O
‘ovo da serpente’ vai chocar?
Professor
Nazareno*
Nimbos
ameaçadores se concentram no firmamento. É quase certo de que haverá fortes
precipitações pluviométricas em breve. As perspectivas atuais são sombrias e
assustadoras. O medo está estampado em grande parte das pessoas, principalmente
naquelas mais esclarecidas, enquanto as de menor leitura de mundo e de conhecimentos
ainda estão cegas e inebriadas por ideias ultrapassadas e retrógradas do “grande
imbecil”. Parece ser a repetição da História. Em 1923, por exemplo,
o austríaco Adolf Hitler tentou também um fracassado golpe de Estado na
Alemanha. Condenado e preso, passou apenas nove meses na cadeia,
de onde saiu para liderar, de forma democrática, o poder em todo o país e usando
para isso a democracia com o objetivo de propagar o ódio, as mentiras e
principalmente as narrativas próprias bem articuladas para enganar todo o
povo alemão.
Hitler
era da extrema-direita, por isso odiava os comunistas e os socialistas.
Tanto é que na Operação Barbarossa invadiu, sem nenhuma declaração formal de guerra,
a extinta União Soviética. Como semear o ódio a um povo sem nomeá-lo? Os judeus
foram perseguidos sem trégua e, pouco depois, tiveram todos seus bens
confiscados e depois foram mandados para campos de extermínios espalhados por
toda a Europa. Seis milhões foram perseguidos, exilados, dizimados e mortos.
Além disso, ciganos e muitas outras minorias que não se encaixassem na “raça
pura ariana”, defendida pelos monstros nazistas, foram simplesmente
aniquiladas e mortas. Se o “ovo da serpente” chocar e se
reproduzir, qual será o destino dos esquerdistas que muitos de nós conhecemos?
Ora, a antológica frase “às favas com a democracia” já foi
pronunciada tempos atrás no Brasil.
Muitas
dessas nuvens escuras do obscurantismo assassino e cruel trazem alguma vingança
e um certo “acerto de contas” que em nada ajudarão a pacificar o país. O
8 de janeiro de 2023 não foi uma tentativa de golpe de Estado. Foi apenas uma
manifestação pacífica que só tinha “velhinhas usando a Bíblia nas mãos”,
falou-se. Essa narrativa absurda e mentirosa, como as de Hitler, mistura “alhos
com bugalhos” e coloca erroneamente num mesmo patamar os que defenderam
a democracia e os que hoje defendem uma ditadura insana, criminosa, vingativa e
assassina. O esquecimento da História, proposital ou não, nivela todos ao mais
rasteiro dos níveis. Prioridades institucionais polêmicas, propostas de
mudanças na Constituição, cassação de alguns ministros do STF e
governar sem oposição é o receio em caso de a serpente chocar o ovo.
As
mentiras, as narrativas próprias, a vingança, o ódio, o preconceito, a
misoginia, o racismo, a homofobia, o exílio, a certeza de que se tem a verdade
absoluta, a censura e a intolerância levaram a Alemanha nazista a se colocar
praticamente contra todo o mundo dito civilizado e culminaram com a Segunda Guerra
Mundial, onde entre 70 e 85 milhões de pessoas perderam a vida. Com
todas as inconsistências e erros que tem, a democracia ainda é o regime
político mais aceito e lutar pela igualdade, pela autodeterminação dos povos e
pela paz é a coisa mais civilizada que ainda temos. Bons tempos eram aqueles em
que “perder uma eleição numa democracia era algo normal”. Hoje o
perigo é “perder a democracia em uma eleição”. Lutar para
destruir todos os ninhos de serpentes venenosas e os ovos do mal é dever
de quem acredita nos princípios do Cristianismo. E só temos poucos dias
para nos salvar.
*Foi Professor em Porto
Velho.

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