quarta-feira, 29 de julho de 2026

O eleitor de Rondônia é genial


 

O eleitor de Rondônia é genial


Professor Nazareno*


Rondônia é uma das 27 províncias do Brasil. Atrasado, inóspito, sem eira nem beira, violento, incivilizado e subdesenvolvido, o distante rincão tem hoje cerca de 1,6 milhão de habitantes e aproximadamente 1,26 milhão de eleitores. Quase todos eles da direita e da extrema-direita reacionárias. Nas terras de Rondon quase não existe opção de se votar na esquerda ou mesmo em candidatos mais progressistas. Raríssimas vezes se elege um deputado ou até mesmo um vereador, aqui e ali, que seja esquerdista. O Estado tem hoje 533 vereadores, 52 prefeitos, 24 deputados estaduais, 8 deputados federais, 3 senadores, um governador e um vice-governador. E quase todos eles bolsonaristas ferrenhos e militantes da corrente ideológica de Javier Milei da Argentina, de Benjamin Netanyahu de Israel e até de Donald Trump dos Estados Unidos. Traduzindo: quase todos são reacionários ao extremo.

Em Rondônia, durante as campanhas eleitorais, quase não se fala da esquerda e nem dos candidatos mais progressistas, embora se acredite que pelo menos uns 30 por cento do eleitorado vote fielmente nesta corrente política. Pedir votos e não levar em consideração esse segmento ideológico com seus muitos simpatizantes pode resultar em fracasso nas urnas, como aconteceu, por exemplo, nas últimas eleições para prefeito da capital. Mas o eleitorado, de maneira geral, tende a seguir e também a votar religiosamente em seus reacionários candidatos. Principalmente no interior da província, que tem quase 70 por cento do total de eleitores. Mesmo sendo um estado composto em sua maioria por gente pobre e miserável, em Rondônia basicamente em todas as eleições, só se elegem latifundiários, comerciantes, grandes empresários e toda sorte de gente rica e poderosa. E a província não sai do buraco.

E o buraco em Rondônia parece que não tem fim. Se o cidadão daqui quiser ver o fundo do poço tem que olhar para cima. Problemas existem de todos os tamanhos. E grande parte da classe política local e consequentemente dos candidatos às próximas eleições não veem nada, ou fingem que não veem. Rondônia nunca teve em sua suja e imunda capital um hospital de pronto-socorro decente, tem uma só universidade pública com um curso de Medicina, mas não tem hospital universitário, a energia elétrica é a mais cara do Brasil, a BR-364 tem o pedágio também mais caro do país, no rio Madeira não existe sequer um porto rampeado para os passageiros. As escassas passagens aéreas são caríssimas. Se eu fosse pedir votos me envergonharia se tivesse que viajar de carro ou de ônibus para Rio Branco ou Cuiabá e de lá seguir viagem para outros destinos. Por que ninguém tenta resolver tudo isto? 

De um modo geral, o eleitor de Rondônia está parado, acomodado, inerte. Ninguém cobra nada. Ninguém exige nada. Ninguém fala nada. Ou esse eleitor sofre da “Síndrome de Estocolmoou está amarrado no famoso e antigo voto de cabresto. O Estado teve durante os últimos oito anos um governador bolsonarista, que pouco ou nada fez pelo povo sofrido daqui. Mas estranhamente está-se querendo eleger outro bolsonarista. E a questão não é eleger um bolsonarista, um petista ou uma pessoa de qualquer outra corrente política. É preciso votar em candidatos que se preocupem com a miséria e com o sofrimento de seus eleitores. Precisamos de energia elétrica mais barata, pois somos produtores. Não queremos mais pedágios. Necessitamos de um hospital de pronto-socorro para a capital. Devíamos viajar de avião com boa oferta de passagens aéreas. Precisamos de um porto no rio Madeira. Esgoto e água tratada para Porto Velho seriam demais? Genialidade aqui é sofrer sem parar.




