quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Porto Velho do céu vermelho!

Porto Velho do céu vermelho!


Professor Nazareno*


O dia 11 de agosto de 2026 poderá entrar para a insólita história de Porto Velho, a suja, imunda, atrasada e distante capital de Roraima. Em pleno verão amazônico, um temporal assustou grande parte dos moradores. Já havia um bom tempo que as chuvas não davam as caras durante o verão. Só fumaça e fuligem é que se viam por estas bandas. E eis que, de repente, um céu de um vermelho intenso e misterioso se formou de uma hora para outra e que foi seguido de um forte temporal. O feio e horroroso hino de Rondônia fala de um azul muito intenso em uma de suas estrofes. Mentira pura! Os céus de Rondônia nas últimas décadas sempre foram de um cinza chumbo, cheio de fuligem e que durante o verão nada se via. O acanhado aeroporto fechava e os precários hospitais se enchiam de velhos e crianças acometidos de asma, bronquite, pneumonia e outras doenças provocadas pela densa fumaça.

Mas chove bem neste verão sem fumaça! Dizem que este é o segundo ano que Porto Velho não tem mais a fumaça criminosa. Mas o que intrigou mesmo neste dia anormal foi o vermelho intenso no céu antes do temporal. Muita gente disse que foi um incêndio do outro lado do rio Madeira, que foi logo apagado pela chuvarada que se seguiu. Se foi mesmo fogo na mata, os órgãos de defesa do meio ambiente deveriam investigar. Outros já disseram que era a vinda de Jesus Cristo que estava se consumando em terras karipunas. Acho que não: o que Jesus estaria fazendo perto de Porto Velho, uma cidade cujo protetor é o Satanás?  No entanto, outras pessoas, em tom jocoso, disseram que foi um aviso ao povo numa época de eleições. O vermelho vai ganhar as eleições por aqui, diziam em tom de brincadeira. O comunismo é vermelho, a nossa bandeira devia ser vermelha e o PT é todo vermelho.

Ora, numa cidade que é uma capital, mas não tem sequer um hospital de pronto-socorro decente. Um lugar onde os institutos ligados ao meio ambiente e à qualidade de vida só mostram desgraças e índices vergonhosos. Não tem nenhuma mobilidade urbana. Não tem redes de esgotos e nem saneamento básico ou água tratada. Não tem um porto rampeado. A violência é uma coisa quase normal e que grande parte da população vive abaixo da linha da pobreza, enfim, um lugar ermo, uma curva de rio em que só falta mesmo é dar uma chuva de bosta, eu imaginei que se tratava exatamente disso: a tão esperada chuva de merda. Porto Velho precisa mudar, senão as pessoas daqui é que se mudarão. Aliás, como já está acontecendo. Ninguém aguenta mais pagar tão caro por passagens aéreas escassas, devíamos ter energia elétrica mais em conta, pois somos produtores de muita energia limpa para fora. 

   Diante do que se vive diariamente em Porto Velho e em Rondônia, chover fezes humanas é o mínimo que pode nos acontecer. Aqui só falta o garimpo assassino do rio Madeira voltar a poluir as nossas águas e o fogo voltar a queimar o que ainda resta de floresta. Mesmo assim, a natureza não vai aprontar nada de tão grave como fez na Venezuela e na Colômbia com os terremotos. O sul do Brasil já está convivendo com fortes tornados, algo impensável há pouco tempo. Embora o tempo aqui seja “estranho, muita gente daqui procura remar contra a maré mesmo. O Arraial Flor do Maracujá, por exemplo, será realizado este ano em pleno mês de setembro, como se as festas juninas não tivessem tempo para acontecer. Seria bom que todos respeitássemos a natureza. Céu vermelho em agosto pode não ser muita coisa, mas pode ser algum aviso. Será que algo está para acontecer nas Terras de Rondon e não estamos sabendo de nada? Vamos rezar, gente!





