sábado, 10 de outubro de 2026

Socorram-nos, srs. bolsonaristas!

Socorram-nos, srs. bolsonaristas!

 

Professor Nazareno*

           

Já confundiram a frase do título acima com um palíndromo: ou seja, poderia ser escrita tanto da direita para a esquerda como também da esquerda para a direita. E tudo daria na mesma coisa. Como na política! Mas não é! Após a divulgação dos resultados das últimas eleições, Rondônia e a sua suja e imunda capital, BOLSONARÓPOLIS, podem se achar no direito de exigir das futuras autoridades eleitas melhorias nas suas estruturas de Estado da Federação e também de uma capital de Estado. Quase cem por cento dos políticos eleitos são da extrema-direita bolsonarista e reacionária com duas raríssimas exceções, na Assembleia Legislativa estadual, de candidatas eleitas pela esquerda. Os eleitores de BOLSONARÓPOLIS, e consequentemente os de todo o Estado, não mediram esforços para “passar o trator” e dessa forma, quase 70 por cento dos votos válidos foram para essa ideologia política. E o que estes eleitores vão ganhar?

BOLSONARÓPOLIS, capital de Rondônia, é uma cidade arrasada. Precisa de tudo. Não tem saneamento básico, não tem água tratada, não tem porto rampeado no rio Madeira, não tem passagens aéreas disponíveis, não tem hospital de pronto-socorro e principalmente não tem nenhuma qualidade de vida. Há mais de 10 anos a cidade, segundo o Instituto Trata Brasil, está nas últimas colocações em IDH, Índice de Desenvolvimento Humano. No IPS, Índice de Progresso Social, BOLSONARÓPOLIS está, há três anos consecutivos, no último lugar dentre as 27 capitais do país. E nem precisa olhar esses números: basta dar uma voltinha pelas ruas podres da capital para ver a desgraça. Independentemente de palíndromos ou de ideologias, acredita-se que grande parte desses eleitores quer avanços para o grotão em que vivem. E esperam as melhorias.

Há quase meio século que tenho o desprazer de morar em BOLSONARÓPOLIS e, claro, pago religiosamente os meus impostos em dia. E nunca vi nesse tempo nada na cidade que pudesse compará-la com uma verdadeira capital. Não votei na extrema-direita, mas torço para que ela reorganize, a partir do próximo ano, as coisas por aqui. E tenho certeza de que os eleitores não votaram nesses candidatos por que alguns deles usaram o boné vermelho do MAGA ou porque alguns querem expulsar os pobres da cidade. O eleitor não quer saber de ideologia de gênero, das pautas LGBTQIA+. Eles não merecem um bom porto rampeado no rio Madeira? Quem não quer parar de beber água de bosta? Qual o eleitor pobre de BOLSONARÓPOLIS que não quer ter um bom hospital de pronto-socorro em vez de uma pedra, recentemente inaugurada? Pergunte-se a todos eles!

Não adianta se a autoridade é de direita ou se é de esquerda. O eleitor quer ser tratado com decência, com lisura e com respeito. Se nenhum desses candidatos eleitos fizer, nos próximos 4 anos, o que BOLSONARÓPOLIS precisa, essas eleições foram mais um engodo, uma farsa, uma mentira. Senhores senadores, senhores deputados federais, senhores deputados estaduais, senhor governador recém-eleito, mexam-se para nos tornar uma cidade mais habitável. Mexam-se para acabar com o vergonhoso pedágio na BR-364, lutem para diminuir o preço da energia que pagamos, apesar das inúmeras hidrelétricas que temos, trabalhem para termos passagens aéreas mais abundantes e menos caras. O atual governador é rondoniense da gema. Espera-se, assim, que ele tenha amor pelo seu rincão atrasado e subdesenvolvido e mude tudo. Salvem-nos, senhores! Eu não voto na direita, mas pararia de criticá-los se vocês trabalhassem por isso. Juro!


 


                *Foi Professor em Porto Velho.

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Vivendo na cidade amaldiçoada

Vivendo na cidade amaldiçoada

 

Professor Nazareno*

 

            Morar em uma cidade amaldiçoada, não é para os fracos. Única cidade do Brasil onde uma das famosas lojas não tem a Estátua da Liberdade à frente, a “currutela fedida” dá exemplos pouco claros e enviesados ao restante do país. Com 112 anos recém completados, o arremedo de capital não consegue sequer se sobressair sobre as outras 51 cidades que compõem a província onde está situada. Município composto em sua maioria por uma população de pobres e de miseráveis, o lugar está localizado geograficamente no final e não no meio da decadente província que lhe tem como capital. Como se não bastassem todos esses equívocos, a “capital dos destemidos pioneiros” adotou a extrema-direita reacionária para seguir na política. Só mesmo um lugar tão amaldiçoado assim teria uma ideologia tão surreal. E é o interior que manda na capital em termos políticos.

