sexta-feira, 12 de janeiro de 2024

IPTU com 85% de aprovação

IPTU com 85% de aprovação

 

Professor Nazareno*

 

            Morar em Currutela Fedida, a suja e imunda capital de um Estado, não tem sido fácil. A cidade não oferece nem nunca ofereceu absolutamente nada de bom em toda a sua existência para os seus infelizes moradores. Segundo algumas definições conhecidas, Currutela não é uma cidade no sentido literal da palavra. Ela não passa de uma pocilga imunda já há muito tempo existente nos cafundós do Brasil. É a capital de Estado menos visitada do país e de acordo com o Instituto Trata Brasil, é a pior cidade com mais de 100 mil habitantes em saneamento básico e água tratada. Sem porto decente no rio que lhe banha, sem aeroporto com bons voos regulares, sem mobilidade urbana, sem arborização, violenta e ainda sem rodoviária e sem hospital de pronto-socorro, ela apresenta um IDH sofrível. Mas quem mora nesse lixo ainda paga impostos. E bem caros. É o caso do IPTU.

            Se for levada em conta a relação custo-benefício, Currutela Fedida tem o IPTU mais oneroso do Brasil. Como no restante do país, lá também se paga muito imposto e não se recebe nada de benefícios em troca. Em 2023, por exemplo, houve uma briga das feias por causa da majoração absurda no preço desse imposto. Em 2024, a coisa só piorou. Antes, quem pagasse seus tributos até o fim de janeiro tinha pelo menos 20 por cento de desconto. Agora, sem nenhuma consulta popular, os “sábios” diminuíram a tabela para só 10%, fato este que provocou indiretamente um aumento nas taxas e puniu os bons pagadores. A Câmara Municipal não deu um pio sequer. Dos 21 vereadores de Currutela, todos os 21 são a favor do alcaide. Ou seja, esse prefeito é até mais popular do que Jesus Cristo. E o pobre do contribuinte “currutelense” que se dane: nunca tem a quem recorrer.

            O descaso em Currutela Fedida é tão grande que até uma das únicas praças que há no lugar ainda continua inacabada e sem data para ser entregue à população. Essa praça já foi muito famosa tempos atrás. O Brasil e o mundo já ouviram falar muito bem dela. Seu nome famoso remete à construção da própria cidade. Por incompetência das autoridades locais, Currutela Fedida está praticamente isolada do resto do país. No acanhado campo de pouso, que às vezes é usado como aeroporto, são poucos os voos regulares e além disso, para se chegar ao lugar é muito caro. Em Currutela não há turismo muito menos algo bom para se ver. Muitos dos moradores locais não veem a hora de uma hidrelétrica, que fica a uns cinco quilômetros do centro da cidade, arrebentar e destruir toda aquela maldita e inabitável curva de rio. Sem bombardeios, Currutela é como Gaza.

            Um fato inédito e até inexplicável: mais de 60% dos eleitores da suja e imunda “tribo” são da direita e da extrema-direita. Currutela Fedida não tem candidatos de esquerda. Para se ter uma vaga ideia da promiscuidade daquele fétido lugar, diz-se que o atual prefeito tem mais de 85 por cento de popularidade e aprovação. Dizem até que o mesmo será facilmente eleito como senador ou governador da província daqui a dois anos. Nas duas administrações à frente do ermo lodaçal, ele fez menos de 1% de saneamento básico e não trouxe uma só gota de água encanada a mais nem melhorias para ninguém. Popular e muito querido, ele só fez asfalto, mas não colocou esgotos, canteiro central, nem calçadas nas ruas, que são quase todas tortas. Arborização e melhorias na mobilidade urbana também nada acrescentou. Pagar imposto em Currutela Fedida é um acinte. A cidade, em vez de cobrar dos moradores, devia era pagar para quem quisesse morar nela.

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

sábado, 6 de janeiro de 2024

Nunca mais outro 8 de janeiro!

Nunca mais outro 8 de janeiro!

 

Professor Nazareno*

 

          Infelizmente o dia 8 de janeiro de 2023, um domingo, entrou para a História deste país. Só que de forma melancólica, absurda, patética e triste. Foi nesta lacônica data que alguns grupos de direitistas reacionários, que dias antes tinham viajado para Brasília, lá invadiram os três poderes da República, depredaram tudo e promoveram dessa forma uma das maiores arruaças e vandalismo que a capital do Brasil já presenciou. Eram eles uns três ou quatro mil bolsonaristas quase todos vestidos com a camisa amarela da seleção brasileira e portando bandeiras nacionais. A barbárie que se viu naquele dia entrará para os anais da História como uma das maiores vergonhas que o nosso país já passou. A gentalha eufórica gritava slogans antidemocráticos, pedia um golpe militar, queria um outro AI-5, bem como a intervenção das Forças Armadas para anular as últimas eleições.

