E
se a Terra for mesmo plana?
Professor
Nazareno*
Este
ano de 2026 haverá eleições no Brasil para vários cargos. De Presidente da
República, passando por governadores, deputados estaduais, deputados federais e
até para dois terços do Senado, os brasileiros vão escolher nas urnas
eletrônicas todos os seus candidatos. Como ainda faltam mais de cinco meses até
o pleito, os respectivos candidatos ainda não foram devidamente escolhidos nas
convenções dos partidos. Mas as pesquisas eleitorais já estão a todo vapor.
Fala-se até que Flávio Bolsonaro, da extrema-direita e filho do ex-presidente
Jair Bolsonaro, ganhará o pleito para presidente e se tornará o próximo
mandatário do país. E não será a primeira vez que a extrema-direita governará o
Brasil. Dos 526 anos de nossa triste História, o PT e a esquerda governaram por
exatos 18 anos, enquanto a elite conservadora
esteve nos governando por pelo menos 508 anos.
Com
a volta triunfante da extrema-direita ao poder de forma lícita e democrática
por meio de sufrágio universal, de urnas eletrônicas e da vontade absoluta da
maioria dos nossos eleitores, esperam-se algumas mudanças na rotina de todos os
brasileiros. Pra começo de conversa, o salário mínimo vigente no país será
congelado por pelo menos seis anos consecutivos. Funcionários públicos de todas
as esferas não terão mais a estabilidade em seus empregos e os aposentados
deixarão de receber reajustes em seus vencimentos. Todos os auxílios sociais
como bolsa família, bolsa gás, bolsa isso e bolsa aquilo serão
reduzidos sumariamente. O número de pessoas trabalhando com a carteira assinada
terá que ser sempre muito maior do que aqueles cidadãos que recebem auxílios
governamentais. Porém, as mudanças não serão apenas verificadas nos programas
sociais.
No
novo governo não haverá mais STF e nem também Ministério
Público e o novo Congresso Nacional, que elegeu praticamente só deputados
e senadores da direita e da extrema-direita, será, por vontade própria,
totalmente submisso ao Poder Executivo. Já no primeiro ano de mandato será
redigida uma nova Constituição para alinhavar os desejos e as vontades não só
da classe política recém eleita, mas de todos os brasileiros que, felizes,
elegeram o novo governo do país. O ensino será totalmente modificado no país
inteiro. Em disciplinas como Geografia, por exemplo, será ensinado que a
Terra é plana e que é o sol que gira em redor desse inusitado planeta e
não o contrário. Paulo Freire será banido das universidades públicas, que serão
fechadas e em História será ensinado que a Revolução de 1964 foi
um marco do nosso progresso e desenvolvimento.
No
novo cenário a partir de 2027, o Brasil não mais fará negócios com a China e as
relações com os EUA e Israel serão plenas e garantirão a soberania deles
em detrimento da nossa. Qualquer cidadão que ousar criticar o sionismo
ou a política externa norte-americana será punido. Não haverá
mais partidos de esquerda muito menos socialistas ou comunistas. O DOI-CODI, tortura
e censura voltarão. Em Rondônia, que deu mais de 90 por cento dos votos aos
novos governantes, serão criados hospitais “Built to Suit” de
mentirinha e o pedágio da BR-364 será aumentado em 200 ou 300 por cento. As
cidades brasileiras não terão mais pobres e a “fila do osso”
será restaurada em todas as capitais. A BR-319 vai ser totalmente asfaltada e o
rio Madeira será reaberto para o garimpo com mercúrio. Voltará o “dia
do fogo” e a maioria dos povos originários será extinta e o Estado
não será mais laico. E depois disso tudo, só posso dizer, calado: seja
bem-vindo, Flávio!










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