Perdão,
Brasil! Votei no Lula
Professor
Nazareno*
Por
incrível que possa parecer, eu não sou petista, não sou da esquerda e muito
menos admiro o Lula, o atual e próximo presidente reeleito do Brasil. Parabéns
para todos os petistas, parabéns para o Lula e parabéns para a esquerda,
tetracampeã brasileira. Não gosto do PT muito menos do Lula e entendo que “da
forma como tem governado o nosso país” a pobreza e a miséria
dificilmente vão desaparecer. Mas não havia outro jeito neste domingo, dia 26
de outubro de 2026: era votar no satanás ou na mãe dele. Tive que escolher o
menos ruim nessa disputa absurda assim como outros mais de 64 milhões de
cidadãos brasileiros. Digitei o 13 na urna, mas não votei no Lula.
Votei na derrocada dessa família de víboras venenosas que nos queria tomar o
poder à força. Votei pela nossa soberania nacional e disse um não
rotundo ao entreguismo absurdo a forças estrangeiras.
Quando
vi a foto do “sapo barbudo” na urna tive vontade de vomitar e saí dali
engulhando e passando mal. Chegando em casa, tive que tomar remédios para
enjoos. Diante do espelho dei uma boa esculhambação em mim mesmo: “professor
idiota, como pôde ter feito uma merda desta? Como pode ter votado, de novo, num
candidato acusado de corrupção por vários anos seguidos? Irado, dei-me um soco
bem na boca do estômago e quase desmaio”. Sei que durante muito tempo
eu não vou me perdoar, mas quando sei que a bosta que fiz serviu mais uma vez
para me vingar das mais de 710 mil mortes pela Covid-19 e pelo negacionismo
criminoso dos terraplanistas idiotas, fiquei mais conformado. Ainda assim,
como castigo, passarei uns dias sem me olhar no espelho. O que fiz, votar
no Lula, não tem perdão. Mas como votar em um Bolsonaro?
Espero
que com esta vitória maiúscula da esquerda, o espírito do “grande imbecil”
desapareça para sempre do nosso meio. O mundo moderno não quer mais fascismo. Não
quer mais golpes de Estado e nem ditaduras. O Brasil não merece ter essa
maldita família de víboras tramando contra o nosso agronegócio. Espero que essa
vitória do Lula salve a democracia brasileira por muitos anos. Votei no
Lula por que não podíamos perder a democracia em uma simples eleição.
Sei que a oitava economia do mundo não pode mais conviver com miséria e
subdesenvolvimento. As terras raras são nossas! O Brasil é soberano e é o dono
legítimo de todos os seus recursos. Nada de intervenções estrangeiras contra o
nosso povo. Enfim, “esse país não pode ser quintal de ninguém”.
Votei no Lula por que entendo que teremos uma nação respeitada no conturbado
cenário internacional.
Mas
como já disse antes: foi uma vitória de Pirro. Lula ganhou, mas
dificilmente vai governar bem com um Congresso Nacional conservador, hostil e inimigo
na sua cola. Lula disse que vai governar para os 215 milhões de cidadãos, mas
terá uma oposição forte, aguerrida e brava que teve mais de 59 milhões de
votos. E é bom que ela faça uma oposição séria e responsável. E isso é bom para
a democracia que tanto nós defendemos. Um recado bem sutil: “senhores
bolsonaristas, aceitem a derrota que dói menos e não tentem dar outro
golpe de Estado nem tentem acampar em frente aos quartéis das Forças Armadas
como fizeram da outra vez”. O STF e a nossa democracia já demonstraram
que isso tem um preço: a cadeia ou o autoexílio. Muito a contragosto fui
obrigado a votar no Lula, mas nunca mais farei isso de novo. Aprendi uma lição
importante: não se deve xingar a mãe do crocodilo antes de atravessar o rio. Será
que o Brasil vai me perdoar?
*Foi Professor em Porto
Velho.

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