quarta-feira, 30 de agosto de 2023

O “lendário” rio das Dragas

O “lendário” rio das Dragas

 

Professor Nazareno*

 

            O rio Madeira banha Porto Velho, a currutela fedida, capital de Roraima. Nasce na cordilheira dos Andes e é totalmente formado pelas águas dos rios Madre de Dios do Peru e do rio Beni em território da Bolívia. O décimo oitavo maior rio do mundo recebe este nome já em terras brasileiras depois que recebe o rio Mamoré na localidade de Vila Murtinho no município de Nova Mamoré. Mas o majestoso rio Madeira já se acabou. Está praticamente extinto. Seu nome era rio das Madeiras por causa da grande quantidade de troncos de árvores que as suas águas derrubavam nas margens e depois carregavam. Até o final do século passado era possível ver troncos e mais troncos descerem boiando rio abaixo até a confluência com o outro gigante, o rio Amazonas. Hoje, não existem mais árvores em seu leito morto. O velho Madeira não é nem sombra do que fora tempos atrás.

            O outrora lendário rio não nasce mais nos Andes. Nasce a partir da hidrelétrica de Santo Antônio. Sua força gigantesca foi domada pela ambição do homem. É exatamente na hidrelétrica de Jirau que o Madeira morre. Já morto e totalmente esgotado chega a Porto Velho onde, domado e sem forças, depende da mão humana para continuar a sua triste saga em direção a sua foz. Repiquetes, enchentes e vazantes não dependem mais da natureza. Jirau e Santo Antônio mataram o maior símbolo de Rondônia e sequer seus habitantes têm hoje acesso a uma conta de energia mais barata. O estupro à natureza e a morte do rio foram em vão. Só beneficiou a quem é de fora do Estado. Mas o tiro de misericórdia mesmo no velho Madeira está sendo dado pelo garimpo ilegal em suas já contaminadas águas. O IBAMA diz que contou, num voo, mais de 400 dragas de garimpo.

            O sobrevoo foi apenas entre Porto Velho e o distrito de Nazaré no baixo Madeira. Mas deu para ver o triste massacre ambiental que o velho Madeira está sofrendo. Só em Rondônia, devem existir pelo menos umas mil dessas dragas jogando mercúrio todo dia em suas águas. E há espaço tranquilamente para mais umas quatro mil dragas ou até mais. Enquanto os órgãos de defesa do meio ambiente não fiscalizarem de fato nem proibirem esse garimpo criminoso, o número de dragas só vai aumentar. E quem sofre com esse absurdo é a natureza, o rio e consequentemente todos os habitantes expostos ao mortífero metal. A inoperância dos incontáveis órgãos públicos, que dizem defender o meio ambiente em plena região amazônica, é uma constante. A fumaça das criminosas queimadas invade ano após ano os céus da região. Nosso céu é sempre azul é uma mentira.

            E nem parece que a esquerda, Lula e o PT ganharam as últimas eleições. Na bolsonarista Rondônia da extrema-direita o que se vê é a destruição pura e simples do que ainda resta da natureza. Por isso, o rio Madeira, hoje “rio das Dragas”, padece sem chances de voltar a ser o que sempre foi com a sua exuberância. Nunca antes na História deste Estado se viu tanto abandono e tanta desgraça como agora. A cada ano que passa, os políticos daqui se superam em tantas maldades. Até os portadores de deficiência física sofrem. Rondônia hoje vive às moscas e totalmente isolada do resto do mundo. Até as empresas aéreas do país fugiram daqui como o diabo foge da cruz. E o pesadelo parece não ter mais fim, já que a classe política está “se lixando” para o caos. E a capital da isolada província padece com tanto horror. Hoje está sem hospital de pronto-socorro, sem esgotos, sem aeroporto, sem água potável, sem porto, sem rodoviária e agora sem seu rio.

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

domingo, 27 de agosto de 2023

Deviam fechar nosso aeroporto

Deviam fechar nosso aeroporto

 

Professor Nazareno*

 

            Por incrível que pareça, a velha e podre cidade de Porto Velho, capital de Roraima, tem um aeroporto. Só que pela frágil infraestrutura do lugar está mais para um campo de pouso velho, muito obsoleto e bem acabado. O acanhado Jorge Teixeira de Oliveira tem a pomposa alcunha de internacional, mas não faz sequer um voo para Guayaramerín na Bolívia. E a partir de agora também quase não fará mais voos para muitas outras cidades do Brasil. Aquelas mais ricas, civilizadas e desenvolvidas. Mesmo para Rio Branco, Manaus ou Cuiabá, capitais mais próximas, não haverá muitas possiblidades de se ir em um “asa dura” saindo daqui. As principais companhias aéreas do país, provavelmente diante da pouca procura em seus voos, simplesmente tiraram Rondônia do mapa do Brasil e isolaram ainda mais a já isolada, distante, quente, atrasada e insalubre capital karipuna.

            O aeroporto de Porto Velho devia ser fechado, já que não tem muita serventia para os seus raros e sofredores usuários. Localizado muito próximo ao centro da cidade, quase todos os voos têm necessariamente que sobrevoar o centro da capital. Pior é o Espaço Alternativo que é muito colado ao seu entorno. Num acidente de grandes proporções, por exemplo, qualquer ação de socorro às vítimas ficaria prejudicada por conta de uma pista de caminhada que permitiram que existisse muito próxima da área de pouso e decolagens. O aeroporto da “capital dos destemidos pioneiros” tinha que ser retirado dali e construído num local mais distante e mais seguro para todos. E o triste detalhe é que ainda tiveram o descaramento de privatizá-lo como se aquilo fosse algo que desse lucro para quem quer que seja. Hoje, os voos saindo da malfadada cidade e chegando a ela são muito escassos.

