segunda-feira, 5 de outubro de 2026

O Brasil é da extrema-direita

O Brasil é da extrema-direita

 

Professor Nazareno*

 

            Com a divulgação dos resultados das últimas eleições, não resta mais nenhuma dúvida: o Brasil, a partir do próximo ano, está inteiramente nas mãos da extrema-direita bolsonarista e reacionária. Em um pleito limpo, marcado pela lisura e sem nenhuma falcatrua, foi a vontade da maioria do povo brasileiro que prevaleceu. E até que se prove o contrário, as urnas eletrônicas nas nossas eleições são corretas e com quase nenhuma possibilidade de erros. Com mais de 56 milhões de votos, Flávio Bolsonaro e o atual presidente Lula, que teve 53 milhões de votos, vão disputar daqui a três semanas o segundo turno. E só um milagre fará o PT, o Lula e a esquerda saírem vitoriosos no dia 25 de outubro próximo. Nunca quem ganhou no primeiro turno perdeu as eleições no Brasil. E a vontade da maioria do povo brasileiro deve e tem de ser respeitada. É justo!

            Tudo isso faz parte do jogo democrático. Com a possível e já quase certa derrota dos petistas, nada de acampar em frente aos quartéis nem querer dar um golpe como no dia 8 de janeiro de 2023 ou tentar impedir a posse do vencedor. Nada de tramar a morte dos vencedores. Se derrotado pela soberana vontade do povo brasileiro, Lula deve passar a faixa presidencial para o vencedor. É assim que acontece nas principais democracias do mundo civilizado. Ao PT e às esquerdas restará o legítimo dever de fazer uma oposição consciente e responsável ao novo presidente. Para a extrema-direita caberá fazer as mudanças que sempre pregou. Serão quatro anos para provar suas teses, que devem ser devidamente respaldadas pela nação em uma votação limpa e sem nenhum atropelo. A Câmara Federal e o Senado já estão nas mãos do PL. Só está faltando o governo central.

            A extrema-direita bolsonarista e reacionária praticamente já venceu na maioria dos estados também. A esquerda só ganhou até agora no Piauí, Bahia e Ceará. O tsunami direitista varreu o país de norte a sul. E como numa democracia de verdade, precisa ser vigiada, cobrada e fiscalizada de perto. Se perder mesmo o Palácio do Planalto, restará ao PT e à esquerda um patrimônio de mais de 60 milhões de votos. O PT não será extinto em uma simples eleição. O perigo estará posto se perdermos a democracia, pois “Perder uma eleição numa democracia é coisa normal. Perigoso é perder a democracia numa eleição”. Por isso, todos nós, de direita e de esquerda devemos estar atentos aos próximos passos que a traiçoeira, elitista, fascista e reacionária extrema-direita vai dar a partir do próximo ano em caso mesmo de vitória. Muitas promessas podem criar um caos no país.

            A privatização da Petrobras, a permissão para que um governo estrangeiro indique os ministros do novo governo, não dar nenhum reajuste salarial aos trabalhadores, desvincular a aposentadoria do reajuste salarial vigente, acabar completamente com os programas sociais como o bolsa-família, amordaçar completamente o STF e todo o Judiciário, sepultar de vez  a escala de trabalho 5 X 2, já em fase de aprovação, permitir a livre negociação entre patrão e trabalhador, implantar uma reforma trabalhista nos moldes da Argentina, entregar as terras raras para os Estados Unidos, romper o comércio com a China, instalar bases militares norte-americanas em solo nacional, transformar todas as escolas do país em estabelecimentos cívico-miliares, dentre inúmeras outras aberrações, devem ser combatidas ferozmente pela futura oposição. E se o PT não ganhar no segundo turno, fará essa oposição firme e consciente e vai se preparar para o ano 2030.

 

           


*Foi Professor em Porto Velho.

sábado, 3 de outubro de 2026

Eu tenho medo de ficar rico!

Eu tenho medo de ficar rico!

