domingo, 15 de fevereiro de 2026

Acabar o Bolsa Família, por quê?

Acabar o Bolsa Família, por quê?

 

Professor Nazareno*

 

            A sociedade brasileira é uma das mais injustas do mundo quando o assunto é política econômica. Aqui se tem uma das maiores desigualdades sociais que se conhece. E isso vem desde os tempos coloniais passando pelo Império e desaguando na República. O economista Edmar Bacha disse que somos uma espécie de Belíndia, uma mistura de Bélgica com a Índia. O nosso PIB figura entre os dez maiores do mundo há mais de meio século, mas a pobreza e a miséria nos acompanham desde sempre. Em todos os 5.569 municípios do país há muita riqueza e prosperidade convivendo ao lado de famintos e de despossuídos. Por isso, mais recentemente, os governos, tanto os de direita, de extrema-direita e principalmente os de esquerda tentam reequilibrar essa triste situação criando programas sociais para diminuir a fome que convive com muitas famílias em todo o país.

            Claro que quem é rico e abastado e milita na extrema-direita reacionária é contra esses programas sociais, pois alegam que é uma maneira de o “governo do momento” comprar votos, principalmente dos pobres e miseráveis. E não deixa de ser uma grande verdade, infelizmente. Gilmar Mendes, ministro do STF, já afirmou isso. Vários políticos já se manifestaram favoravelmente a esse respeito, inclusive o ex-presidente Bolsonaro. Só que o “Mito” governou o país por quatro anos entre 2019 e 2022 e não acabou com nenhum desse programas. Aliás, ele até deu uma turbinada nessas “mamatas sociais” aumentando o número de famílias beneficiadas. E durante muitos séculos ainda, o país vai ter que conviver com essas ajudas oficiais para as famílias pobres. Com medo de perder votos e popularidade, nenhum candidato teria a coragem de cortar esses benefícios.

            Hoje o governo federal tem mais de vinte desses projetos sociais destinados às famílias pobres e miseráveis do país. Bolsa Família, BPC, Programa Leite das Crianças, Tarifa Social de Energia Elétrica, Isenção de Taxas em concursos públicos, Tarifa Social de Água, Programas habitacionais como o Minha Casa, Minha Vida, Farmácia Popular, o Mais Médicos, dentre muitos outros. O último foi o Vale Gás. Muitos políticos de direita e de extrema-direita principalmente são contra esses programas sociais, mas quase nenhum deles assume publicamente a sua posição. Muitos eleitores ricos e privilegiados também falam mal, mas não veem o outro lado do fato. Muitos só falam assim porque esses programas beneficiam principalmente os mais pobres. Mas há também muitos outros benefícios dados à elite e aos poderosos e ricos cidadãos do país. Aí todos se calam!

             Por que ninguém fala dos privilégios tributários (Renúncia Fiscal) para grandes empresas e indivíduos de alta renda? Por que ninguém fala da isenção fiscal que as Igrejas têm? Nunca ouvi ninguém falar dos Incentivos Fiscais aos empresários nem do Plano Safra que “desvia” para o agronegócio cinco vezes mais do que o Bolsa Família. E a pensão das filhas de militares, é legal? E a Lei Kandir, que isenta pagamento de impostos na exportação de commodities? E o Fundo Partidário, quanto essa excrescência suga do governo? E os salários no serviço público? O Brasil tem hoje 5.569 prefeitos e igual número de vice-prefeitos. Há exatos 58.432 vereadores. Há no país 1.059 deputados estaduais. São 513 deputados federais e 81 senadores. E todos esses políticos têm inúmeros servidores pagos por nós. E os penduricalhos nos altos salários? Um juiz tem até auxílio-moradia e outras mordomias. Por que só o pobre é que não pode ter nada?

 

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

A certeza na verdade absoluta

A certeza na verdade absoluta

 

Professor Nazareno*

 

            Max Born, cientista alemão de origem judaica, físico nuclear, ganhador do prêmio Nobel de Física, professor da Universidade de Göttingen, amigo de Albert Einstein e tutor de Robert Oppenheimer, disse certa vez que “a raiz de todos os males da Humanidade é a crença que o indivíduo tem de possuir a verdade absoluta”. Born dizia que essa certeza é vista como a raiz de todos os males porque gera fanatismo, intolerância e soberba. Essa crença é vista como um grande mal por que às vezes elimina o diálogo, gera intolerância e legitima a violência contra o que é diferente. Ao acreditar possuir a única verdade inquestionável, o indivíduo desumaniza o outro que discorda dele, justificando opressão, conflitos e dogmatismo em nome de uma suposta superioridade moral ou factual. Só que o mundo nunca se livrou desse mal, por isso tantos conflitos e as guerras que se têm hoje.

            No Brasil, especificamente na área da política, nunca se discutiu tanto hoje em dia como nesta polarização absurda. Os bolsonaristas e a extrema-direita afirmam, como uma verdade absoluta, que Lula e o PT são ladrões do dinheiro público e que por isso devem ser eliminados. Já a esquerda mais radical jura que Bolsonaro e todos os integrantes da extrema-direita são uns fascistas reacionários e que por isso também deviam ser banidos da vida pública do país. Cada grupo, portanto, defende publicamente a eliminação e o desaparecimento do outro grupo. Ninguém jamais pensou em se juntar com quem pensa diferente e discutir em profundidade quais são os principais problemas do país e tentar, juntos, resolver todas as demandas. Parece que na política e na administração pública ninguém quer abrir mão da sua verdade. Essa visão também parece existir nas religiões.

