Trocar
voto por dentadura
Professor
Nazareno*
O
ditador João Batista Figueiredo, ex-presidente do Brasil, disse certa vez que o
brasileiro comum não sabia votar. Não sei se ele estava certo ou errado, pois
sendo um preposto da infame Ditadura Militar que governou o nosso
país durante quase 21 anos e que não teve um voto sequer de nós brasileiros, ele
não tinha nenhuma competência, autoridade e nem nenhum conhecimento científico
para opinar sobre o que não conhecia. Mas suas grossas palavras e o seu
vocabulário ignorante e estúpido ecoam até hoje e nos trazem alguns incômodos.
Por falta de leitura de mundo e de conhecimentos ínfimos sobre Política, Sociologia
e mesmo Filosofia, a maioria dos eleitores brasileiros ainda “hesita”,
quase meio século depois, para escolher seus representantes nas urnas e no voto
livre e democrático. Em vez de uma terceira via, insiste-se em ter só direita
e esquerda no país.
É
óbvio que eu jamais trocaria o meu voto por dinheiro ou por qualquer outra
coisa. Isso é crime e em nada ajudaria o processo democrático. Mas juro que até
poderia cometer essa contravenção se o sujeito não só me prometesse, mas
trabalhasse seriamente para construir um hospital de pronto-socorro em Porto
Velho. Podia até ser um “Built to Suit” daquele que o
atual governador Marcos Rocha prometeu e não fez. Aliás, só o Marcos Rocha,
não! Praticamente todos os governadores de Rondônia nas últimas quatro décadas
têm enganado o povo pobre daqui com essa promessa fajuta. Os poucos ricos têm
bons planos de saúde e assim evitam ir ao eterno “açougue”
da zona sul da capital. Mas aquele “campo de extermínio de pobres”
continua lá de pé como numa homenagem macabra aos maus políticos. Pelo visto
ainda vou continuar banguela por um bom tempo.
Trocaria
o meu voto também pela extinção total de todos os pedágios abusivos da BR-364.
Já pensou o “Free Flow” ser banido para sempre da nossa BR?
Se eu fizesse isso, receberia uma punição, mas ficaria satisfeito vendo que os
preços não iriam mais aumentar de forma abusiva em todo esse Estado já tão
castigado pela exploração alheia. Um exemplo: Rondônia tem quase 18 milhões de
cabeças de gado para pouco mais de 1,7 milhão de habitantes, mas o preço da
carne bovina aqui é estratosférico. A picanha do Lula nunca chegou em
terra karipuna. O pior é que em Rondônia se faz de tudo para presentear
só quem é de fora. Como não trocar o seu sagrado voto por um bom porto rampeado
no rio Madeira? Pegar um barco no Cai N’Água é uma vergonha. E ninguém faz nada
para resolver o problema. Uma hidrelétrica até que tentou isso. Mas deu em
nada.
Ora, se todo poder
emana do povo e se eu sou povo, assumo cometer um crime eleitoral e dessa forma
trocaria meu voto por benfeitorias para o lugar onde moro, já que nenhum
político daqui nunca fez nada por este rincão longe, atrasado e direitista. O
TRE e o TSE que me perdoem, mas tenho coragem de negociar meu sufrágio por
melhores condições para a “Capital de Roraima”. Não
consigo mais viver sem ter uma rede de esgotos, sem saneamento básico e sem
água tratada. Não gosto de beber bosta para matar minha sede.
Viver num lugar que se diz uma capital, mas sem a menor qualidade de vida, sem
mobilidade urbana, violenta e sem arborização é um castigo muito doloroso. O
verão está para chegar e a fumaça criminosa das queimadas vai continuar? Se o
governo Lula tivesse um programa “Minha Dentadura, Minha Vida”
eu juro que escolheria uma dessas muitas “capivaras” e lhe
propunha trocar meu voto. Vender, jamais. Sou honesto!
*Foi Professor em Porto
Velho.

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