            Luiz Inácio Lula da Silva, do PT e da esquerda, venceu dois meses antes em eleições limpas e democráticas o seu rival Jair Messias Bolsonaro, ex-presidente do país entre 2019 e 2022 e ídolo maior da grande maioria daqueles manifestantes. Assim que terminaram as eleições no segundo turno, os perdedores inconformados foram para a frente dos quartéis em todo o território nacional e ali ficaram acampados tramando o “dia da invasão de Brasília” para reconduzir, sob a força dos fuzis e das baionetas, o Bolsonaro e seus asseclas ao poder, fato que começou a acontecer exatamente na tarde do 8 de janeiro de 2023. Mas o golpe dos fascistas da direita e da extrema-direita fracassou retumbantemente para a felicidade geral da nação e dos que amam e ainda acreditam na democracia. As forças democráticas venceram e nossas instituições aguentaram o tranco.

          Apesar da estranha inércia no começo das invasões, as forças policiais do DF finalmente intervieram e prenderam a maioria dos arruaceiros, que depredavam tudo o que viam pela frente. O STF, o Congresso Nacional e o Palácio do Planalto foram invadidos e saqueados pela turba golpista. O triste e horrendo espetáculo correu o mundo. Mas o golpe não foi dado e quase duas mil pessoas foram presas e muitas delas estão sendo julgadas até hoje. Julgadas em uma democracia, por isso com direito à defesa do contraditório e sempre com base nas leis que regem uma sociedade democrática. Muitos respondem por tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado democrático de direito, associação criminosa, dentre outros crimes. Todos serão julgados e alguns deles já foram até condenados a 17 anos de cadeia em regime fechado e vão ter que pagar multa.

            Deram sorte por que tentaram dar um golpe de Estado no Brasil, uma nação onde impera a plena democracia. Se tivesse sido num país como a Turquia, Arábia Saudita, Paquistão, China ou mesmo na Rússia, todos já tinham sido devidamente fuzilados e sem nenhum direito à defesa. Sem organização, sem uma liderança aparente e também sem objetivos claros e bem definidos, os “golpistas de mentirinha” se meteram numa fria que já marcou para sempre as suas vidinhas. Todos praticamente já foram abandonados pelos seus “ídolos de araque” e hoje estão nas mãos do Poder Judiciário e do Supremo Tribunal Federal. Pena que até agora somente as “sardinhas” estão pagando o pato. Quem tramou esse maldito golpe? Quem financiou? Quem transportou os golpistas? Quem se omitiu no início? Essas perguntas têm que ser respondidas e todos os culpados devem arcar com as consequências dessa estúpida insurreição de fundo de quintal. 8 de janeiro? Nunca mais!

 

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

O 4 de janeiro da depressão!

O 4 de janeiro da depressão!

 

Professor Nazareno*

 

            Para o Brasil, de um modo geral, a data 4 de janeiro é um dia como outro qualquer e sem nenhuma importância. Para Rondônia, no entanto, é uma data até importante. Foi neste dia há exatos 42 anos que fora instalado o Estado de Rondônia, a “nova estrela no azul da união”. Só que o próprio Estado não comemora nada neste fatídico dia. O feriado, pasmem, foi antecipado este ano para o dia 2 de janeiro como se nenhuma importância tivesse. Na instalação de Rondônia, eu ainda jovem, estava lá observando a estranha euforia de se instalar uma nova unidade da federação. O fato é que Rondônia até hoje só deu tristezas e vergonhas para o país que acabara de gestar o lugar. Para se criar tudo isso aqui foi preciso trazer levas e mais levas de sulistas desempregados, e também por isso se desmatou como nunca grandes e extensas áreas de cerrado e da rica floresta amazônica.

            O Estado de Rondônia foi criado no dia 22 de dezembro de 1981 e só foi instalado no ano seguinte para que não se perdessem as festas e, portanto, as farras de fim de ano. São mais de quatro décadas de tristezas e vergonhas para o Brasil. Um dos maiores desmatamentos em dois grandes biomas reconhecidos internacionalmente para quê? Para absolutamente nada. O próprio coronel Jorge Teixeira dizia na época que não se cria um Estado pujante e moderno só com pessoas pobres. “Aqui vemos todo os dias desceram dos ônibus um pai, uma mãe, vários filhos, um cachorro e um saco de panelas”, afirmava. Na verdade Rondônia foi criada só para dar suporte à Arena, o partido da cruel e infame Ditadura Militar. Os militares e a direita conservadora perdiam a cada dia mais apoio no Congresso e criando um novo Estado aumentaria o número de parlamentares governistas.

            Mas a tragédia maior foi para o meio ambiente. A criação de Rondônia foi uma desgraça para a natureza e também para o restante do país como um todo. Até hoje, com a construção das hidrelétricas no rio Madeira e a queima da floresta amazônica todo ano, Rondônia sacaneia o restante do país “exportando” fumaça tóxica durante o verão. Hoje, continuamos desmatando como nunca, envenenando os rios com mercúrio, exterminando nossos índios e exportando servidores aposentados para morar em todos os recantos do Brasil. Pior, com a ideia grotesca de se reconstruir a BR-319 para ligar Porto Velho a Manaus, Rondônia vai dar um tiro de misericórdia em toda a Amazônia. E por aqui não há nada que lembre progresso e desenvolvimento. Não temos aeroporto decente com voos regulares, não temos porto no rio Madeira, não há saneamento básico. Continuamos fritos.

