sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Vestibular? Por que não em outro estado?


Unir e “rondonha”: Imagem refletida?


Professor Nazareno*


Existe um ditado popular afirmando que teoria é quando se sabe tudo e nada funciona. Prática é quando tudo funciona e ninguém sabe o porquê. Na Unir, Universidade Federal de Rondônia, conjugam-se teoria e prática, pois quase nada funciona e ninguém sabe por que. Esta universidade só podia ser mesmo do Estado de Rondônia, a latrina do Brasil, afinal ninguém sabe quem merece quem, porque se fosse de um estado desenvolvido e sério, quase todos os seus dirigentes, reitores, professores e demais funcionários já teriam sido punidos. Se fosse uma universidade dos Estados Unidos ou da Europa, fato absolutamente impossível, cadeira elétrica e prisão perpétua seriam castigos rotineiros para coibir tanto descaso e desrespeito.

Quase todos os anos, a Unir enfrenta sérios problemas para realizar o vestibular anual da instituição. Realizar, não. Pagar para outras universidades fazer todo o serviço como se em Rondônia não houvesse profissionais competentes para organizar um simples processo seletivo. Até os acreanos, na UFAC, realizam o seu próprio método de ingresso na universidade. Dizer que é mais seguro elaborar as provas fora do estado é pura tolice. Seria, em tese, admitir que não há corrupção no vizinho estado. Vazamento de gabaritos em provas de vestibular e concursos públicos já virou rotina em qualquer estado da federação. Nenhuma novidade nesta periferia de capitalismo.

Além do mais, para organizar um simples concurso vestibular a Unir sempre foi um fiasco. A desorganização sempre foi a marca registrada da instituição. E este ano não está sendo diferente. No ano passado, por exemplo, foram dez erratas no edital com direito até a censura do livro ‘O Matador’ de Patrícia Melo. No último dia 07 de julho foi publicado um edital para o Vestibular 2010, só que ninguém conseguiu se inscrever na data anunciada. Era um documento de mentirinha. Mudaram as datas das inscrições e da realização das provas. Dia 15 de agosto saiu o segundo edital indicando que a realização do vestibular seria no dia 15 de novembro a primeira fase, e dia 06 de dezembro a segunda. Todo mundo acreditou.

Só que era tudo de mentirinha novamente: saiu outra errata afirmando que as provas desta vez seriam realizadas no dia 22 de novembro a primeira fase, e no dia 20 de dezembro a segunda. Quem acreditou nas datas divulgadas e comprou passagens aéreas para realizar vestibular em outros estados do país ficou no prejuízo, pois não será ressarcido. Se alguma outra repartição pública está por trás disto por que a Unir não previu a tempo? Como se pode observar, a nossa única universidade pública nunca esgota seu repertório de sandices, desrespeitos e absurdos contra a comunidade local. Pelo visto, muitos dos sábios do Campus José Ribeiro Filho, os “professores–doutores” ainda têm muito que aprender sobre ensino, pesquisa e extensão.

Esquisitices sempre aconteceram na Unir, mas a situação está tão decadente que quando algum funcionário metido a filantropo promove gincana para ajudar os famélicos do lixão, todos já acham que se trata de extensão. Localizada entre um cemitério e o lixão da capital, a nossa universidade parece que é administrada por Roberto Sobrinho, o prefeito campeão em obras inacabadas, ou mesmo o governador Ivo Cassol que está na iminência de ser cassado. Realmente: qual a pesquisa levada a cabo pelos técnicos daquela instituição pública de ensino que teve ou tem destaque ainda que regional? Até no curso de Medicina há denúncias de aprovações ilegais e de repercussões corporativas por parte dos alunos, os futuros médicos aqui formados. Privatizá-la então? Ora, ninguém em sã consciência daria um único centavo por ela.

