sábado, 13 de agosto de 2016

Cadê nossos medalhistas?


Cadê nossos medalhistas?

Professor Nazareno*

            Com pouco mais de uma semana de competições, as Olimpíadas do Rio de Janeiro mostram ao mundo o que todos já sabiam: o Brasil e seus atletas são um grande fracasso em qualquer das modalidades esportivas. Após a decepção da abertura, hipocritamente elogiada por alguns ignorantes, o país não brilha também onde deveria. Com pífias quatro medalhas conquistadas até agora, fica numa vergonhosa posição quando se compara com o desempenho das verdadeiras potências mundiais e olímpicas como Estados Unidos, China, Japão, Alemanha, Coreia do Sul, França e Grã-Bretanha. Ao final dos jogos, juntando todas as medalhas, ficaremos certamente num ridículo lugar para a tristeza de quem gosta da prática de esportes. Uma pergunta já rotineira: cadê os nossos medalhistas em uma população de mais de 204 milhões de habitantes?
Figurando dentre as 10 maiores potências econômicas da atualidade e segundo maior produtor de alimentos do planeta, mas com 15 milhões de famintos e miseráveis, o Brasil não consegue se destacar em absolutamente nada. É o terceiro país mais desigual do mundo ficando à frente apenas da Bolívia e do Haiti. Tem um IDH que o coloca numa inexpressiva posição, seu sistema de educação é reconhecido como um dos piores da humanidade, tem uma sociedade violenta com mais de 50 mil assassinatos ao ano e segundo a OMS, fica em 88º lugar em qualidade na saúde. Com esses números absurdos e repetitivos ano após ano, a injusta e corrupta nação tropical não poderia mesmo fazer bonito em uma competição internacional e de ponta como uma Olimpíada. Esses jogos olímpicos, trazidos por Lula e o PT, só mostraram ao mundo nosso horror.
A maioria dos nossos jovens e futuros medalhistas olímpicos está abandonada pelo poder público pedindo esmolas e vendendo balinhas nos sinais de trânsito, se drogando nas esquinas, se prostituindo nas ruas escuras, servindo de aviãozinho do tráfico nos morros e favelas e até trocando balas com a polícia. Se a escola do Brasil fosse de boa qualidade e inclusiva, seria o local ideal para a formação dos futuros campeões olímpicos e mundiais. Com as “aulinhas” de Educação Física e os “JOER da vida” não chegaremos a lugar algum. A Hungria, por exemplo, país do centro da Europa com menos de 10 milhões de pessoas e do tamanho do Estado de Santa Catarina já tem até agora 11 medalhas das quais cinco de ouro. O que diferencia os húngaros dos nossos compatriotas é a educação de qualidade e o grande incentivo aos esportes naquele país.
O incentivo à educação de excelência e ao esporte tiraria automaticamente os nossos jovens e adolescentes das ruas, da vida de crimes e os projetaria para o sucesso. E toda autoridade deste país sabe disto, mas não o faz, pois quase ninguém cobra deles. Não temos medalhistas porque não treinamos nem somos educados para a prática de esportes, simples assim. Kohei Uchimura, ginasta japonês, sentenciou enfaticamente: “não acredito em Deus, acredito em treinamentos”. Aqui, os esportistas ganham suas raras medalhas praticamente por esforço próprio e garra. Por isso, a única medalha de ouro ganha até agora não devia ser do Brasil, mas somente da judoca Rafaela Silva e de seu treinador. Além de não ter incentivo estatal, os brasileiros de um modo geral não gostam de negros, pobres, petistas, homossexuais, favelados e cotistas. Assim, em outras conquistas nem o hino nacional devia ser cantando nem nossa bandeira hasteada.




*É Professor em Porto Velho.