            Os festejos de São João são comemorados com muita alegria, mas só no mês de setembro ou noutro mês qualquer, menos em junho. Os brincantes ficam tão “eufóricos” que nem percebem a data. Um “São João fora de época” só mesmo nessa urbe renegada e fora da realidade. Na sinistra cidade não existe um hospital de pronto-socorro. Na verdade, nunca existiu um só! Há apenas um velho “açougue” que só serve para matar pacientes pobres e para eleger políticos ruins e mentirosos. E em toda eleição, o povão ignaro elege muitos desses políticos. Recentemente um deles inaugurou uma pedra em vez de um bom pronto-socorro e por causa disso recebeu a maior quantidade de votos jamais vista e se elegeu senador com toda pompa e glória. A cidade inteira é conservadora e da extrema-direita reacionária e se orgulha muito disso. É só eleitor consciente, mano!

            Na cidade desprezada tem até vice-prefeito, mas quase ninguém sabe quem é. Dizem até que que tentou mudar de cargo nestas eleições. Aliás, o próprio governador da província fez uma administração tão medíocre que sequer tentou participar do recente processo eleitoral. Um senador famoso da província também seguiu o mesmo caminho do fraco governador. Na cidade, é normal senador virar deputado estadual ou mesmo vereador. O sonho de muitos políticos locais é regredir de posição sem problema algum. O detestável recanto não tem um aeroporto bom, não tem porto rampeado nem água tratada ou saneamento básico. Ali bebe-se água de merda. E se quiser viajar, tem que ir à capital mais próxima para visitar outros estados do centro sul. E os políticos nada fazem. Ninguém dali nunca abriu uma torneira para dela sair água potável. Mas todos são felizes.

Engana-se quem pensa que ali não existe culinária boa. Um tal de bolo Moca, bombom de castanha, bombom de cupuaçu, mandi frito, tacacá, saltenha boliviana, farinha puba e tamuatá cozido são as iguarias mais consumidas pelos nativos. Já os eleitores dali não demonstram ser românticos. Dessa vez rechaçaram de imediato um dos candidatos que prometeu hipocritamente outro dia beijar, abraçar e acariciar a imunda cidade. Beijar a cidade, mesmo na iminência de dar uma violenta chuva de merda! Fato que é esperado por muito dos moradores. Na área da cultura, as coisas também são muito sinistras. Existiu, por exemplo, uma banda que fez sucesso nacional na rede Globo, mas depois desapareceu e não fez mais nenhum sucesso conhecido. Umas pinturas que fizeram nos viadutos da cidade hoje já desapareceram no lixo e no lodaçal. Pelo visto, a cidade amaldiçoada pode até mudar de nome: Bolsonarópolis ou Cidade do Mito. Não é legal?

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

O Brasil é da extrema-direita

O Brasil é da extrema-direita

 

Professor Nazareno*

 

            Com a divulgação dos resultados das últimas eleições, não resta mais nenhuma dúvida: o Brasil, a partir do próximo ano, está inteiramente nas mãos da extrema-direita bolsonarista e reacionária. Em um pleito limpo, marcado pela lisura e sem nenhuma falcatrua, foi a vontade da maioria do povo brasileiro que prevaleceu. E até que se prove o contrário, as urnas eletrônicas nas nossas eleições são corretas e com quase nenhuma possibilidade de erros. Com mais de 56 milhões de votos, Flávio Bolsonaro e o atual presidente Lula, que teve 53 milhões de votos, vão disputar daqui a três semanas o segundo turno. E só um milagre fará o PT, o Lula e a esquerda saírem vitoriosos no dia 25 de outubro próximo. Nunca quem ganhou no primeiro turno perdeu as eleições no Brasil. E a vontade da maioria do povo brasileiro deve e tem de ser respeitada. É justo!

            Tudo isso faz parte do jogo democrático. Com a possível e já quase certa derrota dos petistas, nada de acampar em frente aos quartéis nem querer dar um golpe como no dia 8 de janeiro de 2023 ou tentar impedir a posse do vencedor. Nada de tramar a morte dos vencedores. Se derrotado pela soberana vontade do povo brasileiro, Lula deve passar a faixa presidencial para o vencedor. É assim que acontece nas principais democracias do mundo civilizado. Ao PT e às esquerdas restará o legítimo dever de fazer uma oposição consciente e responsável ao novo presidente. Para a extrema-direita caberá fazer as mudanças que sempre pregou. Serão quatro anos para provar suas teses, que devem ser devidamente respaldadas pela nação em uma votação limpa e sem nenhum atropelo. A Câmara Federal e o Senado já estão nas mãos do PL. Só está faltando o governo central.

