabem que nada será feito para o bem de todos. Daqui a quatros anos, as promessas se repetem e a ladainha continua. Porém, é bom que não sejamos tão cruéis com aqueles senhores ricos e abastados. A Assembleia Legislativa será eleita só para "trabalhar" pelo povo pobre que a elegeu. Alguém acredita? Os três senadores só votarão pautas em benefícios dos mais necessitados. Os deputados federais e o governador eleitos nesta semana não medirão esforços para sanar todos os problemas que aparecerem. Governo do povo, com o povo, para o povo, junto com o povo e pelo povo. Até o pedágio "Free Flow" será repensado futuramente. Com essa classe política, mel e leite jorrarão das fedorentas ruas das cidades. Em qual lugar do mundo existem políticos tão honestos e trabalhadores assim?




*Foi Professor em Porto Velho.

 

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