 

Professor Nazareno*

 

            As poucas pessoas que me conhecem sabem que eu não sou um sujeito rico. Nunca fui e nem serei. Professor aposentado do ex-território de Rondônia, vivo hoje, junto com a minha esposa, da minha humilde aposentadoria. Por questões familiares, estamos residindo atualmente em São Paulo, capital, onde ver pessoas ricas e milionárias é uma rotina. Não vejo a hora de voltar para a suja e imunda Porto Velho, onde pessoas humildes, pobres e lascadas é o que se veem todos os dias andando pelas ruas sem esgotos da cidade. Em Rondônia existem praticamente só três classes sociais bem definidas: pobres, mais pobres e miseráveis. Nunca vi um milionário ou uma pessoa abastada andando de bobeira aqui. Sou pobre, mas talvez um pobre premium, pois nunca dependi de programas sociais, tenho casa própria, carro e sempre que posso viajo para o exterior.

            Como eu sou um sujeito simples, sempre me preocupei com aquelas pessoas menos favorecidas. Sei muito bem o que é a fome e a necessidade. Entendo, por isso, que o Estado devia sempre dar uma contrapartida social para esses indivíduos mais carentes. Mas não receber nada em troca como apoio político. Mas se eu fosse rico e abastado, não teria esse pensamento “meio comunista”. Dizem que eu sou de esquerda por pensar desse jeito. Não concordo! Sempre me considerei humano. Só isso. Como um empresário rico e famoso nem em Porto Velho eu moraria. A eterna “capital de Roraima” não combina com a riqueza e nem com o luxo, percebe-se. Talvez eu morasse em Genebra, Paris ou Milão. Como um milionário eu não queria estar me encontrando diariamente com pobres e miseráveis. Não andava de carro velho, meia-boca. Eu me deslocava só de helicóptero.

            Na política, eu não queria saber de partidos de esquerda. Só se estivessem no poder. Aí eu compraria todo mundo. Será que esses partidos são venais? Do presidente da república até a maioria dos seus ministros, eu teria o número do telefone de todos eles. O STF seria quase todo comprado com favores ou mesmo com dólares e muitas outras regalias. Eu rico, ministros do STF ou da Presidência da República só viajavam de jatinhos emprestados por mim e pela minha holding. Como são 11 ministros na Suprema Corte, bastava eu comprar seis e assim estar sempre com a maioria em casos de votação. Com muito dinheiro, eu faria de tudo para somente os partidos de direita e de extrema-direita governarem o país, os estados e as cidades mais importantes. Haveria partido de esquerda, mas todos deviam primeiro obediência a mim e aos meus amigos empresários.

            O presidente do Banco Central e o Ministro da Fazenda seriam, óbvio, todos eles indicados por mim. Eu mandaria alugar putas e cafetinas somente no exterior para divertir a todos os políticos, os religiosos e aos poderosos em geral. Inclusive algumas autoridades do próprio Judiciário. A mídia seria toda comprada. Eu sendo rico e poderoso, logo subornava todos os grandes sites de informação e também as emissoras de rádio e de televisão. É certo que eu seria totalmente favorável à democracia, mas a minha democracia, claro. A Educação no país não seria modificada em nada: ela já cumpre os seus objetivos de forma muito competente: não ensina nada a ninguém. Com muito dinheiro e fama, eu incentivaria a criação de cassinos por todo o país e as religiões não mais cobrariam dízimo. O Congresso Nacional teria uns 90% dos políticos comprados. E eu nunca seria candidato. Comandava tudo “de fora”. Mas como sou pobre, só observo!

 

 


*Foi Professor em Porto Velho.

quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Mais outro "debate sinistro"

Mais outro "debate sinistro"


Professor Nazareno*


Outra vez, como de costume, foi marcado mais um debate para saber quem consegue enganar melhor a multidão e assim vai governar a terra esquecida, atrasada, subdesenvolvida e distante. No palco, seis homens dispostos a prometer de tudo para uma plateia esperançosa e com poucos recursos para sobreviver, que vai escolher apenas um daqueles postulantes. No atrasado rincão, as promessas se multiplicam na televisão e os incautos sonham em ter dias melhores. Biu de Eudóssia, Zé das Beiradas, Sabá sem Futuro, Tonho das Promessas Eternas, Neco Falador e Joca de Zé Tomás se revezavam naquela infame tribuna para saber quem conseguia mentir mais e dessa forma convencer a todos de sua pouca competência. Quase ninguém da amaldiçoada plateia sabia, mas os seis homens sempre foram amigos entre si e estavam ali fazendo apenas um jogo de cena na certeza de que ali nenhum deles vai se dar mal.