            A vergonha daqui está também na política. A corrupção e as administrações públicas sérias e mais comprometidas com o povão mais necessitado nunca passaram de um sonho longe e distante. Aqui há muita corrupção e desmandos em quase todos os 52 municípios do Estado. O Brasil tem hoje, mais uma vez, um governo de esquerda, progressista, mas os eleitores de Rondônia, sempre na contramão, são quase todos eles totalmente da direita e da extrema-direita. Todos os “zeróis” de Rondônia são, por exemplo, pessoas da elite, ricas ou ligadas ao agronegócio. Se quisermos ter mais um pouco de atenção, deveremos fazer o impossível e eleger nas próximas eleições só os candidatos da esquerda. Rondônia foi um dos maiores desastres em todos os sentidos para o Brasil e continua a sê-lo nestes mais de quarentas anos. Nunca tivemos seca e hoje já temos. Nunca tivemos terrorismo e agora já tem. Só falta mesmo chover merda no Estado.

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

sexta-feira, 29 de dezembro de 2023

Prefeito Major Guapindaia

Prefeito Major Guapindaia

 

Professor Nazareno*

 

            O Major Fernando Guapindaia de Souza Brejense foi o primeiro superintendente (prefeito) da cidade de Porto Velho entre os já distantes anos de 1915 e 1916. Nomeado pelo então governador do Amazonas, Jônatas de Freitas Pedrosa, esse maranhense de nascimento abriu em definitivo as portas para o desenvolvimento e o progresso na capital dos “destemidos pioneiros”. O Major Guapindaia criou muitas ruas, plantou árvores, saneou parte da cidade, trouxe água encanada para os moradores e também inovou em práticas municipais. Além de ter sido o primeiro administrador, foi sem dúvida nenhuma um dos melhores prefeitos que a capital de Roraima já teve. No entanto, apesar do seu incansável trabalho pela cidade, há algumas poucas críticas que foram feitas a sua administração. Isso talvez fruto da incompreensão que já havia aqui naqueles idos tempos.

            Assim que o competente militar tomou posse, as chuvas intermitentes castigavam o recém-instalado município. Era o longínquo mês de janeiro de 1915. As águas putrefatas e fedorentas insistiam em alagar as humildes residências da época. Os bairros distantes da periferia eram os mais afetados. Ali, onde seria a futura Avenida Jorge Teixeira, hoje BR-319, era um caos. No encontro dessa rua com a Sete de Setembro, as águas podres contaminavam a todos. As poucas casas que já havia no local eram alagadas e os pobres moradores perdiam tudo. Móveis, carroças, restos de alimentos e algumas pequenas plantações era tudo arrastado pela forte correnteza que se formava. Havia também alagamentos por toda a extensão do que viria ser a futura capital de um Estado. Onde é hoje o encontro das Avenidas Rio Madeira e Rio de Janeiro o caos era geral. Só aguaceiro!

Ninguém conseguia conter a lagoa que se formava ali. Um igarapé de águas sujas cortava todo o entorno da cidade inundando tudo. O Major Guapindaia até que pretendia fazer rede de esgotos mais extensas, que naquela época chegavam a apenas 2,4 por cento de toda a cidade. Porém, as verbas que o Rio de Janeiro, a capital Federal, dispunha eram poucas. E Manaus praticamente não mandava muitos recursos para melhorar toda a administração municipal. Entre os anos de 1915 e 1916, Porto Velho sofria horrores com as águas da chuva. A cidade praticamente não tinha lugar adequado e definitivo para estacionar as carroças que vinham do interior. Havia duas ou três ruas, mas eram todas tortas e cheias de mato e lixo. Flores, não havia em lugar nenhum daquele sombrio município. Não havia praças, nem recantos de lazer. O porto era um barranco sujo no rio.

A cidade não tinha arborização, não tinha caminhos bons para as carroças transitarem e a violência já era uma constante. Mas apesar desses “pequenos problemas”, o Major Guapindaia era um homem muito amado por todos daqui. A mídia da época lhe adulava e não permitia que lhe fizessem nenhuma crítica e todos os “bons homens”, uma espécie de vereadores de então, assim como as demais autoridades locais, lhe agradeciam por ter sido nomeado para o município. “Esse bom homem foi um enviado de Deus”, costumavam dizer. Ele tinha o apoio de cem por cento desses “vereadores” e detinha uns 85% de aceitação do povo. Até aumentava o IPTU. E todos desconfiavam naquele tempo que o velho major queria mesmo era ser governador e até se eleger senador de uma futura província que poderia ser criada por aqui. “Com tanta aceitação, mesmo que não faça nada de proveitoso na cidade, ele ainda será eleito”, afirmavam todos os seus puxa-sacos.

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2023

Uma retrospectiva venturosa

Uma retrospectiva venturosa

 

Professor Nazareno*

 

            O ano de 2023 ficará marcado para sempre nos corações e mentes dos cidadãos rondonienses. Foi talvez o melhor ano para quem mora por aqui, principalmente em Porto Velho, a capital do Estado. Só coisas boas aconteceram. A felicidade é visível no rosto de cada pessoa. Uma espécie de paraíso com coelhinhos saltitantes e borboletas azuis é a impressão que se tem quando se fala de Rondônia e de sua gente. Na área da política, por exemplo, os bons representantes do povo se esmeraram em trabalhar pela sociedade. No início do ainda corrente ano, quando alguém da prefeitura municipal da capital, imbuído de más intenções e tristes presságios tentou aumentar o valor do IPTU, o perfeito e os seus amigos vereadores prontamente intervieram e não permitiram jamais que nós pagássemos nenhum aumento. O povo venceu por causa de sua consciente classe política.

