Marrocos teve
pena do Brasil
Professor
Nazareno*
A 23ª Copa do
Mundo de Futebol começou da pior maneira possível para o Brasil. Apontada de
forma equivocada como uma das favoritas ao título, a outrora forte, boa e
imbatível seleção canarinho decepcionou em todos os sentidos. Jogando contra um
time de expressão insignificante, só conseguiu a duras penas um magro empate
com sabor de derrota. O Marrocos dominou o jogo do começo ao fim e só não
ganhou a partida por pura sorte do Brasil. Em
campo, a nossa seleção se parecia com o futebol de Rondônia. Pense num
time ruim e fraco. Jogadores demonstrando cansaço, desorganizados e falta de
entrosamento era o que se via em campo. Uma triste e irreconhecível lembrança
de um país que no futebol vive se gabando de ser pentacampeão do mundo. Fato:
o “onze” canarinho nem de longe
lembrava os esquadrões épicos de 1970, 1982 e também de 2002.
O ideal era que esse fracasso no
futebol fosse a única desgraça
que acompanha este país. Ultimamente o Brasil tem fracassado em praticamente
tudo o que faz na já podre, tosca e doente realidade mundial. Muitos dos nossos
torcedores apaixonados pelo “esporte das multidões” sequer
podem usar hoje em dia a camisa amarela que tanto simbolizou o nosso time, que
era vencedor. A tradicional vestimenta amarelinha foi devidamente sequestrada
pela extrema-direita reacionária. A própria bandeira nacional estendida nas
janelas virou sinônimo de quem é da extrema-direita abjeta, golpista, odiosa e
radical. O Brasil vive hoje o dilema das eleições, que acontecerão ainda neste
ano. Os jogadores da seleção, ricos e endinheirados, mas quase todos eles
desconhecidos, estão perdidos diante da realidade nacional. Assim como estavam no jogo contra o
Marrocos.
O jogo em si foi de uma tragédia
surreal para nós brasileiros. O Marrocos atacava e o Brasil se defendia. Nos 20
minutos iniciais muitos torcedores imaginavam que seríamos goleados sem dó nem
piedade pelos hábeis, bem treinados e rápidos atletas marroquinos. O Brasil
jogou com medo, nervoso e sem nenhum entrosamento tático. Conseguiu, num lance
de pura sorte, empatar o jogo ainda no primeiro tempo. O segundo tempo foi
monótono e sonolento sem grandes jogadas. O Marrocos atacava e o Brasil se
defendia. O resultado mais justo do jogo teria sido uma derrota nossa. Se não
de goleada, mas de uns três ou quatro gols de diferença para o time africano.
Mesmo que tivesse jogado, o bolsonarista, machucado, velho e totalmente
dispensável Neymar não teria feito nenhuma diferença naquela sofrível partida.
Nossos atletas nos representam bem: falidos.
O próximo jogo será contra o
inexpressivo Haiti. Mas corremos o risco de perder a partida. E se isso
acontecer, os jogadores voltarão mais cedo. Voltarão, não! Ficam por lá mesmo
no mundo civilizado e rico onde a maioria deles defende os clubes que lhe dão
sustento e muita riqueza. Depois tem a Escócia, antiga freguesa do Brasil em
Copas do Mundo. Se não ganharmos estas duas partidas fica claro que é o velho
amor pelo vil metal que fala mais alto. Patriotismo na ponta das chuteiras é
tolice. Mas é melhor sair mais cedo dessa Copa para evitar vergonhas maiores.
Imagino aqui se estivéssemos jogando contra a Argentina, França, Espanha,
Alemanha ou Inglaterra. O Brasil virou saco de pancadas. Nossa Educação é uma
das piores do mundo. Não temos infraestrutura decente, nossas cidades são
verdadeiras pocilgas e somos uma nação violenta e faminta. É melhor já buscarmos
outro país para torcer. O futebol
arte já deu o que tinha de dar. Lamentável!
*Foi
Professor em Porto Velho.