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Ataques injustos a Rondônia

Ataques injustos a Rondônia
Professor Nazareno*

           Estou muito indignado e gostaria de denunciar ao Brasil e ao mundo toda minha insatisfação e repúdio àquelas pessoas que falam mal de Rondônia. A atriz Susana Vieira da Rede Globo, por exemplo, teria falado mal do nosso Estado e de sua capital Porto Velho em uma recente entrevista em Curitiba no Paraná. Um acinte. Um absurdo. Um desrespeito. “O Norte e o Nordeste talvez não saibam o que está se passando aqui” disse ela, referindo-se à Operação Lava Jato. Chamou-nos, portanto, de analfabetos políticos. Anteriormente, a competente e renomada atriz global, teria dito que parte da família dela “mora no mato”. Esse mato a que ela se refere claro que é Porto Velho, a nossa querida e amada cidade. Não nasci aqui, mas “sou rondoniense de coração” e não admito que pessoas, famosas ou não, falem mal desta cidade e deste querido Estado.
           Temos que tomar providências urgentemente para que não vire moda falar mal da nossa terra. Em 2009, a repórter Eliane Brum da Revista Época ousou falar asneiras sobre a nossa estimada capital. Ela escreveu uma matéria dizendo que os preços dos aluguéis em Porto Velho eram mais elevados do que em São Paulo. Sim, a nossa capital é muito mais importante para o mundo do que a capital dos paulistas. Disse que o nosso sistema de saúde era precário e que a rede escolar era deficiente. Tudo inveja da jornalista. Hoje tudo está diferente. A saúde, depois dos últimos governos, melhorou bastante e é exemplo para o mundo inteiro. A educação de Rondônia, nem se fala. É um primor de tanta eficiência e qualidade. Falou também que nossas ruas eram esburacadas e que o saneamento básico era inexistente. Ah! Se esta jornalista viesse hoje aqui...
         Naquele tempo a realidade era bem diferente dos dias atuais. Porto Velho é agora uma cidade bonita sem lama ou poeira. E fria. Depois de Roberto Sobrinho, de Mauro Nazif e das hidrelétricas somos melhores até do que Curitiba, que a atriz Susana Vieira elogiou tanto. Não sei por que. É uma injustiça falar mal da “terra de Rondon”. Em 2011 Rafinha Bastos disse que o nosso povo era feio. Existe povo mais bonito do que os rondonienses? Outra atriz global, Angélica, disse que a simpática cidade de Ariquemes ficava “no fim do mundo à esquerda”. Que horror! Até o cantor João Bosco da dupla João Bosco e Vinícius teria dito, segundo o Jornal Extra de Rondônia, que nós deste lugar “devíamos nos orgulhar de receber um show deles, porque é muito longe para vir neste fim de mundo.” Depois ele negou tudo. É muita injustiça conosco, mano!
        Este ano de 2016 foi a vez de a cantora Alcione implicar com Rondônia. Ela reclamou do nosso clima de Alpes suíços. Deixou um show pela metade por que segundo ela não estava aguentando o calor daqui. Porto Velho e Rondônia são lugares maravilhosos, logo não entendo o porquê de tanta reclamação. Não temos políticos ladrões, não existem obras inacabadas em cidade nenhuma deste Estado, a TV Rondônia não exibe programas gravados, nossos médicos e professores são os melhores que há e aqui só existe progresso e desenvolvimento. Eu não trocaria a capital de Roraima por lugar nenhum deste mundo. Só não entendo por que as Olimpíadas foram realizadas no Rio de Janeiro e não aqui. Devíamos boicotar todos aqueles que injustamente se referem a nós com tanta maldade e mentiras. Será que as revistas Veja e Época, a Rede Globo e o resto da mídia sensacionalista do Sul já ouviram falar em um São João fora de época? 




*É Professor em Porto Velho.


sábado, 6 de agosto de 2016

Olimpíadas: só decepções



Olimpíadas: só decepções

Professor Nazareno*

          
                 A cerimônia de abertura dos jogos olímpicos no Rio de Janeiro na sexta-feira, 05 de agosto de 2016, foi uma grande decepção. Foram quase quatro horas de pura embromação, mau gosto e breguice. Quem perdeu seu precioso tempo para ficar diante da televisão naquela “fatídica noite de horrores” pode se arrepender amargamente. As duas únicas certezas que se tinha, simplesmente não aconteceram para a frustração dos mais de 204 milhões de brasileiros e para boa parte dos esportistas espalhados pelo mundo: nem Pelé acendeu a pira olímpica nem o presidente interino dos brasileiros foi vaiado, pelo menos na proporção que merecia. O espetáculo foi circense do começo ao fim, aliás, coisa típica de um povinho tosco. Usar só a cidade do Rio de Janeiro como sendo todo o Brasil foi de um péssimo gosto. Mas foi bom: não teve Boi nem Nordeste.
            Pelé, o Cavaleiro Comandante da Mais Excelente Ordem do Império Britânico, o atleta do século XX, o maior goleador da história do futebol e embaixador mundial deste esporte, o brasileiro mais conhecido no mundo, herói nacional, dentre tantas outras honrarias “nem deu as caras” naquele triste espetáculo. Perguntado antes se iria acender a pira olímpica, deu desculpas esfarrapadas falando de contratos comerciais. Depois alegou problemas de saúde. Outra mentira, pois nas Olimpíadas de 1996 em Atlanta nos Estados Unidos, Mohamed Ali, já doente e cansado, aceitou a honraria para alegria de seu país. De quem foi o erro? O Comitê Olímpico e os organizadores deveriam ter convidado “Pelé” para participar da cerimônia e não o cidadão Edson Arantes do Nascimento. Fosse na Argentina, quem teria esta honra senão o Maradona?
            A tristeza do dantesco show também mostrou o presidente do COB, Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman, que numa noite de pouca inspiração serviu de galhofa para o mundo inteiro. Todo se tremendo e com um inglês sofrível, usou a palavra “sex” (sexo) no lugar de “sucess” (sucesso) e rapidamente sua fala invadiu as redes sociais em tom de avacalhação. Mas o pior ainda estava para acontecer. O momento épico da festa mostrou ao mundo Vanderlei C. de Lima. Embora um cidadão íntegro, mas comparado a Pelé, é um ilustre desconhecido. Eu mesmo o encontrei caminhando no podre Espaço Alternativo de Porto Velho e não o reconheci. Poucos brasileiros já ouviram falar dele e raríssimos sabem qual o esporte que ele praticou. Diferente de Pelé, Vanderlei ganhou uma única medalha de bronze, mas acendeu a pira.
            Porém, as decepções e agruras para o Brasil e os brasileiros não vão parar por aí nestas Olimpíadas. O total de medalhas que o nosso país ganhará na competição vai beirar como sempre, o ridículo, o absurdo, o surreal. Diferente das grandes potências olímpicas, o país do JOER e dos atletas que pedem esmolas para participar de competições se contentará com menos de 20 medalhas no total, enquanto os atletas de países como Estados Unidos, Japão, Alemanha e China disparam no quadro total de honrarias. Gastar bilhões de reais do dinheiro público para ganhar algumas medalhas e passar vergonha na cerimônia de abertura é o fim da picada. Pelé, o Deus do futebol, acendendo a pira olímpica e o golpista e interino presidente Temer sendo vaiado pelos seus cidadãos não resolveriam os nossos problemas. Mas seria um alívio para muitos de nós, que esperávamos algo mais real numa das piores festas que o esporte já viveu.




