BR-364:
pedágio veio para ficar
Professor
Nazareno*
A
cobrança do pedágio na BR-364 não é uma novela mexicana como muitos, de forma
confortável, ainda pensam. Muito menos achar que, de uma hora para outra, a
suspensão dessas taxas sejam já favas contadas. Esse pedágio veio para ficar
eternamente para quem usa essa estrada que corta Rondônia de sul a norte ao
longo de pouco mais de 700 quilômetros entre Vilhena e a capital Porto Velho.
Privatizada ainda no governo de Bolsonaro por intermédio de seu ministro da
Infraestrutura Tarcísio de Freitas, atual governador de São Paulo, essa
perigosa rodovia também teria o mesmo destino se fosse no governo petista de
Lula ou de outro qualquer. Entregar de mão beijada o rico e pujante patrimônio
dos rondonienses para os forasteiros tem sido uma praga que nos acompanha desde
épocas passadas. E foi assim com o belo rio Madeira, a Ceron e a histórica
EFMM.
Tudo daqui, em
muito pouco tempo, será vendido para quem é de fora, já que é notório que
empresários ricos e endinheirados não existem em terras karipunas. Quando o
capital e o governo do PT, ainda no segundo mandato de Lula, decidiram estuprar
o rio Madeira e construir duas grandes hidrelétricas nele sem levar em conta os
impactos ambientais e a destruição da natureza local, muitos rondonienses foram
às ruas exigir “hidrelétricas, já!”. Toda a
energia gerada pelas turbinas do Madeira foi levada para fora do Estado. Para
isso, os habitantes locais “ganhariam” de presente um shopping center
para se divertirem. E assim foi feito. Porém o maior regalo que os rondonienses
ganharam foi a enchente histórica de 2014 e o aumento exorbitante nas contas de
sua energia elétrica. O rio Madeira está praticamente morto hoje em dia com a
sua correnteza domada.
A privatização da
BR-364 é uma das maiores ironias políticas que se conhece. A esmagadora maioria
dos eleitores que residem em seu entorno são da direita e da extrema-direita
reacionárias. Os usuários contumazes da estrada receberam do seu “Mito”
essa privatização talvez como um reconhecimento ao contrário. Agora não se pode
mais dizer que Bolsonaro nunca fez nada por Rondônia e também por sua gente. “Lula
nos deu as hidrelétricas e Bolsonaro privatizou a 364”. Esses
presidentes amam Rondônia, percebe-se! Já a classe política local foi
convivente o tempo inteiro com as duas coisas. Reclamar agora do preço do
pedágio em um ano eleitoral é muita hipocrisia. Porém, o festival de enganações
continua: quando, em primeira instância, o pedágio foi suspenso, apareceram
vários pais da ação judicial. “Vitória para o povo de Rondônia”,
gritavam os candidatos.
Quero ver quando a
Justiça reverter essa primeira decisão sobre o pedágio. E não vai demorar
muito. Nem fazer manifestações o povo que foi prejudicado poderá mais, a Justiça
já decidiu que quem interditar a BR-364 pagará a “irrisória” quantia de
100 mil reais por hora. Essa cobrança do pedágio será para sempre. E todos os
rondonienses terão que engolir calados. Já está decidido. Os preços das
mercadorias vão disparar em todas as 52 cidades do Estado, é só uma questão de
tempo. Enquanto isso, a briosa Assembleia Legislativa do Estado
de Rondônia perdoou a bagatela de mais de 2 bilhões de reais em ICMS da
Energisa, aquela mesma companhia que, fala-se, teria comprado a Ceron,
patrimônio de todos os rondonienses, por apenas 50 mil reais. Mas é assim
mesmo: a “extrema-inteligência” do eleitor karipuna vai
fazer o povo daqui votar de novo nos seus algozes de sempre: os políticos. Será
que o rondoniense sofre da Síndrome de Estocolmo?
*Foi Professor em Porto
Velho.

Nenhum comentário:
Postar um comentário