sábado, 18 de abril de 2026

Rondônia: a triste exceção nacional

Rondônia: a triste exceção nacional

 

 

Professor Nazareno*

 

           

            Devido a sua grande e notória insignificância na já caótica realidade nacional, o Estado de Rondônia sempre foi considerado como um dos estados mais problemáticos e bagunçados da federação. Criado a partir de um dos maiores desastres ambientais da História da humanidade, ainda na década de 1980 do século passado, o jovem estado nunca deu notícias alvissareiras para o restante do país nesses pouco mais de 40 anos de existência. Desta vez é por causa do aumento dos combustíveis devido à guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã e o consequente bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passam mais de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo. O preço do diesel, principalmente, subiu quase 30 por cento no mundo inteiro. Não foi diferente no Brasil. E para aliviar o bolso dos brasileiros, o governo federal propôs um pacto com todos os estados para, até o final de maio próximo, diminuir os impostos que incidem sobre a commodity.

            Rondônia simplesmente não aceitou. Ao lado até agora só do Rio de Janeiro, o pouco importante, pobre e miserável estado da região norte disse não ao governo federal e dessa forma os preços dos combustíveis não vão baixar nas “Terras de Rondon”. Rondônia é um estado bolsonarista em sua essência. Mais de 70 por cento dos indigentes e paupérrimos eleitores daqui são da extrema-direita reacionária. Quase não há esquerda na nossa política. Rondônia é uma vergonha nacional. Com uma população formada majoritariamente por “forâneos”, o sinistro estado sempre foi referência em ceder todas as suas riquezas para o restante do país. Permitiu, por exemplo, que se construíssem duas hidrelétricas em seu imponente rio Madeira somente para abastecer o sul do país com energia boa e barata. Mas aqui, paga-se uma das contas de energia mais caras e em retribuição tivemos os nossos recursos naturais estuprados sem dó nem piedade.

            O atual governador do estado, o coronel bolsonarista Marcos Rocha, que foi eleito e reeleito pelos rondonienses, é tão fraco politicamente que sequer vai se candidatar a qualquer cargo nas próximas eleições. Rocha não aceitou fazer tratativas com o governo federal para aliviar o bolso dos rondonienses e dizem que, mesmo em meio a toda essa terrível crise dos combustíveis, viajou para os Estados Unidos. Crise em Rondônia é uma rotina quase diária. Aqui até um senador da República já foi metralhado ne meio da rua e até hoje, mais de três décadas depois, nada se apurou. A BR-364, única ligação do estado com o restante do país, foi privatizada e cobra um dos pedágios mais caros de que se tem notícia. Detalhe incrível e surreal: a caótica estrada não foi sequer duplicada e não recebeu, até agora, nenhuma benfeitoria visível. O amor dos rondonienses por quem é de fora é tão grande que Rondônia só teve um governador daqui.

            A suja e imunda capital do estado é um esgoto podre a céu aberto. Uma pocilga imunda, esburacada, cheia de lixo e fedorenta que sempre envergonhou alguns poucos de seus moradores. É a pior dentre as 27 capitais do Brasil em saneamento básico, água tratada e qualidade de vida, segundo o Instituto Trata Brasil. Na cidade-lixo do Brasil, mal começou a guerra lá no Oriente Médio e o preço dos combustíveis subiu mais de dez por cento em alguns postos e ninguém disse absolutamente nada. Não é incrível? Mas andam falando que assim que terminarem os conflitos, os postos vão baixar os seus preços. “Me engana que eu gosto”. Até para sair daqui é um suplício interminável: os preços das passagens aéreas são os mais altos do Brasil. Para viajar de avião é muito mais prático e “mais em conta” ir para Rio Branco ou Cuiabá. E “na pisada que vai” as coisas não vão melhorar tão cedo: os candidatos às próximas eleições são as mesmas “cartas marcadas” de sempre: prometem “Built to Suit”, saneamento, isso e aquilo, e saem rindo de nós.

 

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

quarta-feira, 15 de abril de 2026

O “Dia do Fogo” vai voltar?

O “Dia do Fogo” vai voltar?