            Cristãos, muçulmanos e judeus. Cada uma dessas religiões monoteístas defende com unhas e dentes a sua própria verdade absoluta. Para os cristãos, Jesus Cristo é filho de Deus e não um enviado ou profeta. E fim de papo! Para os judeus, o povo escolhido por Deus são, claro, todos eles, os judeus. E não tem conversa! A Terra Prometida deles fora invalidada pelos palestinos, que têm que ser expulsos dali. Custe o que custar. Já os muçulmanos têm em Maomé o seu último e mais importante profeta de Deus (Alá), enviado para restaurar a fé monoteísta original de Abraão. Os islâmicos dizem que Maomé é considerado o fundador do Islã e o recebedor da revelação do Alcorão pelo anjo Gabriel e exemplo supremo da conduta humana. E ninguém pode e nem deve discordar disso.  Cada grupo tem a sua verdade que considera, óbvio, como sendo única e absoluta.

            E quase ninguém quer saber sobre o Deus de Espinosa e sobre o Panteísmo. Afirma-se que isso é bobagem, tolice, pois “o único e verdadeiro Deus é aquele em que eu acredito”. Essa é a minha verdade. As outras verdades são Fake News. Donald Trump, por exemplo, é uma pessoa miserável, cruel, bandida, má, estúpida, imperialista, colonialista, dominadora, hegemônica, opressora, expansionista e repugnante, pois assim como Adolf Hitler ele quer mudar a Ordem Mundial e invadir nações inocentes, matar pessoas, bombardear cidades e escravizar meio mundo em benefício de seu já decadente país, os Estados Unidos. Essa é a verdade absoluta sobre ele e sobre Jair Bolsonaro, Javier Milei da Argentina e tantos outros líderes dessa extrema-direita reacionária. Mas muitas pessoas têm nestes idiotas a imagem de seu líder absoluto e insubstituível. Eu já ouvi muita gente dizer que Lula é a encarnação de Deus. É verdade?

           

 

*Foi Professor em Porto Velho.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Uma ditadura “boazinha”!

Uma ditadura “boazinha!

 

Professor Nazareno*

 

Uma célebre frase atribuída a Umberto Eco e também a muitos outros pensadores antifascistas ressalta que o fascismo quando chega ao poder não diz que é o fascismo, mas sim ele se disfarça com máscaras de liberdade, ordem ou democracia. Ele chega na sociedade explorando as crises da própria democracia, utilizando para isso discursos nacionalistas e populistas para conseguir apoio popular, disfarçando o seu autoritarismo, a militarização da política, a perseguição aos opositores e a eliminação de todos os seus adversários. Foi assim com o nazismo na Alemanha de Adolf Hitler, foi assim nos países da Cortina de Ferro, que se diziam comunistas, foi assim na Itália com Mussolini e é assim ainda hoje com todos os países dominados por ditaduras. No Brasil, os militares, aliados à elite civil, golpearam as instituições democráticas e instalaram o terror político.

Essa barbárie aconteceu em 1964 em pleno contexto da Guerra Fria entre Estados Unidos e União Soviética. O obscurantismo político no Brasil durou pelo menos 21 anos ininterruptos com cassações, privação de eleições diretas para presidente da República, censura à mídia, demonização e perseguições a intelectuais e artistas, mortes, torturas e exílios de oposicionistas. Entre desaparecidos e mortos, a ditadura militar do Brasil conta pelo menos com o macabro número de 436 cidadãos. Já os torturados passam de 20 mil pessoas. Impossível negar a existência do DOI-CODI e as torturas que muitos brasileiros sofreram por terem cometido o bárbaro crime de “pensarem diferente”. Mas há inúmeras pessoas que negam hoje em dia a existência de uma ditadura militar no Brasil. Ignorância e estupidez, o mau-caratismo e o desconhecimento da História podem estar por trás disso.

O Brasil não teve uma ditadura militar”, dizem alguns desinformados. Teve um “militarismo vigiado”. Essa declaração surreal e absurda foi do cantor sertanejo Zezé de Camargo. Já o bolsonarista e cantor brega Amado Batista disse publicamente em uma entrevista à TV que foi torturado pelo regime militar, mas que mereceu. Ou seja, admitiu que houve tortura por parte de um governo constituído, ainda que ilegalmente. Devem sofrer da Síndrome de Estocolmo. Outros dizem que houve sim um regime militar no Brasil, mas que foi uma “ditadura boazinha”. Resta saber com quem essa ditadura foi tão boazinha assim. Com Vladimir Herzog, com Rubens Paiva, com Alexandre Vannuchi Leme, com Carlos Marighela, Frei Tito, Ana Rosa Kucinski, com Manuel Fiel Filho e com tanta gente assassinada covardemente nos “porões” do governo militar é que não foi.

