domingo, 27 de setembro de 2026

O Lula está certo em acabar com as BETS?

 

O Lula está certo em acabar com as BETS?


Daniel Pereira*


    O assunto do final de semana foi a decisão do presidente Lula de acabar com as apostas esportivas eletrônicas (BETS) e enviar ao Congresso Nacional um projeto de lei para criminalizar a sua prática clandestina. Como tudo o que ocorre em período eleitoral, o tema inevitavelmente será politizado, dividindo opiniões entre favoráveis e contrários à medida presidencial.

    Essa medida foi acertada ou errada? Qual é o impacto concreto que ela causa na vida das pessoas? São perguntas que, a meu ver, exigem respostas claras. Deixo aqui minha contribuição para esse debate.

    Para qualquer discussão séria, é preciso primeiro recordar o panorama anterior ao surgimento das BETS. O próprio Estado, por meio da Caixa Econômica Federal, administra seus jogos. O mais antigo deles é a loteria esportiva, cujos sorteios semanais premiam quem acerta os resultados dos jogos do Campeonato Brasileiro. Apenas uma minoria ganha — a esmagadora maioria perde, como ocorre em qualquer modalidade de jogo. O país conta ainda com outras opções, como a Mega-Sena, a Lotofácil e a Quina, totalizando 11 modalidades oficiais.

    É importante observar alguns detalhes sobre esses jogos estatais. O custo para o apostador é baixo, e o destino da arrecadação é transparente: o montante apurado é distribuído em prêmios (sobre os quais incide o Imposto de Renda) e o restante é destinado a projetos sociais. Ou seja, trata-se de uma prática de baixo custo individual em que o resultado financeiro retorna para a própria sociedade, funcionando como um financiamento coletivo de políticas sociais.

    As BETS, por sua vez, operam de forma oposta. O apostador ganha acesso a um verdadeiro "cassino virtual", jogando ao longo de todo o dia na ilusão de obter lucros que, na prática, são matematicamente inviáveis, pois a engrenagem do sistema depende do prejuízo do usuário. O professor Nazareno, conhecido em Rondônia por seus textos irônicos, cunhou uma definição precisa para as BETS: “É quando um otário gasta o dinheiro que não tem para tentar ganhar um dinheiro que não existe”. Embora o termo "otário" seja incisivo, a premissa é correta: o sistema não foi desenhado para que o jogador vença.

    Além disso, cabe questionar quem fica com o lucro. A resposta é óbvia: os proprietários das plataformas, muitos dos quais investigados por ligação com o crime organizado, utilizando as BETS como instrumento para a lavagem de dinheiro.

    Essas plataformas vêm destruindo indivíduos e famílias. A dependência do jogo gera uma busca compulsiva por satisfação que frequentemente culmina na ruína financeira e emocional. Há diversos relatos de casais que entram juntos no vício, perdem bens como casas e carros, e se endividam com agiotas. Não podemos continuar encarando essa realidade com passividade. O cenário é ainda mais grave quando beneficiários de programas sociais do Governo comprometem seus poucos recursos para alimentar o lucro dessas empresas, sacrificando o sustento de famílias que já se encontram em situação de vulnerabilidade.

    Adversários políticos alegam que a criação dessa modalidade de aposta no Brasil teria sido de responsabilidade do governo Lula — uma afirmação que não condiz com os fatos. As apostas de quota fixa foram legalizadas ainda em 2018, durante a gestão de Michel Temer (Lei nº 13.756/2018). Ao governo Lula coube o processo de regulamentação, sancionado no final de 2023. Já no momento da assinatura, o presidente deixou clara a sua posição: "Estamos regulamentando para ver se funciona; se não der certo, eu acabo com elas". Diante dos evidentes impactos negativos para a sociedade, a medida atual nada mais é do que o cumprimento do compromisso firmado publicamente, sem qualquer tipo de contradição. 

    Historicamente, o Brasil já abrigou cassinos físicos, à semelhança do que ocorre em Las Vegas (EUA) e Punta del Este (Uruguai). Eram estabelecimentos de alto luxo que, por sua própria natureza e custo elevado, restringiam-se a frequentadores de alto poder aquisitivo. Para esse perfil de público, eventuais perdas financeiras não comprometem as necessidades básicas do dia a dia. Vale lembrar que os cassinos foram permitidos no Brasil, instalados no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, dentre outros estados, os quais foram fechado  em 1946.

    Diante disso, sou favorável à revogação dessa proibição histórica, permitindo a instalação de cassinos físicos em locais de forte vocação turística — como cidades históricas, o litoral, Manaus, Belém ou o Pantanal. A presença desse público de alta renda geraria empregos diretos e indiretos, impulsionando a economia local e os negócios regionais.