            Apesar do nome, Porto Velho também não tem porto. Há na beira do rio Madeira apenas um barranco sujo, fedido, cheio de lixo, escorregadio e insalubre onde muitos dos passageiros conseguem subir e descer sem se quebrarem todos. O porto rampeado que a Santo Antônio Energia deu à cidade só vive fechado e quase não tem uso operacional. É uma espécie de elefante branco que hoje praticamente para nada serve. A rodoviária é outra novela. Fala-se que uma nova está sendo construída ali na Avenida Jorge Teixeira e que será inaugurada somente durante as próximas eleições. Ônibus e barcos é a sina dos habitantes porto-velhenses que se meterem a viajar para fora do Estado. Férias só devem ser tiradas por aqui mesmo na quentura e na sujeira da cidade esquecida. Com pouca ou nenhuma qualidade de vida, quase ninguém se arrisca a visitar a cidade latrina do Brasil.

            A classe política local, incompetente e inoperante, nada fez nem fará para resolver o caos. Dessa forma, vamos continuar isolados do resto do país e também do mundo civilizado por muito tempo ainda. Para se ter uma ideia, Manaus recentemente aumentou em mais dois voos por semana que ligam a capital amazonense ao Rio de Janeiro. Visando trazer mais turistas da Europa para visitar a capital manauara, no Estado vizinho houve até uma diminuição de ICMS para incentivar as companhias aéreas. A Verde disse que em Rondônia havia muitos processos judiciais contra a empresa e por isso diminuiu seus voos. Ou seja, os processos só acontecem por falta de cumprimento de regras por parte dessas mesmas empresas aéreas. Assim, Rondônia voltou ao tempo do Segundo Ciclo da Borracha, quando para se ir à capital do país, tinha-se que ir primeiro a Manaus de barco e de lá para o Rio de Janeiro. O bom é que somos obrigados a desfrutar as belezas daqui.

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

quarta-feira, 23 de agosto de 2023

A fumaça voltou, apesar do PT

A fumaça voltou, apesar do PT

 

Professor Nazareno*

 

            A vitória de Lula e do PT nas últimas eleições presidenciais deu uma tênue esperança aos defensores do meio ambiente de que a questão ambiental na Amazônia seria resolvida de uma vez por todas. As ações do atual governo com relação aos yanomamis aumentou ainda mais esse otimismo. Mas tudo não passou de “fogo de palha”. E há mais de 70 anos é assim. Em todo verão a ladainha é a mesma: cortinas de fumaça fecham aeroportos, entopem os hospitais com crianças e velhos e o caos se instala. A Amazônia arde de forma inclemente trazendo ainda mais preocupações para o planeta inteiro com relação às devastações na maior floresta equatorial do mundo. Em todos os governos, sejam eles democráticos ou ditaduras, de direita, de esquerda ou até da extrema-direita, no verão amazônico o fogo e a fumaça se repetem e trazem problemas na região.

Isso sem que haja qualquer combate efetivo aos incendiários. Jair Bolsonaro foi acusado de não ter muitas preocupações com o meio ambiente. O que foi uma verdade absoluta. Falou-se até que no ano de 2019, início do seu desastrado governo, os incêndios na Amazônia alarmaram o mundo. Outra verdade. Mas com o governo petista tudo iria ser resolvido. Mas não foi! Porto Velho, por exemplo, amanheceu esta semana coberta de fumaça e de fuligem num ambiente em que as temperaturas dispararam. Em alguns pontos da cidade os termômetros chegaram perto dos 40 graus à sombra com sensação térmica de quase 45 graus. Os atuais incêndios no Havaí e no Canadá e o forte calor na Europa parecem fichinha diante de tanta quentura na “capital dos destemidos pioneiros”. Isso sem falar que não chove por aqui há quase três meses. Sujeira, lixo, carniça e muito calor.

Vivendo tranquilamente com os seus luxuosos aparelhos de ar condicionado e em casas devidamente climatizadas, a classe política local está pouco se lixando para o meio ambiente e para o sofrimento do povo que vota neles em todas as eleições. Para completar a desgraça, o rio Madeira está repleto de balsas de garimpeiros, que jogam mercúrio no já contaminado curso de água. Durante um recente voo de reconhecimento, o IBAMA teria contado mais de 400 balsas no velho Madeira. O superintendente regional do órgão em Rondônia disse em entrevista que os garimpeiros desrespeitam o poder público e que medidas serão tomadas em breve.  Já com relação aos incendiários da floresta, até agora nenhum pio. Só que toda essa fumaça denuncia o marasmo do Estado para salvar o que ainda nos resta de florestas e de cobertura vegetal. Só falta mesmo chover merda por aqui!

O PT não resolve o problema da fumaça porque nunca teve competência para fazê-lo. Em todos os três governos petistas os incêndios nessa região sempre foram uma constante. É que esse partido parece ser apenas mais um lacaio nas mãos do establishment e da elite reacionária do país. Assim como foi Bolsonaro e todos os outros ex-presidentes. Logo, logo, poderemos ver alguns petistas já comendo nas mãos do agronegócio. Certamente o atual governo esquerdista vai ceder às pressões e vai liberar o asfalto da BR-319 decretando dessa forma o fim imediato de toda a rica floresta amazônica. E provavelmente será no governo do PT que vão explorar petróleo na sensível região da foz do rio Amazonas. Porém, a fumaça anual na Amazônia já tem um fim previsto: quando não existir mais nenhuma árvore, não haverá mais fogo nem fumaça. Vamos nos livrar da fuligem e vamos ganhar um deserto com uns 60 graus. Com IBAMA, Bozo, PT e tudo.