Muitos dos atuais bolsonaristas saudosos e também muitas das “viúvas” do Jair Bolsonaro falam hoje de uma “Ditadura da Toga” referindo-se ao ministro Alexandre de Moraes do STF, por este ter sacramentado a condenação e depois a prisão do ex-presidente golpista. Esse povo realmente não sabe o que é de fato uma ditadura. Moraes foi indicado pelo presidente, também golpista, Michel Temer e foi sabatinado no Senado, que lhe deu 55 votos e ele então se tornou ministro vitalício do Supremo. Nenhum desses votos foi do PT ou de qualquer outro partido de esquerda. Ora, e se Moraes é mesmo um ditador como dizem, por que o próprio Senado da República não lhe cassa o mandato? Muitos brasileiros flertam com o obscurantismo e com as ditaduras ferozes e assassinas. Será que Millôr Fernandes estava certo quando dizia que “democracia é quando eu mando em você e ditadura é quando você manda em mim”? Viva a democracia! Sempre!

 

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

As Escolas militar é eiscelentes

As Escolas militar é eiscelentes

 

Professor Nazareno*

 

            Certa veis eu disse que nunca na minha vida matriculava ou colocava qualquer um dos meus filho em uma escola militar ou ate mesmo em uma escola religiosa. Disse issu por quê entendia que essas escola é baseada nos dogma e não na realidade. Ah não ser que eles quizesse, mais eles nunca quiz. Então eles foram meus alunos nas escola que eu ensinava a fazer redaçãos e também a entender a gramatica da lingua Portuguesa. Se formaro e hoje são eiscelentes profissionais com atuação no mercado de trabalho. Uma boa escola para mim é aquela que ensina “de merda a foguete” sem a necessidade de diciplina, obediêmsia, ierarquia ou mesmo de fé como nas escola religiosa. Obedecê é uma tarefa ensinada pela familia em casa. Assim como tambem crê em alguma divindade. Não precisa de escolas nem de ninguém para ensinar o que a familia devia ensinar. E isso!

            Rondonha tem muitas escola militar. Todas elas são boas de mais da conta. No Enem, por exemplo, não tem pra ninguém. As melhores nota são dessas escola. Ali se discute comcerteza todas as tendencias filosófica e seus principais filosofo. Além disso se discute também como ser um bom filho obedecendo os pais sem problema. E amando a pátria e as suas autoridade. Deus, pátria e familia é o lema ensinado dentro de muita dessas escola. A diciplina é a base do ensino ali. Prestar continêcia toda vez que passar na frente de um superior seu é obrigação do aluno. Amar a pátria acima de tudo é outra obrigação ensinada. Já nas escola religiosa a adoração à Deus é ensinada para todos. Isso sem falar na religião cristã onde Cristo é superior a tudo e a todos. Jesus é Deus e foi gerado na Virge Maria, onde veio para salvar todos os homem. O aluno aprende tudo isso.

            As vezes os aluno também aprendem nessas escola musicas lindas que diz que é bom “entrar na favela e deichar corpo no chão”. Nas escola militar é muito bom os aluno aprender essas coisa tão bonita. Já pensou na emoção dos pai de crianças numa escola civico-militar do Paraná? Muitos pais até choraram de tanta alegria. Lá os meninos foram ensinados e tavam cantano esse refrão: Homem de preto, o que é que você faz? Eu faço coisas que assusta o satanás. Homem de preto, qual é sua missão? Entrar na favela e deixar o corpo no chão. O Bope tem guerreiros que matam fogueteiros. Com a faca entre os dentes, esfola eles inteiros. Mata, esfola, usando sempre o seu fuzil”, diziam as criançinhas. Esses meninos serão no futuro grandes respeitadores dos direitos humanos e da boa convivencia entre as classe sociais. E isso se deve à essas boas escolas.

            Já nas escola religiosas se aprende que Deus é o senhor absoluto de todas as coisas. Aprende-se tudo sobre a santíssima trindade sem nenhuma culpa ou arrependimento. Ali, se vive o celibato clerical sem nenhum problema. Padres e crianças e também alguns jovens comungando juntinhos esses divinos ensinamentos. E tudo com muita obediencia e ieraquia. Todos ensinando e aprendendo coisas de Deus. Algumas coisas precisa de um maior controle para não desvirtuar os jovens, futuro da nação. Álguns autores não pode ser ensinados. Alguns filósofo como Nietzche, Baruch Espinosa, Shakespeare são evitados por questãos obvias. Em algumas desses estabelecimento de ensino pode-se, sem nenhum problema, até proibir certas obras literarias para não influenciar muito o aluno. Escola militar e escola religiosa é o futuro do Brasil, podem ter certeza disso. Só descanço quando ver a escola João Bento da Costa de Porto Velho e outras daqui serem militares.

 

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

domingo, 1 de fevereiro de 2026

BR-364: pedágio veio para ficar

BR-364: pedágio veio para ficar

 

Professor Nazareno*

 

        A cobrança do pedágio na BR-364 não é uma novela mexicana como muitos, de forma confortável, ainda pensam. Muito menos achar que, de uma hora para outra, a suspensão dessas taxas sejam já favas contadas. Esse pedágio veio para ficar eternamente para quem usa essa estrada que corta Rondônia de sul a norte ao longo de pouco mais de 700 quilômetros entre Vilhena e a capital Porto Velho. Privatizada ainda no governo de Bolsonaro por intermédio de seu ministro da Infraestrutura Tarcísio de Freitas, atual governador de São Paulo, essa perigosa rodovia também teria o mesmo destino se fosse no governo petista de Lula ou de outro qualquer. Entregar de mão beijada o rico e pujante patrimônio dos rondonienses para os forasteiros tem sido uma praga que nos acompanha desde épocas passadas. E foi assim com o belo rio Madeira, a Ceron e a histórica EFMM.

