quarta-feira, 4 de novembro de 2026
terça-feira, 3 de novembro de 2026
Implante o comunismo, Lula!
Implante
o comunismo, Lula!
Professor
Nazareno*
Luiz
Inácio Lula da Silva será presidente do Brasil pela
quarta vez. Nesta eleição votei “meio forçado” nele, pois não havia
outro candidato melhor. Precisávamos tirar os Bolsonaro, “família de víboras”,
do poder. Tínhamos que exorcizar a hipnose que o “grande imbecil”,
mesmo preso e cumprindo pena, ainda exerce sobre grande parcela da sociedade
brasileira. Com 81 anos e muita experiência política acumulada, Lula tem que sair
de cena, pois para muitos cidadãos pobres desse país ele já fez o que pôde.
Devia ser agraciado com o Prêmio Nobel da Paz e se aposentar o mais
depressa possível. Para o bem de sua saúde, dos seus seguidores e
correligionários e também, principalmente, dos seus opositores. “O Lula
já deu o que tinha de dar”. Nas próximas eleições vou torcer
para que a direita assuma o poder, mas sem ódio e nem ressentimentos. Tudo na
dialética.
Não
tenho e nem nunca tive raiva ou ódio da direita e mesmo da extrema-direita. São
posições políticas importantes com as quais não concordo. Mas no jogo
democrático elas são cruciais para ajudar na fiscalização dos governos de
esquerda. Não se pode governar sem oposição, sem fiscalização, senão
vira uma ditadura. O que eu não quero, não gosto e abomino é o bolsonarismo,
pois isso não é uma posição político-ideológica. O bolsonarismo mostra ser ódio
puro, vingança, negacionismo, mentiras, perseguição, ditadura, deboche,
militarismo e apologia à censura e principalmente à tortura
de oposicionistas. Bolsonarismo é fascismo! Nazismo! É uma doença!
Já Lula e o PT, que também têm coisas ruins, se aliaram aos reacionários, criaram
pedágios e privatizaram empresas. Agora mesmo, petistas já estão “se aliando”
ao Centrão, a desgraça do Brasil.
Lula
já vai para o quarto mandato como presidente do país e a dura realidade de “Casa
Grande & Senzala” praticamente nunca mudou por aqui: poucos com
tudo e a maioria sem nada. Lula já devia ter implantado o comunismo no
Brasil. Lula, implante imediatamente o comunismo aqui para o bem
de todos e para a felicidade geral da nação! Comece estatizando todas as empresas
que foram privatizadas. Se a Energisa for devolvida para a Ceron e para
os rondonienses, as nossas contas de energia elétrica vão diminuir pela metade
em Rondônia. Aqui pagamos vergonhosamente uma das taxas de energia mais caras
do Brasil. O criminoso pedágio da BR-364 devia ser extinto. Se fôssemos uma
nação comunista, duvido que Bolsonarópolis não tivesse um bom
porto rampeado no rio Madeira, oferta de água e esgotos e um bom hospital de
pronto-socorro!
Com
o comunismo, o aeroporto de Bolsonarópolis, por exemplo,
seria devolvido ao povo ou mesmo ao Estado e as passagens aéreas ficariam muito
mais abundantes e menos caras. Cuidado: não falo aqui da China, da Coreia do
Norte, Venezuela, Cuba ou outro país que se diz comunista. Esses países
nunca foram comunistas. Falo de sociedades “quase perfeitas”
como Alemanha, Suécia, Finlândia, Noruega, Dinamarca, Singapura, Suíça, dentre
outros que, apesar de serem capitalistas, funcionam como no comunismo de
verdade. Lula é muito frouxo: mude a cor da nossa bandeira, homem! Ela
tinha que ser vermelha em homenagem ao pau-brasil. É bem verdade que o PT e os
esquerdistas já fizeram “raríssimas” coisas nesse sentido. Mas é
muito pouco ainda! Cobre mais impostos dos ricos! Desligue-se do
Centrão, da direita e da extrema-direita. Essa gente só explora e quer a
desgraça dos pobres. Lula tem que fazer um governo da maioria: o povo.
*Foi Professor em Porto
Velho.
sábado, 31 de outubro de 2026
Por que Flávio foi derrotado?
Por
que Flávio foi derrotado?
