domingo, 15 de fevereiro de 2026

Acabar o Bolsa Família, por quê?

Acabar o Bolsa Família, por quê?

 

Professor Nazareno*

 

            A sociedade brasileira é uma das mais injustas do mundo quando o assunto é política econômica. Aqui se tem uma das maiores desigualdades sociais que se conhece. E isso vem desde os tempos coloniais passando pelo Império e desaguando na República. O economista Edmar Bacha disse que somos uma espécie de Belíndia, uma mistura de Bélgica com a Índia. O nosso PIB figura entre os dez maiores do mundo há mais de meio século, mas a pobreza e a miséria nos acompanham desde sempre. Em todos os 5.569 municípios do país há muita riqueza e prosperidade convivendo ao lado de famintos e de despossuídos. Por isso, mais recentemente, os governos, tanto os de direita, de extrema-direita e principalmente os de esquerda tentam reequilibrar essa triste situação criando programas sociais para diminuir a fome que convive com muitas famílias em todo o país.

            Claro que quem é rico e abastado e milita na extrema-direita reacionária é contra esses programas sociais, pois alegam que é uma maneira de o “governo do momento” comprar votos, principalmente dos pobres e miseráveis. E não deixa de ser uma grande verdade, infelizmente. Gilmar Mendes, ministro do STF, já afirmou isso. Vários políticos já se manifestaram favoravelmente a esse respeito, inclusive o ex-presidente Bolsonaro. Só que o “Mito” governou o país por quatro anos entre 2019 e 2022 e não acabou com nenhum desse programas. Aliás, ele até deu uma turbinada nessas “mamatas sociais” aumentando o número de famílias beneficiadas. E durante muitos séculos ainda, o país vai ter que conviver com essas ajudas oficiais para as famílias pobres. Com medo de perder votos e popularidade, nenhum candidato teria a coragem de cortar esses benefícios.

            Hoje o governo federal tem mais de vinte desses projetos sociais destinados às famílias pobres e miseráveis do país. Bolsa Família, BPC, Programa Leite das Crianças, Tarifa Social de Energia Elétrica, Isenção de Taxas em concursos públicos, Tarifa Social de Água, Programas habitacionais como o Minha Casa, Minha Vida, Farmácia Popular, o Mais Médicos, dentre muitos outros. O último foi o Vale Gás. Muitos políticos de direita e de extrema-direita principalmente são contra esses programas sociais, mas quase nenhum deles assume publicamente a sua posição. Muitos eleitores ricos e privilegiados também falam mal, mas não veem o outro lado do fato. Muitos só falam assim porque esses programas beneficiam principalmente os mais pobres. Mas há também muitos outros benefícios dados à elite e aos poderosos e ricos cidadãos do país. Aí todos se calam!

             Por que ninguém fala dos privilégios tributários (Renúncia Fiscal) para grandes empresas e indivíduos de alta renda? Por que ninguém fala da isenção fiscal que as Igrejas têm? Nunca ouvi ninguém falar dos Incentivos Fiscais aos empresários nem do Plano Safra que “desvia” para o agronegócio cinco vezes mais do que o Bolsa Família. E a pensão das filhas de militares, é legal? E a Lei Kandir, que isenta pagamento de impostos na exportação de commodities? E o Fundo Partidário, quanto essa excrescência suga do governo? E os salários no serviço público? O Brasil tem hoje 5.569 prefeitos e igual número de vice-prefeitos. Há exatos 58.432 vereadores. Há no país 1.059 deputados estaduais. São 513 deputados federais e 81 senadores. E todos esses políticos têm inúmeros servidores pagos por nós. E os penduricalhos nos altos salários? Um juiz tem até auxílio-moradia e outras mordomias. Por que só o pobre é que não pode ter nada?

 

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

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