 

Professor Nazareno*

 

            Tudo indica que sim! Vai depender muito de quem ganhar as próximas eleições para presidente da República. Não que político nenhum esteja tão preocupado assim em preservar e proteger o meio ambiente. Praticamente todos eles, seja de direita ou de esquerda querem mais é que a natureza se acabe. Muitos desses políticos estão se lixando para o sofrimento do povo com a fumaceira absurda do verão amazônico. Em 2019 quando Jair Bolsonaro assumiu a Presidência da República, muitos fazendeiros do interior do Pará, principalmente, incentivados pela política ambiental devastadora do presidente recém-empossado e do seu ministro Ricardo Salles, criaram o “Dia do Fogo” que foi exatamente o dia 10 de agosto daquele ano. A extrema-direita, de um modo geral, é contra toda e qualquer política ambiental. “É preciso deixar passar toda a boiada”, afirmavam.

            O ano de 2024, durante o governo petista de Lula e de Marina Silva, a acreana ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, a Amazônia ardeu impiedosamente como nunca. Eu particularmente sofri muito com falta de ar e com a respiração ofegante durante todo aquele fatídico verão. Já no ano passado eu “fugi” para o sul do país, mas soube que aqui não houve queimadas e a fumaça foi menor do que em anos anteriores. Este ano provavelmente eu não vou esperar tocarem fogo na mata. A depredação da floresta amazônica e do meio ambiente em geral parece que está no DNA de muitos moradores dessa região. Rondônia mesmo é fruto de um dos maiores desastres ambientais da História da humanidade. Muitos dos forasteiros que vieram “colonizar” o então território não pouparam nem a cobertura vegetal e muito menos as populações originárias.

            Rondônia é filha direta de um dos maiores massacres ambientais de que se tem notícia. Fala-se que até o próprio criador do novo Estado ficava alegre quando via fumaça. “Estão produzindo”, dizia. Verdade ou não, ainda hoje percebe-se a luta de muita gente para reabrir a inútil e desnecessária BR-319. Com ela, a Amazônia encontrará o seu irremediável fim em menos de dez anos. O maldito garimpo de ouro no rio Madeira, por exemplo, é outro gargalho que os agressores da natureza reivindicam todo dia. A extrema-direita e os reacionários do agronegócio podem estar por trás dos incêndios na região durante a época da estiagem. Aliás, atribui-se à extrema-direita não só a repulsa pelo meio ambiente, mas uma infinidade de outras coisas ruins como o desrespeito aos direitos humanos, negacionismo, desapego pela ciência, racismo, misoginia, homofobia, guerras.

            Ainda estamos no inverno em nossa região. As precauções para se evitar a queima da floresta e a fumaceira têm que ser tomadas agora. O prefeito de Porto Velho, Leonardo Barreto, disse que foi ele que evitou a desgraça em 2025. Tomara que não só ele, mas todas as autoridades tanto federais como estaduais e municipais, estejam em alerta para evitar o pior este ano. Os muitos órgãos de defesa do meio ambiente têm que começar também desde já a preparação para coibir derrubadas, fogo e fumaça em Rondônia. Esse Estado, ao não respeitar a natureza, é acusado de ser responsável direto pelas enchentes catastróficas e também por outros desastres ambientais que assolam o restante do país. Se o louco do Donald Trump resolver, por exemplo, tomar a Amazônia, não seremos nós próprios que vamos dar o motivo. Garimpo ilegal, fogo na floresta, derrubadas, extinção de povos originários, desrespeito à natureza, não são ações civilizadas. Mas até quando?

 

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

sábado, 11 de abril de 2026

O melhor de todos os candidatos

O melhor de todos os candidatos

 

Professor Nazareno*

 

            Este ano de 2026 tem eleições gerais no Brasil. A corrida aos cargos ainda nem começou direito e muitos brasileiros praticamente já decidiram em quais candidatos votar em outubro próximo. A nível federal, a maioria dos eleitores, seguindo a sua consciência política de sempre, deve escolher o candidato que se mostrar mais cruel, mais desumano, mais insensato, mais corrupto, mais impiedoso, mais desalmado e mais picareta possível. Dificilmente se elegerá qualquer candidato que seja humano, racional, inteligente, amigo, probo, perspicaz, honesto e compromissado com a civilidade e com o espírito público. A Câmara Federal e os dois terços do Senado terão eleitos, muito provavelmente, as pessoas que apresentarem a mesma índole de sempre: descompromisso total com a dura realidade de desigualdade social do país e vistas grossas com a fome, a miséria e injustiças sociais.