 

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

sábado, 19 de agosto de 2023

Bolsonaro aumentou a gasolina

Bolsonaro aumentou a gasolina

 

Professor Nazareno*

           

Durante os quatro anos em que esteve à frente da Presidência da República o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro só fez o mal para o Brasil e para todos os brasileiros. No comando da nação, ele não soube administrar corretamente a pandemia do coronavírus que, em grande parte por culpa do político, matou mais de 700 mil cidadãos. O “Mito” dos brasileiros foi uma desgraça só. E o pior é que a sua influência maligna continua até hoje infernizando a vida de todos nós. Dono de mais de 58 milhões de votos nas eleições presidenciais, quase que ele fatura a disputa. Perdeu por muito pouco. Porém, no primeiro turno seu partido fez “cabelo, barba e bigode” e derrotou o PT e as esquerdas. Bolsonaro elegeu vários senadores, governadores, deputados estaduais e federais. Hoje, a maioria eleita nos legislativos nacional e locais praticamente está nas mãos dele e de seus amigos.

Apesar de estar acossado pelo Judiciário no caso do roubo das joias sauditas do patrimônio nacional, ele ainda continua aprontando das suas. Há fortes indícios de que o Bozo é o maior responsável pelo recente aumento nos combustíveis. Na semana passada os derivados do petróleo tiveram um aumento vergonhoso, indecente, injusto e infame de quase dez por cento. O litro de gasolina no posto onde eu abasteço aqui em Porto Velho custava 6,09 reais e logo pulou para quase 6,70 reais. Tudo isso provavelmente por causa de sua forte influência na Petrobras e também ainda em alguns círculos de poder. Claro que Lula e o PT jamais permitiriam que houvesse qualquer tipo de aumento que pudesse comprometer o nosso precário orçamento. Óbvio que dez por cento é um roubo explícito que não tem nenhuma desculpa aceitável. O Jair Bolsonaro é um mal que deve ser evitado.

Além do mais, pode-se ter a certeza de que foi o ex-presidente também o maior responsável pelo recente corte absurdo dos voos que as companhias aéreas do país determinaram para Porto Velho e para Rondônia. Bolsonaro sabidamente nunca gostou de coisas muito judicializadas e certamente pode ter usado a sua influência para causar prejuízos para os rondonienses, que lhe apoiam incondicionalmente. Por culpa única e exclusiva de Bolsonaro, Rondônia ficou totalmente isolada do resto do país. E quem garante que o recente apagão que aconteceu no Brasil não foi também uma obra sua? Sim, pois ele irresponsavelmente privatizou a Eletrobras no ano de 2022. E para apagar o país inteiro, basta ter algum conhecimento de redes elétricas e subir com um alicate num poste qualquer que a desgraça está feita. E provavelmente foi o que aconteceu. Tudo virou breu.

Insatisfeito com o uso da Cloroquina para combater um vírus na última pandemia, ele possivelmente lutou e convenceu a todos pela aprovação de um tratamento com a ozonoterapia, um procedimento que não tem nenhuma comprovação científica e que já provoca muita preocupação nos médicos e cientistas. Esse Bolsonaro é um caso sério que precisa ser estudado. Fora da presidência, ele chegou a elogiar publicamente o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro. Disse que a ditadura no país vizinho tem mais eleições do que no Brasil. “O conceito de democracia é relativo”, falou. Dissimulado, o Bozo acusou a Ucrânia de também ser culpada pela guerra contra a Rússia se esquecendo de que foi a Rússia o país invasor. Alexandre de Moraes deveria mandar prender imediatamente esse malfeitor. Ele é uma péssima influência para o Brasil. Se não for preso já, antes do final do ano a gasolina estará a mais de 10 reais e ainda teremos que enfrentar vários apagões.

 


*Foi Professor em Porto Velho.

quarta-feira, 16 de agosto de 2023

O Brasil da escuridão eterna

O Brasil da escuridão eterna

 

Professor Nazareno*

 

            Falou-se erroneamente que a manhã do dia 15 de agosto de 2023 pode entrar para a História do Brasil por causa de um simples apagãozinho elétrico que atingiu 25 estados e o DF. Só Roraima escapou do caos. Quanta desfaçatez! Quanta tolice! Quanta mentira! O Brasil sempre viveu na escuridão e quase todas as coisas sempre funcionaram como se estivéssemos na mais absoluta normalidade. Na política, por exemplo, sempre estivemos nas trevas. Entre 1964 e 1985 o país foi mergulhado numa cruel e assassina Ditadura Militar que cerceou direitos civis, matou oposicionistas, torturou, censurou, cassou e exilou cidadãos, mas até hoje ainda há muitas pessoas que enaltecem aqueles dias escuros e sombrios e, vez por outra, vão às portas dos quartéis clamarem por outra intervenção militar. Muitos brasileiros parecem ficar satisfeitos quando a escuridão lhes bate à porta.

            No governo anterior, houve muitos ensaios para que o país voltasse às trevas onde sempre viveu. Por isso, esse apagão de agora pode estar ligado a questões políticas ainda não resolvidas. O próprio ministro das Minas e Energia não descartou essa hipótese e já acionou a Polícia Federal para que faça investigações nesse sentido. Porém, tudo indica que esse apagão, assim como todos os inúmeros outros que já nos atingiram, é apenas fruto da incompetência que sempre nos rondou como nação. A classe política de Rondônia e também a do Brasil inteiro sempre colocou toda a população do país na pior das escuridões e ninguém jamais tomou qualquer providência para resolver nada. Nosso país é o segundo maior produtor de alimentos do mundo e por aqui há mais de 30 milhões de pessoas passando fome e na mais absoluta miséria. Mas o agronegócio é até endeusado.

