quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Festejo de São Sebastião - Ilha de Assunção/Porto Velho-RO*

Festejo de São Sebastião

Ilha de Assunção/Porto Velho-RO*

 

 

Uma das festas de Padroeiro mais tradicionais de toda a extensa e ainda meio esquecida região do baixo rio Madeira em Porto Velho/Rondônia foi organizada mais uma vez e realizada durante dez noites, com muita competência, divertimento e alegria e teve o seu término neste último dia 19/20 de janeiro de 2026 naquela linda, aconchegante e ainda isolada Ilha de Assunção, localizada no meio de um dos maiores rios do mundo. Essa paradisíaca ilha fica distante, pelo rio, a cerca de 170 quilômetros da capital. Quase centenário, este festejo tem uma longa tradição, que vem passando de pai para filho já há quase um século. Atualmente Silmar e sua irmã Silmara Gomes, filhos da icônica e já lendária professora Maria Gomes e de seu Ademar, são os responsáveis maiores do festejo. Quase duas mil pessoas oriundas dos mais distantes vilarejos estiveram presentes ali naquele verdadeiro Paraiso na Terra... Outra vez, esse festejo foi um sucesso.

A maioria dessas pessoas, filhos e filhas de parentes dos antigos moradores da localidade, são de Porto Velho, de onde saíram alguns barcos lotados de pessoas e também de outras inúmeras localidades como Ressaca, Terra Firme, Papagaios, Aliança, Nova Aliança, São Carlos, Nazaré, Tira Fogo, Conceição do Galera, Bom jardim, Calama, Ilha do Tambaqui, Paraíso e até de Humaitá no Amazonas. Silmar e Silmara se superaram na organização do referido festejo, por isso estão mais uma vez de parabéns. Claro que assim como toda a comunidade, formada pelos atuais moradores, bem como muitas outras pessoas remanescentes ou nascidas na Ilha de Assunção participaram, e muito, para a realização e o estrondoso sucesso desta grande tradição religiosa, esportiva e social que acontece todo ano ali naquele paradisíaco recanto. A festa só terminou às seis horas da manhã quando o dia vinha raiando. Muita bebida, canoas, barcos, voadeiras e muitas outras embarcações maiores estiveram contribuindo com a alegria da distante localidade.

Por isso, parabéns para todos os envolvidos na confraternização! Homenagem especial a Wagner Torquato, atual administrador do vizinho distrito de Calama, que também ajudou muito como a limpeza na localidade e a instalação de banheiros químicos e de dois pequenos contêineres para recolher o lixo e outros dejetos dali. Wagner tem praticamente todos os seus familiares oriundos e nascidos na Ilha de Assunção. Todas as localidades próximas ao distrito de Calama são atendidas pelos serviços daquele distrito de Porto Velho, segundo nos informou o administrador Wagner. A festividade começou com os já famosos torneios de futebol tanto masculino como feminino. Mais de dez times no total. As meninas da comunidade de Ressaca ganharam a modalidade feminina, enquanto uma seleção de Calama com a Ilha de Assunção ganhou a modalidade masculina. Torcedores se confraternizando e ao mesmo tempo torcendo pelos seus times.

Depois dos torneios de futebol, tivemos a realização de bingos, leilão dos muitos presentes doados pelos fieis, celebração da missa na igrejinha do vilarejo e a já tradicional cerimônia da coroação da RAINHA e da PRINCESA daquele tradicional festejo. São Carlos e Vila de Papagaios participaram também com as suas encantadoras concorrentes. A vencedora foi uma linda jovem de 15 anos, filha da Ilha de Assunção mesmo. Incrível, a segurança deu o tom das brincadeiras. Nenhuma briga ou confusão foi verificada ali. E isso apesar da bebedeira. Famílias se confraternizando e mostrando para Porto Velho e para Rondônia o que é uma festa de verdade unindo tradição, esportes, religiosidade e muita diversão. Mas muita diversão mesmo! O festejo de São Sebastião da Ilha de Assunção todo ano dá um baile na capital Porto Velho, que pode até ter o seu santo padroeiro, mas não tem a festa. Pior: quase ninguém sabe quem é o padroeiro da capital de Rondônia nem onde é realizada a festa. Não é incrível? Ilha de Assunção, e não a capital do Estado, mostra tradição de verdade. No próximo ano tem mais. E que seja assim para sempre! Será que o prefeito da capital, os vereadores ou outras autoridades do Estado sabem da existência de tanta tradição assim num interior tão pobre e esquecido? Talvez não, pois nunca aparecem por lá. Uma festa tradicionalíssima que nunca mudou de data.

 

 

 

*Professor Nazareno com colaboradores

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