sábado, 13 de setembro de 2014

Nem Dilma, nem Aécio, nem Marina




Nem Dilma, nem Aécio, nem Marina

Professor Nazareno*

            As eleições presidenciais no Brasil assumem um ritmo frenético nesta reta final de campanha antes do primeiro turno. Dos muitos candidatos à Presidência da República, por exemplo, apenas três deles têm capitalizado as atenções do eleitorado, da mídia e principalmente dos “ocultos” e muitas vezes desconhecidos financiadores de suas empreitadas políticas. Como nos países mais desenvolvidos e civilizados do mundo é o eleitorado que, em tese, deveria decidir qual dos três assumirá pelos próximos quatro anos os destinos da nação. Nos Estados, para a eleição dos Governadores, também é a mesmíssima coisa. E também não é diferente para a escolha dos Deputados Estaduais, Deputados Federais e parte dos Senadores. Enganados, mais de 150 milhões de eleitores acreditam que terão a palavra final para a vitória de seus candidatos.
            Quem elege os futuros governantes no Brasil não somos nós os eleitores como se pensa. Nunca foi. Desde que a política é praticada neste país, os únicos vencedores dos pleitos são aqueles que financiam as campanhas. Como num jogo de azar, esses financiadores, indiferentes às necessidades e aspirações da população, fazem suas apostas e direcionam suas fichas bem antes do jogo começar. Ricos, poderosos e com muito dinheiro sobrando geralmente veem a política como mais uma forma, algumas vezes ilegal, de multiplicar suas fortunas. E como em nosso país a lei só é para os fracos e pobres cidadãos, praticamente qualquer indivíduo, com raríssimas exceções, pode se candidatar a qualquer cargo eletivo. A tão propalada Lei da Ficha Limpa na maioria dos casos nem é levada em conta. Por aqui “manda quem pode e obedece quem tem juízo”.
            Se alguém, alguma empresa ou instituição financia a campanha de um candidato e contribui com qualquer quantia, não faz isso baseado na amizade e tampouco na ideologia. Dependendo do ramo de negócios desse financiador, certamente será ele que “ganhará” muitas das licitações de que participará no futuro Governo. No Brasil, “ninguém dá murro em ponta de faca”, muito menos quem é empresário. E os otários eleitores muitas vezes ficam se digladiando no meio das ruas, brigando por este ou aquele candidato. A mídia, travestida nestas horas de paladino da moralidade e da imparcialidade, também faz suas apostas e, a exemplo da Rede Globo em 1989 com Lula e Collor, determina quem vai ganhar ou perder as eleições. Neste amaldiçoado jogo só há um perdedor: o infeliz cidadão que paga impostos para sustentar tudo isto.
            Quanto ganha por mês um Deputado Estadual? Quanto ganha um Governador de Estado? E quanto gasta cada um deles em suas respectivas campanhas eleitorais? Fazendo a conta, percebemos que não existe lógica nenhuma nesta matemática: ou estes candidatos são trouxas demais ou há "algo" lhes esperando lá no “fim do túnel”. Ou antes. Todos os candidatos têm obviamente virtudes e defeitos. Só depende das táticas do jogo para saber quais adjetivos serão mais enaltecidos e aprendidos pelos babacas que votarão neles. Passada a euforia das campanhas, todos “lá em cima” se aliam e se apoiam dependendo mais uma vez do jogo de interesses. E o nosso país, o Estado e a população, principalmente aquela mais carente, sofrem à espera de soluções para os seus eternos problemas. Dilma, Aécio ou Marina governará mesmo para o povo? Eis por que um país tão rico ainda é comparado a um membro da África Subsaariana.  



*É Professor em Porto Velho.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Uma imunda capital sitiada


