Rondônia: a
triste exceção nacional
Professor
Nazareno*
Devido a sua grande e notória insignificância na já
caótica realidade nacional, o Estado de Rondônia sempre foi
considerado como um dos estados mais problemáticos e bagunçados da federação.
Criado a partir de um dos maiores desastres ambientais da História da
humanidade, ainda na década de 1980 do século passado, o jovem estado nunca deu
notícias alvissareiras para o restante do país nesses pouco mais de 40 anos de
existência. Desta vez é por causa do aumento dos combustíveis devido à guerra
entre Estados Unidos, Israel e Irã e o consequente bloqueio do Estreito de
Ormuz, por onde passam mais de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo.
O preço do diesel, principalmente, subiu quase 30 por cento no mundo inteiro.
Não foi diferente no Brasil. E para aliviar o bolso dos brasileiros, o governo
federal propôs um pacto com todos os estados para, até o final de maio próximo,
diminuir os impostos que incidem sobre a commodity.
Rondônia
simplesmente não aceitou. Ao lado até agora só do Rio de Janeiro, o
pouco importante, pobre e miserável estado da região norte disse não
ao governo federal e dessa forma os preços dos combustíveis não vão baixar nas
“Terras de Rondon”. Rondônia é um estado bolsonarista em sua
essência. Mais de 70 por cento dos indigentes e paupérrimos eleitores daqui são
da extrema-direita reacionária. Quase não há esquerda na nossa política. Rondônia
é uma vergonha nacional. Com uma população formada majoritariamente por
“forâneos”, o sinistro estado sempre foi referência em ceder todas
as suas riquezas para o restante do país. Permitiu, por exemplo, que se
construíssem duas hidrelétricas em seu imponente rio Madeira somente para
abastecer o sul do país com energia boa e barata. Mas aqui, paga-se uma das
contas de energia mais caras e em retribuição tivemos os nossos recursos
naturais estuprados sem dó nem piedade.
O atual governador do
estado, o coronel bolsonarista Marcos Rocha, que foi eleito e reeleito
pelos rondonienses, é tão fraco politicamente que sequer vai se
candidatar a qualquer cargo nas próximas eleições. Rocha não aceitou fazer
tratativas com o governo federal para aliviar o bolso dos rondonienses e dizem
que, mesmo em meio a toda essa terrível crise dos combustíveis, viajou para os
Estados Unidos. Crise em Rondônia é uma rotina quase diária. Aqui até um
senador da República já foi metralhado ne meio da rua e até hoje, mais de três
décadas depois, nada se apurou. A BR-364, única ligação do estado com o
restante do país, foi privatizada e cobra um dos pedágios mais caros de que se
tem notícia. Detalhe incrível e surreal: a caótica estrada não foi sequer
duplicada e não recebeu, até agora, nenhuma benfeitoria visível. O amor dos
rondonienses por quem é de fora é tão grande que Rondônia só teve um
governador daqui.
A suja e imunda capital
do estado é um esgoto podre a céu aberto. Uma pocilga imunda, esburacada, cheia
de lixo e fedorenta que sempre envergonhou alguns poucos de seus moradores. É a
pior dentre as 27 capitais do Brasil em saneamento básico, água tratada e
qualidade de vida, segundo o Instituto Trata Brasil. Na cidade-lixo
do Brasil, mal começou a guerra lá no Oriente Médio e o preço dos combustíveis
subiu mais de dez por cento em alguns postos e ninguém disse absolutamente
nada. Não é incrível? Mas andam falando que assim que terminarem os conflitos,
os postos vão baixar os seus preços. “Me engana que eu gosto”. Até
para sair daqui é um suplício interminável: os preços das passagens aéreas são
os mais altos do Brasil. Para viajar de avião é muito mais prático e “mais
em conta” ir para Rio Branco ou Cuiabá. E “na pisada que vai”
as coisas não vão melhorar tão cedo: os candidatos às próximas eleições são as
mesmas “cartas marcadas” de sempre: prometem “Built to Suit”,
saneamento, isso e aquilo, e saem rindo de nós.
*Foi Professor em Porto Velho.

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