Tudo daqui, em muito pouco tempo, será vendido para quem é de fora, já que é notório que empresários ricos e endinheirados não existem em terras karipunas. Quando o capital e o governo do PT, ainda no segundo mandato de Lula, decidiram estuprar o rio Madeira e construir duas grandes hidrelétricas nele sem levar em conta os impactos ambientais e a destruição da natureza local, muitos rondonienses foram às ruas exigir “hidrelétricas, já!”. Toda a energia gerada pelas turbinas do Madeira foi levada para fora do Estado. Para isso, os habitantes locais “ganhariam” de presente um shopping center para se divertirem. E assim foi feito. Porém o maior regalo que os rondonienses ganharam foi a enchente histórica de 2014 e o aumento exorbitante nas suas contas de energia elétrica. O rio Madeira está praticamente morto hoje em dia com a sua correnteza domada.

A privatização da BR-364 é uma das maiores ironias políticas que se conhece. A esmagadora maioria dos eleitores que residem em seu entorno são da direita e da extrema-direita reacionárias. Os usuários contumazes da estrada receberam do seu “Mito” essa privatização talvez como um reconhecimento ao contrário. Agora não se pode mais dizer que Bolsonaro nunca fez nada por Rondônia e também por sua gente. “Lula nos deu as hidrelétricas e Bolsonaro privatizou a 364. Esses presidentes amam Rondônia, percebe-se! Já a classe política local foi conivente o tempo inteiro com as duas coisas. Reclamar agora do preço do pedágio em um ano eleitoral é muita hipocrisia. Porém, o festival de enganações continua: quando, em primeira instância, o pedágio foi suspenso, apareceram vários pais da ação judicial. “Vitória para o povo de Rondônia”, gritavam os candidatos.

Quero ver quando a Justiça reverter essa primeira decisão sobre o pedágio. E não vai demorar muito. Nem fazer manifestações o povo que foi prejudicado poderá mais: a Justiça já decidiu que quem interditar a BR-364 pagará a “irrisória” quantia de 100 mil reais por hora. Essa cobrança do pedágio será para sempre. E todos os rondonienses terão que engolir calados. Já está decidido. Os preços das mercadorias vão disparar em todas as 52 cidades do Estado, é só uma questão de tempo. Enquanto isso, a briosa Assembleia Legislativa do Estado de Rondônia perdoou a bagatela de mais de 2 bilhões de reais em ICMS da Energisa, aquela mesma empresa que, fala-se, teria comprado a Ceron, patrimônio de todos os rondonienses, por apenas 50 mil reais. Mas é assim mesmo: a “extrema-inteligência” do eleitor karipuna vai fazer o povo daqui votar de novo nos seus algozes de sempre: os políticos. Será que o rondoniense sofre da Síndrome de Estocolmo?

 

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

A polarização é um câncer

A polarização é um câncer

 

Professor Nazareno*

 

O jornalista Diogo Mainardi disse certa vez que “no Brasil não tem partido de direita, de esquerda, de nada. Tem um bando de salafrários que se reúnem para roubar juntos.” E roubam mesmo. E muito! O Brasil, há mais de meio século, é apontado como uma das dez maiores potências econômicas do mundo. É líder quase absoluto na produção de commodities há muito tempo e praticamente produz alimentos e possui riquezas naturais como nenhum outro país do mundo. Mas tem milhões de cidadãos pobres e miseráveis vivendo muito abaixo da linha da pobreza. A indigência de muitos brasileiros é bem pior do que naqueles países miseráveis da África subsaariana, só que nem sequer se presta a um espetáculo televisivo e midiático. A pobreza aqui é muitas vezes invisível aos olhos de muitas pessoas. E pode ser uma consequência da própria política do Estado.

Em pouco mais de 500 anos de História, todos os governantes do país, sejam eles da direita ou da esquerda, só se preocuparam em aumentar ainda mais a riqueza e os privilégios das elites endinheiradas que os colocam no poder e os sustentam. Tudo é feito sob medida para sacrificar ainda mais os pobres e miseráveis. Diante do ódio e de repulsa que muitos brasileiros demonstraram ter pela política e pelos políticos em geral, pode ter sido essa mesma elite endinheirada que criou, por exemplo, a atual polarização. Direita X Esquerda num país cuja maioria da população nem sabe o que isso significa. Lula pode até ser ladrão, mas terá a defesa intransigente dos que militam na esquerda. Ou seja, terá sempre metade dos brasileiros defendendo-o. Bolsonaro pode até ser um fascista, mas a outra metade sempre o defenderá até a morte. Ou seja, nenhum deles é totalmente do mal.

Essa polarização política é infame. Dividiu as famílias, semeou o ódio e desfez amizades de anos. Enquanto isso, os políticos brasileiros, os de direita e os de esquerda, continuaram a fazer o que sempre fizeram: roubar toda a riqueza produzida pelos cidadãos mais pobres. Antes eles roubavam também, mas tinham o ódio e a repulsa dos seus eleitores. Hoje, eles continuam roubando, mas tem quem os defenda com unhas e dentes. Em Rondônia, foram os políticos que privatizaram o rio Madeira, estupraram-no com duas hidrelétricas e depois privatizaram a Ceron. A conta de energia não baixou para os rondonienses e os serviços prestados continuam piores. A BR-364 já tem dono, assim como a lendária EFMM. No caso da rodovia a situação é surreal. Os pedágios mais caros do país já estão sendo cobrados, mas sem duplicação nem outra benfeitoria. Há culpados?