Na imunda pocilga sempre faltou de tudo. E a cada ano que passa os problemas se multiplicam. A capital daquele fúnebre lugar nunca teve, por exemplo, um hospital de pronto-socorro decente. As promessas de se construir um sempre existiram e, dessa forma, todos os anos turbinaram as campanhas políticas. Já se tentou de tudo para que essa promessa se tornasse realidade, mas sempre "deram com os burros n'água". Inventaram até um tal "Built to Suit" e não deu certo. Inauguraram somente uma pedra no seu lugar. E essa pedra é muito importante, pois deve eleger vários políticos só neste ano: um senador da República e talvez até alguns deputados federais. Os homens do palco não deixaram por menos: disseram que em menos de dois anos vão levantar um novo estabelecimento de saúde não só na suja e imunda capital, mas em toda a região. Inédito, mas terão vários "açougues" iguais ao Sírio-Libanês?

Poucas pessoas viajam para essa surreal província. O preço absurdo das raras passagens aéreas é o obstáculo maior. Coisa, aliás, que nenhum daqueles homens do palco prometeu resolver. Viajar até 24 horas de busão para as capitais das províncias mais próximas é o que muita gente dali faz quando precisa sair do lugar. O preço da energia elétrica nem se fala. Deram de graça a única concessionária que havia e por isso poucas pessoas conseguem pagar em dia sua conta de luz. A cidade, que se diz uma capital de Estado, é a pior dentre todas as capitais do país em qualidade de vida. Ali não há saneamento básico muito menos água tratada para atender a todos. Quase não há coleta de esgotos. São menos de 3 % do total da cidade inteira e água encanada menos de 35%. Um absurdo! As ruas são esburacadas, sujas, sem arborização, violentas e algumas são até tortas. Na cidade, bebe-se água de bosta! 

Para que, então, fazer esses "debates de araque" só para enganar os trouxas e incautos? Os falantes homens do palco até "fingem" brigar entre si para impressionar os telespectadores. Mas algumas pessoas sabem que nada será feito para o bem de todos. Daqui a quatros anos, as promessas se repetem e a ladainha continua. Porém, é bom que não sejamos tão cruéis com aqueles senhores ricos e abastados. A Assembleia Legislativa será eleita só para "trabalhar" pelo povo pobre que a elegeu. Alguém acredita? Os três senadores só votarão pautas em benefício dos mais necessitados. Os deputados federais e o governador eleitos nesta semana não medirão esforços para sanar todos os problemas que aparecerem. Governo do povo, com o povo, para o povo, junto com o povo e pelo povo. Até o pedágio "Free Flow" será repensado futuramente. Com essa classe política, mel e leite jorrarão das fedorentas ruas das cidades. Em qual lugar do mundo existem políticos tão honestos e trabalhadores assim?




*Foi Professor em Porto Velho.

 

domingo, 27 de setembro de 2026

O Lula está certo em acabar com as BETS?

 

O Lula está certo em acabar com as BETS?


Daniel Pereira*


    O assunto do final de semana foi a decisão do presidente Lula de acabar com as apostas esportivas eletrônicas (BETS) e enviar ao Congresso Nacional um projeto de lei para criminalizar a sua prática clandestina. Como tudo o que ocorre em período eleitoral, o tema inevitavelmente será politizado, dividindo opiniões entre favoráveis e contrários à medida presidencial.

    Essa medida foi acertada ou errada? Qual é o impacto concreto que ela causa na vida das pessoas? São perguntas que, a meu ver, exigem respostas claras. Deixo aqui minha contribuição para esse debate.

    Para qualquer discussão séria, é preciso primeiro recordar o panorama anterior ao surgimento das BETS. O próprio Estado, por meio da Caixa Econômica Federal, administra seus jogos. O mais antigo deles é a loteria esportiva, cujos sorteios semanais premiam quem acerta os resultados dos jogos do Campeonato Brasileiro. Apenas uma minoria ganha — a esmagadora maioria perde, como ocorre em qualquer modalidade de jogo. O país conta ainda com outras opções, como a Mega-Sena, a Lotofácil e a Quina, totalizando 11 modalidades oficiais.

    É importante observar alguns detalhes sobre esses jogos estatais. O custo para o apostador é baixo, e o destino da arrecadação é transparente: o montante apurado é distribuído em prêmios (sobre os quais incide o Imposto de Renda) e o restante é destinado a projetos sociais. Ou seja, trata-se de uma prática de baixo custo individual em que o resultado financeiro retorna para a própria sociedade, funcionando como um financiamento coletivo de políticas sociais.