Uma imunda capital sitiada

Professor Nazareno*

         Para se chegar a qualquer lugar do mundo usam-se, obviamente, as três opções de transportes disponíveis: mar, terra e ar. E para se chegar à capital dos rondonienses não é diferente. Só que em vez de mar, temos o rio Madeira e consequentemente o porto, que liga esta cidade a Manaus no Amazonas. Infelizmente por aqui, ao se usar estas vias de locomoção depara-se “de cara” com a inoperância do Poder Público. Por terra, o infeliz visitante chega à rodoviária da cidade, um monumento erguido em homenagem à sujeira e à carniça. Antes de chegar ao seu destino final e descer naquelas fétidas instalações, passará pelos viadutos inacabados. Vindo de Cuiabá, Rio Branco ou do interior do Estado pela BR-364, encontrará aqueles monstruosos elefantes brancos nas duas entradas da cidade à espera de um milagre para serem concluídos.
            Se o corajoso aventureiro vier de Humaitá pela BR- 319, encontrará outra obra inacabada, uma majestosa ponte de mais de 300 milhões de reais esticada ao longo do rio e que, a exemplo dos obsoletos e caros viadutos, também não serve absolutamente para nada. Se quiser entrar na cidade, terá de pagar para atravessar numa balsa, logicamente também suja e imunda. O nosso imaginário viajante poderia ter optado e vir de barco pela hidrovia do Madeira. Mas os problemas seriam talvez bem maiores. O Poder Público ainda não organizou o precário, sujo e fedorento porto que dá nome à cidade. Depois da histórica enchente do rio, no início de 2014, as instalações não foram recuperadas e o que se observa naquele inóspito local, é muita escuridão, lama que já virou poeira, matagal, insetos e perigos de todo tipo. Se for de madrugada, piora tudo.
            Vindo de avião, a situação também não é nada animadora para quem vier a esta cidade. Os pouquíssimos e caros voos disponíveis para esta capital são disputados “no tapa” pelos passageiros. Chegando ao aeroporto internacional, que não faz nenhum voo para fora do país, encontrará logo à frente o Espaço Alternativo, outra obra que já tem todos os ingredientes para se tornar mais um dos incontáveis elefantes brancos que “enfeitam e enfeiam” ainda mais a já pútrida e imunda Porto Velho. Há fortes indícios de que esta obra estadual será também paralisada. Esta capital só pode ser amaldiçoada. Os viadutos, uma obra municipal, estão paralisados. O porto do Cai N’Água e a ponte do Madeira, que são obras do Governo Federal, estão parados. Já o Estado não consegue terminar uma das obras estaduais da cidade, o “buchódromo” no Espaço Alternativo.
            Como se vê, em qualquer instância de poder, a inoperância e a incompetência campeiam neste lugar. Municipal, Estadual ou Federal, em qualquer obra a desgraça é a mesma. Parece que o trabalho não prospera por aqui. Nada dá certo. Não há como se chegar à capital de Rondônia e logo não se ver o descaso dos nossos homens públicos e a inutilidade de suas faraônicas e, às vezes, superfaturadas obras. O pior é que quase todos os responsáveis por este caos não se acanham e estão nas ruas pedindo o voto dos trouxas. De agora em diante, para se chegar a Porto Velho e não ver estes vexames públicos e a sacanagem de quem deveria zelar pelo cidadão que paga impostos, só se for por baixo da terra feito tatu ou toupeira. Mas enquanto não chover merda na “terra do tudo”, os políticos darão um jeitinho para incomodar também as telúricas minhocas.




*É Professor em Porto Velho.

domingo, 7 de setembro de 2014

A nação do patriotismo pré-datado




A nação do patriotismo pré-datado

Professor Nazareno*

            Sete de setembro. Os brasileiros alegres e eufóricos não escondem o largo sorriso estampado no rosto. Ninguém consegue se desvencilhar da alegria, do otimismo e do entusiasmo latente neste momento. Próximo aos postes de energia, as ruas são enfeitadas com bandeirolas verde-amarelas. Asfaltos, calçadas e meios fios são todos pintados em tons nacionais. A bandeira do país está garbosamente hasteada por toda parte. Os carros estão quase todos decorados com o Pavilhão Nacional. Algumas casas também seguem o ritmo frenético do patriotismo explícito e por meio de seus nacionalistas proprietários esnobam o seu incondicional amor ao país. No comércio não se vê outra coisa senão os funcionários vestidos orgulhosamente com roupas ostentando as cores nacionais. Escolas fazem suas atividades de forma que só lembram a nação.
            Igrejas, hospitais, cadeias, repartições públicas, empresas privadas. Todos, nesta nobre ocasião estão irmanados em demonstrar o quanto amam e veneram a Pátria. O desfile é o ponto alto deste momento único. A multidão aplaude interminavelmente as suas autoridades constituídas. O risonho e aclamado Prefeito da cidade, acompanhado do seu vice, não esconde a sua alegria e quando pede para falar é várias vezes calado e interrompido pelos aplausos ensurdecedores e pelos gritos de euforia dos espectadores. O Governador do Estado, junto ao seu secretariado, também é ovacionado de forma calorosa e estridente pela plateia delirante. Várias autoridades da cidade e do Estado como Vereadores e Deputados Estaduais se revezam na preferência do povão. Todos querem ouvir as sábias palavras de seus amados, probos e gloriosos representantes.
            No Brasil, o dia da Independência, data maior da pátria, é assim: uma festa só. As ruas, decoradas para esta ocasião ímpar, estão sempre limpas e asseadas. Após os desfiles, continuam mais limpas do que antes de começar a festa e por isso não se encontra um único vestígio de lixo ou imundície. Cantam-se hinos “a capela” a todo instante. O hino nacional e também “Céus de Rondônia”, por exemplo, são entoados espontaneamente pelos transeuntes. Nesta data não se ouvem outras músicas. Crianças vestidas a caráter desfilam para a alegria de seus pais, que fazem coraçõezinhos com as mãos. Emocionados, alguns choram de alegria. Os garotos pisam tão forte no compasso do bumbo que só faltam afundar o solo. Para delírio geral, as Forças Armadas mostram suas vestes impecavelmente passadas e suas armas letais. Brasil, uma potência de nação.
            É visível numa hora destas, o orgulho de ser brasileiro estampado no rosto de cada uma das pessoas que vão aos desfiles cívicos. Nosso arraigado e belo patriotismo não é, como muitos críticos equivocadamente afirmam, apenas com a seleção de futebol na Copa do Mundo. É profundo demais e dura quase um mês ou até mais. Nossas honras e glórias, tão condizentes com a nossa História, estão respaldadas e estampadas em nossa linda bandeira, já que o ouro, o céu e as matas são frutos apenas do nosso trabalho e da nossa força enquanto povo batalhador que sempre fomos. E o nosso Brasil, nossa pátria amada, ergue-se heroicamente nesta data cívica, dos mentirosos e inexistentes estados de miséria, de fome, de prostituição, de abandono, de corrupção, de roubo, de discriminação, de desemprego, de alienação e de tantas outras coisas mais. Por tudo isso, ainda arrepiado e quase chorando de fortes emoções, viva o “brasil”!