    A título de exemplo, em Petrópolis (RJ), antiga cidade da família real, situa-se o imponente Palácio Quitandinha. Construído para ser um mega-cassino e inaugurado com grande suntuosidade — contando com a presença de astros de Hollywood e artistas renomados, o prédio hoje funciona como centro cultural e hoteleiro. Caso a legislação permitisse, a estrutura poderia abrigar novamente um cassino em questão de meses.

    Em suma, sou alguém que aprendeu a jogar baralho apenas como passatempo, em fins de tarde ou noites agradáveis com a família e amigos, disputando o que chamamos de "leite de pato" — gíria popular para definir o jogo sem apostas em dinheiro. Bem diferente da lógica predatória das BETS, nos nossos simplórios jogos o único "ladrão" é aquele que truca no facão e, quando é hábil no blefe, faz o adversário correr mesmo segurando o zape e o sete de copas — exatamente como fazem meus amigos Zé Maria e Jackson, lá na aprazível Pimenteiras, no Sul de Rondônia.


* DANIEL PEREIRA, Professor, advogado e às vezes jogador de truco, canastra, vinte e um  ou bisca, mas jamais apostando dinheiro.

sábado, 19 de setembro de 2026

Oposição

 

Tem que ter OPOSIÇÃO no país para poder vigiar, fiscalizar, denunciar e também propor novas soluções.



sexta-feira, 18 de setembro de 2026

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

A política no Brasil


    A política do Brasil: vários senadores e

 deputados federais votam contra os

 trabalhadores (no caso da escala 6 X 1) e logo

 depois recebem desses mesmos trabalhadores

 milhares de votos. É a Síndrome de Estocolmo.

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

E o delegado também roubava

    E o delegado também roubava


Professor Nazareno*


Havia uma cidadezinha perdida nos cafundós do judas. Era um rincão distante e incivilizado que tinha um delegado que se considerava a palmatória do mundo. Lei e Justiça quase não funcionavam naquele cu do mundo atrasado e subdesenvolvido. Tudo tinha que passar pelas mãos do prefeito e do delegado de polícia. Homens que se diziam íntegros, honestos, defensores da lei e da ordem, adeptos da ética e dos bons costumes, os dois funcionários públicos decidiam quem seria preso e quem seria absolvido naquelas redondezas. Os dois praticamente determinavam em quem os incultos e despolitizados eleitores dali deveriam votar em todas as eleições. O pastor e o padre da localidade não tinham muita influência sobre as suas ovelhas. Apenas chancelavam tudo o que os dois mandões determinavam para a multidão seguir. E todo mundo era feliz naquela tosca cidade.

No ermo lugar havia um pequeno banco que guardava todas as economias dos poucos habitantes. Dizem que o dono desse banco oferecia empréstimos e basicamente bancava todas as despesas de toda a população. Era também um sujeito honesto e probo até que se provasse o contrário. Esse banco oferecia, na poupança e em outros investimentos, altos lucros aos seus clientes. Dizem que nenhum outro banco das cidades vizinhas conseguia oferecer tamanho lucro. Só que o banco não tinha lastro suficiente para bancar tantas vantagens. Por isso, usava criminosamente os orçamentos daquela cidadezinha assim como, em conluio com o prefeito e com o delegado, usava também dinheiro que serviria para a aposentadoria de muita gente dali. Não deu outra: o banco faliu e o prejuízo foi divido entre todos os que tinham suas economias depositadas nele. O banqueiro de uma hora para outra passou a ser vilão, do mal.

O delegado era muito aclamado pela inculta e ignorante população, pois tempos atrás havia colocado na prisão todos os que tentaram, de forma desorganizada e orquestrada, derrubar o mandato do prefeito. Eles queriam que o seu candidato fosse declarado, na marra, o vencedor das últimas eleições. Conta-se que muitos arruaceiros semianalfabetos e delirantes invadiram a pequena cidade e depredaram a delegacia de polícia, a prefeitura e o fórum. O delegado não poupou ninguém. Ele mesmo julgou e condenou todos os “golpistas” que pôde pegar. Mas a oposição ao prefeito começou a “perseguir” o delegado tentando até destituí-lo do cargo. O problema maior é que naquele “Coité do Noca” atrasado todos os candidatos ao cargo de prefeito são corruptos e têm rabo preso com o banqueiro enrolado. A corrupção naquela cidade é de um nível Supremo. Os pobres vivem na miséria e no caos. 