        Mas se engana quem pensa que por causa desse pequeno incidente o prefeito não quis mais trabalhar pelo povo. Pelo contrário! A prefeitura logo transformou as ruas de Porto Velho num imenso canteiro de obras. Asfalto, arborização e ampliação da rede de esgotos foi o que mais se viu por estas bandas. De menos de 2,4% de saneamento básico no início de 2023, a capital das “sentinelas avançadas” pulou para quase três por cento de ruas e casas com esgotos no final do ano. O aeroporto da cidade foi o que mais trouxe alegrias para os rondonienses durante o ano que encerra. Os políticos daqui, como sempre, sensíveis ao sofrimento da população por causa da diminuição da oferta de voos, lutaram de forma hercúlea para resolver o impasse. Hoje, antes mesmo de se encerrar o ano, o “aeroporto internacional” de Porto Velho já está operando no máximo de sua capacidade.

            Foi durante 2023 que a lendária e histórica praça da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré teve o seu apogeu. Juntamente com o moderníssimo porto rampeando lá na beira do rio Madeira, só trazem alegrias e comodidades para o povo ribeirinho. Nossa gente merecia uma praça e um moderno porto de primeiro mundo como aqueles. Na área da administração estadual, os esforços para a recuperação da BR-319 são visíveis. Agora, sim! Rondônia enfrentará um desenvolvimento nunca visto antes. Tudo são flores nas terras de Rondon. Por isso, uma bandeira de Israel foi colocada no CPA só para mostrar a importância que este Estado tem frente à realidade mundial. E agora, com a BR-319 recuperada e o rio Madeira cheio de dragas de garimpos, Rondônia vai desbancar até Mataraca na Paraíba. Somos, com orgulho, mais de 60% de eleitores somente da direita.

        Com tantas coisas boas acontecendo em Rondônia, é compreensível que até a mídia local tenha tido reflexos. E dos bons! Imparcial, dinâmica, independente e muito inteligente, o jornalismo rondoniense devia ter ganhado muitos prêmios em 2023. Prêmio Esso, Prêmio Pulitzer, Prêmio Jabuti de reportagem, Prêmio Cláudio Abramo, dentre tantos outros, deveriam ter sido distribuídos aos “jornalistas” daqui, onde se preza a informação sem nenhum tipo de censura. E até a “inteligência” da polícia rondoniense se destacou neste ano. Foi no lacônico incêndio da Estátua da Liberdade da Havan. “Os incendiários foram só dois sujeitos em uma moto”.  Foi em 2023 que os ex-governadores voltaram a receber os seus proventos vitalícios, o rio Madeira começou a morrer, a UNIR continuou sem restaurante e sem hospital universitários e a Banda do Vai Quem Quer desfilou sem sujar a cidade. Nem alagação houve em Porto Velho. Deviam congelar 2023.

 

 

                        *Foi Professor em Porto Velho.           

sexta-feira, 22 de dezembro de 2023

FLU: aposentados e humilhados

FLU: aposentados e humilhados

 

Professor Nazareno*


            O Fluminense do Rio de Janeiro protagonizou mais uma triste vergonha para o já falido futebol brasileiro. Perdeu de quatro a zero para o Manchester City da Inglaterra pela última decisão do Campeonato Mundial de Clubes da FIFA, edição de 2023. Jogando praticamente com um time reserva, já que seus principais jogadores estão lesionados, o poderoso time inglês aplicou uma solene goleada nos tricolores cariocas que vai ficar marcada para sempre na história do futebol. Se o norueguês Haaland, os belgas Jérémy Doku e Kevin De Bruyne tivessem atuado na partida, a goleada teria sido, com certeza, muito mais expressiva e humilhante. Uns seis ou oito a zero. O fraco time do Brasil apenas olhou os habilidosos atletas do time inglês jogarem. Não criou, não marcou, não fez gol, não atacou e nem se defendeu. Foram dois gols no primeiro e dois gols no segundo tempo.

            Com vários jogadores do elenco já passando da idade de se aposentar do futebol, o Fluminense fez igual a tantos outros times do país que também protagonizaram outras vergonhas na disputa deste campeonato como o Grêmio de Porto Alegre, o Flamengo do Rio de Janeiro e o Palmeiras de São Paulo. Todos eles derrotados recentemente pelo imponente futebol jogado na Europa, que está desbancando há tempos o fraco futebol praticado no Brasil. Já virou rotina um jogador jovem e revelado em clubes brasileiros, como o Endrick do Palmeiras, por exemplo, ir jogar na Europa e depois de muito tempo, já bem velho e acabado, voltar para atuar no futebol do Brasil como se fosse um salvador da pátria. É o caso de Marcelo com 35 anos e de Felipe Melo com 40 anos, ambos do Flu. Eles já jogaram muito bem, mas quando eram jovens. Hoje deviam era estar aposentados.

