O
Brasil é da extrema-direita
Professor
Nazareno*
Com
a divulgação dos resultados das últimas eleições, não resta mais nenhuma
dúvida: o Brasil, a partir do próximo ano, está inteiramente nas mãos da
extrema-direita bolsonarista e reacionária. Em um pleito limpo, marcado pela
lisura e sem nenhuma falcatrua, foi a vontade da maioria do povo brasileiro que
prevaleceu. E até que se prove o contrário, as urnas eletrônicas nas nossas
eleições são corretas e com quase nenhuma possibilidade de erros. Com mais de
56 milhões de votos, Flávio Bolsonaro e o atual presidente Lula, que teve 53
milhões de votos, vão disputar daqui a três semanas o segundo turno. E só
um milagre fará o PT, o Lula e a esquerda saírem vitoriosos no dia 25 de
outubro próximo. Nunca quem ganhou no primeiro turno perdeu as eleições
no Brasil. E a vontade da maioria do povo brasileiro deve e tem de ser
respeitada. É justo!
Tudo
isso faz parte do jogo democrático. Com a possível e já quase certa derrota dos
petistas, nada de acampar em frente aos quartéis nem querer dar um golpe como
no dia 8 de janeiro de 2023 ou tentar impedir a posse do vencedor. Nada de
tramar a morte dos vencedores. Se derrotado pela soberana vontade do povo
brasileiro, Lula deve passar a faixa presidencial para o vencedor. É assim que
acontece nas principais democracias do mundo civilizado. Ao PT e às esquerdas
restará o legítimo dever de fazer uma oposição consciente e responsável ao novo
presidente. Para a extrema-direita caberá fazer as mudanças que sempre pregou.
Serão quatro anos para provar suas teses, que devem ser devidamente respaldadas
pela nação em uma votação limpa e sem nenhum atropelo. A Câmara Federal
e o Senado já estão nas mãos do PL. Só está faltando o governo
central.
A
extrema-direita bolsonarista e reacionária praticamente já venceu na maioria
dos estados também. A esquerda só ganhou até agora no Piauí, Bahia e Ceará. O
tsunami direitista varreu o país de norte a sul. E como numa democracia
de verdade, precisa ser vigiada, cobrada e fiscalizada de perto. Se perder
mesmo o Palácio do Planalto, restará ao PT e à esquerda um patrimônio de mais
de 60 milhões de votos. O PT não será extinto em uma simples eleição.
O perigo estará posto se perdermos a democracia, pois “Perder uma
eleição numa democracia é coisa normal. Perigoso é perder a democracia numa
eleição”. Por isso, todos nós, de direita e de esquerda devemos
estar atentos aos próximos passos que a traiçoeira, elitista, fascista e
reacionária extrema-direita vai dar a partir do próximo ano em caso mesmo de
vitória. Muitas promessas podem criar um caos no país.
A
privatização da Petrobras, a permissão para que um governo estrangeiro indique
os ministros do novo governo, não dar nenhum reajuste salarial aos trabalhadores,
desvincular a aposentadoria do reajuste salarial vigente, acabar completamente
com os programas sociais como o bolsa-família, amordaçar completamente o STF e
todo o Judiciário, sepultar de vez a
escala de trabalho 5 X 2, já em fase de aprovação, permitir a livre negociação
entre patrão e trabalhador, implantar uma reforma trabalhista nos moldes da
Argentina, entregar as terras raras para os Estados Unidos, romper o comércio
com a China, instalar bases militares norte-americanas em solo nacional,
transformar todas as escolas do país em estabelecimentos cívico-miliares, dentre
inúmeras outras aberrações, devem ser combatidas ferozmente pela futura
oposição. E se o PT não ganhar no segundo turno, fará essa oposição firme e
consciente e vai se preparar para o ano 2030.
*Foi Professor em Porto
Velho.