            Em mais de 520 anos de História foi sempre assim, por que alimentar esperanças de que em 2026 as coisas, como num passe de mágica, vão mudar drasticamente? A maioria dos eleitores brasileiros parece que sofre da Síndrome de Estocolmo. Basta observar a postura do atual Congresso Nacional, que foi eleito por esse mesmo tipo de eleitor: o nosso Legislativo é ultradireitista ao extremo e defende, geralmente, aquelas pautas que só desgraçam ainda mais a vida dos pobres, dos miseráveis e desassistidos. No âmbito do Executivo a ladainha sempre foi a mesma só com pequenas alterações. Um candidato entreguista, pouco patriota, mentiroso, golpista, negacionista, vingativo e aliado à extrema-direita reacionária e à elite cruel do país deve disputar, num provável segundo turno, o cargo maior da nação com um candidato que diz representar a pobreza.

            Pode até representar a pobreza, mas não deixa jamais de usar as políticas públicas sociais para arregimentar cada vez mais votos e apoio desses mesmos pobres, deixando, dessa forma, todos eles dependentes quase para sempre do Estado. E o pior: diante dessa polarização criada por esses mesmos políticos, a chance de aparecer uma terceira via é quase impossível. Um candidato ideal seria aquele que mostrasse amor incondicional pelo país que ele vai governar. Um cidadão compromissado em distribuir de forma mais equitativa todos os imensos recursos do país com cada habitante que aqui vive. Alguém que tivesse a responsabilidade de atacar e acabar com tantos problemas sociais que temos. Alguém que respeitasse os direitos humanos, o meio ambiente, enfim, um candidato que tentasse acabar com tantas injustiças que vemos no dia a dia da sociedade. E é possível?

            Claro que é. Nada de entregar nossas riquezas para nações estrangeiras. Lutar sempre pela nossa soberania, lutar pelo progresso social do país atacando os principais gargalhos que nos aprisionam no mundo incivilizado, pobre e dependente apesar do nosso enorme patrimônio. Nada de governar oito anos consecutivos e não construir sequer um bom hospital de pronto-socorro para uma capital de Estado. Governar tanto tempo e não dotar a sua cidade, por exemplo, de água tratada e de boa rede de saneamento básico, de arborização, segurança, boas escolas e de mobilidade urbana é de uma irresponsabilidade e incompetência ímpares. Dinheiro para tudo isso existe aos montes. E pior: quase ninguém cobra isso de seus candidatos. E assim continua, ano após ano, votando sempre neles. E é obvio que estes candidatos existem, mas o próprio sistema os poda e o que há de pior na política sempre é eleito. O pobre é como lombriga: se sair da merda morre!

 

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.


sábado, 4 de abril de 2026

Alunos de 2019 do JBC.

    Quando os alunos são bons, o professor fica perdido no meio deles. Esses garotos fizeram parte de minha vida profissional. E tantos outros também... O ano era 2019, último ano meu como professor. Muitas saudades...

sexta-feira, 3 de abril de 2026

Sejamos ateus e comunistas!

Sejamos ateus e comunistas!

 

Professor Nazareno*

 

            Muitos brasileiros estão, de um modo geral, jogando fora todas as oportunidades que têm de ser felizes e mais abonados. Insistem em viver uma vida que não tem e que nunca teve o menor sentido para muitos deles. A felicidade, tanto espiritual quanto social e financeira, está muitas vezes no ateísmo e também no comunismo. Segundo o censo de 2022 do IBGE, quase dez por cento da população brasileira se declara sem religião, um grupo que inclui ateus, agnósticos e pessoas desvinculadas de qualquer Igreja. Na política há um empate técnico. Metade da população do Brasil é da direita e da extrema-direita reacionária e a outra metade não é bem da esquerda ou comunista, mas hoje em dia, devido à polarização política no país, tende a votar em candidatos mais progressistas. Para ser felizes e ter uma vida melhor economicamente, todos deviam ser ateus e comunistas.

            Ser ateu só traz vantagens hoje em dia. Você vive uma vida cheia de liberdades sem se preocupar em ir para o céu ou para o inferno depois que morrer. Se você é cristão, por exemplo, não precisa doar os dez por cento de tudo o que você ganha somente para enriquecer ainda mais padres e pastores que se dizem “mensageiros” da palavra de Deus. Não tem nenhuma obrigação de ler a Bíblia, um livro que “há milhares de anos reuniu lendas, mentiras, besteiras, mitos e costumes de uma pequena tribo de nômades semisselvagens escritos em pergaminhos e foi entendido como a palavra de Deus sagrada, definitiva e irretocável”. Em vez desse “livro dito sagrado” você pode ler e se deliciar com Machado de Assis, Nietzsche, José Saramago, Fernando Pessoa, Richard Dawkins, dentre tantos outros. E de não ter a obrigação de ir toda semana a uma igreja?

