domingo, 25 de outubro de 2026

Perdão, Brasil! Votei no Lula

Perdão, Brasil! Votei no Lula

 

Professor Nazareno*

 

            Por incrível que possa parecer, eu não sou petista, não sou da esquerda e muito menos admiro o Lula, o atual e próximo presidente reeleito do Brasil. Parabéns para todos os petistas, parabéns para o Lula e parabéns para a esquerda, tetracampeã brasileira. Não gosto do PT muito menos do Lula e entendo que “da forma como tem governado o nosso país” a pobreza e a miséria dificilmente vão desaparecer. Mas não havia outro jeito neste domingo, dia 26 de outubro de 2026: era votar no satanás ou na mãe dele. Tive que escolher o menos ruim nessa disputa absurda assim como outros mais de 64 milhões de cidadãos brasileiros. Digitei o 13 na urna, mas não votei no Lula. Votei na derrocada dessa família de víboras venenosas que nos queria tomar o poder à força. Votei pela nossa soberania nacional e disse um não rotundo ao entreguismo absurdo a forças estrangeiras.

            Quando vi a foto do “sapo barbudo” na urna tive vontade de vomitar e saí dali engulhando e passando mal. Chegando em casa, tive que tomar remédios para enjoos. Diante do espelho dei uma boa esculhambação em mim mesmo: “professor idiota, como pôde ter feito uma merda desta? Como pode ter votado, de novo, num candidato acusado de corrupção por vários anos seguidos? Irado, dei-me um soco bem na boca do estômago e quase desmaio”. Sei que durante muito tempo eu não vou me perdoar, mas quando sei que a bosta que fiz serviu mais uma vez para me vingar das mais de 710 mil mortes pela Covid-19 e pelo negacionismo criminoso dos terraplanistas idiotas, fiquei mais conformado. Ainda assim, como castigo, passarei uns dias sem me olhar no espelho. O que fiz, votar no Lula, não tem perdão. Mas como votar em um Bolsonaro?

            Espero que com esta vitória maiúscula da esquerda, o espírito do “grande imbecil” desapareça para sempre do nosso meio. O mundo moderno não quer mais fascismo. Não quer mais golpes de Estado e nem ditaduras. O Brasil não merece ter essa maldita família de víboras tramando contra o nosso agronegócio. Espero que essa vitória do Lula salve a democracia brasileira por muitos anos. Votei no Lula por que não podíamos perder a democracia em uma simples eleição. Sei que a oitava economia do mundo não pode mais conviver com miséria e subdesenvolvimento. As terras raras são nossas! O Brasil é soberano e é o dono legítimo de todos os seus recursos. Nada de intervenções estrangeiras contra o nosso povo. Enfim, “esse país não pode ser quintal de ninguém”. Votei no Lula por que entendo que teremos uma nação respeitada no conturbado cenário internacional.

            Mas como já disse antes: foi uma vitória de Pirro. Lula ganhou, mas dificilmente vai governar bem com um Congresso Nacional conservador, hostil e inimigo na sua cola. Lula disse que vai governar para os 215 milhões de cidadãos, mas terá uma oposição forte, aguerrida e brava que teve mais de 59 milhões de votos. E é bom que ela faça uma oposição séria e responsável. E isso é bom para a democracia que tanto nós defendemos. Um recado bem sutil: “senhores bolsonaristas, aceitem a derrota que dói menos e não tentem dar outro golpe de Estado nem tentem acampar em frente aos quartéis das Forças Armadas como fizeram da outra vez”. O STF e a nossa democracia já demonstraram que isso tem um preço: a cadeia ou o autoexílio. Muito a contragosto fui obrigado a votar no Lula, mas nunca mais farei isso de novo. Aprendi uma lição importante: não se deve xingar a mãe do crocodilo antes de atravessar o rio. Será que o Brasil vai me perdoar?

 

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

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