quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Trocar voto por dentadura

Trocar voto por dentadura

 

Professor Nazareno*

 

            O ditador João Batista Figueiredo, ex-presidente do Brasil, disse certa vez que o brasileiro comum não sabia votar. Não sei se ele estava certo ou errado, pois sendo um preposto da infame Ditadura Militar que governou o nosso país durante quase 21 anos e que não teve um voto sequer de nós brasileiros, ele não tinha nenhuma competência, autoridade e nem nenhum conhecimento científico para opinar sobre o que não conhecia. Mas suas grossas palavras e o seu vocabulário ignorante e estúpido ecoam até hoje e nos trazem alguns incômodos. Por falta de leitura de mundo e de conhecimentos ínfimos sobre Política, Sociologia e mesmo Filosofia, a maioria dos eleitores brasileiros ainda “hesita”, quase meio século depois, para escolher seus representantes nas urnas e no voto livre e democrático. Em vez de uma terceira via, insiste-se em ter só direita e esquerda no país.

            É óbvio que eu jamais trocaria o meu voto por dinheiro ou por qualquer outra coisa. Isso é crime e em nada ajudaria o processo democrático. Mas juro que até poderia cometer essa contravenção se o sujeito não só me prometesse, mas trabalhasse seriamente para construir um hospital de pronto-socorro em Porto Velho. Podia até ser um “Built to Suit” daquele que o atual governador Marcos Rocha prometeu e não fez. Aliás, só o Marcos Rocha, não! Praticamente todos os governadores de Rondônia nas últimas quatro décadas têm enganado o povo pobre daqui com essa promessa fajuta. Os poucos ricos têm bons planos de saúde e assim evitam ir ao eterno “açougue” da zona sul da capital. Mas aquele “campo de extermínio de pobres” continua lá de pé como numa homenagem macabra aos maus políticos. Pelo visto ainda vou continuar banguela por um bom tempo.

            Trocaria o meu voto também pela extinção total de todos os pedágios abusivos da BR-364. Já pensou o “Free Flow” ser banido para sempre da nossa BR? Se eu fizesse isso, receberia uma punição, mas ficaria satisfeito vendo que os preços não iriam mais aumentar de forma abusiva em todo esse Estado já tão castigado pela exploração alheia. Um exemplo: Rondônia tem quase 18 milhões de cabeças de gado para pouco mais de 1,7 milhão de habitantes, mas o preço da carne bovina aqui é estratosférico. A picanha do Lula nunca chegou em terra karipuna. O pior é que em Rondônia se faz de tudo para presentear só quem é de fora. Como não trocar o seu sagrado voto por um bom porto rampeado no rio Madeira? Pegar um barco no Cai N’Água é uma vergonha. E ninguém faz nada para resolver o problema. Uma hidrelétrica até que tentou isso. Mas deu em nada.

Ora, se todo poder emana do povo e se eu sou povo, assumo cometer um crime eleitoral e dessa forma trocaria meu voto por benfeitorias para o lugar onde moro, já que nenhum político daqui nunca fez nada por este rincão longe, atrasado e direitista. O TRE e o TSE que me perdoem, mas tenho coragem de negociar meu sufrágio por melhores condições para a “Capital de Roraima”. Não consigo mais viver sem ter uma rede de esgotos, sem saneamento básico e sem água tratada. Não gosto de beber bosta para matar minha sede. Viver num lugar que se diz uma capital, mas sem a menor qualidade de vida, sem mobilidade urbana, violenta e sem arborização é um castigo muito doloroso. O verão está para chegar e a fumaça criminosa das queimadas vai continuar? Se o governo Lula tivesse um programa “Minha Dentadura, Minha Vida” eu juro que escolheria uma dessas muitas “capivaras” e lhe propunha trocar meu voto. Vender, jamais. Sou honesto!

 

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

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