            Um ateu no mundo muçulmano pode beber cerveja, vinho e cachaça à vontade, ainda que escondido. Já no meio cristão se você for um padre ou outra autoridade da Igreja não vai poder se casar e nem constituir família. Mas se for ateu, pode ter quantas mulheres você quiser e beber à vontade sem dramas de consciência. Os judeus ficam acreditando que são o povo escolhido de Deus e por isso vivem guerreando com os vizinhos muçulmanos em batalhas intermináveis. Desde a criação do Estado Judeu em 1948, Israel já participou de umas dez guerras lá na Terra Santa. Muito melhor seria não ser judeu e viver em paz com todos. No aspecto da economia, os brasileiros insistem em ser capitalistas. Perda de tempo. A maioria não tem conhecimentos nem leitura de mundo para ganhar dinheiro neste sistema injusto. Por isso, muitos vivem na miséria e famintos.

            A China, que se diz comunista, é a segunda maior potência econômica do mundo. Um gigante industrial cuja economia ultrapassará os Estados Unidos capitalistas daqui a cinco ou dez anos ou até menos. Com a economia centralizada sem miséria nem fome, os chineses estão conquistando o mundo com muita competência e eficiência. A “economia socialista de mercado” da China comunista combina um forte planejamento estatal de longo prazo através de planos quinquenais. Com quase um bilhão e meio de habitantes, alguém já ouviu falar de fome, injustiças, miséria, guerras, concentração de renda, fila do osso, Bolsa Família, drogas, ou mesmo desigualdade social entre os chineses? Se o Brasil fosse comunista muitos dos nossos cidadãos não seriam tão humilhados e viveriam muito mais felizes. Nossos governantes deviam incentivar todo brasileiro a ser ateu. Deviam também mudar a cor da nossa bandeira e filiar todos em partidos comunistas. Camaradas?

 

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

segunda-feira, 30 de março de 2026

Março de 1964: 62 anos de caos


Março de 1964: 62 anos de caos

 

Professor Nazareno*

 

            Há exatos 62 anos, setores militares brasileiros pressionados pela elite civil do país, por meio de um golpe militar, quebravam as regras institucionais vigentes e solapavam a nossa frágil democracia. A elite nacional, que estava receosa com o avanço do comunismo e inspirada pelos ideais norte-americanos, incentivou e patrocinou a aventura armada que mergulharia o Brasil em 21 anos de escuridão política. Enquanto durou, a tosca aventura fardada se chamou pomposamente de Revolução e somente depois de 1985 com o seu fim, convencionou-se chamá-la simplesmente de golpe militar. Apoiados por grande parte da alienada população brasileira, os golpistas deram a desculpa de estarem protegendo nossa democracia de irresponsáveis grupos armados inspirados pelo comunismo da antiga União Soviética e da China. Vivíamos a Guerra Fria e o medo.

            No entanto, a única vítima daquela malfadada aventura foi somente a democracia. Muitos militantes de esquerda foram enfrentados sob a acusação de tentar implantar por aqui um regime pró soviético e antidemocrático, enquanto as classes dominantes se encarregaram de dar um fim definitivo às aspirações comunistas. Quem vencesse a contenda “presentearia” o país com um regime de exceção. Por isso, os ganhadores, no caso a elite de direita e os militares golpistas, empurraram-nos de goela abaixo mais de duas décadas de trevas, cerceamento das liberdades individuais, ataques sistemáticos à democracia, perseguições políticas, medo, tortura de oposicionistas, além de outras excrescências típicas das ditaduras de repúblicas bananeiras do Terceiro Mundo. Nos “campos de batalha”, DOI-CODI, exílio e tortura viraram a aceitação do contraditório.