Professor
Nazareno*
Flávio
Bolsonaro, da extrema-direita, filho de Jair
Bolsonaro, foi sumariamente derrotado por Lula e o PT no segundo turno das
eleições para presidente da República em 2026 depois de ter ficado à frente nos
resultados do primeiro turno com uma diferença de mais de dois milhões de
votos. Desde a redemocratização do país, nunca um candidato que “ganhou”
no primeiro turno foi derrotado no turno seguinte. Mas o que foi que aconteceu
para que Lula disparasse em tão pouco tempo rumo a mais uma vitória da
esquerda? O que foi que aconteceu de tão inusitado para que um candidato
favorito sofresse uma humilhante e vexatória derrota nas urnas? Um provérbio
africano diz que “não se deve xingar a mãe do crocodilo antes de
atravessar o rio”. O clima de já ganhou, o excesso de otimismo, e
outros fatores, podem ter prejudicado, e muito, os reacionários.
A extrema-direita no
primeiro turno fez “barba, cabelo e bigode”, pois elegeu
com folga vários governadores, senadores e muitos deputados federais e isso deu
a falsa impressão de “outra lavada” no segundo turno com uma vitória
esmagadora e humilhante sobre Lula. O que os conservadores não levaram em
consideração foi a alta abstenção de mais de 33 milhões de eleitores na votação
do dia 4 de outubro. Em quem essa parcela do eleitorado teria votado? Por que
eles não foram às urnas? Some-se a isso, a arrogância dos vencedores, que foram
picados pela mosca azul, ou seja, muitos dos eleitos foram tomados
por um desejo súbito, desmedido e ilusório de poder, de ambição e de status. O
poder total rapidamente lhes subiu à cabeça e a partir daí começaram os
disparates, as humilhações, a arrogância, barbaridades, desumanidades e também as
monstruosidades.
De peito estufado
e com “a cara de quem come feijão e arrota filé”, muitos dos
novos eleitos desfilaram sandices e até crueldades durante a campanha para o
segundo turno. Nikolas Ferreira, chamado de “chupetinha”,
e deputado federal mais votado do Brasil com mais de três milhões de votos, foi
ao Nordeste e gravou vídeos com famílias inteiras para ajudar o seu candidato
Flávio Bolsonaro. Foi acusado de fazer encenação e teatro. Já Lucas
Pavanato deputado federal eleito por São Paulo disse em entrevistas que
“ia colocar as minorias no seu devido lugar”. Eduarda
Campopiano, eleita deputada estadual com quase dois milhões de votos,
também em São Paulo, “se achava a cereja do bolo” quando dava
entrevistas para dizer que feminicídio não existe e que “a
mulher tem que obedecer quando o seu marido lhe mandar para a cozinha”.
Um absurdo, um acinte.
Júlia Zanatta, que usa uma tiara de flores e deputada
federal reeleita pelo PL de Santa Catarina, ficou chicoteando o chão em um
vídeo mais do que grosseiro. Daniella Marques, apelidada nas
redes socais de “boca de sacola”, cotada para ser a futura ministra da
Economia de Flávio, deu várias entrevistas assustando os aposentados, os
funcionários públicos e ameaçando demitir multidões e substituindo-os pela
Inteligência Artificial. E o homem negro acorrentado sendo puxado por um
bolsonarista no Rio de Janeiro? Além do mais, a performance de Flávio Bolsonaro
no último debate da Globo, quando tentou humilhar Lula por causa da idade e da
deficiência, pegou muito mal. Sofia Andrade (PL-RO), em cima de
um carro de som, provocou e até humilhou transeuntes simples no meio da rua em
Porto Velho. Foi uma cena hilária e até chocante. Tudo isso meteu
medo no eleitor que se absteve. E a resposta veio nas urnas. Bolsonaro
nunca mais!
*Foi Professor em Porto
Velho.
quinta-feira, 29 de outubro de 2026
Um presidente de mentirinha!
Um
presidente de mentirinha!
Professor
Nazareno*
Terminadas
as eleições de 2026 no Brasil e com a reeleição de Luiz Inácio Lula da
Silva para governar todos os brasileiros pelos próximos quatro anos,
eis que surge no cenário político uma das maiores piadas já patrocinadas pela
direita e pela extrema-direita reacionárias. O candidato perdedor, Flávio
Bolsonaro, fugiu “de mala e cuia”, e na calada da noite, com toda sua
família para os Estados Unidos assim que o TSE proclamou o resultado final. De
Foz do Iguaçu no Paraná, o “presidente fujão” cruzou a fronteira com a
Argentina e de lá voou para Miami com uma rápida escala em Guayaquil no
Equador. Há relatos de que Flávio teve ajuda do presidente Milei da Argentina e
que foi a CIA que o teria ajudado nesta fuga desesperada e vergonhosa. A
Justiça brasileira, ainda no domingo, pediu para que ele devolvesse os seus
passaportes e o proibiu da deixar o país.