            Para se ter uma ideia, Fábio, o bom goleiro do Fluminense, tem 43 anos. E o time carioca tem uma série de outros jogadores já desgastados pelo tempo. Enquanto isso, os times europeus desfilam jovens com 17, 18 anos em campo. Não há o que se discutir: um jovem na flor da idade tem muito mais fôlego e preparo físico para fazer belas jogadas e belos gols do que cidadãos que já passaram dos trinta anos. Por isso, o argentino Julián Álvarez, de apenas 23 anos, meteu logo dois gols nos brasileiros. Teve um gol contra e outro de Foden, também de 23 anos. E esse Manchester City nem é o melhor time da Inglaterra na atualidade. Nem da Inglaterra nem da Europa, que tem hoje verdadeiras academias de futebol como o Bayern de Munique, O PSG de Paris, o Barcelona e o Real Madrid da Espanha. O técnico do time da Inglaterra é Pep Guardiola, o melhor do mundo.

            Já o técnico do time brasileiro é um tal de Fernando Diniz, que também treina a fraca seleção do Brasil. Aliás, é muito difícil o time canarinho ir para a próxima Copa do Mundo de 2026. Nas eliminatórias está no sexto lugar. E talvez só vai se classificar por que são sete vagas num grupo de dez equipes. Perdeu para a Colômbia, perdeu para o Uruguai, perdeu para a Argentina e empatou em casa com a Venezuela. É um milagre quando a seleção do Brasil ganha da Bolívia ou do Paraguai. Já o jogo pelo mundial de Clubes estava até enfadonho de se assistir. Só um time jogava, atacava, dava espetáculo e fazia gols. O outro só se defendia e dava chutões. O Manchester City deu um passeio no Fluminense, cujos jogadores ficavam apenas olhando como os europeus jogam o bom futebol. Mas não é só o Fluminense do Rio que é ruim. Palmeiras, São Paulo, Flamengo, Vasco e muitos outros não são nem fichinha perto dos ricos e poderosos times europeus.

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2023

Vivendo numa cidade burra

Vivendo numa cidade burra

 

Professor Nazareno*

 

            Cidade inteligente é uma cidade capaz de integrar todas as suas partes e trabalhar de maneira colaborativa na busca de um objetivo comum. É também um ecossistema urbano inovador caracterizado pelo uso generalizado de tecnologias na gestão de seus recursos e infraestrutura. Uma cidade inteligente é, afinal de contas, um lugar onde as pessoas têm acesso a uma excelente mobilidade urbana, ecossistemas organizados, meio ambiente preservado, recantos de lazer de excelência, inovações tecnológicas usadas para o bem comum, dentre outras qualidades. No mundo, já há cidades muito próximas desse paraíso descrito. Viena na Áustria, Singapura, Genebra, Londres, Barcelona, Copenhague na Dinamarca, dentre outras. Curitiba no Paraná é a cidade brasileira mais próxima desse conceito. Já Porto Velho é uma cidade burra em todos os sentidos. Vejamos a realidade:

            A péssima infraestrutura da capital dos rondonienses se parece com as cidades medievais ou aquelas cidades da África subsaariana. Nada por aqui funciona direito. Sem rede de esgotos nem água tratada, os 460 mil moradores se viram como podem. Muitos cavam poços rasos ao lado de fossas imundas para abastecer suas casas com o precioso líquido. Porto Velho não tem planejamento urbano nenhum. E não é uma cidade jovem como Londrina ou Maringá no Paraná. Desde o longínquo ano de 1914 que entra prefeito e sai prefeito e as necessidades mais básicas do lugar não são resolvidas. Além de não ter esgotos, a cidade burra também não tem nenhuma mobilidade urbana. É como se não existissem por aqui arquitetos. Não existem praças, ruas e canteiros de flores, nem boas passarelas de pedestres. Não tem rodoviária ou aeroporto, e nem um bom porto rampeado.

            Até a rodoviária nova que estão construindo demostra a burrice que reina na cidade. Ela fica bem ao lado de um igarapé podre, fedorento e imundo. Deve ser uma espécie de cartão de boas-vindas para quem chega à “capital do lodaçal”. Coletivos? Não funcionam. Nem é bom falar no novo hospital de pronto-socorro, o “Built to Suit”. E os 21 vereadores? Todos eles estão do lado do prefeito, que se orgulha de ter construído a rua Santos Dumont. Só que a mesma, apesar de ter só um quilômetro de extensão é toda torta, não tem canteiro nem arborização e não resolveu absolutamente nada no já caótico trânsito da cidade. Pior são as passarelas que construíram na BR-364, que corta a cidade. Em vez de fazerem passarelas inteiras para dar mais segurança aos pedestres, construíram meias-passarelas. E até devem construir outras nas Avenidas Jorge Teixeira e Imigrantes.

O sujeito, que certamente vai ser assaltado quando resolver passar por essas meias-passarelas, tem que cruzar duas ruas marginais movimentadíssimas. O perigo de ser atropelado vai continuar ainda maior na cidade burra. Vejam a conhecida e histórica Praça da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, um dos símbolos da capital das “sentinelas avançadas”. Abandonada, esquecida, cheia de mato, urubus e lixo está lá na beira do rio Madeira sem que a população tenha acesso a ela. A cada ano que passa, a cidade burra fica ainda pior para os seus moradores. Fica, assim, cada vez mais burra. Por isso, hoje detém o pior IDH dentre as capitais brasileiras. Se essa cidade burra fosse uma mulher, todos os seus administradores já tinham sido enquadrados na lei Maria da Penha. A cidade é burra, mas os seus moradores são “inteligentes”, pois mais de 60% deles são da direita ou da extrema-direita reacionárias, apesar de morarem na sujeira, no lodo, e no abandono.

