Política
e políticos de Beiradão
Professor
Nazareno*
A
política de Beiradão não é muito diferente daquela que se pratica em algumas
outras províncias nacionais. Na terra do “pedágio mais caro do país”,
os políticos locais geralmente têm índices de aprovação muito maiores do que
vários dos ditadores da História. Saddam Hussein, Idi Amim, Hitler, Stalin, Mao
Tsé-Tung, Putin e Mussolini são fichinhas quando o assunto é pesquisa de
aceitação popular. Lá, naquelas distantes terras, um senador da República e
candidato ao governo estadual já foi fuzilado no meio da rua para não mais
concorrer ao cargo. Com muitos dos eleitores vivendo na miséria e na
extrema-pobreza, o arremedo de Estado é um dos maiores redutos do conservadorismo
mais autêntico e radical que se conhece até hoje. Uma província pobre, mas
politicamente identificada como sendo da extrema-direita radical. Esquerda até
que há, mas é escondida.
Na
última eleição presidencial, por exemplo, o Rato obteve pouco
mais de 29 por cento das intenções de voto, enquanto Bovino Burro
disparou com mais de 70 por cento. Nos 52 municípios de Beiradão, em 2022, a
esquerda não chegou nem perto dos votos dados à extrema-direita conservadora. O
governador reacionário, um cabo da PM local, foi reeleito para o seu segundo
mandato com sobras. Dos 24 deputados estaduais apenas um deles diz que pertence
à esquerda, mas que geralmente só vota sob orientação dos partidos de direita e
de extrema-direita. Os três senadores sempre se alinharam às pautas direitistas
e os oito deputados federais são, óbvio, de fileiras conservadoras. Apesar
disso, a suja e desarrumada capital estadual não tem até hoje um bom hospital
de pronto-socorro, mesmo com promessas falsas de se erguer um “Built
to Suit” para atender os miseráveis.
Aliás,
o épico “açougue” do lugar é, há várias décadas, uma espécie de
calcanhar de Aquiles para as pouco envergonhadas classes políticas estaduais e
municipais. Só que ninguém até hoje conseguiu substituir aquele decadente,
caótico e horroroso “campo de extermínio de pobres”.
Porém, muitos dos políticos dali se esmeram em criar situações surreais que em
nada ajudarão os muitos pobres e necessitados. Expulsar todas as pessoas indigentes
e miseráveis, numa espécie de eugenia social, já passou e
certamente ainda deve passar pela cabeça de alguns dos muitos políticos
conservadores que existem ali. É incrível, mas Beiradão já teve até um Secretário
de Educação acusado de mandar censurar várias obras literárias. Nada
foi provado, mas uma suspeita pairou sobre todos quando um atual deputado
federal e prefeito de uma grande cidade dali tentou rasgar vários livros.
As
atitudes da classe política de Beiradão definitivamente não são para amadores. Lá
no ermo rincão não existe censura à mídia e nem a nenhuma obra de
arte, mas estranhamente alguns dos órgãos noticiosos locais às vezes “selecionam”
artigos para publicar. Falou mal do deputado fulano, do senador? Não se publica
nada. Falou mal do prefeito da cidade ou do governador? Esquece! E pouca gente
sabe o porquê dessa atitude tão antidemocrática e arcaica. Seria o vil metal? Com
essa tacanha visão de mundo, é bem provável que até alguns jornalistas, donos
de sites de notícias ou até professores defendam abertamente a recriação do
DOI-CODI para torturar e punir quem ousar pensar diferente dos péssimos
costumes ainda reinantes. O maior rio de Beiradão foi privatizado e lá
construíram hidrelétricas sem baratear o preço da energia. Tem também estradas
com caros pedágios, mas que nunca receberam benfeitorias. E os políticos
dali aceitam tudo.
*Foi Professor em Porto
Velho.

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