domingo, 25 de outubro de 2026

Lula e Flávio: vitória de Pirro

Lula e Flávio: vitória de Pirro

 

Professor Nazareno*

 

            Hoje, 25 de outubro de 2026. O Brasil vai às urnas para decidir em segundo turno quem será o presidente do país pelos próximos quatro anos. Extrema-direita e esquerda são os adversários. Pesquisas de opinião já amplamente divulgadas, apontam empate técnico. O país continua dividido e ainda muito polarizado. O ganhador terá poucos votos de vantagem sobre o seu oponente. São quase 160 milhões de eleitores numa das maiores democracias do mundo. Todos alegres e felizes e botando fé em seu candidato. A partir das 18 horas de Brasília, começa a festa da apuração. Ainda hoje sai o resultado final e começam as comemorações com fogos, champanhes e muita alegria de um lado e alguma tristeza, decepção e reclamações do outro. Mas este cenário não representa, em hipótese alguma, a realidade vivida no país. Ambos os lados deviam chorar de tristeza.

            Se soubessem a verdadeira realidade do país em que vivem, tanto os vencedores como os perdedores dessas eleições dariam as mãos e todos choravam juntos. Não são somente os próximos quatro anos de desgraças, lamentos e infortúnios que esperam “aquele que teve mais votos nesta disputa meio que arranjada”. A extrema-direita diz que “vai mudar tudo que puder para consertar o país”. Já a esquerda afirma que “manterá todas as atuais conquistas sociais” para que o povo continue feliz e sorrindo à toa. Ledo engano, tolice, palavras ao vento. A realidade do país já está devidamente selada há muito tempo. O Centrão, que não é um partido político, nem de direita e nem de esquerda, já “colocou as cartas na mesa” e já se apoderou do seu quinhão na partilha da nação, pois vai continuar dominando o Congresso Nacional, parte do STF e a maioria dos estados.

            Tomada pelo arroubo e pela emoção, a senzala vota, mas é a Casa Grande que vai governar. Lula, o seu PT e as esquerdas podem até ganhar, mas não governarão nada se o Centrão decidir que vai lhe fazer oposição. Assim como o Flávio Bolsonaro da extrema-direita: ganha, mas não governa. Há mais de meio século que como uma das dez maiores economias do mundo dito civilizado, o Brasil sempre patinou no meio das nações que detêm de fato o poder na atual ordem econômica mundial. Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido sempre ditaram as regras e tudo indica que nada vai mudar por enquanto. A oitava economia do mundo continuará cobrando impostos europeus e prestando serviços africanos. A mão de obra barata, os muitos recursos naturais, a violência, a fome, injustiça e miséria vão continuar a ser rotina entre nós, os desdentados.

            Se depois de tudo isso, quem vai mandar de fato é o Centrão e a Casa Grande, a festa da democracia não passa de uma farsa, de um engodo, de uma grande enganação. Todos os eleitos, de antes e de agora, empanturram-se na festa comemorando e já não mais convidam a senzala para participar das danças e nem comer do bolo. Dentes afiados olham “salivando” e já amolam suas garras para devorar o porco verde-amarelo assado ali sob o suor dos pobres e miseráveis. Há muitos séculos que a desgraça foi criada e está sob medida para transferir as riquezas produzidas por “quem nada tem” para “quem já tem de tudo”. Um lado propõe dar esmolas a “conta-gotas”, enquanto o outro lado defende cortar de vez o assistencialismo nacional. Lutando para satisfazer a sede do establishment, extrema-direita e esquerda brigam de mentirinha enquanto analfabetos, banguelas e famintos sentem-se como Pirro: adiantou o quê vencer mais essa batalha?

 

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

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