sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Meu candidato NÃO é fascista!


Meu candidato NÃO é fascista!


Professor Nazareno*

            
             Já escolhi o candidato em quem poderei votar nas próximas eleições para Presidente da República. Dentre todos eles, não há um melhor e que represente tão bem todos os anseios e pensamentos da esmagadora maioria dos brasileiros. E já vou logo adiantando: ele NÃO é fascista. Nunca foi, embora seja cria da caserna. Chegou ao posto de capitão e por isso tem pensamento e mentalidade moldada dentro dos quartéis. Pode até ter certo viés antidemocrático, porém a sua “visão de mundo” supera todas as adversidades possíveis. De propostas simplistas para administrar um país de enorme complexidade, o meu escolhido não assimila nem de longe os resquícios que marcaram os perdedores do Tratado de Versalhes. E é apenas uma coincidência ele ter subido nas preferências por causa da crise econômica, desemprego, corrupção e violência urbana.
            As ideias do meu guru são mesmo revolucionárias. De início, prega-se armar toda a população para combater a violência desenfreada. Esqueçam códigos, leis, tratados, convenções, acordos e outras “tolices” mais. Embarquem no caminho perigoso e sem volta da “violência se combate com mais violência”. Pode até ser uma reedição da lei de Talião, mas “é melhor ter uma sociedade de cegos e banguelas do que ter de viver acossado nas mãos de bandidos ou de comunistas”. “Bandido bom é bandido morto”. Aliás, a lição da caserna foi-lhe muito útil mesmo: impossível viver numa sociedade dominada pelos adoradores de Karl Marx. Fora do campo ideológico, no entanto, as soluções fáceis grassam naturalmente para o delírio de seus eleitores. Negros, índios, mulheres e minorias como homossexuais e quilombolas já sentem um frio na espinha.
            O meu candidato NÃO é tirano, mas entende que existe uma ordem natural das coisas. Por isso, defende intransigentemente a família tradicional, mesmo já tendo se casado três vezes e de ter dois filhos “por fora”. Ele é o máximo: tem quatro filhos homens e “fraquejou” quando nasceu o quinto, uma menina. Mas NÃO é misógino. E vou logo avisando: nada de Estado Laico. “O negócio aqui é Estado Cristão”. Gays, esquerdistas, mulheres e até alguns tipos de religião podem sofrer “privações” por parte do governo. E está liberada de agora em diante a nossa capacidade de fazer piada com eles. Não há fascismo nenhum em mostrar o peso dos negros em arroubas ou de se recusar a estuprar mulher feia. Será que só as bonitas é que mereceriam este tratamento? E filhos bem criados não “viram” homossexuais nem se casam com mulheres negras.
Meu futuro presidente NÃO é despótico, mas defende que a mulher deve ganhar menos do que o homem porque engravida todos os anos. Não há tirania também em se usar a estupidez e a ignorância como armas políticas para defender seus ideais. Muitos já fizeram isso. Só que agora, meio que tardio, prega-se abertamente a utilização do voto útil para derrubar o meu escolhido. Tolice, ele é fruto da incompetência da Direita e da Esquerda e por isso fica muito difícil parar com as suas investidas. Estado fraco, corrupção sem controle, leniência da lei e da ordem, judiciário corrupto, privilégios, caos social, injustiça secular e desigualdade social abriram o caminho para ele e agora estão querendo se arrepender? O meu preferido não é um homem de carne e osso como esses de vocês e NÃO é ditador. “É uma mentalidade, uma ideia, uma imaginação que quer usar a democracia para asfixiá-la no seu nascedouro”. Será que ele vai conseguir?




*É Professor em Porto Velho.

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