sábado, 31 de outubro de 2026

Por que Flávio foi derrotado?

Por que Flávio foi derrotado?

 

Professor Nazareno*

 

Flávio Bolsonaro, da extrema-direita, filho de Jair Bolsonaro, foi sumariamente derrotado por Lula e o PT no segundo turno das eleições para presidente da República em 2026 depois de ter ficado à frente nos resultados do primeiro turno com uma diferença de mais de dois milhões de votos. Desde a redemocratização do país, nunca um candidato que “ganhou” no primeiro turno foi derrotado no turno seguinte. Mas o que foi que aconteceu para que Lula disparasse em tão pouco tempo rumo a mais uma vitória da esquerda? O que foi que aconteceu de tão inusitado para que um candidato favorito sofresse uma humilhante e vexatória derrota nas urnas? Um provérbio africano diz que “não se deve xingar a mãe do crocodilo antes de atravessar o rio”. O clima de já ganhou, o excesso de otimismo, e outros fatores, podem ter prejudicado, e muito, os reacionários.

A extrema-direita no primeiro turno fez “barba, cabelo e bigode”, pois elegeu com folga vários governadores, senadores e muitos deputados federais e isso deu a falsa impressão de “outra lavada” no segundo turno com uma vitória esmagadora e humilhante sobre Lula. O que os conservadores não levaram em consideração foi a alta abstenção de mais de 33 milhões de eleitores na votação do dia 4 de outubro. Em quem essa parcela do eleitorado teria votado? Por que eles não foram às urnas? Some-se a isso, a arrogância dos vencedores, que foram picados pela mosca azul, ou seja, muitos dos eleitos foram tomados por um desejo súbito, desmedido e ilusório de poder, de ambição e de status. O poder total rapidamente lhes subiu à cabeça e a partir daí começaram os disparates, as humilhações, a arrogância, barbaridades, desumanidades e também as monstruosidades.

De peito estufado e com “a cara de quem come feijão e arrota filé”, muitos dos novos eleitos desfilaram sandices e até crueldades durante a campanha para o segundo turno. Nikolas Ferreira, chamado de “chupetinha”, e deputado federal mais votado do Brasil com mais de três milhões de votos, foi ao Nordeste e gravou vídeos com famílias inteiras para ajudar o seu candidato Flávio Bolsonaro. Foi acusado de fazer encenação e teatro. Já Lucas Pavanato deputado federal eleito por São Paulo disse em entrevistas que “ia colocar as minorias no seu devido lugar”. Eduarda Campopiano, eleita deputada estadual com quase dois milhões de votos, também em São Paulo, “se achava a cereja do bolo” quando dava entrevistas para dizer que feminicídio não existe e que “a mulher tem que obedecer quando o seu marido lhe mandar para a cozinha”. Um absurdo, um acinte.

Júlia Zanatta, que usa uma tiara de flores e deputada federal reeleita pelo PL de Santa Catarina, ficou chicoteando o chão em um vídeo mais do que grosseiro. Daniella Marques, apelidada nas redes socais de “boca de sacola”, cotada para ser a futura ministra da Economia de Flávio, deu várias entrevistas assustando os aposentados, os funcionários públicos e ameaçando demitir multidões e substituindo-os pela Inteligência Artificial. E o homem negro acorrentado sendo puxado por um bolsonarista no Rio de Janeiro? Além do mais, a performance de Flávio Bolsonaro no último debate da Globo, quando tentou humilhar Lula por causa da idade e da deficiência, pegou muito mal. Sofia Andrade (PL-RO), em cima de um carro de som, provocou e até humilhou transeuntes simples no meio da rua em Porto Velho. Foi uma cena hilária e até chocante. Tudo isso meteu medo no eleitor que se absteve. E a resposta veio nas urnas. Bolsonaro nunca mais!

 

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

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