Acabar
o Bolsa Família, por quê?
Professor
Nazareno*
A
sociedade brasileira é uma das mais injustas do mundo quando o assunto é
política econômica. Aqui se tem uma das maiores desigualdades sociais que se
conhece. E isso vem desde os tempos coloniais passando pelo Império e
desaguando na República. O economista Edmar Bacha disse que somos uma espécie
de Belíndia, uma mistura de Bélgica com a Índia. O nosso PIB
figura entre os dez maiores do mundo há mais de meio século, mas a pobreza e a
miséria nos acompanham desde sempre. Em todos os 5.569 municípios do país há
muita riqueza e prosperidade convivendo ao lado de famintos e de despossuídos.
Por isso, mais recentemente, os governos, tanto os de direita, de
extrema-direita e principalmente os de esquerda tentam reequilibrar essa triste
situação criando programas sociais para diminuir a fome que convive com muitas
famílias em todo o país.
Claro
que quem é rico e abastado e milita na extrema-direita reacionária é contra
esses programas sociais, pois alegam que é uma maneira de o “governo
do momento” comprar votos, principalmente dos pobres e miseráveis.
E não deixa de ser uma grande verdade, infelizmente. Gilmar Mendes, ministro do
STF, já afirmou isso. Vários políticos já se manifestaram favoravelmente a esse
respeito, inclusive o ex-presidente Bolsonaro. Só que o “Mito”
governou o país por quatro anos entre 2019 e 2022 e não acabou com nenhum desse
programas. Aliás, ele até deu uma turbinada nessas “mamatas sociais”
aumentando o número de famílias beneficiadas. E durante muitos séculos ainda, o
país vai ter que conviver com essas ajudas oficiais para as famílias pobres.
Com medo de perder votos e popularidade, nenhum candidato teria a coragem de
cortar esses benefícios.
Hoje
o governo federal tem mais de vinte desses projetos sociais destinados às
famílias pobres e miseráveis do país. Bolsa Família, BPC, Programa Leite das
Crianças, Tarifa Social de Energia Elétrica, Isenção de Taxas em concursos
públicos, Tarifa Social de Água, Programas habitacionais como o Minha Casa,
Minha Vida, Farmácia Popular, o Mais Médicos, dentre muitos outros. O último
foi o Vale Gás. Muitos políticos de direita e de extrema-direita principalmente
são contra esses programas sociais, mas quase nenhum deles assume publicamente a
sua posição. Muitos eleitores ricos e privilegiados também falam mal, mas não
veem o outro lado do fato. Muitos só falam assim porque esses programas
beneficiam principalmente os mais pobres. Mas há também muitos outros
benefícios dados à elite e aos poderosos e ricos cidadãos do país. Aí todos
se calam!
Por que ninguém fala dos privilégios
tributários (Renúncia Fiscal) para grandes empresas e indivíduos de alta renda?
Por que ninguém fala da isenção fiscal que as Igrejas têm? Nunca ouvi ninguém
falar dos Incentivos Fiscais aos empresários nem do Plano Safra que “desvia”
para o agronegócio cinco vezes mais do que o Bolsa Família. E a pensão das
filhas de militares, é legal? E a Lei Kandir, que isenta pagamento de impostos
na exportação de commodities? E o Fundo Partidário, quanto essa excrescência
suga do governo? E os salários no serviço público? O Brasil tem hoje 5.569
prefeitos e igual número de vice-prefeitos. Há exatos 58.432 vereadores. Há no
país 1.059 deputados estaduais. São 513 deputados federais e 81 senadores. E
todos esses políticos têm inúmeros servidores pagos por nós. E os penduricalhos
nos altos salários? Um juiz tem até auxílio-moradia e outras mordomias. Por
que só o pobre é que não pode ter nada?
*Foi Professor em Porto
Velho.

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