A
certeza na verdade absoluta
Professor
Nazareno*
Max
Born,
cientista alemão de origem judaica, físico nuclear, ganhador do prêmio Nobel de
Física, professor da Universidade de Göttingen, amigo de Albert Einstein e
tutor de Robert Oppenheimer, disse certa vez que “a raiz de todos os
males da Humanidade é a crença que o indivíduo tem de possuir a verdade
absoluta”. Born dizia que essa certeza é vista como a raiz de todos
os males porque gera fanatismo, intolerância e soberba. Essa crença é vista como
um grande mal por que às vezes elimina o diálogo, gera
intolerância e legitima a violência contra o que é diferente. Ao acreditar
possuir a única verdade inquestionável, o indivíduo desumaniza o outro que
discorda dele, justificando opressão, conflitos e dogmatismo em nome de uma
suposta superioridade moral ou factual. Só que o mundo nunca se livrou desse mal, por isso tantos conflitos e
as guerras que se têm hoje.
No Brasil, especificamente na área
da política, nunca se discutiu tanto hoje em dia como nesta polarização absurda.
Os bolsonaristas e a extrema-direita afirmam, como uma verdade
absoluta, que Lula e o PT são ladrões do dinheiro público e que por isso
devem ser eliminados. Já a esquerda mais radical jura que Bolsonaro e todos os
integrantes da extrema-direita são uns fascistas reacionários e que por isso
também deviam ser banidos da vida pública do país. Cada grupo, portanto,
defende publicamente a eliminação e o desaparecimento do outro grupo. Ninguém
jamais pensou em se juntar com quem pensa diferente e discutir em profundidade
quais são os principais problemas do país e tentar, juntos, resolver todas as
demandas. Parece que na política e na administração pública ninguém quer abrir
mão da sua verdade. Essa visão também parece existir nas religiões.
Cristãos, muçulmanos e judeus. Cada uma
dessas religiões monoteístas defende com unhas e dentes a sua própria verdade
absoluta. Para os cristãos, Jesus Cristo é filho de Deus e não um enviado ou
profeta. E fim de papo! Para os judeus, o povo escolhido por Deus
são, claro, todos eles, os judeus. E não tem conversa! A Terra
Prometida deles fora invalidada pelos palestinos, que têm que ser expulsos
dali. Custe o que custar. Já os muçulmanos têm em Maomé o seu último e mais
importante profeta de Deus (Alá), enviado para restaurar a fé monoteísta
original de Abraão. Os islâmicos dizem que Maomé é considerado o fundador do
Islã e o recebedor da revelação do Alcorão pelo anjo Gabriel e exemplo supremo
da conduta humana. E ninguém pode e nem deve discordar disso. Cada grupo tem a sua verdade que considera,
óbvio, como sendo única e absoluta.
E quase ninguém quer saber sobre o Deus
de Espinosa e sobre o Panteísmo. Afirma-se que isso é bobagem, tolice,
pois “o único e verdadeiro Deus é aquele em que eu acredito”.
Essa é a minha verdade. As outras verdades são Fake News. Donald Trump, por
exemplo, é uma pessoa miserável, cruel, bandida, má, estúpida, imperialista,
colonialista, dominadora, hegemônica, opressora, expansionista e repugnante,
pois assim como Adolf Hitler ele quer mudar a Ordem Mundial e invadir nações
inocentes, matar pessoas, bombardear cidades e escravizar meio mundo em
benefício de seu já decadente país, os Estados Unidos. Essa é a verdade
absoluta sobre ele e sobre Jair Bolsonaro, Javier Milei da Argentina e tantos
outros líderes dessa extrema-direita reacionária. Mas muitas pessoas têm nestes
idiotas a imagem de seu líder absoluto e insubstituível. Eu já
ouvi muita gente dizer que Lula é a encarnação de Deus. É verdade?
*Foi Professor em Porto Velho.

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