Os políticos são, claro, os maiores culpados disso. Foi Confúcio Moura, senador de Rondônia? Foi Bolsonaro e o seu ministro da Infraestrutura Tarcísio de Freitas? Foi o Lula? Ninguém sabe quem é o pai desta desgraça para os rondonienses, mas se tem uma certeza: foi o outro lado. O fato é que os políticos da direita acusam os da esquerda e vice-versa. E todos eles, rindo, já estão em campo pedindo o voto dos idiotas eleitores. Inventaram até um pomposo nome em Inglês para o pedágio: “free flow”. Muitos eleitores vão ao delírio com isso, assim como vibraram também com o nome do fictício e hoje inexistente hospital de pronto-socorro para Porto Velho: “Built to Suit”. Enquanto os imbecis brigam, o patrimônio dos rondonienses como a energia, a BR-364, a EFMM e muitos outros continuam enriquecendo forasteiros e maus políticos à custa do trabalho e do suor do povo daqui. Deve ter sido para isso que criaram essa maldita polarização.

 

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

domingo, 25 de janeiro de 2026

Política e políticos de Beiradão

Política e políticos de Beiradão

 

Professor Nazareno*

 

            A política de Beiradão não é muito diferente daquela que se pratica em algumas outras províncias nacionais. Na terra do “pedágio mais caro do país”, os políticos locais geralmente têm índices de aprovação muito maiores do que vários dos ditadores da História. Saddam Hussein, Idi Amim, Hitler, Stalin, Mao Tsé-Tung, Putin e Mussolini são fichinhas quando o assunto é pesquisa de aceitação popular. Lá, naquelas distantes terras, um senador da República e candidato ao governo estadual já foi fuzilado no meio da rua para não mais concorrer ao cargo. Com muitos dos eleitores vivendo na miséria e na extrema-pobreza, o arremedo de Estado é um dos maiores redutos do conservadorismo mais autêntico e radical que se conhece até hoje. Uma província pobre, mas politicamente identificada como sendo da extrema-direita radical. Esquerda até que há, mas é escondida.

            Na última eleição presidencial, por exemplo, o Rato obteve pouco mais de 29 por cento das intenções de voto, enquanto Bovino Burro disparou com mais de 70 por cento. Nos 52 municípios de Beiradão, em 2022, a esquerda não chegou nem perto dos votos dados à extrema-direita conservadora. O governador reacionário, um cabo da PM local, foi reeleito para o seu segundo mandato com sobras. Dos 24 deputados estaduais apenas um deles diz que pertence à esquerda, mas que geralmente só vota sob orientação dos partidos de direita e de extrema-direita. Os três senadores sempre se alinharam às pautas direitistas e os oito deputados federais são, óbvio, de fileiras conservadoras. Apesar disso, a suja e desarrumada capital estadual não tem até hoje um bom hospital de pronto-socorro, mesmo com promessas falsas de se erguer um “Built to Suit” para atender os miseráveis.

            Aliás, o épico “açougue” do lugar é, há várias décadas, uma espécie de calcanhar de Aquiles para as pouco envergonhadas classes políticas estaduais e municipais. Só que ninguém até hoje conseguiu substituir aquele decadente, caótico e horroroso “campo de extermínio de pobres”. Porém, muitos dos políticos dali se esmeram em criar situações surreais que em nada ajudarão os muitos pobres e necessitados. Expulsar todas as pessoas indigentes e miseráveis, numa espécie de eugenia social, já passou e certamente ainda deve passar pela cabeça de alguns dos muitos políticos conservadores que existem ali. É incrível, mas Beiradão já teve até um Secretário de Educação acusado de mandar censurar várias obras literárias. Nada foi provado, mas uma suspeita pairou sobre todos quando um atual deputado federal e prefeito de uma grande cidade dali tentou rasgar vários livros.

            As atitudes da classe política de Beiradão definitivamente não são para amadores. Lá no ermo rincão não existe censura à mídia e nem a nenhuma obra de arte, mas estranhamente alguns dos órgãos noticiosos locais às vezes “selecionam” artigos para publicar. Falou mal do deputado fulano, do senador? Não se publica nada. Falou mal do prefeito da cidade ou do governador? Esquece! E pouca gente sabe o porquê dessa atitude tão antidemocrática e arcaica. Seria o vil metal? Com essa tacanha visão de mundo, é bem provável que até alguns jornalistas, donos de sites de notícias ou até professores defendam abertamente a recriação do DOI-CODI para torturar e punir quem ousar pensar diferente dos péssimos costumes ainda reinantes. O maior rio de Beiradão foi privatizado e lá construíram hidrelétricas sem baratear o preço da energia. Tem também estradas com caros pedágios, mas que nunca receberam benfeitorias. E os políticos dali são otimistas!

