O
melhor prefeito na pior capital
Professor
Nazareno*
O
desconhecidíssimo Instituto Veritá da cidade de Uberlândia em Minhas Gerais
divulgou uma recente pesquisa dizendo que Leonardo Barreto é o prefeito de uma
capital mais bem avaliado no Brasil. Segundo essa sondagem, ele obteve o
incrível registro de 94,5 % de aprovação. Algo inédito que nem Idi Amin em
Uganda nem Saddam Hussein no Iraque conseguiam em seus áureos tempos
administrando seus países. Levando-se em
consideração que essa pesquisa ouviu mais de 100 mil pessoas nas capitais
brasileiras, e que a margem de erro varia entre 2% e 3%, para mais ou
para menos, Barreto poderia estar marcando 97,5% de aprovação popular
beirando aí os quase 100%. E se “toda unanimidade não fosse burra”,
certamente ele teria cravado essa inalcançável marca. Próximo a isso só o
ex-prefeito Hildon Chaves, que chegou a mais de 90% de aprovação.
Não
se sabe que diabos de perguntas foram feitas a essas pessoas entrevistadas para
que elas dessem tantas respostas tão alvissareiras, esperançosas e quase
unânimes de aprovação ao atual prefeito. Parece até que elas não residem nessa
“currutela fedida”, apontada pelo ITB, Instituto Trata Brasil,
como a pior cidade para se viver dentre as 27 capitais do país. Porto Velho, a
eterna capital de Roraima, é uma cidade fedorenta, sem árvores, escura,
violenta, sem praças, sem planejamento urbano nenhum e repleta de gente direitista,
pobre e miserável. Muita gente sabe que sujeira, lixo, catinga, lodo, carniça, fedentina, bosta, esgoto a céu
aberto e imundície é o que não faltam por aqui. Barreto, após dançar numa poça
de água podre, se elegeu prometendo acabar com as alagações. Depois de um ano à
frente da administração, ele não fez um centímetro de rede de esgotos.
E pelo que se sabe,
também não aumentou em nada a oferta de água tratada para os seus eleitores e puxa-sacos.
Aqui todos nós continuamos a beber “água de bosta” como
muito bem disse aquela ex-candidata à prefeitura. A coleta de lixo ultimamente
virou um caos. Ratos e urubus infestam a cidade em todos os seus sujos
recantos. Ainda bem que Leonardo Barreto não prometeu amar, beijar e
acariciar a cidade como disse um outro prefeito. Mas hoje não pode nem pintar
um meio-fio ou cortar uma grama que já vai fazer o show nas redes
sociais. Além do mais, ele trouxe Joelma, que cantou no aniversário da cidade e
um tal de Thierry (que levou uma facada da Rita) e também fez
nevar na cidade das alagações e da falta de esgotos e de saneamento básico. O
povo de Porto Velho precisa de neve, muita neve mesmo. Como alguém
responderá a uma pesquisa se não está feliz?
A
área mais bem avaliada na decadente cidade foi o transporte público, e o melhor
serviço foi a sinalização de trânsito e semáforo. Já a pior área é saneamento básico
e meio ambiente, e o pior serviço foi a coleta e o tratamento de esgoto. Tudo
mentira, pois a mobilidade urbana é algo totalmente inexistente nesta cidade. Aqui
não se veem ônibus decentes circulando em meio a mototáxis e outros
alternativos. A cidade está sem porto no rio Madeira e por aqui ainda temos as
passagens aéreas mais caras e raras do Brasil. A chuva do sábado, dia 10 de
janeiro último, desbancou Leonardo Barreto e seus lacaios. O preço do IPTU não
para de subir. Porto Velho tem o pior IDH dentre as capitais e tem o mais baixo
IPS, Índice de Progresso Social, do Brasil já faz tempo. Ter o melhor prefeito
e ser a pior capital é uma desgraça. Muitos gostariam de ter o pior prefeito e morar na melhor capital. Mas a extrema-direita local, a maior do Brasil,
finge não ver nada errado.
*Foi
Professor em Porto Velho.

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