Ficou provado, no entanto, que o delegado também era corrupto e havia, há tempos, se envolvido em maracutaias com o dono do banco da cidade. Dizem até que o próprio delegado havia participado de vários roubos em outras cidades vizinhas. No fórum da cidade não havia um só juiz ou promotor que também não tivesse algum tipo de “negócios” naquele banco. A cidade estava dividida. Enquanto metade da população defendia os corruptos, a outra metade os condenava. A polarização fazia as pessoas brigarem pelos seus ídolos políticos. Não se sabe ainda quem vai ganhar as próximas eleições naquele insignificante lugar. Acredita-se que o vencedor, seja ele quem for, vai continuar roubando tudo que puder e o povo que o elegeu vai continuar feliz da vida e ainda defendendo o infrator. Nesta cidadezinha é assim mesmo: nunca, jamais, nenhum prefeito fez benefícios para o povo depois de eleito. Mesmo assim, todos eles são amados e endeusados naquele triste lugar.





*Foi Professor em Porto Velho.

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

A hipócrita Dinastia dos Porcos

                                

A hipócrita Dinastia dos Porcos


Professor Nazareno*


Como na fábula A Revolução dos Bichos de George Orwell, havia inúmeras outras granjas espalhadas pelos territórios subdesenvolvidos e incivilizados do chamado Terceiro Mundo. Numa delas, os porcos também comandavam o destino de todas as criaturas que moravam ali. Cavalos, burros, bestas e antas eram os habitantes mais numerosos. Todos esses incultos moradores obedeciam cegamente ao que todos os espertos patrões determinavam. Praticamente não havia ali um só porco pobre. Todos eram ricos e abastados. Pobreza mesmo somente entre os trabalhadores quase escravos. E todos os suínos mandavam na economia, na saúde, na educação, na Justiça e principalmente na política daquela suja e imunda pocilga. Claro que a porcalhada não trabalhava, apenas explorava o trabalho dos seus dedicados empregados. A classe que sustentava a chácara com o seu trabalho só tinha dificuldades.

Os porcos criaram vilas e cidades e nelas introduziram a política com o voto secreto e universal para diversos cargos criados por eles mesmos, os porcos. Em todas as eleições, os suínos sempre davam um jeito de serem eleitos e de continuarem mandando nos outros, chamados honrosamente de eleitores. Mas na imunda pocilga não havia sequer um bom hospital de pronto-socorro para atender aos muitos doentes daquela localidade. Em todas as eleições, por exemplo, eles prometiam construir vários hospitais decentes. Os suínos até inventaram um que fora chamado pomposamente de “Built to Suit”, mas que nunca saiu do papel. Enquanto isso, cavalos, burros e antas continuaram sofrendo nas muitas filas e nas macas do seu único pronto-socorro, mas com a certeza de que teriam muito em breve um bom estabelecimento de saúde para tratar todos. Uma espécie de Sírio-Libanês da pocilga.

A própria pocilga-mor é uma desgraça a olhos vistos. Dentre todas as pocilgas daquele território, aquela é a pior também em saneamento básico, esgotos, arborização e água tratada. Quando chove alaga tudo. Fala-se até que muitos dos moradores bebem diariamente água de merda. A vida ali para a maioria dos habitantes é um horror, uma calamidade, com exceção dos porcos, que vivem muito bem. Dizem que muitos daqueles suínos até viajam de avião sem ter problemas nenhum com o preço das escassas passagens aéreas. Pouca gente vai visitar a pocilga, pois criaram, não se sabe ainda quem, um tal de pedágio Free Flow que é muito caro e, dessa forma, inviabiliza qualquer aventura para se visitar o promíscuo ambiente dos porcos. Cavalo, égua jumento e anta não têm necessidade de viajar de avião. Essa classe social infelizmente só vive de passar necessidade e de votar, e geralmente nos porcos. 

Em época de eleições quase todos os candidatos são da classe dominante, ou seja, a privilegiada classe dos suínos. Neste período, criado por eles mesmos, muitos prometem que vão fazer e acontecer, mas depois de eleitos, tudo volta a ser como era antes. O pior é que todos os anos eleitorais a bicharada ignorante sempre acredita nessas vãs promessas. Os porcos daquela pocilga sempre estão no poder e para isso colocam seus familiares ou amigos para se candidatarem, não para ajudar os pobres e necessitados, mas para meter a mão no suado dinheiro público dos impostos e continuarem ricos e abastados. Este ano, por exemplo, o partido dos porcos entreguistas pode até ganhar as eleições. E existem muitos outros partidos entre eles: tem o partido dos porcos que trabalham, o partido dos porcos conservadores e o partido dos porcos de Deus. George Orwell ficaria extasiado ao saber que os porcos de hoje têm religião. Ah! Pode-se comer feijoada naquela pocilga. Pode isso?




*Foi Professor em Porto Velho.