Por
que Flávio foi derrotado?
Professor
Nazareno*
Flávio
Bolsonaro, da extrema-direita, filho de Jair
Bolsonaro, foi sumariamente derrotado por Lula e o PT no segundo turno das
eleições para presidente da República em 2026 depois de ter ficado à frente nos
resultados do primeiro turno com uma diferença de mais de dois milhões de
votos. Desde a redemocratização do país, nunca um candidato que “ganhou”
no primeiro turno foi derrotado no turno seguinte. Mas o que foi que aconteceu
para que Lula disparasse em tão pouco tempo rumo a mais uma vitória da
esquerda? O que foi que aconteceu de tão inusitado para que um candidato
favorito sofresse uma humilhante e vexatória derrota nas urnas? Um provérbio
africano diz que “não se deve xingar a mãe do crocodilo antes de
atravessar o rio”. O clima de já ganhou, o excesso de otimismo, e
outros fatores, podem ter prejudicado, e muito, os reacionários.
A extrema-direita no
primeiro turno fez “barba, cabelo e bigode”, pois elegeu
com folga vários governadores, senadores e muitos deputados federais e isso deu
a falsa impressão de “outra lavada” no segundo turno com uma vitória
esmagadora e humilhante sobre Lula. O que os conservadores não levaram em
consideração foi a alta abstenção de mais de 33 milhões de eleitores na votação
do dia 4 de outubro. Em quem essa parcela do eleitorado teria votado? Por que
eles não foram às urnas? Some-se a isso, a arrogância dos vencedores, que foram
picados pela mosca azul, ou seja, muitos dos eleitos foram tomados
por um desejo súbito, desmedido e ilusório de poder, de ambição e de status. O
poder total rapidamente lhes subiu à cabeça e a partir daí começaram os
disparates, as humilhações, a arrogância, barbaridades, desumanidades e também as
monstruosidades.
De peito estufado
e com “a cara de quem come feijão e arrota filé”, muitos dos
novos eleitos desfilaram sandices e até crueldades durante a campanha para o
segundo turno. Nikolas Ferreira, chamado de “chupetinha”,
e deputado federal mais votado do Brasil com mais de três milhões de votos, foi
ao Nordeste e gravou vídeos com famílias inteiras para ajudar o seu candidato
Flávio Bolsonaro. Foi acusado de fazer encenação e teatro. Já Lucas
Pavanato deputado federal eleito por São Paulo disse em entrevistas que
“ia colocar as minorias no seu devido lugar”. Eduarda
Campopiano, eleita deputada estadual com quase dois milhões de votos,
também em São Paulo, “se achava a cereja do bolo” quando dava
entrevistas para dizer que feminicídio não existe e que “a
mulher tem que obedecer quando o seu marido lhe mandar para a cozinha”.
Um absurdo, um acinte.
Júlia
Zanatta, que usa uma tiara de flores e deputada
federal reeleita pelo PL de Santa Catarina, ficou chicoteando o chão em um
vídeo mais do que grosseiro. Daniella Marques, apelidada nas
redes socais de “boca de sacola”, cotada para ser a futura ministra da
Economia de Flávio, deu várias entrevistas assustando os aposentados, os
funcionários públicos e ameaçando demitir multidões e substituindo-os pela
Inteligência Artificial. E o homem negro acorrentado sendo puxado por um
bolsonarista no Rio de Janeiro? Além do mais, a performance de Flávio Bolsonaro
no último debate da Globo, quando tentou humilhar Lula por causa da idade e da
deficiência, pegou muito mal. Sofia Andrade (PL-RO), em cima de
um carro de som, provocou e até humilhou transeuntes simples no meio da rua em
Porto Velho. Foi uma cena hilária e até chocante. Tudo isso meteu
medo no eleitor que se absteve. E a resposta veio nas urnas. Bolsonaro
nunca mais!
*Foi Professor em Porto
Velho.

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