            Porém, muitos dos perseguidos e torturados daquela época, que conseguiram escapar, hoje viraram autoridades e em alguns dos casos até ministros, governadores, senadores, deputados, prefeitos e mesmo presidente da República. Embora ungidos pelo voto democrático, vários dos atuais mandatários chegaram ao poder denunciando a corrupção e os desmandos, mas reinventaram e ainda praticam essa mesma corrupção. Direita e esquerda se uniram para roubar o povo pagador de impostos. Depois deram as mãos e juntas elas inventaram também a polarização política atual para redimir pela metade tanto um grupo quanto o outro. Desde 1964 que o Brasil continua sendo um país rico, mas com multidões de pobres e miseráveis. Fila do osso, bolsa-família, auxílio gás, fome, fascismo, golpismo e miséria não podem combinar com a décima nação mais rica.

            Dos últimos presidentes, a partir da Nova República de 1985, pelo menos quatro deles já estiveram na cadeia e atualmente dois ainda estão em prisão domiciliar. Roubo, desvio de dinheiro, corrupção, enriquecimento ilícito e tentativa de golpe de Estado são as acusações mais frequentes. A esquerda começou a governar o país neste período, mas não mudou muita coisa: os ricos continuaram mais ricos e os pobres sempre mais pobres. Tentou-se até repetir o dia 31 de março de 1964 no dia 8 de janeiro de 2023, mas a fracassada empreitada terminou com quase todo mundo na cadeia. O velho Brasil continuou sendo grotesco quando visto de fora e daqui de dentro também. O entreguismo vil e humilhante é confundido com patriotismo. “Deus, Pátria e Família virou bordão entre quase todos: ricos, miseráveis e famintos. Militares são chamados de heróis e devem voltar a nos governar. Ditadura virou regime militar. E a pátria que se dane. PT saudações!

           

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.



quarta-feira, 25 de março de 2026

Rondônia, protegida pelo Diabo

Rondônia, protegida pelo Diabo

 

Professor Nazareno*

 

            Se Deus existe, certamente Ele nunca quis saber de Rondônia e nem de sua gente. Rincão atrasado, distante e subdesenvolvido, o insólito Estado foi resultado direto de uma das maiores devastações da natureza de que se tem notícia: a derrubada da floresta amazônica e a matança de povos originários foi o pontapé inicial para se instalar “a mais nova estrela no azul da União”, isso ainda nas décadas finais do século passado. E de lá para cá as agressões sistemáticas ao meio ambiente continuaram a todo vapor. Entra ano e sai ano e as agruras e lástimas continuam a infernizar a vida dos poucos habitantes que ainda insistem em permanecer por aqui. Chuvas torrenciais com muita lama no inverno e queimadas apocalípticas com muita fumaça tóxica nos meses de verão é uma dolorosa rotina que acompanha o morador daqui. É como se o Belzebu fosse o padroeiro do lugar.

Como se todo este infortúnio fosse pouco, ainda tem a classe política local. Por causa dela, o jovem Estado de Rondônia sempre viveu dias tenebrosos. Longe, isolada, atrasada, inculta, subdesenvolvida e muito pobre, essa distante e amaldiçoada província nunca, jamais na vida, deu notícias alvissareiras para o restante do Brasil. As novidades daqui, principalmente na área da política, são as mais sombrias possíveis. Mas apesar de todas essas desgraças visíveis, o insólito rincão ficaria, numa hipotética divisão territorial do Brasil, do lado mais conservador. Quando o deputado federal Paulo Bilynskyj propôs criminosamente dividir o Brasil em “Brasil do Norte” e “Brasil do Sul”, o mapa que ele mostrou tinha Rondônia como pertencendo ao Norte, mais subdesenvolvido e de maioria esquerdista. Um engano, pois Rondônia tem a extrema-direita reacionária em seu sangue.

Não há políticos bons, trabalhadores e inteligentes em Rondônia. Nunca houve. Um sequer que apareça e se destaque nacionalmente é conjunto vazio. E o pior: todos os anos de eleições muitos deles são eleitos e reeleitos pelo povão ignaro. Nem direita nem esquerda existem nestas plagas. A polarização daqui é para escolher quem é o pior dentre os candidatos a ser eleito. E mais de 70 por cento deles é da extrema-direita bolsonarista. Esquerda, se existe, está incubada, escondida, disfarçada, dissimulada, camuflada atrás dos seus gordos contracheques e também lá nas redes sociais. Apesar de ter os maiores percentuais de seguidores da fé cristã evangélica, Rondônia só pode ser obra de Lúcifer. Deus, o Todo Poderoso, não perderia tempo com um lugar assim. Até a única atração turística da capital é uma ferrovia velha e abandonada e que já tem um dono: é o Tinhoso.

