Papa Francisco: um cristão diferente?
Professor Nazareno*
Como não entendo e nem sigo uma
religião e muito menos a política, além de muitos outros temas, não me sinto à
vontade para falar, de novo, sobre os atentados terroristas que sacudiram Paris
e o mundo ocidental na semana passada. A mídia, mais uma vez, convenceu todos a
aderirem ao tolo mantra “Je suis Charlie (Eu sou Charlie)” sem medir as
consequências. A briga parece que vai render ainda muitos capítulos. A
intolerância dos muçulmanos, no entanto, foi aplaudida por muitas pessoas ao
redor do mundo. Hipocritamente disfarçada de “nada justifica o terrorismo e
a violência”, chefes de Estado, governantes, autoridades e principalmente
pessoas normais condenaram os atentados, mas com ressalvas. Muitas ressalvas. “Ninguém
pode falar mal da religião dos outros”. Ou então: “os jornalistas
cutucaram a onça com vara curta”, disseram.
Não
quero ensinar a ninguém o que é liberdade de expressão e como ela funciona. Nem
mostrar quais são os limites de interferência do Poder Público em relação a
esse tema, mas percebe-se que muita gente não sabe do que se trata nem como
conviver com tal fato que antecede à Revolução Francesa no final do século
dezoito. O respeito ou a falta dele, de que muitos falam, para justificar o uso
dos fuzis, não está acima da liberdade de opinião. Se alguém se sentir
prejudicado com uma crítica, com o contraditório, que busque judicialmente,
como nas democracias modernas, o seu direito de ser ressarcido pelos danos
sofridos. Com uma declaração ambígua e absurda sobre este assunto, o Papa
Francisco surpreendeu o mundo ao afirmar que defende o direito de expressão,
mas admitiu ser errado provocar os outros ao se insultar a religião alheia.
Seguindo
um rumo totalmente diferente do de Cristo e do maior e mais puro sentido da
religião cristã, o argentino Jorge Bergoglio afirmou em recente entrevista que
“daria um murro em quem falasse mal de sua mãe”. Foi infeliz, pois suas
declarações não só justificam e respaldam o terrorismo e o recente massacre
sofrido pelos jornalistas franceses como também atentam contra a própria
Bíblia, o livro sagrado de todos os cristãos. Como bom cristão que diz ser, o representante
dos católicos deveria dar exemplo e fazer como o seu mestre, pois está escrito
em Mateus, capítulo 18, versículos 21 e 22: Então Pedro aproximou-se de
Jesus e perguntou: “Senhor, quantas vezes deverei perdoar a meu irmão quando
ele pecar contra mim? Até sete vezes”? Jesus respondeu: “Eu digo a você: não
até sete, mas até 70 vezes sete”. Ou seja, 490 vezes.
Como os
muçulmanos mais radicais, o Papa não perdoaria nem uma única vez. Dava logo um
murro em quem lhe ofendeu. Se falassem mal de Jesus, qual seria a sua reação,
por exemplo? Dar o outro lado da face, nem pensar. O fundamentalismo em
qualquer religião parece ser o último suspiro da fé. Ou elas se modernizam ou
desaparecem para sempre. Não vivemos mais na época das Cruzadas nem dos
Tribunais da Santa Inquisição e já se sabe que a Terra é redonda, nunca foi o centro
do universo, a homossexualidade não é mais uma doença, o código genético humano
foi desvendado, descobriram a lei da
gravidade, os anticoncepcionais, a união estável é uma realidade e também já se
chegou à cura de muitas doenças. Religiões e religiosos precisam se atualizar e
acompanhar este ritmo frenético do ser humano. A intolerância ao diferente e a teses
contrárias deve ser resolvida à base do diálogo e não a balas. Ou com murros.
*É Professor em Porto Velho.