Com um enorme
cacife eleitoral de quase 60 milhões de votos, Flávio Bolsonaro imitou o seu
pai Jair na eleição de 2022, quando o agora ex-presidente, que está preso por
tentativa de golpe de Estado, também fugiu para os Estados Unidos. É a segunda
vez que membros desta “família de víboras” aprontam com o
seu eleitorado e desrespeitam seus fãs e seguidores. Pior: não reconhecem pela
segunda vez a derrota humilhante sofrida nas urnas e tentam desesperadamente
criar uma crise política no país. Flávio já até se autoproclamou presidente do
“Brazil”. Antes, o irmão desse “presidente fujão”,
o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, também já havia fugido para os EUA e de lá,
junto a outros comparsas seus, ficou até hoje, urdindo, tramando e conspirando
junto às autoridades norte-americanas para prejudicar os interesses nacionais. Como
as tarifas, por exemplo!
Para tentar encobrir um pouco a vergonha imensa e o vexame que sofreram, alguns correligionários de Flávio defenderam o “fujão” e chegaram a afirmar que ele fugiu para não ser preso por perseguição do STF. “O Flávio está fugindo de uma ditadura”, disseram alguns tolos. Que ditadura é essa que permitiu a eleição de todos os parentes desse candidato? O irmão Carlos Bolsonaro foi eleito senador por Santa Catarina. Um outro irmão, Jair Renan, foi eleito deputado federal também pelo estado catarinense. Sua madrasta, Michelle Bolsonaro, foi eleita senadora pelo Distrito Federal com uma votação recorde e um tio seu, irmão de seu pai, Renato Bolsonaro, foi eleito deputado federal por São Paulo. Todos eles com votação expressiva e dentro das regras democráticas. E a partir de agora em seus cargos vão democraticamente fazer oposição ao futuro governo de Lula.
Grande parte do Brasil pode até não gostar do presidente reeleito, é um direito de cada cidadão, mas muita gente tinha medo da volta dos Bolsonaro para governar o país. A direita perdeu pela segunda vez consecutiva para a esquerda e deveria “juntar os cacos”, “lamber as feridas” e repensar o que fazer, sem golpismo, para ganhar as próximas eleições. A extrema-direita perdeu, de novo, para ela própria. Jair Bolsonaro perdeu em 2022 por causa das “conversas fiadas”, das monstruosidades que disse durante a pandemia da Covid-19. Agora, muitos dos eleitos no primeiro turno esbanjaram tolices e mediocridades. Lucas Pavanato, Eduarda Campopiano e Nikolas Ferreira só atacaram os eleitores. Flávio, no debate da Globo, desrespeitou Lula. E Daniella Marques, cotada para ser ministra da Economia? “Cada entrevista que ela dava, Flávio perdia uns 20 mil votos”. O bolsonarismo tem que ser extinto. Não precisamos de um presidente da Shopee.
*Foi Professor em Porto Velho.
quarta-feira, 28 de outubro de 2026
terça-feira, 27 de outubro de 2026
domingo, 25 de outubro de 2026
Perdão, Brasil! Votei no Lula
Perdão,
Brasil! Votei no Lula
Professor
Nazareno*
Por
incrível que possa parecer, eu não sou petista, não sou da esquerda e muito
menos admiro o Lula, o atual e próximo presidente reeleito do Brasil. Parabéns
para todos os petistas, parabéns para o Lula e parabéns para a esquerda,
tetracampeã brasileira. Não gosto do PT menos ainda do Lula e entendo que “da
forma como tem governado o nosso país” a pobreza e a miséria
dificilmente vão desaparecer. Mas não havia outro jeito neste domingo, dia 25 de outubro de 2026: era votar no satanás ou na mãe dele. Tive que escolher o
menos ruim nessa disputa absurda assim como outros mais de 64 milhões de
cidadãos brasileiros. Digitei o 13 na urna, mas não votei no Lula.
Votei na derrocada dessa família de víboras venenosas que nos queria tomar o
poder à força. Votei pela nossa soberania nacional e disse um não
rotundo ao entreguismo absurdo a forças estrangeiras.