A Ferrovia do Diabo foi vendida para forâneos. O porto rampeado do rio Madeira já foi retirado, levado para Manaus. Lá só restam o lixo, a catinga, o barranco escorregadio e fedorento, a sujeira, o lodo, os ratos e os urubus. A capital do Estado é uma espécie de Reino das Trevas protegido pelo Capiroto. Porto Velho é a pior dentre as 27 capitais do Brasil em qualidade de vida, saneamento básico e água tratada. Ninguém quer saber de Rondônia. Para vir ao Estado pagam-se pedágios caríssimos se vier de carro. É o Free Flow. E de avião é quase impossível: passagem do Sul Maravilha para cá é até mais cara do que ir à Europa. E não tem disponibilidades. Hospital de Pronto-Socorro, a capital não tem. O “Built to Suit” dos políticos terminou em “beiju de caco. Até o atual governador, que ficou oito anos no poder, prevê uma derrota nas urnas e quer desistir de se candidatar. Não se pode dizer que Rondônia é do senhor Jesus ou de Deus. Deve ser do Cramunhão!

 

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.


domingo, 22 de março de 2026

EUA: Rondônia seria poupada

EUA: Rondônia seria poupada

 

Professor Nazareno*

 

            Donald Trump, o megalomaníaco e fascista presidente dos Estados Unidos está com a corda toda neste seu segundo mandato à frente da Casa Branca. Muito pior do que Hitler, ele usou a sua Gestapo pessoal, a ICE, para perseguir e matar imigrantes em seu país e de quebra, resolveu intervir em vários outros países, um após o outro. Inicialmente continuou dando apoio incondicional a Israel, o seu proposto no Oriente Médio, para aniquilar os palestinos na Faixa de Gaza. Mais de 72 mil velhos, mulheres e crianças foram esmagados e despedaçados pela máquina de guerra dos judeus e dos norte-americanos. Depois, invadiu e bombardeou a Venezuela e prendeu seu presidente, Nicolás Maduro. Isso depois de bombardear pequenos barcos de pesca que, segundo ele, estavam levando drogas para os EUA. Quase 150 simples pescadores foram aniquilados.

            A seguir, incentivado e ajudado pelos israelenses, Trump resolveu atacar o Irã mergulhando o Oriente Médio numa guerra sem precedentes. Só que seria, segundo ele, uma guerra rápida. Mas já está fazendo quase um mês e pode ainda durar muito mais tempo. E mesmo sem sequer ter atingido os seus objetivos declarados na Pérsia, o maldito “Laranjão” já falou que vai invadir Cuba e tomar o poder na ilha como já fez com a Venezuela. Certamente ele também vai invadir e tomar a Groenlândia, como já prometeu antes. E certamente vai sobrar também para o Brasil. Trump e a alta cúpula do governo estadunidense não gostam de Lula nem da esquerda no Brasil. Além do mais, ele não gostou da prisão de Jair Bolsonaro e dos golpistas do nosso 8 de janeiro. Por isso, é quase certo que vamos sofrer uma invasão norte-americana com o apoio irrestrito da “boiada”.

            Porém, mesmo fazendo parte do Brasil, o distante e atrasado Estado de Rondônia não sofreria absolutamente nada com os ataques vindos da Terra do Tio Sam. As terras de Rondon têm pouco mais de 1,5 milhão de habitantes e quase todos em sua maioria são eleitores reacionários que militam, amam e votam na extrema-direita e se dizem amigos do “Laranjão”. É crime, mas em Rondônia muitos dos patriotas daqui ajudariam os invasores. Por isso, os rondonienses podem e devem ficar bem tranquilos. Os Tomahawks não nos atingiriam. Esses mísseis de última geração só matarão os esquerdistas, os petistas e as pessoas progressistas. Trump ama os latinos, em especial os brasileiros de direita e de extrema-direita. Ele não quer a Amazônia e nem as terras raras que o Brasil tem. E não demorará para que todos os rondonienses recebam grátis o Green Card dado pelos EUA.