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

sábado, 16 de dezembro de 2023

Mataraca, a Dubai paraibana

Mataraca, a Dubai paraibana

 

Professor Nazareno*

 

Com pouco mais de 8 mil habitantes, Mataraca é uma dessas cidadezinhas “sem eira nem beira” perdida nos cafundós do Brasil. Situada no litoral norte da Paraíba, o esmo e atrasado lugar está a 104 quilômetros de Natal no Rio Grande do Norte e a apenas 96 quilômetros de João Pessoa, a também pobre capital da Paraíba. Vivendo praticamente do bolsa-família e de outras benesses oficiais, o projeto de cidade recebeu esta semana uma notícia que pode mudar para sempre a sua rotina miserável e sem futuro: falaram nas mídias que um grupo de empresários chineses vai transformar aquele distante rincão esquecido em uma Dubai, a famosa cidade dos Emirados Árabes. O grupo chinês Brasil CRT teria dito que vai investir nada mais nada menos do que nove trilhões de reais para construir um porto na região e dessa forma, alavancar o progresso naquele fim de mundo.

A Paraíba, assim como Rondônia, Acre, Amazonas e tantas outras províncias do Brasil, são lugares rústicos, atrasados, paupérrimos e quase sem nenhuma perspectiva de futuro. Sempre deram prejuízos à federação e praticamente vivem por causa de outros Estados que têm melhores produções agrícola e industrial. Não fosse o FPE, Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal, não sobreviveriam por muito tempo. O Estado da Paraíba, por exemplo, não sobreviveria se não fosse a orla marítima com as suas boas praias de água quente. Só isso! E sempre se caracterizou como um dos maiores exportadores de gente à procura de emprego no Rio de Janeiro e em São Paulo. A notícia alvissareira de elevar a humilde Mataraca à condição de uma Dubai atiçou os ânimos e por isso, muitos já contam como “favas contadas” a criação de 600 mil novos empregos.

Mas há indagações que precisam de respostas bem mais realistas. Nove trilhões de reais é mais do que o PIB do Brasil e pelo menos umas 450 vezes o diminuto PIB da Paraíba. Por que a China estaria disposta a investir tanto dinheiro assim em outro país? E quem iria morar nessa nova metrópole no litoral norte de um Estado tão carente e distante? Quem iria trabalhar nesse novo paraíso na terra? Há notícias de que uma cidade de pelo menos uns 250 mil habitantes seria construída ali e que receberia pelo menos um milhão de turistas todos os anos. Será que os pobres, ordeiros, honestos e humildes habitantes mataraquenses aprenderiam a falar Inglês e/ou Mandarim em tempo recorde? Se toda esta fantasia for mesmo verdade, o que os chineses viram escondido naquelas terras que os paraibanos e os brasileiros não viram? Urânio, ouro, diamantes ou qualquer outra riqueza?

O que diabos esses chineses estão sabendo que nós não sabemos? Construir só um simples porto de águas profundas? Será que não é um “Migué” dessa turma “Ching Ling” nos paraíbas? A Nova Mataraca (a metrópole fictícia desses chineses continuaria com este nome esquisito?) teria uma variedade de infraestruturas incríveis, incluindo muitas residências modernas, centros comerciais, serviços de primeiro mundo, áreas de lazer, instituições de ensino, estádios de futebol, edifícios arrojados, shoppings centers, metrô e indústrias de ponta. É mole? Ou seja, Mataraca vai desbancar João Pessoa e Campina Grande em quase tudo. Já pensou os paraibanos andando de metrô? Treze, Campinense e Botafogo iriam agora mandar os seus jogos em Mataraca, que contaria, óbvio, com um moderno aeroporto internacional. O Castro Pinto e o João Suassuna vão diminuir seus voos? Uma dúvida: essa nova cidade terá saneamento básico e menos pedintes pelas ruas?

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2023

Terrorismo chegou ao lodaçal?

Terrorismo chegou ao lodaçal?

 

Professor Nazareno*

 

            Porto Velho, a arrasada e destruída capital de Roraima, amanheceu nesta quinta-feira, 14 de dezembro de 2023, com uma notícia que estremeceu as bases conservadoras da cidade mais suja e imunda do Brasil. A Estátua da Liberdade de uma das lojas Havan foi incendiada durante a madrugada por dois homens encapuzados em uma moto. Terrorismo na capital das “sentinelas avançadas”? Será que já avançamos a esse ponto? Muitos munícipes, ainda incrédulos, acreditam que foi apenas um curto-circuito o maior responsável pelo sinistro. A tristeza em Porto Velho é visível no rosto de cada pessoa. Guardadas as devidas proporções, é como se a torre Eiffel de Paris tivesse virado cinzas, o Cristo Redentor do Rio de Janeiro caísse do morro do Corcovado e até a própria Estátua da Liberdade de Nova York, a original, tivesse afundado no Atlântico após uma tragédia.