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Festejo de São Sebastião - Ilha de Assunção/Porto Velho-RO*

Festejo de São Sebastião

Ilha de Assunção/Porto Velho-RO*

 

 

Uma das festas de Padroeiro mais tradicionais de toda a extensa e ainda meio esquecida região do baixo rio Madeira em Porto Velho/Rondônia foi organizada mais uma vez e realizada durante dez noites, com muita competência, divertimento e alegria e teve o seu término neste último dia 19/20 de janeiro de 2026 naquela linda, aconchegante e ainda isolada Ilha de Assunção, localizada no meio de um dos maiores rios do mundo. Essa paradisíaca ilha fica distante, pelo rio, a cerca de 170 quilômetros da capital. Quase centenário, este festejo tem uma longa tradição, que vem passando de pai para filho já há quase um século. Atualmente Silmar e sua irmã Silmara Gomes, filhos da icônica e já lendária professora Maria Gomes e de seu Ademar, são os responsáveis maiores do festejo. Quase duas mil pessoas oriundas dos mais distantes vilarejos estiveram presentes ali naquele verdadeiro Paraiso na Terra... Outra vez, esse festejo foi um sucesso.

A maioria dessas pessoas, filhos e filhas de parentes dos antigos moradores da localidade, são de Porto Velho, de onde saíram alguns barcos lotados de pessoas e também de outras inúmeras localidades como Ressaca, Terra Firme, Papagaios, Aliança, Nova Aliança, São Carlos, Nazaré, Tira Fogo, Conceição do Galera, Bom jardim, Calama, Ilha do Tambaqui, Paraíso e até de Humaitá no Amazonas. Silmar e Silmara se superaram na organização do referido festejo, por isso estão mais uma vez de parabéns. Claro que assim como toda a comunidade, formada pelos atuais moradores, bem como muitas outras pessoas remanescentes ou nascidas na Ilha de Assunção participaram, e muito, para a realização e o estrondoso sucesso desta grande tradição religiosa, esportiva e social que acontece todo ano ali naquele paradisíaco recanto. A festa só terminou às seis horas da manhã quando o dia vinha raiando. Muita bebida, canoas, barcos, voadeiras e muitas outras embarcações maiores estiveram contribuindo com a alegria da distante localidade.

Por isso, parabéns para todos os envolvidos na confraternização! Homenagem especial a Wagner Torquato, atual administrador do vizinho distrito de Calama, que também ajudou muito como a limpeza na localidade e a instalação de banheiros químicos e de dois pequenos contêineres para recolher o lixo e outros dejetos dali. Wagner tem praticamente todos os seus familiares oriundos e nascidos na Ilha de Assunção. Todas as localidades próximas ao distrito de Calama são atendidas pelos serviços daquele distrito de Porto Velho, segundo nos informou o administrador Wagner. A festividade começou com os já famosos torneios de futebol tanto masculino como feminino. Mais de dez times no total. As meninas da comunidade de Ressaca ganharam a modalidade feminina, enquanto uma seleção de Calama com a Ilha de Assunção ganhou a modalidade masculina. Torcedores se confraternizando e ao mesmo tempo torcendo pelos seus times.

Depois dos torneios de futebol, tivemos a realização de bingos, leilão dos muitos presentes doados pelos fieis, celebração da missa na igrejinha do vilarejo e a já tradicional cerimônia da coroação da RAINHA e da PRINCESA daquele tradicional festejo. São Carlos e Vila de Papagaios participaram também com as suas encantadoras concorrentes. A vencedora foi uma linda jovem de 15 anos, filha da Ilha de Assunção mesmo. Incrível, a segurança deu o tom das brincadeiras. Nenhuma briga ou confusão foi verificada ali. E isso apesar da bebedeira. Famílias se confraternizando e mostrando para Porto Velho e para Rondônia o que é uma festa de verdade unindo tradição, esportes, religiosidade e muita diversão. Mas muita diversão mesmo! O festejo de São Sebastião da Ilha de Assunção todo ano dá um baile na capital Porto Velho, que pode até ter o seu santo padroeiro, mas não tem a festa. Pior: quase ninguém sabe quem é o padroeiro da capital de Rondônia nem onde é realizada a festa. Não é incrível? Ilha de Assunção, e não a capital do Estado, mostra tradição de verdade. No próximo ano tem mais. E que seja assim para sempre! Será que o prefeito da capital, os vereadores ou outras autoridades do Estado sabem da existência de tanta tradição assim num interior tão pobre e esquecido? Talvez não, pois nunca aparecem por lá. Uma festa tradicionalíssima que nunca mudou de data.

 

 

 

*Professor Nazareno com colaboradores

sábado, 17 de janeiro de 2026

Trump prenderá Kim Jong-un?

Trump prenderá Kim Jong-un?

 

Professor Nazareno*

 

          A Coreia do Norte é inimiga dos Estados Unidos desde que terminou a fatídica Guerra da Coreia entre 1950 e 1953. Conflito este que dividiu a península coreana e que contabilizou entre três e seis milhões de mortos. Os norte-americanos, como sempre, foram os maiores protagonistas daquele morticínio. Durante a maior parte dessa guerra, o presidente dos EUA era Harry Truman, que iniciou o envolvimento americano, e foi sucedido por Dwight Eisenhower, que estava no cargo quando o armistício foi assinado, encerrando os combates em 1953. Não houve vencedores e até hoje tecnicamente os dois países asiáticos ainda estão em guerra. O Norte ficou com os comunistas com sua capital em Pyongyang. Já a parte sul do paralelo 38, capitalista, ficou com capital em Seul. Estados Unidos financiavam a Coreia do Sul, enquanto China e URSS ajudavam o Norte.

