quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

A polarização é um câncer

A polarização é um câncer

 

Professor Nazareno*

 

O jornalista Diogo Mainardi disse certa vez que “no Brasil não tem partido de direita, de esquerda, de nada. Tem um bando de salafrários que se reúnem para roubar juntos.” E roubam mesmo. E muito! O Brasil, há mais de meio século, é apontado como uma das dez maiores potências econômicas do mundo. É líder quase absoluto na produção de commodities há muito tempo e praticamente produz alimentos e possui riquezas naturais como nenhum outro país do mundo. Mas tem milhões de cidadãos pobres e miseráveis vivendo muito abaixo da linha da pobreza. A indigência de muitos brasileiros é bem pior do que naqueles países miseráveis da África subsaariana, só que nem sequer se presta a um espetáculo televisivo e midiático. A pobreza aqui é muitas vezes invisível aos olhos de muitas pessoas. E pode ser uma consequência da própria política do Estado.

Em pouco mais de 500 anos de História, todos os governantes do país, sejam eles da direita ou da esquerda, só se preocuparam em aumentar ainda mais a riqueza e os privilégios das elites endinheiradas que os colocam no poder e os sustentam. Tudo é feito sob medida para sacrificar ainda mais os pobres e miseráveis. Diante do ódio e de repulsa que muitos brasileiros demonstraram ter pela política e pelos políticos em geral, pode ter sido essa mesma elite endinheirada que criou, por exemplo, a atual polarização. Direita X Esquerda num país cuja maioria da população nem sabe o que isso significa. Lula pode até ser ladrão, mas terá a defesa intransigente dos que militam na esquerda. Ou seja, terá sempre metade dos brasileiros defendendo-o. Bolsonaro pode até ser um fascista, mas a outra metade sempre o defenderá até a morte. Ou seja, nenhum deles é totalmente do mal.

Essa polarização política é infame. Dividiu as famílias, semeou o ódio e desfez amizades de anos. Enquanto isso, os políticos brasileiros, os de direita e os de esquerda, continuaram a fazer o que sempre fizeram: roubar toda a riqueza produzida pelos cidadãos mais pobres. Antes eles roubavam também, mas tinham o ódio e a repulsa dos seus eleitores. Hoje, eles continuam roubando, mas tem quem os defenda com unhas e dentes. Em Rondônia, foram os políticos que privatizaram o rio Madeira, estupraram-no com duas hidrelétricas e depois privatizaram a Ceron. A conta de energia não baixou para os rondonienses e os serviços prestados continuam piores. A BR-364 já tem dono, assim como a lendária EFMM. No caso da rodovia a situação é surreal. Os pedágios mais caros do país já estão sendo cobrados, mas sem duplicação nem outra benfeitoria. Há culpados?

Os políticos são, claro, os maiores culpados disso. Foi Confúcio Moura, senador de Rondônia? Foi Bolsonaro e o seu ministro da Infraestrutura Tarcísio de Freitas? Foi o Lula? Ninguém sabe quem é o pai desta desgraça para os rondonienses, mas se tem uma certeza: foi o outro lado. O fato é que os políticos da direita acusam os da esquerda e vice-versa. E todos eles, rindo, já estão em campo pedindo o voto dos idiotas eleitores. Inventaram até um pomposo nome em Inglês para o pedágio: “free flow”. Muitos eleitores vão ao delírio com isso, assim como vibraram também com o nome do fictício e hoje inexistente hospital de pronto-socorro para Porto Velho: “Built to Suit”. Enquanto os imbecis brigam, o patrimônio dos rondonienses como a energia, a BR-364, a EFMM e muitos outros continuam enriquecendo forasteiros e maus políticos à custa do trabalho e do suor do povo daqui. Deve ter sido para isso que criaram essa maldita polarização.

 

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

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