Quando
vi a foto do “sapo barbudo” na urna tive vontade de vomitar e saí dali
engulhando e passando mal. Chegando em casa, tive que tomar remédios para
enjoos. Diante do espelho dei uma boa esculhambação em mim mesmo: “professor
idiota, como pôde ter feito uma merda desta? Como pode ter votado, de novo, num
candidato acusado de corrupção por vários anos seguidos? Irado, dei-me um soco
bem na boca do estômago e quase desmaio”. Sei que durante muito tempo
eu não vou me perdoar, mas quando vejo que a bosta que fiz serviu mais uma vez
para me vingar das mais de 710 mil mortes pela Covid-19 e pelo negacionismo
criminoso dos terraplanistas idiotas, fiquei mais conformado. Ainda assim,
como castigo, passarei uns dias sem me olhar no espelho. O que fiz, votar
no Lula, não tem perdão. Mas como votar em um Bolsonaro?
Espero
que com esta vitória maiúscula da esquerda, o espírito do “grande imbecil”
desapareça para sempre do nosso meio. O mundo moderno não quer mais fascismo. Não
quer mais golpes de Estado e nem ditaduras. O Brasil não merece ter essa
maldita família de víboras tramando contra o nosso agronegócio. Espero que essa
vitória do Lula salve a democracia brasileira por muitos anos. Votei no
Lula por que não podíamos perder a democracia em uma simples eleição.
Sei que a oitava economia do mundo não pode mais conviver com miséria e
subdesenvolvimento. As terras raras são nossas! O Brasil é soberano e é o dono
legítimo de todos os seus recursos. Nada de intervenções estrangeiras contra o
nosso povo. Enfim, “esse país não pode ser quintal de ninguém”.
Votei no Lula por que entendo que teremos uma nação respeitada no conturbado
cenário internacional.
Mas
como já disse antes: foi uma vitória de Pirro. Lula ganhou, mas
dificilmente vai governar bem com um Congresso Nacional conservador, hostil e inimigo
na sua cola. Lula disse que vai governar para os 215 milhões de cidadãos, mas
terá uma oposição forte, aguerrida e brava que teve mais de 59 milhões de
votos. E é bom que ela faça uma oposição séria e responsável. E isso é bom para
a democracia que tanto nós defendemos. Um recado bem sutil: “senhores
bolsonaristas, aceitem a derrota que dói menos e não tentem dar outro
golpe de Estado nem tentem acampar em frente aos quartéis das Forças Armadas
como fizeram da outra vez”. O STF e a nossa democracia já demonstraram
que isso tem um preço: a cadeia ou o autoexílio. Muito a contragosto fui
obrigado a votar no Lula, mas nunca mais farei isso de novo. Aprendi uma lição
importante: não se deve xingar a mãe do crocodilo antes de atravessar o rio. Será
que o Brasil vai me perdoar?
*Foi Professor em Porto
Velho.
Lula e Flávio: vitória de Pirro
Lula
e Flávio: vitória de Pirro
Professor
Nazareno*
Hoje,
25 de outubro de 2026. O Brasil vai às urnas para decidir em segundo turno quem
será o presidente do país pelos próximos quatro anos. Extrema-direita e
esquerda são os adversários. Pesquisas de opinião já amplamente divulgadas,
apontam empate técnico. O país continua dividido e ainda muito polarizado.
O ganhador terá poucos votos de vantagem sobre o seu oponente. São quase 160
milhões de eleitores numa das maiores democracias do mundo. Todos alegres e
felizes e botando fé em seu candidato. A partir das 18 horas de Brasília,
começa a festa da apuração. Ainda hoje sai o resultado final e começam as
comemorações com fogos, champanhes e muita alegria de um lado e alguma
tristeza, decepção e reclamações do outro. Mas este cenário não representa, em
hipótese alguma, a realidade vivida no país. Ambos os lados deviam chorar
de tristeza.
Se
soubessem a verdadeira realidade do país em que vivem, tanto os vencedores como
os perdedores dessas eleições dariam as mãos e todos choravam juntos. Não são
somente os próximos quatro anos de desgraças, lamentos e infortúnios
que esperam “aquele que teve mais votos nesta disputa meio que arranjada”.
A extrema-direita diz que “vai mudar tudo que puder para consertar o país”.
Já a esquerda afirma que “manterá todas as atuais conquistas sociais”
para que o povo continue feliz e sorrindo à toa. Ledo engano, tolice, palavras
ao vento. A realidade do país já está devidamente selada há muito tempo. O Centrão,
que não é um partido político, nem de direita e nem de esquerda, já “colocou
as cartas na mesa” e já se apoderou do seu quinhão na partilha da nação,
pois vai continuar dominando o Congresso Nacional, parte do STF e a
maioria dos estados.
