quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Um 2026 sem perspectivas!

Um 2026 sem perspectivas!

 

Professor Nazareno*

 

           O ano de 2026 já começou e parece que não vai trazer nenhuma esperança de melhoras para o Brasil, para Rondônia e muito menos para Porto Velho, a sofrida, distante e castigada capital estadual. Na política, o país terá eleições para escolher o próximo presidente, os governadores dos estados, dois terços do Senado, deputados estaduais e deputados federais. A maldita polarização a nível nacional ditará as regras dos debates infelizmente também no âmbito regional. Tudo sugere que Lula, representante do PT e das esquerdas, deva ganhar as próximas eleições, já que a direita e a extrema-direita, desgastadas, não têm um candidato definido, embora Flávio Bolsonaro já tenha dado a largada. Com Jair Bolsonaro e todos os seus principais seguidores presos por tentativa de golpe de Estado, a fatura deve mesmo se inclinar para um quarto mandato de Lula. Será?

            Ninguém sabe o que é pior para o Brasil com mais essa possível eleição do petista. Lula “já deu o que tinha que dar”. Chega! O “Sapo Barbudo” tinha que sair da política e se aposentar, pois já caminha para uma idade bem avançada. Mas a sua desistência pode abrir caminhos para algo muito pior no país: a volta quase certa do fascismo golpista da extrema-direita reacionária. O Brasil continua muito rico, mas ainda com uma das piores sociedades do mundo em termos de desigualdade social e de participação da população no PIB do país. O nosso IDH é um dos piores do mundo. E nem a direita conservadora nem a esquerda, dita progressista, vai querer resolver essas mazelas que afligem nossa gente há séculos. Qualquer ideologia que seja a vencedora agora em 2026 deverá trabalhar para tudo continuar do mesmo jeito. Mudanças, se houver, serão mínimas na sociedade.

            Em Rondônia, a fome e a miséria continuarão a fazer parte de um dos mais pobres, atrasados e miseráveis rincões atuais. Com apenas 0,7 por cento do PIB do país e menos de um por cento de toda a população nacional, o Estado Karipuna tem um dos maiores percentuais de gente que milita e ainda vota na extrema-direita fundamentalista. Mas pouca coisa deverá mudar por aqui no ano que se inicia. Problemas fundiários, massacres de povos originários, agressões à natureza com a destruição sistemática da Amazônia, incêndios florestais com fumaça tóxica, fome em grandes plantações, energia caríssima, apesar das várias hidrelétricas que há no estado, raríssimos voos saindo do acanhado aeroporto da capital, passagens aéreas pela hora da morte e falta de um hospital de pronto-socorro são gargalos costumeiros que a incompetente classe política local devia resolver.

            Já Porto Velho, a pior dentre as 27 capitais do país em qualidade de vida e em saneamento básico, deverá continuar com a sua triste sina de carniça, podridão, violência, favelas, falta de arborização e com esgotos contaminados escorrendo a céu aberto. Já se passou um ano e a atual administração nada fez em relação ao aumento da precária e quase inexistente rede de esgotos. Vergonha nacional: quase meio milhão de pessoas na “currutela fedida” não têm acesso a água potável ou a limpeza urbana. Engana-se quem pensa que só porque chegou um novo ano, o prefeito vai fazer jorrar mel e leite das fedorentas ruas daqui de uma hora para outra. Será que em 2026 o porto rampeado vai ser consertado? Será que os ratos, urubus e tapurus que infestam essa cidade vão procurar outros lugares para fazer moradia? O ano pode até ser novo, mas o Brasil, Rondônia e Porto Velho devem continuar com as infâmias de sempre. “Povo e políticos: os mesmos”.

 

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

Meu sonho: nunca ir aos EUA

Meu sonho: nunca ir aos EUA

 

Professor Nazareno*

 

            Modéstia à parte, eu já conheço muitos países do mundo. Visitei, como turista, quase todos as nações vizinhas a nós, fui à Europa umas quatro vezes, visitei o Oriente Médio incluindo Israel, Jordânia e Palestina, mas nunca fui aos Estados Unidos. Aliás, eu sempre tive um sonho, assim como o ativista americano Martin Luther King: jamais em toda a minha vida ir visitar aquele país. Não gosto dos EUA nem da maioria de sua gente e das suas autoridades. Embora reconheça que não existe nação hoje no mundo que respeite tanto a democracia como os norte-americanos. Investimentos em Educação, em pesquisas e ciência têm sido uma constante na América do Norte. Mas a política externa desse país é uma desgraça baseada na ambição imperialista que sempre produziu guerras ao redor do mundo. Do Vietnã à Iugoslávia passando pela Europa, Ásia e Oriente Médio.

            Muito antes do início do século passado que os governos estadunidenses, de um modo geral, sempre quiseram ser a “palmatória do mundo”, por isso exportaram guerras, intervenções, massacres, genocídios e assassinatos de cidadãos em vários países. Na Guerra da Coreia, por exemplo, os Estados Unidos mataram mais de três milhões de inocentes. No Vietnã fizeram outra carnificina com mais de 3,5 milhões de mortos. Esse amaldiçoado país da América do Norte sempre teve uma azeitada e moderna máquina de guerra só para matar gente em todos os continentes. E quem não se submeter à sua vontade paga um preço caro. Sem necessidade, durante a Segunda Guerra Mundial, e de forma covarde, lançaram duas bombas atômicas sobre um Japão já rendido, derrotado, vencido. Milhares de mortos. Hiroshima e Nagasaki: hoje são vergonhas do mundo dito civilizado.

            No Oriente Médio, os imperialistas yankees impuseram o Estado de Israel em terras habitadas por palestinos e até hoje ajudam os judeus a produzirem massacres e genocídios de velhos, mulheres e crianças. Vejam Gaza! Na década de 1960 patrocinaram inúmeras ditaduras militares no continente americano, todas fiéis a Washington. E sobrou até para nós com a nossa ditadura militar sendo apoiada pelos malditos norte-americanos. A Guerra ao Terror foi outra farsa só para roubar o petróleo do Iraque. Mataram Saddam Hussein e se apossaram da riqueza do país invadido. O Iraque não tinha nem nunca teve armas de destruição em massa como fora alegado na época. Em apenas 23 anos, Bill Clinton, George W. Bush e Barak Obama, ex-presidentes dos EUA, invadiram 9 países muçulmanos, mataram onze milhões de cidadãos e nunca foram chamados de terroristas.

Foi por isso que Osama Bin Laden arquitetou com maestria o 11 de setembro de 2001. Essa data foi uma consequência da política externa dos EUA e não um ataque à toa. Por que os “terroristas” árabes não atacaram a Rússia, a China ou outro país? Os Estados Unidos sempre foram o câncer do planeta e se não existissem como nação, a paz e a harmonia certamente seriam uma constante no nosso mundo. Agora, eles querem invadir a Venezuela para roubar o país sul-americano. “A Venezuela é um país narcoterrorista”, dizem falsamente. A Venezuela tem as maiores reservas de petróleo da atualidade e não produz um grama sequer de cocaína ou de outra droga. Mas só se livra de ser atacada se China ou Rússia intervierem e ajudarem a defender os bolivarianos. Trump é o diabo em pessoa. Ele é muito pior do que Bolsonaro ou Hitler. Então, qual o prazer de se visitar uma porcaria de nação agressora como essa? Se me derem um visto, eu rasgo e jogo fora.

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.