*É Professor em Porto Velho.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Bênçãos sobre Porto Velho




Bênçãos sobre Porto Velho

Professor Nazareno*

Juro que outro dia pensei em sair de Porto Velho para ir morar na paradisíaca Serra Gaúcha ou mesmo na florida, limpa e civilizada Curitiba, capital do Paraná, onde tenho inúmeros parentes. Mas me arrependi assim que acabaram as convenções para a escolha dos candidatos a prefeito nas próximas eleições da capital mais suja, feia e fedorenta do país. Abandonar a “terra dos destemidos pioneiros” para morar em lugares modernos e limpos é deixar para trás um vasto laboratório de pesquisas sociais e antropológicas pronto para ser estudado, compreendido e divulgado ao mundo devido às suas muitas peculiaridades. O perfil dos inúmeros cidadãos querendo ser prefeito ou mesmo vereadores na “capital da podridão” faria celebridades como Lévi-Strauss, Karl Marx, Max Weber ou Émile Durkheim  virem correndo para este conhecido inferno.
A cidade dos “quinhentos mil matutos num canto só” desafia a sua própria lógica existencial ao ter como candidatos “certas tranqueiras” já conhecidas e com possibilidades de lhe administrar pelos próximos quatro anos. E o desdentado e ignóbil povo eleitor, feliz e satisfeito, já ensaia suas briguinhas pelas redes sociais e faz sua torcida junto ao candidato de sua preferência. Na demoníaca relação de postulantes ao desprezível cargo de “alcaide” constam dois que já cumpriram cadeia por terem se envolvido em operações policiais contra a corrupção, um notório incompetente em administrar a coisa pública e mais uns quatro que mais se parecem com a “segunda pessoa do quase nada”. Todos com chances de “levantar o caneco” e comandar a alegre matutada desacostumada com coisas simples e triviais como esgoto e água tratada.
Ficarei pelo menos mais quatro anos em Porto Velho fazendo as devidas observações. E quando “me passar dessa para outra melhor” (que será bem melhor, claro!) quero ir para o inferno. Então o estágio que faço em Rondônia por livre e espontânea vontade me será extremamente útil. Raciocinei com lógica: se eu sair daqui, quem vai falar mal deste lugar? Reeleger “um nada” para mais quatro anos, por falta de opção, seria a maior demonstração de sadismo que uma sociedade poderia dar. Seria, pois ainda tem “coisas” muito piores. Será que nós, eleitores karipunas, merecemos tanta desgraça? Será que somos amaldiçoados? Só pode ser. Ouvi dizer que “votar é legal”. Isso é uma brincadeira de muito mau gosto. Em Porto Velho, por exemplo, votar além de ser obrigatório é uma das piores coisas que um cidadão consciente pode fazer.
Mas as esquisitices da terra que inventou o “São João fora de época” não param por aí. Basta dar umas voltinhas pelo centro do que chamam de cidade para perceber que as bênçãos que isto aqui recebe vêm do Satanás e das profundezas do mármore quente. Deus, com certeza, já abriu mão de melhorar esta cidade esquecida e abandonada pelos maus políticos e autoridades escroques. Falar das ruas esburacadas, da poeira do verão e da lama do inverno já virou rotina numa capital sem eira nem beira cuja maior atração turística são os ratos e urubus que infestam suas principais avenidas, onde o esgoto corre a céu aberto para deleite dos habitantes já conformados com tanta desgraceira. As obras públicas inacabadas dão o toque final na “pior dentre as capitais do Brasil em qualidade de vida”. Riam e se sintam felizes com a atual situação sinistra da cidade, pois em Porto Velho é assim mesmo: o que é ruim pode ficar ainda bem pior.



*É Professor em Porto Velho.