Tomada
pelo arroubo e pela emoção, a senzala vota, mas é a Casa
Grande que vai governar. Lula, o seu PT e as esquerdas podem até
ganhar, mas não governarão nada se o Centrão decidir que vai lhe fazer
oposição. Assim como o Flávio Bolsonaro da extrema-direita: ganha, mas não
governa. Há mais de meio século que como uma das dez maiores economias do mundo
dito civilizado, o Brasil sempre patinou no meio das nações que detêm de fato o
poder na atual ordem econômica mundial. Estados Unidos, China, Rússia, França e
Reino Unido sempre ditaram as regras e tudo indica que nada vai mudar por
enquanto. A oitava economia do mundo continuará cobrando impostos
europeus e prestando serviços africanos. A mão de obra barata, os
muitos recursos naturais, a violência, a fome, injustiça e miséria vão
continuar a ser rotina entre nós, os desdentados.
Se
depois de tudo isso, quem vai mandar de fato é o Centrão e a Casa
Grande, a festa da democracia não passa de uma farsa, de um engodo, de
uma grande enganação. Todos os eleitos, de antes e de agora, empanturram-se na
festa comemorando e já não mais convidam a senzala para participar das danças e
nem comer do bolo. Dentes afiados olham “salivando” e já
amolam suas garras para devorar o porco verde-amarelo assado ali
sob o suor dos pobres e miseráveis. Há muitos séculos que a desgraça foi criada
e está sob medida para transferir as riquezas produzidas por “quem nada
tem” para “quem já tem de tudo”. Um lado propõe dar
esmolas a “conta-gotas”, enquanto o outro lado defende
cortar de vez o assistencialismo nacional. Lutando para satisfazer a sede do establishment,
extrema-direita e esquerda brigam de mentirinha enquanto analfabetos, banguelas
e famintos sentem-se como Pirro: adiantou o quê vencer mais essa batalha?
*Foi Professor em Porto
Velho.
sexta-feira, 23 de outubro de 2026
quarta-feira, 21 de outubro de 2026
O Brasil esquece muito rápido!
O
Brasil esquece muito rápido!
Professor
Nazareno*
O escritor Lima
Barreto disse que “o Brasil não tem povo, tem público”,
isso talvez porque povo luta pelos seus direitos, já o público assiste a tudo
de camarote. Outra frase, sem um autor conhecido e também muito incômoda: “Visto
de fora, o Brasil é grotesco”, povoa o nosso anedotário popular há
tempos. Atribui-se erradamente a Charles de Gaulle, ex-presidente da França,
outra fala igualmente polêmica: “O Brasil não é um país sério”.
Nelson Rodrigues, escritor e dramaturgo, censurado em Rondônia,
disse que “o brasileiro tem complexo de vira-latas”. Ele
falou essa expressão para descrever a inferioridade que os brasileiros, de um
modo geral, se
colocam, voluntariamente,
em face do resto do mundo. Segundo ele, nós sofremos de uma
falta crônica de autoestima e de fé em nós mesmos, agindo como um “Narciso
às avessas”, que cospe na própria imagem.
Na verdade, não é o Brasil, somos nós
brasileiros que nos esquecemos de tudo. E muito rápido. Esquecemos
o colonialismo. Esquecemos a escravidão. Esquecemos os golpes de
Estado. Esquecemos as ditaduras. Esquecemos os roubos. Esquecemos
as perseguições. Esquecemos a corrupção. Esquecemos a tortura. Esquecemos
o exílio. Esquecemos nossa própria História. Por falta de uma educação
de qualidade e por falta de uma boa leitura de mundo e de conhecimentos estamos
fadados a repetir, com toda força, as mazelas que sofremos através dos tempos.
Como quem sofre da “Síndrome de Estocolmo”, esquecemos
todo o sofrimento e nos aliamos ao agressor, aquele que nos impôs tamanha
desgraça. Assim também é na política, no voto e na democracia, quando
vergonhosamente mostramos ao mundo dito civilizado a nossa triste, cruel e
patética face.
No domingo
próximo, por exemplo, metade dos usuários do SUS, Sistema Único de Saúde, sem
saber o porquê, deve votar em quem promete privatizar esse sistema.