*Foi Professor em Porto Velho.


 

quarta-feira, 22 de julho de 2026

Um "açougue" em plena campanha

   Um "açougue" em plena campanha


Professor Nazareno*



   A campanha eleitoral de 2026 ainda nem começou, mas em Rondônia há um candidato muito popular que já está em campanha há muito tempo dentre os vários que vão disputar o pleito. Ele não quer ser deputado estadual, nem federal muito menos senador. Vai às urnas provavelmente concorrendo para ser governador deste valoroso Estado. Trata-se do conhecidíssimo Açougue” João Paulo Segundo de Porto Velho. Praticamente conhecido pela maioria dos eleitores rondonienses, o velho Açougue já está sendo lembrado por todos os que sonham em disputar as próximas eleições. O engraçado é que ele quase era substituído por um outro candidato que tinha nome estrangeiro: era o “Built to Suit”, cantado em prosa e verso, mas que desistiu de última hora. Apesar de conhecido e bem falado, ele contribuiu de forma decisiva para que Porto Velho, capital de Roraima, fosse a pior capital do país. 

O velhoAçouguete, no entanto, outras companhias de peso na próxima campanha eleitoral de Rondônia. Claro que não se pode deixar de mencionar o também famoso Pedágio Free Flow implantado na BR-364 não se sabe ainda por quem. Esse pedágio vai certamente encarecer ainda mais o custo de vida nesta província esquecida do país. Sem poder sair de carro, sem porto rampeado no rio Madeira e com o preço das passagens aéreas nas alturas, o infeliz eleitor rondoniense se sente preso dentro do seu rincão longe e atrasado. Aliás, são muitos os rondonienses que preferem viajar até Cuiabá ou mesmo Rio Branco para dali iniciar uma viagem aérea até São Paulo, Brasília ou mesmo outra cidade civilizada se quiser resolver algum problema. Por isso, porto rampeado ou o imbróglio das passagens aéreas são outros sérios candidatos que devem também concorrer nessas próximas eleições. 

Bons candidatos é o que não faltam por aqui. Só não sabemos se a justiça eleitoral vai permitir que todos eles lancem suas candidaturas. Dentre todas as 27 capitais do país, Porto Velho é a pior de todas em IDH e em IPS, Índice de Progresso Social. Água tratada, saneamento básico, mobilidade urbana, arborização, dentre muitos outros itens de infraestrutura urbana, são vistos também como possíveis candidatos. Isso se passarem nas convenções partidárias. Eu indicaria, por exemplo, os urubus do Cai N’Água, que agora estão sobrevoando as dependências da nova sede da Assembleia Legislativa. E por que não falar do arrojado Pocket Park, lançado recentemente com toda pompa? Todos eles são fortíssimos candidatos. Com os nomes em Inglês, eles não teriam concorrentes à altura. Já pensou se o novo nome da Praça João Nicoletti pudesse concorrer às próximas eleições? 

Estou morando em São Paulo, mas não vejo a hora de voltar à terrinha para participar das próximas eleições. Já disse que a composição da Assembleia Legislativa do Estado de Rondônia deveria ser de 48 deputados. Os atuais 24 dobrariam o mandato e todos nós escolheríamos mais outros 24. Isso por causa do valoroso serviço que eles têm prestado ao Estado e a toda a sua gente. A privatização das águas do rio Madeira bem que poderia também entrar nas pautas de discussões. Isso sem falar na Caerd. Porto Velho e Rondônia são lugares abençoados por ter tantos bons políticos para lhes representar tão bem. Não canso de mostrar o bom exemplo da Câmara de Vereadores da capital. Não vejo a hora das convenções partidárias acontecerem para começar a caça aos votos. O mais bolsonarista dos estados do Brasil vai servir de exemplo para todos, se Deus quiser. Nunca entendi por que os eleitores do resto do Brasil, por exemplo, não transferem seus títulos para Rondônia.




*Foi Professor em Porto Velho.