sábado, 20 de fevereiro de 2016

Cadê a escola de verdade?



Cadê a escola de verdade?

Professor Nazareno*

         No Brasil praticamente não existem boas escolas. Em nenhum dos níveis de ensino veem-se estabelecimentos de boa qualidade que mereçam qualquer destaque. Até mesmo no badalado sistema particular as escolas, que geralmente cobram fortunas em mensalidades e são endeusadas como a “Meca do saber”, a escassez de competência é visível. E isto, claro, tem um reflexo doloroso e negativo em toda a sociedade. A educação neste país nunca foi valorizada, ao contrário dos países civilizados do mundo desenvolvido. Para se ter um ideia, os Estados Unidos implantaram o sistema integral de ensino em suas escolas ainda no século dezenove. A maioria dos países da Europa Ocidental e o Japão o fizeram no início dos anos mil e novecentos. Basta olhar para as sociedades nestes países para ver o que estão colhendo com suas “plantações de saber”.
            O nosso país nunca ganhou um Prêmio Nobel, um Oscar, e nunca se destacou dentre as nações do mundo quando o assunto é tecnologia, informações e conhecimento de ponta apesar de há muito tempo figurar entre as dez maiores economias do planeta. Nossas escolas em geral são ridículas, atrasadas, defasadas, anacrônicas e quase sempre não ensinam nada a ninguém. Os governantes não investem o que deveriam no precário sistema de educação e a população também não cobra nada. Aqui, só o futebol e o Carnaval têm a simpatia de grande parte da estúpida população necessitada. A ética nacional tem sido levar vantagem em tudo e na educação, e em outros setores da vida nacional, quase sempre a exceção vira regra. Outro dia, por exemplo, fui perguntado se o Colégio João Bento da Costa, onde leciono há exatos 18 anos, é uma excelente escola.
            Respondi convictamente que não. Uma excelente escola que não tem laboratório de Física, Química, Biologia dentre outras disciplinas? Quase nenhum de seus muitos professores e funcionários tem doutorado, mestrado ou mesmo pós-graduação e por isso são muito mal remunerados, funciona em um mísero turno único, seus banheiros quase sempre estão sujos e imundos, as salas de aula não são confortáveis, seus alunos são obrigados a usar farda como se fosse um quartel e não tem um hospital de primeiros socorros apesar de ter mais de três mil alunos. O colégio João Bento de Porto Velho é uma escola como outra qualquer. O fato de “ano após ano” aprovar muitos alunos em universidades públicas espalhadas pelo país inteiro não justifica o uso do adjetivo EXCELENTE. É obrigação dos professores e alunos buscarem a excelência no ensino.
Ainda assim, a Escola João Bento de Porto Velho é uma exceção e devia ser a regra. Aqui, “não selecionamos nenhum aluno para estudar e temos apenas um único CNPJ”. Um aluno do terceiro ano de uma escola particular em Porto Velho custa hoje mais de dez mil reais por ano, cento e dez vezes mais do que um aluno do João Bento. Mas, apesar dos bons resultados no ENEM, apesar de aprovar só este ano de 2016 quase 500 alunos para várias universidades brasileiras, apesar de ser destaque dentre as escolas públicas locais, seus professores e funcionários ganham a mesma coisa que os professores e funcionários da pior escola de Rondônia. O Poder Público não incentiva a competência e parece que vê na meritocracia um obstáculo. Escola que não tivesse bom desempenho no ENEM, por exemplo, deveria ser chamada à responsabilidade e cobrada pelas autoridades. Fato doído: o JBC não é uma boa escola. Precisa melhorar. E muito.



*É Professor em Porto Velho.

2 comentários:

Maycon William disse...

Concordo plenamente com você prof.Nazareno. Uma escola que é conhecida como "excelente" por seu nome, mas na verdade a realidade é outra. Sempre quis ter um ensino baseado nas escolas dos EUA, tempo integral, aulas diferenciadas, esportes e outras. Não queria viajar para o EUA para realizar esse desejo, gostaria de realizar aqui mesmo no Brasil, onde se mas gasta dinheiro com eventos, e deixa de lado o Ensino.
Vivemos em mundo que somos "mandados", onde fazemos a vontade de uma pessoa dizer ser superior. As pessoas nem questiona o porque de ter que fazer aquilo ou isso, desse modo ocorre nas escolas, onde somos obrigados a vestir uma farda para identificar a Instituição que estudamos, isso não muda nada, não vai me dar o ensino de verdade. Por isso que o Brasil não ganha um mérito no ensino ou outras categorias.

Maycon William, T1 3°11 vespertino

Anaiely Silva disse...

A educação é a base da sociedade, se a educação vai mal, o país vai mal. Se o país vai mal, como vão as pessoas mais pobres? Estão felizes demais com qualquer "merreca" que recebem do governo para se darem ao trabalho de pensar o porque da situação em que vivem, preferem vender seus direitos à cobrarem dos governantes melhorias na qualidade de vida e principalmente na qualidade de ensino, pq são gerações alienadas, que não obtiveram o conhecimento básico. Com muitos dos jovens atualmente a situação não é diferente, a moda é andar na moda, a imagem é tudo, a marca do seu celular define quem vc é, assim como se distraem as crianças com doces, os jovens são facilmente distraídos da realidade com um aparelho tecnológico. Não é porque estudamos em escolas públicas que precisamos fechar os olhos e aceitar tudo que é imposto. Poucos se preocupam com a educação.