sábado, 8 de agosto de 2026

Porto Velho devia ter metrô


Porto Velho devia ter metrô


Professor Nazareno*


A suja, imunda e mal administrada capital de Roraima tem pouco mais de 500 mil habitantes. É hoje a pior dentre as 27 capitais do país em IPS, Índice de Progresso Social, e segundo o Instituto Trata Brasil, a cidade não tem nenhuma qualidade de vida. Rede de esgotos e de saneamento básico, água tratada e de boa qualidade para todos os seus moradores, trânsito organizado e mobilidade urbana são coisas que nunca existiram por aqui. Na Europa, qualquer cidade de 300 ou 400 mil habitantes, ou com até menos moradores, tem tudo isso. Linhas regulares de metrô não seria um mimo, uma conquista para os atuais habitantes, mas um pensamento para daqui a cinquenta, cem anos, quando, espera-se, a cidade possa ter se desenvolvido mais e a sua população possa ter triplicado. Hoje a cidade tem algumas poucas linhas de ônibus, velhas e obsoletas, que mal atendem aos seus cidadãos.

Se ter linhas de metrô funcionando possa ser entendido por muita gente como um luxo inalcançável, ter esgotos, saneamento básico e água tratada seria uma questão de saúde pública. Muitas pessoas teriam uma qualidade de vida infinitamente melhor, menos pessoas adoeceriam e praticamente todos os índices sociais da cidade melhorariam sensivelmente. Seria o máximo que as pessoas daqui nunca mais bebessem água de merda. Porto Velho tem, óbvio, a palavra porto no nome. Mas incrivelmente não tem um porto no rio Madeira. Já teve um, que fora doado pela Santo Antônio Energia, mas que quebrou, foi desativado e mandado para Manaus e até hoje, muito tempo depois, nunca mais retornou. Um porto rampeado melhoraria a situação dos habitantes ribeirinhos, que precisam vir à capital para resolver seus problemas sem ter que se arriscar num barranco sujo, íngreme e escorregadio.

Não deve custar muita coisa para uma capital ter um bom porto de passageiros, assim como não custaria muito dinheiro ter um bom hospital de pronto-socorro. Mas Porto Velho não tem uma coisa nem outra. O velho “açougue” João Paulo Segundo lá na zona sul da cidade existe desde a década de 1980 e até hoje desafiou e continua desafiando inúmeros prefeitos, vereadores, governadores, deputados, senadores e infinitos outros candidatos às eleições em toda campanha política. Sem nenhum acanhamento, as futuras autoridades prometem Built to Suit” e divulgam “fotos maquiadas de um novo hospital que mais se parecem com o Sírio Libanês ou o Albert Einstein de São Paulo. E a ignara plateia acredita em tudo e ainda aplaude efusivamente os seus candidatos e muitas vezes os elegem toda vez. 

Contas de energia pelas alturas quando se tem várias usinas hidrelétricas em seu território é um acinte, uma exploração, uma maldição para um povo que pacificamente permitiu a destruição dos seus principais recursos naturais e nada teve em troca. Pedágio Free Flow numa BR que era da própria população é um roubo indescritível, um absurdo permitido pela mesma classe política, que hoje usa o bisonho fato para pedir votos. Que mal esse povo de Rondônia fez para merecer tamanho castigo? Por que algumas pessoas desse mesmo povo não podem viajar de avião, mesmo tendo dinheiro e disposição para isso? Porto Velho não tem metrô, não tem hospital de pronto-socorro, não tem porto rampeado, não tem BR sem pedágio, não tem rede de esgotos, não tem água tratada, mas tem 23 vereadores, um prefeito, um governador e ainda é representada por 3 senadores, 24 deputados estaduais e 8 deputados federais. O que esse povo de Rondônia fez tanto de ruim no passado?



*Foi Professor em Porto Velho.

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Lula ganha, mas sofrerá um golpe

                                     

Lula ganha, mas sofrerá um golpe!


Professor Nazareno*


     A campanha política ainda nem começou no Brasil, mas algumas pesquisas de intenção de voto como a da Genial/Quaest, divulgada dia 05 de agosto de 2026, indica uma vitória do candidato do PT e das esquerdas, o atual presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva. Caso isso realmente aconteça, será a quarta vez que o ex-metalúrgico se elege pelo voto direto, secreto e democrático para esse cargo. Até aí tudo normal e dentro das expectativas que se esperam de uma democracia. O que não está no script e que muita gente já desconfia é que alguns setores mais reacionários da direita e da extrema-direita podem querer tomar o poder à força. Aliás, como já aconteceu depois das eleições /de 2022 com a derrota de Jair Bolsonaro, quando muitos perdedores insatisfeitos e insuflados por lideranças conservadoras e antidemocráticas tentaram invadir Brasília em um fracassado golpe de Estado conhecido por muitos como “o 8 de janeiro”. 

Só que desta vez existem alguns fatos diferentes que podem entornar o caldo e piorar as coisas para o lado dos esquerdistas. Donald Trump, por exemplo, é o todo poderoso presidente dos Estados Unidos e praticamente já está em campanha aqui no Brasil. O Brasil é o único e talvez o último país da América do Sul com um governo de tendência esquerdista. Além disso, tem na China comunista o seu maior parceiro comercial. Isso desagrada o “Laranjão” norte-americano, que com medo de enfrentar os chineses cara a cara, penaliza os parceiros comerciais do país oriental. Foi assim com a Venezuela, com o Irã e certamente será assim com o Brasil caso a balança penda para o lado do setor mais progressista. Já faz um certo tempo que o atual governo dos Estados Unidos está procurando problemas com os brasileiros. Trump diz que é amigo do baba-ovo Flávio Bolsonaro e de seu irmão Eduardo.

E não é somente o aumento das tarifas comerciais que é usado para pressionar o eleitor brasileiro em favor da extrema-direita reacionária daqui. O cancelamento do visto da nossa embaixadora nos Estados Unidos recentemente não foi feito por acaso. Washington pressiona por todos os lados para evitar uma possível vitória das esquerdas em nosso país. Até uma invasão militar pode estar sendo preparada pela Casa Branca para virar o jogo na marra. E tudo é possível diante da fraqueza galopante das nossas Forças Armadas. Aliás, o nosso ministro da Defesa, José Múcio, já se rendeu muito antes de existir um conflito real entre os dois países. “Se os Estados Unidos atacarem o Brasil, a melhor opção é abrir o portão, disse sem nenhum acanhamento nem espírito cívico o homem responsável, em tese, por nos defender de um ataque estrangeiro. Pergunta: para que servem então as nossas F.As.? 

O pior é que a atual oposição brasileira é entreguista e antinacional. Dizem que são patriotas, mas que entregam tranquilamente o país de mão beijada a uma potência estrangeira como os EUA. Com a invasão, viria o golpe e o poder seria entregue a Flávio Bolsonaro ou a outro lesa-pátria qualquer de plantão. Com o governo petista recém-eleito todo na prisão, o Congresso Nacional seria fechado e o Judiciário suspenso. Donald Trump talvez mandasse um norte-americano para presidir o país, enquanto se aguardavam por “eleições livres” com voto impresso e que nunca aconteceriam. Enquanto isso, todo o nosso Pré-Sal seria doado para os Estados Unidos e a Amazônia seria finalmente repartida entre os empresários norte-americanos. O comércio com a China seria todo suspenso e a Argentina, por ter ajudado no golpe daqui, ganharia Rondônia de presente. Para que esta desgraça não seja realidade,mesmo a China é que poderia nos salvar. Brasil: vende-se.




*Foi Professor em Porto Velho.