    As BETS, por sua vez, operam de forma oposta. O apostador ganha acesso a um verdadeiro "cassino virtual", jogando ao longo de todo o dia na ilusão de obter lucros que, na prática, são matematicamente inviáveis, pois a engrenagem do sistema depende do prejuízo do usuário. O professor Nazareno, conhecido em Rondônia por seus textos irônicos, cunhou uma definição precisa para as BETS: “É quando um otário gasta o dinheiro que não tem para tentar ganhar um dinheiro que não existe”. Embora o termo "otário" seja incisivo, a premissa é correta: o sistema não foi desenhado para que o jogador vença.

    Além disso, cabe questionar quem fica com o lucro. A resposta é óbvia: os proprietários das plataformas, muitos dos quais investigados por ligação com o crime organizado, utilizando as BETS como instrumento para a lavagem de dinheiro.

    Essas plataformas vêm destruindo indivíduos e famílias. A dependência do jogo gera uma busca compulsiva por satisfação que frequentemente culmina na ruína financeira e emocional. Há diversos relatos de casais que entram juntos no vício, perdem bens como casas e carros, e se endividam com agiotas. Não podemos continuar encarando essa realidade com passividade. O cenário é ainda mais grave quando beneficiários de programas sociais do Governo comprometem seus poucos recursos para alimentar o lucro dessas empresas, sacrificando o sustento de famílias que já se encontram em situação de vulnerabilidade.

    Adversários políticos alegam que a criação dessa modalidade de aposta no Brasil teria sido de responsabilidade do governo Lula — uma afirmação que não condiz com os fatos. As apostas de quota fixa foram legalizadas ainda em 2018, durante a gestão de Michel Temer (Lei nº 13.756/2018). Ao governo Lula coube o processo de regulamentação, sancionado no final de 2023. Já no momento da assinatura, o presidente deixou clara a sua posição: "Estamos regulamentando para ver se funciona; se não der certo, eu acabo com elas". Diante dos evidentes impactos negativos para a sociedade, a medida atual nada mais é do que o cumprimento do compromisso firmado publicamente, sem qualquer tipo de contradição. 

    Historicamente, o Brasil já abrigou cassinos físicos, à semelhança do que ocorre em Las Vegas (EUA) e Punta del Este (Uruguai). Eram estabelecimentos de alto luxo que, por sua própria natureza e custo elevado, restringiam-se a frequentadores de alto poder aquisitivo. Para esse perfil de público, eventuais perdas financeiras não comprometem as necessidades básicas do dia a dia. Vale lembrar que os cassinos foram permitidos no Brasil, instalados no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, dentre outros estados, os quais foram fechado  em 1946.

    Diante disso, sou favorável à revogação dessa proibição histórica, permitindo a instalação de cassinos físicos em locais de forte vocação turística — como cidades históricas, o litoral, Manaus, Belém ou o Pantanal. A presença desse público de alta renda geraria empregos diretos e indiretos, impulsionando a economia local e os negócios regionais.

    A título de exemplo, em Petrópolis (RJ), antiga cidade da família real, situa-se o imponente Palácio Quitandinha. Construído para ser um mega-cassino e inaugurado com grande suntuosidade — contando com a presença de astros de Hollywood e artistas renomados, o prédio hoje funciona como centro cultural e hoteleiro. Caso a legislação permitisse, a estrutura poderia abrigar novamente um cassino em questão de meses.

    Em suma, sou alguém que aprendeu a jogar baralho apenas como passatempo, em fins de tarde ou noites agradáveis com a família e amigos, disputando o que chamamos de "leite de pato" — gíria popular para definir o jogo sem apostas em dinheiro. Bem diferente da lógica predatória das BETS, nos nossos simplórios jogos o único "ladrão" é aquele que truca no facão e, quando é hábil no blefe, faz o adversário correr mesmo segurando o zape e o sete de copas — exatamente como fazem meus amigos Zé Maria e Jackson, lá na aprazível Pimenteiras, no Sul de Rondônia.


* DANIEL PEREIRA, Professor, advogado e às vezes jogador de truco, canastra, vinte e um  ou bisca, mas jamais apostando dinheiro.

sábado, 19 de setembro de 2026

Oposição

 

Tem que ter OPOSIÇÃO no país para poder vigiar, fiscalizar, denunciar e também propor novas soluções.



sexta-feira, 18 de setembro de 2026