Professor Nazareno*
Pela Copa do Mundo de futebol, a Noruega enfrentará o Brasil pelas oitavas de final no próximo domingo, dia 5 de julho. No “esporte das multidões”, a peleja parece estar meio empatada hoje entre os dois países. Porém, um universo de diferenças sociais e políticas, principalmente, separa as duas nações. Levando-se em conta essa perspectiva, a Noruega não deveria perder esse jogo para o Brasil. E devia ser por isso mesmo que os brasileiros mais conscientes e politizados deviam torcer pelos europeus. Com um time ligeiramente superior ao nosso, os escandinavos esbanjam qualidade de vida, consciência política, desenvolvimento social e muita civilidade dentro de sua sociedade. Coisas impensáveis no Brasil. A Noruega é um pouco maior do que o Estado de Goiás e tem uma população de quase seis milhões de pessoas. É hoje o segundo país com a melhor qualidade de vida no mundo, atrás só da Suíça.
Será uma grande injustiça se o Brasil vencer a Noruega de Erling Haaland. Uma grande injustiça para o povo norueguês. Enquanto isso, o Brasil é uma porcaria só como nação desenvolvida e civilizada. A Noruega é um reino que tem na democracia e na qualidade de vida de sua população o maior objetivo de seu governo. Lá, por exemplo, a educação é de excelente qualidade. Não existem escolas particulares e a maioria dos seus habitantes conseguem, sem nenhum problema, se expressar em vários idiomas como o Inglês, o Alemão, o Sueco e até o Espanhol. No Brasil a maioria dos seus habitantes mal fala o Português. Os noruegueses já abriram mão duas vezes de participar da poderosa União Europeia. Sua moeda é a Coroa norueguesa, que vale até menos do que o Real brasileiro. Mas não há inflação por lá. Toda a produção de petróleo deles é colocada em benefício do povo.
Na Noruega não há violência. Oslo, a linda capital do país, tem um sistema de metrô e de mobilidade urbana impecáveis. Porto Velho, por exemplo, é um lixo se comparada àquela cidade futurística. Com cem por cento de água tratada e de saneamento básico, a capital norueguesa é um exemplo para o mundo. O prefeito da cidade ganha pouco mais do que 30 por cento do menor salário do país. Assim como todos os políticos de lá, incluindo o primeiro-ministro. Um juiz norueguês ganha a mesma coisa que um professor primário. O filho do chefe de governo estuda em uma escola pública, assim como todos os filhos do povo da Noruega. Deve ser esqusito ver o filho do pedreiro e do motorista de ônibus frequentarem a mesma escola em que o filho do chanceler e de outros políticos poderosos estudam. Desigualdade social é uma desgraça que os noruegues não conhecem. Aquilo é um paraíso!
Tenho certeza de que naquele país escandinavo ninguém saqueia uma carga se uma carreta tombar na estrada. Nunca ouvi falar em bolsa-família, bolsa-gás ou outra esmola. O povo norueuguês não reza para pneu nem bebe detergente. Entre eles não existem “açougues” que fazem a vez de hospital público como na capital rondoniense. Não existem vereadores nas cidades e nem nenhuma Assembleia Legislativa para roubar o dinheiro do povo. Escândalos políticos inexistem naquele Éden. Não é um encanto viver num lugar desse? Isso sem falar que todas as cidades do país são limpas, habitáveis e organizadas. O voto é universal e não é obrigatório entre os cidadãos. Apesar de ser um Reino, a democracia na Noruega é exercida em sua plenitude. Por tudo isso, não tenho a menor coragem de torcer pelo Brasil no jogo do próximo domingo. Já estou até tentando aprender a pronúncia certa do nome de vários jogadores vikings: Haaland, Nyland, Heggen, Falchener. Roooooo, Norge!
*Foi Professor em Porto Velho.
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