            A extrema-direita bolsonarista e reacionária praticamente já venceu na maioria dos estados também. A esquerda só ganhou até agora no Piauí, Bahia e Ceará. O tsunami direitista varreu o país de norte a sul. E como numa democracia de verdade, precisa ser vigiada, cobrada e fiscalizada de perto. Se perder mesmo o Palácio do Planalto, restará ao PT e à esquerda um patrimônio de mais de 60 milhões de votos. O PT não será extinto em uma simples eleição. O perigo estará posto se perdermos a democracia, pois “Perder uma eleição numa democracia é coisa normal. Perigoso é perder a democracia numa eleição”. Por isso, todos nós, de direita e de esquerda devemos estar atentos aos próximos passos que a traiçoeira, elitista, fascista e reacionária extrema-direita vai dar a partir do próximo ano em caso mesmo de vitória. Muitas promessas podem criar um caos no país.

            A privatização da Petrobras, a permissão para que um governo estrangeiro indique os ministros do novo governo, não dar nenhum reajuste salarial aos trabalhadores, desvincular a aposentadoria do reajuste salarial vigente, acabar completamente com os programas sociais como o bolsa-família, amordaçar completamente o STF e todo o Judiciário, sepultar de vez  a escala de trabalho 5 X 2, já em fase de aprovação, permitir a livre negociação entre patrão e trabalhador, implantar uma reforma trabalhista nos moldes da Argentina, entregar as terras raras para os Estados Unidos, romper o comércio com a China, instalar bases militares norte-americanas em solo nacional, transformar todas as escolas do país em estabelecimentos cívico-miliares, dentre inúmeras outras aberrações, devem ser combatidas ferozmente pela futura oposição. E se o PT não ganhar no segundo turno, fará essa oposição firme e consciente e vai se preparar para o ano 2030.

 

           


*Foi Professor em Porto Velho.

sábado, 3 de outubro de 2026

Eu tenho medo de ficar rico!

Eu tenho medo de ficar rico!

 

Professor Nazareno*

 

            As poucas pessoas que me conhecem sabem que eu não sou um sujeito rico. Nunca fui e nem serei. Professor aposentado do ex-território de Rondônia, vivo hoje, junto com a minha esposa, da minha humilde aposentadoria. Por questões familiares, estamos residindo atualmente em São Paulo, capital, onde ver pessoas ricas e milionárias é uma rotina. Não vejo a hora de voltar para a suja e imunda Porto Velho, onde pessoas humildes, pobres e lascadas é o que se veem todos os dias andando pelas ruas sem esgotos da cidade. Em Rondônia existem praticamente só três classes sociais bem definidas: pobres, mais pobres e miseráveis. Nunca vi um milionário ou uma pessoa abastada andando de bobeira aqui. Sou pobre, mas talvez um pobre premium, pois nunca dependi de programas sociais, tenho casa própria, carro e sempre que posso viajo para o exterior.

            Como eu sou um sujeito simples, sempre me preocupei com aquelas pessoas menos favorecidas. Sei muito bem o que é a fome e a necessidade. Entendo, por isso, que o Estado devia sempre dar uma contrapartida social para esses indivíduos mais carentes. Mas não receber nada em troca como apoio político. Mas se eu fosse rico e abastado, não teria esse pensamento “meio comunista”. Dizem que eu sou de esquerda por pensar desse jeito. Não concordo! Sempre me considerei humano. Só isso. Como um empresário rico e famoso nem em Porto Velho eu moraria. A eterna “capital de Roraima” não combina com a riqueza e nem com o luxo, percebe-se. Talvez eu morasse em Genebra, Paris ou Milão. Como um milionário eu não queria estar me encontrando diariamente com pobres e miseráveis. Não andava de carro velho, meia-boca. Eu me deslocava só de helicóptero.

            Na política, eu não queria saber de partidos de esquerda. Só se estivessem no poder. Aí eu compraria todo mundo. Será que esses partidos são venais? Do presidente da república até a maioria dos seus ministros, eu teria o número do telefone de todos eles. O STF seria quase todo comprado com favores ou mesmo com dólares e muitas outras regalias. Eu rico, ministros do STF ou da Presidência da República só viajavam de jatinhos emprestados por mim e pela minha holding. Como são 11 ministros na Suprema Corte, bastava eu comprar seis e assim estar sempre com a maioria em casos de votação. Com muito dinheiro, eu faria de tudo para somente os partidos de direita e de extrema-direita governarem o país, os estados e as cidades mais importantes. Haveria partido de esquerda, mas todos deviam primeiro obediência a mim e aos meus amigos empresários.

