O
“Dia do Fogo” vai voltar?
Professor
Nazareno*
Tudo
indica que sim! Vai depender muito de quem ganhar as próximas eleições para
presidente da República. Não que político nenhum esteja tão preocupado assim em
preservar e proteger o meio ambiente. Praticamente todos eles, seja de
direita ou de esquerda querem mais é que a natureza se acabe. Muitos
desses políticos estão se lixando para o sofrimento do povo com a fumaceira
absurda do verão amazônico. Em 2019 quando Jair Bolsonaro assumiu a Presidência
da República, muitos fazendeiros do interior do Pará, principalmente, incentivados
pela política ambiental devastadora do presidente recém-empossado e do seu
ministro Ricardo Salles, criaram o “o Dia do Fogo” que foi
exatamente o dia 10 de agosto daquele ano. A extrema-direita, de um modo geral,
é contra toda e qualquer política ambiental. “É preciso deixar passar
toda a boiada”, afirmavam.
O
ano de 2024, durante o governo petista de Lula e de Marina Silva, a acreana
ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, a Amazônia ardeu impiedosamente
como nunca. Eu particularmente sofri muito com falta de ar e com a respiração
ofegante durante todo aquele fatídico verão. Já no ano passado eu “fugi”
para o sul do país, mas soube que aqui não houve queimadas e a fumaça foi menor
do que em anos anteriores. Este ano provavelmente eu não vou esperar tocarem
fogo na mata. A depredação da floresta amazônica e do meio ambiente em geral
parece que está no DNA de muitos moradores dessa região. Rondônia mesmo é fruto
de um dos maiores desastres ambientais da História da humanidade. Muitos dos
forasteiros que vieram “colonizar” o então território não
pouparam nem a cobertura vegetal e muito menos as populações originárias.
Rondônia
é filha direta de um dos maiores massacres ambientais de que se tem notícia.
Fala-se que até o próprio criador do novo Estado ficava alegre quando via
fumaça. “Estão produzindo”, dizia. Verdade ou não, ainda hoje
percebe-se a luta de muita gente para reabrir a inútil e desnecessária BR-319.
Com ela, a Amazônia encontrará o seu irremediável fim em menos de dez anos. O maldito
garimpo de ouro no rio Madeira, por exemplo, é outro gargalho que os agressores
da natureza reivindicam todo dia. A extrema-direita e os reacionários do
agronegócio podem estar por trás dos incêndios na região durante a época da
estiagem. Aliás, atribui-se à extrema-direita não só a repulsa pelo meio
ambiente, mas uma infinidade de outras coisas ruins como o desrespeito aos
direitos humanos, negacionismo, desapego pela ciência, racismo, misoginia,
homofobia, guerras.
Ainda
estamos no inverno em nossa região. As precauções para se evitar a queima da
floresta e a fumaceira têm que ser tomadas agora. O prefeito de Porto Velho,
Leonardo Barreto, disse que foi ele que evitou a desgraça em 2025. Tomara que
não só ele, mas todas as autoridades tanto federais como estaduais e
municipais, estejam em alerta para evitar o pior este ano. Os muitos órgãos de
defesa do meio ambiente têm que começar também desde já a preparação para
coibir derrubadas, fogo e fumaça em Rondônia. Esse Estado, ao não respeitar a
natureza, é acusado de ser responsável direto pelas enchentes catastróficas e também
por outros desastres ambientais que assolam o restante do país. Se o louco do Donald
Trump resolver, por exemplo, tomar a Amazônia, não seremos nós próprios
que vamos dar o motivo. Garimpo ilegal, fogo na floresta, derrubadas, extinção
de povos originários, desrespeito à natureza, não são ações civilizadas. Mas
até quando?
*Foi Professor em Porto
Velho.

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