            Trump jamais bombardeará Rondônia depois que souber que quase 80 por cento da população deste rincão subdesenvolvido é da extrema-direita. Imaginem a alegria do “Laranjão ao saber que tem uma vereadora de Porto Velho que propôs a eugenia social e a remoção de imigrantes pobres da capital karipuna. Se brincar, Rondônia será declarada como o 51° Estado dos Estados Unidos. Lá na América não existe atendimento público de saúde para o povão pobre, assim como aqui também. A experiência do hospital “Built to Suit” e do pedágio “Free Flowvai encantar os norte-americanos. “Nessa tal de Rondônia (Roubônia), nós vamos ressuscitar o Percival Farquhar”, teria dito, sorrindo, o “Laranjão”. Com Tomahawks explodindo em São Paulo, Rio de Janeiro e outras grandes cidades, os EUA prenderiam o Lula, o Moraes e outros esquerdistas. Mas não atacariam um lugar tão “abençoado” como esse. Será que eu escaparia da fúria dos EUA?

 

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

quinta-feira, 19 de março de 2026

Guerra em nome do Satanás

Guerra em nome do Satanás

 

Professor Nazareno*

 

            Estados Unidos, Israel e Irã estão em guerra já há mais de três semanas! O primeiro é um país majoritariamente cristão, o segundo é judeu e o terceiro é uma república islâmica, portanto, muçulmano com mais de 98 por cento de sua população seguindo a vertente xiita do Islamismo. As três religiões abraâmicas, monoteístas, sempre estiveram guerreando. Ou entre si, como agora, ou para matar os ímpios, ou seja, aqueles que não seguem a sua crença. Em toda a História da Humanidade ninguém jamais ouviu falar em uma guerra travada em nome do Satanás, mas quase todas elas travadas em nome de Deus ou da religião. Dessa vez o componente religioso até existe, mas as batalhas estão sendo travadas por causa do petróleo, abundante na antiga Pérsia. Os Estados Unidos querem se apossar dessa commodity como já fez no início do ano ao invadir a Venezuela.

            O maior problema começou em 1948, quase dois mil anos depois da segunda diáspora do povo judeu. Após o Holocausto e a perseguição aos judeus por Hitler durante a Segunda Guerra Mundial, a ONU criou o Estado judeu nas mesmas terras onde já estavam habitando os palestinos. “Foi a terra prometida por Deus aos descendentes de Abraão”, dizia-se. Ou seja, Deus prometeu essas terras somente aos judeus deixando os cristãos e os palestinos, que já as habitavam, de fora. Não deu outra: dia 14 de maio foi criado o Estado de Israel e no dia seguinte os árabes declaram guerra ao novo país. De lá para cá, as brigas e as confusões só aumentaram naquela região, em que antes conviviam em paz os três grupos religiosos. Com a atual invasão do Irã por Israel e pelos EUA, o Oriente Médio está em total convulsão. Paquistão e Afeganistão também estão em guerra.

            Os Estados Unidos querem destruir o Irã para roubar todo o petróleo que os persas produzem. Assim como já fizeram com a Venezuela. Já Israel, que incentivou essa guerra, diz que os iranianos não podem ter uma bomba nuclear, mas eles, os judeus, têm mais de 90 ogivas nucleares em seu arsenal. Ou seja, os Estados Unidos, cristãos, bombardeiam e matam os muçulmanos para ajudar os judeus. Essa matança toda não pode ser em nome de Deus. Deve ser mesmo em nome de Satanás ou de outro cão. Uma escola primária foi severamente bombardeada no Irã onde quase duas centenas de crianças inocentes foram despedaçadas por um míssil Tomahawk dos norte-americanos. Os muçulmanos disparam mísseis com bombas de fragmentação tanto em Telavive quanto em Jerusalém, cidades de Israel, que bombardeia o sul do Líbano e mata centenas de civis.

            Israel, pátria dos judeus, produziu uma carnificina na Faixa de Gaza onde matou impiedosamente mais de 70 mil civis inocentes entre mulheres, velhos e crianças. O mundo viu tudo e calou diante da barbárie. Um Holocausto semelhante ao que aconteceu durante o regime nazista na Alemanha de Hitler. O Irã, muçulmano, financia grupos armados para matar judeus e cristãos como o Hamas na Palestina, os Houthis do Iêmen e o Hezbollah no Líbano. Já os Estados Unidos cristãos atacaram a Venezuela, o Irã e já estão ameaçando Cuba e a Groenlândia. E certamente deve sobrar também para o Brasil. Muitos “patriotas” daqui estão clamando por uma intervenção norte-americana em nosso país, mesmo que isso seja um crime proibido pela nossa Constituição. É a vingança da “boiada” por ter perdido as últimas eleições para o PT e as esquerdas. Deus vê tudo acontecer e não toma providências ou será que tudo isso é combinado com o diabo?