            Esse apagão de 2023 quase não foi sentido. Em Porto Velho não faltou nem água, já que apenas 30 por cento da cidade é abastecida com o precioso líquido. Na hora em que faltou energia, todo mundo já tinha enchido suas caixas. No trânsito também não houve nada que já não fosse sentido no dia a dia por aqui: caos, bagunça e motoristas apressados avançando tranquilamente o sinal vermelho. Escuridão mesmo em Rondônia é a incompetência da classe política que há anos rouba o Erário e nada dá em troca para os pobres pagadores de impostos. Aliás, sempre faltou energia em Porto Velho e também nas outras cidades do Estado. Desde a antiga Ceron que já estamos acostumados a viver no breu. A ponte do suicídio foi construída sem iluminação. Os viadutos tortos e íngremes da capital também não têm claridade. A escuridão por aqui sempre foi uma coisa normal.

            Com a Energisa no lugar da Ceron, as coisas não melhoraram praticamente em nada. Por isso muita gente daqui não vê a hora de essa empresa ser privatizada para o bem de todos. Temos duas grandes hidrelétricas no rio Madeira, além de Samuel no rio Jamari, mas sempre tivemos e ainda temos apagões em Porto Velho, isso sem falar no alto preço que pagamos pela energia que nós mesmos produzimos às custas da nossa combalida natureza. É vergonhoso um país que tem o sol em média doze horas por dia por todo o seu território ainda ter problemas com falta de energia. A classe política principalmente precisa trabalhar com seriedade para poder tirar esse país da escuridão social, política e econômica em que sempre viveu. A Ceron deveria ser reestatizada e a Eletrobras não poderia ter sido vendida pelo Bolsonaro. Porém, muitos dos porto-velhenses não viram essa falta de energia. Para eles apagão só podia ter acontecido à noite e não durante o dia.

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

quinta-feira, 10 de agosto de 2023

Bolsonaristas aperreados!

Bolsonaristas aperreados!

 

Professor Nazareno*

 

            Jair Bolsonaro é uma dessas desgraças da política que só acontecem no Brasil a cada 30 anos. A primeira foi Getúlio Vargas em 1930. A segunda foi Jânio Quadros no início da década de 1960. A terceira foi Fernando Collor em 1989 e a última foi o genocida em 2018. E o país espera que seja mesmo a última das grandes tragédias que enfeitiçam o tolo eleitor nacional. Infelizmente só teremos essa certeza lá pelo final da década de 2040. A rigor nenhum desses quatro patetas fez alguma coisa que impressionasse quem quer que seja. Montados num estranho apoio popular, ao assumirem a Presidência da República prometendo mudar radicalmente a política nacional, nenhum deles fez aquilo que prometeu aos seus “inebriados” eleitores e encantados apoiadores. Pelo contrário, só trouxeram vergonha, fracassos, decepções e em alguns casos contas a pagar com a Justiça.

            Getúlio se matou com um tiro no peito. Jânio, mesmo sem largar a política, morreu velho e gagá. Collor de Melo, apesar de ainda ser senador da República, está para ser preso, pois já foi condenado pelo STF a oito anos de cadeia e Jair Bolsonaro, acuado e já esquecido por grande parte de seus devotos e radicais seguidores, está inelegível por enquanto e caminha célere para a prisão para pagar por seus maus feitos enquanto era o chefe da nação. Os crimes que Bolsonaro e seus asseclas cometeram são inúmeros. Pode até não ser condenado por corrupção, apesar de ter chefiado um governo repleto de roubalheiras. A péssima condução do país em plena pandemia do coronavírus com a morte de mais de 700 mil brasileiros não sairá tão cedo dos corações e mentes dos nossos cidadãos. O insistente negacionismo e a recusa em trazer vacinas depõem contra o “Mito”.

            Mas não foi somente isso de ruindade. Bolsonaro permitiu e até incentivou a devastação da Amazônia, deixou o garimpo assassino ir às terras indígenas e foi o maior responsável pelo genocídio dos Yanomamis em Roraima. Pior: durante os quatro longos anos em que esteve à frente do Brasil, os países desenvolvidos e civilizados do mundo praticamente romperam suas relações com o nosso país. Noruega e Alemanha deixaram de contribuir para o Fundo Amazônia e só voltaram a cooperar depois que Lula foi eleito e assumiu o poder. Bolsonaro e sua turma de aloprados atentaram várias vezes contra a nossa democracia e só não deu um golpe por que a conjuntura política internacional não permitiu. Derrotado, o aprendiz de ditador não reconheceu o resultado das urnas e jogou milhares de seguidores na frente dos quarteis para pedir uma patética intervenção militar.

            Mas antes disso, o destrambelhado mandatário fugiu desesperado para os Estados Unidos e provavelmente tramou a invasão de Brasília no dia 8 de janeiro de 2023. Agora terá que prestar contas com a Justiça. Os terroristas do 8 de janeiro estão presos e devem pegar pelo menos 30 anos de cadeia. Hoje não se vê mais nenhum “patriota” na frente dos quarteis. Mauro Cid, ajudante de ordens de Jair Bolsonaro está no xilindró. Anderson Torres, o ex-ministro da Justiça do Bozo, também está preso em Brasília, assim como o ex-chefe da Polícia Rodoviária Federal, Silvinei Vasques. Se algum deles “der com a língua nos dentes”, as coisas podem se complicar ainda mais para o quarto pateta da nossa política. Não há a menor dúvida de que ele atentou contra a democracia nacional e por isso deve pagar um preço alto. Enquanto isso, muitos dos bolsonaristas estão inquietos. O Brasil e Rondônia já aderem “convictos” a Lula: ponte em Guajará e BR-364 duplicada.

