sábado, 18 de abril de 2026

Rondônia: a triste exceção nacional

Rondônia: a triste exceção nacional

 

 

Professor Nazareno*

 

           

            Devido a sua grande e notória insignificância na já caótica realidade nacional, o Estado de Rondônia sempre foi considerado como um dos estados mais problemáticos e bagunçados da federação. Criado a partir de um dos maiores desastres ambientais da História da humanidade, ainda na década de 1980 do século passado, o jovem estado nunca deu notícias alvissareiras para o restante do país nesses pouco mais de 40 anos de existência. Desta vez é por causa do aumento dos combustíveis devido à guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã e o consequente bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passam mais de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo. O preço do diesel, principalmente, subiu quase 30 por cento no mundo inteiro. Não foi diferente no Brasil. E para aliviar o bolso dos brasileiros, o governo federal propôs um pacto com todos os estados para, até o final de maio próximo, diminuir os impostos que incidem sobre a commodity.

            Rondônia simplesmente não aceitou. Ao lado até agora só do Rio de Janeiro, o pouco importante, pobre e miserável estado da região norte disse não ao governo federal e dessa forma os preços dos combustíveis não vão baixar nas “Terras de Rondon”. Rondônia é um estado bolsonarista em sua essência. Mais de 70 por cento dos indigentes e paupérrimos eleitores daqui são da extrema-direita reacionária. Quase não há esquerda na nossa política. Rondônia é uma vergonha nacional. Com uma população formada majoritariamente por “forâneos”, o sinistro estado sempre foi referência em ceder todas as suas riquezas para o restante do país. Permitiu, por exemplo, que se construíssem duas hidrelétricas em seu imponente rio Madeira somente para abastecer o sul do país com energia boa e barata. Mas aqui, paga-se uma das contas de energia mais caras e em retribuição tivemos os nossos recursos naturais estuprados sem dó nem piedade.

            O atual governador do estado, o coronel bolsonarista Marcos Rocha, que foi eleito e reeleito pelos rondonienses, é tão fraco politicamente que sequer vai se candidatar a qualquer cargo nas próximas eleições. Rocha não aceitou fazer tratativas com o governo federal para aliviar o bolso dos rondonienses e dizem que, mesmo em meio a toda essa terrível crise dos combustíveis, viajou para os Estados Unidos. Crise em Rondônia é uma rotina quase diária. Aqui até um senador da República já foi metralhado ne meio da rua e até hoje, mais de três décadas depois, nada se apurou. A BR-364, única ligação do estado com o restante do país, foi privatizada e cobra um dos pedágios mais caros de que se tem notícia. Detalhe incrível e surreal: a caótica estrada não foi sequer duplicada e não recebeu, até agora, nenhuma benfeitoria visível. O amor dos rondonienses por quem é de fora é tão grande que Rondônia só teve um governador daqui.

            A suja e imunda capital do estado é um esgoto podre a céu aberto. Uma pocilga imunda, esburacada, cheia de lixo e fedorenta que sempre envergonhou alguns poucos de seus moradores. É a pior dentre as 27 capitais do Brasil em saneamento básico, água tratada e qualidade de vida, segundo o Instituto Trata Brasil. Na cidade-lixo do Brasil, mal começou a guerra lá no Oriente Médio e o preço dos combustíveis subiu mais de dez por cento em alguns postos e ninguém disse absolutamente nada. Não é incrível? Mas andam falando que assim que terminarem os conflitos, os postos vão baixar os seus preços. “Me engana que eu gosto”. Até para sair daqui é um suplício interminável: os preços das passagens aéreas são os mais altos do Brasil. Para viajar de avião é muito mais prático e “mais em conta” ir para Rio Branco ou Cuiabá. E “na pisada que vai” as coisas não vão melhorar tão cedo: os candidatos às próximas eleições são as mesmas “cartas marcadas” de sempre: prometem “Built to Suit”, saneamento, isso e aquilo, e saem rindo de nós.

 

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

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