Metade dos beneficiários do Bolsa-Família afirma que vão votar no único
candidato que vai extinguir, em dois anos, esse programa social. A
maioria dos empresários do agro votará em quem vai favorecer o agro dos Estados
Unidos. Muitos assalariados pedem voto e votarão também em quem diz que
vai acabar com direitos trabalhistas e sequer foi votar na escala 5 X 2, que
beneficiava todos os trabalhadores do país. Quase toda a classe média votará em
quem vai subir o custo de vida, a maioria das vítimas da violência votará em um acusado de ser da milícia e do crime. Ou seja, metade do Brasil votará na sua
própria autodestruição. Pior, insetos e inseticida comemoram juntos na
mesma festa.
Para quem defende
o patriotismo não há nada mais ridículo do que ir a uma manifestação portando a
bandeira de outro país. Os Estados Unidos imperialistas e Israel sionista são
os eleitos por essa gente descerebrada. Nada para o Brasil, tudo para
esses países! Esse é o slogan que muitos desses brasileiros
patriotas defendem. Pedir que uma potência estrangeira nos bombardeie com
armas nucleares é coisa surreal que certamente nenhum cidadão, de qualquer outro
país, vai entender. Votemos em massa em quem nos negligenciou as vacinas para a
Covid-19, que matou mais de 710 mil dos nossos cidadãos. Vamos eleger quem quase
golpeou a nossa democracia e tentou matar os que foram democraticamente eleitos.
Vamos eleger quem criminaliza o certo e defende os ricos. Infelizmente metade
do Brasil é isso, enquanto a outra metade luta, crê na democracia, nos direitos
humanos e defende a autodeterminação soberana dos povos. Quem vencerá?
*Foi Professor em Porto Velho.
domingo, 18 de outubro de 2026
O ‘ovo da serpente’ vai chocar?
O
‘ovo da serpente’ vai chocar?
Professor
Nazareno*
Nimbos
ameaçadores se concentram no firmamento. É quase certo de que haverá fortes
precipitações pluviométricas em breve. As perspectivas atuais são sombrias e
assustadoras. O medo está estampado em grande parte das pessoas, principalmente
naquelas mais esclarecidas, enquanto as de menor leitura de mundo e de conhecimentos
ainda estão cegas e inebriadas por ideias ultrapassadas e retrógradas do “grande
imbecil”. Parece ser a repetição da História. Em 1923, por exemplo,
o austríaco Adolf Hitler tentou também um fracassado golpe de Estado na
Alemanha. Condenado e preso, passou apenas nove meses na cadeia,
de onde saiu para liderar, de forma democrática, o poder em todo o país e usando
para isso a democracia com o objetivo de propagar o ódio, as mentiras e
principalmente as narrativas próprias bem articuladas para enganar todo o
povo alemão.
Hitler
era da extrema-direita, por isso odiava os comunistas e os socialistas.
Tanto é que na Operação Barbarossa invadiu, sem nenhuma declaração formal de guerra,
a extinta União Soviética. Como semear o ódio a um povo sem nomeá-lo? Os judeus
foram perseguidos sem trégua e, pouco depois, tiveram todos seus bens
confiscados e depois foram mandados para campos de extermínios espalhados por
toda a Europa. Seis milhões foram perseguidos, exilados, dizimados e mortos.
Além disso, ciganos e muitas outras minorias que não se encaixassem na “raça
pura ariana”, defendida pelos monstros nazistas, foram simplesmente
aniquiladas e mortas. Se o “ovo da serpente” chocar e se
reproduzir, qual será o destino dos esquerdistas que muitos de nós conhecemos?
Ora, a antológica frase “às favas com a democracia” já foi
pronunciada tempos atrás no Brasil.
Muitas
dessas nuvens escuras do obscurantismo assassino e cruel trazem alguma vingança
e um certo “acerto de contas” que em nada ajudarão a pacificar o país. O
8 de janeiro de 2023 não foi uma tentativa de golpe de Estado. Foi apenas uma
manifestação pacífica que só tinha “velhinhas usando a Bíblia nas mãos”,
falou-se. Essa narrativa absurda e mentirosa, como as de Hitler, mistura “alhos
com bugalhos” e coloca erroneamente num mesmo patamar os que defenderam
a democracia e os que hoje defendem uma ditadura insana, criminosa, vingativa e
assassina. O esquecimento da História, proposital ou não, nivela todos ao mais
rasteiro dos níveis. Prioridades institucionais polêmicas, propostas de
mudanças na Constituição, cassação de alguns ministros do STF e
governar sem oposição é o receio em caso de a serpente chocar o ovo.