Se ficar comprovado que foi mesmo um ato terrorista, Porto Velho entrará para a História como uma daquelas cidades, onde cenas de terroristas encapuzados correm o mundo inteiro. Mas como assim, terroristas na capital do lodaçal? A capital karipuna é uma das cidades mais insalubres e sebosas do mundo. Aqui não há saneamento básico, mobilidade urbana, arborização, nem água tratada. Não tem também esquerdistas na política. Com raras exceções, quase todo mundo daqui é da direita ou da extrema-direita. Em todas as eleições, no entanto, sempre aparecem alguns candidatos que dizem ser progressistas, mas no fundo todos eles são conservadores. Como pode num ambiente hipócrita, inóspito e insalubre desses aparecer uma organização terrorista para atormentar ainda mais a vida dos infelizes moradores? A “inteligência” da nossa polícia descobrirá!

Muita gente sabe que o “Véi da Havan” se envolveu “de graça” no mundo sujo da política durante os quatro anos do governo passado. Foi, infelizmente, uma figura folclórica que pode ter atormentado a vida de muita gente da esquerda. Pode ter com isso semeado discórdias entre pessoas que não tinham a mesma posição política dele. Ele tem todo o direito de se manifestar politicamente, mas como comerciante comprou briga sem necessidade com praticamente metade de seus possíveis clientes. Sei de pessoas que por discordarem da posição política dele não pisam os pés em nenhuma de suas lojas. E muitos não são nem esquerdistas. Trabalhador, arrojado, empreendedor nato, o “Véi da Havan” poderia ter ficado quieto e assim aumentado suas vendas tanto para bolsonaristas como para esquerdistas. Enquanto metade do mundo chora, a outra metade vende lenços.

Porto Velho é uma espécie de esfíncter anal, com todo o respeito a essa parte do corpo humano, mas se foi terrorismo, nada justificaria ações absurdas como essa, mesmo que aqui não tenha um porto rampeado no rio Madeira, não tenha aeroporto decente, uma vez que as companhias aéreas há tempos boicotam o lugar. Aqui não há limpeza urbana, a classe política é inoperante e corrupta, não existem recantos de lazer, não há boas universidades, o sistema de saúde é precário e conta só com o “açougue” João Paulo II, que se parece um campo de extermínio de pobres. Não tem anel viário, as passarelas na BR-364, que corta a cidade, são curtas demais, as passagens aéreas são as mais caras do Brasil, paga-se um IPTU caríssimo e se convive diariamente com lixo e carniça e por tudo isso, a população da cidade só diminui. Mas não foi terror! Porto Velho nem para isso se presta. Foi vandalismo! E agora, como os porto-velhenses vão se divertir aos domingos?

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

terça-feira, 12 de dezembro de 2023

Porto Velho, a menos visitada


Porto Velho, a menos visitada

 

Professor Nazareno*

 

            No Brasil, Porto Velho, a insólita, fedorenta, suja e podre capital de Roraima, é o destino turístico menos visitado. Foi o que disseram a plataforma Booking e o site oficial da Decolar em recente pesquisa. Até aí, nenhuma novidade. Todos que têm o desprazer e a tristeza de morar nesta descuidada e mal administrada cidade sabem da veracidade destes terríveis fatos. Ninguém em sã consciência teria coragem de vir hoje a Porto Velho para visitá-la ou mesmo fazer turismo, coisa que o lugar não tem nem nunca teve. Visitar o que por aqui? A cachoeira de Santo Antônio e o velho presídio que havia lá? As corredeiras do Teotônio que no verão exibiam suas lindas quedas d’água e todo tipo de pescaria? As velhas locomotivas da histórica EFMM que estão apodrecendo no meio do mato? Ou a beira do rio, onde as pessoas foram impossibilitadas de ir curtir o pôr do sol?

            Porto Velho nasceu a partir do rio Madeira, mas já lhe abandonou faz tempos. O turista acidental poderia ver o porto rampeado que não funciona e como os ribeirinhos fazem para descer ou subir o barranco íngreme e escorregadio quando vão viajar para o interior do município. Deve ser por isso que Porto Velho diminui a cada dia que passa. Há uns dez anos, a população superava fácil os 540 mil habitantes e hoje não passa de 460 mil moradores, segundo o IBGE. Só vem para esta “curva de rio” quem tem parentes aqui ou quem passou em algum concurso público. Até os habitantes das cidades do interior do Estado evitam viajar para a sua capital. Aqui não tem futebol, nunca teve um hospital de pronto-socorro, embora o governo estadual tenta construir um tal de “Built to Suit” que mal saiu do papel. Nem rodoviária decente a capital tem para seus passageiros.

            Porto Velho é uma nojeira só. É, com certeza, a cidade mais sebosa do Brasil. E depois de oito anos administrando o lugar, o atual prefeito disse que a questão do saneamento básico só virá com recursos internacionais, como se algum país ou mesmo uma empresa multinacional tivesse a coragem de jogar dinheiro nesse fim de mundo insalubre e distante. Resumindo: com menos de três por cento de saneamento básico e menos de 35 por cento de água encanada, a capital dos “destemidos pioneiros” não passa de uma reles currutela fedida. Com esses vergonhosos números, Porto Velho se parece com uma cidade medieval. Nem flores tem nas ruas daqui. Nem flores e nem árvores. A administração municipal arrancou todas as que tinha na avenida Tiradentes e não pôs nada no lugar. Ruas inteiras como a Jatuarana, por exemplo, não têm uma só árvore. Só asfalto.