Mas o que mais impressiona neste episódio todo não é a sabida má-vontade ou mesmo a incompetência da Unir. O que deixa todo mundo perplexo é a reação da maioria dos alunos que vão prestar o exame vestibular na instituição. São mais de 15 mil candidatos todos os anos e até agora quase nenhuma reação foi observada. Estudantes que têm atitude “bovina” nem merecem ser chamados de acadêmicos. Pode até ser legal fazer esta palhaçada com quem vai prestar vestibular aqui em Rondônia, mas que é imoral, é. RESPEITO! É isto que "rondonha" e os rondonienses deviam exigir da Unir. Mas como fazer isto se todos somos brasileiros? Se estamos acomodados e esperando tudo acontecer? Parece até que não sabemos fazer a hora...

Apontada como uma das piores instituições públicas de ensino superior da Região Norte a Unir perde feio para a UFPa, a Universidade do Amazonas e a Unitins, do Estado do Tocantins, segundo publicação da revista Guia do Estudante da Editora Abril Cultural. A Universidade Federal de Rondônia e o seu meio acadêmico ainda precisam aprender muito sobre sua relação com a comunidade onde está inserida, pois ao mudar constantemente seus editais de forma maniqueísta e anti-popular ela comete um erro imperdoável e erram também os que compactuam com estas atitudes nefastas. Se a nossa justiça não fosse tão desacreditada, elitista e morosa certamente este ano já seria acionada antes mesmo de começarem as provas do próximo vestibular já que muitos vestibulandos se programaram “com base em outro edital". Pobres futuros acadêmicos. Nem adivinham o que lhes espera no “ensino superior”.


*É professor em Porto Velho

3 comentários:

dreeew disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Monstro do Lago Ness disse...

O difícil professor, é alguém "dar a cara a tapa". Sabe quantas pessoas foram na manifestação de hoje a tarde? Quinze. QUINZE. Parece que as pessoas tem medo de lutar pelos SEUS PRÓPRIOS DIREITOS! Eu não fui prejudicada em NADA com essa nova mudança, mas junto com Ritinha, passei toda a minha segund-feira escrevendo a tal carta pro Reitor e pro Ministério Público. Eu não fui prejudicada em nada com essa nova mudança, mas corri contra o tempo atrás de assinaturas, cartazes e pessoas pra protestar. Várias vezes tive que conter palavrões, para aqueles que simplesmente disseram: "Isso não vai adiantar, é perda de tempo." Mas o que eu posso fazer? Lutar contra o EGOÍSMO, a ACOMODAÇÃO, e a SISTEMATIZAÇÃO de todo mundo? Hoje, eu entendi EXATAMENTE como você se sente, professor. Exatamente.

Ana disse...

Olá professor. Não sou e nem fui sua aluna, mas concord o plenamente com o que foi dito. Essa semana tentei lutar pelos direitos dos vestibulandos, eu e uma amiga minha. Nós fomos praticamente humilhadas, ligamos para lá para reclamar justamente do edital, o qual não cumpriu (como sempre) a data de divulgação do resultado da 1ª fase. Além de não assumirem seus erros, são ignorantes ao ponto de nos dizer que o que estávamos fazendo era inútil.. que enquanto estávamos no telefone com ela (membro da comissão de vestibular), havia muita gente na linha esperando para dizer coisas úteis enquanto nós fazíamos ela perder seu rico tempo. Ficamos indignadas! Isso só acontece porque ninguém faz nada! todos se acomodam, eles dão explicações fajutas que só idiotas acreditam.
Terminei a ligação sentindo raiva e revolta.. completei-a assim:
''Obrigada, mas a Unir é assim mesmo...'' e ela: ''realmente, deve ser uma excelente universidade porque você escolheu fazer vestibular aqui não é?!'' então lhe disse que não é mera opção, e sim porque o estado só possui uma universidade pública! Além de ter família aqui, mas que se não passar esse ano.. não quero ouvir falar de unir nunca mais... prefiro morrer de estudar e passar em uma federal fora a (o que deveria ser) UFRO, onde nada é respeitado.