 

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

segunda-feira, 16 de março de 2026

Crime previsto na Constituição Federal


CUIDADO: incitar, desejar publicamente ou atuar para provocar intervenção estrangeira no Brasil é considerado crime contra a soberania nacional, com base na Lei nº 14.197/2021. Negociar com grupos estrangeiros para invadir o país, ou pedir interferência externa, viola a Constituição, que garante a autodeterminação, sendo conduta punível. 

domingo, 15 de março de 2026

Brasil, próxima vítima dos EUA

Brasil, próxima vítima dos EUA

 

Professor Nazareno*

 

            A China é um país comunista e hoje tem um PIB que rivaliza com o dos Estados Unidos. Fala-se que a partir dos anos 2030/2035 os chineses vão superar os americanos em produção de riquezas. Com uma economia planejada, mão de obra farta, sem participar praticamente de nenhuma guerra há tempos e com investimentos maciços em sua infraestrutura básica, os orientais estão dominando o mundo e isso, claro, irrita muita gente mundo afora, como os norte-americanos, por exemplo. Só que a China é uma potência nuclear desde 1964 com mísseis balísticos intercontinentais capazes de atingir qualquer parte do mundo em questão de minutos. Pequim confirma que tem mais de 600 ogivas nucleares e daqui a cinco ou dez anos passará de mil dessas armas mortíferas. Donald Trump e o seu país, que está em franca decadência, têm muito medo dos chineses.

             Os imperialistas estadunidenses entendem que precisam deter o progresso e o avanço dos comunistas, mas por serem muito covardes e medrosos não os enfrentam diretamente. Aliás, os Estados Unidos sempre tentaram medir forças com quem não as tem: Vietnã, Cuba, Venezuela, Síria, Líbia, Iugoslávia, Coreia do Norte (antes de ter as bombas nucleares), Panamá, República Dominicana. A China de hoje, aliada da Rússia e da Coreia do Norte, é um páreo muito duro para os arrogantes e assassinos americanos. Por isso, os Estados Unidos tentam, dessa forma, inviabilizar o progresso chinês atacando os seus principais amigos e fornecedores. A Venezuela foi invadida e bombardeada e teve o seu presidente preso. Agora, o país caribenho está proibido de negociar com os chineses. Todo o petróleo e o gás venezuelanos têm de ser negociados (roubados) só com os EUA.

            O Brasil tem como maior parceiro comercial justamente a China. E o nosso país precisa colocar “as barbas de molho”. Trump vai arrumar uma desculpazinha qualquer para travar a nossa relação comercial com os chineses. O Irã foi invadido, bombardeado e teve o seu líder assassinado por que negocia e fornece petróleo para o gigante asiático. Sem petróleo e sem outras commodities, a China para de crescer. Desculpas esfarrapadas e mentirosas sempre foram inventadas pelos malditos “yankees” só para saquear e dominar os países mais fracos. O Iraque tinha armas de destruição em massa, a Venezuela produzia drogas, o Irã tem bombas atômicas e por aí vai. E o Brasil? Ora, o Brasil tem o crime organizado, que precisa ser considerado como uma organização terrorista. Além do mais, o nosso país é governado pelo Lula, um homem de esquerda e não alinhado a eles.

            Isso sem falar que metade da nossa população é da extrema-direita reacionária que se considera norte-americana “da gema”. Não só presta continência àquela bandeira estrangeira, como sempre teve e ainda tem o sonho de morar ou mesmo de visitar aquele país surreal, habitado em sua maioria por ladrões, genocidas, assassinos e viciados em drogas. Os Estados Unidos são o câncer do mundo e hoje parece que são mandados pelos sionistas. Lula pode até ganhar as próximas eleições daqui, mas não tomará posse. “O golpe de Estado de verdade virá, com certeza, com uma vitória petista”. Os americanos para defender os seus interesses matam a sua própria mãe. E o pior é que não temos como nos defender. Nossas Forças Armadas não aguentariam meia hora de combate com a “máquina de matar gente” daquele país agressor. De qualquer maneira, os EUA vão nos invadir e dominar. Por isso, derrotar a extrema-direita nas urnas já seria um bom caminho.

 

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.