quarta-feira, 22 de julho de 2026

Um "açougue" em plena campanha

   Um "açougue" em plena campanha


Professor Nazareno*



   A campanha eleitoral de 2026 ainda nem começou, mas em Rondônia há um candidato muito popular que já está em campanha há muito tempo dentre os vários que vão disputar o pleito. Ele não quer ser deputado estadual, nem federal muito menos senador. Vai às urnas provavelmente concorrendo para ser governador deste valoroso Estado. Trata-se do conhecidíssimo Açougue” João Paulo Segundo de Porto Velho. Praticamente conhecido pela maioria dos eleitores rondonienses, o velho Açougue já está sendo lembrado por todos os que sonham em disputar as próximas eleições. O engraçado é que ele quase era substituído por um outro candidato que tinha nome estrangeiro: era o “Built to Suit”, cantado em prosa e verso, mas que desistiu de última hora. Apesar de conhecido e bem falado, ele contribuiu de forma decisiva para que Porto Velho, capital de Roraima, fosse a pior capital do país. 

O velhoAçouguete, no entanto, outras companhias de peso na próxima campanha eleitoral de Rondônia. Claro que não se pode deixar de mencionar o também famoso Pedágio Free Flow implantado na BR-364 não se sabe ainda por quem. Esse pedágio vai certamente encarecer ainda mais o custo de vida nesta província esquecida do país. Sem poder sair de carro, sem porto rampeado no rio Madeira e com o preço das passagens aéreas nas alturas, o infeliz eleitor rondoniense se sente preso dentro do seu rincão longe e atrasado. Aliás, são muitos os rondonienses que preferem viajar até Cuiabá ou mesmo Rio Branco para dali iniciar uma viagem aérea até São Paulo, Brasília ou mesmo outra cidade civilizada se quiser resolver algum problema. Por isso, porto rampeado ou o imbróglio das passagens aéreas são outros sérios candidatos que devem também concorrer nessas próximas eleições. 

Bons candidatos é o que não faltam por aqui. Só não sabemos se a justiça eleitoral vai permitir que todos eles lancem suas candidaturas. Dentre todas as 27 capitais do país, Porto Velho é a pior de todas em IDH e em IPS, Índice de Progresso Social. Água tratada, saneamento básico, mobilidade urbana, arborização, dentre muitos outros itens de infraestrutura urbana, são vistos também como possíveis candidatos. Isso se passarem nas convenções partidárias. Eu indicaria, por exemplo, os urubus do Cai N’Água, que agora estão sobrevoando as dependências da nova sede da Assembleia Legislativa. E por que não falar do arrojado Pocket Park, lançado recentemente com toda pompa? Todos eles são fortíssimos candidatos. Com os nomes em Inglês, eles não teriam concorrentes à altura. Já pensou se o novo nome da Praça João Nicoletti pudesse concorrer às próximas eleições? 

Estou morando em São Paulo, mas não vejo a hora de voltar à terrinha para participar das próximas eleições. Já disse que a composição da Assembleia Legislativa do Estado de Rondônia deveria ser de 48 deputados. Os atuais 24 dobrariam o mandato e todos nós escolheríamos mais outros 24. Isso por causa do valoroso serviço que eles têm prestado ao Estado e a toda a sua gente. A privatização das águas do rio Madeira bem que poderia também entrar nas pautas de discussões. Isso sem falar na Caerd. Porto Velho e Rondônia são lugares abençoados por ter tantos bons políticos para lhes representar tão bem. Não canso de mostrar o bom exemplo da Câmara de Vereadores da capital. Não vejo a hora das convenções partidárias acontecerem para começar a caça aos votos. O mais bolsonarista dos estados do Brasil vai servir de exemplo para todos, se Deus quiser. Nunca entendi por que os eleitores do resto do Brasil, por exemplo, não transferem seus títulos para Rondônia.




*Foi Professor em Porto Velho.

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Espanha: vitória da esquerda

Espanha: vitória da esquerda


Professor Nazareno*


   A seleção da Espanha venceu de forma invicta a 23ª Copa do Mundo de futebol. Na vitoriosa campanha, perdeu um ponto no empate contra Cabo Verde ainda na estreia e levou apenas um gol, da Bélgica, nas quartas de final. Mesmo assim, foi o time da França que demonstrou, nas seis partidas iniciais, ser um time superior aos espanhóis. Até a garra argentina pode ter sido superior aos ibéricos. Mas o entrosamento e o bom domínio de bola verificados a cada partida levaram a Espanha ao seu segundo título mundial. Ou seja, o que espanhóis e franceses demonstraram nas finais desta Copa do Mundo é o que sobrava no futebol do Brasil de outrora: domínio de bola, controle da partida e garra. Muita garra mesmo. Como não apresentaram absolutamente nada durante o torneio, os canarinhos ficaram pelo meio do caminho com a triste sensação de que não somos mais país do futebol.

O Brasil ficou apenas num ridículo 11º lugar ao final do torneio. Por isso seus torcedores se contentaram em torcer apenas para as seleções dos outros países. Muitos diziam torcer para a Argentina, enquanto outros preferiram a Espanha. Torcer contra os argentinos porque eles são racistas, dizia-se à boca larga, ignorando que foi na Espanha que os torcedores jogaram bananas nos estádios durante alguns jogos. E é também na Espanha que o nosso jogador Vini Júnior passa poucas e boas devido ao racismo abjeto. Ou seja, ao apontar o dedo sujo para os argentinos fazemos as pazes com nós mesmos: vivemos num país onde o racismo é talvez até maior do que na Argentina e na Espanha juntas. Nossos negros já foram impedidos até de jogar futebol. Pelé, por ter sido negro, nunca teve no Brasil o mesmo prestígio que Maradona e Lionel Messi, por exemplo, têm na Argentina. Não é incrível isso?

Quando misturamos o futebol com a política a coisa fica mais humilhante ainda. Disseram até que Messi e companhia eram amigos de Javier Milei, o desastrado presidente de extrema-direita do país vizinho. Messi teria uma intimidade forte também com Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, país onde o Messi está jogando ultimamente. Chamados de racistas, militantes da direita, encrenqueiros e arrogantes, os argentinos não receberam apoio total dos perdedores torcedores brasileiros. Aliás, o presidente argentino não teve permissão do STF do Brasil para visitar seu amigo Jair Bolsonaro na prisão. Já a Espanha do catalão Lamine Yamal e dos bascos Oyarzabal e Unai Simón está mais alinhada com o pensamento da esquerda na política. Pedro Sánchez, o primeiro-ministro espanhol, é inimigo declarado da política imperialista de Donald Trump e com ele tem tido discussões. 

A vitória da Espanha, portanto, na casa de Donald Trump serviu como uma vingança para a esquerda mundial. Lamine Yamal já participou de muitas comemorações carregando a bandeira da Palestina e tem dado declarações contundentes contra Donald Trump e contra Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, ambos cúmplices no atual Holocausto palestino na Faixa de Gaza. Por isso, falam aqui no Brasil que a esquerda venceu a última Copa do Mundo no quintal dos imperialistas, que estavam torcendo pela racista Argentina de Milei e de Messi. Mas a discussão ainda está longe de se acabar. Na política, por exemplo, ainda se espera no Brasil por um tetracampeonato. Lula, o metalúrgico de nove dedos é o favorito para levar pela quarta vez a Presidência da República em outubro próximo. Muitos brasileiros não sabem, mas não somos mais nada no futebol e nem na política. Se não der Lula, dará Flávio Bolsonaro, o do Tariflávio. É melhor esquecer tudo e torcer pelos outros.




*Foi Professor em Porto Velho.

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