sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

A certeza na verdade absoluta

A certeza na verdade absoluta

 

Professor Nazareno*

 

            Max Born, cientista alemão de origem judaica, físico nuclear, ganhador do prêmio Nobel de Física, professor da Universidade de Göttingen, amigo de Albert Einstein e tutor de Robert Oppenheimer, disse certa vez que “a raiz de todos os males da Humanidade é a crença que o indivíduo tem de possuir a verdade absoluta”. Born dizia que essa certeza é vista como a raiz de todos os males porque gera fanatismo, intolerância e soberba. Essa crença é vista como um grande mal por que às vezes elimina o diálogo, gera intolerância e legitima a violência contra o que é diferente. Ao acreditar possuir a única verdade inquestionável, o indivíduo desumaniza o outro que discorda dele, justificando opressão, conflitos e dogmatismo em nome de uma suposta superioridade moral ou factual. Só que o mundo nunca se livrou desse mal, por isso tantos conflitos e as guerras que se têm hoje.

            No Brasil, especificamente na área da política, nunca se discutiu tanto hoje em dia como nesta polarização absurda. Os bolsonaristas e a extrema-direita afirmam, como uma verdade absoluta, que Lula e o PT são ladrões do dinheiro público e que por isso devem ser eliminados. Já a esquerda mais radical jura que Bolsonaro e todos os integrantes da extrema-direita são uns fascistas reacionários e que por isso também deviam ser banidos da vida pública do país. Cada grupo, portanto, defende publicamente a eliminação e o desaparecimento do outro grupo. Ninguém jamais pensou em se juntar com quem pensa diferente e discutir em profundidade quais são os principais problemas do país e tentar, juntos, resolver todas as demandas. Parece que na política e na administração pública ninguém quer abrir mão da sua verdade. Essa visão também parece existir nas religiões.

            Cristãos, muçulmanos e judeus. Cada uma dessas religiões monoteístas defende com unhas e dentes a sua própria verdade absoluta. Para os cristãos, Jesus Cristo é filho de Deus e não um enviado ou profeta. E fim de papo! Para os judeus, o povo escolhido por Deus são, claro, todos eles, os judeus. E não tem conversa! A Terra Prometida deles fora invalidada pelos palestinos, que têm que ser expulsos dali. Custe o que custar. Já os muçulmanos têm em Maomé o seu último e mais importante profeta de Deus (Alá), enviado para restaurar a fé monoteísta original de Abraão. Os islâmicos dizem que Maomé é considerado o fundador do Islã e o recebedor da revelação do Alcorão pelo anjo Gabriel e exemplo supremo da conduta humana. E ninguém pode e nem deve discordar disso.  Cada grupo tem a sua verdade que considera, óbvio, como sendo única e absoluta.

            E quase ninguém quer saber sobre o Deus de Espinosa e sobre o Panteísmo. Afirma-se que isso é bobagem, tolice, pois “o único e verdadeiro Deus é aquele em que eu acredito”. Essa é a minha verdade. As outras verdades são Fake News. Donald Trump, por exemplo, é uma pessoa miserável, cruel, bandida, má, estúpida, imperialista, colonialista, dominadora, hegemônica, opressora, expansionista e repugnante, pois assim como Adolf Hitler ele quer mudar a Ordem Mundial e invadir nações inocentes, matar pessoas, bombardear cidades e escravizar meio mundo em benefício de seu já decadente país, os Estados Unidos. Essa é a verdade absoluta sobre ele e sobre Jair Bolsonaro, Javier Milei da Argentina e tantos outros líderes dessa extrema-direita reacionária. Mas muitas pessoas têm nestes idiotas a imagem de seu líder absoluto e insubstituível. Eu já ouvi muita gente dizer que Lula é a encarnação de Deus. É verdade?

           

 

*Foi Professor em Porto Velho.

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