            O presidente do Banco Central e o Ministro da Fazenda seriam, óbvio, todos eles indicados por mim. Eu mandaria alugar putas e cafetinas somente no exterior para divertir a todos os políticos, os religiosos e aos poderosos em geral. Inclusive algumas autoridades do próprio Judiciário. A mídia seria toda comprada. Eu sendo rico e poderoso, logo subornava todos os grandes sites de informação e também as emissoras de rádio e de televisão. É certo que eu seria totalmente favorável à democracia, mas a minha democracia, claro. A Educação no país não seria modificada em nada: ela já cumpre os seus objetivos de forma muito competente: não ensina nada a ninguém. Com muito dinheiro e fama, eu incentivaria a criação de cassinos por todo o país e as religiões não mais cobrariam dízimo. O Congresso Nacional teria uns 90% dos políticos comprados. E eu nunca seria candidato. Comandava tudo “de fora”. Mas como sou pobre, só observo!

 

 


*Foi Professor em Porto Velho.

quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Mais outro "debate sinistro"

Mais outro "debate sinistro"


Professor Nazareno*


Outra vez, como de costume, foi marcado mais um debate para saber quem consegue enganar melhor a multidão e assim vai governar a terra esquecida, atrasada, subdesenvolvida e distante. No palco, seis homens dispostos a prometer de tudo para uma plateia esperançosa e com poucos recursos para sobreviver, que vai escolher apenas um daqueles postulantes. No atrasado rincão, as promessas se multiplicam na televisão e os incautos sonham em ter dias melhores. Biu de Eudóssia, Zé das Beiradas, Sabá sem Futuro, Tonho das Promessas Eternas, Neco Falador e Joca de Zé Tomás se revezavam naquela infame tribuna para saber quem conseguia mentir mais e dessa forma convencer a todos de sua pouca competência. Quase ninguém da amaldiçoada plateia sabia, mas os seis homens sempre foram amigos entre si e estavam ali fazendo apenas um jogo de cena na certeza de que ali nenhum deles vai se dar mal.

Na imunda pocilga sempre faltou de tudo. E a cada ano que passa os problemas se multiplicam. A capital daquele fúnebre lugar nunca teve, por exemplo, um hospital de pronto-socorro decente. As promessas de se construir um sempre existiram e, dessa forma, todos os anos turbinaram as campanhas políticas. Já se tentou de tudo para que essa promessa se tornasse realidade, mas sempre "deram com os burros n'água". Inventaram até um tal "Built to Suit" e não deu certo. Inauguraram somente uma pedra no seu lugar. E essa pedra é muito importante, pois deve eleger vários políticos só neste ano: um senador da República e talvez até alguns deputados federais. Os homens do palco não deixaram por menos: disseram que em menos de dois anos vão levantar um novo estabelecimento de saúde não só na suja e imunda capital, mas em toda a região. Inédito, mas terão vários "açougues" iguais ao Sírio-Libanês?

Poucas pessoas viajam para essa surreal província. O preço absurdo das raras passagens aéreas é o obstáculo maior. Coisa, aliás, que nenhum daqueles homens do palco prometeu resolver. Viajar até 24 horas de busão para as capitais das províncias mais próximas é o que muita gente dali faz quando precisa sair do lugar. O preço da energia elétrica nem se fala. Deram de graça a única concessionária que havia e por isso poucas pessoas conseguem pagar em dia sua conta de luz. A cidade, que se diz uma capital de Estado, é a pior dentre todas as capitais do país em qualidade de vida. Ali não há saneamento básico muito menos água tratada para atender a todos. Quase não há coleta de esgotos. São menos de 3 % do total da cidade inteira e água encanada menos de 35%. Um absurdo! As ruas são esburacadas, sujas, sem arborização, violentas e algumas são até tortas. Na cidade, bebe-se água de bosta! 

Para que, então, fazer esses "debates de araque" só para enganar os trouxas e incautos? Os falantes homens do palco até "fingem" brigar entre si para impressionar os telespectadores. Mas algumas pessoas sabem que nada será feito para o bem de todos. Daqui a quatros anos, as promessas se repetem e a ladainha continua. Porém, é bom que não sejamos tão cruéis com aqueles senhores ricos e abastados. A Assembleia Legislativa será eleita só para "trabalhar" pelo povo pobre que a elegeu. Alguém acredita? Os três senadores só votarão pautas em benefício dos mais necessitados. Os deputados federais e o governador eleitos nesta semana não medirão esforços para sanar todos os problemas que aparecerem. Governo do povo, com o povo, para o povo, junto com o povo e pelo povo. Até o pedágio "Free Flow" será repensado futuramente. Com essa classe política, mel e leite jorrarão das fedorentas ruas das cidades. Em qual lugar do mundo existem políticos tão honestos e trabalhadores assim?




*Foi Professor em Porto Velho.