       Fala-se que Estados Unidos se retiraram daquela guerra apenas para evitar um confronto direto com a China ou mesmo com a poderosa União Soviética, que já tinha desenvolvido a sua bomba atômica anos antes. A imensa maioria dos presidentes norte-americanos sempre foi covarde. Basicamente esse amaldiçoado país só agride e ataca países pequenos e sem a menor capacidade militar de se defenderem. Foi assim na Coreia, no Vietnã, na República Dominicana, na Síria, na Somália, no Panamá, no Iraque, no Afeganistão, no Iêmen, no Irã e mais recentemente na Venezuela. O roteiro é sempre o mesmo: inventa-se uma desculpa qualquer e em pouco tempo os marines se apossam das riquezas do país invadido. Logo depois os governos americanos roubam todos os recursos naturais que encontram e deixam um rastro de morte, destruição e fome sem precedentes.

     Os líderes da Coreia do Sul apostaram num sistema que priorizou a Educação como a mola propulsora do progresso e do desenvolvimento, enquanto a Coreia do Norte apostou num regime ditatorial e de partido único, que eles disseram equivocadamente que se tratava do Comunismo. Com milhões de dólares chegando ao Sul e com uma Educação de altíssima qualidade, o novo país se desenvolveu rápido e hoje é uma das maiores potências econômicas do mundo. O Norte, “comunista”, priorizou o desenvolvimento na defesa e em armas nucleares, enquanto grande parte de sua população passa fome e necessidades. A Coreia do Norte tem hoje um arsenal de armas nucleares e de mísseis balísticos intercontinentais. E é rival declarada também do Japão e de sua vizinha do Sul. Os norte-coreanos têm hoje mísseis capazes de atingir os EUA em questão de 30 minutos.

     Acredita-se que a Coreia do Norte tenha atualmente um programa de armas nucleares de aproximadamente 50 bombas atômicas e produção suficiente de material físsil para seis a sete armas nucleares por ano. Além disso, tem mísseis nucleares potentes capazes de atingir Los Angeles ou Nova Iorque em minutos. Isso sem falar que Seul, a desenvolvida capital da Coreia do Sul está a menos de 50 quilômetros de distância. Tóquio, no Japão, também está muito próxima e bem ao alcance das armas de Kim Jong-un, o líder do país. Covarde, mole e medroso como é, duvido que o “Laranjão” Donald Trump tente qualquer gracinha com a Coreia do Norte. O déspota norte-americano sabe com quem mexe. Trump prendeu Nicolás Maduro para roubar o petróleo da Venezuela. Mataram Saddam Hussein do Iraque com o mesmo propósito de saquear o país e também Manuel Noriega do Panamá. Com a Coreia do Norte “o buraco é mais embaixo”. Frouxo!

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.


quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Donald Trump devia ser preso

Donald Trump devia ser preso

 

Professor Nazareno*

 

            O “Laranjão”, atual e ex-presidente dos Estados Unidos está virando o mundo de cabeça para baixo. Pertencente à extrema-direita fascista, Donald Trump, que foi eleito pela segunda vez, não consecutiva, como presidente da maior potência econômica e militar do mundo, tem criado situações embaraçosas nas relações internacionais. Com ele, “a cadela do Fascismo está sempre no cio”. No final do seu primeiro mandato, ocorrido entre 20 de janeiro de 2017 e 20 de janeiro de 2021, ele não só incentivou, mas também permitiu que muitos de seus fanáticos seguidores invadissem e vandalizassem o prédio do Congresso Nacional dos Estados Unidos para impedir que as casas legislativas reconhecessem a vitória do seu oponente Joe Biden. O ataque ao Capitólio ocorreu no dia 6 de janeiro de 2021 e teve a participação direita do ainda presidente. Foram cinco mortos.

            Exatos dois anos depois, foi a vez dos radicais brasileiros, liderados e incentivados por Jair Bolsonaro, copiarem e repetirem a mesma coisa que aconteceu lá com os norte-americanos. Só que no caso do Brasil o resultado foi completamente diferente. Aqui, vários “terroristas de mentirinha” foram presos, julgados e condenados pelo STF. Muitos deles ainda estão cumprindo penas de até 17 anos de cadeia em regime fechado. Já o ex-presidente está preso depois de ser julgado e condenado a 27 anos de cadeia em regime fechado. Assim como também todos os seus asseclas que participaram da frustrada tentativa de golpe de Estado na nossa frágil democracia. No aspecto de lei e de justiça, o Brasil deu “um show” nos Estados Unidos, que se arvoram de ser um dos berços da democracia mundial. Ensinamos aos malditos “yankees” como funciona uma democracia.

            Nos Estados Unidos Donald Trump nem processado foi imagine-se preso, julgado e enjaulado como aconteceu com o seu preposto tupiniquim Jair Messias Bolsonaro. Por isso, conseguiu se candidatar e consequentemente vencer as eleições de 2024 e hoje, para infelicidade e muita apreensão de boa parte dos EUA e também do mundo inteiro, é o presidente daquele país. O segundo mandato Trump iniciou taxando unilateralmente todos os países do mundo com os quais tem relações diplomáticas e comerciais. Tentou, sem nenhuma autoridade para isso, interferir na soberania do Brasil, mas foi contido pela firmeza das nossas instituições. Além do mais, “quebrou a cara” quando a inflação nos EUA começou a disparar. O “Laranjão” bombardeou e invadiu a Venezuela para prender o ditador Nicolás Maduro. E os Estados Unidos já se apossaram de todo o petróleo dali.

