Festejo
de São Sebastião
Ilha
de Assunção/Porto Velho-RO*
Uma das festas de
Padroeiro mais tradicionais de toda a extensa e ainda meio esquecida região do
baixo rio Madeira em Porto Velho/Rondônia foi organizada mais uma vez e realizada
durante dez noites, com muita competência, divertimento e alegria e teve o seu término
neste último dia 19/20 de janeiro de 2026 naquela linda, aconchegante e ainda
isolada Ilha de Assunção, localizada no meio de um dos maiores rios do mundo. Essa
paradisíaca ilha fica distante, pelo rio, a cerca de 170 quilômetros da
capital. Quase centenário, este festejo tem uma longa tradição, que vem
passando de pai para filho já há quase um século. Atualmente Silmar e sua irmã
Silmara Gomes, filhos da icônica e já lendária professora Maria Gomes
e de seu Ademar, são os responsáveis maiores do festejo. Quase
duas mil pessoas oriundas dos mais distantes vilarejos estiveram presentes ali
naquele verdadeiro Paraiso na Terra... Outra vez, esse festejo foi um sucesso.
A maioria dessas
pessoas, filhos e filhas de parentes dos antigos moradores da localidade, são
de Porto Velho, de onde saíram alguns barcos lotados de pessoas e também de outras
inúmeras localidades como Ressaca, Terra Firme, Papagaios, Aliança, Nova Aliança,
São Carlos, Nazaré, Tira Fogo, Conceição do Galera, Bom jardim, Calama, Ilha do
Tambaqui, Paraíso e até de Humaitá no Amazonas. Silmar e Silmara se superaram
na organização do referido festejo, por isso estão mais uma vez de parabéns.
Claro que assim como toda a comunidade, formada pelos atuais moradores, bem como
muitas outras pessoas remanescentes ou nascidas na Ilha de Assunção
participaram, e muito, para a realização e o estrondoso sucesso desta grande
tradição religiosa, esportiva e social que acontece todo ano ali naquele
paradisíaco recanto. A festa só terminou às seis horas da manhã quando o dia
vinha raiando. Muita bebida, canoas, barcos, voadeiras e muitas outras
embarcações maiores estiveram contribuindo com a alegria da distante localidade.
Por isso, parabéns
para todos os envolvidos na confraternização! Homenagem especial a Wagner
Torquato, atual administrador do vizinho distrito de Calama, que também
ajudou muito como a limpeza na localidade e a instalação de banheiros químicos
e de dois pequenos contêineres para recolher o lixo e outros dejetos dali.
Wagner tem praticamente todos os seus familiares oriundos e nascidos na Ilha de
Assunção. Todas as localidades próximas ao distrito de Calama são atendidas
pelos serviços daquele distrito de Porto Velho, segundo nos informou o
administrador Wagner. A festividade começou com os já famosos torneios de
futebol tanto masculino como feminino. Mais de dez times no total. As meninas
da comunidade de Ressaca ganharam a modalidade feminina, enquanto uma seleção
de Calama com a Ilha de Assunção ganhou a modalidade masculina. Torcedores se
confraternizando e ao mesmo tempo torcendo pelos seus times.
Depois dos
torneios de futebol, tivemos a realização de bingos, leilão dos muitos
presentes doados pelos fieis, celebração da missa na igrejinha do vilarejo e a
já tradicional cerimônia da coroação da RAINHA e da PRINCESA
daquele tradicional festejo. São Carlos e Vila de Papagaios participaram também
com as suas encantadoras concorrentes. A vencedora foi uma linda jovem de 15
anos, filha da Ilha de Assunção mesmo. Incrível, a segurança deu o tom das
brincadeiras. Nenhuma briga ou confusão foi verificada ali. E
isso apesar da bebedeira. Famílias se confraternizando e mostrando para Porto
Velho e para Rondônia o que é uma festa de verdade unindo tradição, esportes, religiosidade
e muita diversão. Mas muita diversão mesmo! O festejo de São Sebastião da Ilha
de Assunção todo ano dá um baile na capital Porto Velho, que pode até ter o seu
santo padroeiro, mas não tem a festa. Pior: quase ninguém sabe quem é o
padroeiro da capital de Rondônia nem onde é realizada a festa. Não é incrível?
Ilha de Assunção, e não a capital do Estado, mostra tradição de verdade. No
próximo ano tem mais. E que seja assim para sempre! Será que o prefeito da
capital, os vereadores ou outras autoridades do Estado sabem da existência de
tanta tradição assim num interior tão pobre e esquecido? Talvez não, pois nunca
aparecem por lá. Uma festa tradicionalíssima que nunca mudou de data.
*Professor Nazareno com
colaboradores

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