As
mentiras, as narrativas próprias, a vingança, o ódio, o preconceito, a
misoginia, o racismo, a homofobia, o exílio, a certeza de que se tem a verdade
absoluta, a censura e a intolerância levaram a Alemanha nazista a se colocar
praticamente contra todo o mundo dito civilizado e culminaram com a Segunda Guerra
Mundial, onde entre 70 e 85 milhões de pessoas perderam a vida. Com
todas as inconsistências e erros que tem, a democracia ainda é o regime
político mais aceito e lutar pela igualdade, pela autodeterminação dos povos e
pela paz é a coisa mais civilizada que ainda temos. Bons tempos eram aqueles em
que “perder uma eleição numa democracia era algo normal”. Hoje o
perigo é “perder a democracia em uma eleição”. Lutar para
destruir todos os ninhos de serpentes venenosas e os ovos do mal é dever
de quem acredita nos princípios do Cristianismo. E só temos poucos dias
para nos salvar.
*Foi Professor em Porto
Velho.
quinta-feira, 15 de outubro de 2026
Não acredito: eu fui eleito!
Não
acredito: eu fui eleito!
Professor
Nazareno*
Eu
fui eleito nas últimas eleições do Brasil. Uma das maiores desgraças
que podia ter acontecido na minha vida. O mais surpreendente foi o número avassalador
de votos que recebi desta gentalha semianalfabeta e quase sem leitura de mundo.
O detalhe é que eu nem queria me candidatar, mas me convenceram de que a grana
do Fundo Eleitoral é muita alta e por isso, resolvi entrar, muito
a contragosto, na política. Imaginei que se fizesse uma campanha insossa, prometendo
o absurdo e defendendo ideias já ultrapassadas e monstruosas ninguém votaria em
mim. Teria, no máximo, uns cinco ou dez votos, colocava a grana bolso e só nas
próximas eleições apareceria de novo para pegar mais dinheiro fácil. Fiz alguns
discursos e dei só umas entrevistas nos sites e nos canais de televisão e
emissoras de rádio de minha família. Nada de aparecer em público.
Defendi
a matança de todos os índios, pois são selvagens que “não servem para nada”,
só para dar despesas à nação, já que eles nada produzem. Disse que a Amazônia
tinha que ser totalmente derrubada para dar lugar ao pasto e a outras
plantações. “Aquele mato imprestável não alimenta ninguém”.
Afirmei que lutaria pelo fim da licença-maternidade, que é um privilégio para
as mulheres, e que o feminicídio não devia existir em nossas
leis. Falei que a polícia tinha que matar todos os bandidos que encontrasse
pela frente. Um limpa na sociedade que trabalha. O Fundo Eleitoral
tinha que ser aumentado em 500 ou 600 por cento todo ano. Os políticos têm que
ser beneficiados, pois trabalham muito para sustentar a sociedade, que quer
viver de esmolas oficiais. A escala de trabalho 6 X 1 não poderia ter acabado. O
ideal seria uma escala 7 X 0 para esses preguiçosos.
Em BOLSONARÓPOLIS,
capital de Rondônia, afirmei que o progresso só virá depois que encherem o rio
Madeira de garimpeiros extraindo o ouro e outras riquezas. Mercúrio não
faz mal a ninguém. Na suja e fedorenta capital desse Estado nada de
fazer rede de esgotos e nem de saneamento básico. Beber água de merda
deve ser bom, pois há anos as pessoas bebem e nunca reclamaram de nada. Na
parte social, as autoridades devem fazer bolos com centenas de metros e trazer
cantores bregas para divertir as pessoas. Falei também que deveríamos expulsar
todos os pobres das cidades. A cidade é um lugar para ricos, o pobre enfeia
tudo por onde anda. No plano internacional, entendo que os eleitos deviam trazer
o Trump e outros norte-americanos para nos administrar. Daríamos a eles nossas terras
raras e deixaríamos que eles implantassem bases por aqui.
Em meus discursos
disse que casamentos entre pessoas do mesmo sexo é uma excrescência. Falei da importância
de se censurar algumas obras “que não servem para crianças”
e defendi a transformação de todas as escolas públicas em estabelecimentos
militares com disciplina de quartel. Atestei que os ricos desse país não
deveriam pagar mais impostos e tentei convencer a todos que a Petrobras, os
Correios, as estradas e todas as instituições púbicas deveriam ser
privatizadas. Falei da pouca importância do STF, que deveria ser fechado e
todos os seus ministros cassados e caçados. Devíamos também criar eleições
indiretas para Presidente da República e para governadores e o Legislativo
tinha que ser tutelado pelo Poder Executivo. Defendi tudo isso pensando
que os eleitores eram conscientes e assim não votariam em mim. Só que
quebrei a cara! Fui eleito com a maior votação da História. Para não ter votos, da próxima vez digo o que Cristo pregou.