O próprio Donald Trump já se considera como o presidente interino do país sul-americano. Antes que seja tarde demais, o atual presidente norte-americano tem que ser imediatamente processado, julgado e enjaulado. Ele, se continuar assim, pode levar o mundo a uma terceira guerra. Como Adolf Hitler, que tinha a Gestapo, ele também tem a sua polícia política, a ICE. O ditador alemão odiava os judeus, Trump odeia os latinos. Além da Venezuela, os norte-americanos também pensam em anexar o Canadá e invadir o México. Isso sem falar na Groenlândia que pode ser tomada pelo gigante norte-americano. O Irã pode ser atacado a qualquer momento. Engraçado é que em Gaza os EUA ajudaram Israel a perpetuar um Holocausto ali, enquanto quer atacar os iranianos por que os persas estariam atacando o seu povo. Por que o “Laranjão” não sequestra o ditador da Coreia do Norte? Por que não ataca China ou Rússia? Prendam esse fascista!

 

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

domingo, 11 de janeiro de 2026

O melhor prefeito na pior capital

O melhor prefeito na pior capital

 

Professor Nazareno*

 

O desconhecidíssimo Instituto Veritá da cidade de Uberlândia em Minhas Gerais divulgou uma recente pesquisa dizendo que Leonardo Barreto é o prefeito de uma capital mais bem avaliado no Brasil. Segundo essa sondagem, ele obteve o incrível registro de 94,5 % de aprovação. Algo inédito que nem Idi Amin em Uganda nem Saddam Hussein no Iraque conseguiam em seus áureos tempos administrando seus países. Levando-se em consideração que essa pesquisa ouviu mais de 100 mil pessoas nas capitais brasileiras, e que a margem de erro varia entre 2% e 3%, para mais ou para menos, Barreto poderia estar marcando 97,5% de aprovação popular beirando aí os quase 100%. E se “toda unanimidade não fosse burra”, certamente ele teria cravado essa inalcançável marca. Próximo a isso só o ex-prefeito Hildon Chaves, que chegou a mais de 90% de aprovação.

Não se sabe que diabos de perguntas foram feitas a essas pessoas entrevistadas para que elas dessem tantas respostas tão alvissareiras, esperançosas e quase unânimes de aprovação ao atual prefeito. Parece até que elas não residem nessa “currutela fedida”, apontada pelo ITB, Instituto Trata Brasil, como a pior cidade para se viver dentre as 27 capitais do país. Porto Velho, a eterna capital de Roraima, é uma cidade fedorenta, sem árvores, escura, violenta, sem praças, sem planejamento urbano nenhum e repleta de gente direitista, pobre e miserável. Muita gente sabe que sujeira, lixo, catinga, lodo, carniça, fedentina, bosta, esgoto a céu aberto e imundície é o que não faltam por aqui. Barreto, após dançar numa poça de água podre, se elegeu prometendo acabar com as alagações. Depois de um ano à frente da administração, ele não fez um centímetro de rede de esgotos.

 E pelo que se sabe, também não aumentou em nada a oferta de água tratada para os seus eleitores e puxa-sacos. Aqui todos nós continuamos a beber “água de bosta” como muito bem disse aquela ex-candidata à prefeitura. A coleta de lixo ultimamente virou um caos. Ratos e urubus infestam a cidade em todos os seus sujos recantos. Ainda bem que Leonardo Barreto não prometeu amar, beijar e acariciar a cidade como disse um outro prefeito. Mas hoje não pode nem pintar um meio-fio ou cortar uma grama que já vai fazer o show nas redes sociais. Além do mais, ele trouxe Joelma, que cantou no aniversário da cidade e um tal de Thierry (que levou uma facada da Rita) e também fez nevar na cidade das alagações e da falta de esgotos e de saneamento básico. O povo de Porto Velho precisa de neve, muita neve mesmo. Como alguém responderá a uma pesquisa se não está feliz?

A área mais bem avaliada na decadente cidade foi o transporte público, e o melhor serviço foi a sinalização de trânsito e semáforo. Já a pior área é saneamento básico e meio ambiente, e o pior serviço foi a coleta e o tratamento de esgoto. Tudo mentira, pois a mobilidade urbana é algo totalmente inexistente nesta cidade. Aqui não se veem ônibus decentes circulando em meio a mototáxis e outros alternativos. A cidade está sem porto no rio Madeira e por aqui ainda temos as passagens aéreas mais caras e raras do Brasil. A chuva do sábado, dia 10 de janeiro último, desbancou Leonardo Barreto e seus lacaios. O preço do IPTU não para de subir. Porto Velho tem o pior IDH dentre as capitais e tem o mais baixo IPS, Índice de Progresso Social, do Brasil já faz tempo. Ter o melhor prefeito e ser a pior capital é uma desgraça. Muitos gostariam de ter o pior prefeito e morar na melhor capital. Mas a extrema-direita local, a maior do Brasil, finge não ver nada errado.

 

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.