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

sexta-feira, 4 de agosto de 2023

Porto Velho também sem aviões


 

Porto Velho também sem aviões

 

Professor Nazareno*

 

            Não é novidade para ninguém que Porto Velho, a insólita capital de Roraima, é uma das piores cidades do mundo para se viver. Na dura e triste realidade do Brasil, a “capital dos destemidos pioneiros” fica nos últimos lugares em qualidade de vida. A novidade agora é que duas das três companhias aéreas do país simplesmente diminuíram seus já escassos voos para esta abandonada e longínqua cidade. A GOL e a Azul, de forma talvez equivocada, alegaram que devido aos muitos processos que estão enfrentando na Justiça local, foram quase que obrigadas a reduzir suas rotas para Rondônia. Claro que não foi isso. O problema é que não há procura. Rondônia só tem pessoas pobres e não há passageiros suficientes para viajar e provavelmente elas não estão faturando o que gostariam. Se houvesse muita procura por passagens elas dariam um jeito para continuar.

            Em Porto Velho hoje praticamente não há mais ligação aérea direta com Manaus ou com Rio Branco no Acre. E não há quase nenhuma procura para a compra de passagens aéreas. O mercado local certamente dá muitos prejuízos para essas companhias. Além do mais, o preço do querosene de aviação foi aumentado em mais de 120 por cento no último governo da extrema-direita. O atual governo até já conseguiu diminuir em mais de 30 por cento. Mesmo assim, quase ninguém quer vir para um lugar que nada tem a oferecer aos turistas e visitantes. Além de ser um verdadeiro inferno de tão quente, Porto Velho não tem qualidade de vida, não tem teatros, futebol, não tem água tratada nem esgotos ou saneamento básico. Morar aqui é como viver no inferno. Só vem para cá quem tem negócios ou algum familiar que ainda teima em residir aqui. É muita precariedade, mano!

            Para ir a Manaus, por exemplo, muitas pessoas preferem os barcos-recreio pelo rio Madeira. Demora cinco dias, mas a bordo tem comida farta e o sujeito vai dormindo tranquilo numa rede. Isso é que é conforto! Já viajar de avião é um sofrimento só. Eles não servem comida a bordo e o sujeito tem que perder pelo menos uma noite de sono. Diferente da Varig, Vasp ou Transbrasil, que serviam verdadeiros banquetes aos seus passageiros, LATAM, GOL e Azul servem batatinhas desidratadas com meio copo de água. Viajar de avião hoje é passar fome na certa. Ou então comprar um pão de queijo nos aeroportos por mais de 50 reais. Isso sem falar que o maldito pão de queijo, de gosto ruim, amarga mais do que cabacinha e às vezes está impregnado de sal. Nos barcos que vão a Manicoré e a Manaus se come peixe, farinha puba, arroz, feijão e outras guloseimas.

            Achar que os políticos estão preocupados com essa caótica situação é outra balela. Político só viaja de graça nesses aviões. Todos eles recebem por mês várias e várias passagens aéreas pagas com o nosso dinheiro. Vereadores, deputados, governadores, senadores e outras autoridades vão querer perder esse privilégio? Ninguém quer resolver o problema, eis a questão. Os poucos usuários de Rondônia e também de outros lugares pobres e atrasados que se virem. Querem ir a Rio Branco? Vão de busão. Tanto a Azul como a GOL e a LATAM ou qualquer outra companhia aérea colocariam vários voos diários saindo de Porto Velho até para o inferno se houvesse alta procura por passagens. Essa é a realidade nua e crua que ninguém quer admitir. Dizer que os passageiros de Rondônia serão punidos só por que buscaram a Justiça para ter os seus direitos garantidos é uma infâmia acintosa, covarde, absurda e vil que em nada ajuda a solucionar o impasse.

 

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

segunda-feira, 31 de julho de 2023

Calama: sem médico e sem água

Calama: sem médico e sem água

 

Professor Nazareno*

 

            A simpática vilazinha de Calama no baixo Madeira é um sofrimento só. Maior distrito da área ribeirinha, o lugar é muito mais antigo do que a capital Porto Velho. Embora sua fundação esteja ligada ao Segundo Ciclo da Borracha, muitos dos antigos moradores sempre diziam que foi durante o Império, ainda no longínquo Primeiro Ciclo da Borracha, que aquelas barrancas do décimo sétimo maior rio do mundo já registravam as primeiras ocupações ali nas confluências dos rios Machado e Madeira. Assim, nos dois ciclos da borracha, portanto, Calama já contribuía com a economia da região. Mas quiseram os deuses que o distrito fosse esquecido pelas autoridades que iam surgindo uns 200 quilômetros mais acima. Em 1914 surgiu a capital de Rondônia e o esquecimento dos distritos ribeirinhos se tornou uma maldita política vivenciada até hoje. E Calama padece.

            Calama não tem médico já há um bom tempo. E ninguém, nenhuma autoridade, toma providências para socorrer os humildes moradores da vila. Estar sem nenhuma assistência médica parece até normal para aqueles pobres moradores. Pessoas humildes, trabalhadoras e pacatas sem a menor ajuda do poder público é uma rotina que se presencia no dia a dia. Vinculada administrativamente ao município de Porto Velho, capital do Estado, Calama sobrevive como pode em meio a um turbilhão de dificuldades. Agora, a vilazinha está sem água encanada. Se os bravos moradores quiserem o precioso líquido, terão que descer quase trinta metros de barranco escorregadio para buscar sua água. É que a Energisa cortou a energia que abastecia a bomba que captava a água daquele povo. A concessionária de luz, hoje privatizada, disse que só fez isso por que a Caerd fez o pedido.