*Foi Professor em Porto
Velho.
segunda-feira, 12 de outubro de 2026
Mulheres do Brasil, uni-vos!
Mulheres
do Brasil, uni-vos!
Professor
Nazareno*
Antônia
Inocência é minha mulher, com que estou casado há
mais de quarenta anos. Sempre fomos um casal bem sucedido. Eu mando nela
e ela sempre me obedeceu sem dar um pio. É que ela sabe onde é o lugar
dela: na cozinha, claro! Toda mulher tem um lugar dentro da relação: atrás do
marido, pois o homem sempre foi a “cabeça” de todo casamento. Além do
mais, é ele, o macho, que dá o sustento da casa, inclusive para bancar o luxo e
a comida da mulher e dos filhos. Homem nenhum bate na mulher, ele só bate no
atrevimento dela. Feminicídio não existe. É tudo invenção dos “esquerdopatas”
e também das mulheres feias, tribufus, rejeitadas e que não depilam as próprias
axilas. Toda mulher tem que esperar o marido em casa depois que ele chega
cansado do trabalho. A mulher tem que agradar ao seu marido de todas as
maneiras que ele lhe determinar.
A dona de casa que
ousar trabalhar fora deve saber que ganhará um salário bem menor do que o do
homem, fazendo a mesma coisa que ele, pois ela engravida e passa pelo menos de
quatro a seis meses “sem dar um prego numa barra de sabão”. É a
licença-maternidade. Já pensou se ela engravidasse todo ano? Levaria o Brasil à
falência rapidamente. Aliás, essa lei deveria ser retirada da CLT e da
Constituição o quanto antes. No dia em que eu for eleito, lutarei para isso.
Deus fez primeiro o homem e só depois é que lhe sacrificou uma costela para
fazer a mulher. Está escrito na própria Bíblia. Por isso que os homens são
superiores. A mulher devia ser impedida de votar. Política é uma coisa muito
importante e só os homens é que deveriam participar desse processo. O homem tem
que bater na mulher para ver se ela se esperta mais. Só uma surra de vez
em quando.
Em muitos países
muçulmanos, por exemplo, o homem pode ter até quatro esposas ao mesmo tempo. É
a lei chamada de Sharia e o próprio Alcorão, o
livro sagrado deles, que permitem isso. Já as mulheres só podem ter um único
marido. Essa lei tinha que ser aplicada no Brasil urgentemente. Lá a mulher que
trair o marido é condenada à morte por apedrejamento. Nada mais justo, pois à
mulher compete cuidar e zelar do marido, da casa e dos filhos. Por isso, não
pode dar mau exemplo. “Todo homem tem que ser agressivo. E até letal”.
Ou seja, agindo assim ele impõe ordem e respeito no casamento. E se as mulheres
fossem mais inteligentes, não questionavam nada disso. “Crime de
feminicídio não deveria existir perante a lei em nosso país” assim
como o direito à licença-maternidade, já que “todo homem tem o direito
de mandar a mulher ir para a cozinha”.
Por mais absurdo e
monstruoso, quase tudo o que está escrito no texto acima já foi defendido por uma
jovem mulher de apenas 23 anos, Eduarda Campopiano, do PL, eleita
recentemente deputada estadual por São Paulo e que teve exatos 1.956.238 votos.
Pior: boa parte dos seus eleitores são mulheres. Eu torço aqui
para que ela, a Eduarda, encontre em seu caminho um homem totalmente diferente
do que ela preconiza em seus discursos. Isso para o próprio bem dela. E só a
título de informação: em 2025
tivemos no Brasil 1.571 casos de feminicídio, 4.189 escaparam por
algum capricho do destino. Já em 2026,
o país registrou 848 vítimas de feminicídio entre janeiro e
julho, de acordo com os dados oficiais do Ministério da Justiça
e Segurança Pública.
Mas respeitemos a democracia. Ele existe para confrontar os extremos. E Eduarda
Campopiano foi eleita democraticamente e seguindo todas regras do jogo.
Francisca, sem você eu nada seria!
*Foi Professor em
Porto Velho.