*É Professor em Porto Velho.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Democracia corrupta, política de poucos





Democracia corrupta, política de poucos


Professor Nazareno*

             O Brasil é uma das maiores democracias do mundo. Hoje, são mais de 150 milhões de eleitores que a cada dois anos participam de eleições para a escolha de seus governantes. Do Presidente da República até o mais humilde vereador, todos têm que passar pela aprovação do eleitorado. No entanto, o brasileiro, de um modo geral, não gosta da política nem dos políticos. Não é difícil para o nosso cidadão eleitor associar a prática política com roubalheira, enriquecimento ilícito, desmandos, desvios de verbas, tráfico de influência e toda a sorte de ladroagem. E tem razão, pois o que faz um político? Um juiz estuda para interpretar e aplicar leis. Um médico estuda, e muito, para adiar a morte de seus pacientes. Um professor não para de estudar. Um jornalista lê muito. Todo profissional estuda e trabalha para se manter e tentar mudar a sociedade.
          Para ser político no Brasil, na maioria dos casos, o indivíduo não precisa estudar nem ler absolutamente nada. Pode até ser ladrão, gangster, mafioso, canalha, patife, criminoso, corrupto, bandido, ficha-suja, mentiroso ou outra desgraça qualquer que será bem aceito por um partido político e quase sempre lhe é concedido o direito de ser votado. Com estes adjetivos, como um “nó cego” desses trabalhará pelo coletivo quando for eleito? Ainda assim, muitos dos eleitores adoram receber um CDS, gasolina, dentadura, telhas e outros mimos para votar nestes canalhas. O último obstáculo deveria ser quem vota, mas este eleitor também “faz vistas grossas”, por ignorância ou por necessidade. Por isso, em quase todas as eleições, ficamos num beco sem saída e, ingênuos, esperamos mudar tudo na próxima votação quando o ciclo se repete.
          É bom que se ressalte ainda que a corrupção na política deve existir em todos os países do mundo. Mas o que diferencia a nossa das outras talvez seja a impunidade, por falta de uma legislação pertinente, e a pouca ou nenhuma fiscalização de quem elege esses políticos escroques. Assim, parte dos recursos públicos necessários para promover os investimentos sociais de que a população carente tanto necessita é vergonhosamente desviada por estas autoridades travestidas de bandidos, acentuando desta maneira o abismo social entre pobres e ricos e empobrecendo cada vez mais o país. Desse modo, não basta apenas criar mais leis para punir os corruptos. É necessário que o eleitor seja mais exigente ao votar, fiscalize todos os eleitos e se conscientize de que cada centavo desviado fará falta na melhoria da sua qualidade de vida.
           Além disso, no programa eleitoral gratuito do rádio e da TV ficamos confusos. Afinal, os pouquíssimos honestos e os muitos desonestos estão ali, juntos e cúmplices, todos falando quase sempre as mesmas palavras de otimismo. Honestidade, dignidade, trabalho, motivação, perseverança, riqueza, participação, democracia, prosperidade, verdade, bonança, afinco, firmeza, hombridade, dentre outras mentiras é o que mais se vê e ouve. Somos responsáveis, eleitores e eleitos, pela construção de um Brasil melhor. E devíamos lutar e contribuir para vivermos livres da corrupção, da roubalheira, da incompetência administrativa e de outras mazelas. Como não há ditaduras honestas, o jeito é se conformar com a democracia corrupta que temos e lutar para mudá-la usando a mesma arma que ela nos dispõe: o voto consciente. A política tem que ser de todos e para todos. Caso contrário, esse país não mudará nunca.




*É Professor em Porto Velho.