            O “jogo de empurra” para explicar a delicada situação de Calama não convence muito. Por que a Companhia de Águas e Esgotos de Rondônia quer que os moradores de Calama fiquem sem a água do rio Madeira que está ali bem pertinho deles? A própria Energisa, quando comprou a Ceron a preço de banana, não teria uma contrapartida social? Sob a lógica do capitalismo selvagem, Calama não pode dar lucro à companhia como dão as grandes cidades do Estado. E os vereadores de Porto Velho? Um deles até se orgulha de ser filho de Calama. Outros vereadores ganham votos aos montes dos coitados eleitores de Calama quando é época de eleições. Vereadores, deputados estaduais, deputados federais, senadores, governadores e prefeitos. Todos eles vão a Calama pedir ajuda. Eleitos, se esquecem do distrito e vão “trabalhar” pela capital, que tem muito mais votos.

            Calama, pela grande tradição que tem e pela sua gente sincera, hospitaleira e trabalhadora, não merece passar por mais essa humilhação. Muita gente de Porto Velho não sabe, mas durante a pandemia de cólera na década de 1990, foi a vilazinha que interrompeu a transmissão do vibrião colérico pelo rio Madeira e assim salvou Porto Velho da infecção certa. Vários calamenses se contaminaram e evitaram dessa forma que a doença chegasse à capital. Por isso, ajudar Calama nessa hora não é um favor. É obrigação dos homens que se dizem públicos. Não só Calama, mas toda a área ribeirinha da capital assim como também outros lugares distantes e necessitados. Mexam-se, senhores autoridades! Mexam-se e respeitem os poucos, mas guerreiros habitantes daquela vilazinha esquecida. A Câmara de Vereadores, a Prefeitura e também as demais autoridades do Estado têm essa obrigação para com quem só quer ter o direito de existir.

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

quarta-feira, 28 de junho de 2023

The Passion Flower Arraial

The Passion Flower Arraial

 

Professor Nazareno*

 

            Old Port, cidade provinciana perdida nos cafundós, suja e muito atrasada, se prepara como de costume nos meados do ano para as grandes festividades alusivas a São João. O famoso arraial Passion Flower reúne todos os anos a matutada simplória e ridícula, que representa o que de melhor existe na sociedade oldportiana. O triste festival tenta imitar a breguice e a matutice já existentes há muito tempo entre os seus toscos e visionários habitantes. Para não perder a tradição costumeira, muitos moradores da cidade vendem seus carros, sítios e até suas casas para poderem passar uma noite com a família saboreando as comidas que são vendidas ali a preço de ouro. Muitas barracas de guloseimas, montadas em meio à sujeira e a imundície, deleitam seus poucos visitantes e também lhes arrancam os olhos da cara para servir gororobas de sabor exótico e repulsivo.

            Fala-se que naquele sinistro lugar, frequentado geralmente por pessoas pobres e miseráveis, circulam muitos dólares e euros. O requinte e o luxo ali verificados justificam esta regalia. Só que nenhuma casa de câmbio pode ser verificada nos arredores. Madames bem arrumadas e usando bolsas Louis Vuitton, compradas nas zonas leste e sul da cidade, são vistas todas as noites degustando vatapá com galinha picante. Poucas pessoas entendem o nome dado para aquela festa matuta, para aquele arraial sem santo. A fruta da paixão, que dá nome àquele grosseiro festival, sequer existe por aquelas bandas. Não há na cidade, nem na província inteira, uma só árvore dessa espécie vegetal. Old Port não tem mobilidade urbana, mas a classe política já providenciou vários ônibus urbanos saindo de cada bairro para as proximidades do malfadado festejo. E a matutada aproveita.

            Muita gente reclama que aquilo é uma festa só para os ricos da cidade. Só que naquele lugar praticamente não há pessoas ricas. Diferente, por exemplo, da “Go Who Wants Band” que desfila todo Carnaval e leva toda qualidade de gente pobre para beber cachaça barata e sujar as ruas da imunda municipalidade. Old Port está em franca extinção e por isso não tem absolutamente nada para divertir seus tristes e desolados moradores. A capital provincial perde habitantes a cada ano que passa. O último censo disse que a cidade tem hoje um pouco mais do que 460 mil habitantes quando as pessoas apostavam que essa cifra já estava superando os 600 mil moradores. Sem mobilidade urbana, sem rede de esgotos, sem água tratada, muito violenta e sem recantos de lazer, muita gente se aposentou e “montou no porco”. Assim, em pouco tempo não terá mais nenhum morador.

            Além do mais, dizem que nessas festas juninas têm muitas quadrilhas, poeira e matutos. Ver isso, todo mundo da cidade consegue sem fazer muito esforço nem gastar o dinheiro que não tem. As quadrilhas já fazem parte da vida diária de quase toda a população oldportense. Não há uma só campanha política que não se formem várias delas. Já os matutos fazem parte da paisagem urbana há muito tempo enquanto a poeira é companheira dos moradores em todo verão. Dessa maneira, nem o dinheiro público enterrado ali, cerca de 1,2 milhão de reais, conseguiu turbinar a festa brega. A cidade, totalmente dominada na política pela direita e pela extrema-direita, é muito pobre e sempre viveu só de ciclos. Só que hoje não há nenhum ciclo à vista. Por isso, o empobrecimento das pessoas e a falta de qualidade de vida são coisas até naturais no esquecido rincão. Tomara que não comece agora o ciclo dos arraiais caros e impopulares!

