Professor Nazareno*
Jogando um futebol de péssima qualidade, o Brasil foi superado pela Noruega pelas Quartas de Final da Copa do Mundo de futebol. É a eliminação mais precoce do Brasil em Copas do Mundo desde 1990, quando foi surrado pela Argentina. Apesar da euforia inicial, muitos torcedores brasileiros já esperavam por esta derrota que, aliás, não trouxe nenhuma lição para ninguém. Muito menos para os atletas nacionais. Dentro do campo, o Brasil foi totalmente dominado pelos escandinavos. A equipe canarinho teve menos de 40 por cento do domínio da partida, enquanto os noruegueses ditavam as regras. Fizeram dois a zero e só no finalzinho levaram um gol de um pênalti inexistente. Uma vergonha para um país que se gaba de ser pentacampeão do mundo nesta modalidade esportiva. Pior: parece que tudo se repete há décadas sem deixar nenhuma lição para os nossos fracos jogadores e para a torcida iludida.
Logo após o final da partida, as redes sociais foram inundadas por elogios à Noruega. Não só no futebol, mas principalmente na forma como os nossos adversários conduzem a sua sociedade. Os dois países têm um abismo quase infinito nessa questão. Da política passando pela economia e pela vida social, o país do norte da Europa nos dá uma goleada muito pior do que aqueles 7x1 que sofremos da Alemanha na Copa de 2014. A classe política e as autoridades brasileiras deveriam se incomodar com isto. Como pode um pequeno país com menos de 6 milhões de habitantes ser tão rico e tão justo e correto com o seu povo, enquanto nossos políticos são, na maioria dos casos, sinônimo de ladrões e de corruptos? Por que há tanta desigualdade social e tanta injustiça entre nós? E por que afinal um país tão rico como o Brasil tem tantos gargalos sociais enquanto a Noruega tem uma qualidade de vida excelente?
Nossos políticos apenas dão o circo sem questionar o povão ignaro sobre nada do modo de vida do nosso adversário. A Noruega evoluiu muito no futebol e em várias outras modalidades esportivas e por isso enfrentar os pentacampeões do mundo e vencê-los tornou-se algo até fácil para eles. Por que Leonardo Barreto, por exemplo, não diz aos seus eleitores que seria normal perder no futebol para aquele país, mas em compensação nossa cidade teria índices sociais, políticos e econômicos muito melhores do que eles? Ou então falar a verdade. Para começo de conversa, Oslo e Porto Velho têm diferenças maiores do que o céu e o inferno. Já pensou se existisse um “açougue” na capital da Noruega como o que existe por aqui? Se as ruas de Oslo fossem iguais às de Porto Velho, creio que o número de suicídios seria muito grande por lá. Saúde pública e Educação de qualidade não há por aqui.
O fraco time do Brasil levou dois gols de “ROLA” (pronúncia em Noruegês do nome Haaland) e deu adeus ao torneio. E quase ninguém entendeu e parece que nunca entenderá que para triunfar nos esportes é preciso ter uma sociedade correta, igual, justa e quase sem corrupção como a dos noruegueses. A jornada de trabalho deles é de 5 dias por semana com o turno começando às 9 horas da manhã e vai até às 4 horas da tarde. Nada de pobreza nem de pessoas ricas. É a Noruega que nos manda dinheiro todo ano para o Fundo Amazônia. Haaland e companhia devem ser felizes, pois lá não existe câmara de vereadores, assembleia legislativa nem Congresso Nacional. E nem Lula e muito menos Flávio Bolsonaro. A mídia deles não se vende a candidato nem a partido político. Na Educação da Noruega os pais treinam, torcem e incentivam os filhos. No Brasil os pais só torcem pelo futebol. Nossos jogadores deviam ser punidos passando um mês em Porto Velho e treinando no Aluizão.
*Foi Professor em Porto Velho

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