domingo, 14 de junho de 2026

Marrocos teve pena do Brasil

Marrocos teve pena do Brasil

 

Professor Nazareno*

 

            A 23ª Copa do Mundo de Futebol começou da pior maneira possível para o Brasil. Apontada de forma equivocada como uma das favoritas ao título, a outrora forte, boa e imbatível seleção canarinho decepcionou em todos os sentidos. Jogando contra um time de expressão insignificante, só conseguiu a duras penas um magro empate com sabor de derrota. O Marrocos dominou o jogo do começo ao fim e só não ganhou a partida por pura sorte do Brasil. Em campo, a nossa seleção se parecia com o futebol de Rondônia. Pense num time ruim e fraco. Jogadores demonstrando cansaço, desorganizados e falta de entrosamento era o que se via em campo. Uma triste e irreconhecível lembrança de um país que no futebol vive se gabando de ser pentacampeão do mundo. Fato: o “onze” canarinho nem de longe lembrava os esquadrões épicos de 1970, 1982 e também de 2002.

            O ideal era que esse fracasso no futebol fosse a única desgraça que acompanha este país. Ultimamente o Brasil tem fracassado em praticamente tudo o que faz na já podre, tosca e doente realidade mundial. Muitos dos nossos torcedores apaixonados pelo “esporte das multidões” sequer podem usar hoje em dia a camisa amarela que tanto simbolizou o nosso time, que era vencedor. A tradicional vestimenta amarelinha foi devidamente sequestrada pela extrema-direita reacionária. A própria bandeira nacional estendida nas janelas virou sinônimo de quem é da extrema-direita abjeta, golpista, odiosa e radical. O Brasil vive hoje o dilema das eleições, que acontecerão ainda neste ano. Os jogadores da seleção, ricos e endinheirados, mas quase todos eles desconhecidos, estão perdidos diante da realidade nacional. Assim como estavam no jogo contra o Marrocos.

            O jogo em si foi de uma tragédia surreal para nós brasileiros. O Marrocos atacava e o Brasil se defendia. Nos 20 minutos iniciais muitos torcedores imaginavam que seríamos goleados sem dó nem piedade pelos hábeis, bem treinados e rápidos atletas marroquinos. O Brasil jogou com medo, nervoso e sem nenhum entrosamento tático. Conseguiu, num lance de pura sorte, empatar o jogo ainda no primeiro tempo. O segundo tempo foi monótono e sonolento sem grandes jogadas. O Marrocos atacava e o Brasil se defendia. O resultado mais justo do jogo teria sido uma derrota nossa. Se não de goleada, mas de uns três ou quatro gols de diferença para o time africano. Mesmo que tivesse jogado, o bolsonarista, machucado, velho e totalmente dispensável Neymar não teria feito nenhuma diferença naquela sofrível partida. Nossos atletas nos representam bem: falidos.

            O próximo jogo será contra o inexpressivo Haiti. Mas corremos o risco de perder a partida. E se isso acontecer, os jogadores voltarão mais cedo. Voltarão, não! Ficam por lá mesmo no mundo civilizado e rico onde a maioria deles defende os clubes que lhe dão sustento e muita riqueza. Depois tem a Escócia, antiga freguesa do Brasil em Copas do Mundo. Se não ganharmos estas duas partidas fica claro que é o velho amor pelo vil metal que fala mais alto. Patriotismo na ponta das chuteiras é tolice. Mas é melhor sair mais cedo dessa Copa para evitar vergonhas maiores. Imagino aqui se estivéssemos jogando contra a Argentina, França, Espanha, Alemanha ou Inglaterra. O Brasil virou saco de pancadas. Nossa Educação é uma das piores do mundo. Não temos infraestrutura decente, nossas cidades são verdadeiras pocilgas e somos uma nação violenta e faminta. É melhor já buscarmos outro país para torcer. O futebol arte já deu o que tinha de dar. Lamentável!

 

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

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