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

sábado, 24 de junho de 2023

Os pilares da sociedade

Os pilares da sociedade

 

Professor Nazareno*

 

            Dinheiro, fé em Deus, putaria e drogas são, não necessariamente nessa ordem, os principais pilares que sustentam a sociedade moderna. No Brasil principalmente, esses quatro itens têm o poder de determinar quase todas as ações da maioria das pessoas. Cerca de 98 por cento dos habitantes, sejam ricos, classe média ou pobres, buscam dinheiro todos os dias. A maioria faz isso para poder suprir as suas necessidades diárias, mas há uma outra parcela, bem menor, que o faz para poder acumular além da riqueza o poder absoluto. Dinheiro sempre foi e ainda é a mola mestra do mundo como também hoje em dia é sinônimo de dominação sobre as outras pessoas. Dificilmente existe uma atividade humana em todo o mundo que não esteja ligada ao “vil metal”. Por isso, fala-se que não há nada mais importante do que o dinheiro. E que nem Deus consegue competir com ele.

            Deve ser por isso que no passado, a humanidade criou Deus para tentar fazer um contraponto com a riqueza e a prosperidade cada vez mais reinantes entre os homens. A fé em um ser supremo, que talvez nem exista, sempre movimentou multidões desde os mais primórdios tempos. Inventaram-se histórias mirabolantes sobre esse ser divino, escreveram livros e mais livros, descreveram milagres, criaram-se descendentes diretos dessa divindade e também muitos seguidores e assim a arapuca foi armada. Jesus Cristo para os cristãos, Maomé para os muçulmanos, Abraão, Davi, Moisés. Difícil existir uma sociedade hoje em dia que não tenha o seu Deus já pronto e acabado. E já disseram que essa fé em Deus até remove montanhas. Sêneca, filosofo grego, disse que Deus não existe para as pessoas inteligentes, é uma realidade para as ignorantes e útil para os governantes.

Outro pilar muito forte que está presente e comanda grande parte da sociedade moderna é a putaria. A política dos países, por exemplo, é a putaria exercida na sua plenitude somente para se conseguir dinheiro de maneira mais fácil. No Brasil geralmente quem entra na política se esmera em mentir e a roubar o dinheiro tomado pelos impostos. Os pobres ficando cada vez mais pobres e os ricos ficando cada vez mais ricos. Existe putaria maior do que se pagar um salário chamado de mínimo somente para que os pobres continuem na pobreza e sempre miseráveis? Se a política é só putaria, imagine-se as invenções que ela faz para manter a mesmice. Inventaram a inflação, as religiões, as festas religiosas (também chamadas de culturais), o futebol, o Carnaval e outras tolices só para divertir os pobres e mantê-los felizes e, dessa forma, esquecerem as suas agruras. É mole?

As drogas são outro importante pilar que sustenta a hipocrisia da sociedade. Elas sempre foram usadas como maneira mais fácil de se “fugir” da realidade.  O próprio Jesus Cristo, no começo da sociedade cristã, fez da água o vinho para entreter os seus conterrâneos. Entra governo e sai governo e ninguém combate esse vício, que só aumenta. Não existe uma única cidade do Brasil e talvez até do mundo mesmo, das maiores às menores, que não tenha já disseminado entre os seus moradores o uso da maconha, da cocaína, do crack, da heroína, do cigarro, do álcool e de outras drogas. Mas o pior ainda vai nos chegar. E o caos completo já se iniciou: a mistura desses quatro pilares. Putaria: a política usa a religião e às vezes ambas usam o tráfico de drogas como degraus para se conseguir mais dinheiro ainda. Por enquanto, a hipocrisia esconde todos esses defeitos. A humanidade não deu certo e se Deus criou o homem, devia repensar e recomeçar tudo.

 

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

quarta-feira, 21 de junho de 2023

A imprensa que censura

A imprensa que censura

 

Professor Nazareno*

 

            Nenhum regime político que amordaça a imprensa é democrático. Democracia é sinônimo de imprensa livre. Se a mídia de um país não tiver a liberdade de publicar de forma responsável o que deve ser publicado, então é ditadura e ponto final. É cerceamento das liberdades. E toda democracia devia prezar pela liberdade total de seus cidadãos. Durante a Ditadura Militar no Brasil, entre 1964 e 1985, a imprensa esteve sob o tacão dos militares, que mantinham um censor dentro das redações das principais emissoras de rádio e de televisão e também dentro dos jornais e das revistas. Eram os “milicos” que decidiam o que o povo devia ler, assistir, ouvir. Músicas foram censuradas. Novelas foram proibidas de ir ao ar. Filmes inteiros foram desaprovados. Programas foram editados às pressas para agradar ao censor de plantão. Toda a arte estava subjugada a outras vontades.

            Jornalistas foram torturados e mortos, cantores foram perseguidos e exilados, dramaturgos foram calados à força, escritores censurados e colocados no ostracismo. A perseguição aos meios de comunicação foi uma constante durante aqueles terríveis anos de chumbo. Mas tudo isto, ainda bem, já faz parte de um passado que não deve mais ser repetido neste país. Mas será mesmo? A censura pode até não existir mais. Só que por ironia das ironias somente na área do poder público. A “mania” de censurar textos, artigos de opinião, reportagens dentre outras produções continua a todo vapor dentro de muitas redações. Alguns sites de notícias no interior de Santa Catarina, por exemplo, não permitem que se façam críticas aos prefeitos de algumas cidades lá. Muitos dos deputados estaduais também têm o privilégio de não serem criticados pela mídia. Tudo é censurado.