                            *Foi Professor em Porto Velho.


sábado, 8 de agosto de 2026

Porto Velho devia ter metrô


Porto Velho devia ter metrô


Professor Nazareno*


A suja, imunda e mal administrada capital de Roraima tem pouco mais de 500 mil habitantes. É hoje a pior dentre as 27 capitais do país em IPS, Índice de Progresso Social, e segundo o Instituto Trata Brasil, a cidade não tem nenhuma qualidade de vida. Rede de esgotos e de saneamento básico, água tratada e de boa qualidade para todos os seus moradores, trânsito organizado e mobilidade urbana são coisas que nunca existiram por aqui. Na Europa, qualquer cidade de 300 ou 400 mil habitantes, ou com até menos moradores, tem tudo isso. Linhas regulares de metrô não seria um mimo, uma conquista para os atuais habitantes, mas um pensamento para daqui a cinquenta, cem anos, quando, espera-se, a cidade possa ter se desenvolvido mais e a sua população possa ter triplicado. Hoje a cidade tem algumas poucas linhas de ônibus, velhas e obsoletas, que mal atendem aos seus cidadãos.

Se ter linhas de metrô funcionando possa ser entendido por muita gente como um luxo inalcançável, ter esgotos, saneamento básico e água tratada seria uma questão de saúde pública. Muitas pessoas teriam uma qualidade de vida infinitamente melhor, menos pessoas adoeceriam e praticamente todos os índices sociais da cidade melhorariam sensivelmente. Seria o máximo que as pessoas daqui nunca mais bebessem água de merda. Porto Velho tem, óbvio, a palavra porto no nome. Mas incrivelmente não tem um porto no rio Madeira. Já teve um, que fora doado pela Santo Antônio Energia, mas que quebrou, foi desativado e mandado para Manaus e até hoje, muito tempo depois, nunca mais retornou. Um porto rampeado melhoraria a situação dos habitantes ribeirinhos, que precisam vir à capital para resolver seus problemas sem ter que se arriscar num barranco sujo, íngreme e escorregadio.

Não deve custar muita coisa para uma capital ter um bom porto de passageiros, assim como não custaria muito dinheiro ter um bom hospital de pronto-socorro. Mas Porto Velho não tem uma coisa nem outra. O velho “açougue” João Paulo Segundo lá na zona sul da cidade existe desde a década de 1980 e até hoje desafiou e continua desafiando inúmeros prefeitos, vereadores, governadores, deputados, senadores e infinitos outros candidatos às eleições em toda campanha política. Sem nenhum acanhamento, as futuras autoridades prometem Built to Suit” e divulgam “fotos maquiadas de um novo hospital que mais se parecem com o Sírio Libanês ou o Albert Einstein de São Paulo. E a ignara plateia acredita em tudo e ainda aplaude efusivamente os seus candidatos e muitas vezes os elegem toda vez. 

Contas de energia pelas alturas quando se tem várias usinas hidrelétricas em seu território é um acinte, uma exploração, uma maldição para um povo que pacificamente permitiu a destruição dos seus principais recursos naturais e nada teve em troca. Pedágio Free Flow numa BR que era da própria população é um roubo indescritível, um absurdo permitido pela mesma classe política, que hoje usa o bisonho fato para pedir votos. Que mal esse povo de Rondônia fez para merecer tamanho castigo? Por que algumas pessoas desse mesmo povo não podem viajar de avião, mesmo tendo dinheiro e disposição para isso? Porto Velho não tem metrô, não tem hospital de pronto-socorro, não tem porto rampeado, não tem BR sem pedágio, não tem rede de esgotos, não tem água tratada, mas tem 23 vereadores, um prefeito, um governador e ainda é representada por 3 senadores, 24 deputados estaduais e 8 deputados federais. O que esse povo de Rondônia fez tanto de ruim no passado?



*Foi Professor em Porto Velho.