            Porto Velho não tem nada para se ver. Só sujeira e monturo mesmo. Por isso, é a pior cidade turística do país. Quem quer ver a rua torta, que dizem ser um “marco” na cidade? Marco de quê? Além de torta, essa rua não tem um canteiro central nem uma só árvore em toda a sua extensão. Um turista doido pagaria a passagem aérea mais cara do país só para ver as ridículas “passarelas do atraso” no Espaço Alternativo? Até a “nova” rodoviária da cidade está sendo construída enviesada e fica ao lado de um igarapé podre e cheio de lixo. Nem bons ônibus urbanos há por aqui. Temos uma das piores mobilidades do mundo. A ponte do suicídio não serve para nada e até a única universidade pública do Estado, a UNIR, não tem hospital nem restaurante universitário. Os raros defensores de Porto Velho já estão morando fora faz tempo. Não resistiram ao lodaçal e à carniça. Hoje muitos devem ter vergonha de dizer que nasceram aqui. Natal: quem pode viaja para fora.

 

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.


sábado, 9 de dezembro de 2023

Acre, Essequibo, Gaza e Ucrânia

Acre, Essequibo, Gaza e Ucrânia

 

Professor Nazareno*

 

            Depois que a pandemia da Covid-19 diminuiu, o mundo começou a virar de cabeça para baixo. Em várias regiões do planeta, as guerras de anexações de territórios voltaram à tona. Primeiro foi a Rússia de Vladimir Putin que invadiu a Ucrânia e desencadeou uma guerra sem precedentes lá no Leste europeu. Depois veio o caos na Faixa de Gaza quando membros do Hamas, grupo que controla parte da Palestina, assassinou covardemente mais de 1400 pessoas em Israel. A reação do Estado judeu foi avassaladora. Até agora mais de 17 mil palestinos já foram mortos pelos israelenses, que decidiram praticamente tomar e anexar aquele enclave muçulmano. E como se não bastassem esses absurdos, eis que de uma hora para outra, o ditador venezuelano Nicolás Maduro resolveu anexar ao seu país a região de Essequibo pertencente à vizinha Guiana.

            Se essa moda de anexar partes de outros países pegar, daqui a pouco a Bolívia vai também querer reivindicar o Acre, que antes pertencera aos bolivianos e fora cedida ao Brasil pelo Tratado de Petrópolis. Em troca do Acre, o Brasil construiu a Estrada de Ferro Madeira Mamoré. Mas dizem algumas más línguas que o nosso país teria trocado com os bolivianos o nosso charmoso Estado vizinho por um cavalo. Se isso fosse mesmo verdade, a questão seria fácil de ser resolvida com a Bolívia: ela nos devolveria um cavalo e nós entregaríamos o Acre para eles. E ainda poderíamos dar Rondônia como gorjeta. O Brasil se livraria de Rondônia e do Acre de uma vez só. O problema é saber se os bolivianos, exigentes como são, aceitariam ficar com essas duas “porcarias”, pois os dois Estados brasileiros só dão prejuízos ao país. Pertencendo à Bolívia, talvez eles melhorassem mais.

            Com essa história maluca de anexar mais de 70 por cento do país vizinho, Nicolás Maduro pode estar cavando a sua própria cova. A Guiana foi colônia do Reino Unido até 1966 e tem laços muito fortes com os Estados Unidos, que têm interesse no petróleo recém-descoberto em Essequibo. E até agora quem ousou enfrentar as grandes potências mundiais se deu mal. Leopoldo Galtieri, ditador da Argentina no início da década de 1980, tentou tomar as ilhas Malvinas da Inglaterra e foi humilhado. Saddam Hussein do Iraque invadiu o Kuwait e depois também foi escorraçado. Todos foram derrotados e tiveram que abandonar o poder. Parece que os venezuelanos e o seu projeto de ditador não sabem como funciona a História. Lula, o “amiguinho” de Maduro, não pode e nem vai fazer absolutamente nada para deter a ambição do seu protegido. Somos um anão diplomático.

            O nosso presidente foi um desastre só quando se meteu na atual guerra da Rússia contra a Ucrânia. Falou só tolices e ninguém lhe deu bolas. Em Israel e na Faixa de Gaza foi até pior: os cidadãos brasileiros foram praticamente os últimos a deixarem a área em guerra. Isso sem falar no embaixador de Israel no Brasil, que fez reuniões com Bolsonaro e praticamente “bagunçou” a relação entre os dois países e não teve nenhuma represália por parte do Planalto. Em política externa somos um zero à esquerda. Se a Venezuela invadir mesmo a Guiana mostrará ao mundo o quanto tem respeito pelo Brasil, que insiste em negociar o possível conflito. Aliás, o Maduro já está procurando o Putin da Rússia possivelmente para pedir apoio para as suas loucuras. E o Brasil que se cuide: Manaus e Boa Vista, por exemplo, estão a pouco tempo de voo dos poderosos caças venezuelanos Sukhoi-30. Já Porto Velho pode ficar tranquilo. Ninguém destrói o que já está destruído.

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.