            Qualquer notícia de cunho negativo envolvendo o alcaide de uma dessas cidades catarinenses e também alguns dos parlamentares estaduais é censurada na hora e nem precisa ter censor indicado pelo governo como na época da ditadura. Parece até que os donos de muitos órgãos noticiosos aprenderam a lição de censurar com os “brucutus dos quartéis”, que mandavam e desmandavam na opinião dos outros. A situação é tão calamitosa hoje que a Folha de São Paulo e a rádio Jovem Pan criticam abertamente o governo Lula enquanto a rede Globo faz elogios rasgados ao atual presidente. Por alguns míseros trocados, a censura volta a incomodar de novo sem se levar em conta o verdadeiro papel da mídia. Pode-se imaginar o que acontece dentro dessas mesmas redações em anos eleitorais. A grana deve correr solta para que todos adulem os muitos políticos corruptos.

Julian Assange, jornalista australiano e dono do site Wikileaks, está preso até hoje em Londres por que denunciou países que bisbilhotavam outros países. Se for extraditado para os EUA, será condenado à morte. E ninguém move uma palha sequer para que ele seja libertado. Grande parte da mídia mundial está se lixando para o destino de Assange. A liberdade de expressão nesse caso para nada serve. No Brasil, tivemos o caso “Vaza-Jato”. Só que praticamente nenhum órgão da grande imprensa nacional noticiou nada sobre a farsa que foi a pseudo-operação que prendeu Lula em 2018 e abriu caminho para o fascismo do governo de Jair Bolsonaro. Se nas sociedades democráticas a informação e a opinião sofrem tais mutilações, imagine-se o que não se passa em países como Rússia, China, Cuba, Venezuela e Coreia do Norte. Devíamos ser livres para divulgar tudo e ao mesmo tempo assumir as responsabilidades pelo que publicamos. A Constituição diz isso.

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

quarta-feira, 14 de junho de 2023

As consequências do frio

As consequências do frio

 

Professor Nazareno*

 

            Frio extremo em Rondônia! Caminhamos a passos largos para o fim do mundo, é a crença que se tem nestas terras tórridas. Lugar de baixas latitudes e por isso mesmo muito quente e abafado, eis que a “terra dos destemidos pioneiros” se vê de uma hora para outra sob a influência de uma forte massa de ar polar continental. O fenômeno da friagem chega enfim às terras karipunas baixando as temperaturas para algo em torno dos 23/25 graus. Há relatos de que em algumas cidades do interior, como Vilhena e Guajará-Mirim, o “frio” neste atípico verão foi mais intenso ainda. Acostumados aos quase 40 graus diários e com direito a mormaço e muito suor, os rondonienses bateram o queixo. Ainda assim, muitos desejam ardentemente que esta “friaca atemporal” se transforme eternamente no clima típico dessas quentes paragens. “Devia ser sempre assim”, afirmam.

            O problema é que esse pitoresco “clima de frio intenso” traz muitas consequências para os rondonienses e porto-velhenses principalmente. Apesar de não termos tantos mendigos perambulando pelas ruas como em algumas ricas e abastadas cidades do sul do país, o festival de bizarrices por aqui é uma constante. O mau cheiro de barata, mofo e naftalina dos agasalhos doados pelos parentes sulistas toma conta das já sujas e imundas ruas da capital. Desacostumados com a novidade climática, é comum ver algumas pessoas “desfilando” com suas estranhas “roupas de inverno”, que usam no dia a dia somente para dormir no frio de seu ar condicionado. Outra consequência desse frio é o aumento no uso de lenha, carvão e gás de cozinha, não para aquecer os ambientes da casa, mas para esquentar água para o banho diário, já que quase não há chuveiros elétricos por aqui.

            Só que com a temperatura mais amena, Porto Velho fica muito mais fedorenta e insalubre, pois a catinga das ruas e dos esgotos, que correm a céu aberto pela cidade, não se dissipa tão facilmente. O bom é que os ratos, cobras e outros animais peçonhentos não saem às ruas facilmente. Moscas varejeiras e urubus também desaparecem das avenidas e latas de lixo espalhadas pelas calçadas nestes dias de clima um pouco mais diferente. Fala-se que neste clima até os políticos de Rondônia roubam menos. Quase não se fala em escândalos de desvios de verba pública. Talvez seja porque a classe política acha que está na Europa, no Japão ou mesmo em algum país mais desenvolvido e civilizado onde a roubalheira é bem menor do que nestas terras inóspitas e incivilizadas. Neste clima, a Praça Marechal Rondon, por exemplo, fica muito mais parecida com a  Fontana de Trevi.

            Como já disse: Porto Velho e Rondônia definitivamente não combinam com o tempo gélido. Isso é temperatura para lugares ricos e bem desenvolvidos. Porém, vi algumas emissoras de rádios da capital e também alguns supermercados fazendo a campanha do agasalho como em alguns dos mais frios lugares do sul do país. Não é incrível a sensibilidade dessa gente? Tomara que os termômetros subam logo. É muito deprimente ver cidadãos usando roupas rotas, molambentas e folgadas que não lhe cabem no corpo. Até para comer alguma coisa nestes dias lúgubres é difícil. Farinha d’água com peixe frito, tacacá e banana frita deviam ser sinônimos só de calor e de dias ensolarados e calorentos. Para beber algo é outro tormento. Existe coisa mais bizarra e antiquada do que presenciar muitos rondonienses bebendo vinho vagabundo daqueles vendidos em garrafas de plástico? À espera da fumaça e da devastação ambiental, celebremos o “frio”.

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.